Record Store Day 2011: actividades

Quarta-feira, 13 Abril, 2011
Categoria: Ao vivo, Em loja
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13h00 – Flur playlist
15h00 – Alcides (DJ)
16h30 – Afonso Pais & JP Simões com Carlos Barretto (ao vivo)
17h00 – Tiago Sousa toca Zeca Afonso (ao vivo)
17h30 – June (ao vivo)
18h00 – Niagara (ao vivo)
18h30 – Nuno Bernardino (DJ)
20h00 – fim

QUANDO:
sábado, 16 de abril de 2011, entre as 13h e as 20h.

ONDE:
loja Flur e esplanada do restaurante bica do sapato.

EXPOSIÇÃO:
vamos ter uma parede coberta de lindas e coloridas capas de lp,
daqueles que nos fazem pensar em levar (mais) a sério a nossa colecção de vinil.
o Rui Miguel Abreu tem, para nós, uma arca infindável de tesouros
e pelo segundo ano consecutivo é nele que pensamos quando pensamos em exposição de discos.
“Africa” é o tema escolhido e vai obrigar toda a gente a ficar de nariz levantado quando entrar aqui.

BALCÃO:
vamos ter alguns amigos a ajudar-nos do lado de cá do balcão,
atendendo clientes e visitantes, e fazendo também as honras da casa:

Inês Coutinho: A Inês fez parte da equipa da Flur, em 2007/2008,
só um prelúdio de tudo o que anda a fazer na música desde então.
Tem as A.M.O.R., com álbum a ser gravado (produção de Markur dos Photonz e Mushug),
co-apresentadora do Ginga Beat na Antena 3, DJ ocasional, trabalha também com Rocky Marsiano,
na compilação de um disco chamado “Lisbon Bass”.
Mesmo assim, ainda parece só o início.
Não fiquem muito tempo a olhar para ela, precisamos de espaço na zona do balcão.

Rui Pregal da Cunha: Quase já nem faz sentido falar de Heróis do Mar quando o nome do Rui aparece. Toda a gente sabe disso. Actualmente reparte o seu tempo entre publicidade e música, sendo que esta última também faz parte integral da primeira.
Nunca deixou de gostar de música, partilha-a com vontade e, no dia 16,
vai generosamente ajudar-nos a receber-vos enquanto se prepara para,
nessa mesma noite, subir ao palco do Music Box com Os Golpes.
Já fizemos um Super Disco com ele – ouçam tudo aqui:
http://www.teatromariamatos.pt/pt/multimedia/super-disco/dr-buzzard39s-original-savannah-band

Rui Vargas: Mais de duas décadas como DJ sem perder um pingo de actualidade.
Muitos anos, também, como radialista, actualmente podem ouvi-lo na Antena 3 às sextas (20h-22h).
Residência como DJ no Lux, onde também é programador,
e uma incessante vontade e paixão em divulgar a música em que acredita,
garantem ao Rui um lugar importante na vida da cidade de Lisboa.
É nosso vizinho e tem a porta aberta.

Susana Pomba: Quase impossível nunca terem ouvido falar na Susana se vivem em Lisboa
e se interessam minimamente por música ou artes visuais.
Teve recentemente em cena no CCB uma peça – justamente “Susana Pomba” – do André e. Teodósio inspirada por si,
escreve para o jornal Público, comissariou a exposição “O Dia Pela Noite” no Lux,
editora dos “Props” do Teatro Praga e mantém um blog essencial para a documentação visual
de muita coisa interessante que acontece na cidade.
Por falar no blog, prepara actualmente a publicação da Encyclopaedia Dove.
Mesmo que não a conheçam, ela provavelmente conhece-vos.

Tiago Santos: Cool Hipnoise, Spaceboys, Cais Sodré Funk Connection
são algumas das bandas mais visíveis em que o Tiago já tocou ou ainda toca.
Também é DJ há vários anos e vai estar ao balcão da Flur
para reforçar o facto de o single em vinil 7″ de Cais Sodré Funk Connection ser colocado à venda por estes dias.
“Lose It” tem a voz de Rickey Calloway, lenda viva do funk. Apanhem aqui o vosso exemplar… (autografado?)

Zé Pedro Moura: Baixista histórico dos Pop Dell’Arte, DJ histórico no Frágil,
quase tudo é histórico e importante na relação de ZPM com a música,
não menos ainda a continuada actividade do músico e DJ no presente.
Residente no Lux, em Lisboa, e ainda em actividade com os Pop Dell’Arte,
que se preparam para reeditar, em vinil, o seu primeiro álbum, “Free Pop”. Histórico.
Podem perguntar-lhe coisas ao balcão.
Também já partilhou um Super Disco connosco: http://www.teatromariamatos.pt/pt/multimedia/super-disco/sandinista

CONCERTOS:
a nossa loja não é a perfeita sala para concertos, longe disso,
mas neste dia tudo encaixa e tudo faz sentido.
entre a loja e o exterior da bica do sapato,
convocámos 4 concertos de amigos e conhecidos
que acordaram em abdicar das condições perfeitas
e dar-nos um pequeno showcase de trabalhos discográficos recentes.

June: Pedro Magina (Aquaparque) e Guilherme Gonçalves (Gala Drop)
estão envolvidos em muita música de que gostamos
e fazem parte de um grupo de pessoas importantes para a saúde cultural na cidade de Lisboa.
June ainda não tocaram muitas vezes ao vivo e esta vai ser, assim,
uma das – por enquanto – raras oportunidades de os verem.
House ambiental com memórias difusas de rave e boogie é uma descrição em cima do joelho
baseada em “December”. Eles vão mostrar mais coisas.
http://www.myspace.com/june.pt

Niagara: Trio de experimentalistas house com material analógico,
praticam um revivalismo de nada a não ser de método:
música de dança (termo inevitável) feita no momento, à mão,
pouco preocupada em polir a superfície do que se ouve.
CD-R editado pela Dromos em 2010, vinil em perspectiva para 2011.
Sara, Alberto e António vêm mostrar ao vivo as suas ideias rítmicas
e vocês vão assistir a uma aula de trabalhos manuais.
http://www.myspace.com/niagaraaragain

Tiago Sousa: Tiago ainda vive dos elogios de “Walden Pond’s Monk”,
recentemente editado em CD e LP na norte-americana Immune -
Vítor Belanciano disse no Público que é o “disco de confirmação do seu talento”.
E já o estamos a ouvir num terreno bem distante de Thoreau (ou talvez não):
“A Formiga No Carreiro” é um dos muitos temas clássicos de Zeca Afonso,
e Tiago fará a sua versão ao piano, instrumental, na nossa loja,
assinalando assim a estreia da compilação “REintervenção” da Orfeu.
http://www.myspace.com/tiagosousa

Afonso Pais & JP Simões: As lojas recebem por estes dias “Onde Mora O Mundo”,
a estreia deste duo que junta as letras de JP Simões e o talento multi-instrumentista de Afonso Pais.
Canções imersas na grande história do jazz e o sabor da música brasileira
caracterizam em traços muito gerais um álbum que ajuda a re-inaugurar a grande Orfeu.
Para o concerto na Flur, voz e guitarra juntam-se a Carlos Barretto para tornar tudo mais rico e fiel ao disco.

DISC JOCKEYS:
Alcides: Pelo facto de ser histórico na cena nacional,
Alcides não é menos importante hoje na paixão com que passa os discos de que gosta.
Podem ouvi-lo no Lux, geralmente com Tiago, no Arena Lounge (Casino Lisboa)
e alguns locais do circuito do Bairro Alto.
A sua visão como DJ abrange quase toda a música.
Para muita gente há um fosso intransponível entre rock e house.
Isso não existe na sua cabeça.
Sem cedências, e podem apostar que tem muitos discos que mais nenhum DJ em Lisboa tem.
http://www.myspace.com/slightlydelayed

Nuno Bernardino: Nuno é um dos mais activos DJs em Lisboa.
Se nunca ouviram falar dele não estão a ir a alguns sítios onde deveriam.
Dedicação invulgar, desde há alguns anos, à cena house,
depois de um passado mais techno ao lado de Jari Marjamaki no Ballet Mecânico.
Raízes e núcleo essencial da house como não ouvem mais ninguém a defender em Lisboa, neste momento.
http://soundcloud.com/nuno-bernardino

LANÇAMENTOS DISCOGRÁFICOS:
o que seria de um dia das lojas de discos sem discos novos?
aproveitamos este dia para celebrar os recém-nascidos,
montrando-os e tocando-os mais que a maioria.

Esperámos muitos meses por este disco
e finalmente o trabalho está feito e resta esperar os resultados.
“Tomboy” de Panda Bear irá para as lojas no dia 15, sexta-feira,
e o Record Store Day (o nosso e o dos outros) não poderia passar sem ele.

No dia 22, é a vez de outro grande da nossa distribuição.
Com uma semana de antecedência,
vamos fazer o pré-lançamento de “Apocalypse” de Bill Callahan.
Ofereceremos um poster de “Apocalypse” em todas a vendas desse disco – cd ou lp.

Um dos momentos mais importantes deste dia
é a celebração da reinvenção de um nome histórico da nossa música.
A Orfeu renasce este mês com dois importantes discos:
“Onde Mora O Mundo” de Afonso Pais & JP Simões,
de quem iremos receber uma visita para um concerto;
e “REintervenção”, um tributo à vida e obra de Zeca Afonso.
“Grândola Vila Morena”, “Canção Da Paciência” ou “Eu Vou Ser Como A Toupeira”
são algumas das canções que conhecem novas versões.
É uma compilação e uma aventura diferente das que estamos habituados,
e por isso encontramos nas releituras JP Simões com Norberto Lobo,
Cool Hipnoise com Janita Salomé e Sam The Kid, Vítor Rua, entre muitos outros.
Tiago Sousa é um dos participantes e a sua “Formiga Do Carreiro” vai ser tocada ao vivo neste dia.

Há também um single novo a estrear neste dia:
“Lose it/Getting The Corners” é o resultado da actividade frenética
que o colectivo mutante Cais Sodré Funk Connection tem transpirado
por todos os palcos onde têm passado nos últimos anos.
Vão mostrar o single (e outras coisas) no Musicbox dentro de umas semanas,
mas hoje vamos poder ver e comprar o pequeno pedaço de vinil.

SUPER DISCO:
Mensalmente, no café do Teatro Maria Matos,
a Flur organiza as sessões Super Disco com convidados
que partilham as suas histórias em torno de um disco ‘favorito’.
Este sábado é a vez do músico, fotógrafo e crítico Rodrigo Amado e da sessão número 19:
http://www.teatromariamatos.pt/pt/prog/conversas/2010-2011/superdisco19
Vamos falar e ouvir “Before And After Science” de Brian Eno,
e tudo o que este disco gerou depois da sua audição.
Já agora, investiguem e ouçam as sessões anteriores aqui:
http://www.teatromariamatos.pt/pt/audio-video/super-disco

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RECORD STORE DAY 2010

Sábado, 17 Abril, 2010
Categoria: Ao vivo, Em loja
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Monólogo Subindo A Torre Eiffel
de António Contador
esta sexta-feira às 20h

Quarta-feira, 15 Julho, 2009
Categoria: Em loja
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Esta sexta-feira, dia 17 de Julho, pelas 20h, a Flur irá emitir na sua loja “Monólogo subindo a Torre Eiffel” de António Contador. É uma instalação sonora – monólogo-conversa-subida – que tem 25 minutos de duração e estará inserida no projecto “Monólogos subindo monumentos que dão para serem subidos a pé”.

Sexta-feira, 17 de Julho, às 20h
FLUR
Av. Infante D. Hennrique, Armazém B4, Santa Apolónia

(Esta é a última semana da exposição “6=0″.
Podem ainda visitá-la, até sexta-feira, no horário normal de loja – 13h às 21h.)

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6=0 de António Contador
em exposição na FLUR

Sexta-feira, 26 Junho, 2009
Categoria: Em loja
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A partir de hoje, estará em exposição na loja da FLUR o novo projecto de António Contador, artista português residente em Paris. São seis singles de vinil de “The Sound Of Silence” de Simon & Garfunkel, comprados no eBay a vendedores distintos, enviados para o artista e, posteriormente, colocados no correio com a Flur como destinatário. Os discos nunca foram abertos, nunca serão abertos, e expõem-se com as as fotos dos envelopes anteriores.

Exposição de 26 de Junho até 17 de Julho.
De segunda-feira a sábado, das 13 às 21h.
Av. Infante D. Hennrique, Armazém B4, Santa Apolónia

(No dia 17 de Julho, às 20h, no último dia da exposição “6=0″, a FLUR apresentará “Monológo subindo a Torre Eiffel: concerto-conversa-subida”, do mesmo artista. Uma instalação sonora, com 25 minutos, inserida no projecto “Monólogos subindo monumentos que dão para serem subidos a pé”.)


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And no one dared to disturb
the sound of silence

António Contador toma como ponto de partida a icónica canção The Sound of Silence, da dupla Simon & Garfunkel, para a criação do seu novo projecto 6=0, uma obra em que conteúdo, contentor (entendido no sentido daquilo que contém) e contexto se fundem e geram complexas articulações de significados e possibilidades de leitura.

Se por um lado Contador parece aludir à famosa obra de Joseph Kosuth One and Three Chairs (1965), por outro, ao transmutar a linguagem verbal numa fórmula aritmética, transforma a lógica conceptual analítica num postulado com raízes em Badiou (pensador chave na formação teórica de Contador) e no seu sabido uso da matemática na explanação de postulados filosóficos.

O título da obra, 6=0, cria uma série de intricadas propostas auto-referenciais. A evidente tautologia, manifesta na criação de um jogo de significados, em que o silêncio cantado (The Sound of Silence) se torna silêncio real através do gesto criador, que condena esta canção a uma ausência de som forçada, já que os discos que contêm a música estão para sempre encerrados dentro dos seus envelopes. Para além disso, Contador viola o senso comum ao criar um enunciado que ignora a aritmética elementar e inaugura uma nova ordem de pensamento matematicamente incorrecto: tal como é possível que uma e três cadeiras de Kosuth sejam uma só (apresentando três versões possíveis do mesmo objecto), os seis discos de António Contador igualam a zero; Curiosamente, os próprios compositores hesitaram em chamar à musica The Sound ou The Sounds of Silence, parecendo não saber bem se o silêncio emitia um ou vários sons. Seja como for, o som ou os sons do silêncio equivalem sempre a zero, já que o silêncio não é audível, ou não existe, tal como constantemente nos recorda John Cage.

Contudo o artista não se move no campo da citação ou do uso de referências eruditas de elementos culturais de um passado próximo, práticas tão caras à criação artística dos dias que correm. Contador cria um dispositivo original, autónomo e ligeiro que, como sempre no seu trabalho, relaciona pensamento teórico, cultura popular, vivências concretas e uma visão irónica muito própria com enorme leveza.

Deste modo o artista cria um espaço alternativo e suspenso que associa questões filosóficas (tautologia, o um e o múltiplo, a associação palavra/conteúdo), ao poder da música popular (esta canção foi composta na sequência do assassinato de J.F. Kennedy, numa tentativa de lidar com o trauma americano causado por este evento), dos seus cultos (o modo como o formato em vinil tem sido alvo de um enorme revivalismo nos anos recentes) e da forma como se operam as trocas comerciais quotidianas (por correio, através da compra na internet, fazendo quase pensar a um regresso da mail art dos Dadaistas e Fluxus sujeita à realidade post-capitalista).

6=0 oferece, na sua simplicidade e austeridade formal, um sem fim de leituras e de interpretações. Exactamente porque é uma obra não impositiva, ou, forçando um pouco o jogo de palavras, silenciosa.

People hearing without listening / People writting songs that voices never share / And no one deared / Disturb the sound of silence

Filipa Ramos, Junho 2009
Curadora e Crítica de Arte

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