Revisão 2008 – 10
Segunda-feira, 22 Dezembro, 2008Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Paw Tracks, Rings
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

RINGS
Black Habit
CD Paw Tracks – 14.95 eur
Rings retrata uma nova vida no trio anteriormente conhecido como First Nation. Mudança de nome por uma questão de identidade e de sentido de localização com o que agora criam. Nina Mehta, Abby Portner (irmã de Dave Portner dos Animal Collective) e Kate Rosko sentem que produzem música circular, ajudada pelo que ouvem nascer das suas três vozes em conjunto e dos instrumentos de que se fazem acompanhar: teclados, percussão e guitarra. Se na primeira vida se colocavam no universo feminino da Nova Iorque dos Gang Gang Dance, Animal Collective, Black Dice e Excepter, como Raincoats e Slits no pós-punk britânico, em “Black Habits” deslocam-se por completo dessa realidade embora este disco recorra a muitos argumentos de “Odyshape” (segundo álbum das Raincoats). Há aqui qualquer coisa pessoal a funcionar, mais do que o enquadramento numa cena, ou numa cidade, expõe-se a vivência e a prática destas três mulheres ao longo dos últimos dois anos. Não soam a nada que se faça à volta, embora seja fácil julgá-las como “Animal Collective no feminino” mas são mais um híbrido de festa na selva (género anúncio de UmBongo) com a paixão ácida dos Gang Gang Dance pelos anos oitenta. Música urbana que parece deslocada do seu espaço, com centro na folk mas ritmos influenciados pela pop, r&b e hip hop dos nossos dias. Kia Brekken, antigo elemento dos islandeses Múm, produz o segundo álbum deste trio e concilia a rebeldia inata da música com a singeleza e inocência da sua anterior banda. Ou talvez não o faça e isso seja mesmo habilidade natural das Rings (escondida no ruído de “First Nation”). “Black Habits” chega-nos limpo de impurezas da inexperiência, embora isso não signifique o aborrecimento da maturidade, mas tudo o que era bom e incrível nas First Nation chega-nos agora de forma evidente, transparente, nas Rings.
(Abril 2008)

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