Terça-feira, 16 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
Etiquetas: 2008, Revista, Wire

THE WIRE #299
(January 2009)
REVISTA – 6.25 eur
Como sempre em cada final de ano, a Wire reúne comentários dos seus colaboradores e de alguns músicos convidados. Nesta edição, por exemplo, Lizzi Bougatsos dos Gang Gang Dance, Philip Jeck, Kevin Martin (The Bug), Luomo ou Carla Bozulich. A lista de melhores álbuns de 2008 é encabeçada por “London Zoo” (The Bug) mas há outros 49 para descobrir ou relembrar. Análises, ainda, de várias famílias musicais habituais para quem lê a revista: assim, páginas dedicadas ao ano em Riffs, UK Club Sounds e Outer Limits.
De resto, textos sobre a Buddha Machine, Emeralds, Peverelist, Peter Liechti, Skullflower, John Edwards, Invisible Jukebox com Animal Collective, discos novos, livros, multimedia, concertos e como os Joy Division representavam uma ideia de Europa para um jovem australiano em 1981.
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Segunda-feira, 15 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Antonelli, Italic
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

ANTONELLI
Soulkiller
CD Italic – 14.95 eur
Os quase 10 anos de existência da Italic e, em simultâneo, de discos de Antonelli (na época Antonelli Electr.), já não prometiam surpresas. Stefan Schwander, co-fundador da editora, explorou muitos recantos techno, house minimal e electro com maior ou menor consequência, construindo uma sólida reputação mas quase sempre na sombra de quem realmente provocava os avanços na música. “Soulkiller” é um avanço no som da Antonelli, e ao mesmo tempo um retrocesso, já que a inspiração e a base sonora se encontram nos primórdios da house americana e até, em “Arrival”, numa segunda geração baseada em Sheffield (LFO, sobretudo). O tema final, “The Name Of Ths Track Is Bobby Konders” não deixa dúvidas sobre as intenções de um álbum gravado com caixas-de-ritmo analógicas, sequenciadores e sintetizadores, tudo directo para fita! Mas outros heróis inspiram Antonelli: Terry Hall (Specials, Fun Boy Three) e Hamilton Bohannon alimentam a criatividade da música, mesmo que (e ainda bem) nela não exista nenhuma referência directa a esses nomes. Deep house com linhas de baixo antigas, contenção, explosões nos sítios certos, em cheio para quem gosta do som próximo das raízes, directo, a representar. Não há tentativas de futuro aqui. “Soulkiller” está já anotado como um dos álbuns house de 2008.
(Fevereiro 2008)
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Domingo, 14 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Perlon, Villalobos
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

RICARDO VILLALOBOS
Vasco
CD Perlon – 15.50 eur
Cada novo disco de Ricardo Villalobos provoca simultaneamente uma sensação de óbvio reconhecimento e de surpresa por mostrar ainda zonas inexploradas. O seu som é, neste momento, tão característico que, mesmo quando a direcção é claramente dançável (neste disco não é), o som de Villalobos sobe mais alto que a maioria dos outros. Notável é o facto de, em consecutivos discos com temas extra-longos (”Vasco” tem duração de álbum mas apenas quatro faixas), ser possível seguir percursos que ainda não se conheciam. Sonoramente, compensa em absoluto dedicar tempo à audição, não se desiludam se escutarem este disco enquanto fazem outras coisas em casa ou se existir muita interferência exterior porque o que vão ouvir será apenas ritmo. É só na minúcia do detalhe que o génio de Ricardo Villalobos é perceptível, e aí desenvolve-se um mundo de pequenos nadas que, todos juntos, fazem um corpo perfeitamente autónomo e diferente de tudo o resto. Quase não é música mas ciência, microcirurgia, e uma coisa que Villalobos sempre consegue transmitir é que há um coração humano a dirigir todas as operações, por mais sintéticas que pareçam. Mais do mesmo é dizer muito.
(Outubro 2008)
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Sábado, 13 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Gas, Kompakt, Wolfgang Voigt
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

GAS (WOLFGANG VOIGT)
Nah Und Fern
4CD Kompakt – 24.50 eur
Começando pelo fim, esta será, decerto, uma das grandes reedições do ano: uma caixa com os quatro álbuns de Gas, um dos múltiplos projectos de Wolfgang Voigt, e, vendo à distância de uma década, talvez um dos mais determinantes. Em 1995, alguns anos antes de Vladislav Delay entrar em campo e em sintonia com alguns avanços laboratoriais da Basic Channel, um maxi na Profan daria o ponto de partida para uma nova visão do techno, tão difusa e original que quase anulava os seus princípios básicos – o ritmo – para os fazer emergir numa enigmática nuvem ambiental, hipnótica e declaradamente hipercalórica. “Gas”, em 1996, traçava todos os caminhos a percorrer sem esconder nenhuma das intenções; “Zauberberg”, no ano seguinte, seria mais penetrante, abrindo o leque de tons e cores, aumentando o nível de rarefacção ruidosa; “Königsforst”, 1998, intensifica o ritmo cardíaco e destapa uma noção simulada de melodia por entre as trevas; “Pop” poria o ponto final a Gas em 2000, num cristalino e ultradefinido álbum, repleto de luz e detalhes, denotando uma maior predominância ambiental e pondo o ritmo quase em surdina. Há, claro, um longo labirinto implícito nestes quatro álbuns, que com novo layout formam claramente 4 peças de um puzzle incompleto e críptico. Em 1995, muitas das hipóteses seriam abertas como Mike Ink no álbum “Life’s A Gas”, mas só depois desta tetralogia ficou claro todo o alcance sonoro dos loops e do ambientalismo de Wolfgang Voigt. Basta escutar todas as ondas que replicaram Gas desde então.
(Junho 2008)
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Sexta-feira, 12 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Simon Bookish, Tomlab
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

SIMON BOOKISH
Everything/Everything
CD Tomlab – 15.50 eur
Imaginem Sparks, Divine Comedy e Pulp (pelo menos) concentrados num único excêntrico personagem. Simon Bookish faz justiça ao apelido que escolheu (espécie de “marrão” ou “rato de biblioteca”), as suas letras são um delírio de referências e jogos de palavras, num flow com total entrega e carisma, frequentemente acompanhado por trompete, clarinete ou equivalentes sintéticos. É tudo um pouco apocalíptico, lírico e festivo, romântico, primórdios do séc XX, pop desligada de um tempo certo. “Carbon” fala em Buckminster Fuller enquanto, a princípio, parece um hino de devoção gay (”Show me your sweet DNA”), “Victorinox” é, logo, um bom título, tal como “Synchrotron”, um dos mais Pulp no álbum mas também recorda o Felix Kubin mais burlesco. Já agora, “Colophon”, outro título no mesmo espírito, é todo Woodentops na voz, no resto é uma canção barroca com harpa que encerra o álbum com longos segundos de um uuuu feminino logo antes do fim da trasmissão. Estilo e substância num mesmo pacote, “Everything/Everything” não é só um título qualquer, indica uma vontade (que a capa também consegue transmitir) em dominar a matéria do universo.
(Novembro 2008)
[...] Uma da melhores surpresas de 2008. (…) A resposta para quem procura novos sabores para a canção pop. Disco da Semana: 5/5 in In’/DN (Nuno Galopim, 22/11/2008) – link
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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, High Places, Thrill Jockey
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

HIGH PLACES
High Places
CD Thrill Jockey – 12.95 eur
Há poucos meses atrás referimos que “03/07 – 09/07″ seria um dos registos do ano. A compilação dos singles dos High Places editados ao longo de 2007 chegava finalmente a todo um mundo pouco antes do seu primeiro longa-duração entrar no mercado. É com êxtase que o recebemos. Não nos cansamos de Brooklyn nem das suas bandas – só algumas, vá lá – e este duo provoca o efeito de soar a algo novo. Sim, é verdade que lembram Animal Collective, aqui e ali, mas também quem é que se lança numa aventura pop para aqueles lados e hoje não é comparado a eles? Também recordam ambientes da 4AD da mesma forma que os TV On The Radio o fazem, só que High Places parecem crianças a brincar na selva. E ainda Raymond Scott adaptado ao século XXI para crianças com um Magalhães em casa. Canções inocentes onde a inocência não é usada ao desbarato. Travo caseiro onde isso não é sinónimo de intensidade, introspecção, de bom rafeiro, mas de liberdade, qualquer tipo de liberdade. Nada é novo nos High Places, mas parece que sim. Faz-nos sentir frescos, bem-dispostos e com muitas expectativas para o concerto a realizar-se hoje na Zé dos Bois. Coloquem este primeiro álbum de High Places junto de “03/07 – 09/07″ na lista dos melhores do ano.
(Outubro 2008)
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Quarta-feira, 10 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, James Pants, Stones Throw
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

JAMES PANTS
Welcome
CD Stones Throw – 13.95 eur
De repente aparece um nome para isto: Freshbeat. Cruzamento de boogie, disco, rap, pós-punk, kraut, soul e electro, em “Welcome” tudo orquestrado por Pants, James. Toca guitarra, bateria, teclas e canta, nada de extraordinário no mundo moderno mas nem todos o conseguem fazer com credibilidsade old school como “Welcome” transmite em três tempos. A profusão de estilos compactados num único álbum não compromete de todo a fluidez nem a direcção estética da música e reforça a ideia de que no centro do hip hop enquanto cultura musical está uma curiosidade infinita por fragmentos de todo o universo. Ouvido treinado, sentido rítmico, reciclagem sábia e muitos anos a ouvir pop das charts. Peanut Butter Wolf acrescenta que Pants consome psicadelia dos 60s e electrónica dos 70s. Num registo quase nada hip hop, “Welcome” assemelha-se em espírito aos Majesticons de Mike Ladd, “Ka$h” talvez seja o melhor exemplo disso. Vai também buscar Gary Davis (Chocolate Star), lendário produtor disco-funk e mais tarde miami bass. É no entanto a loucura natural de um puto que devora música o que vemos em acção neste álbum, trabalho de amor, entusiasmo e talento natural numa editora em que essas características não faltam. Pants segue as pegadas de Madlib e Peanut Butter Wolf mas também deixa as suas em locais estratégicos onde se nota uma direcção diferente. Rock on!
(Maio 2008)
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Quarta-feira, 10 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, Bruno Pronsato, Hello? Repeat
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.

BRUNO PRONSATO
Why Can’t We Be Like Us
CD Hello? Repeat – 15.50 eur
Pronsato trabalha com o mesmo nível de detalhe de Kalabrese e um sentido orgânico de percussão que só conhecemos de Luciano mas especialmente Ricardo Villalobos. Próximo ainda do arranque minimalista/clicks & cuts da costa Oeste no início do século (Sutekh, Twerk e outros), Bruno Pronsato, de Seattle, trabalhou disperso por vários maxis, desde 2003 até agora, quando um álbum completo parece ser o formato em que melhor pode desenvolver a sua arte. Sem receio, ‘Arte’ é mesmo a palavra certa para classificar o que se ouve no álbum: uma sucessão infindável em aparência de pequenos nadas que se juntam em agrupamentos cada vez mais consequentes até chegar à cidade-Estado que é cada uma das faixas em “Why Can’t We Be Like Us”. As regras são mais ou menos conhecidas desde que a Mille Plateaux notoriamente publicou o manual clicks & cuts por volta do ano 2000, mas por muitos discos que se tenham escutado desde então, a sensação em 2008, depois de ouvir este álbum (e com vários discos de Villalobos já bem escutados), é que o manual funcionou afinal não como um conjunto de regras finitas mas como ADN a ser recombinado por criadores com suficiente imaginação para se distinguirem de… bom, todos os outros. Com este álbum, Bruno Pronsato atinge um nível de apuro impressionante, há jogadas de composição realmente inventadas por ele, e um prazer enorme em descobrir tudo dentro de auscultadores com o volume certo. As aparições fugazes de voz não tentam nunca fazer-se passar por tentativas de canção, e a superior utilização de sons acústicos (percussão, palmas, p ex) é o definitivo pormenor que transforma o disco em algo mais total do que a categoria de ‘música electrónica’. Ouvir para acreditar.
(Fevereiro 2008)
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