Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado,18 Junho 18h30 > 20h00. Super Disco: Dr. Seuss “Fox In Socks / Green Eggs And Ham” (1965)
Sacramento, Paris, Colónia, Berlim e Lisboa são algumas das cidades onde este norte-americano viveu e trabalhou (ou ainda o faz). Estudou e praticou piano antes dos 10 anos de idade, dirigiu coros de crianças na igreja, fez demonstrações de instrumentos, foi professor de artes visuais, é músico, vocalista e DJ e a sua base actual é Lisboa, onde o podem encontrar esporadicamente a tocar ao vivo ou passar discos. Esteve no topo nos anos 90 com o hit house “From Disco To Disco” (co-fundou os Whirlpool Productions), vai contar-nos como sentiu o mega-sucesso, o que o trouxe dos EUA para a Europa há 20 anos, o que andava a fazer com os Beatnigs de Michael Franti, o que faz actualmente e como veio parar a Lisboa. Como Super Disco escolheu um standard norte-americano das histórias infantis: “Fox In Socks / Green Eggs And Ham” (1965) é a transposição para audio de dois livros de Dr. Seuss com canções, histórias e trava-línguas. Eric tem especial preferência por “Green Eggs And Ham” também pelo acompanhamento musical de Sheldon Manne. Como ligar tudo isto e muito mais que desconhecemos? Só fazendo perguntas.
NOTA: Esta sessão decorrerá em Inglês, esperamos que não seja impeditivo para a maioria de vós.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 21 Maio 18h30 > 20h00. Super Disco: Karlheinz Stockhausen “Mikrophonie” (1964 e 1965)
Vitor Rua fundou os GNR e Telectu, há 30 anos, e o seu nome nunca deixou de estar ligado, frequentemente em simultâneo, à vanguarda pop portuguesa e à experimentação de novos sons e conceitos muito para além da utilização da guitarra, o seu instrumento habitual. Depois do último concerto com os GNR em Vilar de Mouros (1982), em projectos a solo ou colaborações, agitou o meio musical, provocou paixões e desentendimentos, criticou e ainda critica aquilo que considera injusto, mal feito e oportunista nesse mesmo meio. Nascido em 1961, Vitor Rua chega aos 50 anos de idade em 2011 com o grau de militância intacto e cada vez mais distante, musicalmente, dos primeiros singles de GNR, seja através da relação entre composição e improvisação, já presente nos Telectu, ou na composição mais rigorosa (óperas, música para dança, video, poesia, teatro). Escolheu para esta sessão “Mikrophonie”, uma obra em duas partes (1964 e 1965) de Karlheinz Stockhausen. Aqui, o compositor alemão procurou deslocar o microfone da sua posição passiva de mero reprodutor de som para um papel activo na captação de vibrações e “detecção” sonora. Tentaremos saber quando e como este disco apareceu no percurso de Vitor Rua, como compara a actualidade aos seus primeiros anos como músico. Quem viu os seus recentes videos no YouTube (retirados entretanto) vai querer conhecer, também, o espírito que anima a oposição.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 16 Abril 18h30 > 20h00. Super Disco: Brian Eno “Before And After Science” (1977)
Tal como para o Rui Miguel, o Rodrigo Amado é um velho conhecido nosso de várias andanças no meio musical. Pode existir um mundo de diferença entre a improvisação com saxofone e a gestão de uma loja de discos, há com certeza vários mundos entre esses dois – digamos – pólos, e parece-nos ter sido sempre com naturalidade e empenho que o Rodrigo aparece na defesa daquilo que faz. O Rui Miguel fala com ele no Sábado, 16 de Abril, e é com prazer que incorporamos esta actividade nas nossas comemorações do Record Store Day 2011. Rui Miguel Abreu escreve:
“Lembro que me cruzei pela primeira vez com o nome de Rodrigo Amado na capa de “Corações Felpudos” dos Mão Morta e lembro-me também de não ter estranhado a presença de um saxofonista no segundo álbum de uma banda que já me tinha habituado a considerar como abrasiva: o trabalho de Steve Mackay em Funhouse dos Stooges era razão mais do que suficiente para encaixar da melhor forma essa “anomalia” na ficha técnica de “Corações Felpudos” numa altura em que as guitarras dominavam a paisagem musical das minhas prateleiras de discos.
Voltei a ler o nome de Rodrigo Amado mais algumas vezes em contextos mais “apropriados”: em trabalhos de gente como os Duplex Longa, Vítor Rua, Sei Miguel, João Peste. Só o conheci uns anos mais tarde, como homem do leme de uma belíssima loja de discos que a Valentim de Carvalho ousou lançar no Chiado antes da Fnac, primeiro, e a contracção do mercado, depois, terem ditado o fim da aventura e a alteração das regras do jogo.
Quando me voltei a cruzar com o Rodrigo, numa tarde num escritório junto ao jardim de Oeiras, reedições da Actuel e as possibilidades de cruzamento entre a Clean Feed e a Loop ocuparam a nossa conversa. Daí resultaria a cumplicidade que levou a que voltasse a cruzar-me com o nome de Rodrigo Amado nas fichas técnicas de discos de Rocky Marsiano e DJ Ride que eu próprio ajudei a lançar. A partir daí cruzámo-nos um sem número de vezes em situações de concerto.
E os cruzamentos continuam, de outra forma, nos discos que tem lançado nos últimos anos, que me desafiam a atenção, me obrigam a repensar coordenadas do jazz e me enchem de orgulho quando motivam, na imprensa internacional, palavras como “a fast rising star of European improvisation”. E depois houve a outra surpresa, da câmara fotográfica, que tem levado Rodrigo a expor ideias de outra forma, mas com idêntica entrega.
Ainda assim, apesar de todos os cruzamentos e de algumas surpresas, nada me faria pensar que a resposta do Rodrigo ao desafio Super Disco seria “Before and After Science” de Brian Eno, maverick da cena rock britânica que em 1977 conseguia lançar a vista para lá da nuvem causada pela explosão punk e sonhar um futuro que James Murphy, por exemplo, voltou a reclamar no presente. E ainda titulou canções com anagramas que antecipavam o seu próprio futuro. Apesar do cast de estrelas que se lista na ficha técnica, e que inclui Robert Fripp em “cascade guitars”, não há lugar para nenhum saxofonista, o que só reforça a surpresa. Sábado 16, pelas 18 e 30 no Maria Matos, haverá portanto, mais uma vez, lugar a cruzamentos e a surpresas. Em dia de celebração das lojas de discos.”
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
13h00 – Flur playlist 15h00 – Alcides (DJ) 16h30 – Afonso Pais & JP Simões com Carlos Barretto (ao vivo) 17h00 – Tiago Sousa toca Zeca Afonso (ao vivo) 17h30 – June (ao vivo) 18h00 – Niagara (ao vivo) 18h30 – Nuno Bernardino (DJ) 20h00 – fim
QUANDO:
sábado, 16 de abril de 2011, entre as 13h e as 20h.
ONDE:
loja Flur e esplanada do restaurante bica do sapato.
EXPOSIÇÃO:
vamos ter uma parede coberta de lindas e coloridas capas de lp,
daqueles que nos fazem pensar em levar (mais) a sério a nossa colecção de vinil.
o Rui Miguel Abreu tem, para nós, uma arca infindável de tesouros
e pelo segundo ano consecutivo é nele que pensamos quando pensamos em exposição de discos.
“Africa” é o tema escolhido e vai obrigar toda a gente a ficar de nariz levantado quando entrar aqui.
BALCÃO:
vamos ter alguns amigos a ajudar-nos do lado de cá do balcão,
atendendo clientes e visitantes, e fazendo também as honras da casa:
Inês Coutinho: A Inês fez parte da equipa da Flur, em 2007/2008,
só um prelúdio de tudo o que anda a fazer na música desde então.
Tem as A.M.O.R., com álbum a ser gravado (produção de Markur dos Photonz e Mushug),
co-apresentadora do Ginga Beat na Antena 3, DJ ocasional, trabalha também com Rocky Marsiano,
na compilação de um disco chamado “Lisbon Bass”.
Mesmo assim, ainda parece só o início.
Não fiquem muito tempo a olhar para ela, precisamos de espaço na zona do balcão.
Rui Pregal da Cunha: Quase já nem faz sentido falar de Heróis do Mar quando o nome do Rui aparece. Toda a gente sabe disso. Actualmente reparte o seu tempo entre publicidade e música, sendo que esta última também faz parte integral da primeira.
Nunca deixou de gostar de música, partilha-a com vontade e, no dia 16,
vai generosamente ajudar-nos a receber-vos enquanto se prepara para,
nessa mesma noite, subir ao palco do Music Box com Os Golpes.
Já fizemos um Super Disco com ele – ouçam tudo aqui:
http://www.teatromariamatos.pt/pt/multimedia/super-disco/dr-buzzard39s-original-savannah-band
Rui Vargas: Mais de duas décadas como DJ sem perder um pingo de actualidade.
Muitos anos, também, como radialista, actualmente podem ouvi-lo na Antena 3 às sextas (20h-22h).
Residência como DJ no Lux, onde também é programador,
e uma incessante vontade e paixão em divulgar a música em que acredita,
garantem ao Rui um lugar importante na vida da cidade de Lisboa.
É nosso vizinho e tem a porta aberta.
Susana Pomba: Quase impossível nunca terem ouvido falar na Susana se vivem em Lisboa
e se interessam minimamente por música ou artes visuais.
Teve recentemente em cena no CCB uma peça – justamente “Susana Pomba” – do André e. Teodósio inspirada por si,
escreve para o jornal Público, comissariou a exposição “O Dia Pela Noite” no Lux,
editora dos “Props” do Teatro Praga e mantém um blog essencial para a documentação visual
de muita coisa interessante que acontece na cidade.
Por falar no blog, prepara actualmente a publicação da Encyclopaedia Dove.
Mesmo que não a conheçam, ela provavelmente conhece-vos.
Tiago Santos: Cool Hipnoise, Spaceboys, Cais Sodré Funk Connection
são algumas das bandas mais visíveis em que o Tiago já tocou ou ainda toca.
Também é DJ há vários anos e vai estar ao balcão da Flur
para reforçar o facto de o single em vinil 7″ de Cais Sodré Funk Connection ser colocado à venda por estes dias.
“Lose It” tem a voz de Rickey Calloway, lenda viva do funk. Apanhem aqui o vosso exemplar… (autografado?)
Zé Pedro Moura: Baixista histórico dos Pop Dell’Arte, DJ histórico no Frágil,
quase tudo é histórico e importante na relação de ZPM com a música,
não menos ainda a continuada actividade do músico e DJ no presente.
Residente no Lux, em Lisboa, e ainda em actividade com os Pop Dell’Arte,
que se preparam para reeditar, em vinil, o seu primeiro álbum, “Free Pop”. Histórico.
Podem perguntar-lhe coisas ao balcão.
Também já partilhou um Super Disco connosco: http://www.teatromariamatos.pt/pt/multimedia/super-disco/sandinista
CONCERTOS:
a nossa loja não é a perfeita sala para concertos, longe disso,
mas neste dia tudo encaixa e tudo faz sentido.
entre a loja e o exterior da bica do sapato,
convocámos 4 concertos de amigos e conhecidos
que acordaram em abdicar das condições perfeitas
e dar-nos um pequeno showcase de trabalhos discográficos recentes.
June: Pedro Magina (Aquaparque) e Guilherme Gonçalves (Gala Drop)
estão envolvidos em muita música de que gostamos
e fazem parte de um grupo de pessoas importantes para a saúde cultural na cidade de Lisboa.
June ainda não tocaram muitas vezes ao vivo e esta vai ser, assim,
uma das – por enquanto – raras oportunidades de os verem.
House ambiental com memórias difusas de rave e boogie é uma descrição em cima do joelho
baseada em “December”. Eles vão mostrar mais coisas.
http://www.myspace.com/june.pt
Niagara: Trio de experimentalistas house com material analógico,
praticam um revivalismo de nada a não ser de método:
música de dança (termo inevitável) feita no momento, à mão,
pouco preocupada em polir a superfície do que se ouve.
CD-R editado pela Dromos em 2010, vinil em perspectiva para 2011.
Sara, Alberto e António vêm mostrar ao vivo as suas ideias rítmicas
e vocês vão assistir a uma aula de trabalhos manuais.
http://www.myspace.com/niagaraaragain
Tiago Sousa: Tiago ainda vive dos elogios de “Walden Pond’s Monk”,
recentemente editado em CD e LP na norte-americana Immune -
Vítor Belanciano disse no Público que é o “disco de confirmação do seu talento”.
E já o estamos a ouvir num terreno bem distante de Thoreau (ou talvez não):
“A Formiga No Carreiro” é um dos muitos temas clássicos de Zeca Afonso,
e Tiago fará a sua versão ao piano, instrumental, na nossa loja,
assinalando assim a estreia da compilação “REintervenção” da Orfeu.
http://www.myspace.com/tiagosousa
Afonso Pais & JP Simões: As lojas recebem por estes dias “Onde Mora O Mundo”,
a estreia deste duo que junta as letras de JP Simões e o talento multi-instrumentista de Afonso Pais.
Canções imersas na grande história do jazz e o sabor da música brasileira
caracterizam em traços muito gerais um álbum que ajuda a re-inaugurar a grande Orfeu.
Para o concerto na Flur, voz e guitarra juntam-se a Carlos Barretto para tornar tudo mais rico e fiel ao disco.
DISC JOCKEYS: Alcides: Pelo facto de ser histórico na cena nacional,
Alcides não é menos importante hoje na paixão com que passa os discos de que gosta.
Podem ouvi-lo no Lux, geralmente com Tiago, no Arena Lounge (Casino Lisboa)
e alguns locais do circuito do Bairro Alto.
A sua visão como DJ abrange quase toda a música.
Para muita gente há um fosso intransponível entre rock e house.
Isso não existe na sua cabeça.
Sem cedências, e podem apostar que tem muitos discos que mais nenhum DJ em Lisboa tem.
http://www.myspace.com/slightlydelayed
Nuno Bernardino: Nuno é um dos mais activos DJs em Lisboa.
Se nunca ouviram falar dele não estão a ir a alguns sítios onde deveriam.
Dedicação invulgar, desde há alguns anos, à cena house,
depois de um passado mais techno ao lado de Jari Marjamaki no Ballet Mecânico.
Raízes e núcleo essencial da house como não ouvem mais ninguém a defender em Lisboa, neste momento.
http://soundcloud.com/nuno-bernardino
LANÇAMENTOS DISCOGRÁFICOS:
o que seria de um dia das lojas de discos sem discos novos?
aproveitamos este dia para celebrar os recém-nascidos,
montrando-os e tocando-os mais que a maioria.
Esperámos muitos meses por este disco
e finalmente o trabalho está feito e resta esperar os resultados.
“Tomboy” de Panda Bear irá para as lojas no dia 15, sexta-feira,
e o Record Store Day (o nosso e o dos outros) não poderia passar sem ele.
No dia 22, é a vez de outro grande da nossa distribuição.
Com uma semana de antecedência,
vamos fazer o pré-lançamento de “Apocalypse” de Bill Callahan.
Ofereceremos um poster de “Apocalypse” em todas a vendas desse disco – cd ou lp.
Um dos momentos mais importantes deste dia
é a celebração da reinvenção de um nome histórico da nossa música.
A Orfeu renasce este mês com dois importantes discos:
“Onde Mora O Mundo” de Afonso Pais & JP Simões,
de quem iremos receber uma visita para um concerto;
e “REintervenção”, um tributo à vida e obra de Zeca Afonso.
“Grândola Vila Morena”, “Canção Da Paciência” ou “Eu Vou Ser Como A Toupeira”
são algumas das canções que conhecem novas versões.
É uma compilação e uma aventura diferente das que estamos habituados,
e por isso encontramos nas releituras JP Simões com Norberto Lobo,
Cool Hipnoise com Janita Salomé e Sam The Kid, Vítor Rua, entre muitos outros.
Tiago Sousa é um dos participantes e a sua “Formiga Do Carreiro” vai ser tocada ao vivo neste dia.
Há também um single novo a estrear neste dia:
“Lose it/Getting The Corners” é o resultado da actividade frenética
que o colectivo mutante Cais Sodré Funk Connection tem transpirado
por todos os palcos onde têm passado nos últimos anos.
Vão mostrar o single (e outras coisas) no Musicbox dentro de umas semanas,
mas hoje vamos poder ver e comprar o pequeno pedaço de vinil.
SUPER DISCO:
Mensalmente, no café do Teatro Maria Matos,
a Flur organiza as sessões Super Disco com convidados
que partilham as suas histórias em torno de um disco ‘favorito’.
Este sábado é a vez do músico, fotógrafo e crítico Rodrigo Amado e da sessão número 19:
http://www.teatromariamatos.pt/pt/prog/conversas/2010-2011/superdisco19
Vamos falar e ouvir “Before And After Science” de Brian Eno,
e tudo o que este disco gerou depois da sua audição.
Já agora, investiguem e ouçam as sessões anteriores aqui:
http://www.teatromariamatos.pt/pt/audio-video/super-disco
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 26 Março 18h30 > 20h00. Super Disco: José Cid “Palha” (1971)
Rui Catalão passou a última década a escrever para teatro, cinema (”O Capacete Dourado” ou “Morrer Como Um Homem”, por exemplo), improvisou e interpretou personagens em palco, e recentemente, no Maria Matos, no início deste mês de Março, apresentou o seu primeiro solo. “Dentro das Palavras”, estreado em 2009, são duas horas em que personalidade e personagem se fundem, representa um balanço de dez anos a trabalhar na dança, a privar com bailarinos, e teve origem durante o período em que viveu na Roménia e trabalhou no CNDB (Centrul National al Dansului din Bucuresti). Reflecte sobre o seu progressivo desligamento da linguagem falada como principal meio de expressão (ele não falava romeno, passou três anos quase sem falar), mas também como a vida do corpo sofre essa mudança. Antes de tudo isto, nos anos 90, trabalhou cinco anos como jornalista e crítico musical no Público. Partindo da abordagem autobiográfica de “Dentro Das Palavras”, tentaremos que nos conte o que aconteceu entre um período e outro, o que aconteceu com a música na sua vida, de onde veio a ligação original. O Super Disco que ajudará a pontuar a conversa é o álbum conhecido como “Palha”, primeiro LP a solo de José Cid, gravado em 1971. Queremos saber coisas.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 22 de Janeiro 18h30 > 20h00. Super Disco: Kanye West “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” (2010)
Kalaf Ângelo. Poeta, MC, agitador, pensador, ícone de moda. Kalaf é uma das figuras emblemáticas da cena musical portuguesa dos últimos 10 anos, colaborou com projectos como Spaceboys ou Type, pertence ao núcleo duro da Enchufada desde o inicio, o que quer dizer que fundou a editora e foi dos 1Uik Project antes de haver Buraka Som Sistema. É um poeta cantor mas também é um cantor cronista, que assina um coluna semanal no P2 do jornal Publico. Kalaf faz a ponte entre Lisboa, Luanda e o resto do mundo, personificando o espirito de grande miscigenação da cultura pop actual. Escolhe “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, o recente álbum de Kanye West, uma espécie de ópera grandiosa que reflecte o estado de alma do seu autor e a sua interpretação da contemporaneidade enquanto procura deixar uma marca artística indelével. Foi um dos discos mais comentados e elogiados em 2010, para Kalaf certamente um disco integrado neste momento da História. É a sua visão mas também o seu percurso até à actualidade que vamos conhecer melhor. Detalhes sumarentos da cena musical angolana que não conhecemos, crónicas de viagens em tournée e o kuduro como fenómeno com apelo global.
Diferente das outras sessões Super Disco, esta vai mergulhar sobretudo no presente.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Segunda parte e report final da tarde mais preenchida aqui na loja durante 2010. A primeira podem encontrar aqui. Sequência cronológica para quase tudo o que se passou na tarde de 17 de Abril, dia da nossa segunda celebração do Record Store Day. Agradecimentos renovados a todos os que nos ajudaram, participaram e vieram cá.
Nuno Galopim
Nuno Galopim
Rui Tentúgal
Isilda Sanches
Joaquim Albergaria
Praga
Praga
Filthy Luka
DJ B.R.O.S. & Filthy Luka
DJ B.R.O.S.
DJ Ride
DJ Ride
Magina
Magina
Sérgio Hydalgo
Joana Bernardo
DJ B.R.O.S.
No nosso canal do You Tube podem ver vídeos dos concertos do Record Store Day do ano passado (Peter Walker, Aquaparque e B Fachada & Samuel Úria).
Fotos tiradas por Isabel Salvado, João Luís Amorim e Pedro Santos. Vídeos e tratamento de fotos por Isabel Salvado.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 11 de Dezembro 18h30 > 20h00. Super Disco: Dr Buzzard’s Original Savannah Band “Dr Buzzard’s Original Savannah Band” (1976)
Rui Pregal da Cunha simboliza (e personifica), directa ou indirectamente, boa parte das movimentações que, em Portugal, na viragem entre as décadas de 70 e 80, nos colocavam mais perto do que acontecia em Londres e Nova Iorque. Alguns agentes isolados criavam a ilusão de um cenário vibrante, e os Heróis do Mar acrescentavam-lhe polémica. RPC era o vocalista e figura de proa (como os vocalistas são, tradicionalmente, nas bandas) e o seu sentido de moda (+ a construção Heróis do Mar) acabou também por estar no centro do vanguardismo que deu personalidade à moda portuguesa nos anos 80. Rui terá muitas e variadas histórias para contar, é simpático e conversador, e nós todos teremos oportunidade de abrir uma janela privilegiada para a cultura pop portuguesa dos últimos 30 anos. Estejam lá!
Rui Miguel Abreu fala com Rui Pregal da Cunha, eis o que ele escreve:
“Quando se pensa na história da mais moderna música portuguesa vai-se sempre desembocar numa encruzilhada que algures no arranque da década de 80 colocava no mapa o Bairro Alto, clubes como o Trumps, galerias de arte e lojas de roupa que procuravam injectar Londres e Nova Iorque numa Lisboa adormecida. Algures nessa encruzilhada seria possível encontrar Rui Pregal da Cunha que se lembra de dançar ao som de discos da Ze Records tocados por João Vaz na cabine do Trumps.
Pouco tempo depois, quando o impulso punk se transformou em sofisticação new wave, nasceram os desalinhados Heróis do Mar, mais de lá do que de cá no som, mais de cá do que de qualquer outro sítio na imagem e nas palavras. Hoje descobre-se que a sombra dos Heróis é longa e não se esgotou na discografia que, simbolicamente, ficou encerrada na mesma década que os viu nascer. Depois dos Heróis do Mar, Rui Pregal da Cunha ainda se reinventou com os LX 90, grupo em que também militava DJ Vibe, ou nos Kick Out The Jams, outra banda com o mesmo Paulo Pedro Gonçalves que abanava os alicerces da nossa monotonia desde o tempo dos Faíscas e dos Corpo Diplomático.
Agora, Rui Pregal da Cunha ressurgiu ao lado dos Golpes, com uma das mais infecciosas canções dos últimos tempos e, vá lá, senhora, senhores, e todos os outros, fez-nos acreditar que podíamos ser o centro do mundo se realmente quiséssemos.
Rui escolheu um fantástico disco de 1976, um daqueles que provavelmente escutou emitido a partir das cabines do Bairro Alto que era um bocadinho Soho e um bocadinho Manhattan quando era realmente preciso: Dr. Buzzard’s Original Savannah Band dos… Dr. Buzzard’s Original Savannah Band é o álbum do clássico disco «Cherchez la Femme». Na banda militavam August Darnell e Andy Hernandez, mais tarde parte do turbilhão de funk tropical que respondeu pelo nome de Kid Creole & The Coconuts. Hernandez também é conhecido por Coati Mundi e como tal editou recentemente na Rong um álbum cuja capa evoca, precisamente, a estreia dos Dr. Buzzard’s…
Se o mundo não é um loop o que é, afinal?”
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 20 18h30 > 20h00. Super Disco: Joni Mitchell “Blue” (1971)
Ana Cristina Ferrão viveu ao lado do radialista António Sérgio os seus últimos 30 anos de vida. Com entusiasmo pela produção e amor pela música, contribuiu para o sucesso dos vários programas que Sérgio realizou nestas três décadas. É a nossa convidada do mês de Novembro, disponível para partilhar as muitas memórias e experiências que guarda, a começar pela escolha do disco para esta sessão: “Blue”, de Joni Mitchell (1971), foi o primeiro LP que lhe foi oferecido por António Sérgio. É um álbum de canções delicadas que abordam vários aspectos de um relacionamento amoroso, é o quarto álbum da cantora e
compositora canadiana e abrirá caminho a uma conversa que toca em pontos nevrálgicos da divulgação de música “diferente” em Portugal. Ana Cristina está em posição privilegiada para nos guiar pela espécie de submundo habitado por quem consome música com paixão suficiente para ter vontade em divulgá-la. Esta sessão é também assim, inevitavelmente, uma oportunidade para relembrar António Sérgio.
A luz (mas também a sombra) de “Blue” faz com que a discografia não-oficial de Joni Mitchell comece exactamente aqui, ignorando tudo o que tinha editado até ao ano de 1971 – o que é injusto, porque “Ladies Of The Canyon” é um fabuloso álbum, mostrando que iria ser, mais tarde ou mais cedo, uma escritora de canções de referência. E a grande escritora de canções iria aparecer exactamente no ano seguinte, com uma obra que ainda hoje estarrece-nos pela profundidade das suas palavras e pela agudeza da sua composição. Feito de algum desencanto, nas entrelinhas vagueia também a esperança, mesmo que vá sendo pintada de muitas cores – quase todas as canções têm referência a cores -, e mesmo que seja “Blue” (a cor e o sentimento) que domine a sua poesia. Se não conhecem este lendário álbum, comecem por ele a ouvir uma das mais importantes escritoras e cantoras norte-americanas (também é canadiana, tal como Leonard Cohen), percorrendo depois os anos seguintes e mais meia-dúzia de discos fantásticos.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Um dos DJs que mais respeitamos em todo o mundo, não vale a pena dizer só em Portugal. Dedicado, militante, bom tecnicamente, tem uma missão e não cede a oportunismos. Tem a sua árvore genealógica musical muito bem estudada, desde as raízes. A sua atitude é a chamada “no bullshit”. Quem não gosta, paciência, é pena. Mais abaixo podem ler um resumo do próprio sobre as suas actividades e uma apreciação de Rui Miguel Abreu, o seu interlocutor no Sábado, 16 de Outubro, no café do Teatro Maria Matos.
Dinis teve visão privilegiada de toda a ascenção da música de dança em Portugal desde o final da década de 80, ele sabe-vos explicar os géneros, as diferenças entre eles, os detalhes sónicos, a paixão pela música e a cena hardcore que fragmentou para sempre a união rave que, por breves meses, agregou toda a gente. Os posters que desenha para as suas noites Flashdance estão sempre entre os nossos favoritos quando os colamos na montra da loja. Para descobrir, ainda, a outra ocupação de longa data: actor. Cinema mas sobretudo teatro. É isso. Tentem não faltar.
Dinis por Dinis:
«Dj desde 1990. Frágil (Zé Pedro/Vargas).
Clubes do Bairro Alto: Nova, Keops, Sudoeste, Fremitus e mais tarde Captain Kirk
Venda de discos na El Dorado.
Fundação da Cool Train crew. Clube Ciclone (ex-Johnny Guitar)
Primeiras datas no Porto a partir de 97.
Fundação da Pressure Force.
Lux: Lisburn com o Tiago e Jungle Bells com Pressure Force.
Hard-Club, Meia-Cave e Anikibobo. Programador Meia-Cave.
Abertura da loja de discos Portugeezers em 2001 no Porto (Breaks,dubstep and drumnbass).
Nos últimos dez anos mantive residências (ou afins…) no Lux (Skillz), no Europa, no Lounge, no Music Box… no Maus Hábitos, no Passos Manuel, no Pitch, no Armazém do Chá e no Plano B.
Flashdance: principalmente musica inglesa pós-Hard-core jungle + os clássicos e as referências (reggae, hip-hop, disco e funk).
Pressure Force: Drumnbass»
O texto original era ainda mais urgente, sem espaços entre a pontuação e as palavras, sem acentuação, sem pausas… Exatamente como a carreira.
Conheço o Dinis Neto desde sempre e adivinhei o disco que iria escolher – “Timeless”, de Goldie – exatamente porque estava lá, ao lado dele, quando esse frémito do drum n’ bass tomou conta dos espaços, em Lisboa e não só. Lembro-me bem do ritual da chegada de discos à Contraverso e da luta em que era necessário embarcar para se ter acesso aos 12 polegadas mais urgentes de etiquetas como a V, de gente como Photek. Cada 12 polegadas representava não o momento, mas um possível futuro. E o Dinis foi sempre infalível a perceber os golpes de rins que transportavam este aceleramento de partículas do “amen break” em direção a um futuro renovado de cada vez que Zé Guedes abria mais uma caixa.
Há outra qualidade no Dinis: uma inabalável paixão pela música foi sempre o seu real motor. Não os trends, não as unanimidades, não as modas ditadas pelas páginas de alguma imprensa britânica mais flashy. E foi sempre generoso: drum n’ bass era a sua praia, sim, mas isso nunca o impediu de mergulhar noutras águas. E de o fazer com a autoridade de quem conhece bem a diferença entre cada oceano.
O álbum escolhido por Dinis define uma época, define um momento do continuum hardcore de que fala Kode 9 que, ao contrário do que por breves instantes se chegou a pensar nesse tempo, tem óbvias ligações ao passado e ao futuro. House, acid, rave, hardcore, drum n’bass, two step, uk garage, dubstep… E daí uma ligação ao mundo, do disco ao dub e a toda a ciência rítmica que se tem desenvolvido desde que se conseguiu extrair pulsação sincopada de um conjunto de circuitos integrados. Faz sentido, pleno sentido, que Dinis escolha um disco assim. Está no centro. É um marco. E todas as viagens precisam de um marco. A viagem de Dinis tem agora paragem assegurada, sábado, no Maria Matos. Be there.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 25 de Setembro 18h30 > 20h00. Super Disco: Frank Zappa “Hot Rats” (1969)
Nuno Rogeiro quase dispensa apresentações. É já, para os mais atentos, um ícone na cultura pop portuguesa, estatuto que conquistou naturalmente graças à eloquência com que aborda os assuntos sobre os quais é chamado a falar. Estudioso da Ciência Política, professor, jornalista (O Diabo, O Século, revista K, O Independente, TSF, etc.), comentador, investigador, apaixonado por música, cinema e outras artes, Homem da Renascença por excelência. É com muito prazer que saberemos nesta sessão Super Disco como e em que grau se manifesta o seu conhecido gosto por música, para além de admitir tocar “um bocado de flauta, piano e baixo rudimentares (abaixo de principiante)”. Escolheu como base para esta conversa o álbum “Hot Rats”, de Frank Zappa, editado em 1969 como o seu primeiro álbum a solo, ou seja, em nome próprio, depois de abandonar o nome Mothers Of Invention (que viria a recuperar, sob várias formas, após “Hot Rats”, até 1976). Outra particularidade do álbum é ser quase exclusivamente instrumental, com excepção de uma faixa cantada por Captain Beefheart.
Nuno Rogeiro comprou-o na discoteca Melodia, na Baixa de Lisboa, em 1974, quando era finalista no Liceu Pedro Nunes. Sobre o disco acrescenta:
“Hot Rats”, publicado pela Reprise, foi a revelação de um jazz-rock alternativo e visionário, e de uma face “técnica” de Zappa, até então desprezada. Foi ainda a fundação de um dialecto próprio, de um som imediatamente reconhecível, de pequenas peças sinfónicas inigualáveis (”Peaches en Regalia”, “Little Umbrellas”), de melodias e arranjos geniais e bizarros, e da revelação de grandes nomes, como o violinista Jean Luc Ponty (que depois descaminhou um pouco…). Zappa morreu já há 17 anos, mas “Hot Rats” continua vivo: era avançado para a época, e portanto, se calhar, ainda não o apanhámos.”
Acreditamos que a hora e meia desta sessão passará sem nos darmos conta.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
E pronto. Harvey regressa a Portugal e ao Lux depois de ter praticamente aberto a discoteca lisboeta em 1998. Nos anos que passaram gerou-se uma aura de lenda em seu redor e os discos que usa nos seus sets são automaticamente alvo de grande interesse e especulação no mercado de usados.
Amanhã, sexta-feira 30 de Julho, tocará no Lux. Não percam o set do Tiago, também.
A entrevista que se segue foi feita há dias por email e caiu-nos no colo por cortesia da Isilda Sanches (Rádio Oxigénio) e do Lux. Mantemos a versão original em inglês mas se tiverem alguma dificuldade peçam a versão traduzida (está quase pronta).
You are a cult figure. Do you feel like one? Who is a cult figure for you?
It is nice to have the adoration of people for doing what I do but I don’t consider myself a cult leader. To me the definition of cult leader would have to be someone more like Jim Jones.
What made you want to be a DJ?
I had become disillusioned with the group / band format, DJing allowed me to run the show on my own terms. Seeing what DJ’s were doing and the effect they were having on people solo was inspiring to me at a young age.
How different is the DJ/music scene nowadays from back when you started?
I would say the basic idea is still the same but now global communication has consolidated the disco family, we can be thousands of miles apart and sharing a sentiment at the tap of a keyboard.
What’s better: being a DJ or having a band? Is there a reason?
Both DJing and being in a band allow me to fully express myself musically in different ways. Both are still very important to me in their own way.
How important is surf in your life? Would you have moved to LA/Hawaii if it wasn’t for surf?
I enjoy surfing very much, it is a meditation for me, California and Hawaii allow me to indulge in this activity, but there were other draws to moving there too. There are many other places in the world I am fortunate enough to surf, Portugal was an early surf spot for me and I’m looking forward to getting in the ocean there again
What is thirtyninehotel?
A community orientated multi-media space. In China Town Honolulu Hawaii.
Back when you were a punk kid, John Peel playing your records must have felt pretty amazing. Do you remember that when you play other people’s stuff – do you feel it can make a difference? And are you in any way pressured to play any records?
I have no pressure to play any particular music and am very fortunate in that but I do like to play the productions of my friends, it helps that some of them are making outstanding music right now, but I’m lucky in that my crowd seem to come with open ears.
Do you regularly check the price of your records (the ones you make and the ones you play) on eBay?
I realize that my productions and playlist can fetch a high price on ebay, I don’t pay too much attention to it although it does amuse me greatly.
You’re somehow the father of all the disco, balearic, re-edit revival thing (not to mention the beard) that’s been going for the last few years. How do you feel about that (being the man responsible and the sceneitself)?
There’s no masterplan behind my career, I’m just doing what I love. I think the scene in general is healthy and we are all inspired by one another, I did a re-edit recently after leaving that genre alone for quite some time. I like to utilize many tools when I DJ to change or affect the music as I play it to give people something unique, after all, with the access to music people have now they could just stay home and party in their homes. If people come out and are inspired to go and create something of their own after hearing me play then I am all for it. As far as the beard is concerned, hair just grows out of my face at an alarming rate.
Weirdest DJ moment ever:
Some of them are a little to odd to put into print.
Best Dj experience until now:
Crowd surfing in Japan was a definite high point, but the last gig I did is always a high point for me.
Which are the basic conditions for a great party?
Loose women, Freaks and Balloons.
First record you ever bought (or remember doing so):
‘I Can Do It’ by The Rubettes or ‘Hey Rock N Roll’ by Showaddywaddy or ‘Tiger Feet’ by Mud.
A record you’re looking for:
Vinyl copy of Soundtrack to Lucifer Rising by Bobby Beausoleil.
Top five tracks of the moment:
I’ve done some pretty good tracks myself lately so here are my favorite of mine, in no particular order
Locussolus – Tan Sedan
Locussolus – Gun Ship
Black Keys – Tighten Up Remix
Admiral Frisbee – My Hippie Ain’t Hip Remix
Dirty Jesus – Dirty Do Funk Remix
Which DJ/producers/musicians do you admire right now?
Rub N Tug, Eric D, House of House, Rune Lindbaek, M. Pittman, Justin Vander…something.
Imagine a time warp makes you able to have a band/share a Dj booth with anyone alive or dead, who would you choose for partners?
Stalin on the left, Hitler on the right, everyone would be sure to pay attention. Mother Teresa doing front of house to EQ out the evil frequencies.
Best surf spot:
Queens Surf Waikiki is pretty hard to beat.
Words of advice for young people:
The Past is History the Futures a Mystery.
Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 17 de Julho 18h30 > 20h00. Super Disco: Sly & The Family Stone “There’s A Riot Goin’ On” (1971)
A ideia é todas estas sessões serem históricas, e o nome do Pedro Tenreiro já tem essa aura, apesar de a sua actividade estar longe de encerrada. Fez e editou re-edits praticamente uma década antes da recente cena que acontece em Portugal (virada para fora) e a sua dedicação a música negra aplicada à pista de dança torna-o incontornável se quisermos assinalar pontos importantes na cultura de música de dança em Portugal. No mesmo dia – 17 de Julho – estreia o seu Clube de Funk no Clube Ferroviário, em Santa Apolónia. Mas leiam o que escreveu Rui Miguel Abreu:
Pedro Tenreiro é um amigo, antes de mais nada. Trabalhei com o Pedro na NorteSul, aventureira etiqueta da Valentim de Carvalho, entre 1995 e 2001 e com ele aprendi muito. Sobre música, claro. Mas não só. Dj há mais tempo do que certamente é possível compreender à luz da escala actual que faz de tanta gente com um laptop e uns gigas de ficheiros mp3 «djs», Pedro Tenreiro seguiu uma linha constante na sua abordagem à música – a de um profundo respeito e conhecimento da música negra. Um conhecimento vasto, enciclopédico e em primeira mão: muitos dos discos hoje vistos como clássicos – de disco, hip hop, house, punk-funk… – entraram na colecção de Pedro Tenreiro aquando das suas edições originais. E ele soube depois medir-lhes o alcance, tendo o gira-discos como ponto de mira e a pista de dança como alvo da sua munição rítmica. Arma secreta? Um bom gosto profundo, que sempre lhe permitiu distinguir entre o que tem potencial para sobreviver ao teste do tempo e ascender ao estatuto de clássico e o que meramente traduz o momento. Pedro Tenreiro, é bom de ver, é um coleccionador devotado, digger com muita poeira nos dedos, sniper com olho de falcão capaz de sobreviver na selva que é o eBay, respeitado e conhecedor arquivista capaz de falar de igual para igual com nomes grandes do circuito internacional. Keb Darge ou Ian Wright são amigos íntimos. Como os Idjut Boys ou Nick The Record. Pedro é membro dessa elite: gente com uma paixão pelos discos tão enorme que tocá-los não chega. Há também que fazê-los. E Pedro fez muitos: como A&R possuirá um dos mais invejáveis currículos do nosso país – ligou o seu nome ao de gente como Mind Da Gap, Cool Hipnoise, Mão Morta, aventurou-se, comigo ao seu lado, na Kami’khazz, editando vinil quando a “moda” actual era ainda uma distante miragem. E assinou edits que tiveram projecção internacional, como Dancin’ Days, acrescentando ao seu currículo edições na Noid e na Big Bear. É de homem.
Mais recentemente, Pedro Tenreiro apontou à fonte e transformou o seu Clube de Funk num ponto de peregrinação para todos os que gostam de beber água da mais pura. Conjugando o microfone com pérolas que muitas vezes merecem mais estar depositadas no banco do que numa estante de discos – tal o seu valor! – Pedro criou a primeira e mais genuína noite de deep funk do país, capaz de rivalizar, na intensidade das suas sessões e na qualidade das suas selecções, com as mais quentes noites da Madame Jojo’s de Londres. O Clube de Funk arranca com uma residência em Lisboa precisamente na noite de 17 de Julho, quando Pedro desce à capital para protagonizar mais um Super Disco no Teatro Maria Matos. Disco escolhido? There’s a Riot Goin’ On de Sly and the Family Stone.
Quando Marvin Gaye, de olhos lavados pela realidade no arranque dos anos 70 e informado pela experiência do seu irmão no Vietname, perguntava ao mundo o que se passava com a obra-prima What’s Going On?, Sylvester Stewart decidiu responder com o seu retrato real de uma sociedade em escombros, de um pós-Civil Rights Movement que, afinal, não escondia um pote de ouro no fim do arco-íris. Peter Doggett, no seu livro sobre «revolucionários, estrelas rock e a ascensão e queda da contra-cultura dos anos 60», apropriadamente intitulado There’s a Riot Going On, assim mesmo sem substituir o “g” por um apóstrofo, para se distinguir do disco que lhe inspirou o título, escrevia que o disco de Sly And The Family Stone «respondia à sombria realidade da vida nas ruas para os afro-americanos oferecendo um atraente e delicioso escape para a solidão, moldado pelas drogas e pelo hedonismo». É sobre este álbum de 1971 que Pedro Tenreiro vai falar no Super Disco do próximo sábado. A sua visão da obra-prima de Sly Stewart, salada psicadélica de funk, rock e política, e a sua própria vida e carreira serão as coordenadas para a conversa que se inicia às 18 e 30 no café do Teatro Maria Matos.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.
Procurem os discos comentados neste blog em www.flur.pt ou através do email loja(a)flur.pt. O stock dos discos refere-se apenas à data dos respectivos posts.
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Santa Apolónia, Lisboa
metro: Santa Apolónia
bus: 12-28-35-706-745-759-781-794