Quinta-feira, 10 Setembro, 2009

THE XX xx CD

€ 12,50 CD Young Turks  ENCOMENDAR

Lembram-se de como algumas vezes o baixo, só o baixo, dos Cure dá aquela sensação de final de filme, horizonte a fechar-se no ecrã e um vago sentimento de nostalgia por qualquer coisa? Ou, concretamente, como “Just Like Honey” encaixa tão bem no final de “Lost In Translation”. São coisas que, por mais fatelas que sejam, acabam por ficar ou então dão-nos aquele segundo de coragem, precedido de hesitação, para fazer algo que devia estar feito há muito tempo. Ora bem, “xx” tem onze temas assim.  De Londres para o mundo, neste quarteto tudo parece imbuído de um momento de glória a acontecer. Há uma atitude paciente em quase todos os temas. Um olhar brando que não significa contenção, mas que contempla o tal momento de final de filme enquanto o vive. Os XX são, usando um habitual cliché, algo de cinematográfico. Não pela paisagem ou banda-sonora, mas pela própria ficção que reveste as suas canções, localizada num qualquer filme de ficção científica dos anos 80. Digamos que, em termos de linguagem, lembra uns Chromatics sem o filtro cosmic/disco e o ideal de banda-sonora para a mistura de carro, chuva e cidade. Uns Books despreocupados ou o desencanto dos Young Marble Giants, passe o exagero, transformado numa coisa do século XXI. E como fugir à espécie de versão de “Wicked Game” conseguida em “Infinity”? Uma delícia. Mas também uma inteligente adulteração que não deve ser confundida com plágio. “xx” é quase todo assim, algo que já foi, que já se ouviu, onde já se esteve, sem o desconforto do passado. Faz com que tudo pareça simples; faz com que tudo seja realmente simples.

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