Sexta-feira, 12 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Drag City, Joanna Newsom

JOANNA NEWSOM
Have One On Me
3CD / 3LP Drag City – 21.50 eur 19.95 eur / 23.50 eur 21.50 eur
É sempre difícil entrar num álbum que se espraia por três discos, ao longo de mais de duas horas de música. Há mais coisas para ouvir, há mais nomes para descobrir, e até precisamos de tempo para voltar atrás e reouvir os anteriores álbuns de Joanna Newsom. Se, de facto, encontrarmos essas horas extra, vamos novamente perceber o que parece ser para nós a maior evidência de “Have One On Me”: é o melhor trabalho da cantora, harpista e compositora, e sem dúvida nenhuma um dos grande discos de 2010. “Ys” já tinha sido uma monumental aventura pelo seu mundo de fantasia alucinante, ao mesmo tempo que mostrava o quão hábil os seus dotes de composição e arranjos eram. Em “Have One One Me” é tudo exponenciado pela solidez de canções quase à beira da perfeição, com a voz de Joanna Newsom mais segura e menos ziguezagueante, e com o universo sonoro distante q.b. da alegoria medieval transbordante de “Ys”. Três discos, sim, mas dêem-lhes umas voltas como merecem e digam-nos que canções poriam fora desta selecção. Nenhuma, Acreditem. Ambicioso e audaz, mas em nenhum minuto deixa de estar à altura do que se propõe. A sua obra-prima.
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“Acompanhada por Ryan Francesconi, responsável pelos arranjos, e pelo percussionista Neal Morgan, [Joanna Newsom] continua a habitar um espaço inconfundível, de um riqueza arrebatadora. “Ys” foi um momento irrepetível. Este álbum é uma prova de excelência.” 4/5 in ÍPSILON/PÚBLICO
“A break-up album of extraodinary ambition and depth.” in FINANCIAL TIMES
“A sprawling work of unquestionable artistry that’s as clever as it is poignant, it also sees Newsom of her give the songwriter of her generation a run of their money.” in MOJO
“Have One On Me” is an Elysian record that you’ll return to again and again.” in THE GUARDIAN
“A challenging album, certainly, but this is already sounding like her masterpice.” in THE SUNDAY TIMES
“Newsom now sings with a composure and soulfulness that stands comparision with Laura Nyro.” in UNCUT
“Newsom’s monumental new work represents not a retreat from the ambition of its predecessor, but a more detailed and intricate exploration of its themes and preoccupations.” in THE WIRE
“When I hear Newsom sing the word “easy” in “Suffice” and my mind jumps back to the opener, it reinforces just how many threads she’s weaved between those songs and how incredible it is to discover new things with every listen.” 9.2 in PITCHFORK
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Sexta-feira, 12 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Animal Collective, Paw Tracks

ANIMAL COLLECTIVE
Campfire Songs
CD Paw Tracks – 15.95 eur 11.95 eur
Um pouco de história: antes do mundo assumir os Animal Collective como uma das forças pop mais determinantes para a música no início deste século, eles experimentavam. Experimentavam não à procura de um som, mas a explorar possibilidades que aquelas 2, 3 ou 4 mentes reunidas conseguiam atingir. É por isso que chegaram onde estão hoje, é por isso que são tão influentes. Há um óptimo registo dessa fase, “Hollinndagain”, que capta as suas actuações ao vivo, quase sempre diferentes e inesperadas. “Campfire Songs” foi editado pela Catsup Plate e o projecto não vinha assumido como Animal Collective, mas Campfire Songs. Registado mais ou menos na altura de “Here Comes The Indian”, provavelmente o disco mais ignorado da discografia do colectivo, para mal de todos os que não o ouviram, antecede muito do registo acústico e luminoso de “Sung Tongs” (ajuda a compreender tê-los visto ao vivo nessa altura), ainda hoje o seu melhor álbum. Mas entretanto passou muito tempo, o som evoluiu, e ainda bem que têm uma editora como a Paw Tracks, onde reeditam os discos que escaparam ou escapam ao grande público, mas que são um pedaço importante da sua história e um óptimo exercício de memória. “Campfire Songs” surge agora, como não poderia deixar de ser, com o nome Animal Collective por cima. Porque hoje já têm a certeza daquilo que são e, embora isto nunca estivesse em causa, hoje é mais fácil olhar para trás e dar a importância devida a todo esse passado. E o passado dos Animal Collective nunca assustou, bem pelo contrário. É onde permanece aquela inocência mais inocente, a base e as ideias do futuro (hoje).
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Sexta-feira, 12 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Carpark, Toro Y Moi

TORO Y MOI
Causers Of This
CD / LP Carpark - 15.95 eur 11.95 eur / 21.50 eur 17.50 eur
Provavelmente influenciado pela vivência dos pais em Nova Iorque durante os anos 70/80, Chaz Bundick começou a produzir música muito cedo. Tem 23 anos agora, 14 quando iniciou o seu projecto Toro Y Moi em casa. Estávamos em 2001, o boom de toda a cena Nova Iorquina estava a acontecer e Chaz dava os primeiros passos para o que hoje é “Causers Of This”. Influenciado por essa tendência, é fácil colocá-lo ao lado de nomes de Brooklyn, embora resida actualmente na Carolina do Sul. É a globalização e os efeitos deslocalizados que ela tem. Lembra Animal Collective por Panda Bear, MGMT e até os Yeasayer quando revelam o seu lado mais Hot Chip. Música pop de dança que não é feita para dançar, Toro Y Moi transpira igualmente muitas influências europeias (Daft Punk e Justice à cabeça), porque percebeu que no reino desta pop digital tudo vale. E aqui encaixa elementos folk na pop com raiz em Brooklyn, até um lado mais house que sobressai de vez em quando.
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Sexta-feira, 12 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: DJ Harvey, International Feel, Locussolus

HARVEY presents LOCUSSOLUS
Gunship / Little Boots
12″ (Edição limitada) International Feel – 8.95 eur
O último ano editorial tem sido, a um certo nível, dominado pela presença e influência de DJ Harvey. Os bootlegs da série Black Cock, depois seguidos das reedições oficiais, a remistura para House Of House e o lançamento da editora International Feel. Mais importante que tudo isto talvez seja o facto de se anunciar que Harvey pode, finalmente, sair dos Estados Unidos e regressar sem ter problemas com a Imigração. Não sendo muito claro quem é quem e quem faz o quê na International Feel, Locussolus é descrito como um projecto de Harvey. Dois lados distintos, tech-disco bleepy mais electrónico do que a música que a ele normalmente associamos, e um lado B lento e cósmico, com suficiente freak-out de guitarra para o poder colocar no exacto centro da cabine de Baldelli sem precisar de diminuir o pitch ou mexer nas rotações. Precisa de tempo para se instalar e, depois, parece uma jam entre Steve Hillage e Conrad Schnitzler.
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Quinta-feira, 11 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Robert A. A. Lowe & Rose Lazar, Thrill Jockey

ROBERT A. A. LOWE & ROSE LAZAR
Eclipses – Edição Limitada
LP Thrill Jockey – 14.95 eur
Na sequência de “Gyromancy”, livro editado pela Thrill Jockey, ilustrado por Robert A. A. Lowe e Rose Lazar, que se fazia acompanhar por um 3″ com música de Lowe, a mesma editora lança “Eclipses”, em vinil de edição limitada. Este é um belíssimo trabalho usando sintetizadores analógicos. Passa por Vangelis, explora o drone, mas entra muito pelo imaginário Raymond Scott de “Soothing Sounds For Babies” sem o lado infantil/diabólico (diabólico num sentido Joe Meek), sobretudo na estrutura. Também se inspira no Brian Eno ambiental mas sem preocupação com o conceito, antes com as texturas e o encadeamento linear. Plana de uma forma muito bonita. A edição é limitada e vem acompanhada por um poster 12″ x 36″ desenhado por Robert A. A. Lowe e Rose Lazar.
Ouçam aqui o disco.
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Quinta-feira, 11 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Magina

MAGINA
Nazca Lines
MCD Edição de Autor – 4.95 eur
Pedro Magina é metade dos Aquaparque e a outra metade, André Abel, escreveu sobre este disco: “Uma cápsula digital fresca e singular de memorabilia melódica em teclados, algures entre Richard Clayderman e Jean-Michel Jarre a degladiarem-se por qual a melhor releitura da banda-sonora de ‘Chariots of Fire’ de Vangelis.” As referências parecem correctas, o sentimento de nostalgia electrónica é forte nestas três curtas composições para teclado e efeitos. O grão no som é natural e desejável, reforça a qualidade “antiga” da gravação, e se alguma coisa podemos desejar de extra é que os temas fossem mais longos. Na mesma zona de Kraftwerk (antes de “Man Machine), Delia Gonzalez e Gavin Russom, Oneohtrix Point Never ou Arp (dos Tussle), não se pode dizer que Magina incorpore alguma característica própria de ser português – esta música é nostálgica e saudosista por natureza. “Nazca Lines” tem uma pulsação bonita de que é impossível não gostar, multiplica-se em reverb e as faixas não se limitam a expôr e repetir uma estrutura mântrica, têm evolução, pontos altos e, de certa forma, refrões. Bom!
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Sexta-feira, 5 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Thrill Jockey, White Hills

WHITE HILLS
White Hills
CD / LP Thrill Jockey – 14.95 eur / 14.95 eur
Facilmente associados aos Comets On Fire por uma questão de timing e por uma super-dinâmica rock que estes implementaram. Os White Hills descobrem-se finalmente, no seu álbum homónimo, também o seu primeiro trabalho realmente sólido. Gravado no estúdio dos Oneida, em Brooklyn (o baterista, Kid Millions, toca neste álbum), “White Hills” relembra Hawkwind e Black Sabbath via Comets On Fire nos primeiros temas, principalmente a nível instrumental. Há aquele voo característico, uma composição de guitarra/bateria que não se afasta muito dos autores de “Blue Cathedral”. Na segunda metade, o campeonato é outro. Assume-se na totalidade todo um lado space-rock segredado antes e torna-se numa óptima viagem quase-drone. As canções abandonam a estrutura rock, que deixa de existir numa muralha de som controlada, entre o ruído e música ambiente.
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Sexta-feira, 5 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: O Yuki Conjugate, Soleilmoon Recordings

O YUKI CONJUGATE
OYC25
CD+DVD Soleilmoon Recordings - 19.95 eur 16.50 eur
Lembram-se de “The Euphoria Of Disobedience”, um digipak estranhíssimo com um azulejo de resina na frente? Apareceu inesperadamente em 2006, depois de uma década de pausa dos O Yuki Conjugate e deixou todos os antigos fãs rejubilantes com o regresso. Parecia, na altura, que o tempo tinha parado, mas por bons e meritórios motivos: o projecto de sempre de Andrew Hulme conseguia trazer para os dias de hoje toda a mística especial da música ambiental do final dos anos 80 e do princípio da década seguinte. E já passaram 25 anos sobre o início de tudo. A editora americana Soleilmoon desafiou novamente o grupo a prosseguir com os discos, aproveitando a efeméride e o facto de todos os músicos que participaram na discografia poderem colaborar na cerimónia. Talvez por isso, nunca os OYC soaram tão ricos e tão texturados, mas o cromossoma original está intacto e a génese ambiental, mais ou menos tribal, mais ou menos mergulhada nas águas negras, mais ou menos quarto-mundista, é reconhecível a uma légua de distância. E uma das grandes felicidades para quem possa ter um historial de amor com eles é sentir que o som pode ser transmitido sem a incómoda generation gap. Como todas as festas de aniversário têm bolo (geralmente de chocolate), este novo álbum também traz a sua prenda calórica irresistível: um DVD com imagens e registos (e uma mistura alternativa para o álbum) do antigamente que fazem tudo por completar a história e fazer sentir bem velhos quem percorreu esta estrada toda de música desde o longíquo ano de 1984, quando “Scene In Mirage” foi editado na A-Mission.
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Sexta-feira, 5 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Monolake

MONOLAKE
Silence
CD Monolake – 14.95 eur 12.50 eur
“Infinite Snow”, o segundo tema, não tem nada para nos enganar: techno em slow-motion, de alta definição, com espaço e reverberação amplos. Monolake puro, então. Antes, no primeiro tema, “Watching Clouds”, o outro lado do espelho com o som de gotículas de chuva a fazer-nos crer que o espaço onde estamos é real e não virtual. De “Hongkong”, em 1997, até este “Silence” pouco ou nada tem mudado, mas também é verdade que poucos conseguem andar tão eloquentemente por esta electrónica ambiental como Robert Henke (o único piloto de Monolake), mesmo que a fórmula esteja quase aberta e haja uma legião grande de fãs que emulam o som típico deste projecto. Porque o segredo desde o citado “Hongkong” tem sido o modo como o mundo que habitamos entra pelo computador adentro, criando uma espécie de ficção sonora, futurista mas com sentimentos e emoções reconhecíveis. Ou seja, por um lado a cibernética hipnose techno que nos eleva, por outro a aventura de microfone em punho de Robert Henke por entre o jardim botânico de Berlim, os sistemas de ar condicionado em Las Vegas e Tóquio, caminhos pedonais no Parque Nacional de Joshua Tree, o vento no Grand Canyon, obras, conversas, objectos, máquinas, etc… Impressiona sempre que se leva a electrónica a este ponto, sempre que se parte para o field recording e se vai à procura do som concreto, mas as partes nunca suplantam a soma que “Silence” apresenta. Dito de outro modo: um clássico Monolake antes de o ser, e um piscar de olhos irresistível para quem sempre gostou de andar por aqui.
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Sexta-feira, 5 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Clean Feed, Sei Miguel

SEI MIGUEL
Esfíngico
CD Clean Feed – 16.50 eur 13.95 eur
Parece incrível mas já passaram 4 anos desde o impar “The Tone Gardens”. Quatro anos em que Sei Miguel deixou de ser um segredo bem guardado de poucos para passar a ser cada vez mais uma presença numa realidade musical que carece de vozes como a sua. Na verdade, poucas serão sempre as palavras para definir uma das visões mais importantes do jazz e da música de hoje. Com o seu núcleo habitual de músicos ou, com o também seu, Edge Quartet – aqui ao lado de Joe Morris ou de Dave Burrell -, Sei Miguel compõe, arranja, dirige e interpreta um universo e um corpo de trabalho que tem tanto de rico como de singular e de que “Esfíngico” faz prova. Uma suite, um formato musical clássico para combo de jazz formado por Miguel (trompete de bolso), Fala Mariam (trombone alto), Rafael Toral (electrónica), Pedro Lourenço (baixo eléctrico) e César Burago (timbales e pequena percussão), gravada em concerto em Abril de 2006. Sobre a música, nas palavras do editor: “é claro que este score foi criado para estes interpretes mas não para os seus instrumentos, tal como Duke Ellington fez na sua altura. E isto significa que esta é música com uma incrível dimensão humana, cooperativa, participada e, acima de tudo, sentida”.
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Sexta-feira, 5 Março, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Something, STL

STL
Things From The Basement
MLP Something – 8.50 eur
“Things From The Basement” é talvez o título que melhor descreve o som de STL nas onze edições até ao momento na Something. A matéria parece viva, se prestarmos realmente atenção. Na Europa, ninguém como STL preserva actualmente a herança jack mais roots na cena house originada nos EUA. Fá-lo com precisão mas também com o abandono necessário para deixar à superfície muitas imperfeições, fontes de boa parte do carisma que esta música tem. Sempre mais mini-álbuns do que maxis, os discos da Something abrem uma zona de conforto muito própria, iluminada por tons psicadélicos e uma batida cardíaca que progride imune ao exterior, com efeito narcótico se a exposição a ela for longa. Para dançar, obviamente, mas também para todas as cabeças que adoram a submersão em som: o melhor exemplo neste disco em particular é a remistura de Intrusion (Echospace), toneladas de água morna à nossa volta como numa câmara de imersão meditativa (seja isso o que fôr). No final, como sempre, vários loops rítmicos para usar como ferramentas.
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Também disponíveis:
STL Lost In Brown Eyes, 12″ Perlon - 8.50 eur
STL Musik 4 Life, 12″ Something - 8.95 eur
STL Nocturnal Mixdowns, 2LP Something – 18.95 eur
STL Rain Interpretations, 12″ Something – 8.95 eur
STL 4 Trackers, 12″ Something – 8.50 eur
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Quinta-feira, 4 Março, 2010
Categoria: Imprensa, Novidade
Etiquetas: Jornal, The Stool Pigeon

THE STOOL PIGEON
#25 (March 2010)
JORNAL – 0.50 eur
Quinto aniversário do jornal de música mais denso do mundo. O alinhamento na primeira página (para jornal não se diz ‘capa’, certo?) mostra John Lydon em letras maiores, seguido de Laura Marling, These New Puritans, uma referência especialmente entusiástica a Yeasayer e classificações várias do conteúdo do jornal: “Rude reviews”, “Insults”, “Inconsistency”, etc. Lá dentro, submersão em texto com artigos sobre Toro Y Moi, Pantha Du Prince, Lonelady, Gonjasufi, Ikonika (esta edição olha com um pouco mais insistência para nomes da cena dubstep), Temptations & Four Tops, Danger Mouse, Owen Pallett, e nem sequer chegámos a meio do jornal! Comics. concertos, opinião, anúncios (que já não provocam tanta inveja assim porque Lisboa está positivamente inundada de concertos de tudo e para todos), etc. 88 páginas do melhor jornalismo musical em papel que conseguimos ler hoje em dia.
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Segunda-feira, 1 Março, 2010
Categoria: Imprensa, Novidade
Etiquetas: Revista, The Wire

THE WIRE #313
(Março 2010)
REVISTA + CD – 6.25 eur
Alasdair Roberts na capa anuncia o artigo sobre Glasgow e a sua cena “estranha”: Trembling Bells, Scatter, Daniel Padden, The Family Elan, etc. Os destaques iniciais são a Geiom, Sebastian Lexer, Yabby You (falecido em 2010); o local visitado este mês é Houston, no Texas, a Invisible Jukebox é com Dylan Nyoukis; artigos sobre The Thirteenth Assembly, Marina Rosenfeld, Moodies, destaques na secção de críticas a Joanna Newsom (novo – e triplo – “Have One On Me” a chegar), Fenn O’Berg; a capa do mês é “Kings Of The Wild Frontier” (Adam And The Ants); Alan Moore escreve sobre John Clare; de resto, as habituais rubricas para desvendar a muita música desconhecida que não cessa de surpreender. Esta edição inclui o CD grátis “Cafe Concrete”, com música inspirada em edifícios, locais e espaços em Plymouth, Reino Unido.
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Sexta-feira, 26 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Dominique Leone, Important

DOMINIQUE LEONE
Abstract Expression
CD Important – 13.50 eur
No seu primeiro álbum, homónimo, Dominique Leone concentrou-se em composições abstractas que lembravam Black Dice numa formatação mais pop, por isso acessível. Pop no sentido Beach Boys, via Animal Collective e outras tantas coisas recentes. É curioso “Abstract Expressions” ter o nome que tem, pois é um disco muito mais directo que o anterior. As canções assumem-se como canções, recordam, de uma certa forma, Patrick Wolf, Final Fantasy, Yacht e Dan Deacon a ser tocado por Kevin Blechdom. Mas Leone marca a diferença pela componente clássica assumida num plano discreto, que se vai dissipando em camadas de som. E tal como no álbum anterior, onde construía melodias através dessas camadas, Leone segue a mesma fórmula, mas preocupou-.se em ser mais pop, em conceder às suas canções uma facilidade extrema quase irreconhecível face ao álbum anterior. Há canções excelentes, como “Sometimes You’ve Got to Be Happy”, música rasteira para uma “Invisible Jukebox” (a coluna da Wire na qual convidados adivinham o que toca), onde soltariam uns 100 nomes da pop antes de se chegar a Dominique Leone (e se alguma vez se chegasse…). Rico, delicioso e, sobretudo, uma surpresa.
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Sexta-feira, 26 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Rough Trade, Strange Boys

STRANGE BOYS
Be Brave
CD / LP / 7″ Rough Trade – 16.50 eur 14.95 eur / 19.95 eur / 4.95 eur
É natural que o segundo álbum seja um compromisso de identidade. Os Strange Boys têm muita “identidade”, mesmo que ela seja roubada ao melhor Dylan, Creedence Clearwater Revival, ao garage rock e àquelas guitarras sulistas que nos puxam sempre uma lágrima (por serem tão boas). Só que além dessa “identidade”, há toda uma rebeldia, uma inocência no sentido de não-atitude (eles são mesmo assim) que ninguém lhes tira. Talvez por isso ninguém se dê ao trabalho de os ver como uma cópia, e quando se retiram as referências da cartola é com orgulho, não num espírito de localização. As referências fazem bem aos miúdos (porque são miúdos ou têm cara disso) e aqui elas são uma mais-valia. Bastou comprovar no primeiro álbum, “Strange Boys And Girls Club”, e, quem teve oportunidade, ao vivo no Lounge no Verão do ano passado. “Be Brave” é um álbum maduro apenas porque assume esse lado Dylan com muita elegância. Dylan eléctrico por alguém que não Dylan nunca soou tão bem. Sente-se logo em “I See” e pouco depois no single “Be Brave” e a ideia não sai da cabeça, à medida que as canções se vão tornando mais lentas, seguindo o alinhamento. Mudaram de baterista, mas mudaram pouco. “Be Brave” chegou-nos tão rápido às mãos (ainda ontem estávamos a ouvir “Strange Boys And Girls Club”) que quase nem sentimos a diferença. Sentimos que continuam putos criativos, com uma classe que poucos ousam ter e muitos tentam imitar.
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Sexta-feira, 26 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Jack Rose, Thrill Jockey

JACK ROSE
Luck In The Valley
CD / LP Thrill Jockey – 14.95 eur / 14.95 eur
Custa escrever “álbum póstumo de Jack Rose”. Para todos os efeitos, é isso que este “Luck In The Valley” é, sai poucas semanas após a inesperada morte de Jack Rose. Membro dos Pelt, colectivo que se inseriu na vaga de drone/folk com o mesmo sangue dos No Neck Blues Band, Charalambides ou os primeiros álbuns de Six Organs Of Admittrance, afirmou-se depois com uma carreira a solo, com música suficiente para desbravar durante décadas. Não pela quantidade, mas pela sua importância: foi um digno sucessor de Fahey e Basho, alguém que seguiu esse legado, respeitou-o com visão suficiente para seguir em frente. Há dois álbuns que convém juntar a este “Luck In The Valley” e assim fazer uma espécie de trilogia: o genial “Kensington Blues” (provavelmente o melhor disco de guitarra da última década) e “Dr. Ragtime And Pals”, onde explora as suas influências da música norte-americana antes da guerra, agarrando-se a clássicos, mas fazendo música deste século, para este século e para o futuro. “Luck In The Valley” é o seu álbum mais a oeste, mais um fascículo riquíssimo de todo o espólio que Jack Rose nos deixou. É um daqueles casos em que é tudo muito bom, em que mais vale uma hora com a música de Jack Rose do que dias inteiros com qualquer outra coisa. Era, e ainda é, mesmo assim.
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Sexta-feira, 26 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Now Again, The Whitefield Brothers

THE WHITEFIELD BROTHERS
Earthology
CD Now-Again - 15.50 eur 12.50 eur
A aura dos Whitefield Brothers já cresceu ao ponto de se equiparar à de alguns dos seus heróis de décadas passadas. Com a estreia (álbum “In The Raw”) em 2001 ou 2002, o grupo colocou muita gente a pensar se a música que estavam a ouvir era material vintage ou não. Acontece que eram, sim, jams inspiradas pelo equipamento analógico em que foram gravadas, mas nada mais vintage que os anos 90. Tudo feito por um grupo de alemães que já se chamavam Poets Of Rhythm, entre mais de uma dezena de outros nomes, e tinham discos desde 1992. “Earthology” é um álbum de funk iluminado por uma energia primária impossível de conter. Receber as suas vibrações é fazer parte de uma corrente transmitida desde tempos imemoriais, sentir quão perfeita é a ligação entre os motores rítmicos dos cinco continentes que, embora interpretados por um grupo de europeus brancos, são explorados com total empenhamento e credibilidade. O próprio som do álbum sugere uma experiência mais real, mais próxima da fonte, do que o simples acto de ouvir um disco em casa.
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Sexta-feira, 26 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: James Pants, Stones Throw

JAMES PANTS
Seven Seals
CD / LP Stones Throw – 15.50 eur 12.50 eur / 15.50 eur
Sucessor de “Welcome”, este álbum soa menos extrovertido se bem que mais arrojado. Muito fuzz (também na voz) garante um véu de mistério que afasta definitivamente o disco de conotações fáceis com música de dança. Sem outra palavra que não POP para designar música assim, ouvimos Pants deambular por zonas escurecidas do pós-punk e da cena chamada minimal wave (música electrónica de tom sombrio), explorar sons de sintetizadores antigos, cantar como os vocalistas atormentados e românticos dos 80s, deixar a caixa-de-ritmos correr livre em “I Live Inside An Egg” como Felix Kubin, compôr a balada cósmica perfeita em “Thin Moon”, receber emanações artísticas (não só sonoras) de Bruce Haack, ceder ao boogie como Dam-Funk. James Pants tem demasiada acção dentro de si para se fixar numa linha condutora fácil de seguir, e “Seven Seals” tem de ser abordado com uma curiosidade que faça justiça à do próprio músico enquanto resolve qual o próximo caminho a trilhar.
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Sexta-feira, 19 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Groupshow, ~scape

GROUPSHOW
The Martyrdom Of Groupshow
CD ~Scape - 15.95 eur 12.50 eur
Não foi preciso ver ontem o concerto de Groupshow para termos a certeza do fantástico poder belicista que o trio contém: Jan Jelinek, Andrew Pekler e Hanno Leichtmann preenchem uma mesa repleta de objectos convencionais e não-convencionais para irem respondendo em forma de duelo colectivo ao que vai acontecendo. De um lado, texturas electrificadas e gestão soberba de samples por Jelinek; ao lado, Pekler usa a guitarra e efeitos para colorações e constrangidos apontamentos melódicos; em frente, Leichtmann é o homem ritmo, o lado kraut e a pilha de Volta para o trio. Quando sentimos que uma nova engrenagem entra em acção, sabemos que a inércia criada irá catapultar Groupshow (e nós) para longos minutos de autonomia groove. Em “The Martyrdom Of Groupshow” há espaço apenas para postais ilustrados, em vez das longas horas de palco que o grupo exige nos concertos. Mas isso não torna as coisas menos entusiasmantes. Adepto confesso de Black Dice, Jan Jelinek parece querer com Groupshow fazer uma espécie de homenagem ao constructivismo da banda de Brooklyn, recolocando todo esse universo fragmentário num cenário de pós-electrónica alemã. Quem conhece minimamente os elementos envolvidos, saberá de certeza o que esperará daqui.
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Sexta-feira, 19 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Bill Fay, Coptic Cat

BILL FAY
Still Some Light
2CD Coptic Cat – 16.95 eur 15.50 eur
Parte do que Bill Fay gravou em finais dos anos sessenta nunca chegou a ser editado. Dois álbuns, estatuto de semi-culto colado a uma tentativa de versão britânica de Dylan não lhe chegaram para garantir uma condição que o levasse a prosseguir com a sua carreira. Tal como parte dos artistas folk britânicos, foi recuperado nos últimos anos, condição que leva sempre à revelação de outro material. “Still Some Light” é composto por dois discos. O primeiro reúne temas gravados em 1970, antes de “Time Of The Last Persecution”, e intitula-se “Piano, Guitar, Bass & Drums”, com Ray Russel, Alan Rushton e Daryl Runswick. Alguns temas são originais, outros versões cruas que viriam a ser editadas no seu segundo álbum, mas no todo formam um bolo de canções mais intimistas e despidas do que as editadas entre 1967 e 71. O segundo CD, intitulado “Still Some Light”, é composto por canções novas de Fay, gravadas no ano passado. O tom não se afasta muito do Fay editado ou o recuperado no primeiro CD, embora se note que esteja menos preocupado do que nos anos sessenta em inserir-se numa cena. Ou seja, aqui soa, de certa forma, mais honesto e sob menos pressão. Ao todo são 43 canções em duas horas de música, num digipak com booklet de 24 páginas incluindo imagens de arquivo e textos que ajudam a enquadrar Fay naquela época.
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Sexta-feira, 19 Fevereiro, 2010
Categoria: Imprensa, Novidade
Etiquetas: Revista, Wax Poetics

WAX POETICS
#39 – Africa Issue
REVISTA – 10.95 eur
Ninguém poderia ser mais representativo em matéria de Afrobeat do que Fela Kuti e Tony Allen, capa e contracapa desta edição inteiramente dedicada a África. A música e percurso destas duas figuras inspiraram e influenciaram muita gente não só em África mas no resto do mundo que se interessa por música. Fela faleceu em 1997, Tony Allen continua activo (disco recente com Jimi Tenor na Strut), mas muitos outros músicos foram importantes na solidificação de um som africano que já na década de 60 começava a incorporar elementos ocidentais numa nova fusão com ritmos tradicionais africanos. DJ Rich Medina mostra 10 discos africanos essenciais, ficamos a conhecer melhor o DJ e coleccionador Voodoo Frank, Fanga, Shafiq, o destaque da editora Soundway à música produzida no Ghana, há entrevistas com Orchestra Baobab, Vincent Ahehehinnou (Orchestre Poly-Rythmo) e Pax Nicholas, artigos sobre Ghariokwu Lemi (desenhou mais de 20 capas de discos de Fela), The Rail Band, Tony Allen e Fela Kuti (este último retratado num artigo publicado originalmente em 1982).
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Sexta-feira, 19 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: EMI, Yeasayer

YEASAYER
Odd Blood
CD EMI – 16.50 eur 12.95 eur
Os Yeasayer foram apressadamente colados à sonoridade de Brooklyn pós-Animal Collective. Ajudado por “Spectacular Oracular” dos MGMT, “All Hour Cymbals” colou-se ao hype quando não era bem parte do mesmo grupo, mas uma outra coisa, um exercício mais pop, onde pop deve ser entendida num sentido mais airplay e não pop à moda do século XXI. Contudo, essa colagem errada nunca jogou contra os Yeasayer, pelo contrário, até os ajudou. Mas neste segundo registo talvez os Yeasayer preferissem não viver com o fardo Brooklyn. “Odd Blood” é mais Hot Chip, mais pop britânica dos anos 80, e nesse registo funciona muito bem, lado a lado com as propostas do género (até melhor que “One Life Stand”). Um bom indicativo disso é a produção de vozes, que já não arranha a estranheza, e é agora um exercício pop versátil ligado a muita coisa cheesy dos 80s, mas que nas mãos dos Yeasayer se agarra a uma faceta mais New Order do que Tears For Fears.
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Sexta-feira, 19 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: SKR, Sonic Youth

SONIC YOUTH
Silver Session For Jason Knuth
CD SKR – 13.50 eur 11.95 eur
Originalmente editado em 1998, como espécie de tributo a um fã de Sonic Youth que se suicidou (Jason Knuth), as vendas de “Silver Session” seriam doadas à caridade. Mais de dez anos depois, este objecto “único” (as aspas porque há muitos objectos únicos na discografia dos Sonic Youth) foi reeditado. “Silver Session” é fruto de uma pausa forçada durante as gravações de “A Thousand Leaves”, num dia em que não puderam gravar as vozes para o álbum (porque outra banda estava a ocupar essa parte do estúdio) e então decidiram ir para outra zona, ligar as guitarras com os amplificadores no máximo e registar o que daí sairia. Praticamente só com guitarras, ocasionalmente há uma caixa-de-ritmos, “Silver Session” oferece 30 minutos de ruído ambiental, feedback, ressonância, sem nunca se tornar abrasivo ou propriamente ruído. Há peças lindíssimas (”Silver Panties” e “Silver Breeze”) e, no geral, “Silver Session” é isso: lindíssimo. Aquela beleza “sónica” – pode chamar-se ruído – captada a espaços nos álbuns, prologada durante minutos que distorcem os 30 que o álbum realmente tem.
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Quinta-feira, 18 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Pantha Du Prince, Rough Trade

PANTHA DU PRINCE
Black Noise
CD / 2LP Rough Trade – 16.50 eur 14.50 eur / 20.95 eur
Num ano em que algumas propostas da Kompakt aproximavam o techno a uma linguagem indie (Field e Gui Boratto), na Dial saíram dois discos que conjugavam um ambiente pós-techno das salas chill out dos 90s com deep house da Guidance ou Prescription. O homónimo de Efdemin e “This Bliss” de Pantha Du Prince carregavam um som que na altura parecia meio esquecido (embora o valor dos álbuns não estivesse em causa), mas cujo panorama geral de edições à sua volta ajudou a contextualizar. Particularmente o último, “This Bliss”, mesmo repleto de elementos neo-clássicos, conseguiu criar uma ponte entre diferentes públicos, graças a um alinhamento bem estruturado que dava uma continuadade às suas ideias, tema após tema. Garantiu remisturas para os Animal Collective (”Peacebone”), chegou à Rough Trade, pilar sempre indie, e até conseguiu uma colaboração com Panda Bear (”Stick To My Side”), segundo se diz, grande fã de Pantha. “Black Noise” não é muito diferente de “This Bliss”, talvez menos “clássico” e mais “exótico” (abundante percussão que se assemelha a marimbas). A linguagem de Pantha Du Prince entranha-se mais hoje do que há três anos atrás, o som está mais limpo, não está tão negro, e a segunda metade do álbum é uma autêntica viagem. Curiosamente, a vertente mais pop de “Stick To My Side”, apesar de funcionar muito bem isolada, desvirtua um pouco toda a estrutura de “Black Noise” e atrasa a tal viagem. De um certo modo, “This Bliss” era apenas a descolagem e este “Black Noise” é o voo. Esperemos que nunca tenhamos de descer.
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Ainda disponíveis:
PANTHA DU PRINCE Behind The Stars, 12″ Dial – 7.95 eur
PANTHA DU PRINCE The Splendour, 12″ Rough Trade – 8.50 eur
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Quinta-feira, 18 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: 1619 Bad Ass Band, TSG

1619 BAD ASS BAND
1619 Bad Ass Band – ed. japonesa
CD TSG – 15.50 eur 12.50 eur
Com um nome destes só poderia ser bom. Foi o que pensámos e é assim que é. O álbum homónimo dos 1619 Bad Ass Band esteve fora de circuito durante anos, praticamente desde finais dos anos setenta, altura em que foi editado. Funk grosso e cru, com a electricidade que era conhecida na altura. A produção oscila entre temas mais arranjados, som apurado, principalmente nos temas melosos, e outros com guitarras mais sujas, bateria rude, imensos breaks, e vozes femininas mesmo no ponto que contrabalançam toda esta vertente mais crua. Este lado de 1619 Bad Ass Band é particularmente potente, com “Love To Love” (mesmo a abrir) com tudo o que poderíamos querer e muito mais. Uma pérola.
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Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Ride, Rockit Science

RIDE
Psychedelic Sound Waves
CD Rockit Science - 11.50 eur
“Psychedelic Sound Waves” pode ainda não ser a obra-prima da sua vida – tolice falar já nisso com uma carreira que promete tanto e tão variado material – mas é o disco perfeito que melhor retrata Ride como músico e produtor de excepção no nosso território. É o álbum que exprime o seu momento, o que realmente nos quer dizer. E parece fazê-lo como ninguém, como se fosse um jovem sobredotado – quando se apaixonou pelo djing foi campeão por quatro vezes, quando decidiu pegar nas máquinas e fazer música fá-lo com destreza e à-vontade incomuns. “Psychedelic Sound Waves” parece, pois, responder com clareza sobre quem questiona o real valor e intenções de Ride. Num tornado de ritmos, agilizado pela cada vez maior percepção dos limites das suas máquinas, viajamos por um manual impossível de inventariação de beats e breaks, em que estilos e regras parecem unir-se como um todo alucinante. Durante a corrida, vamos ouvindo ecos de rock psicadélico, fragmentos de drum’n'bass, funk bastardo, gritos de free jazz e todos os ensinamentos que o hip hop deu ao mundo. Confuso? Só para quem não sabe que Ride andou na companhia de André Fernandes e Mário Laginha, desenvolveu uma scratch tool adoptada pela Red Bull Home Groove, colaborou ao vivo com os Coldfinger, foi um dos primeiros convidados da série de Henrique Amaro na Optimus Discos, prepara uma peça com Rui Horta no CCB e será a personagem principal no muito esperado documentário “Dig In Japan”. Podia ser um hábil gestor do seu tempo, mas Ride é talentoso e a sua idade e sede de conhecimento apenas prometem o melhor.
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Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Fennesz, Konkurrent, Sparklehorse

SPARKLEHORSE+FENNESZ
In The Fishtank 15
CD / LP Konkurrent – 16.50 eur 12.50 eur
Finalmente em disco aquilo que muitos pensaram que faria sentido durante tanto tempo. Porque Fennesz foi o músico electrónico que mais conseguiu assumir a etiqueta indie, porque ele próprio sempre manifestou um apego exterior ao rock e às canções, e porque não tem havido nada mais cool do que estar à fente de um computador com uma guitarra. Em 2007, Christian Fennesz e Sparklehorse decidiram levar a sério o que uma pequena série de colaborações tinha desvendado: uma química recíproca especial na construção de ambientes. Em conjunto, esta parceria age como uma encarnação de uma banda slow-core ligada a uma fonte interminável de estática digital. Há mais dinâmicas por causa de Sparklehorse, há mais profundidade por causa de Fennesz, há algo único e irrepetível por aqui. E dizemos isto sabendo que, embora este “In The Fishtank” não seja uma obra-prima, acaba por ser uma boa surpresa pelo modo perscrutador e desafiante como os músicos encararam esta aventura. “NC Bongo Buddy” mostra, nos seus quase 12 minutos, que é a electrónica que liderou o ataque, mas o rock foi atrás com total bravia. E isso merece ser ouvido.
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Ainda disponíveis:
FENNESZ 03_02_00 Live At Revolver Melbourne, MCD Touch – 6.50 eur
FENNESZ Field Recordings 1995-2002, CD Touch – 12.50 eur
FENNESZ Venice, CD Touch – 14.50 eur > 12.50 eur
FENNESZ & SAKAMOTO Sala Santa Cecilia, MCD Touch – 10.50 eur
FENNESZ & SAKAMOTO Cendre, CD Touch – 12.50 eur
FENNESZ-JECK-MATTHEWS Amoroso, 7″ Touch Seven – 5.95 eur
FENNESZ Black Sea”, CD Touch – 14.50 eur > 12.50 eur
FENNESZ Transition, 7″ Touch – 6.95 eur
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Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: BJ Nilsen, Touch

BJ NILSEN
The Invisible City
CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
BJ NIlsen dificilmente conseguirá acompanhar a pedalada de Chris Watson. Mas é altamente reconfortante ver a electrónica deste calibre sempre a olhar para fora da caixa. Neste caso, para fora do computador. Nilsen assume sons captados na Suécia, Islândia, Noruega, Inglaterra, Japão, Alemanha e Portugal – bem como uma colecção grande de instrumentos – para os estender no tempo e espaço como uma visceral sessão abstracta de field recording. Mas a sua música – e a sua abordagem – é muito mais que isso. É sobretudo computer music tal como Fennesz o entende e Hecker executa, mas ao contrário destes o espaço, as dimensões, o eco e a reverberação acústica jogam a favor da intensificação das emoções. Nos momentos em que estas duas vertentes colidem, uma espécie de apogeu aparece em “Invisible City” – tome-se como exemplo “Scientia”, o terceiro tema: começa como um borbulhar digital, evolui no silêncio para um ruído irregular animalesco e de repente preenche-nos o espaço com ambient music celestial e aos poucos todos os passos anteriores começam a encaixar. Há muito que BJ NIlsen merecia estar num plano superior; ei-lo, por sua iniciativa, a subir na escala de valores.
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Ainda disponíveis:
BJ NILSEN The Short Night CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
CHRIS WATSON & BJ NILSEN Storm CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
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Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Anthony Shake Shakir, Friction, Rush Hour

ANTHONY SHAKE SHAKIR
Frictionalism 1994-2009
3CD Rush Hour – 18.95 eur
Nunca dizer “Nunca” é um hábito cada vez mais comum para quem lida com música. Depois de “Minimal Nation” (Robert Hood, 1994) ter sido reeditado em 2009 para demonstrar uma capacidade intensa de agitar pistas de dança, Shakir é agora alvo de uma retrospectiva. A sua produção dos últimos 15 anos, maioritariamente na editora Friction, ajudou a solidificar uma imagem e sonoridade menos directas para o techno, isto é, Shakir está entre a pulsão minimalista original e a IDM quebrada da segunda metade dos 90s, procurando uma base funky para todos os temas que gravava. É fácil, hoje, perceber o apelo desta música capaz de cruzar géneros: house, techno, IDM, bassline e UK Funky têm todos a mesma raiz primitiva, e a informação actualmente ao nosso dispôr permite entender a relevãncia de Shakir em 2010. Mais (e melhor): introduzir muitas destas malhas numa pista de hoje é perceber directamente e in loco como não destoam do que se faz agora. Quando os anos 90 anunciam oficialmente o seu retorno com conversas sobre revivalismo drum & bass e anúncios de colectâneas de êxitos dos 90s na TV, peguem por outro ângulo e descubram como sempre houve coisas importantes à margem daquilo que nos dizem que é importante. Rave on.
(Triplo CD em caixa de DVD)
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Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: Italic, Kreidler

KREIDLER
Mosaik 2014
CD / LP+CD Italic – 14.95 eur 12.50 eur / 16.50 eur 14.95 eur
Kreidler estiveram presentes naquele período excitante em que o rock recebeu mais claramente as influências do experimentalismo cósmico dos 70s. Tortoise e outros nos Estados Unidos mas, na Alemanha, um trio de grupos estava também a reinventar o futuro: Kreidler, To Rococo Rot e Mouse On Mars. O fenómeno pós-rock pode ter sido mais uma invenção irritante da imprensa mas a verdade é que a criatividade das bandas assim rotuladas, para além do valor estético em si, foi determinante para a crescente aproximação entre rock e música de dança (ou electrónica, como preferirem) durante a década de 90. Kreidler na Italic é um bom exemplo disso, e este seu novo álbum recupera o groove mekanik que gostamos de ouvir em formações de guitarra, baixo e bateria (+ electrónica). A música de Kreidler soa agora mais ancorada num padrão certo do que nos tempos de “Weekend” (1996). Como antes, existem traços de dub, África e Oriente integrados numa cultura híbrida. A folha de imprensa fala em música perfeita para preparar uma saída à noite, para criar clima e fazer subir aquele buzz que nos diz que vai (tem de) correr tudo bem, jogando até com a hipótese de, mais tarde no clube, o DJ passar “Impressions D’Afrique”. Soa bem.
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