Terça-feira, 5 Janeiro, 2010

PLAYGROUP Playgroup 2LP

playgroup

€ 21,50 € 12,00 2LP Source

Ao pensar-se nos primeiros anos do século XXI e no que aconteceu na música popular, é impossível ignorar o primeiro e único álbum de Trevor Jackson como Playgroup. Editado no final de 2001, é tão antigo como a Flur e foi especial não só para nós mas sobretudo para definir, antes da DFA ter começado a editar, quase tudo o que de importante aconteceu na música de dança da década passada. O seu grande trunfo é a síntese de diferentes sensibilidades que, a certa altura e discutivelmente, encontraram nome comum com a cena electroclash. Mas Trevor Jackson distanciou-se desde logo da catalogação fácil (a sua versão de “Behind The Wheel” dos Depeche Mode para a série DJ-Kicks em 2002 chamava-se Electroca$h mix), Playgroup foi a sua fantasia de estúdio, o seu tributo a muita música que o formou e entusiasmou (entram no álbum Roddy Frame dos Aztec Camera e Edwyn Collins dos Orange Juice, por exemplo). Para além da música, a concepção visual do disco faz-nos prestar atenção ao facto de Jackson ser igualmente designer gráfico (desenhou capas para várias editoras de dança durante os anos 90, para os Soulwax nos anos 00, Matias Aguayo “Ay Ay Ay” e Junior Boys “Begone Dull Care” em 2009, etc.). A junção de música e imagem podia ser gratuita mas torna o álbum num pacote com a referência certa aos já amplamente explorados anos 80. LCD Soundsystem levariam o conceito mais longe (e mais longe no tempo, também), mas canções de Playgroup como “Make It Happen”, “Bring It On”, “Overflow”, “Front 2 Back” ou “Number One” foram o statement certo numa época necessitada de ir buscar ao passado a energia para derrubar algumas convenções que adormeceram a música de dança num torpor asséptico dominado por uma noção de estilo massificada. “Playgroup”, o álbum, mantém hoje grande parte da frescura que injectou na cena, as boas canções continuam a sê-lo e Trevor Jackson não teve até agora a tentação de repetir a fórmula.

A sua presença pura na indústria musical tornou a editora Output numa das mais singulares do meio independente e fez também com que soubesse terminá-la quando deixou de conseguir lidar com os egos, oportunismo e falta de imaginação da indústria. Durou 10 anos, entre 1996 e 2006, dominou a fronteira nem sempre perceptível entre a pop e o que se pode chamar “experimentalismo popular”, foi colada ao electroclash (um dos indicadores que cansou Jackson) mas antes disso já tinha lançado os Fridge e Four Tet, por exemplo. Ética indie aplicada a uma política musical muito pessoal e a uma visão gráfica herdada de editoras como a 4AD e a Factory.

Temos alguns (muito poucos) exemplares novos do LP duplo de Playgroup e lembramos que o último que vendemos na Flur foi em Abril de 2003 por €21,50! Agora por €12 e acreditem que é muito difícil encontrar hoje o disco por este preço em estado de conservação tão bom.




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