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Quinta-feira, 4 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
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GANG GANG DANCE
Saint Dymphna
CD Warp – 15.95 eur

Na questão de linguagem que o rock mais transversal desta década conseguiu transmitir para a música popular serão poucas as bandas que exemplificam a linha ténue que pode existir entre os dois mundos. É um feito impressionante, não na onda de “ao alcance de alguns”, mas sim por aqueles que conhecem bem os impulsos desse lado mais fora. Sem qualquer demérito, coisas como MGMT, High Places, No Age, entre muitos outros, não impõem valores de rua e liberdade na sua música e é o lado pop que mais salta, não existindo propriamente uma quebra de fronteiras mas antes uma integração na pop de elementos que por norma são exteriores a ela. Há então o outro lado, o lado que vem de fora para dentro, de gente que fazia música que ninguém – passe o exagero – ouvia e que de repente todos querem ouvir. O lado que dá realmente a conhecer universos onde o consumidor comum nunca se atreveria a ir e que hoje, por causa da paixão pop de certas bandas, sente como terra firme. Ou seja, a pop, ou a música popular, já lá estava só que a maior parte dos ouvidos nunca a tinham descoberto. Pense-se em Black Dice, Excepter, Animal Collective e Gang Gang Dance, tudo bandas de Nova Iorque, que no início desta década poucos acreditavam que realmente pudessem fazer a diferença, não pelo produto em si mas pela descrença no público. Felizmente estavam enganados e hoje é impossível contornar esta década, todos os anos desta década, sem falar num destes nomes. 2008 é o ano dos Gang Gang Dance que, três anos após a obra-prima “God’s Money” (de caras no top 10 desta década) editam “Saint Dymphna”, acessível e monumental, onde desfilam géneros e mais géneros que, com o passar dos segundos, o tornam numa coisa indefinida, mas ao mesmo tempo tão concisa e directa naquilo que pretende. A voz de Liz Bougatsos é uma evocação épica do melhor da pop 80s no feminino (pensem em Yoko Ono ou Kate Bush) por cima de batidas que transmitem uma visão extraterrestre da música de dança. Bem misturado (a passagem de “Bebey” para “First Communion” é das coisas mais INCRÍVEIS deste ano) e com temas que mexem e fazem história (”Vacuum”, “House Jam” e “Desert Storm”), “Saint Dymphna” é a porta para um outro universo que faltava encontrar neste ano e, para alguns, nesta década.

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