Fennesz + Sakamoto “Flumina” em stock – Preço Especial!

Quinta-feira, 12 Janeiro, 2012
Categoria: Novidade
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FENNESZ + SAKAMOTO
Flumina
2CD Touch – 17.50 eur 13.50 eur

A primeira edição de “Flumina” aconteceu no Verão, na editora de Sakamoto. Com a ausência de um lançamento mais ocidental, metade do mundo ficou em pânico com a perspectiva de falhar um disco destes, ou com a possibilidade de termos todos que largar bons euros por um disco – ainda por cima, duplo. Mas, no final do ano, a boa nova veio da sempre reconfortante Touch que colocou “Flumina” mesmo ao pé de nós. “Sala Santa Cecilia” e “Cendre” foram as duas anteriores colaborações, “Flumina” fulmina-nos com vinte e quatro temas feitos com base em improvisações em piano feitas por Ryuichi Sakamoto durante uma digressão. Depois de 24 concertos, os 24 temas foram enviados a Christian Fennesz para posterior processamento electrónico. Nova Iorque foi a última paragem para finalizarem em conjunto esta nova obra. “Flumina” é um monstro ambiental, um épico em surdina, duas horas de arabescos acústicos em serpenteio romântico com pequenas faíscas digitais, com tudo envolto em orquestrações electrónicas flutuantes. São duas horas, mas poderiam ser muito mais. E Sakamoto, depois de “Summvs” com Alva Noto, é um dos nossos homens de 2011 preferidos para se ter ao lado num álbum. Fantástico duplo álbum.

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Fennesz “Endless Summer” (nova versão com temas bónus) em stock – Preço Especial!

Sexta-feira, 2 Dezembro, 2011
Categoria: Novidade
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FENNESZ
Endless Summer – nova versão com temas bónus
CD Editions Mego – 16.50 eur 12.95 eur

Disco incontornável e imprescindível para todos os que gostam de ouvir música electrónica, “Endless Summer” é ainda, na segunda década do novo milénio, um prazer gigante e uma fonte de eterno Verão que nos deixa de coração quente. Fennesz tem tido discos óptimos, mas toda a sua genialidade foi alcançada aqui. Reedição Mego remasterizada com a inclusão de um tema extra – “Badminton Girl” saiu num maxi da Fat Cat há anos, quando também foi editada a edição original de “Endless Summer”. Obra-prima absoluta.

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Fennesz “Seven Stars” em stock – Preço Especial!

Sexta-feira, 11 Novembro, 2011
Categoria: Novidade
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FENNESZ
Seven Stars
MCD Touch Tone – 9.50 eur 7.50 eur
10″ Touch Tone - 8.50 eur

Não é ainda o sucessor de “Black Sea”, um fantástico regresso de Fennesz no já longínquo ano de 2008, mas serve para nos acalmar e dar-nos quatro temas incríveis que são tão inebriantes quanto fenneszianos. Este mini-álbum começa com “Liminal”, um calórico cupcake de 3 minutos que começa e se sustenta com guitarra, mostrando o lado mais “Endless Summer” que o austríaco tão bem inventou e explora. Belíssimo, frágil e emocionante, ou não fosse inspirado pelo local onde foi criado: Bali. Mas tanto “July” como “Shift”, a seguir, colocam a sua electrónica com os olhos nas estrelas, oferecendo mais ambientalismo de céu limpo do que o normal, planando sem atrito, sem grandes desvios de rota. “Seven Stars”, que fecha o disco, volta às memórias do rock de Christian Fennesz e conta com a surpreendente visita da bateria de Steven Hess (Robert Hampson e Pan American). São outros três minutos inspiradores, nostálgicos, com a percussão arrastada mas muito próxima dos nossos ouvidos, prometendo, a julgar pelo próprio Fennesz, futuras colaborações. Sabe a pouco, claro, mas olhar para as estrelas deve ser sempre uma pausa e nunca um trabalho a tempo inteiro.

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Ainda disponíveis:
FENNESZ “03_02_00 Live At Revolver Melbourne”, MCD Touch – 6.50 eur
FENNESZ “Black Sea”, CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
FENNESZ & SAKAMOTO “Cendre”, CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
FENNESZ & SAKAMOTO “Sala Santa Cecilia”, MCD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
FENNESZ “Endless Summer”, CD Editions Mego – 16.50 eur 12.50 eur
FENNESZ “Endless Summer”, 2LP Editions Mego – 21.50 eur 17.95 eur
FENNESZ “Field Recordings 1995-2002″, CD Touch -14.50 eur 12.50 eur
FENNESZ “Hotel Paral.lel”, CD Mego – 15.50 eur
FENNESZ “June”, LP Table Of Elements - 17.95 eur 12.95 eur
FENNESZ “Live In Japan”, CD Headz – 18.95 eur
FENNESZ “Plus Forty Seven Degrees 56´ 37″ Minus Sixteen Degrees 51´ 08″”, CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
FENNESZ “Venice”, CD Touch – 14.50 eur 12.50 eur
FENNESZ + DAFELDECKER & BRANDLMAYR “Till The Old World´s Blown Up And A New One Is Created”, 2CD Mosz – 13.95 eur 12.50 eur
FENNESZ + JECK & MATTHEWS “Amoroso”, 7″ Touch Seven – 5.50 eur
ERIKM & FENNESZ “Complementary Contrasts”, CD Hat Hut - 19.95 eur
SPARKLEHORSE & FENNESZ “In The Fishtanks”, CD Konkurrent – 16.50 eur 12.50 eur

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Passatempo “Fim-De-Semana Especial”

Sexta-feira, 3 Dezembro, 2010
Categoria: Passatempo
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FDS-E

03 e 04 de Dezembro de 2010
FIM-DE-SEMANA ESPECIAL
hoje: Masayoshi Fujita & Jan Jelinek + Radian
amanhã: Fennesz, Brandlmayr & Dafeldecker + Ben Frost
Teatro Maria Matos, Lisboa

Parece quase uma extravagância: quatro nomes incontornáveis do panorama electrónico, juntos em dois dias num evento importante que marca este final de ano. Hoje, o novo projecto de Jelinek, com o vibrafonista extraordinaire japonês. O disco já roda há muito aqui na loja. Depois, Radian, preferidos da Flur há muito, muito tempo – “Chimeric”, editado há pouco, recuperou força e músculo. No sábado, o trio da Mosz, saído há algum tempo e com elogios aqui na Flur – Fennesz em apuro de forma abstracta com Martin Brandlmayr e Dafeldecker em gestão de ritmos. A finalizar, Ben Frost, autor de um dos nossos discos do ano de 2009, “By The Throat”, vai transformar a sala do Maria Matos numa câmara de emoções intensas – já o vimos ao vivo este ano e só podemos dizer-vos que ninguém sairá do seu concerto sem uns quantos pelos levantados.

Temos convites individuais para oferecer, para cada dia do evento, cortesia do Teatro Maria Matos. Para ganhar só têm de responder à seguinte pergunta:

Com que concerto completariam, no domingo, o vosso fim-de-semana especial?

Respondam juntando o vosso nome, número de contacto (os que se esquecerem não serão considerados), e usem este link. Os escolhidos ganharão convites individuais para o dia pretendido – podem escolher ambos os dias, mas digam qual preferem . Têm até às 19 horas de hoje, dia 03, para poderem tentar a vossa sorte. Estejam atentos ao email a partir dessa hora.

Boa sorte!

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Oneohtrix Point Never feat. Antony & Fennesz “Returnal” (7″) em stock – Preço Especial!

Sexta-feira, 24 Setembro, 2010
Categoria: Novidade
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Oneohtrix Point Never feat. Antony & Fennesz

ONEOHTRIX POINT NEVER FEAT. ANTONY & FENNESZ
Returnal
7″ Editions Mego – 8.95 eur 7.50 eur

É verdade, vocês sabem: Oneohtrix Point Never tem conquistado toda a gente – o seu grande disco, “Rifts”, que compilava de modo cuidado o enorme output criativo, está entretanto esgotado na editora e sem perspectiva de reedição -, e foi com alguma surpresa que até Peter Rehberg foi atrás da sua intensidade sonora. “Returnal” é um disco raro na colecção da Mego, mas amplamente justificado. Daniel Lopatin é um mestre na arquitectura analógica e as suas peças são pequenos cosmos emocionais. E levando a emoção à boca, “Returnal” também é o nome de uma proto-canção no álbum, cantada pelo próprio Lopatin, que em single vê outras luzes com duas versões inesperadas: bom, uma é de facto inesperada, ao ter Antony ao microfone a recriar uma balada perfeita; a outra, menos surpreendente, mas igualmente especial, tem Fennesz como remisturador do lado A, colocando a canção num hiperespaço de cordenadas Terre Thaemlitzianas. Dois temas embalados em design Stephen O’Malley e prontos para valer o seu peso em ouro daqui por uns tempos.

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Sparklehorse+Fennesz “In The Fishtank” em stock – Preço Especial!

Sexta-feira, 12 Fevereiro, 2010
Categoria: Novidade
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sparklehorse+fennesz

SPARKLEHORSE+FENNESZ
In The Fishtank 15
CD / LP Konkurrent – 16.50 eur 12.50 eur

Finalmente em disco aquilo que muitos pensaram que faria sentido durante tanto tempo. Porque Fennesz foi o músico electrónico que mais conseguiu assumir a etiqueta indie, porque ele próprio sempre manifestou um apego exterior ao rock e às canções, e porque não tem havido nada mais cool do que estar à fente de um computador com uma guitarra. Em 2007, Christian Fennesz e Sparklehorse decidiram levar a sério o que uma pequena série de colaborações tinha desvendado: uma química recíproca especial na construção de ambientes. Em conjunto, esta parceria age como uma encarnação de uma banda slow-core ligada a uma fonte interminável de estática digital. Há mais dinâmicas por causa de Sparklehorse, há mais profundidade por causa de Fennesz, há algo único e irrepetível por aqui. E dizemos isto sabendo que, embora este “In The Fishtank” não seja uma obra-prima, acaba por ser uma boa surpresa pelo modo perscrutador e desafiante como os músicos encararam esta aventura. “NC Bongo Buddy” mostra, nos seus quase 12 minutos, que é a electrónica que liderou o ataque, mas o rock foi atrás com total bravia. E isso merece ser ouvido.

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Ainda disponíveis:
FENNESZ 03_02_00 Live At Revolver Melbourne, MCD Touch – 6.50 eur
FENNESZ Field Recordings 1995-2002, CD Touch – 12.50 eur
FENNESZ Venice, CD Touch – 14.50 eur > 12.50 eur
FENNESZ & SAKAMOTO Sala Santa Cecilia, MCD Touch – 10.50 eur
FENNESZ & SAKAMOTO Cendre, CD Touch – 12.50 eur
FENNESZ-JECK-MATTHEWS Amoroso, 7″ Touch Seven – 5.95 eur
FENNESZ Black Sea”, CD Touch – 14.50 eur > 12.50 eur
FENNESZ Transition, 7″ Touch – 6.95 eur

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2008: os nossos álbuns favoritos

Sexta-feira, 9 Janeiro, 2009
Categoria: Top
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intro2008

20 álbuns que considerámos importantes em 2008.
Podem consultar aqui textos e listas mais pessoais e também de convidados que acederam em partilhar connosco as suas visões do ano que passou. Jornalistas, promotores, músicos, DJs, etc., portugueses e não só.

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1 GALA DROP “s/t” (Gala Drop)
Lisboa no centro do mundo, mas Lisboa também como espaço de absorção de inúmeras referências culturais das últimas quatro décadas, projectada por duas das pessoas que mais ajudaram a colocar esta cidade num mapa qualquer (decidam vocês qual) nos últimos anos: Tiago Miranda (Os Loosers, Dezperados, Slight Delay, etc.) e Nelson Gomes (antigo programador da ZDB, hoje Filho Único). A completar o trio, Afonso Simões (Fish & Sheep, Phoebus, Curia, etc.), um dos músicos mais talentosos da sua geração. Juntos gravaram o melhor álbum português das últimas duas décadas (Guilherme Gonçalves substituiu, entretanto, Tiago Miranda). O exagero pode ser levado para onde se quiser, por quem quiser. Mas é isso que se sente com “Gala Drop”, disco do presente onde linguagens do passado, de todos os cantos do mundo, história e cultura se fundem para marcar um tempo, uma geração, par a par com géneros, modas, gostos que a era da informação nos concede. É para isto que se faz música.

2 GANG GANG DANCE “Saint Dymphna” (Warp)
Esperámos muito por “Saint Dymphna” e o pouco que nos foi chegando era de chorar por mais. “House Jam” (canção do ano) foi de um teasing abusivo para quem suspirava pelo sucessor do genial “God’s Money”. Os Gang Gang Dance consolidaram a adaptação do seu som, da sua experimentação e da colagem, ao formato canção. É música de dança improvável, há muita coisa a acontecer para reagir mas também para nos deixar a pensar. É um disco de géneros, mas sem género. É a obra que melhor concretiza o caminho tomado hoje pelas bandas de Nova Iorque (Black Dice, Excepter e Gang Gang Dance) que mais contribuíram para a destruição e reinvenção do formato rock na canção de hoje.

3 HIGH PLACES “High Places” (Thrill Jockey)
Nada resta para inventar na música (dizem), mas ainda ninguém tinha tido o descaramento de imitar os Young Marble Giants (pelo menos tão bem). Este álbum homónimo é um seguimento natural da compilação de EPs lançada meses antes e confirma o estatuto de reis do minimalismo na pop-rock actual. Os High Places fizeram sentir que faltava algo nas nossas vidas, preenchido pelo vocabulário primitivo e repetitivo de Mary Pearson e Robert Barber. É obra soar tão bem hoje como da primeira vez, tão bonito e honesto.

4 BEACH HOUSE “Devotion” (Bella Union)
Falámos de “Devotion” em Março e parece que nunca nos abandonou desde então. Porque fomos gostando cada vez mais dele e porque o nosso affair culminou quando nos encontrámos todos – nós, vocês e eles – no Maxime e Passos Manuel, em Novembro. Ou seja, um longo ano de confessa paixão crescente pela voz sussurante e encantadora de Victora Legrand (grande nome, já agora) e pela delicada e hipnotizante companhia sonora de Alex Scally. Chamem-lhe shoegaze em surdina ou banda sonora perfeita para piscarmos o olho a alguém e fazermos o move perfeito. Como o álbum exactamente acima deste, terão havido poucos discos tão coesos durante 2008.

5 QUIET VILLAGE “Silent Movie” (!K7)
Tudo aquilo que Matt Edwards e Joel Martin prometiam com os maxis na Whatever We Want. Quase todas essas faixas estão aqui incluídas, mas o disco tem uma visão panorâmica que se sobrepõe à sensação de já as termos ouvido antes. “Silent Movie” é feito com excertos de muita música, é uma espécie de enorme re-edit de um passado musical abrangente, cuja estratificação por géneros deixa de fazer sentido. Música de filme, de bar, salão, campo (raramente de cidade), praia, de estrada e de alpendre. A todos se adapta e a todos quer mimar com os seus segredos ao ouvido.

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6 NICK CAVE & THE BAD SEEDS “Dig!!! Lazarus Dig!!!” (Mute)
Sempre tivemos o maior respeito por Nick Cave – a relação vem de muito, muito longe – mas “Dig!!! Lazarus Dig!!! fez com que fossemos surpreendidos pelo soberbo punch, violentamente criativo, repleto de ideias e histórias. A começar com o próprio papel de Cave, que aqui só nos faz lembrar a personagem de Daniel Day-Lewis em “There Will Be Blood”, apesar de ter sido noutro western que acabou por fazer a sua aparição – “The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford”. Isto só pode significar que a sua música cada vez mais sugere imagens e enredos, e isso significa que Cave está no controlo das operações com o nervo que recentemente pensámos extinto.

7 RINGS “Black Habit” (Paw Tracks)
Anteriormente First Nation, as Raincoats de Brooklyn séc. XXI chamam-se agora Rings e mantêm aquilo que nos fascinou em “First Nation”. “Black Habit” é rebeldia madura, o “Odyshape” de uma década que criou o seu próprio pós-punk e não lhe conseguiu dar um nome para mais tarde recordar. Contudo, nada disto é pós-punk, e sim um registo de sensibilidade e sensualidade femininas, caloroso, sedutor, atípico e corajoso. É o charme da ausência, da estranheza, da liberdade e dos sonhos que estas três raparigas conseguem recriar e transpor para as suas canções. E não houve nenhuma outra em 2008 como “Teepee”.

8 BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “Lie Down In The Light” (Domino)
Passou ao lado porque é normal que canse ver Will Oldham associado a tantos discos. E se a desculpa é haver tanta coisa para ouvir, a resposta é que o lugar para os grandes oradores da canção americana estará sempre garantido. É, para nós, o seu melhor disco desde “Master & Everyone”, já longe do negrume de outros dias, agora a sua música não é marcada pela ausência, mas por uma jovialidade que seria difícil de encontrar há uns anos. Não há muita gente que mude tanto e se mantenha intacta. Génio.

9 BERNARDO DEVLIN “Ágio” (Nau)
A questão é extremamente simples: que disco português vocês ouviram, assim, na vossa vida? Mas a resposta é ainda mais simples: nenhum. Não é, obviamente, a raridade que valoriza “Ágio”. São as suas canções únicas, despojadas e na nossa cara, sem artifícios, sem decorações, apenas com a voz performativa de Devlin e os seus impressionantes arranjos semi-acústicos e semi-electrónicos que nos hipnotizam e espantam a cada revisitação. Parece um disco perdido no tempo, mas também parece um disco para uma ideia de futuro. A vantagem é podermos ouvi-lo agora mesmo. Não é para todos, é verdade; é para quem quer.

10 DEERHUNTER “Microcastle / Weird Era Cont.” (4AD)
Bradford Cox não só conquistou o lugar de perturbadinho da música independente norte-americana como tornou muito difícil o papel da figura que se lhe seguir. Além disso, foi responsável por dois dos melhores lançamentos que vimos sair neste ano, a solo como Atlas Sound (”Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel”) e este “Microcastle” com a banda que o popularizou, os Deerhunter. Obra incrível, marcante, a assinar shoegaze em nome próprio. Coisa rara nos dias que correm.

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11 THE LAST SHADOW PUPPETS “The Age Of The Understatement” (Domino)
A ideia de um disco de época não é exactamente empolgante, mas “The Age Of The Understatement”, embora soando como um grande disco de 1968, é desconcertante de tão perfeito nas melodias vocais atribuídas à maioria das canções que compõem o álbum. Metade Arctic Monkeys (Alex Turner) e metade Rascals (Miles Kane), é um glorioso hino a um certo classicismo orquestral na pop de 60s (obviamente Scott Walker). Oiçam estas canções quase todas perfeitas, reparem como se canta para uma rapariga de quem se gosta. “Standing Next To Me” é a canção power pop do ano.

12 RICARDO VILLALOBOS “Vasco” (Perlon)
Enquanto os indicadores apontam agora para longe da ideia de minimal praticada por uma legião de produtores na segunda metade desta década, Ricardo Villalobos mantém-se ocupado, em campeonato próprio, a aprimorar a sua noção de tempo e espaço. É de ciência que se trata, embora uma ciência que também é emocional na forma como desperta suspiros de adesão. Quatro faixas longas, e perdoem o cliché mas mais uma vez temos de ouvir faixas longas de Villalobos porque não é música de mudanças súbitas, muito menos de crescendos. “Vasco” parece acontecer inteiramente dentro de uma bolha imaculada onde nada consegue falhar, mesmo que provoque o erro.

13 MGMT “Oracular Spectacular” (Sony/BMG)
Hit atrás de hit, é difícil nomear as canções de que gostámos em “Oracular Spectacular”. Pop por excelência, coração apontado para o psicadelismo e explosões dos Flaming Lips, mas cabeça virada para os flashes e imediatismo orelhudo que colocou estas canções em tudo o que era sítio e “actual”. É o efeito maior do que a vida durante quinze minutos, o disco que levaríamos para uma ilha deserta durante aquele mês e meio em que não conseguimos parar de o ouvir.

14 SIMON BOOKISH “Everything/Everything” (Tomlab)
Simon Bookish segue a longa tradição da pop intelectual, ávida de referências literárias (e neste caso também científicas) para complementar a sua óbvia necessidade de ser popular (ou não se chamaria pop). A visão particular de Simon Bookish faz-se a partir de uma concentração pomposa de Divine Comedy, Pulp, Final Fantasy e Felix Kubin, resultando em canções clássicas, energéticas e espertas, à espera de uma mera distracção para conquistarem o mundo. Termina com “Colophon”, que diz “If I died tomorrow, what difference the tie I used?”

15 EXCEPTER “Debt Dept.” (Paw Tracks)
Num ano em que “Saint Dymphna” dos Gang Gang Dance despertou muita gente para o lado pop de uma geração de músicos vindos de Nova Iorque que cresceu ao longo desta década, “Debt Dept.” foi uma espécie de preâmbulo de todo esse acontecimento. Disco “comercial”, o possível para uma das bandas mais inventivas deste século e que nunca nos deixou ficar mal. O êxtase de outros dias foi substituído pela batida e uma pérfida piscadela de olho à música popular.

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16 FENNESZ “Black Sea” (Touch)
Parece estranho que Fennesz, que tantos discos teve com o seu nome nos últimos anos, só apareça nas listas quando faz um álbum a solo. Correndo o risco de sermos injustos, o seu mundo ganha cores e relevos impressionantes quando está sozinho e expõe tudo aquilo que sabe fazer tão bem. Em “Black Sea” há um equilíbrio estonteante entre o doce e o amargo, e nem mesmo todo o lado noise e experimental do seu vento electrónico parece afastar a atracção que Fennesz consegue impor em tanta gente. Foi lindo ver “Black Sea” como um dos discos mais vendidos na Flur (lista a divulgar para a semana), mas mais lindo ainda é ouvi-lo e ficar com vontade de repetir a audição.

17 NEWWORLDAQUARIUM “The Dead Bears” (Delsin)
Com edição em vinil em 2007, CD apenas em 08, “The Dead Bears” estendeu o seu poder narcótico por mais um ano. Quente e coeso como Burnt Friedman na fase Nonplace Urban Field (oiçam “Nike Air” de 1996), este é um álbum que recicla habilmente várias heranças associadas à música de dança para as reintroduzir no loop contemporâneo. Há aqui sobretudo muito da cultura de re-edits que alimentou a primeira vaga de house e muito do ambientalismo pós-techno que sonorizou salas de chill-out há 15 anos.

18 FLEET FOXES “s/t” (Bella Union)
Álbum barroco para as massas, sem masoquismo ou excentricidade nefasta. “Fleet Foxes” é Neil Young em 2008 ou Brian Wilson a tripar noutra maré, mas também deve muito à folk inglesa de finais de sessenta e da década de setenta (Fairport Convention e Steeleye Span, por ex.). Cinco jovens de Seattle recuperaram um imaginário hippie “easy rider”, coloriram-no e tornaram tudo tão infantil quanto onírico, num dos álbuns que maior consenso crítico reuniu em 2008.

19 NO AGE “Nouns” (Sub Pop)
“Weirdo Rippers” era uma recolha de trabalhos deste duo, distribuídos localmente ou de edição limitada, que num todo não formavam matéria consistente para um álbum. Passou ao lado, infelizmente, mas “Nouns”, longa-duração à séria, chamou a atenção do mundo para si e revelou um lado mais pop de Randy e Dean, fundindo Beach Boys/Nirvana/Black Flag/Black Dice em canções imediatas e inesgotáveis. O concerto na Zé dos Bois confirmou esse estado de glória; 2008 foi um ano também deles, tal como 2007 já o havia sido.

20 ACTRESS “Hazyville” (Werk)
Quando parecia que o 2008 seria, graças a Zomby e ao seu testemunho ácido, um grande ano de regresso da Werk, eis que o seu patrão decide mostrar como se eleva a fasquia reanimando o nome de combate Actress e colocando “Hazyville” no mercado numa altura suficientemente tardia para se camuflar na paisagem e passar despercebido à maioria das pessoas. Connosco não resultou, pois seria criminoso ignorar 45 minutos de total hipnose sonora, feita como se Londres fosse o ponto intermédio entre a nova população techno de Detroit e o ritmo empoeirado de Berlim. Naturalmente que os ecos desta revelação se irão sentir por 2009 adentro, pois há quem fale em obra-prima por aqui.

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Fennesz, Dafeldecker, Brandlmayr

Sexta-feira, 19 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
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fennesz-dafeldecker-brandlmayr

FENNESZ, DAFELDECKER, BRANDLMAYR
Till The Old World’s Blown Up And A New One Is Created
2CD Mosz – 13.95 eur

Quase inesperadamente, a Mosz sobrevive à morte de muitas editoras de electrónica e, no final de 2008, consegue editar um álbum (duplo, para todos os efeitos) que, pelos intervenientes, obriga a virar algumas cabeças e até fazer parar um carro ou outro. Nenhum deles precisa de apresentação, mas como temos que escrever umas linhas para este texto ficar do mesmo tamanho que os outros, há a dizer que Christian Fennesz é muitas vezes referido como o mais relevante estratega da música de computador e que o seu “Black Sea” é dos discos que mais vendemos este ano por cá; que Martin Brandlmayr é a encarnação do baterista moderno perfeito, atento ao ritmo e aos detalhes subliminares da electrónica, dono da propulsão Radian e Trapist; e Werner Dafeldecker faz parte da cena há mais de 20 anos, fundou a Durian e fez uma mini-revolução no rock bastardo quando agitou as águas a bordo dos Shabotinski. Dos três austríacos esperava-se algo que não é possível ouvirmos: um combo rock, de guitarra, baixo e bateria. Em vez disso, ouvimos um intrigante jogo fantasmagórico entre os músicos, os seus instrumentos e o silêncio, depois de quatro anos de testes, aperfeiçoamento e finalização. No disco 2, os pedaços originais desta aventura toda, com cada músico a tomar controlo criativo em cada um dos três temas: Fennesz espraia o seu romantismo lânguido em final de tarde, Dafeldecker recicla memórias de Radian em formato ambiental centrifugado, e Brandlmayr recupera o tal sonho rock que nunca se concretizou. Muita gente importante, muitas ideias, muito bom.

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Campanha Touch

Terça-feira, 2 Dezembro, 2008
Categoria: Promoção
Etiquetas: ,

Aproveitámos a edição de “Black Sea” (Fennesz) para colocar outros discos da Touch a preço reduzido até ao final de 2008. Vejam lista aqui, estão lá alguns títulos fundamentais da electrónica de fim de século/princípio de século.

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