Sexta-feira, 24 Outubro, 2014

LUST 847: PEDRO RAMOS


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

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24.10.2014
“LISBOA”
por PEDRO RAMOS

Neste texto irei agora, em consciência, ignorar o Mal do Mundo
e começar por escrever que Lisboa segue vivendo o seu Verão Eterno.
Em frente.
Um conjunto de estruturas e de programadores
raptaram-me há muito o meu coração e ataram-no a esta cidade.
Com tudo o que há para fazer,
não me parece que alguma vez consiga sair daqui.
De repente, de cabeça e em modo lista de supermercado, eis a gloriosa semana:
Um novo prisma para “Macbeth” no Maria Matos,
que ainda há dias celebrou o centenário de Sun Ra numa matinée de luxo.
No Museu do Chiado, Sara & André prosseguem o seu Exercício de Estilo.
No Lux, John Talabot pensa a noite de 24, com os seus DJs preferidos nos dois pisos.
No Musicbox a 25 há Tim Hecker e Moonface a jorrar sangue para o piano.
Nessa mesma noite um Lux esgotado recebe Ty Segall,
autor do concerto em que no passado Primavera Sound fiz stagediving,
algo que não acontecia há uns 15 anos.
A propósito dos 20 anos de ZDB,
metade dessas duas décadas surgem retratadas em “Convite” de Vera Marmelo e Luís Martins.
Filho Da Mãe a 29 n’O Bom, O Mau & O Vilão.
A 30, a Black Balloon regressa com os sempre imprevisíveis Liars
e a explosão dançante de Mess,
seguido de wrestling DJ regado a fuzz e tropicalismos diversos.
The Glockenwise e o gira-discos de Jonathan Toubin no Cais do Sodré a 31.
A 1 de Novembro estreia no Palácio Foz o documentário “Uivo” de Eduardo Morais,
sobre Deus António Sérgio.
No mesmo dia, Shabazz Palaces no Musicbox,
Simon James Philips no Panteão Nacional
e ainda Black Bananas e Putas Bêbadas no regresso à Zé Dos Bois.
No dia seguinte, Chris Garneau no Conservatório.
E no meio de tudo isto ainda há Doc Lisboa ou “O Narrador Relutante” no CCB.
Querida EMEL,
é por isto que os teus papelinhos amarelos vão para o lixo.
Tenho coisas melhores onde gastar o meu dinheiro.

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dezoito. é essa a contagem dos balões negros no lux. com o concerto dos liars (e outras agitações) no dia 30 de outubro, chega-se a essa marca de maioridade que as noites black balloon atingirão. pedro ramos, voz de sucesso da rádio radar, é o instigador destas propostas. como sempre tem acontecido, um olhar atento à cena que nos (co)move.



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