Junior Boys “Begone Dull Care” em stock

Sexta-feira, 29 Maio, 2009
Categoria: Novidade
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JUNIOR BOYS
Begone Dull Care
CD Domino – 15.50 eur

Junior Boys apropriam-se de alguma estética pop dos anos oitenta como se tivessem inventado a roda. Fazem-no com autoridade. Em parte graças a eles todo o fenómeno Italians Do It Better (Glass Candy, Chromatics, etc.) ficou mais acessível aos nossos ouvidos na década dos zeros. A tradição pop electrónica no Canadá pode ser traçada pelo menos até Gino Soccio e Lime na viragem dos 70s para 80s e Lime, cultivada e reforçada durante essa década na costa oeste (Vancouver) por bandas que tornaram tudo mais político e agressivo (Skinny Puppy, Numb, Frontline Assembly) mas outras como os Moev (por volta de 1987) mantinham uma forte imaginação ao serviço da pop. Talvez Junior Boys possam ser desenhados com base nestes últimos, na sua classe de pop – digamos – vanguardista – que também evoca uma certa revitalização britânica na altura dos Frazier Chorus ou No-man. Ao segundo disco – “So This Is Goodbye” – conseguiram agarrar o mundo que lhes tinha escapado em “Last Exit”. “Begone Dull Care” é aquele álbum depois do ouro e daí e pode dizer-se com justiça que soam hoje melhor do que há três anos atrás, Também é verdade que alguns dos preconceitos que ainda existiam ter-se-ão dissipado no período entre os dois álbuns. Pop que serve para imaginar danças disco em malhas que não são disco. “Sneak A Picture” ou “Hazel” são bons exemplo disso: corpos próximos, suor, jogos íntimos sussurrados ao ouvido. Canções quentes, com o discurso exacto, e um beat lento que nunca soa enganado.

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Bonnie ‘Prince’ Billy “Beware” em stock

Sexta-feira, 20 Março, 2009
Categoria: Novidade
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BONNIE ‘PRINCE’ BILLY
Beware
CD Domino – 15.50 eur

Will Oldham entrou na rotina de mais um semestre, mais um disco. Nós gostamos, agradecemos, faz-nos felizes. “Beware” é um álbum de estúdio e algo enigmático, depois de “Lie Down In The Light”. Não é um regresso ao passado, mas aquela alegria própria, espécie de joie de vivre Oldhamnesca desapareceu, e ficou uma transparante – ele sempre foi assim – melancolia que concede espaço a um disco mais brando, contido, imerso num quase silêncio dos restantes colaboradores (Joshua Abrams, Jennifer Butt, Emmett Kelly e Michael Zerang). É assim, quem corre por gosto não cansa, e se há coisa que Oldham nos ensinou é que quem vai atrás dele também não se cansa. “Beware”, dada a história, a biografia do autor, é como que uma obra de redenção, sem dor, mas com os olhos de quem sente que tem de voltar atrás. É focada nas coisas simples, tão difíceis de explicar. Ele nunca nos ensinou muito sobre elas, nem como resolvê-las, mas resolveu o problema de olhar para algumas delas nas últimas duas décadas. Senhor do seu trono, monstro da canção de autor, é um privilégio poder contar sempre com ele.

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Franz Ferdinand “Tonight: Franz Ferdinand” em stock

Sexta-feira, 30 Janeiro, 2009
Categoria: Novidade
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FRANZ FERDINAND
Tonight: Franz Ferdinand + Blood
2CD Ed. limitada Domino – 17.95 eur

Ao terceiro disco tudo na mesma, continuam sem oferecer a mínima revolução no seu som, mas tudo bem, afinal eles só querem fazer música para verem meninas a dançar. Isso resultou até ao momento numa mão cheia de óptimas canções – só quem tenha estado a dormir consegue desassociá-las desta década. Sob a direcção de Alex Kapranos, Franz Ferdinand têm um lugar próprio na pop actual ao serem daquelas bandas que vão buscar descaradamente ao passado todo o som, não se importam muito com isso, debitam referências (Fire Engines no topo) e fazem com que tudo soe a inventado agora. É o propósito final destas coisas, mas há uma certa frescura nos Franz Ferdinand e uma aversão à clássica revisitação de som de estúdio do passado. Aqui, neles e também no novo “Tonight: Franz Ferdinand”, tudo se resume a riffs que remetemos para qualquer lugar no passado. O som, esse, é do século XXI. Convencem-nos de que estão mais frescos do que nunca, é um dom que nos permite fruir de algum entusiasmo perante a novidade de um novo Franz Ferdinand. Vício puro, oiçam “Ulysses” ou “No You Girls” e chorem por mais desta fórmula irresistível. Edição limitada de dois CDs, o segundo sendo “Blood”, com versões dub de “Tonight: Franz Ferdinand”. Dose dupla. Incansável. Alguns clips aqui.

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Animal Collective “Merriweather Post Pavilion” em stock

Quarta-feira, 14 Janeiro, 2009
Categoria: Novidade
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ANIMAL COLLECTIVE
Merriweather Post Pavilion
CD Domino – 14.95 eur

Repetem-se discos, marcos, canções, tempos, nomes para comparar o que fazem, tudo parece exagero na altura, mas quem é que hoje, que tenha vivido mais ou menos atento a esta década, se arrisca a dizer que não são a maior influência na música pop/rock/independente actual? E com a influência vem o estatuto de banda mais incrível/melhor/importante desta década. Faltam dois anos para ela acabar e já é tempo de se assumir que quem o disse após a explosão de “Sung Tongs” tinha razão. A cada um o seu lugar e quem não gosta de ver os Animal Collective por lá pode viver bem com isso porque, afinal, se calhar estamos todos a falar de coisas diferentes. É por isso difícil evitar lugares comuns quando se fala, ouve ou se pensa sobre eles. Kiran Sande, editor adjunto da Fact, usou as palavras certas para descrever “Merriweather Post Pavilion”: Hell, I could call the elated, exultant “Merriweather Post Pavilion” a “Smile” for the twenty-first century, but I’d be getting carried away. That’s exactly what this album does to you. It carries you away. São palavras que podemos usar para toda a experiência AC, tanto em disco como ao vivo, palavras que servem para dar alguma fisicalidade ao entusiasmo e colocar os discos do colectivo lado a lado com os clássicos, não com uma sensação de história a ser feita, mas porque é lá que pertencem. É (tudo) assim tão bom. E em “Merriweather Post Pavilion” eles dão o maior passo em frente desde “Sung Tongs”, mais do que evolução (que ocorreu sempre de disco para disco, EP para EP, nada soa igual, só mesmo a tonalidade Animal Collective), há uma transição para algo novo, para um álbum como unidade sonora, dividida em canções e nestas se multiplicam tantas outras, como se tudo fosse um live act, um fluxo onde a sua continuidade é pequena para tantas ideias e, daí, normal que tudo nos arrebate ainda mais. Coesão é uma coisa que sempre existiu na discografia dos Animal Collective, mas nunca tinham reunido um grupo tão forte de canções – e com tanto sentido – num álbum. Tudo faz parte e contribui para a experiência TOTAL – é assim que tem de ser vivida. É o reino Animal Collective em todo o seu esplendor, no máximo da sua excelência (até ao momento). Não vale a pena convencermo-nos do contrário ou ingressar noutros partidos. “Merriweather Post Pavilion” é muito mais do que aquilo que pedimos quando se carrega no play.

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