RSD09 – Questionário #48

Segunda-feira, 20 Abril, 2009
Categoria: Destaque
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Este inquérito é uma forma de celebrarmos o Dia da Loja de Discos, assinalado a 18 de Abril e internacionalmente conhecido como Record Store Day. Cliquem no link acima para saber de que outras formas celebrámos o dia e quem nos ajudou.
11 perguntas quase só sobre discos. Muitas respostas. Muito obrigado a quem acedeu em partilhar os seus gostos connosco. Publicaremos tudo neste blog em ritmo RSD até ao final do mês de Abril e, após, de forma mais descontraída. Amor e paz para todos.

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RUI MIGUEL ABREU
Jornalista (Blitz, Jazz.Pt, Parq, Op.), Radialista (Antena 3, RDP África)

Um disco que tenha sido muito importante (e já não seja) + razão.
“A Day At The Races” dos Queen, presente de aniversário no início da adolescência. Foi muito importante porque foi por aí que aos 11 ou 12 anos começou a minha relação com os discos (com a música tinha começado antes, através da rádio). Eu tinha uma paixão inexplicável pelos clássicos dos Queen e cheguei a conhecer o “Live Killers” de cor, que deve ter sido o primeiro disco que eu próprio comprei. Depois li uma entrevista do Freddy Mercury a falar de um tipo chamado Bowie que o tinha influenciado muito, fui procurar e… aqui estou.
Um disco que seja muito importante agora + razão.
Discos muito importantes agora, apetece-me dizer, são os que resistiram aos filtros do tempo e ainda asseguram lugar nas prateleiras cá de casa. Individualizar é complicado, mas poderei talvez nomear o álbum de Map of Africa – por ser um disco discreto que contém enormes lições lá dentro: DJs a fazerem rock, com toques de psicadelismo e nítida vontade de quebrar regras e ainda assim não recusar uma certa ideia de passado. A lista podia continuar e passar por Theo Parrish ou por uma certa ideia de reinvenção do funk patente nos projectos do Malcom Catto, por exemplo. Mas assim já não seria apenas “um disco muito importante”, mas vários…
Um disco irresistível mas que o resto do mundo acha que é mau.
2 Live Crew “As Nasty As They Wanna Be”.
A capa de disco favorita?
“What’s Going On” de Marvin Gaye – em primeiro lugar porque é a capa de um dos melhores discos de todo o sempre e depois porque gosto de imaginar o que estaria na cabeça do Marvin naquele momento…
Mais CD ou mais vinil? Porquê?
Mais vinil. Acho que a principal razão tem a ver com o ano em que nasci e que coloca o meu período de aproximação intensa à música em plena era do vinil. Por isso mesmo, a excitação de arranjar um novo disco, de chegar até um título que se queria muito, está incontornavelmente associada ao vinil. Com os anos descobri outras virtudes nos discos de vinil: não vou falar da qualidade de som e fingir que sou um audiófilo paranóico, mas há outros aspectos – como o impacto das capas – que resultam melhor no formato de vinil; além disso, muito do prazer da música está também associado ao prazer da procura, da caça e muita da música que me interessa e que vou descobrindo em feiras e lojas de segunda mão não está disponível em CD.
Qual o primeiro disco que se lembra de comprar e onde foi?
Confundo um pouco os primeiros que recebi de presente com o que possa ter comprado, mas penso que talvez tenha sido o “Live Killers” dos Queen (true!) na discoteca Eselindo (2xtrue!) em Coimbra. Comecei por um álbum duplo porque tinha acabado de receber dinheiro no aniversário.
Qual o último disco que comprou?
Cinco maxis da Whatever We Want.
Qual o disco que irá comprar de certeza, em 2009?
Os próximos lançamentos de Omar S, Moodyman, Theo Parrish, Whitefield Brothers, Numero Group, Soundway, Analog Africa, Now Again… O “Spaced” do Milton Wright. A procissão ainda vai no adro…
Qual é o artista mais representado na colecção?
Difícil… Será um confronto entre Tom Waits, Fela Kuti, Isaac Hayes, James Brown, Herbie Hancock e DJ Shadow… assim de repente.
De que artista tenta comprar todos os discos, bons e maus?
Tom Waits, Fela Kuti, Isaac Hayes, James Brown, DJ Shadow (mas estes não têm discos maus – bem, talvez a remistura dos Keane feita pelo Shadow não desmereça esse classificativo… no Herbie há coisas recentes para que não tenho mesmo paciência.
Que projectos tem em mãos actualmente?
Estou a começar a organizar algumas das coisas que escrevi ao longo dos anos num livro. Tenho igualmente um projecto de ficção literária que poderá nunca ser terminado ou ver a luz do dia, mas que me toma algum tempo. Paralelamente: 24thebass.blogspot.com; escrita/rádio; série de workshops sobre diggin’/coleccionismo de discos; regresso one off do Museu Cósmico no âmbito do ano internacional da Astronomia; reorganização da colecção após uma mudança; ler muito, ouvir ainda mais música; fazer muitos grelhados; aproveitar a praia; gozar a família.

Para ouvir: entrevista com Rui Miguel Abreu a propósito da sua loja de discos Lollypop (1993-1998).

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