Pode parecer mania de designer mas há dois aspectos sentimentais importantes na concepção destes auscultadores:
- quando se segura um par de auscultadores semelhantes, de outras marcas, contra uma parede branca, com a luz certa, o resultado da sombra é a ideia base para os TMA-1: uma silhueta inteiramente negra, sem marca visível. Quando se segura um par de TMA-1 nas mesmas condições o resultado da sombra é o próprio TMA-1;
- o nome deriva de Tycho Magnetic Anomaly 1, o nome técnico do monólito negro imaginado por Arthur C. Clarke para “2001: Uma Odisseia no Espaço”; a ideia é tornar explícita a robustez e durabilidade do objecto.
+ Factos:
- O modelo para os TMA-1, não apenas visual mas técnico, são os Senheiser HD25, standard no circuito de DJs. A marca dinamarquesa AIAIAI desenvolveu a ideia em colaboração com vários DJs e produtores, a editora Tartelet, a Mannhandle e o atelier dinamarquês KiBiSi.
- Esta é a lista dos DJs que testaram os TMA-1 e ajudaram no seu desenvolvimento: 2 Many DJs, A-Trak, Booka Shade, Boys Noize, Brodinski, Claude Von Stroke, Ellen Allien, Erol Alkan, Flying Lotus, Fredski, Hudson Mohawke, Hot Chip, James Murphy, Kode9, Koze, Luciano, Michael Mayer, Philip Jung, Matthew Dear, MSTRKRFT, Pilooski, RJD2, Seth Troxler, Superpitcher, Teki Latex, Tiga, Tomas Barfod (WhoMadeWho), Trentemoller.
Impressões:
Com os TMA-1 na mão, o que impressiona primeiro é o aspecto espartano, robustez do arco que assenta na cabeça (mas flexível e confortável), peso dos auscultadores propriamente ditos (partes laterias que assentam nos ouvidos). Como acontece com a maioria dos modelos, o arco é ajustável à cabeça, mas nota-se mais rapidamente a adaptação, ou seja, eles ficam realmente no sítio sem oscilações. A ouvido nu parecem ter mais isolamento, mais poder de graves e menor agressividade em alto volume do que os Senheiser HD25.
A caixa inclui o par de auscultadores, 2 esponjas extra, cabo com mini-jack em ambas as extremidades + adaptador jack e bolsa para guardar os auscultadores.
LLOYD MILLER / THE HELIOCENTRICS
(Ost)
CD Strut – 14.95 eur
“A Lifetime In Oriental Jazz”, na Jazzman, apresentou-nos o trabalho de Lloyd Miller, que grava desde 1950 e se deicou posteriormente à investigação e prática de música do Oriente. O jazz é tomado como base criativa na mais livre interpretação do termo, havendo pontos de contacto com o que Gabor Szabo afirmava a propósito de “Jazz Raga”. Acelerando para o presente, a Strut orgulha-se de estar a editar música nova de antigos mestres como Mulatu Astatke, Lloyd Miller e, em breve, Ebo Taylor. Não são reedições mas sim material fresco, no caso dos dois primeiros em encontro criativo de raiz com os Heliocentrics, banda residente nos sonhos molhados funk de muita gente que se interessa por estas músicas. “(OST)” é uma trip oriental com groove testado no Ocidente, uma fusão que resulta adequadamente numa banda sonora (OST é habitualmente Original Soundtrack) para viagens imaginárias ou, como sabe quem disfruta de música em andamento (iPod, carro…), viagens e percursos reais. Talvez este seja dos maiores clichés quando se fala de um disco assim, mas não existem detalhes técnicos capazes de suplantar o puro prazer de seguir emocionalmente qualquer música que mexa connosco. Testem os clips de som.
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Da Califórnia, de onde mais? Avigdor Zahner-Isenberg começou a escrever canções durante o secundário usando o nome Avi Buffalo, que colou depois ao juntar mais membros e instrumentos ao esqueleto (bateria, baixo e teclas). É um disco de twee pop como há muito não se ouvia, carregado de melancolia e falsettos que recordam com nostalgia os Galaxie 500 e, mais especificamente, a carreira de Dean Wareham. E se de um certo modo é algo desconcertante sentir estes sons como do presente (seja pelos ciclos, seja pelo revivalismo chillwave), também é reconfortante sentir que uma tradição da canção não está perdida, adaptada a influências mais actuais (Dan Deacon, Beach House, Dirty Projectors). E porque há algo de subversivo nisto tudo e um humor latente nos títulos e na escrita das canções, gostamos de nos sentir reconfortados, ou melhor, confortáveis com o disco homónimo de Avi Buffalo. Uma das estreias no universo da canção pop que interessa reter em 2010.
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Os !!! chegam ao quarto álbum quando estão prestes a atingir dez anos de carreira. Em 2010 não têm o impacto que tiveram no início da década passada, quando “House Of Jealous Lovers” dos Rapture juntou a pop/rock/funk com a música de dança e disse ao mundo que afinal havia salvação. Tal como os Rapture, também os !!! já tinham história antes desse momento zero e, desde então, têm sido uma lufada de ar fresco nesse universo, sendo os únicos “grandes” que sobreviveram sem embaraços. “Strange Weather, Isn’t It?” está longe dos momentos mais estridentes dos !!! e parece renegar o lado glam que ouvimos no anterior “Myth Takes”. É um disco bastante mais sintetizado onde as coisas de valor dos !!! se mantêm: o baixo solto, a voz de Nic Offer (desta vez com um registo mais baixo que o habitual). No todo é muito sólido (a esse nível, talvez o mais sólido dos !!!, sem um tema que esteja a milhas de distância dos outros) e há momentos baleáricos que são pérolas, como quando “Steady as the Sidewalk Cracks” começa a divagar.
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GABOR SZABO
Jazz Raga
CD Light In The Attic – 16.50 eur12.95 eur
Editado na Impulse em 1967, “Jazz Raga” paira num cruzamento bizarro mas muito confortável entre jazz, música indiana, exótica / easy listening e psicadelia garage dos 60s. Szabo fugiu da Hungria natal em 1956, aos 20 anos de idade, aproveitando os ventos revolucionários, e a sua admiração infantil pela guitarra de Roy Rogers foi-se transformando e desenvolvendo em consonância com as agitações próprias da década de 60. Numa entrevista publicada na revista Downbeat, em 5 de Outubro de 1967, em resposta à pergunta “o que é 1967?”, Szabo dizia: “É isso que andamos todos a tentar perceber. É definitivamente agitação. Em 1965 ou 66 acabaram certas coisas… De uma forma algo triste, o jazz, tal como o conhecíamos, acabou. Agora de repente, em 1967, algumas coisas novas começaram. E é isso que assusta, porque nenhum de nós sabe exactamente o que é que isso vai ser musicalmente – e a música é sempre sociológica, até certo ponto. Em “Sgt. pepper’s”, os Beatles já começaram algo que vai ser o futuro. É uma espécie de era espacial, com as suas emoções assustadoras, beleza assustadora – assustadora para mim porque me lembro das coisas que acabaram. Talvez apenas seja assustador para mim porque é uma coisa mesmo nova, e eu sei que vou ser parte dela porque ainda sou muito novo (31) para desistir dela, por isso vou acompanhá-la. Já começou, esta nova música, e o mundo inteiro parece estar a reunir-se. Não se trata apenas de jazz americano, valsas vienenses e coisas dessas – de certa forma é tudo concentrado… uma unidade cosmopolita. Sinto muito isso nesta música… Tínhamos todos os nossos nichos muito confortáveis, éramos americanos ou húngaros e parte de uma certa herança e tudo isso. Mas agora parece que isso desapareceu tudo. Agora somos apenas Mundo, Terra. A música reflecte isto. E os músicos de jazz deviam ser os primeiros a experimentá-lo porque têm toda a facilidade. Bastava abrirem a mente…”. O incontornável Rudy Van Gelder foi o engenheiro de som das sessões de um álbum que, apesar da extensa campanha de reedições da Impulse, só agora surge em CD. Beck é fã do disco e a Light In The Attic presta mais um serviço aos amantes de música.
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A remistura para “In For The Kill” de La Roux, em 2009, é tida como o ponto de viragem no som de Skream e uma espécie de primeiro esboço para o que é a atitude em “Outside The Box”. Distante talvez a comparação com Aphex Twin e a IDm dos 90s, mais próxima a miscigenação com a pop mais típica do séc. XXI, quando já quase todas as regras pré-existentes foram quebradas. Este álbum ainda está repleto de electrónica explícita, até num título como “CPU”, mas “Where You Should Be” e, em especial, “How Real”, colocam Skream perto do centro da nova musica de clube globalmente aceitável. Alguns momentos mais emotivos equilibram perfeitamente qualquer desconfiança que possamos ter, bem como faixas tipo “Wibbler”, manual de dubstep hardcore. La Roux aparece mais tarde em “Finally” e na “Epic Last Song”, o break amen TÃO drum & bass domina a saída do álbum e deixa uma pista qualquer sobre o som poderá estar agora a acontecer mais uma vez em clubes londrinos.
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WASHED OUT Life Of Leisure
MCD Mexican Summer -8.50 eur
Falamos de Panda Bear nesta semana e, por coincidência, de Washed Out. Ernest Greene é dos melhores nomes a surgiur após “Person Pitch” que melhor soube adaptar o som criado por Panda Bear. “Life Of Leisure”, editado em vinil em 2009 pela Mexican Summer (editora com hype justificadíssimo), teve uma procura elevada e foi passando de objecto de culto para um fenómeno mais alargado. Graças a isso houve reedição em vinil e neste Verão a tão esperada edição em CD. “Life Of Leisure” relembra os ecos de Panda Bear enquanto se move na praia de uma chillwave e se apropria daquilo que melhor pode ser usado da nu-rave neste cenário: os beats. “New Theory” é um bom exemplo de como esta mistura funciona. Os habitués das cenas boogie e italo disco vão ficar impressionados com a semelhança entre “Get Up” e o original dos Change + “Feel It All Around” e o original de Gary Low. Apesar de não ser nada de novo, é gratificante seis canções resultarem tão bem num sistema que está a ser violentamente reproduzido e raramente dá bons resultados. Washed Out foi à pop perfeita neste “Life Of Leisure”.
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WAX POETICS
#42 – The R&B Issue
REVISTA – 10.95 eur (OFERTA DE 50% DE DESCONTO EM COMPRA CONJUNTA COM “THE ARCHANDROID” DE JANELLE MONÁE OU QUALQUER UMA DAS NOVIDADES DA LIGHT IN THE ATTIC (LOU BOND, KRIS KRISTOFFERSON, GABOR SZABO)
Duas versões. Duas capas e outras duas contracapas. Evidência da densidade e riqueza do número 42 da Wax Poetics, justamente designado de “The R&B Issue”, ou não fossem Barry White, Gil Scott-Heron (entrevista), D’Angelo e Erykah Badu (entrevista) os seus grandes destaques, deixando rastilho para outros nomes do “neo soul” movement e, claro, referências de sempre. Bilal, Spree Wilson, The Bamboos, Kings Go Forth ombreiam com Tito Ramos, Curtis Mayfield, Joi, Jeff Redd, D.J. Rogers, (em “re:Discovery”), o MC Melvin Bliss ou Hernie Hines. Pelo meio, o percurso do produtor Bob Power é detalhadamente topografado e, quase no fim, artigo de fundo a relembrar o inventor do pedal Wah-Wah, Del Casher, que fala na primeira pessoa. Quem comprar o novo disco de Janelle Monáe, “The Archandroid”, ou alguma das novidades da Light In The Attic, tem direito a 50% de desconto nesta edição (promoção limitada ao stock existente).
JANELLE MONÁE The Archandroid
CD Bad Boy -13.50 eur
Não é a típica diva R&B, às vezes nem sequer soa R&B, e é responsável por alguns dos momentos mais vanguardistas e excessivos na pop recente. É demasiado para uma descrição fiel, mas simplificando, por exemplo: Amy Winehouse, Bjork e Annabella Lwin dos Bow Wow Wow. Acrescentando aos excessos, “The Archandroid” é também um álbum conceptual, contando a história de Cindi Mayweather, uma andróide no planeta Metropolis. A vibe ancestral que Janelle manda na capa do disco adequa-se bem a uma fantasia espacial com recurso a vários períodos e sensibilidades na música. Quando é clássica como em “Sir Greendown” ou “57821″ é desarmante e completa, apercebemo-nos de que nada lhe falta para o mega-estrelato. Expressão livre, extravagante e pouco comum nesta combinação de valores. Grande.
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B FACHADA Há Festa Na Moradia
10″ Mbari -14.95 eur
Prolífero o suficiente para começarmos a contar com ele em cada seis meses, B Fachada cria e edita com uma velocidade feroz. Além disso tem revelado uma versatilidade surpreendente, cada disco soa diferente do anterior, não só a nível de registo mas também, e principalmente, a nível de produção. “Há Festa Na Moradia”, editado agora em 10″ depois de ter sido lançado em MP3, traz sete novas canções que em território nacional evocam Sérgio Godinho (até há uma referência directa num dos temas) mas, sobretudo, num horizonte mais vasto, soa tremendamente a Neutral Milk Hotel. Produção suja, batidas secas e voz sobreposta pelo ruído dos instrumentos; também uma certa urgência (o primeiro tema é da mesma família de “Song About Sex” dos NMH) que se nota tanto na voz como no ritmo. Um passo em frente, mais um, de B Fachada, afirmando-se – ainda precisa? – como o melhor compositor de canções português da sua geração.
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No espírito da Finders Keepers (embora não tão bad ass), eis duas compilações essenciais do universo disco/cósmico. Se o vosso deleite reside muito em descobrir música nova baseada em groove, ambos os CDs que propomos estão repletos de momentos únicos e provavelmente irrepetíveis.
VÁRIOS
Experiment
CD Ambassador’s Reception – 14.95 eur
Steve Kotey, Loud E e amigos não brincam quando se trata de revelar música incrível que não se encontra facilmente (ou encontra-se a preços proibitivos). “Experiment” é a compilação perfeita no sentido em que evita lugares-comum, avança para território desconhecido e recompensa com uma viagem exótica (não misturada, as faixas estão isoladas), “where Library Soundtracks, Space Rock, Cosmic Funk and Reggae Disco collide with devastating effect”. O serviço extra é prestado pela inclusão de uma tracklist com os nomes dos artistas.
01. Tyrone Patterson “Hot Love” 02. Giwa “Futur” 03. Apple Sauce “Indian Disco” 04. Redbone “Fais Do” 05. Life “Cats Eyes” 06. Electric Nightmare “Garden Of Delight” 07. Rising Sound “Lover, Hello Lover” 08. Pierre Moerlen’s Gong “Jingo” 09. Jimmy Thomas “Driving Wheel” 10. Steve Power “Fun At Elysium” 11. Mistral “Starship 109″ 12. Francis Lai “Disco Bar” 13. Ray Williams “Cosmopolitan London” 14. Tchai “Everyman Has A Woman Who Loves Him” 15. JT Connection “Relationships” (feat Dennis Tufano) 16. Jean Paul St Leu “Pulse” 17. Moonbirds “Supernova”
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VÁRIOS ESP Institute – Concentration Volume 1
CD ESP Institute Of Music – 11.50 eur
No mesmo lado da barricada, Lovefingers é auxiliado por Abel, Alexis Le-Tan, Basso, Bumrocks, Chee Shimizu, Cos/Mes, Jonny Nash, Lee Douglas, Lexx, Secret Circuit, Sesto Falconi, Tako e Tropical Jeremy. “Concentration Volume 1″ é uma mixtape (e CD misturado) com uma agenda musical absolutamente obscura não só para o ouvinte médio como até para o mais experimentado. Só são referidos títulos (que podem nem ser os verdadeiros), mas pouco importa quando, de facto, a experiência de colocar o disco a tocar e desligar do mundo conhecido é suficientemente recompensadora. A outra recompensa é o lucro das vendas entregue ao Harmony Project, organização dedicada ao desenvolvimento de jovens através do estudo e prática musicais.
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Remessa de final de Verão da Finders Keepers. Jacky Chalard é o prato forte, disco de 1974 recuperado com toda a dedicação da editora (a edição em vinil é óptima, estamos sem stock de momento, mas dentro de duas semanas recebemos mais, façam os vossos pedidos). Há ainda em CD e LP a compilação dedicada à editora de kraut Kuckuck e a edição em CD (vinil está esgotadíssimo) da excelente compilação em volta de JP Massiera, “Midnight Massiera“. Chegou também “Absolute Belter” em vinil e mais algumas reposições. Dentro de semanas há mais novidades (escutem no “em breve” no nosso site), incluindo os dois primeiros maxis da série Cache, em volta de uma espécie de disco-psych-rock.
JACKY CHALARD
Je Suis Vivant, Mais J’ai Peur De Gilbert Deflez
CD Finders Keepers – 16.50 eur13.50 eur LP GATEFOLD Finders Keepers -17.50 eur14.95 eur(ESGOTADO, MAIS STOCK BREVEMENTE – ACONSELHA-SE RESERVA.)
Quem é Gilbert Deflez? Andy Votel explica com humor, no livreto de “Je Sus Vivant, Mais J’ai Peur” que era um nome “ungoogleable” até há altura do anúncio desta edição da Finders Keepers. Deflez emprestava a voz para novelas de ficção científica na rádio durante os anos 60/70. Jacky Chalard, membro dos Dynastie Crisis (conhecidos pelo fantástico tema “Faust 72? presente na banda-sonora de “Ocean’s 12?), ao conhecer Deflez resolveu musicar uma ficção narrada pelo radialista. O resultado é este “Je Sus Vivant, Mais J’ai Peur De Gilbert Deflez”, editado em 1974, disco sobre o qual se encontra pouca informação, algo desajustado à época em que saiu e remetido para o esquecimento e prateleiras de coleccionadores. Vem referenciado como um encontro entre “Melodie Nelson” e “Planète Sauvage” e não anda muito longe disso. É uma narrativa psych de ficção científica, onde os ambientes criados por Chalard se deixam invadir pela voz perfeita de Deflez. Somos colocados numa qualquer viagem espacial, onde uma voz nos lembra frequentemente “Je sus vivant, mais j’ai peur” (”Estou vivo, mas tenho medo”), ideia que não é difícil de associar ao homem do século XXI. A edição original trazia ilustrações de Enki Bilal no interior da capa, reproduzidas na edição em vinil agora reeditada pela Finders Keepers. Perde-se isso no CD, mas ganham-se três temas extra, sendo um deles (”Corto Maltese”, o que tem voz) maravilhoso (e quem gostar, atenção ao maxi de Jacky Chalard que vai sair em Setembro também na Finders Keepers). Essencial.
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VÁRIOS / JEAN-PIERRE MASSIERA
Midnight Massiera
CD Finders Keepers – 16.50 eur13.50 eur
Obsessão mais ou menos recente: Jean-Pierre Massiera. A crescer conforme o seu trabalho tem vindo a ser recuperado, tanto pela canadiana Mucho Gusto (alguns LPs e duas compilações essenciais, “Psychoses Freakoid” e “Psychoses Discoid”) como pela britânica Finders Keepers (7?, o álbum de Horrific Child e este “Midnight Massiera”). As compilações da Mucho Gusto dividem bem as duas grandes fases de Massiera, uma dedicada a um lado mais psych-rock conceptual e outra à sua fase disco, ambas singularmente esquizofrénicas. “Midnight Massiera” não é recente, mas só agora conseguimos deitar mão a alguns exemplares. Une os dois mundos e é até ao momento o melhor agrupamento de temas do produtor e músico francês (de lamentar apenas a exclusão de temas que produziu para Soraya). Criador de um universo único durante os anos sessenta e setenta, música que traz logo à cabeça criaturas disformes e planetas repletos de luxúria e álcool (em muitas das fotografias existentes de Massiera ele surge com uma garrafa na mão). “Midnight Massiera” é uma perfeita amostra do seu trabalho; há uma coesão ao longo dos 18 temas que quase desvirtuam o termo compilação e se oferecem como um álbum ultra-conceptual. Há canções absolutamente magníficas de Chico Magnetic Band (um Jimi Hendrix torradíssimo), Les Maledictus Sound, Basile, Visitors, Human Egg e a essencialíssima “Space Woman” de Hermans Rockets/Venus Gang.
01. Visitors “Visitors” 02. S.E.M. Studios “Ivresse Des Profondeurs” 03. Jesus “L’Electrocute” 04. Les Chats “Bizarre” 05. The Starlights “Mao Mao” 06. Basile “Itubo Del Anno” 07. Chico Magnetic Band “Pop Or Not” 08. Les Maledictus Sound “Kriminal Theme” 09. Jesus “Songe Mortuaire” 10. Basile “Engins Bizarres” 11. Human Egg “Onomatopaeia” 12. Les Monegasques “Psychose” 13. Chris Gallbert “Sing Sing” 14. Hermans Rockets “Space Woman” 15. Piranhas “La Turbie Pirhanienne” 16. Atlantide “Egg” 17. Les Maledictus Sound “Inside My Brain” 18. Afterlife “Sevret La Vielle Dame”
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VÁRIOS
Cloud Cuckooland
CD Finders Keepers – 16.50 eur13.50 eur
2LP Finders Keepers – 21.50 eur17.50 eur
Desconhecida para a maioria, a Kuckuck foi uma editora independente com uma longa duração de vida. A cargo do alemão Eckart Rahn, ajudado por Mike Sondeck e Sam Spence (de quem falámos há umas semanas, sobre “Sam Spence Sounds) foi até meados dos anos 1970 um espaço de exploração no rock alemão, enquadrando-se como é óbvio no krautrock e no kosmiche, por necessidade do tempo. Esta compilação, dedicada ao catálogo da editora até 1974, centra-se em sons dessa natureza. Mas os nomes são-nos praticamente todos desconhecidos, os sons podem ouvir-se como kosmiche, mas quase tudo está mais próximo de uma ideia de library music, reflexo da influência de Sam Spence e dos Moog que levou dos Estados Unidos para a Alemanha. Algo atípico em relação àquilo a que estamos habituados no rock alemão deste período, mas valente no campeonato da library music.
01. Antiteater “Opening” 02. Ihre Kinder “Stunden” 03. Out Of Focus “See How A White Negro Flies” 04. Sam Spence “Water World” 05. Ernst Schultz “Paranoia Picknick” 06. Sonny Hennig “1000 Tips zum Uberleben” 07. Ernst Schultz “10 Finger Blind” 08. Ihre Kinder “Komm Zu Dir” 09. Deuter “Der Turm” 10. Sam Spence “Ringo” 11. Antiteater “Memorn (Der Amerikanische Soldat)” 12. Armegeeddon “Oh Man” 13. Sam Spence “World As One” 14. Dueter Night “Rain” 15. Ernst Schultz “XY” 16. Lied Des Teufels “Nichts” 17. Antiteater “Intermezzo” 18. Out Of Focus “Blue Sunday Morning” 19. Ihre Kinder “The Dice” 20. Antiteater “Trauer La Mandragola”
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REENTRADAS DESTA SEMANA:
Chris Harwood “Nice To Meet Miss Christine [LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17.50 14.95 Chris Harwood “Wooden Ships / Hear What I Have To Say [7"]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 6.50 5.50 Jean-Claude Vannier “L´Enfant La Mouche Et Les Allumettes [7"]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 6.50 5.50 Lubos Fiser “Valerie And Her Week Of Wonders” (Finders Keepers) Bandas Sonoras, € 16.50 13.50 Maledictus Sound “Wedding Party [7"]” (Finders Keepers) Disco, € 6.50 5.50 Selda “Selda” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “Absolute Belter [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 21.50 17.50
Vários “Cross Continental Record Raid Road Trip [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 21.50 17.50
Vários “Pomegranates” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “Pomegranates [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 21.50 17.50
Vários “The Sound Of Wonder! – The First Wave Of Plugged-in Pop At The Pakistani Picture House” (Finders Keepers) Funk, € 16.50 13.50
Vários “The Sound Of Wonder! – The First Wave Of Plugged-in Pop At The Pakistani Picture House [2LP]” (Finders Keepers) Funk, € 21.50 17.50
Vários “Well Hung – Funk-Rock Eruptions From Beneath Communist Hungary – Volume I” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “Well Hung – Funk-Rock Eruptions From Beneath Communist Hungary – Volume I [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 21.50 17.50
AINDA EM STOCK:
Billy Green “Stone [LP]” (Finders Keepers) Funk, € 17.50 14.95 Ersen “Ersen” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50 Galwad Y Mynydd “Galwad Y Mynydd” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50 J. P. Massiera “Horrific Child” (Finders Keepers) Pop/Rock, €16.50 13.50 J. P. Massiera “Horrific Child [LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17.50 14.95 Jean Claude Vennier “L´Enfant Assassin Des Mouches” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50 John Hill “6 Moons Of Jupiter” (Finders Keepers) Jazz, € 16.50 13.50 John Hill “6 Moons Of Jupiter [LP]” (Finders Keepers) Jazz, € 17.50 14.95 Mustafa Özkent “Genclik Ile Elele” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50 Sam Spence “Sam Spence Sounds” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50 Science Fiction Dance Party “Dance With Action [LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17.95 Vampires Of Dartmoore, The “Dracula´s Music Cabinet” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “Absolute Belter” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “B-Music – Drive In, Turn On, Freak Out” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “Welsh Rare Beat” (Finders Keepers) Funk, € 16.50 13.50
Vários “Welsh Rare Beat 2” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Vários “Willows Songs” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 16.50 13.50
Chris Harwood “Nice To Meet Miss Christine [LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 14,95
Chris Harwood “Wooden Ships / Hear What I Have To Say [7"]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 5,5
Jean-Claude Vannier “L´Enfant La Mouche Et Les Allumettes [7"]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 5,5
Lubos Fiser “Valerie And Her Week Of Wonders” (Finders Keepers) Bandas Sonoras, € 13,5
Maledictus Sound “Wedding Party [7"]” (Finders Keepers) Disco, € 5,5
Selda “Selda” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 13,5
Vários “Absolute Belter [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17,5 Vários “Cross Continental Record Raid Road Trip [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17,5
Vários “Pomegranates” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 13,5
Vários “Pomegranates [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17,5
Vários “The Sound Of Wonder! – The First Wave Of Plugged-in Pop At The Pakistani Picture House” (Finders Keepers) Funk, € 13,5
Vários “The Sound Of Wonder! – The First Wave Of Plugged-in Pop At The Pakistani Picture House [2LP]” (Finders Keepers) Funk, € 17,5
Vários “Well Hung” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 13,5
Vários “Well Hung – Funk-Rock Eruptions From Beneath Communist Hungary – Volume I [2LP]” (Finders Keepers) Pop/Rock, € 17,5
PANDA BEAR Tomboy / Slow Motion – Edição Limitada
7″ Paw Tracks - 7.50 eur5.95 eur
O muito ansiado regresso de Panda Bear está cada vez mais próximo. Enquanto “Tomboy”, o álbum, não é editado, começam a chegar os tão prometidos singles. Planeados para sairem em editoras diferentes, eis o primeiro, “Tomboy / Slow Motion” na Paw Tracks (que editará o longa-duração). A pressão de um sucessor ao nível de “Person Pitch” e de não repetir uma fórmula que entretanto foi seguida e repetida à exaustão (até por espanhóis, enfim…), e utilizada pela sua banda, os Animal Collective, levaram a esta demora e ao novo som aqui introduzido. Pelos temas ouvidos no Lux há uns meses atrás e pela amostra destes dois temas, confirma-se que a guitarra está mais presente. O uso quase-exclusivo dos samples ficou para trás, a guitarra de “Tomboy” substitui a muralha de som de samples que se ouviam em “Person Pitch” e a voz de Noah não se funde na canção como um outro instrumento, mas um elemento à parte. “Slow Motion” é bastante diferente, tema mais dub/afro, downtempo, bastante longe do esquema de canção pop perfeita de “Tomboy” que Panda Bear tão bem desenha. Dois temas díspares (em som, não em qualidade) a apontar para mil e uma direcções. Dão para perceber que “Tomboy” vai ser diferente, mas provavelmente não aquilo que a maioria das pessoas imaginam. Com este single dá para perceber que o resultado final está a anos de luz do que tem vindo a ser apresentado ao vivo e é mais do que provável que venha aí outra obra-prima. A edição, tal como as dos restantes singles que sairão, é limitada e já está esgotada na fonte…
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DOMINIK VON SENGER No Name 2009
12″ Golf Channel – 10.95 eur
Von Senger é um nome recentemente recuperado, ex-elemento de Phantom Band (primeiro álbum desta banda é genial – leiam aqui) e de outras bandas nos 80s (Dunkelziffer, etc.), também gravou a solo, e é do primeiro álbum (”The First”, 1983) que sai “No Name”. Originalmente com pouco mais de 3 minutos, a faixa foi agora regravada pelo próprio Domink Von Senger com colaboraç\ao do baixista e co-produtor original: Rosko Gee. O resultado é meio Sly & Robbie cósmico, muito sentimental em cima de um groove que poderia nunca parar. No lado B há uma versão feita por Hey Convicts! com a participação de Brennan Green, fiel ao original mas com um tom mais House Of House / DFA.
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Se o passado sempre esteve presente nas edições da Wire, neste número 319 merece lugar de destaque. Dez páginas cartografam uma viagem no tempo com paragem em alguns exemplos que demonstram a influência do passado na música actual, sejam editoras dedicadas à recuperação de títulos antigos, o sampling ou tecnologia vintage.
A temática dominante desta edição estende-se a outras secções: entrevista exclusiva com Graham Simpson; espaço também para relembrar o percussionista Paul Burwell e ainda John Cage. LA Vampires, Marck Leckey, Aura Satz, Mordant Music (”Invisible Jukebox”), Grinderman, Moritz Von Oswald, Oval, William Parker são outros dos pretextos para não perder de vista a Wire de Setembro. E mais outro: “Room40″, a colectânea organizada por Lawrence English que a acompanha.
SPUR Spur Of The Moments
LP Drag City (Edição Limitada) – 18.50 eur13.95 eur
Novamente, a parceria Drag City / Galactic Zoo surpreende. Através de reedições de discos do universo folk/psych/garage norte-americano, têm revelado nomes desconhecidos, surpreendentes, regra geral perdidos em edições de prensagem privada ou escassa para abastecer o mercado futuro. Depois de discos de J.T., George-Edwards Group, chegam-nos agora os Spur, autores de um dos discos mais procurados do universo psych americano, “Spur Of The Moment”. Este “Spur Of The Moments” é uma espécie de best-of da banda, com os melhores temas de “Spur Of The Moment” (e são, garantidamente, os melhores) e outro material igualmente impressionante. O mais admirável nesta edição é a versatilidade entre géneros que os Spur se movimentavam. Entre 1969-72 fizeram folk, garage, psych e country a piscar o olho aos Grateful Dead. Alguns temas são poderosos, como “Modern Era” ou “Time Is Now” e, no seu todo, “Spur Of The Moments” é um reflexo de um período de ouro da família do rock e do blues norte-americano. Uma edição imperdível (até porque, nestes lançamentos, a Drag City edita sempre em quantidades limitadas; ao contrário de seu próprio catálogo), mais uma iguaria que nos chega de uma editora que tem um olho que nunca falha quando olha para o passado. E há bónus: no LP estão incluídas as liner notes de “Spur Of The Moment”, de humor refinado à volta da gravação do disco e do resultado.
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KRIS KRISTOFFERSON Please Don’t Tell Me How The Story Ends: The Publishing Demos 1968-72
CD+Livro Light In The Attic -16.50 eur12.95 eur
2LP Light In The Attic – 34.50 eur28.50 eur
Nos dias de hoje, o nome de Kris Kristofferson fará eco apenas para quem segue com atenção o cinema americano – foi actor para Scorsese e Peckinpah, por exemplo. Contudo, até há pouco tempo, o seu nome também era relevante no panorama musical (talvez mais por “A Star Is Born”), sendo ainda considerado hoje uma lenda do country, graças a “Me And Bobby McGee”, por exemplo. A história da sua luta pela música também poderia inspirar um bom biopic: foi contínuo na Columbia, numa altura em que tanto Johnny Cash ou Bob Dylan gravavam os seus álbums marcantes. Enquanto desempenhava as suas tarefas de limpeza, Kris Kristofferson tentava inspirar-se no mundo que o rodeava, absorvendo os génios e as criações que passavam pelos estúdios, tudo isso enquanto começava a escrever as suas próprias canções – Johnny Cash, Janis Joplin, Ray Stevens ou Bob Dylan foram alguns dos muitos músicos que cantaram as suas obras. Contudo, até à edição do seu segundo álbum em 1971 e uma ida ao festival de Isle Of Wight (depois de uma primeira tentativa frustante), o sucesso parecia apenas aparecer à sua frente na boca de outros cantores. Com a benção do próprio músico, a Light In The Attic celebra as 50 edições lançando o seu maior disco até à data. Uma recolha de demos gravadas entre 1968 e 72, nunca publicadas ou ouvidas, quando Kristofferson era mais solicitado como fazedor de hit singles do que um autor de maiores méritos. O lado instrospectivo e íntimo, e muito mais biográfico que as suas “outras obras” – ouça-se a versão original de “If You Don’t Like Hank Williams” para se perceber a passagem do tempo -, é o que mais assombra nesta colecção, refazendo um pouco a história que possuíamos deste texano nascido em 1936. Como sempre, edição exemplar com um livro de 60 páginas com fotos, biografia, tutorial do próprio Kristofferson às suas canções e testemunhos de Dennis Hopper e Merle Haggard. Histórico!
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People Like Us & Wobbly Music For The Fire
CD Illegal Art -13.95 eur12.50 eur
Longe, muito longe, de serem estranhos, People Like Us e Wobbly decidiram unir algumas peças soltas dos muitos anos de colaborações e diálogos, forçando aquilo que pareceria ser apenas mais uma compilação. Errado, claro. Seria muito ingénuo da parte de Vicki Bennett e Jon Leidecker – e da nossa – julgar que a matéria prima não seria tocada e manipulada vezes sem conta mais uma vez. Bastaram poucas sessões ao vivo para as coisas encaixarem todas num festim plunderphonic de proporções épicas. Mas há uma noção de composição que puxa o luxoo deste disco, como se fosse mais importante o fim do que os meios. E, mesmo que isso tenha sido sempre algo que tenha acontecido, agora há um maior foco e atitude, provavelmente fruto de mais de 12 anos de trabalho conjunto. Exotica, ping-pong de samples, música ambiental caleidoscópica, The Carpenters, muito humor, tudo dentro de um shaker de cocktails que não faria sentido estar noutra editora que não na Illegal Art. Já agora, relembramos que os planos do catálogo é extingirem os seus discos no final deste ano, portanto… Se hesitarem, estarão fora de jogo.
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São apenas dezassete minutos de música, mas já muito fizeram para chamar a atenção de público e imprensa. A estreia de Paus estava prometida há muito, sem que tivesse a desnecessária praga viral, e agora que está cá fora pode-se prever que este EP seja o primeiro passo de um muito interessante e original projecto musical português. Quim Albergaria, Hélio Morais, Shela e Makoto Yagyu formam o quarteto que tem como particularidade duplicarem a bateria e os teclados, provocando inevitavelmente uma trip violenta e rítmica que nos faz lembrar a arquitectura de Battles e as prezes ao céu de Boredoms. Pode – e deve – faltar escorrer muita tinta, mas o que já ouvimos aqui promete encher-nos de orgulho quando pudermos ouvir mais de Paus. Por agora, “Mudo E Surdo”, o tema que fecha o EP, parece concatenar todas as qualidades deste projecto num épico perfeito de assombrosa poesia sónica. Queremos mais disto.
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ARCADE FIRE Suburbs
CD Mercury (disponível em 8 capas diferentes)-15.95 eur 2LP Mercury – 24.50 eur – Disponível na próxima semana
Com as devidas distâncias adequadas a uma década, os Arcade Fire estavam para os 00s como uns Radiohead nos 1990s. Devidas distâncias porque a nível de inovação no universo mainstream da pop/rock não há comparação possível (os Radiohead foram e serão sempre mais influentes); mas há um carácter épico de satisfação de multidões que é comum às duas bandas. E de um certo modo, conseguiram atrair o público numa escala global, da mesma forma que, vá lá, os dEUS fizeram por cá a uma outra geração. “The Suburbs” é o terceiro álbum, depois do fenómeno “Funeral” e de “Neon Bible”, e é um álbum que soa ao fecho de um ciclo. O som dos Arcade Fire continua distinto do restante universo pop/rock, há, de facto, uma proporção épica nas suas canções que muitos se esforçam por alcançar, mas só eles conseguem exprimi-la de um modo eficaz em canções de 3/4 minutos. Este é também um disco muito mais conceptual, em volta dos subúrbios e do imaginário – sobretudo da América do norte – que os rodeia, como espaço de conflito, desgaste e revolta adolescente, mas também de inspiração e influência geracional. Poderia ser um disco demasiado fechado, mas é difícil encontrar uma canção que siga um esquema semelhante a outra, ou alguma que não revele uma influência diferente (especial atenção para a genial “Suburban War”, a piscar o olho a Springsteen). E do mesmo modo como se distanciaram dos subúrbios, todos iguais, os Arcade Fire decidiram desenvolver a capa em oito versões com cores diferenciadas e temos quatro dessas oito disponíveis.
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CHARANJIT SINGH Ten Ragas To A Disco Beat
2LP Bombay Connection -22.50 eur
É um dos achados do ano. Edo Bouman numa viagem à Índia descobriu este “Ten Ragas To A Disco Beat”, assinado por Charanjit Singh, um compositor de Bollywood. Gravado em 1982, tem-se insistido ao longo deste ano que Singh definiu o acid house, três anos antes de “Jack Trax” de Chip E ter sido editado (referido muitas vezes como o primeiro disco house) e cinco antes do primeiro tema de acid house, “Acid Trax” (Phuture). Independentemente desse registo visionário – que cada um lerá como quer -, o que é impressionante é Singh ter chegado a este som, quando muitas das referências que influenciaram o house não chegavam à Índia, e o contacto com o disco dar-se com uma meia dúzia de títulos mais populares. Em “Ten Ragas To A Disco Beat”, Singh usou um Roland TR-808 e um TB-303 para recriar ragas clássicas numa versão disco. O resultado, apesar de não ser muito heterogéneo ao longo de dez temas, é surpreendente e em alguns temas realmente visionário (”Raga Yaman” e “Raga Madhuvanti”).
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No ano passado, Bethany Cosentino e Amanda Brown resolveram acabar com as Pocahaunted (contudo, ainda foi editado neste ano o óptimo “Make It Real”) e cada uma seguiu o seu caminho. Cosentino rapidamente deu nas vistas como Best Coast, lançando uma série de canções lo-fi em 7″ limitados, cujo valor no mercado subiu de acordo com o estatuto de culto e de hype em volta deste novo projecto. Expressão disso é a edição original deste “Crazy For You” ter lugar na Mexican Summer, editora influente no ramo da chillwave e todas as suas vertentes, cujos lançamentos são limitados, bem tratados, e com uma alta valorização no mercado pouco depois de esgotarem (que é muito frequente acontecer). Best Coast enquadra-se na chillwave pelo regresso ao passado e não tanto por comparações de som. As suas canções são joviais, vagueiam pelo sol da costa oeste dos Estados Unidos e estão contaminadas por um espírito do rock feminino de finais dos anos 80 até meados dos 90. Pop formatada em três minutos, tudo delineado de um modo tão simples que somos afectados por uma nostalgia elementar em volta de guitarras: há muito tempo que não as ouvíamos assim num lote extenso de canções. Tão afastadas de compromisso, adolescentes num registo inocente como o dos Belle & Sebastian (mas não tão trabalhado e pensado como o destes). É o disco que leva o rótulo de cliché de disco de Verão, porque é mesmo assim: “Crazy For You” é feito com Sol para o Sol. Ao lado de “Before Today” de Ariel Pink, este é um dos melhores discos de canções do ano.
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QUANTIC PRESENTA FLOWERING INFERNO Dog With A Rope
CD Tru Thoughts -14.50 eur 2LP Tru Thoughts – 16.50 eur
Will Holland é um apaixonado pela música total, mesmo que o encaixemos ultimamente no departamente latino. Só assim se explica o amor que tem dedicado aos seus múltiplos combos – Quantic Soul Orchestra, Limp Twins ou Combo Barbaro, por exemplo -, e o modo como tem reinterpretado a música das várias Américas – da bossa nova do Sul, ao jazz do Norte, passando pela salsa e reggae da América Central. Ritmo, calor e muita reverência ao som de Cuba e da Jamaica num álbum que aprofunda a relação e a define, depois de um primeiro disco demasiado referencial. Pode parecer um caminho simples e fácil, mas poucos têm conseguido ser tão lúcidos a percorrer o continente do modo como faz, mesmo que com o balanço do dub o mundo pareça sempre um bom local para viver. A banda sonora perfeita para acompanhar os celcius que andam por cá.
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GLIMMER TWINS Buffalo Jams
CD Buffalo Jams -12.50 eur
Glimmer Twins era o nome da parceria Jagger / Richards nos Rolling Stones mas, mais próximo de nós no tempo, foi também o nome adoptado por dois DJs e produtores belgas para os mash-ups editados em vinil no período áureo 2002/2003. Tiveram entretanto de reduzir o nome para apenas Glimmers, mas este CD, que reúne quase na íntegra os cinco maxis Buffalo Jams, recupera e assume o nome original. Estes Glimmer Twins simbolizam os anos de experiências com material pop que outros nomes como Erol Alkan e especialmente Richard-X viriam a levar mais longe. Buffalo Jams é ainda o underground, com alguns mash-ups a provar serem dinamite ainda nas pistas de hoje: Liquid Liquid vs Jungle Brothers (”Liquid Jungle”) ou Missy Elliott vs Suicide (”Hellooo”). Nota-se ainda que têm um fraquinho por Liaisons Dangereuses e Velodrome (projectos afiliados dos DAF), cujos beats são usados em vários temas, e revela-se também a tendência da época para colar acapellas de rap com house ou techno. Várias bombas, aqui, e ao mesmo tempo temos na mão um documento pop inestimável para quem nunca arranjou ou nem sequer conhecia os maxis originais. Vintage 2003!
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BUSHMAN´S REVENGE Jitterbug
CD Rune Grammofon -15.50 eur12.50 eur
A Rune Grammofon tem sido uma das principais portas para irmos vendo a hiper-actividade norueguesa em acção, entre o jazz, o rock e todos os terrenos à volta. À custa desta visibilidade, os projectos multiplicam-se, mesmo em pequeníssimas cidades isoladas, e são muitos os músicos que se espraiam por inúmeros projectos e alter-egos. Os Bushman’s Revenge não têm um grande nome, é verdade, mas juntam três energéticos cúmplices da música actual do país dos fiordes (a lista dos seus outros afazeres é demasiado extensa, mas passa por Supersilent e Shining): Even Helte Hermansen em guitarra, Rune Nergaard em baixo e Gard Nilssen em bateria são a tipificação do power trio simples e eficaz, com descargas de adrenalina poderossíssimas, mas com noções de espaço livre fora do normal. Jazz e rock de mãos dadas sem se perceber bem em que ponto fortalecem essa união milagrosa. O truque é simples: “Jitterbug” foi gravado em estúdo, quase sem overdubs, e com os músicos a olharem-se enquanto tocavam. Esta humanização tornou o resultado palpável e visceral. E contagiante para quem precisa de suplementos vitamínicos.
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As ondas Cluster e companhia aparecem de todo o lado. Não que isto não se faça há algum tempo, mas agora há um contexto que parece dominar a realidade para além do normal. Exagero ou não, caberá a cada um descortinar o caso, mas a verdade é que ouvimos hoje muita música que parece nascer directamente do contágio cósmico-hipnótico dos anos 70. Markus Detmer (o patrão da Staubgold) e Timo Reuber (mentor do projecto Reuber, claro) provam que esta tendência lhes passa justamente ao lado: “Sommer” é uma compilação dos 14 anos em que têm feito música juntos, de temas que ficaram esquecidos ou espalhados por discos alheios, e mostram o quão homogéneo tem sido este destino. Ritmo e groove subliminar, ondas energéticas de choque, fluxo e refluxo, ambientalismo vibrante e paradoxalmente ruidoso, e electrónica rudimentar são alguns dos estados de espírito que andam na cabeça destes quase quarentões desde que há perto de 20 anos se cruzaram numa palestra sobre música electrónica quando tiveram o seu curso de Musicologia em Colónia, em 1992. O resto é História, e está aqui parte dela.
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GREIE GUT FRAKTION Baustelle!
CD Monika -15.50 eur11.95 eur
Há muitos anos que são duas das mais interessantes senhoras da electrónica europeia, e a sua sede por projectos conceptuais e colaborações só poderia resultar em algo especial. Greie Gut Fraktion é isso mesmo: de um lado Antye Greie, a Mrs. Vladislav Delay, e Gundrun Gut, a Mrs. Monika Enterprises, juntas desde finais de 2008 para uma aventura algo esporádica, mas que deitou a semente necessária para formalizarem este duo. “Baustelle” é a palavra alemã para ‘zona de obras’ e foi o ponto de partida para este disco: horas infindáveis (são sempre, não é?) de recolha de sons de áreas em construção, e muitas mais a coser tudo sem deixar linhas de fora. A grande surpresa – ou nem tanto, se confiarem no trabalho das alemãs – é escutarmos “Baustelle” sem que se aproxime do torpor industrial, triturante ou pesado. Pelo contrário, há um filtro elegante que corrompe a violência sonora, organizado dentro das malhas do techno quase ambiental, das canções mutantes, perfeitamente ornamentado e sobre-decorado com a orgânica de impactos, marteladas e objectos eléctricos. Electrónica concreta, techno em overload ou Neubauten no feminino são alguns dos géneros híbridos criados aqui; o resto dos títulos serão escolhidos por vocês.
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ISAN Glow In The Dark Safari Set
CD Morr Music -14.95 eur11.95 eur LP Morr Music – 18.50 eur15.50 eur
Já vai longe o tempo em que a Morr dominava com algum fervor a indie-tronic, ancorando muitos dos mais interessantes projectos do género. Mas os anos passam a correr, e de um momento para o outro alguns deles parecem extinguir-se por culpa própria, sem que se tenha oportunidade de reavaliar a sua música. Nesse anos idos, Isan era sinónimo da melhor electrónica esotérica que vinha de Inglaterra, via Berlim. Robin Saville e Antony Ryan são os condutores dos cinco álbuns anteriores e regressam ao duo depois de algumas aventuras a solo e mudanças de residência, mas pelo que se ouve, a mística continua a ser a mesma: electrónica quase caixa-de-música, ritmos ultra-definidos, ambientes ingénuos, e papel de parede retro-futurista – uma espécie de Boards Of Canada sob calmantes. Confessam-se interessados em interpretar à sua maneira o glamour electrónico dos anos 70 em Dusseldorf, bem como o lado lúdico e progressista das experiências da BBC Radiophonic Workshop. Algures pelo caminho, a mesma inquietude dos anteriores álbuns reaparece: e se comunicássemos com o Espaço? Talvez por isso este disco tenha recebido este título.
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RENE HELL Porcelain Opera
CD Type -16.50 eur11.95 eur
Inevitavelmente, os nomes grandes implicam que algo de grandioso está para acontecer. Só há duas maneiras de interpretar algo que tem “Opera” no título, para além da óbvia: ou é um exercício de humor, por contraste ou oposição, ou quer mesmo colocar-se em bicos de pés para tentar chegar lá. Rene Hell chamou a este álbum “Porcelain Opera”, e isso conta-nos que o tamanho pode ser verdadeiro mas será, decerto, frágil. “Razor. P+”, no início, parece querer derrubar-nos de imediato com um labirinto alucinante de música cósmica, que tanto pode ser catalogado de computer music, como um devaneio quase-Cluster com muitas décadas de vida. Ou seja, será electrónica ou sintetizadores? Esta indefinição high vs low-tech é parte da chama de Hell, sempre indeciso entre as camadas sobrepostas à Oneohtrix, os ambientes pesados à Excepter ou os jogos techno disforme à Actress. Jeff Witscher é o senhor que assina Rene Hell, e se alguém é atento a estas coisas perceberá o que tem andado a fazer por um punhado de projectos em torno do noise e da cena experimental americana e que merece atenção.
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A capa do último número da Wire é dominada pelo rosto de Chris Watson, ex-Cabaret Voltaire, actualmente engajado num novo projecto para a BBC, mais uma vez da autoria de David Attenborough (não é por isso de estranhar as borboletas justapostas à sua face). A procura e o registo dos sons, ainda incólumes à perturbação da presença humana, é o que o motiva a viajar entre os dois pólos do planeta e é também material para a entrevista que ocupa as páginas centrais desta edição. As restantes estão reservadas a Terror Danjah, Julian Lynch, Helena Gough, Surgeon, Chicks On Speed ou Howard Riley. A Invisible Jukebox testa desta vez o ouvido de Rhodri Davies, havendo ainda espaço para as habituais secções de críticas, filmes, exposições e concertos. A tal janela aberta para o mundo.