Segunda-feira, 6 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
BURNT FRIEDMAN Bokoboko (Nonplace)
VÁRIOS Opika Pende – Africa At 78 RPM (Dust-To-Digital)
PINCH & SHACKLETON Pinch & Shackleton (Honest Jon’s)
OREN AMBARCHI Audience Of One (Touch)
KATE BUSH 50 Words For Snow (Fish People)
SINGLES
DARKSIDE Darkside EP (Clown And Sunset)
VÁRIOS Super Sound Single Volume 6 (Dikso)
POP & EYE Toil For Olive Oil EP (Editainment)
HELIUM ROBOTS Jarza EP (Running Back)
VÁRIOS Vanguard Sound Vol. 3 (Vanguard Sound)
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Segunda-feira, 6 Fevereiro, 2012
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ÁLBUNS
FENNESZ + SAKAMOTO Flumina (Touch)
STRANGE MEN IN SHEDS WITH SPANNERS Strange Men In Sheds With Spanners (Groovy / Drag City)
NO UFO’S Soft Coast (Spectrum Spools)
MAX RICHTER Infra – Ed. Japonesa (Fat Cat)
THE WALKABOUTS Travels In Dustland (Glitterhouse)
TIM HECKER Ravedeath, 1972 (Kranky)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
PINCH & SHACKLETON Pinch & Shackleton (Honest Jon’s)
OASIS (OMAR-S & SHADOW RAY) Collaborating – Remastered Edition (FXHE)
NURSE WITH WOUND / GRAHAM BOWERS Rupture (United Dirtier)
SINGLES
ABACUS Idrum This Djembe (This Is Not A Bongo) (Ndatl)
FLOATING POINTS Shadows (Eglo)
STORM QUEEN (MORGAN GEIST) It Goes On (Vox) + dub (Environ)
PEAKING LIGHTS The Remixes (Weird World / Domino)
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
VÁRIOS Tusk Wax Three (Tusk Wax)
SHIMMY SHAM SHAM! 004 (Shimmy Sham Sham)
NO BOUNDARIES Modular Pursuits – Daphni Remixes (Planet E)
KASPAR Ode To The Ancients EP (Groovement)
EROS Eros 02 (Eros)
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Segunda-feira, 30 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
NURSE WITH WOUND / GRAHAM BOWERS Rupture (United Dirtier)
NO UFO’S Soft Coast (Spectrum Spools)
MAX RICHTER Infra – Ed. Japonesa (Fat Cat)
GUIDED BY VOICES Let’s Go Eat The Factory (Fire)
FENNESZ + SAKAMOTO Flumina (Touch)
SINGLES
NO BOUNDARIES Modular Pursuits – Daphni Remixes (Planet E)
BJORN TORSKE Oppkok – DJ Harvey, Todd Terje, Crimea X rmxs (Smalltown Supersound)
OMAR S PRESENTS COLONEL ABRAMS Who Wrote The Rules Of Love (FXHE)
VÁRIOS The Wurst Music Ever – part II (Wurst)
VIRGO FOUR It’s A Crime – Caribou & Hunee rmxs (Rush Hour)
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Segunda-feira, 23 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
FENNESZ & SAKAMOTO Flumina (Touch)
STRANGE MEN IN SHEDS WITH SPANNERS Strange Men In Sheds With Spanners (Drag City)
THE WALKABOUTS Travels In Dustland (Glitterhouse)
TIM HECKER Ravedeath, 1972 (Kranky)
SALLY SMITH AND HER MUSICIANS Hangahar – Soundtrack Of The Film (Drag City)
SINGLES
TOM CROOSE Cho Chua (Resista)
STORM QUEEN (MORGAN GEIST) It Goes On (vox) + dub (Environ)
PEAKING LIGHTS The Remixes (Weird World / Domino)
FOUR TET / CARIBOU Pinnacles / Ye Ye (Text)
FLOATING POINTS Shadows (Eglo)
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Terça-feira, 10 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
SHABAZZ PALACES Black Up (Sub Pop)
OASIS (OMAR-S & SHADOW RAY) Oasis Collaborating – Remastered Edition (FXHE)
NICOLAS JAAR Space Is Only Noise (Circus Company)
MACHINEDRUM Romm(s) (Planet Mu)
JEAN CLAUDE VANNIER L’Enfant Assassin Des Mouches (Finders Keepers)
SINGLES
ABACUS Idrum This Djembe (This Is Not A Bongo) (Ndatl)
STORM QUEEN (MORGAN GEIST) It Goes On (vox) + dub (Environ)
FLOATING POINTS Shadows (Eglo)
BIG STRICK Timeless (7 Days Entertainment)
WALT J Ascender (FIT)
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Segunda-feira, 2 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
CARLOS PAREDES Guitarra Portuguesa (Drag City)
CARLOS PAREDES Movimento Perpétuo (Drag City)
B FACHADA B Fachada (2011) (Mbari)
JAMES FERRARO Far Side Virtual (Hippos In Tanks)
JOHN ZORN A Dreamers Christmas (Tzadik)
HALLOWEEN A Árvore Kriminal (Sonoterapia)
BEN FROST / DANÍEL BJARNASON Sólaris (Bedroom Community)
VÍTOR RUA Heavy Mental (Orfeu)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
PETE SWANSON Man With Potential (Type)
SINGLES
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
SANGUE DE CRISTO (PHOTONZ+TIAGO) Ponta do Mato / Cova do Vapor (One Eyed Jacks)
PHOTONZ WEO / Chunk Hiss (Príncipe)
OMAR-S DETROIT High School Graffiti (Scion A/V)
ARTTU FEAT JERRY THE CAT Nuclear Funk (Royal Oak)
RONDENION Jack Jam (Ragrange)
RAMIREZ (DEAN BLUNT) A.M.Y. (Rush Hour)
NICOLAS JAAR Don’t Break My Love (Clown & Sunset)
MIND FAIR Kerry’s Scene (Theo Parrish Remix) (International Feel)
MAYA JANE COLES Humming Bird / Nobody Else (Hype LTD)
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Segunda-feira, 2 Janeiro, 2012
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ÁLBUNS
CARLOS PAREDES Movimento Perpétuo (Drag City)
TIM HECKER Ravedeath, 1972 (Kranky)
FENNESZ+SAKAMOTO Flumina (Touch)
ELIANE RADIGUE Transamorem-Transmortem (Important)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
SINGLES
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
MAYA JANE COLES Humming Bird / Nobody Else (Hype LTD)
WALT J Ascender (FIT)
VÁRIOS Tusk Wax Three (Tusk Wax)
VÁRIOS Vanguard Sound Vol. 2 (Plan B)
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Quarta-feira, 28 Dezembro, 2011
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Mais vale admitir. É no sector das reedições que encontramos muito do sangue anual que passa a correr nas nossas veias. Como toda a gente verdadeiramente interessada em música, somos criaturas híbridas com um olho inevitável no presente e outro cada vez mais fixo e interessado no passado. É em especial nesta lista que sentimos ter de deixar de fora edições importantes para que os 10+ possam reflectir não apenas o nosso gosto mas também o que julgamos historicamente relevante. Estas músicas fazem-nos constantemente reavaliar o momento actual, relativizam-no e, frequentemente, diminuem a sua importãncia para pouco mais do que um anexo à verdadeira história anteriormente escrita. Paixão quer pelo artesanato original quer por um bom compêndio que contextualiza uma existência particular, essa é a motivação que em muito ultrapassa o mero prazer na audição de música. De Carlos Paredes a Throbbing Gristle distam não só vários anos mas alguns sistemas solares. Em comum têm, por exemplo, o facto de já terem anteriormente conhecido reedições, mas de outra forma, noutro contexto e há muito tempo. Temos ainda uma obra conhecida diminuta (Doug Hream Blunt, um álbum) e outra muito vasta (John Fahey, ui, muitos álbuns) que originaram dois outros discos nossos favoritos em 2011. Compilações fantásticas de Daphne Oram, uma mulher que, na electrónica, foi até onde poucos (homens ou mulheres) ousaram. Mais house, pop/rock, Portugal e o Mundo. Tecnicamente, nem tudo aqui se pode chamar “reedição”, mas isso é explicado mais abaixo. Voltando ao início deste texto, somos todos pessoas híbridas que dificilmente poderiam existir há 15 anos atrás. Festejamos agora a nossa particularidade feita de múltiplas partículas alheias.
AUTECHRE EPs 1991-2002
5CD Warp – 35.50 eur (Temporariamente indisponível)
LEGO FEET Lego Feet
CD Skam – 13.95 eur
Uma das várias caixas que destacamos este ano, 5 CDs que reúnem cronologicamente todos os EPs de Autechre, traçando uma evolução desde a estrutura ainda influenciada por hip hop e electro (mas já na mira de novos sons) até à desconstrução abstracta dos últimos EPs. Cerca de uma década de mudanças radicais no papel da música electrónica no gosto popular, com Autechre a desviarem-se progressivamente das correntes principais para um mundo sónico próprio. Legado impressionante que une hip hop e industrial, música ambiental e concreta, desconstrução orgânica e ciência de computador. Muitos imitaram mas ninguém destronou Autechre. Lego Feet foi uma sua encarnação primitiva. Um EP de 1991 que prefigura não tanto o que viria a acontecer com Autechre mas antes o que viria a acontecer na electrónica criada em seu redor e, também, de LFO. Há pontos de contacto, por exemplo, com “Frequencies” (também de 1991 e também reeditado em 2011), embora a sensibilidade de Sean Booth e Rob Brown aponte mais para a estrutura de rua edificada pelo hardcore (mais tarde jungle). São momentos empolgantes para quem segue a evolução estética da música de dança e, especialmente, para quem nunca teve a oportunidade de se cruzar com alguma da música mais vanguardista produzida fora de academias, galerias de arte e conceitos artísticos.
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CARLOS PAREDES Guitarra Portuguesa
CARLOS PAREDES Movimento Perpétuo
LP Drag City – 18.95 eur
Talvez sejam estas as reedições do ano. Não que a música estivesse indisponível, mas este acto tão simples de colocar estes dois álbuns disponíveis ao mundo, neste formato, numa editora como a Drag City, encerra em si mesmo um gesto de extrema importância e beleza. E por muito peso que coloquemos em cima destas obras – a nossa identidade, o enunciado basilar do nosso mais legítimo instrumento, o fulgurante início de um intérprete e compositor ímpar da nossa música -, “Guitarra Portuguesa” e “Movimento Perpétuo”, de 1967 e 1971, respectivamente, parecem sair incólumes de qualquer embate ou discussão, como qualquer obra-prima que se preze. De repente, Carlos Paredes parece poder entrar num panteão universal onde habitualmente vemos inscritos os nomes de John Fahey ou Leo Kottke, por exemplo, e isso é tanto mérito da sua música como do entusiasmo de Ben Chasny (Six Organs Of Admittance) e do empenho de Fred Somsen (Drag City). Carlos Paredes é, oficialmente, património universal.
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CONRAD SCHNITZLER Ballet Statique
LP M=Minimal – 11.50 eur (Temporariamente indisponível)
Schnitzler faleceu em Agosto de 2011, deixando um legado impressionante de música editada e por editar. “Ballet Statique” foi gravado em 1978 e parece operar a transição entre a electro-acústica dos 50s e 60s, o som mais cósmico dos 70s e o industrial dos 80s. Semelhanças com música contemporânea de Throbbing Gristle e Cabaret Voltaire colocam Conrad Schnitzler numa posição de pioneiro, em primeiro lugar, mas também de jogador de pleno direito face a qualquer outro nome seu contemporâneo. Ao contrário do que aconteceu com os Kraftwerk uma década depois, quando procuraram actualizar canções antigas para a era techno, Schnitzler produzia música que rivalizava com os seus pares e, frequentemente, a ultrapassava em grandeza e alcance. Sonhos muito bonitos de ficção científica.
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DAPHNE ORAM Oramics
4LP Edição Limitada Young Americans – 37.50 eur
DAPHNE ORAM The Oram Tapes – Volume One
4LP Edição Limitada Young Americans – 45.50 eur
Duas compilações ambiciosas de quatro discos cada juntam partes do trabalho de Daphne Oram até agora – inacreditavelmente! – nunca editadas ou pouco conhecidas. Fulcral para conhecer a sua importância na música electrónica e para perceber o som que Daphne Oram tirava do seu sistema Oramics, por si criado e desenvolvido ao longo de anos. A qualidade do som é suprema e arriscamos dizer que estes são os pedaços mais importantes da história da música recuperados em 2011.
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DOUG HREAM BLUNT Gentle Persuasion
CD Edição de Autor – 13.50 eur (Temporariamente indisponível)
Nem reedição, nem retrospectiva. Na verdade, nem certeza temos de ser um disco antigo, embora toda a informação que recolhemos na net aponte para uma gravação do final dos anos 90. Conhecemos “Gentle Persuasion” este ano e não queremos que fique de fora. Aqui ouve-se uma espécie de Ariel Pink passado pela arte boogie e um fetiche hendrixiano a tocar num fim de tarde ameno em plena Califórnia. Há também o facto de alguns tiques vocais de Doug Hream Blunt soarem a Residents e, então, ouvimos música que parece cirurgicamente fabricada para chamar a atenção. Depois lemos mais um pouco sobre como a banda foi reunida entre amigos e conhecidos e vemos alguns videos com todos em acção no regime mais descontraído de sempre, parecendo tentar, vez após vez, aperfeiçoar a mesma canção. Lindo. E viciante para além de qualquer explicação.
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JOHN FAHEY Your Past Comes Back To Haunt You – The Fonotone Years (1958-1965)
Caixa 5CD+Livro Dust-To-Digital – 94.50 eur 77.50 eur
Depois das caixas supremas de Charley Patton e de Albert Ayler na Revenant, esta de John Fahey matou as saudades destes artigos belíssimos, cuidados, com gravações raras ou esquecidas pelo tempo – e aqui há que tirar o chapéu e fazer a devida vénia à Dust-To-Digital pelo trabalho incrível que tem feito em quase todas as suas edições – conceptual e formalmente. Um pouco de Fahey antes de Fahey, ou melhor, antes do Fahey que nos habituámos a conhecer e a ouvir, ainda novo e longe das lições que o futuro lhe traria. “Your Past Comes…” é uma caixa-forte luxuosa e imponente, contendo, para além dos 5 discos, um extenso livro com fotos inéditas e notas sobre todas as músicas incluídas. Juntar John Fahey à Dust-To-Digital foi a melhor notícia do ano para nós.
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JÜRGEN MÜLLER Science Of The Sea
LP Digitalis – 19.50 eur (Indisponível)
De vez em quando ouvimos histórias de gente que, pelas razões mais honestas e humanas, resolveram fazer música para marcarem um determinado momento. Jürgen Müller é um desses casos, resolveu musicar imagens que recolheu do fundo do mar, usando o material que tinha à mão e que os amigos lhe emprestaram. Mal sabia ele que estava a criar peças com um discurso completamente contemporâneo e que hoje, no século XXI, talvez façam mais sentido do que há 30 anos. Mais do que nos deixar dentro de água, “Science Of The Sea” encosta o fundo dos oceanos aos nossos ouvidos por influência kosmische.
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OLIVIA TREMOR CONTROL Music From The Unrealized Film Script: Dusk at Cubist Castle
OLIVIA TREMOR CONTROL Black Foliage: Animation Music Vol
2LP Gatefold+Download Chunklet – 21.95 eur
(Ambos temporariamente indisponíveis)
Falar hoje da importância dos Olivia Tremor Control pode ser um absurdo para alguns. Mas a verdade é que num momento nos anos 90 eles soaram como a melhor coisa desde os Beatles (passe o exagero) e deixaram, entre várias outras coisas, dois álbuns absolutamente fenomenais, que ainda hoje são ouvidos com a frescura de então e que metem a um canto praticamente tudo o que acontece no campo da pop hoje em dia (sem exagero). As reedições em vinil de “Black Foliage” e “Dusk At Cubist Castle” pela Chunklet foram das melhores notícias do ano. Edições de luxo para dois álbuns que o merecem. Música feliz para gente feliz.

THROBBING GRISTLE Second Annual Report
THROBBING GRISTLE DOA – Third And Final Report Of Throbbing Gristle
THROBBING GRISTLE 20 Jazz Funk Greats (Temporariamente indisponível)
THROBBING GRISTLE Heathen Earth
THROBBING GRISTLE Greatest Hits
2CD Industrial – 18.50 eur 14.50 eur
LP Industrial – 19.95 eur 15.50 eur
Foi um dos empreendimentos discográficos do ano: a reedição remasterizada (por Chris Carter) de alguns dos títulos-bandeira dos sempre disruptivos Throbbing Gristle. Não só pela dimensão quase épica do feito (foram cinco!, em vinil e CD duplo), mas pelo facto de nos chegaram novamente pelas mãos da sua editora, a Industrial Records. Uma selecção que sintetiza bem o seu percurso: “Second Annual Report” introduz-nos os seus pergaminhos industriais; em “D.O.A”, o som torna-se mais sintético; com “20 Jazz Funk Greats” já dançamos um pouco e gritamos “Discipline”; “Heathen Earth” concilia o registo ao vivo (o verdadeiro habitat dos ingleses) e em estúdio e, para rematar, “The Greatest Hits” (única manobra convencional para uma discografia contracorrente). Verdadeiros marcos dos “wreckers of civilization”.
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VIRGO Resurrection
CD Rush Hour – 12.50 eur (Temporariamente indisponível)
Caixa 5LP Rush Hour – 44.95 eur (Temporariamente indisponível)
Retrospectiva em CD e, mais completa, em cinco LPs quase inteiramente compostos por música inédita. Uma das obras mais importantes na história da house, documento precioso para se entender o antes e depois do momento em que a house se tornou género autónomo. Kraftwerk e a synth pop europeia a serem os motores de uma mutação que, de outra parte, recebia alguns genes disco e, assim, resultava numa nova forma que é standard da indústria há 25 anos. “Resurrection”, no entanto, tem muito pouco de standard. É uma colecção de faixas cuja localização temporal, embora definida (1984-1990), sugere uma genuína permanência no jogo actual. Basta ouvir os melhores maxis de house editados em 2011.
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Quarta-feira, 28 Dezembro, 2011
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Sentimos que foi um ano bastante esquizofrénico na noção de pop/rock que interessa reter. Menos preponderância das guitarras, nesse contexto, apesar de terem saído vários álbuns importantes apoiados no formato tradicional. É, no entanto, numa margem antigamente pouco considerada que aparecem James Blake, Nicolas Jaar, John Maus, Peaking Lights, Washed Out, por exemplo. São discos claramente inseridos no momento pop actual, todos diferentes entre si e todos alvo de culto mais ou menos intenso em 2011. Os dois primeiros foram claramente absorvidos pelo mercado muito necessitado de êxitos. O que é paradoxal é o facto de tanto “James Blake” como “Space Is Only Noise” serem discos profundamente´intimistas, melancólicos (por vezes mesmo tristes), a antítese dos discos felizes ou despreocupados que habitualmente povoam as listas de vendas. E, em Portugal, discos desta natureza parecem encontrar especial carinho. Talvez as pessoas se sintam mais tristes, mesmo. Quanto ao resto, ano muito rico na produção nacional, amor a Panda Bear concretizado em atenção e vendas, e demasiados outros detalhes num cenário cada vez mais fragmentado em que os fenómenos são enormes mas para um grupo restrito de pessoas, celebrando “heróis locais” que se tenta elevar à categoria de messias. Mas todos nós tendemos a elogiar em demasia os respectivos trunfos, ansiosos por espalhar a visão pessoal como a mais adequada para uma maioria que, claramente, já não existe. E assim, sem surpresas de maior, deixamo-vos com alguns dos nossos favoritos e campeões de 2011.

AQUAPARQUE Pintura Moderna
CD Aquaboogie – 9.95 eur
“Pintura Moderna” é uma continuação natural de “É Isso Aí” – uma certa abstracção na forma das canções antigas ganhou o aspecto perfeito da ideia, ou fórmula pop, que André Abel e Pedro Magina imaginaram para este novo lote. Mais do que um jogo de referências nacionais, os Aquaparque abrem o coração para uma visão da pop feita em português em 2011, não no campeonato de aquecimento do desconto tuga. Há coisas que se esquecem quando ouvimos uma voz em português. Abrir horizontes, afinal. Vá para fora cá dentro, não é?
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BILL CALLAHAN Apocalypse
CD Drag City – 15.50 eur 12.95 eur
LP Drag City – 17.95 eur 14.50 eur
A cada passo que dá, a fasquia sobe, a atenção multiplica-se, o currículo agiganta-se. Mas Bill Callahan parece ignorar o mundo que olha para ele e isso dá-lhe uma altivez que, na sua música, parece aproximá-lo de uma serenidade que nos emociona e atrai. Uma espécie de céu, onde mora alguém que acreditamos ser melhor que nós todos. Achámos um exagero partidário voltar a colocar um álbum de Callahan nas nossas listas, mas quando voltamos a “Apocalypse” acreditamos novamente que o homem está predestinado a nunca falhar um disco. Este é o nosso agradecimento por esse prazer e segurança.
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FILHO DA MÃE Palácio
CD Rastilho – 12.50 eur 9.95 eur
Nem todos os apagões de corrente geram obras desta magnitude. Rui Carvalho desligou quase toda a electricidade que acumulou durante anos nos If Lucy Fell, por exemplo, para, sozinho e com uma guitarra acústica, oferecer-nos um dos álbuns mais encantatórios do ano. Sim, primeiro houve o efeito surpresa, mas o verdadeiro espanto foi a sua lírica, ultra-física, continuar ainda a deslumbrar-nos passados estes meses. Nesta altura, não temos quaisquer dúvidas que “Palácio” é um dos grandes discos do ano e uma descoberta – talvez tardia – de um dos mais luminosos guitarristas da nossa área geográfica.
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JOHN MAUS We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves
CD Upset The Rhythm – 16.50 eur 12.95 eur
LP Upset The Rhythm – 19.50 eur 15.50 eur (Temporariamente indisponível)
Finalmente caiu algum reconhecimento em cima de John Maus. Vale a pena lembrar quando tocou cá pela primeira vez, numa sala quase vazia na Zé dos Bois depois do cancelamento de Wavves, num concerto inesquecível para os poucos que ficaram ou que o foram ver de propósito. “Songs” e “Love Is Real” não foram suficientes para convencer o povo em relação a este – mais um – discípulo de Ariel Pink. “We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves” surgiu no momento certo, em que finalmente há uma certa abertura para este tipo de som que, afinal, continua a ser igual desde o início da carreira de Maus. Às vezes é assim. Uma canção encheu-nos o coração: “Hey Moon”. Melhor de sempre.
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NICOLAS JAAR Space Is Only Noise
CD Circus Company – 16.50 eur 12.95 eur
LP Circus Company – 26.50 eur
Uma consequência importante da grande visibilidade que o álbum teve em 2011 foi a denúncia em relação a uma sample ilegal nele contida. Essa faixa (alegadamente “I Got A Woman”, que utiliza Ray Charles) será excluída de uma nova edição do álbum mas, francamente, não é esse detalhe que vai fazer diminuir a sua relevância. Depois, encontra-se muito perto do topo na nossa lista de discos mais vendidos este ano e isso, mais do que nunca, é factor de carinho para nós. Jaar conseguiu disseminar o seu design sonoro cinemático por muito mais gente do que seria de esperar, actualizando a melancolia de ambientes Portishead vintage para uma época em que toda a gente se sente muito mais à vontade com “electrónica experimental”. Muito pouco para dançar, bastante para imaginar.

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PANDA BEAR Tomboy
CD Paw Tracks – 16.50 eur 12.50 eur
LP Vinil Branco Paw Tracks - 21.50 eur 17.50 eur
Caixa LP Edição Limitada Paw Tracks – 39.95 eur 37.50 eur
O disco mais esperado de 2010 tornou-se no disco mais esperado para 2011. Há muito que aguardávamos por “Tomboy”, especialmente quando soubemos que as versões em disco seriam diferentes daquelas apresentadas em single, que teriam um toque especial de Pete Kember – o homem Sonic Boom. Valeu por tudo, até pela espera. “Tomboy” era tudo aquilo que desejaríamos de um sucessor de “Person Pitch”. Não é mais do mesmo, é um disco elaboradíssimo a nível de som e que procura claramente uma nova via para evitar a repetição de “Person Pitch”. Mas em vez de uma nova fórmula, tivemos várias, presentes ao longo das canções de “Tomboy” e às vezes até dentro de cada uma.
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PEAKING LIGHTS 936
CD Not Not Fun/Domino/Weird World – 14.50 eur (Temporariamente indisponível)
LP Not Not Fun/Domino/Weird World – 15.50 eur
O ano começou da melhor forma para a Not Not Fun. “936″ passa facilmente como o título mais forte da editora neste ano. O casal Indra Dunis & Aaron Coyes surpreendeu tudo e todos com uma série de canções que fazem o cruzamento entre os vários géneros que batiam no momento. De certa forma, “936″ é uma reunião de tudo o que de bom aconteceu nos últimos anos, sem uma verdadeira identidade, mas com canções suficientemente fortes para justificarem essa ausência.
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SUN ARAW Ancient Romans
CD Sun Ark/Drag City – 15.50 eur 12.95 eur
LP Sun Ark/Drag City – 18.95 eur 16.50 eur
Sun Araw começaram por ser um produto da Not Not Fun, há uns anos, mas depressa se percebeu que o mundo deles era bem mais universal e inclusivo. “Ancient Romans” começa quase sempre onde tudo parece terminar, e basta vê-los ao vivo para se entender como há gozo extra em construir peça-a-peça. Quando tudo encaixa, seja com groove circular – “Impluvium” empurra-nos fisicamente para a dança -, ou em modo de dispersão nebulosa, Sun Araw hipnotiza-nos os sentidos, mostrando que exótica verdejante ou dub lo-fi convivem em harmonia com falsa música étnica ou citações alt-rock de alto calibre. São oitenta minutos de um longo passeio por sons e lugares aprazivelmente instáveis e idiossincráticos.
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TOM WAITS Bad As Me
CD Anti – 13.95 eur (Temporariamente indisponível)
2CD Edição Limitada Anti – 24.50 eur
LP+CD Anti – 25.95 eur (Temporariamente indisponível)
Porque é Tom Waits. E porque continuar a sê-lo exige fonte inesgotável de vida e badassness. Pacto com o demo ou não, “Bad As Me” é um concentrado da miríade de personas que perfazem Waits – desde a romântica e bluesy à mais groovey e irascível. É esse o elemento surpresa: a continuidade na pujança. Amor e errância cantados e encenados desta forma, a tocar a singela e tortuosa verdade, merecem ser sempre catapultados e celebrados em qualquer lista.
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WASHED OUT Within And Without
CD Domino/Weird World – 15.50 eur 12.50 eur (Temporariamente indisponível)
LP Domino/Weird World – 18.95 eur (Temporariamente indisponível)
Logo cedo em 2011 começou a matar-se a chillwave. De certa forma, já não servia o paradigma de uma nova era que o jornalismo/blogs tentam vender. O primeiro álbum de Washed Out ainda estava para chegar, saiu no Verão, altura própria e propícia para estas músicas, numa sublabel da Domino, a Weird World, que anda a pegar em algum talento indigente dos últimos anos e atirá-lo para um outro campeonato, onde certamente receberá uma maior e justa visibilidade. Foi impossível não sermos atraídos.
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Segunda-feira, 26 Dezembro, 2011
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ÁLBUNS
B FACHADA B Fachada (Mbari)
JAMES FERRARO Far Side Virtual (Hippos In Tanks)
OASIS (OMAR-S + SHADOW RAY) Collaborating – Remastered Edition (FXHE)
CARLOS PAREDES Guitarra Portuguesa (Drag City)
THE CARETAKER An Empty Bliss Beyond This World (History Always Favours The Winners)
SINGLES
BURIAL & FOUR TET Moth / Wolf Cub (Text)
NICOLAS JAAR Don’t Break My Love (Clown & Sunset)
A DRUMMER FROM DETROIT Part One / Part Two (FIT)
PHOTONZ WEO / Chunk Hiss (Príncipe)
ZOMBY Nothing (4AD)
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Quinta-feira, 22 Dezembro, 2011
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Etiquetas: Lust, Lust 681, Top
Lista mais desregrada do que as restantes, até porque faz sentido agrupar alguns maxis em torno de uma só apreciação. Em vez de 10 títulos, aqui mostramos “à volta de 10″ títulos. Representação de quase tudo aquilo de que gostamos, embora muito mais do que gostámos em 2011 tenha ficado de fora. Foi um ano fantástico para seguir nas edições de maxis em vinil, muito mais abertura e experimentação num ano em que house dominou absolutamente não só em relação à qualidade da música mas também em relação à importância desta noutros cenários (indie rock, por exemplo). Ano também muito bom nos limites da dança (Farben e KPLR, nesta lista) e, no mínimo, expressivo na produção portuguesa com visibilidade lá fora: Kaspar, Photonz, Tiago, Cisco Cisco, Social Disco Club, a Groovement, a Iberian e a One Eyed Jacks editaram vários maxis que agitaram os respectivos ambientes, mas nós escolhemos dois que são mais nossos do que os outros. Com o Pedro e o Nelson de Filho Único fechámos os olhos e passámos de crentes a concretizadores. Estes discos são a expressão do nosso orgulho pelo trabalho que Marfox e Photonz têm desenvolvido. Nós gostamos de música, eles fazem música de que nós gostamos.

DJ MARFOX Eu Sei Quem Sou
12″ Príncipe – 7.50 eur
PHOTONZ WEO / Chunk Hiss
12″ Príncipe - 7.50 eur
Dois maxis no mesmo movimento (o primeiro) desta nova editora baseada em Lisboa. Já devem conhecer Photonz, com a diferença de que nunca ouviram duas faixas tão longas produzidas pelo Marco e o Miguel na Margem Sul. Em outro subúrbio, Marfox vê editado o seu primeiro disco para apresentar a um outro mundo os beats que até agora elevaram o seu perfil maioritariamente longe da nossa vista, na net e por aí. Batida kudurística vanguardista em modo rave com o necessário coração tribal a pulsar com força até quando se reduzem as rotações de algumas faixas para 33. Nos Photonz, a rave começa por uma ideia romântica que procuram fixar com algumas sequências longas de transmissão mental para equilibrar a batida gorda. Ligação íntima à História da música produzida em Portugal até pela masterização de ambos os discos ter sido feita por Tó Pinheiro da Silva (procurem o seu nome). Concepção gráfica por Márcio Matos e quem nos conhece sabe que o todo é, em parte, trabalho nosso. Acreditamos nisto.
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FARBEN Xango
12″ Faitiche – 8.95 eur
Jan Jelinek: um dos nossos favoritos desde que abrimos a loja. Bom trabalho em 2011 com a sua editora Faitiche e, neste maxi, reposicionamento do ritmo como se Farben passasse de micro a macro. Há máquinas em auto-gestão (a faixa título) e, por outro lado, um amor pelo detalhe complexo que poucas vezes deixa a batida dizer sozinha o que tem para dizer. No fim, mostra-nos uma pulsação subaquática a tentar emergir enquanto o ritmo mantém a sua ordem – baseia-se nos sons caseiros de Ursula Bogner (regressaremos a ela num futuro post), matéria livremente organizada para inspirar corações de pedra como dizem que nós somos. Parece alienígena mas não é.
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FRANKFURT SESSIONS Frankfurt Sessions
12″ Sex Tags Mania – 8.50 eur
Uma jam analógica tem quase tudo para dar certo. Nas mãos do pessoal da Sex Tags adquire um propósito de missão. Duas faixas longas de contemplação nerdy com acção suficiente para embalar quem procura extrair o sumo nas margens. Sessões aparentemente gravadas ao vivo, um lado tem 15 minutos, o outro tem 10. O som palpitante produzido aqui é a própria essência de uma das grandes coisas a reter em 2011: a procura do Graal analógico, o som dos 90s, a partícula Jack. “Frankfurt Sessions” explica como é em pouco menos de meia-hora. Este é o melhor disco que Non Standard Institute (Tobias Freund e Max Loderbauer) não gravou em 2011.
HEROES OF THE GALLEON TRADE Neptune’s Last Stand
12″ Golf Channel – 10.50 eur
RUB N TUG Scanners / All 4 U
12″ Rub N Tug – Temporariamente indisponível
Mesma família e dois dos mais sólidos nomes a guardar a intrusão da cultura psicadélica na música de dança: Golf Channel e Rub N Tug. Os Heroes foram o ataque de seriedade irónica à cena baleárica cada vez mais vazia – se é para fazer, que seja “a sério”. Convocaram todos os sons e palavras certos para dois momentos que abrem uma porta de ancestralidade onde habitualmente só se vêem as trivialidades do Presente. Muito bem feito. Rub N Tug mostram o que parece ser um vislumbre do prometido e muito adiado álbum de originais, e em “Scanners” conseguem efectivamente o poder das melhores coisas da DFA (”Happy House” ou “Beat Connection”, por exemplo), a comentada ancestralidade (ver um pouco acima) e uma imaginação fértil na composição de canções no eixo pop-rock mas claramente direccionadas por um sopro de vento cósmico.
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ITAL Ital’s Theme
12″ 100% Silk – 9.50 eur
O ano começou com o nascimento de uma editora irmã da Not Not Fun, a 100% Silk, criada e concebida por Amanda Brown, que resolveu dar vida ao seu interesse pela música de dança e dar espaço de exploração a alguns amigos e conhecidos da editora mãe que têm mostrado à-vontade, nos últimos anos, para saírem de um território mais rock e instalarem-se na música de dança. O primeiro maxi a sair foi precisamente este “Ital’s Theme” do projecto Ital de Daniel Martin-McCormick (Mi Ami e Sex Worker) e manteve-se ao longo do ano como o mais interessante a sair neste catálogo. Uma aventura destemida por territórios da Mathematics e da FXHE que revelou bem o quão próximo algum rock está de algum house que foge às normas. Óptima carta de apresentação da editora que, infelizmente, não teve grande continuidade e acabou por cair numa tendência exploratória de house mau dos anos 90, tornando-se bem menos interessante na segunda metade de 2011. Já Ital, valeu a pena seguir o seu percurso, principalmente por causa de “Culture Clubs” (Lovers Rock), outro grande maxi editado neste ano.
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KPLR Tek No Muzik
12″ Crazy Iris – Temporariamente indisponível
KPLR representam, este ano, a nova ascenção do techno através do sector experimental onde o ritmo habitualmente não é introduzido para fazer dançar. Esta é também uma diferente interpretação do som ácido, aqui ele comprime a pista de dança até ficar uma massa espessa. E como é que isto pode ser entusiasmante? Lembrem-se dos momentos Pan Sonic em que a repetição techno soava subversiva, depois adicionem o discurso autónomo das máquinas (de acordo com as profecias, está mais ou menos na altura de elas tomarem o Poder) e, ainda, a naturalidade com que o “estranho” se passeia entre nós no som de 2011. Ainda assim, ficaríamos desapontados se “Tek No Muzik” não provocasse algumas náuseas.
LEVON VINCENT Man Or Mistress
12″ Novel Sound – Temporariamente indisponível
Se o techno, como a house, nunca foi embora desde que chegou, Levon Vincent captou a essência num maxi estrondoso que já não vão conseguir arranjar a preço decente. A sirene elástica tipicamente rave comunica com o beathead mais básico, enquanto “Making Headway” procura o caminho com uma respiração disciplinada que recorda, assim de repente, Nitzer Ebb. No fim, “No Regrets” podia ser mais um exercício fútil em dub techno mas o instinto diz-nos que não, passado um pouco. E quando Levon canta, em tom meio frágil, “Took my chances anyway”, nós achamos que valeu a pena.

MARCUS MIXX Use Your Mouth To Love Me
12″ Unknown To The Unknown – 8.95 eur
Nos seus créditos consta o nome de Ron Hardy. Mas “Use Your Mouth To Love Me” e “U Blow Girl (Mouth Mix)” servem de atestado absoluto para ter Marcus Mixx como um dos jackers do ano. Tudo aprumado para lançar fogo na pista de dança: samples vocais (femininos e masculinos) com letras tudo menos ortodoxas (à lá Jack) – vejam o rótulo e imaginem o resto “Put your mouth down there and do better than my wife” – e, claro, drum machine distorcida. Tudo aqui ultrapassa o volume. Groove estonteante em contacto com a fibra última e suada.
MAXMILLION DUNBAR Max Trax For World Piece
12″ Future Times – 8.95 eur
PROTECT-U World Music
12″ Future Times – Temporariamente indisponível
Num ano em que Amanda Brown da Not Not Fun lançou uma outra editora (100% Silk), aproveitada por observadores para reforçar o termo hipster house, a Future Times continua a trabalhar em terreno próprio, simplesmente agora mais exposto à curiosidade indie. O compasso narcótico e simultaneamente viajante nestes dois maxis é um testemunho de uma certa paragem no tempo, ou de uma ligação como a folha cujas extremidades se tocam quando a dobramos – deixa de haver Entretanto, só há Passado e Presente e são uma coisa apenas. Boogie, house e material cósmico global (ambos os discos têm “World” no título, não?). É assim forte a sensação de que estes beats são para todos e não apenas para quem dança, há um nível de comunicação livre da pressão da concorrência no vil mercado da música de dança. Não conseguimos escolher um só, têm de ser os dois maxis.

RAMIREZ A.M.Y.
12″ Rush Hour – 8.50 eur
Loop disco bastante saturado, como se fosse um break gigante aproveitado no seu máximo potencial. Dean Blunt (Hype Williams) gravou assim um dos maxis mais agitadores de 2011, ao som do qual dificilmente se dança mas transmite uma vontade louca de o fazer. Ele canta algumas palavras por cima em microfone de baixa-fidelidade e a sujidade de toda a proposta é tão cativante que faz acreditar no poder de atracção de uma vida no underground como fim último da nossa ligação à música. Ele vive em Lisboa, agora.
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THEO PARRISH Feel Free To Be Who You Need To Be
12″ Sound Signature – 9.95 eur
Todos os anos celebramos a diferença deste produtor de Detroit em relação à multidão. A nua verdade é que, depois disto, não conseguimos ouvir muitos outros maxis de house ou techno sem achar que é tudo banal e desinteressante. Parrish mantém activo um laboratório de música de dança há muitos anos e, tal como os desportos motorizados de alta competição desenvolvem sistemas e componentes mais tarde utilizados em veículos do dia-a-dia, também muitos wannabes que produzem house querem o toque de Midas por telepatia ou algo assim. Jazz astral, já se disse antes, em forma de house que ameaça com a ordem “You must be free”. Theo Parrish não só dá um bom conselho como pratica aquilo que diz.
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Quinta-feira, 22 Dezembro, 2011
Categoria: Top
Etiquetas: Lust, Lust 681, Top
Como nas outras listas que já pubicámos, não enumeramos os melhores discos de 2011 mas sim alguns daqueles de que gostámos mais. Há gabinetes de estatística online que poderão fazer o resto. No essencial, como acontece há muitos anos, as cenas de dança sobem e descem na importância e no radar, mas house mantém-se como a base a partir da qual tudo é possível. Respeitamos assim em particular a produção que, após pelo menos 25 anos, continua a encontrar vias de evolução, prolonga a linhagem ao fabricar entidades novas que não são pura ficção como acontece noutros géneros em que se inventa mais do que o necessário. Neste domínio não somos especiais adeptos da diversidade quando esta dá as coordenadas erradas em relação a um progresso artificial. Em baixo encontram vários discos que enfeitiçaram pelo menos um de nós. Depois tentamos explicar as razões da melhor maneira que conseguimos.

BIG STRICK Detroit Heat
CD 7daysent – 10.95 eur
MLP 7daysent – 9.50 eur
Introdução de maior fôlego à produção de Big Strick, família (literalmente) de Omar-S e com semelhante padrão de consequência na house actual. Algumas homenagens à tradição vocal como “Maybe 1 Day” e “Fear No Fear”, psicadelismo deep (“A Soldier’s Story”), minimalismo cirúrgico (“Under Tone”) e outras escolhas certeiras de ambiente e sons. Imaginem o que de melhor vos ocorre na house e techno de Detroit. Está tudo aqui.
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HALLOWEEN A Árvore Kriminal
CD Sonoterapia - 10.95 eur
Não é o gajo mais radical de sempre nos beats, apesar de “Drunfos” ter edge, mas a chapada de realidade, muito diferente da habitual fluência (ou falta dela) de outros rappers de cá, é entusiasmante. As histórias que Halloween relata prendem-nos, há refrões inultrapassáveis como em “Drunfos” (uma das canções de 2011), “O Convite” “Um Jardim À Beira Mar” e “Noite Da Lisa”, há coisas que só conhecemos dos filmes. Muito desolador, muito pouco feliz mas impressionantemente bonito, há armas, drogas e esquemas mas não há putas, só mulheres. Respeito.
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HYPE WILLIAMS One Nation
LP Hippos In Tanks – 15.95 eur
2010 acabou com o anúncio de um novo álbum de Hype Williams – este “One Nation”, editado no primeiro trismestre de 2011. Não foi um ano tão expressivo para Hype Williams como 2010, mas ao longo dos meses percebemos a sua crescente influência e importância no meio musical actual. Assistimos à afirmação de algumas editoras e projectos que devem muito ao manifesto Hype Williams, um mundo de beats desacelerados, mutação sonora com um travo de fumo sempre presente e o som de uma globalização por aglomerado. Mundo estranho mas sincronizado com a expressão da realidade que vivemos na actualmente.
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J.T.C. Creep Acid
2LP Nation – 17.95 eur
O eco e reverberação mais a ameaça que paira no espectro sonoro aproximam isto do sentimento da cena industrial que, por acaso, encontrou mais espaço em 2011. “Creep Acid” não é mole. Ácido ele é, e quase sempre mal-disposto, rola uma neura constante, a antítese do que é suposto der o efeito da música para dançar. Mas uma vez sob a experiência, o que se verifica é que esta música é extremamente motivadora de acção não necessariamente agressiva. É unilateral, sim, de ideias fixas, sim, mas inspira resistência. Escolham bem aquilo que querem demolir.
MACHINEDRUM Room(s)
CD Planet Mu – 15.50 eur 12.50 eur
2LP Planet Mu – Temporariamente indisponível
Ano de ouro para a Planet Mu, ano de diamante para Travis Stewart que ao fim de um longo caminho de 10 anos parece ter acumulado fôlego e experiência para fazer uma obra-prima que sintetiza um mundo imenso de ideias que nos fizeram dançar nos últimos largos anos. Não é a citação que conta, mas sim o modo como cozinhou tudo num épico energético imparável, sem falhas, ultra-luminoso, onde pedaços de r&b ou pop condimentam “Room(s)” para além da perfeição que habitualmente julgamos ouvir noutros lados. Temos a certeza de que não vai ser só em 2011 que este disco irá ser lembrado.
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OMAR S It Can Be Done But Only I Can Do It
CD FXHE – 14.95 eur
2LP FXHE – 19.95 eur
Pode ser feito, já foi feito e com certeza voltará a ser feito. Este álbum não abre da maneira mais certeira, com uma linha ácida em que Omar, até hoje, está para nos convencer (ácido é quase sempre só ácido – em “Ganymede”, mais à frente, acontece o mesmo). No entanto, é tudo o resto – e é bastante – que faz toda a diferença do mundo. Esta é uma cabeça diferente das outras, com carinho pelos clássicos, gosto pela melodia, é sentimental mas não faz compromissos. Andamos a segui-lo desde 2005 e quase nunca podemos dizer “mais ou menos”. Só não estaria nesta lista se algo tivesse corrido terrivelmente mal.
REBOLLEDO Super Vato
CD Cómeme – 14.95 eur 12.50 eur
À primeira vista parece só mais um conjunto de faixas entre techno e electro, nada que mereça grande registo, mas (como deveria ser sempre) é com a audição completa e a reflexão que dela se faz que “Super Vato” se torna especial. A Cómeme encontrou uma via latina para mostrar personalidade, e essa via não é, em regra, o habitual cliché sul americano aplicado ao techno como muitas vezes a Cadenza faz, por exemplo. Em “Super Vato” ouve-se uma sensibilidade latina mais do que um som latino. Faixas minimalistas pesadas, vozes que repetem frases até à exaustão e um momento Daft Punk em “Steady Gear Rebo Maschine”. É um álbum com energia possante, directo e sem grande elegância. Bom!
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RICK WILHITE Analog Aquarium
CD Still Music – 12.95 eur
2LP+CD Still Music – 20.50 eur
Rick Wilhite é um agregador, mais do que um produtor. Tem uma loja de discos, junta o pessoal, puxa pelos seus, mostra uns sons em que acredita e, então, encontra tempo para fazer música. Este álbum traz a soul para a primeira linha do underground, conjuga materiais e vozes que pouca gente se deve lembrar de juntar, parte frequentemente da abordagem house clássica (loops disco e filtros) mas adiciona muito património por cima, é bizarro e arriscado, dissonante e quente. Espírito house em fato de gala para assombrar quem está nisto sem arte.
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SHABAZZ PALACES Black Up
CD Sub Pop – 13.50 eur
LP Sub Pop*
O princípio de século viu o implodir de um novo trilho para o hip hop, um caminho que o interceptava com a pop e a aceitação comercial: Pharrell e os seus Neptunes e Jay-Z (entre outros, claro) à cabeça. Início de nova década e Shabazz Palaces parecem desenhar, não apenas um desvio, mas antes novo troço que resgata as origens e catapulta uma linguagem de guerrilha poética e afirmação para um lugar que sentimos que tem algo novo. E novo quer dizer muito, quando já tudo parece ter sido inventado. O movimento é de regresso às referências originárias (e até jazzísticas – relembramos que Palaceer Lazaro é fundador dos Digable Planets), mas não de contracção. Expansão. Da tridimensionalidade sonora sustentada por uma cadência palavrosa que define e galvaniza uma identidade, irradiam fotões, uma corrente psicadélica pautada pelo beat (e que beat!) capaz de provocar espasmos.
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THEO PARRISH Sketches
CD Sound Signature – Temporariamente indisponível
É isso, acertaram: praticamente tudo o que sai de Detroit, nestes dias, é incrível. Big Strick, Omar-S, Rick Wilhite e nada seria completo sem Theo Parrish. A sua inventividade rítmica equivale a reinventar a roda e patentear as evoluções em relação ao modelo original. “Sketches” parecem sons bem acabados, contradizendo o título. O disco é sombrio, muito rico em detalhe, a música é superiormente imaginada e a sensação é de confiança – nossa, por alguém continuar a projectar veículos tão eficazes para nos deslocarmos no Espaço.
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Terça-feira, 20 Dezembro, 2011
Categoria: Top
Etiquetas: Lust, lust 679, Top
Uma boa compilação tem necessariamente de acrescentar algo de novo ao que já conhecemos. Uma visão artística pessoal, música nunca antes editada, faixas exclusivas, uma história ou narrativa únicas, um set de DJ que transcende a mera mistura de discos, uma documentação exaustiva de algo que já aconteceu ou está a acontecer, etc. No fundo, justificar a sua existência enquanto edição autónoma por direito próprio. Nesta lista julgamos ter reunido algumas compilações que fizeram diferença (no nosso ano de certeza que fizeram). De Los Angeles à Indonésia, passando pela Turquia, Nigéria e Chicago, foi reunida música nova e antiga para representar mundos desconhecidos da maioria ou, pelo menos, elevar a fasquia no modo como se representam outros mais conhecidos. Leiam a seguir sobre o que pode ser estimulante conhecer fora do nosso âmbito geográfico e, até, fora do nosso tempo.

VÁRIOS Bangs & Works Vol. 2 – The Best Of Chicago Footwork
CD Planet Mu – 15.50 eur 12.50 eur
Há géneros que se inventam do nada, outros que não justificam a sua autonomia e outros, como o footwork / juke, que se justificam plenamente como convergência de diversos outros géneros. Passos de kuduro, breaks de dubstep, velocidade Shangaan, sons de Bollywood, claps e samples de ghetto tech, espírito house old school. Que confusão. Seguro por um fio (grosso), este género motiva alguma da música de dança mais alucinante do momento, traçada até Chicago mas, como se viu, obviamente global. Se esta dança é um fenómeno de rua por excelência, é nas casas destes produtores que a linguagem é desenvolvida e captada para a posteridade. Não tentem reproduzir.
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VÁRIOS Brand New Wayo – Funk, Fast Times & Nigerian Boogie Badness 1979-1983
CD/2LP Comb & Razor Sound – Temporariamente indisponível
O período retratado na compilação foi, em vários aspectos, uma espécie de realidade ficcionada, representou o deslumbre provocado pelo dinheiro do petróleo que a Nigéria, então, exportava. Melhores estúdios e equipamento, mais trabalho para músicos também de países vizinhos, quatro anos de produção musical atípica para o que habitualmente se espera do som africano. Quase todas as faixas são pérolas, uma aproximação ao som disco e boogie norte-americano com toda a diferença que o continente africano providencia naturalmente. Calor, groove, alegria motivada pela prosperidade, uma Nigéria a fabricar a sua classe média e a gravar música incrível.
VÁRIOS / DOM THOMAS Dreams Of San Antonio
CD Brutal Music – 14.95 eur 11.50 eur
De início não foi a mix de Dom Thomas que mais apelo suscitou. Primeiro por ser mais homogénea, segundo porque faltava um lado punchie que todas as outras para trás tinham e, por último, porque ficámos algo confusos com a denominação baleárica associada a este som. Com o tempo e a insistência foi encaixando e fazendo sentido, é aquela da série que tem de ser ouvida em continuadade para absorver a psicose a menos de 122 bpms que Dom Thomas aqui criou. Surpreendentemente, também, gostámos mais de ouvi-la nos dias frios do que durante o Verão.
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VÁRIOS Enjoy The Silence Vol. 2
CD Mule Electronic – 14.95 eur 12.50 eur
Bastaria ouvir o tema de entrada para esta compilação justificar todos os euros que custa. “Voyage”, de Koss, é um portento que ainda hoje é difícil de compreender: electrónica, orquestra, samples, tudo misturado num épico em surdina magistral. Depois de 8 minutos de glória, a surpresa: Lawrence, NSI, Terre Thaemlitz (sempre genial!), e por aí fora, numa elegância e, sobretudo, coerência, que faz deste disco um álbum de artista indefinido. Para quem gosta de ambiental com twist, esta compilação fica para a História. Sublime.
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VÁRIOS / RUB N TUG Live In Los Angeles, February 5th 2011
CD Rub N Tug - 14.95 eur
Em disco, é o regresso da presença visceral de Rub N Tug depois de “Campfire” em 2005. Um set energético de música para dançar, fora dos parâmetros das compilações desenhadas para incluir hits do momento, mas também não totalmente selvagem. O registo ao vivo é importante, com todas as quebras e disfunções “reais” (algumas provocadas) que acontecem quando um DJ corre riscos. A contribuição de Cornelius Byrd como MC é igualmente importante, reforçando a energia ou inventando-a quando ela não está lá. Ele não fala muito, o que é óptimo, mas quando o faz dá-nos uma ideia que parece bastante aproximada do pulso da festa.
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VÁRIOS / BEN UFO Rinse 16
CD Rinse – 15.50 eur 12.50 eur
Há quem diga que o segredo deste volume da Rinse é o facto de Ben UFO não ser músico nem produtor, o que o deixa de rédea solta para ser um DJ puro, seja lá o que isso for. O que fica marcado em 2011 é, de facto, uma mestria impar a escolher música e a misturá-la – e é isso que queremos de um DJ, certo? Electrónica, bass, techno artificial e uma dose de energia virulenta que nos entusiasma do primeiro ao penúltimo tema. A fechar, How To Dress Well mostra que Ben UFO é um gajo que ouve muita música. Se quiserem par, invistam no volume 14 de Youngsta e verão que a passagem de ano está garantida.
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VÁRIOS Thai? Dai! – The Heavier Side Of The Luk Thung Underground
CD Finders Keepers – 16.50 eur 13.50 eur
LP Finders Keepers – 17.50 eur 15.95 eur
É um fenómeno com 2/3 anos, mas a quantidade de compilações viradas para um som oriental mais exótico ou para o campeonato turco/iraniano cresceram em número em 2011. Ou seja, este foi o ano da confirmação da tendência. “Thai? Dai!” saiu logo no início do ano, cabendo à Finders Keepers mostrar-nos esse fascinante mundo de graves em overdub, versões mal gravadas – faz parte – mas com um groove descomunal – também faz parte. Figuras menores, mas míticas, de uma realidade paralela à ocidental ganharam um cantinho no nosso coração.
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VÁRIOS Those Shocking Shaking Days: Indonesian Hard, Psychedelic, Progressive Rock And Funk: 1970 – 1978
CD Now-Again – 15.50 eur 12.50 eur
3LP Now-Again – 26.50 eur
Capa com uma onda descomunal de “Bayou Country” dos Creedence Clearwater Revival para um som de pântanos sem pântanos e afogado num campeonato mais ácido da folk, rock psicadélico e do blues progressivo que foi importado da América durante os anos setenta por quase todo o mundo. “Those Shocking Shaking Days” serviu, sobretudo, para dar a conhecer este período na Indonésia a um público ávido por estes universos mas, também, para completar o imaginário e enquadrar uma série de bandas aqui presentes que tiveram os seus discos desta época reeditados nos últimos anos.
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VÁRIOS Turkish Freakout! Vol. 2: Psych-Folk Singles 1969-1980
CD/2LP Bouzouki Joe
Num dos últimos Primer da Wire o destaque foi para a música turca de finais dos anos sessenta até inícios de oitenta. É um sinal evidente do trabalho que se tem feito em volta deste universo. Os dois volumes da Bouzouki Joe fizeram o trabalho de reunir um pouco dessa história com alguns temas que são habituais em compilações mais generalistas e outros absolutamente marcantes neste período de ouro da Turquia. Freak-out total composto por gente que ousou desafiar as regras de então e experimentar como lhes era possível num regime político/religioso/social apertado.
VÁRIOS Vibe 2
2×12″ Future Times – Temporariamente indisponível
Nunca nos esquecemos do lema da editora: “things will be better in future times”. Enquanto o desejo se mantém, a FT continua a editar discos com incrível sabor nostálgico que, num primeiro momento, parecem sempre apontar os 80s mas, com mais atenção, não conseguimos descobrir a quê, exactamente, se refere essa nostalgia. Música rítmica com beats anacrónicos reprogramados para os planetas exteriores, os mesmos que os visionários dos 70s e 80s já conheciam mas entretanto esquecidos pela visão pragmatista assente em resultados que a muita da moderna música de dança começou a adoptar mais descaradamente nos anos 90. Libertem-se do opressor, sonhem um bocado.
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Segunda-feira, 19 Dezembro, 2011
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ÁLBUNS
BLACK KEYS El Camino (Nonesuch)
JAMES FERRARO Far Side Virtual (Hippos In Tanks)
VÁRIOS Watergate 09 – Tiefschwarz (Watergate)
HALLOWEEN A Árvore Kriminal (Sonoterapia)
ROLL THE DICE In Dust (Leaf)
SINGLES
RONDENION Jack Jam (Ragrange)
ARTTU FEAT. JERRY THE CAT Nuclear Funk (Royal Oak)
OS MAGRELOS Luz Negra (Electric Cowbell)
KARTHALA 72 Dans Le Coeur Du Feu (Electric Cowbell)
GERD Palm Leaves Remixes (Royal Oak)
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