Bonnie ‘Prince’ Billy “Wolfroy Goes To Town” em stock

Sexta-feira, 14 Outubro, 2011
Categoria: Novidade
Etiquetas: ,

bonnie prince billy

BONNIE ‘PRINCE’ BILLY
Wolfroy Goes To Town
CD Domino – 12.95 eur

Habituámo-nos ao longo das últimas décadas a esperar pelo menos um lançamento de Will Oldham por ano. “Wolfroy Goes To Town”- se não contarmos com o audiobook “Slow Fade” – é o seu primeiro longa duração em 2011, novamente em formato banda bem composta, como tem sido recorrente nos últimos discos de Bonnie ‘Prince’ Billy. Van Campbell, Shahzad Ismaily, Emmett Kelly, Daniel Kiely e Angel Olson são os nomes que compõem a formação deste ano, num lote de canções um pouco mais ligeiro do que as dos últimos álbuns, acertando ou, pelo menos, aproximando-se do registo country que Will tem procurado nos últimos anos. Foi como se em anos anteriores tivesse saturado um lado mais cómico/alegórico/pitoresco do género para o conseguir fragmentar e encontrar aquilo que procurava. Talvez por isso, “Wolfroy Goes To Town” seja o primeiro disco em quatro anos em que Will redescobre o som dos primeiros 10/13 anos da sua carreira com um novo revestimento, adequado a esta ideia de formação mutante que agora o acompanha em todos os discos. A não perder no próximo dia 24 no Teatro Maria Matos.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Ainda disponíveis:
BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “I See Darkness”, CD Palace Records – 15.95 eur
BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “Is It The Sea?”, CD Domino – 14.95 eur
BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “There Is No God”, 10″ Domino – 7.50 eur
BONNIE ‘PRINCE’ BILLY & THE PHANTOM FAMILY HALO “The Mindeater”, 10″ Sophomore Lounge - 14.50 eur
RUDOLPH WURLITZWER
“Slow Fade – Lido por Will Oldham e D.V. DeVincentis”, 5CD Drag City – 19.95 eur 17.50 eur

Zero comentários - Comente aqui »

Passatempo Bonnie “Prince” Billy & The Cairo Gang + Susanna

Sexta-feira, 4 Junho, 2010
Categoria: Passatempo
Etiquetas: , ,

bonnie_billy#2

5 de Junho de 2010
Bonnie “Prince” Billy & The Cairo Gang + Susanna
Sociedade de Geografia de Lisboa, 21H00 ** bilhetes à venda: 15 eur

Não conseguimos passar sem ele. E por isso ele volta sempre. Os anos passam e Bonnie “Prince” Billy continua a afinar a sua interpretação da folk norte-americana, cada vez mais próximo das raízes, cada vez mais distante daquele homem a quem chamávamos Will Oldham. Amanhã, no belíssimo espaço da Sociedade de Geografia de Lisboa, com o seu Cairo Gang. A primeira parte será feita por Susanna, que há pouco tempo tivemos oportunidade de ver no Teatro Maria Matos.

Temos convites individuais para oferecer, cortesia da Zé dos Bois . Para ganhar só têm de responder à seguinte pergunta:

Que nome dariam a uma nova banda de Will Oldham/Bonnie “Prince” Billy?

Respondam juntando o vosso nome, número de contacto (os que se esquecerem não serão considerados), e usem este link. Os escolhidos ganharão convites para o concerto. Têm até às 16 horas de amanhã, dia 5, para poderem tentar a vossa sorte.

Boa sorte!

2 Comentários »

Bonnie ‘Prince’ Billy & The Cairo Gang ” The Wonder Show Of The World” em stock

Sexta-feira, 9 Abril, 2010
Categoria: Novidade
Etiquetas: , ,

bonnie 'prince' billy

BONNIE ‘PRINCE’ BILLY’ & THE CAIRO GANG
The Wonder Show Of The World
CD / LP Domino – 15.50 eur / 17.50 eur

A fasquia colocou-se a tão elevada altura, mas tão elevada mesmo, que a maldição da comparação aparece-nos à frente mesmo quando nos forçamos a rejeitá-la. E no caso de Will Oldham a injustiça é mesmo bíblica, pois o brilhante músico nunca se preocupou muito em construir uma carreira de obras-primas, preferindo sempre ir mostrando, muito regularmente, o seu output criativo. Há discos soberbos (dele e da década), mas há discos que se mostram sem outra ambição senão dar-nos um sólido capítulo do seu impressionante songbook. Para quem não percebe esta introdução, “The Wonder Show Of The World” não é dos melhores álbuns de Bonnie “Prince” Billy, mas quantas vezes ouvimos canções assim num ano? Pois é, é a comparação que nos afastará destas dez canções. Evitar “With Cornstalks Or Among Them” e o seu desolado lamento é um crime; passar ao lado da pop épica ‘james tayloriana’ de “That’s What Our Love Is” é uma afronta; não perceber a riqueza da simplicidade de “Where Wind Blows” é dar um tiro no pé. Um novo trio – com Emmett Kelly e o omnipresente Shahzad Ismaily -, mas a velha receita de sempre. Sempre bem-vindo.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Zero comentários - Comente aqui »

Bonnie “Prince” Billy – “Chijimi” em stock – Edição Limitada com preço especial!

Sexta-feira, 2 Outubro, 2009
Categoria: Destaque, Novidade
Etiquetas: ,

bonnie prince billy, chijimi_200

BONNIE ‘PRINCE’ BILLY

Chijimi - Edição Limitada
10″ Tour Single Drag City – 19,95 eur 17,50 eur

Depois do 7″ split com Susanna, chegou-nos às mãos outro objecto de coleccionismo de Bonnie ‘Prince’ Billy. Vendido inicialmente na digressão de “Beware” (a acompanhar o disco, numa caixa de edição limitada), “Chijimi” é composto por quatro canções inéditas, tocadas com os músicos que o acompanharam nos concertos: Cheyenne Mize e Emmett Kelly. Próximos do registo dos dois últimos álbuns, os temas aqui presentes exploram a direcção que Will Oldham tem vindo a tomar no passado recente: um tom na fronteira da música folk e do country rock, solarengo e com um humor muito mais declarado.

Zero comentários - Comente aqui »

Susanna & Bonny Billy Sing… “Forever And Ever” / “In Spite Of Ourselves” em stock – Edição Limitada

Sexta-feira, 10 Julho, 2009
Categoria: Novidade
Etiquetas: , ,

susanna_2susanna_1

SUSANNA & BONNY BILLY
Forever And Ever / In Spite Of Ourselves - Edição Limitada
7″ Tour Single – 7,95 eur

Conseguimos arranjar algumas cópias desta edição limitada, planeada para a digressão de Bonnie “Prince” Billy deste ano. Duas versões, colaboração entre Bonnie e Susanna e duas capas que sugerem órgãos sexuais. Quem tem na memória o EP “Ask Forgiveness”, sabe bem o quão especiais são as canções dos outros que Bonnie Billy refaz. Aqui, com Susanna, reinterpreta uma pérola dos duetos “In Spite Of Ourselves”, de John Prine, cujo original, com Emmylou Harris, é um feito memorável. A versão pega no basilar e assume-se a cumplicidade que exige, com Bonnie ainda mais falsamente desinteressado do que John Prince. Do outro lado, “Forever And Ever”, um clássico de Buck Owens. Não há muitas cópias e acreditem que a versão de “In Spite Of Ourselves” é coisa para ter; melhor letra de sempre.

Zero comentários - Comente aqui »

Bonnie ‘Prince’ Billy “Beware” em stock

Sexta-feira, 20 Março, 2009
Categoria: Novidade
Etiquetas: , ,

bonnie_prince_billy-beware-200

BONNIE ‘PRINCE’ BILLY
Beware
CD Domino – 15.50 eur

Will Oldham entrou na rotina de mais um semestre, mais um disco. Nós gostamos, agradecemos, faz-nos felizes. “Beware” é um álbum de estúdio e algo enigmático, depois de “Lie Down In The Light”. Não é um regresso ao passado, mas aquela alegria própria, espécie de joie de vivre Oldhamnesca desapareceu, e ficou uma transparante – ele sempre foi assim – melancolia que concede espaço a um disco mais brando, contido, imerso num quase silêncio dos restantes colaboradores (Joshua Abrams, Jennifer Butt, Emmett Kelly e Michael Zerang). É assim, quem corre por gosto não cansa, e se há coisa que Oldham nos ensinou é que quem vai atrás dele também não se cansa. “Beware”, dada a história, a biografia do autor, é como que uma obra de redenção, sem dor, mas com os olhos de quem sente que tem de voltar atrás. É focada nas coisas simples, tão difíceis de explicar. Ele nunca nos ensinou muito sobre elas, nem como resolvê-las, mas resolveu o problema de olhar para algumas delas nas últimas duas décadas. Senhor do seu trono, monstro da canção de autor, é um privilégio poder contar sempre com ele.

Zero comentários - Comente aqui »

2008: os nossos álbuns favoritos

Sexta-feira, 9 Janeiro, 2009
Categoria: Top
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

intro2008

20 álbuns que considerámos importantes em 2008.
Podem consultar aqui textos e listas mais pessoais e também de convidados que acederam em partilhar connosco as suas visões do ano que passou. Jornalistas, promotores, músicos, DJs, etc., portugueses e não só.

gala_drop_100saint_dymphna_100high_places_100devotion_100K7225CD_NP0039_EU

1 GALA DROP “s/t” (Gala Drop)
Lisboa no centro do mundo, mas Lisboa também como espaço de absorção de inúmeras referências culturais das últimas quatro décadas, projectada por duas das pessoas que mais ajudaram a colocar esta cidade num mapa qualquer (decidam vocês qual) nos últimos anos: Tiago Miranda (Os Loosers, Dezperados, Slight Delay, etc.) e Nelson Gomes (antigo programador da ZDB, hoje Filho Único). A completar o trio, Afonso Simões (Fish & Sheep, Phoebus, Curia, etc.), um dos músicos mais talentosos da sua geração. Juntos gravaram o melhor álbum português das últimas duas décadas (Guilherme Gonçalves substituiu, entretanto, Tiago Miranda). O exagero pode ser levado para onde se quiser, por quem quiser. Mas é isso que se sente com “Gala Drop”, disco do presente onde linguagens do passado, de todos os cantos do mundo, história e cultura se fundem para marcar um tempo, uma geração, par a par com géneros, modas, gostos que a era da informação nos concede. É para isto que se faz música.

2 GANG GANG DANCE “Saint Dymphna” (Warp)
Esperámos muito por “Saint Dymphna” e o pouco que nos foi chegando era de chorar por mais. “House Jam” (canção do ano) foi de um teasing abusivo para quem suspirava pelo sucessor do genial “God’s Money”. Os Gang Gang Dance consolidaram a adaptação do seu som, da sua experimentação e da colagem, ao formato canção. É música de dança improvável, há muita coisa a acontecer para reagir mas também para nos deixar a pensar. É um disco de géneros, mas sem género. É a obra que melhor concretiza o caminho tomado hoje pelas bandas de Nova Iorque (Black Dice, Excepter e Gang Gang Dance) que mais contribuíram para a destruição e reinvenção do formato rock na canção de hoje.

3 HIGH PLACES “High Places” (Thrill Jockey)
Nada resta para inventar na música (dizem), mas ainda ninguém tinha tido o descaramento de imitar os Young Marble Giants (pelo menos tão bem). Este álbum homónimo é um seguimento natural da compilação de EPs lançada meses antes e confirma o estatuto de reis do minimalismo na pop-rock actual. Os High Places fizeram sentir que faltava algo nas nossas vidas, preenchido pelo vocabulário primitivo e repetitivo de Mary Pearson e Robert Barber. É obra soar tão bem hoje como da primeira vez, tão bonito e honesto.

4 BEACH HOUSE “Devotion” (Bella Union)
Falámos de “Devotion” em Março e parece que nunca nos abandonou desde então. Porque fomos gostando cada vez mais dele e porque o nosso affair culminou quando nos encontrámos todos – nós, vocês e eles – no Maxime e Passos Manuel, em Novembro. Ou seja, um longo ano de confessa paixão crescente pela voz sussurante e encantadora de Victora Legrand (grande nome, já agora) e pela delicada e hipnotizante companhia sonora de Alex Scally. Chamem-lhe shoegaze em surdina ou banda sonora perfeita para piscarmos o olho a alguém e fazermos o move perfeito. Como o álbum exactamente acima deste, terão havido poucos discos tão coesos durante 2008.

5 QUIET VILLAGE “Silent Movie” (!K7)
Tudo aquilo que Matt Edwards e Joel Martin prometiam com os maxis na Whatever We Want. Quase todas essas faixas estão aqui incluídas, mas o disco tem uma visão panorâmica que se sobrepõe à sensação de já as termos ouvido antes. “Silent Movie” é feito com excertos de muita música, é uma espécie de enorme re-edit de um passado musical abrangente, cuja estratificação por géneros deixa de fazer sentido. Música de filme, de bar, salão, campo (raramente de cidade), praia, de estrada e de alpendre. A todos se adapta e a todos quer mimar com os seus segredos ao ouvido.

dig_lazarus_dig_100black_habit_100lie_down_in_the_light_100agio_100microcastle_100

6 NICK CAVE & THE BAD SEEDS “Dig!!! Lazarus Dig!!!” (Mute)
Sempre tivemos o maior respeito por Nick Cave – a relação vem de muito, muito longe – mas “Dig!!! Lazarus Dig!!! fez com que fossemos surpreendidos pelo soberbo punch, violentamente criativo, repleto de ideias e histórias. A começar com o próprio papel de Cave, que aqui só nos faz lembrar a personagem de Daniel Day-Lewis em “There Will Be Blood”, apesar de ter sido noutro western que acabou por fazer a sua aparição – “The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford”. Isto só pode significar que a sua música cada vez mais sugere imagens e enredos, e isso significa que Cave está no controlo das operações com o nervo que recentemente pensámos extinto.

7 RINGS “Black Habit” (Paw Tracks)
Anteriormente First Nation, as Raincoats de Brooklyn séc. XXI chamam-se agora Rings e mantêm aquilo que nos fascinou em “First Nation”. “Black Habit” é rebeldia madura, o “Odyshape” de uma década que criou o seu próprio pós-punk e não lhe conseguiu dar um nome para mais tarde recordar. Contudo, nada disto é pós-punk, e sim um registo de sensibilidade e sensualidade femininas, caloroso, sedutor, atípico e corajoso. É o charme da ausência, da estranheza, da liberdade e dos sonhos que estas três raparigas conseguem recriar e transpor para as suas canções. E não houve nenhuma outra em 2008 como “Teepee”.

8 BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “Lie Down In The Light” (Domino)
Passou ao lado porque é normal que canse ver Will Oldham associado a tantos discos. E se a desculpa é haver tanta coisa para ouvir, a resposta é que o lugar para os grandes oradores da canção americana estará sempre garantido. É, para nós, o seu melhor disco desde “Master & Everyone”, já longe do negrume de outros dias, agora a sua música não é marcada pela ausência, mas por uma jovialidade que seria difícil de encontrar há uns anos. Não há muita gente que mude tanto e se mantenha intacta. Génio.

9 BERNARDO DEVLIN “Ágio” (Nau)
A questão é extremamente simples: que disco português vocês ouviram, assim, na vossa vida? Mas a resposta é ainda mais simples: nenhum. Não é, obviamente, a raridade que valoriza “Ágio”. São as suas canções únicas, despojadas e na nossa cara, sem artifícios, sem decorações, apenas com a voz performativa de Devlin e os seus impressionantes arranjos semi-acústicos e semi-electrónicos que nos hipnotizam e espantam a cada revisitação. Parece um disco perdido no tempo, mas também parece um disco para uma ideia de futuro. A vantagem é podermos ouvi-lo agora mesmo. Não é para todos, é verdade; é para quem quer.

10 DEERHUNTER “Microcastle / Weird Era Cont.” (4AD)
Bradford Cox não só conquistou o lugar de perturbadinho da música independente norte-americana como tornou muito difícil o papel da figura que se lhe seguir. Além disso, foi responsável por dois dos melhores lançamentos que vimos sair neste ano, a solo como Atlas Sound (”Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel”) e este “Microcastle” com a banda que o popularizou, os Deerhunter. Obra incrível, marcante, a assinar shoegaze em nome próprio. Coisa rara nos dias que correm.

the_age_of_the_understatement_100vasco_100oracular_spectacular_100everything_everything_100debt_dept_100

11 THE LAST SHADOW PUPPETS “The Age Of The Understatement” (Domino)
A ideia de um disco de época não é exactamente empolgante, mas “The Age Of The Understatement”, embora soando como um grande disco de 1968, é desconcertante de tão perfeito nas melodias vocais atribuídas à maioria das canções que compõem o álbum. Metade Arctic Monkeys (Alex Turner) e metade Rascals (Miles Kane), é um glorioso hino a um certo classicismo orquestral na pop de 60s (obviamente Scott Walker). Oiçam estas canções quase todas perfeitas, reparem como se canta para uma rapariga de quem se gosta. “Standing Next To Me” é a canção power pop do ano.

12 RICARDO VILLALOBOS “Vasco” (Perlon)
Enquanto os indicadores apontam agora para longe da ideia de minimal praticada por uma legião de produtores na segunda metade desta década, Ricardo Villalobos mantém-se ocupado, em campeonato próprio, a aprimorar a sua noção de tempo e espaço. É de ciência que se trata, embora uma ciência que também é emocional na forma como desperta suspiros de adesão. Quatro faixas longas, e perdoem o cliché mas mais uma vez temos de ouvir faixas longas de Villalobos porque não é música de mudanças súbitas, muito menos de crescendos. “Vasco” parece acontecer inteiramente dentro de uma bolha imaculada onde nada consegue falhar, mesmo que provoque o erro.

13 MGMT “Oracular Spectacular” (Sony/BMG)
Hit atrás de hit, é difícil nomear as canções de que gostámos em “Oracular Spectacular”. Pop por excelência, coração apontado para o psicadelismo e explosões dos Flaming Lips, mas cabeça virada para os flashes e imediatismo orelhudo que colocou estas canções em tudo o que era sítio e “actual”. É o efeito maior do que a vida durante quinze minutos, o disco que levaríamos para uma ilha deserta durante aquele mês e meio em que não conseguimos parar de o ouvir.

14 SIMON BOOKISH “Everything/Everything” (Tomlab)
Simon Bookish segue a longa tradição da pop intelectual, ávida de referências literárias (e neste caso também científicas) para complementar a sua óbvia necessidade de ser popular (ou não se chamaria pop). A visão particular de Simon Bookish faz-se a partir de uma concentração pomposa de Divine Comedy, Pulp, Final Fantasy e Felix Kubin, resultando em canções clássicas, energéticas e espertas, à espera de uma mera distracção para conquistarem o mundo. Termina com “Colophon”, que diz “If I died tomorrow, what difference the tie I used?”

15 EXCEPTER “Debt Dept.” (Paw Tracks)
Num ano em que “Saint Dymphna” dos Gang Gang Dance despertou muita gente para o lado pop de uma geração de músicos vindos de Nova Iorque que cresceu ao longo desta década, “Debt Dept.” foi uma espécie de preâmbulo de todo esse acontecimento. Disco “comercial”, o possível para uma das bandas mais inventivas deste século e que nunca nos deixou ficar mal. O êxtase de outros dias foi substituído pela batida e uma pérfida piscadela de olho à música popular.

black_sea_100the_dead_bears_100Printnouns_100hazyville_100

16 FENNESZ “Black Sea” (Touch)
Parece estranho que Fennesz, que tantos discos teve com o seu nome nos últimos anos, só apareça nas listas quando faz um álbum a solo. Correndo o risco de sermos injustos, o seu mundo ganha cores e relevos impressionantes quando está sozinho e expõe tudo aquilo que sabe fazer tão bem. Em “Black Sea” há um equilíbrio estonteante entre o doce e o amargo, e nem mesmo todo o lado noise e experimental do seu vento electrónico parece afastar a atracção que Fennesz consegue impor em tanta gente. Foi lindo ver “Black Sea” como um dos discos mais vendidos na Flur (lista a divulgar para a semana), mas mais lindo ainda é ouvi-lo e ficar com vontade de repetir a audição.

17 NEWWORLDAQUARIUM “The Dead Bears” (Delsin)
Com edição em vinil em 2007, CD apenas em 08, “The Dead Bears” estendeu o seu poder narcótico por mais um ano. Quente e coeso como Burnt Friedman na fase Nonplace Urban Field (oiçam “Nike Air” de 1996), este é um álbum que recicla habilmente várias heranças associadas à música de dança para as reintroduzir no loop contemporâneo. Há aqui sobretudo muito da cultura de re-edits que alimentou a primeira vaga de house e muito do ambientalismo pós-techno que sonorizou salas de chill-out há 15 anos.

18 FLEET FOXES “s/t” (Bella Union)
Álbum barroco para as massas, sem masoquismo ou excentricidade nefasta. “Fleet Foxes” é Neil Young em 2008 ou Brian Wilson a tripar noutra maré, mas também deve muito à folk inglesa de finais de sessenta e da década de setenta (Fairport Convention e Steeleye Span, por ex.). Cinco jovens de Seattle recuperaram um imaginário hippie “easy rider”, coloriram-no e tornaram tudo tão infantil quanto onírico, num dos álbuns que maior consenso crítico reuniu em 2008.

19 NO AGE “Nouns” (Sub Pop)
“Weirdo Rippers” era uma recolha de trabalhos deste duo, distribuídos localmente ou de edição limitada, que num todo não formavam matéria consistente para um álbum. Passou ao lado, infelizmente, mas “Nouns”, longa-duração à séria, chamou a atenção do mundo para si e revelou um lado mais pop de Randy e Dean, fundindo Beach Boys/Nirvana/Black Flag/Black Dice em canções imediatas e inesgotáveis. O concerto na Zé dos Bois confirmou esse estado de glória; 2008 foi um ano também deles, tal como 2007 já o havia sido.

20 ACTRESS “Hazyville” (Werk)
Quando parecia que o 2008 seria, graças a Zomby e ao seu testemunho ácido, um grande ano de regresso da Werk, eis que o seu patrão decide mostrar como se eleva a fasquia reanimando o nome de combate Actress e colocando “Hazyville” no mercado numa altura suficientemente tardia para se camuflar na paisagem e passar despercebido à maioria das pessoas. Connosco não resultou, pois seria criminoso ignorar 45 minutos de total hipnose sonora, feita como se Londres fosse o ponto intermédio entre a nova população techno de Detroit e o ritmo empoeirado de Berlim. Naturalmente que os ecos desta revelação se irão sentir por 2009 adentro, pois há quem fale em obra-prima por aqui.

Zero comentários - Comente aqui »