Sexta-feira, 23 Novembro, 2012

JAN BANG & ERIK HONORÉ feat. DAVID SYLVIAN
Uncommon Deities CD

€ 16,50 € 12,50 CD Samadhisound  ENCOMENDAR

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O festival Punkt, na pequena cidade de Kristiansand, na Noruega, é conhecido por construir concertos de remistura que acontecem pouco tempo depois dos originais. De uma sala para outra, o ambiente transfigura-se em algo inesperado, alimentado por uma série de alquimistas que prezam a ideia da reutilização e do sampling e da improvisação – não são poucas as vezes em que os concertos secundários se tornam os mais interessantes da noite. Jan Bang, figura administrativa do Punkt, é, claro, um dos estrategas normais dessas acções de reciclagem sonora – a sua participação num concerto de remistura de Jon Hassell fê-lo, até, entrar na sua banda ao vivo por uns anos. E como músico empenhado em transfigurar a música que ouvimos, é um convidado regular nas estatégias oblíquas que David Sylvian vai fazendo na sua Samadhi. “Uncommon Deities” é uma reinvenção de uma instalação audiovisual de David Sylvain para o festival Punkt de 2011, feita por Jan Bang e Erik Honoré – cofundadores do evento. No local, uma série de pinturas de Atsushi Fukui eram preenchidas no espaço pela música de Sylvian. A edição em CD não contém essa banda sonora funcional, mas é uma reinterpretação da atmosfera da galeria em Kristiansand, remisturada e amplificada por novas composições com alguns dos músicos originais e, sobretudo, pela inclusão de Arve Henriksen e Sidsel Endresen, para além das palavras do próprio David Sylvian. Toda a magia recorrente das edições da Samadhi está aqui nesta obra – Sylvian tem sabido como ninguém construir uma família numerosa de músicos muito distintos mas com ligações umbilicais a um universo coeso e quase sempre deslumbrante. Quando não temos novos álbuns do ex-Japan, vamos tendo estas quase-obras de Sylvian que nos dão quase tanto para ouvir que nos esquecemos dos seus verdadeiros autores. Paisagens electro-acústicas delicadas, ricas de pormenores, entre a suave canção encantatória ou a carícia literária das palavras, num mundo que tanto parece organizado como entregue à sorte instintiva do improviso. Continua a vir desta editora a melhor música do mundo. E por isso é que há uma edição de luxo para tentar representar melhor “Uncommon Deities” na sua inteira forma.

 

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