Super Disco #6 (c/ DJ Ride)

Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Ao vivo, Destaque
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Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 13 de Fevereiro 18h30 > 20h00.

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Inicialmente conhecido como DJ e produtor de hip hop mas, embora essa ainda seja a sua cartilha, DJ Ride procura hoje navegar mais na margens do movimento do que seguir a corrente dominante. Escolhe como Super Disco um álbum de hip hop que transcende fronteiras: “Endtroducing” de DJ Shadow (1996). Os seus métodos de produção, escolha de samples, utilização de MPC, ainda inspiram Ride, que nos explicará também como vê no género contemporâneo chamado Wonky a herança do psicadelismo então recuperado por Shadow. Ride acaba de lançar o seu segundo álbum, “Psychedelic Sound Waves”, no qual explora ciências rítmicas em complexas camadas que transforma em groove. A sensação é de um mash-up permanente entre passado e presente (juntos fazem o futuro?), um percurso dinâmico e alucinante carregado de inspiração e que não consegue ocultar o entusiasmo deste jovem produtor por formas musicais que transcendem o nicho em que tende a ser colocado. Tal como Shadow, Ride procura moldar a matéria que o entusiasma em nova matéria que passa a fazer parte dos compêndios do amanhã. “Endtroducing” é, ainda hoje, dos discos que melhor captam o ímpeto reciclador do hip hop e o espírito inclusivo tantas vezes esquecido da sua vertente musical.
Apareçam no café do Teatro Maria Matos para ouvir em primeira mão como um produtor actuante agora recicla e interpreta as mensagens fortes do passado e as transforma em novo assunto de discussão. De passagem, poderemos aprender algo mais sobra máquinas e equipamento: Ride não conseguirá certamente impedir-se de falar da sua relação íntima com as máquinas que tem comprado e que gosta de utilizar. Andou na companhia de André Fernandes e Mário Laginha, desenvolveu uma scratch tool adoptada pela Red Bull Home Groove, colaborou ao vivo com os Coldfinger, foi um dos primeiros convidados da série de Henrique Amaro na Optimus Discos, prepara uma peça com Rui Horta no CCB e será a personagem principal no muito esperado documentário “Dig In Japan”.

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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

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