Parece que “Born To Die” já está em primeiro em muitas listas de vendas, depois da sua peça no telejornal, de ser caso antes de o merecer. Nasceu assim, por decreto, por investimento, em produção laboratorial. E morreu? Depois de toda a histeria patética, da capas de revistas, da críticas antes do tempo e do revelador escândalo Saturday Night Live, chegou a altura de ouvir a música e avaliar – se for possível – a dúzia de canções que estreiam a jovem Lizzy Grant no mundo do estrelato que alguém lhe designou. Como sempre, nem é tão bom como advogam, nem é tão mau como se previa. O destaque aparece porque há de facto cuidados extremos em como se embala um álbum de pop pretensamente épico, mas quando a coisa ganha esta dimensão é porque significa também que se abdicou de peças essenciais na fase de montagem. Resultado: algumas boas canções (e são mesmo boas, atenção), outras claramente medianas e fracas (embaraçosamente más para ter qualquer espaço neste mundo sobrepovoado), e uma cantora chamada Lana Del Rey que, pelo seu look e determinação, parece ter ultrapassado todas as outras pela direita – incluindo a própria Lizzy Grant. A montanha pariu um rato bonito.
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DEPARTMENT OF EAGLES
The Cold Nose
CD Melodic – 16.50 eur 12.50 eur
Talvez o movimento mais interessante para apreciar o verdadeiro impacto purista e deambulante de “The Cold Nose” seja ouvir primeiro “In Ear Park” (2008), pérola indie-rock redonda e estabelecida. Agora reeditado, o disco de 2005 exala o hálito de um estúdio caseiro e a vontade de divagar por caminhos imprevistos, descobrir horizontes e ir além deles. Um percurso que não afunila mas expande-se a cada tema. Antes da edição e refinamento de ideias, explosão e experimentalismo. Estranheza, sim: samples de DJ Shadow, deambulações orquestrais, influências que vão de Beck a Four Tet. E Dan Rossen e Fred Nicolaus parecem estar a divertir-se à grande. Apesar do ímpeto experimentalista, temas como “Origin Of Love” ou “Romo-Goth” revelam-se já com valor definitivo – não grãos que viessem a florescer mais tarde, como num processo de “maturação”. A adornar esta reedição, seis temas bónus, entre os quais se contam remisturas de Daedelus e Tunng.
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GO SUCK A FUCK
Para O Seu Marido
CD-R Cafetra – 2.50 eur
Mais um lançamento da Cafetra, um mês depois do essencial “Até Morrer” d’ Os Passos Em Volta. Este é o primeiro dos seus CD-Rs que nos chega às mãos (existem bastantes para trás) e também o primeiro de Go Suck A Fuck, outros dos óptimos projectos a sair da Cafetra. “Para O Seu Marido” é composto por 20 temas, quase todos eles com duração inferior a um minuto. Quase todos são feitos através de processos simples, lembrando a música para publicidade feita por alguns ingleses durante os anos sessenta e setenta, mas o que aqui se ouve é um avanço significativo para o século XXI, lembrando ao longo dos seus temas Leyland Kirby, Ariel Pink, Ducktails e as coisas da Pre-Cert Home Entertainment sem o cunho forçado do tempo e da memória. Essa diversidade, inconformismo ou grande número de ideias que passa ao longo deste mini-álbum altera substancialmente a percepção que temos da duração dos temas. Parecem maiores porque, no fundo, estão muito bem trabalhados e adornados para serem tão curtos. Mas é assim mesmo e isso é razão suficiente para ser um dos discos mais ouvidos cá na loja desde que nos vieram entregar em mão.
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Ainda disponível: OS PASSOS EM VOLTA “Até Morrer”, CD Cafetra - 6.95 eur
OREN AMBARCHI
Audience Of One
CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
“Audience Of One” tem, sobretudo, o mérito de mostrar como Oren Ambarchi continua a progredir no seu território, a procurar novas soluções para a sua música, mesmo que isso o faça divagar por algumas coisas que incaracterizam o seu currículo. O lado ambiental e drony, quase meditativo, é a sua marca, bem como as magníficas pulsações que continua a retirar da sua guitarra mutante. O resto vem de outros projectos onde tem colaborado, desde as canções com o seu projecto Sun com Chris Townend (aqui o cantor de serviço é Paul Duncan), às ligações com malta da electrónica como Fennesz ou Keith Rowe. “Knots”, como os seus 33 minutos, é a peça central, tensa e asfixiante como uma bruma suspensa de estática. “Salt” é uma emocionante canção de embalar – Oren foi pai e talvez seja essa a razão deste momento íntimo. “Fractured Mirror” fecha o álbum e é uma dança estéreo de guitarras acústicas e caixa de ritmos que parece anunciar um esplendoroso dia de Verão. Por fim, “Passages” ecoa escrita séria contemporânea arrepiante. Oren deu-nos um rico álbum.
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Ainda disponíveis: OREN AMBARCHI “A Final Kiss On Poisoned Cheeks”, LP Table Of Elements – 17.95 eur12.95 eur OREN AMBARCHI “Grapes From The Estate”, CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur OREN AMBARCHI “In The Pendulum´s Embrace”, CD Touch – 14.50 eur12.50 eur OREN AMBARCHI “Intermission 2000-2008″, CD Touch - 14.50 eur12.50 eur OREN AMBARCHI & JIM O’ROURKE “Indeed”, LP Editions Mego – 21.50 eur 16.95 eur OREN AMBARCHI & Z’EV “Spirit Transform Me”, CD Tzadik – 15.50 eur12.95 eur KEITH ROWE & OREN AMBARCHI “Squire”, CD FOR 4 Ears – 15.95 eur
SUNN O)))
ØØ Void
CD Southern Lord – 16.50 eur12.50 eur
Teste a como o tempo passa depressa. Este “ØØ Void” já tem 12 anos. O segundo álbum dos Sunn 0))), editado em 2000, foi um marco para todo o cenário power drone na altura, embora, na realidade, a banda e Stephen O’Malley só viessem a ganhar maior relevância alguns anos depois, quando este som começou a ficar mais tipificado e a entrar de forma mais maciça noutros géneros musicais. Não só é importante pelo referido, como também é um excelente disco. Stephen O’Malley e Greg Anderson juntaram-se a Stuart Dahlquist, Petra Haden e Pete Stahl, neste álbum, para criar cerca de uma hora de uma expressiva muralha de som. Quatro peças absolutamente fantásticas, com uma definição impressionante no meio de espécie de bolha de som que parece prestes a rebentar. A construção física desta música é tal que o volume excessivo quase que exerce o efeito contrário em nós: imaginamo-nos dentro de uma esfera, totalmente isolados do som e a ouvir essa pressão do silêncio. Esgotado há cerca de oito anos, finalmente reeditado em CD e vinil (chegará em breve), “ØØ Void” é uma peça essencial para compreender parte da música deste século.
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FANTÔMAS
The Director’s Cut Live (A New Year’s Revolution)
DVD Ipecac – 13.50 eur9.95 eur
Dez anos depois da edição de “Director’s Cut” em disco, eis a edição em DVD de um concerto de fim de ano (ou início, já que foi a 1 de Janeiro). O ano, não sabemos, nem eles o dizem. No Great American Music Hall de São Francisco, a banda de Mike Patton recriou passo a passo o álbum de 2001, acrescentando no seu final, como encore, as habituais extravagâncias e heresias: Al Green e Marc Bolan. Realização rápida no gatilho, sem perder tempo e planos por coisas que não interessam, com edição posterior de alguns pormenores que dão colorido à mistura final – se bem que às vezes apetece ver a coisa o mais pura possível, sem pós-produção. Som perfeito (com a curiosidade de vermos que o encaixe das peças do álbum está a ser feito com algum risco e sem rede) para uma das obras mais carismáticas de Patton e companhia. Já agora, a companhia é a clássica: Osborne e Crover dos Melvins e Trevor Dunn. E querem que isto seja ainda mais louco? Neil Hamburguer é o convidado para os comentários. Mas em vez dos comentários áudio habituais, Neil comenta todo o concerto (e não só) no quarto do seu hotel. Único.
Arquitectado por alturas de “Dropsonde” – algures em 2006 -, “Mysterier” junta dois temas em mais um volume – número 11 – da série de óptimos singles da Touch. (Se só agora chegaram aqui, tentem não perder alguns dos sete polegadas que têm saído nos últimos anos; alguns, já sabem, vão ficando indisponíveis e reedições de material recente esgotado são cada vez mais raras.) Se “N-Plants” não vos deu alimento suficiente por sentirem falta daquela intensidade sonora ambiental de Biosphere, este “Mysterier” parece ser o abrigo certo, com uma dupla camada de drones que nos obriga a viajar até ao Norte. Primeiro, é o vento uivante que nos gela a audição; no outro lado há uma dança estranha, meio fantasmagórica, que nos deixa com medo da aventura. Feito para Teatro, readaptado no final de 2011, isto é Biosphere vintage, num single todo catita.
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Ainda disponíveis: BIOSPHERE “N-Plants”, CD Touch – 14.50 eur12.50 eur BIOSPHERE “N-Plants” (edição norueguea gatefold limitada), 2LP Biophon - 34.50 eur BIOSPHERE “Substrata / Man With A Movie Camera”, 2CD Touch – 16.50 eur BIOSPHERE “Wireless – Live At The Arnolfini, Bristol “, CD Touch – 9.95 eur
DANIEL MENCHE
Guts
CD Editions Mego – 16.50 eur12.95 eur
Tempestade ambiental intensa que desloca a percepção quando se lê sobre a origem dos sons neste álbum: piano. A primeira parte recorda, de certa forma, as violações de Controlled Bleeding nos anos 80, uma descarga unilateral de tom metálico em forma de nuvem densa (”Guts” baseia-se em piano violentado mais do que piano preparado). Na segunda parte imagina-se um emissor gigante de rádio eternamente mal sintonizado, colocado em plena Antártida, fustigado por neves diabólicas. Na terceira parte conseguimos perceber, com atenção, o elemento de percussão característico das teclas do piano, mas também a vibração das suas cordas internas, um irrequieto e ameaçador movimento prestes a revelar uma surpresa desagradável mesmo na nossa cara. O som que encerra o disco liga bem com o início, tornando a experiência mais estanque, rematando o conceito com a sensação claustrofóbica de que, apesar de o poder ser nosso (basta carregar no stop), não é tão fácil assim anular a intensidade do disco. A editora fala no ataque de Menche às entranhas do piano, nós podemos sentir uma espécie de reprodução da vida nas trincheiras durante uma ofensiva.
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Ainda disponíveis: DANIEL MENCHE “Body Melt”, LP Important – 15.50 eur KK NULL & DANIEL MENCHE “Raijin”, CD Asphodel – 15.50 eur
TYME. x TUJIKO
GYU
CD Editions Mego – 16.50 eur12.95 eur
A pop japonesa é um ser multi-tentacular muito difícil de apreender numa olhadela superficial. Um álbum destes é talvez improvável na Mego, mas a estranheza desta pop que, não obstante, é feliz e radiosa tanto quanto melancólica (tudo características inalienáveis da verdadeira pop universal). A nuvem chillwave passa também por aqui, óbvia na saturação sónica de algumas canções como “Gyungyun” ou “World”. Já em “From A Spring” joga com as arritmias típicas de alguém como Machinedrum. “Gyu”, concebido ao longo de seis anos sobretudo em sessões no final de cada ano, traz-nos a sensação exótica da novidade distante com a qual precisamos de tomar contacto para alargar horizontes. Tujiko Noriko talvez seja já conhecida de alguns de vocês, aqui colabora com Tatsuya Yamada e o resultado projecta uma luz de invenção tão particular como as melhores Anime. É tudo mais ou menos familiar mas… não é bem.
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DEAN BLUNT
The Narcissist
CD-R Ed. Autor – 8.50 eur
Propagando o culto da relevância ou irrelevância da modernidade, actualidade ou novidade, o universo dos Hype Williams e tudo em seu redor é uma espécie de culto do falso, uma espécie de big prank que está prestes a acontecer. A piada está em ela nunca vir a acontecer mas também nunca vir a ser desmentida. E nesse lugar, ao longo dos últimos dois anos, têm basicamente reinventado conceitos na música popular e atribuído um novo significado ao sample / cover / ou até ao roubo. Se os Residents tivessem nascido algures nas últimas três décadas, procurassem inovar e encontrar terreno na música de dança, provavelmente seriam os Hype Williams. Dean Blunt, uma das metades do projecto, tem editado algumas coisas em nome próprio (a melhor, o 12″ de Ramirez que saiu no ano passado) e resolveu adoptar um sistema habitualmente usado pelo projecto mãe, a edição de CD-Rs de distribuição limitada com material recentemente gravado e num estado cru. Em “The Narcissist” ouve-se um pouco do universo de pilhagem de Hype Williams a confluir com aquilo que vimos em Ramirez, resultando numa espécie de soul-boogie altamente adulterado e com samplagem desadequada mas que acaba por encaixar e fazer sentido.
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Ainda disponíveis: DEAN BLUNT “Jill Scott Herring OST”, Cassete The Triology Tapes – 9.95 eur RAMIREZ (DEAN BLUNT) “A.M.Y”, 12″ Rush Hour – 8.50 eur HYPE WILLIAMS “Kelly Price W8 Gain Vol.II”, 12″ Hyperdub – 7.95 eur
Passaram tantos anos desde “Witch” que quase duvidamos da sua importância. No início dos anos 90, um cometa chamado Leslie Winer, de quem não sabíamos nada – os search engines começavam nessa altura a nascer -, e de quem pouco ou nada soubemos depois disso. Ficou um disco emblemático, encerrado numa espécie de resumo de géneros e premonição de um futuro próximo que ainda hoje se elogia. Soube-se depois de algumas aventuras isoladas, mas nada que desse para construir um rasto criativo desta ex-modelo que, paradoxalmente, detestava as luzes da ribalta. De repente, eis Leslie Winer de novo: começou a lançar a sua ácida poesia para cima de electrónica escolhida a dedo por homens da Touch, Ash e Tapeworm (esta última edita uma cassete com restos da colecção de 90) e liga-se a ao francês Christophe van Huffel para um novo projecto chamado Purity Supreme. Do dub de “Witch”, ouvimos agora uma espécie de desert sessions, com Winer desolada, eléctrica, a largar palavras como uma cowgirl revoltada. A sua voz tem este dom: um peso específico incrível, uma gravidade poderosa, que faz a música, seja ela qual for, navegar em seu redor. Quatro temas apenas, mas que demonstram o valor de mercado de Leslie Winer, num regresso que, sem sabermos bem, parece ser oficial. Talvez se percebam melhor muitas coisas no seu concerto este fim-de-semana no Maria Matos.
O ano arrancou com a habitual e necessária reflexão sobre o que de mais disruptivo despontou no ano passado. Em Fevereiro, lançam-se achas sobre um dos possíveis nomes a figurar nas listas de 2012: Lil B. Adjectivos que remetam para subversão (sinónimo de consenso em hip hop – mas neste caso o seu significado extrapola essa nuance), sexualidade e raça abundam e apuram curiosidade para o que aí vem. O experimentalismo e arrojo são denominador comum aos artigos sobre Keith Fullerton Whitman, Ital (”The house invader”), Barbara Hepworth, assumindo outros dispositivos como o documentário, em destaque na secção Cross Platform protagonizada por Ian Helliwell e o seu “Electronica”. Ainda Tony Allen, Boredoms, Bossa Jazz, Earth, The Caretaker, Demdike Stare, Florian Hecker, Felix Kubin, Actress, Common, Portraits, Olaf Rupp, Lindstrom. E mais. Claro.
JAZZ.PT
#40 (Janeiro / Fevereiro)
Revista JACC – 5 eur
Ao destaque de capa dedicado à trompetista Susana Santos Silva corresponde sumarenta entrevista nas páginas centrais do número 40 da Jazz.pt. E, porque é a primeira edição do ano, não há como contornar a lista dos melhores discos de 2011. Ainda o perfil de André Carvalho, reportagens sobre o Guimarães Jazz, Seixal Jazz, Clean Feed Fest, Sines em Jazz e o festival de Saalfelden na Áustria. The New Gary Burton Quartet, Gerald Wilson Orchestra, Rick Braun, Stanley Jordan, Carlos Bica & Azul, Albert Ayler, Demian Cabaud, Matana Roberts são outros dos nomes que salpicam esta publicação sobre Jazz com maior longevidade nas bancas portuguesas.
BURNT FRIEDMAN
Bokoboko
CD Nonplace – 15.50 eur12.50 eur
Naturalmente que um som essencialmente rítmico e, neste caso, também orgânico, evoca a primazia de África como continente primordial na gestação da música enquanto força corporal. Mas “Bokoboko” tem títulos retirados da língua japonesa e exibe mais uma vez a profunda ligação ao krautrock através da devoção de Friedman em relação a Jaki Liebezeit, o eterno baterista dos Can. O álbum inclui dez faixas de puro groove exótico sem os maneirismos insípidos da world music olhada a partir da Europa. Aqui ouvimos o típico som praticado e aperfeiçoado por Burnt Friedman há mais de uma década, uma fonte supra-nacional de groove sempre em movimento. E acrescentada de romance, há muitas entrelinhas entre a percussão, e quem conhece o seu trabalho vai com certeza sentir-se numa confortável hipnose enquanto imagina caminhadas sempre retemperadoras por uma natureza luxuriante.
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Ainda disponíveis: BURNT FRIEDMAN “First Night forever”, CD Nonplace – 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN “Con Ritmo”, CD Nonplace – 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN & JAKI LIEBEZEIT “Secret Rhtyms”, CD Nonplace – 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN & JAKI LIEBEZEIT “Secret Rhtyms 4″, CD Nonplace - 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN & JAKI LIEBEZEIT “Secret Rhtyms 2″, CD Nonplace - 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN & JAKI LIEBEZEIT “Secret Rhtyms 3″, CD Nonplace - 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN & THE NU DUB PLAYERS “Just Landed”, CD Scape – 14.50 eur12.50 eur BURNT FRIEDMAN & THE NU DUB PLAYERS “Can’t Cool”, CD Scape – 14.50 eur12.50 eur
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FLUR Discos
Av Inf D Henrique, Armazém B4
Santa Apolónia, Lisboa
metro: Santa Apolónia
bus: 12-28-35-706-745-759-781-794