Quarta-feira, 15 Julho, 2009
Categoria: Em loja
Etiquetas: António Contador, Exposição
Esta sexta-feira, dia 17 de Julho, pelas 20h, a Flur irá emitir na sua loja “Monólogo subindo a Torre Eiffel” de António Contador. É uma instalação sonora – monólogo-conversa-subida – que tem 25 minutos de duração e estará inserida no projecto “Monólogos subindo monumentos que dão para serem subidos a pé”.
Sexta-feira, 17 de Julho, às 20h
FLUR
Av. Infante D. Hennrique, Armazém B4, Santa Apolónia
(Esta é a última semana da exposição “6=0″.
Podem ainda visitá-la, até sexta-feira, no horário normal de loja – 13h às 21h.)

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Sexta-feira, 26 Junho, 2009
Categoria: Em loja
Etiquetas: António Contador, Exposição
A partir de hoje, estará em exposição na loja da FLUR o novo projecto de António Contador, artista português residente em Paris. São seis singles de vinil de “The Sound Of Silence” de Simon & Garfunkel, comprados no eBay a vendedores distintos, enviados para o artista e, posteriormente, colocados no correio com a Flur como destinatário. Os discos nunca foram abertos, nunca serão abertos, e expõem-se com as as fotos dos envelopes anteriores.
Exposição de 26 de Junho até 17 de Julho.
De segunda-feira a sábado, das 13 às 21h.
Av. Infante D. Hennrique, Armazém B4, Santa Apolónia
(No dia 17 de Julho, às 20h, no último dia da exposição “6=0″, a FLUR apresentará “Monológo subindo a Torre Eiffel: concerto-conversa-subida”, do mesmo artista. Uma instalação sonora, com 25 minutos, inserida no projecto “Monólogos subindo monumentos que dão para serem subidos a pé”.)

And no one dared to disturb
the sound of silence
António Contador toma como ponto de partida a icónica canção The Sound of Silence, da dupla Simon & Garfunkel, para a criação do seu novo projecto 6=0, uma obra em que conteúdo, contentor (entendido no sentido daquilo que contém) e contexto se fundem e geram complexas articulações de significados e possibilidades de leitura.
Se por um lado Contador parece aludir à famosa obra de Joseph Kosuth One and Three Chairs (1965), por outro, ao transmutar a linguagem verbal numa fórmula aritmética, transforma a lógica conceptual analítica num postulado com raízes em Badiou (pensador chave na formação teórica de Contador) e no seu sabido uso da matemática na explanação de postulados filosóficos.
O título da obra, 6=0, cria uma série de intricadas propostas auto-referenciais. A evidente tautologia, manifesta na criação de um jogo de significados, em que o silêncio cantado (The Sound of Silence) se torna silêncio real através do gesto criador, que condena esta canção a uma ausência de som forçada, já que os discos que contêm a música estão para sempre encerrados dentro dos seus envelopes. Para além disso, Contador viola o senso comum ao criar um enunciado que ignora a aritmética elementar e inaugura uma nova ordem de pensamento matematicamente incorrecto: tal como é possível que uma e três cadeiras de Kosuth sejam uma só (apresentando três versões possíveis do mesmo objecto), os seis discos de António Contador igualam a zero; Curiosamente, os próprios compositores hesitaram em chamar à musica The Sound ou The Sounds of Silence, parecendo não saber bem se o silêncio emitia um ou vários sons. Seja como for, o som ou os sons do silêncio equivalem sempre a zero, já que o silêncio não é audível, ou não existe, tal como constantemente nos recorda John Cage.
Contudo o artista não se move no campo da citação ou do uso de referências eruditas de elementos culturais de um passado próximo, práticas tão caras à criação artística dos dias que correm. Contador cria um dispositivo original, autónomo e ligeiro que, como sempre no seu trabalho, relaciona pensamento teórico, cultura popular, vivências concretas e uma visão irónica muito própria com enorme leveza.
Deste modo o artista cria um espaço alternativo e suspenso que associa questões filosóficas (tautologia, o um e o múltiplo, a associação palavra/conteúdo), ao poder da música popular (esta canção foi composta na sequência do assassinato de J.F. Kennedy, numa tentativa de lidar com o trauma americano causado por este evento), dos seus cultos (o modo como o formato em vinil tem sido alvo de um enorme revivalismo nos anos recentes) e da forma como se operam as trocas comerciais quotidianas (por correio, através da compra na internet, fazendo quase pensar a um regresso da mail art dos Dadaistas e Fluxus sujeita à realidade post-capitalista).
6=0 oferece, na sua simplicidade e austeridade formal, um sem fim de leituras e de interpretações. Exactamente porque é uma obra não impositiva, ou, forçando um pouco o jogo de palavras, silenciosa.
People hearing without listening / People writting songs that voices never share / And no one deared / Disturb the sound of silence…
Filipa Ramos, Junho 2009
Curadora e Crítica de Arte
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