Sexta-feira, 18 Novembro, 2011
Categoria: Novidade
Etiquetas: 4AD, Atlas Sound

ATLAS SOUND
Parallax
CD 4AD – 14.50 eur
No anterior álbum dos Deerhunter tínhamos referido como os dois mundos de Bradford Cox se estreitavam. Deerhunter e Atlas Sound tinham sons muito parecidos, havia claramente uma aproximação entre o que Cox fazia a solo e o seu projecto de banda, algo que era claramente distinto até então. Com “Parallax” digamos que acontece o mesmo, Atlas Sound está próximo daquele som que se associa a Deerhunter, pelas formas de construir uma canção e, sobretudo, pela clareza da voz de Cox. Ele, sabe-se, é um grande escritor de canções, modelou de alguma forma o indie rock dos últimos cinco anos através do encontro de caminhos originais por géneros mais ou menos batidos. Conhece-se também a sua extrema actividade (grava um número de canções surpreendente e edita discos com uma regularidade acima do normal). Essa junção de factores explica a constante mudança nos sons dos seus projectos antes de encontrar a saturação. Esta aproximação sonora entre os seus projectos não é um sinal de decadência e sim de maturação, e o encontro de uma maturidade infinita à procura de canções perfeitas que repliquem à sua imagem aquilo que ouviu na adolescência e ouve hoje em dia. “Parallax” é o seu disco crooner, ou o mais crooner possível onde imaginamos Cox chegar. Surpreendente, como sempre.
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Quarta-feira, 28 Outubro, 2009
Categoria: Novidade
Etiquetas: 4AD, Atlas Sound

ATLAS SOUND
Logos
CD 4AD – 17.50 eur 14.95 eur
Já dissemos quase tudo o que havia a dizer sobre Bradford Cox. Músico prolífico com ideias próprias sobre a pop (e muito boas, vale a pena lê-lo ou ouvi-lo em entrevistas), com uma banda que não fez nada abaixo do muito bom – Deerhunter – e um projecto pessoal, mais antigo do que a banda, este Atlas Sound, do qual ouvimos no ano passado o maravilhoso “Let The Blind Lead Those Who Can See but Cannot Feel”. E se em 2008 ainda ressoava “Person Pitch” de Panda Bear, em “Logos” o próprio Noah Lennox colabora num dos temas (”Walkabout”), mas agora há menos semelhanças com “Person Pitch”, um afastamento das atmosferas, do onírico e de um certo imaginário infantil do primeiro álbum. “Logos” é de uma densidade menos escura e lo-fi, prova de uma obsessão crescente de Cox em depurar aquilo que faz, sem a direcção da canção pop perfeita, mas de recriar com mais exactidão aquilo que interpreta da música que gosta, que o formou e que ainda hoje ouve. É por isso que os Deerhunter não soam a uma réplica shoegaze, distanciam-se de todos os que o fazem nesta década e criam um universo próprio; e é também por isso que nunca se pensa em usar Panda Bear como plágio (e aí não seria de certeza, porque as canções de “Let The Blind…” são quase todas mais antigas que “Person Pitch”), porque Cox tem um cantinho só seu, onde trabalha e mostra o seu mundo. E nessa lógica, “Logos” é muito melhor, fala-nos numa linguagem clara, próxima, enquanto é música de partilha que fica sem pedir licença.
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Sábado, 27 Dezembro, 2008
Categoria: Destaque
Etiquetas: 2008, 4AD, Atlas Sound, Bradford Cox, Deerhunter
Discos de 2008 que não tiveram a exposição merecida ou que, pelo contrário, aparecem agora nas listas de melhores do ano. Todos vencedores, mas só alguns têm espaço no palco.



ATLAS SOUND
Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel
2CD 4AD – 16.50 eur
Atlas Sound (Bradford Cox) é uma das personagens mais carismáticas da pop actual. No início do ano, quando a edição americana de “Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel” nos chegou às mãos ficámos maravilhados. Som surpreendentemente fresco, novo, buscando inspiração num nome pouco óbvio: Pauline Oliveros. Não é uma influência directa, mas compreende-se tal escolha. Mais directos são os Stereolab, numa apropriação industrial do som dos My Blood Valentine ou, falando em linguagem corrente, no rebento que poderia nascer de uma relação intensa de Excepter com Panda Bear (e passando de cruzeiro pelos Animal Collective) em dia de intenso nevoeiro. O resultado é mágico e “Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel” fica ao primeiro contacto como uma obra muito homógenea, capaz de conquistar em diferentes partes do seu alinhamento. Fascinante como poucos discos que querem brincar ao shoegaze, Atlas Sound soa realmente a qualquer coisa de novo quando provavelmente nem o é. Mas desarma-nos com uma honestidade tão bruta que se torna bom acreditar que sim. Agora, com alguns meses de distância, é fácil afirmar com mais determinação que este é um dos álbuns do ano. Não há dúvidas, e o seu único pecado é ser muito extenso (o que até nem é mau, mais música para ouvir). Atlas Sound faz-nos esquecer que Bradford Cox também é líder dessa espantosa banda que são os Deerhunter. A edição europeia pela 4AD traz um bónus imperdível: um EP com vinte minutos de nova música. Seis temas óptimos que mostram o seu universo pop-infantil ainda mais aperfeiçoado. Se já era um dos discos do ano, agora ainda ficou mais irresistível.
(Fevereiro/Junho 2008)
“Tal como parece ter acontecido com (Panda) Bear, também Bradford Cox se refugiou no seu estúdio caseiro munido de guiitarras, efeitos, processadores e computadores e deixou sair os sonhos, as memórias e as divagações, que naturalmente têm uma expressão menos afectiva nos respectivos grupos. (…) apresentando canções que mais parecem indícios, compostos de melodias, texturas, guitarras, ruídos e espaços em branco, psicadelismos, minimalismos electrónicos e crepitações que, em teoria, pareciam condenados a desarticular-se, mas que a voz em suspenso de Bradford Cox e o seu invulgar sentido narrativo conseguem fazer coincidir num cosmos coerente.” 4/5 in ÍPSILON/PÚBLICO
+
DEERHUNTER
Microcastle / Weird Era Continued
2CD 4AD – 16.50 eur
Vamos por partes: Bradford Cox não é um génio. É apenas um tipo com problemas, que deve ser muito chato, e, das duas uma, ou tem muito tempo livre (o que duvido) ou então é um tipo com número ridículo de ideias às quais sabe dar vida. Dele já saiu um dos melhores discos deste ano, o de Atlas Sound , e entretanto já fez n coisas que tem a amabilidade de fornecer gratuitamente no seu blog e que nunca são más, nem extraordinariamente boas, são acima da média e isso é um pouco impressionante para quem mantém em activo dois projectos que toda a gente devia ouvir e consegue ainda um ritmo estonteante de produção. É um tipo que mete música de borla cá fora e que ao mesmo tempo mantém um certo gosto pela tradição do disco e gosta de ver isso assumido no mundo real. Daí ser absolutamente normal ter ficado muito chateado quando “Microcastle” saiu para o mundo virtual mais de meio ano antes da sua data de edição (na altura nem se sabia quando ia sair), simplesmente porque ainda não era suposto alguém estar a ouvi-lo, quanto mais estar disponível para milhões de pessoas. Ficou lixado, entrou num impasse sobre o que fazer com o novo álbum de Deerhunter. Embora a sua edição nunca estivesse em causa, queria fazer algo mais para suplantar o ocorrido, que não só o chateou como entristeceu. Daí que este “Microcastle” venha acompanhado por um segundo CD, um segundo álbum, “Weird Era Continued”. Este é inferior ao primeiro mas mesmo assim tem um leque de óptimos temas. Quanto a “Microcastle”, não há como dizê-lo de outra forma, é um disco excelente. Já “Cryptograms” era muito bom, mas faltava um pouco de maturidade para que o som dos Deerhunter ganhasse personalidade. E é aqui que isso se consegue, canções em loop shoegaze nostálgico que relembram todas as referências óbvias do género (e aqui, claro, até o universo 4AD). Mas o que distingue os Deerhunter do imenso número de bandas que revisitam esse local da música popular é que eles não inventam, não transformam e, sobretudo, não querem fazer nada de novo. Soa a 2008, mas não por causa deles e sim por tudo em redor. Assim distinguem-se facilmente e hoje não custa adivinhar o toque de Midas de Bradford Cox em tudo o que compõe (o que é feito nos Deerhunter é quase por inteiro da sua responsabilidade). Sabe fazer canções, sabe alienar o ouvinte para essas canções. E “Microcastle” que, pelo que sucedeu, poderia ser um disco condenado ao esquecimento, é antes um daqueles de que nos vamos lembrar sempre que ouvirmos 2008.
(Outubro 2008)
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