Gang Gang Dance “Kamakura” em stock

Sexta-feira, 15 Outubro, 2010
Categoria: Novidade
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gang gang dance

GANG GANG DANCE
Kamakura
MCD Latitutes - 12.50 eur
MLP Latitudes – 14.95 eur

“St. Dymphna” serviu para colocar os Gang Gang Dance nas bocas do mundo. Um disco mais colado à pista de dança, que juntava às ideias única do projecto influências de sons vindos do Reino Unido. Por isso, não se deve estranhar que este “Kamakura” esteja mais ligado ao dubstep do que às raízes dos Gang Gang Dance. Composto unicamente por um tema de 15 minutos, “Amorphous History (Closing Seen)”, “Kamakura” respira liberdade, fundindo rock e dança num ambiente quase perfeito, onde não faltam as habituais linhas pysch que caracterizam uma das melhores bandas a saírem de Nova Iorque neste século. São 15 minutos apenas, mas há aqui mais matéria viva do que em 99% dos álbuns editados. Disco forte, mais um para o catálogo valioso da Latitudes.

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2008: os nossos álbuns favoritos

Sexta-feira, 9 Janeiro, 2009
Categoria: Top
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intro2008

20 álbuns que considerámos importantes em 2008.
Podem consultar aqui textos e listas mais pessoais e também de convidados que acederam em partilhar connosco as suas visões do ano que passou. Jornalistas, promotores, músicos, DJs, etc., portugueses e não só.

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1 GALA DROP “s/t” (Gala Drop)
Lisboa no centro do mundo, mas Lisboa também como espaço de absorção de inúmeras referências culturais das últimas quatro décadas, projectada por duas das pessoas que mais ajudaram a colocar esta cidade num mapa qualquer (decidam vocês qual) nos últimos anos: Tiago Miranda (Os Loosers, Dezperados, Slight Delay, etc.) e Nelson Gomes (antigo programador da ZDB, hoje Filho Único). A completar o trio, Afonso Simões (Fish & Sheep, Phoebus, Curia, etc.), um dos músicos mais talentosos da sua geração. Juntos gravaram o melhor álbum português das últimas duas décadas (Guilherme Gonçalves substituiu, entretanto, Tiago Miranda). O exagero pode ser levado para onde se quiser, por quem quiser. Mas é isso que se sente com “Gala Drop”, disco do presente onde linguagens do passado, de todos os cantos do mundo, história e cultura se fundem para marcar um tempo, uma geração, par a par com géneros, modas, gostos que a era da informação nos concede. É para isto que se faz música.

2 GANG GANG DANCE “Saint Dymphna” (Warp)
Esperámos muito por “Saint Dymphna” e o pouco que nos foi chegando era de chorar por mais. “House Jam” (canção do ano) foi de um teasing abusivo para quem suspirava pelo sucessor do genial “God’s Money”. Os Gang Gang Dance consolidaram a adaptação do seu som, da sua experimentação e da colagem, ao formato canção. É música de dança improvável, há muita coisa a acontecer para reagir mas também para nos deixar a pensar. É um disco de géneros, mas sem género. É a obra que melhor concretiza o caminho tomado hoje pelas bandas de Nova Iorque (Black Dice, Excepter e Gang Gang Dance) que mais contribuíram para a destruição e reinvenção do formato rock na canção de hoje.

3 HIGH PLACES “High Places” (Thrill Jockey)
Nada resta para inventar na música (dizem), mas ainda ninguém tinha tido o descaramento de imitar os Young Marble Giants (pelo menos tão bem). Este álbum homónimo é um seguimento natural da compilação de EPs lançada meses antes e confirma o estatuto de reis do minimalismo na pop-rock actual. Os High Places fizeram sentir que faltava algo nas nossas vidas, preenchido pelo vocabulário primitivo e repetitivo de Mary Pearson e Robert Barber. É obra soar tão bem hoje como da primeira vez, tão bonito e honesto.

4 BEACH HOUSE “Devotion” (Bella Union)
Falámos de “Devotion” em Março e parece que nunca nos abandonou desde então. Porque fomos gostando cada vez mais dele e porque o nosso affair culminou quando nos encontrámos todos – nós, vocês e eles – no Maxime e Passos Manuel, em Novembro. Ou seja, um longo ano de confessa paixão crescente pela voz sussurante e encantadora de Victora Legrand (grande nome, já agora) e pela delicada e hipnotizante companhia sonora de Alex Scally. Chamem-lhe shoegaze em surdina ou banda sonora perfeita para piscarmos o olho a alguém e fazermos o move perfeito. Como o álbum exactamente acima deste, terão havido poucos discos tão coesos durante 2008.

5 QUIET VILLAGE “Silent Movie” (!K7)
Tudo aquilo que Matt Edwards e Joel Martin prometiam com os maxis na Whatever We Want. Quase todas essas faixas estão aqui incluídas, mas o disco tem uma visão panorâmica que se sobrepõe à sensação de já as termos ouvido antes. “Silent Movie” é feito com excertos de muita música, é uma espécie de enorme re-edit de um passado musical abrangente, cuja estratificação por géneros deixa de fazer sentido. Música de filme, de bar, salão, campo (raramente de cidade), praia, de estrada e de alpendre. A todos se adapta e a todos quer mimar com os seus segredos ao ouvido.

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6 NICK CAVE & THE BAD SEEDS “Dig!!! Lazarus Dig!!!” (Mute)
Sempre tivemos o maior respeito por Nick Cave – a relação vem de muito, muito longe – mas “Dig!!! Lazarus Dig!!! fez com que fossemos surpreendidos pelo soberbo punch, violentamente criativo, repleto de ideias e histórias. A começar com o próprio papel de Cave, que aqui só nos faz lembrar a personagem de Daniel Day-Lewis em “There Will Be Blood”, apesar de ter sido noutro western que acabou por fazer a sua aparição – “The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford”. Isto só pode significar que a sua música cada vez mais sugere imagens e enredos, e isso significa que Cave está no controlo das operações com o nervo que recentemente pensámos extinto.

7 RINGS “Black Habit” (Paw Tracks)
Anteriormente First Nation, as Raincoats de Brooklyn séc. XXI chamam-se agora Rings e mantêm aquilo que nos fascinou em “First Nation”. “Black Habit” é rebeldia madura, o “Odyshape” de uma década que criou o seu próprio pós-punk e não lhe conseguiu dar um nome para mais tarde recordar. Contudo, nada disto é pós-punk, e sim um registo de sensibilidade e sensualidade femininas, caloroso, sedutor, atípico e corajoso. É o charme da ausência, da estranheza, da liberdade e dos sonhos que estas três raparigas conseguem recriar e transpor para as suas canções. E não houve nenhuma outra em 2008 como “Teepee”.

8 BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “Lie Down In The Light” (Domino)
Passou ao lado porque é normal que canse ver Will Oldham associado a tantos discos. E se a desculpa é haver tanta coisa para ouvir, a resposta é que o lugar para os grandes oradores da canção americana estará sempre garantido. É, para nós, o seu melhor disco desde “Master & Everyone”, já longe do negrume de outros dias, agora a sua música não é marcada pela ausência, mas por uma jovialidade que seria difícil de encontrar há uns anos. Não há muita gente que mude tanto e se mantenha intacta. Génio.

9 BERNARDO DEVLIN “Ágio” (Nau)
A questão é extremamente simples: que disco português vocês ouviram, assim, na vossa vida? Mas a resposta é ainda mais simples: nenhum. Não é, obviamente, a raridade que valoriza “Ágio”. São as suas canções únicas, despojadas e na nossa cara, sem artifícios, sem decorações, apenas com a voz performativa de Devlin e os seus impressionantes arranjos semi-acústicos e semi-electrónicos que nos hipnotizam e espantam a cada revisitação. Parece um disco perdido no tempo, mas também parece um disco para uma ideia de futuro. A vantagem é podermos ouvi-lo agora mesmo. Não é para todos, é verdade; é para quem quer.

10 DEERHUNTER “Microcastle / Weird Era Cont.” (4AD)
Bradford Cox não só conquistou o lugar de perturbadinho da música independente norte-americana como tornou muito difícil o papel da figura que se lhe seguir. Além disso, foi responsável por dois dos melhores lançamentos que vimos sair neste ano, a solo como Atlas Sound (”Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel”) e este “Microcastle” com a banda que o popularizou, os Deerhunter. Obra incrível, marcante, a assinar shoegaze em nome próprio. Coisa rara nos dias que correm.

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11 THE LAST SHADOW PUPPETS “The Age Of The Understatement” (Domino)
A ideia de um disco de época não é exactamente empolgante, mas “The Age Of The Understatement”, embora soando como um grande disco de 1968, é desconcertante de tão perfeito nas melodias vocais atribuídas à maioria das canções que compõem o álbum. Metade Arctic Monkeys (Alex Turner) e metade Rascals (Miles Kane), é um glorioso hino a um certo classicismo orquestral na pop de 60s (obviamente Scott Walker). Oiçam estas canções quase todas perfeitas, reparem como se canta para uma rapariga de quem se gosta. “Standing Next To Me” é a canção power pop do ano.

12 RICARDO VILLALOBOS “Vasco” (Perlon)
Enquanto os indicadores apontam agora para longe da ideia de minimal praticada por uma legião de produtores na segunda metade desta década, Ricardo Villalobos mantém-se ocupado, em campeonato próprio, a aprimorar a sua noção de tempo e espaço. É de ciência que se trata, embora uma ciência que também é emocional na forma como desperta suspiros de adesão. Quatro faixas longas, e perdoem o cliché mas mais uma vez temos de ouvir faixas longas de Villalobos porque não é música de mudanças súbitas, muito menos de crescendos. “Vasco” parece acontecer inteiramente dentro de uma bolha imaculada onde nada consegue falhar, mesmo que provoque o erro.

13 MGMT “Oracular Spectacular” (Sony/BMG)
Hit atrás de hit, é difícil nomear as canções de que gostámos em “Oracular Spectacular”. Pop por excelência, coração apontado para o psicadelismo e explosões dos Flaming Lips, mas cabeça virada para os flashes e imediatismo orelhudo que colocou estas canções em tudo o que era sítio e “actual”. É o efeito maior do que a vida durante quinze minutos, o disco que levaríamos para uma ilha deserta durante aquele mês e meio em que não conseguimos parar de o ouvir.

14 SIMON BOOKISH “Everything/Everything” (Tomlab)
Simon Bookish segue a longa tradição da pop intelectual, ávida de referências literárias (e neste caso também científicas) para complementar a sua óbvia necessidade de ser popular (ou não se chamaria pop). A visão particular de Simon Bookish faz-se a partir de uma concentração pomposa de Divine Comedy, Pulp, Final Fantasy e Felix Kubin, resultando em canções clássicas, energéticas e espertas, à espera de uma mera distracção para conquistarem o mundo. Termina com “Colophon”, que diz “If I died tomorrow, what difference the tie I used?”

15 EXCEPTER “Debt Dept.” (Paw Tracks)
Num ano em que “Saint Dymphna” dos Gang Gang Dance despertou muita gente para o lado pop de uma geração de músicos vindos de Nova Iorque que cresceu ao longo desta década, “Debt Dept.” foi uma espécie de preâmbulo de todo esse acontecimento. Disco “comercial”, o possível para uma das bandas mais inventivas deste século e que nunca nos deixou ficar mal. O êxtase de outros dias foi substituído pela batida e uma pérfida piscadela de olho à música popular.

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16 FENNESZ “Black Sea” (Touch)
Parece estranho que Fennesz, que tantos discos teve com o seu nome nos últimos anos, só apareça nas listas quando faz um álbum a solo. Correndo o risco de sermos injustos, o seu mundo ganha cores e relevos impressionantes quando está sozinho e expõe tudo aquilo que sabe fazer tão bem. Em “Black Sea” há um equilíbrio estonteante entre o doce e o amargo, e nem mesmo todo o lado noise e experimental do seu vento electrónico parece afastar a atracção que Fennesz consegue impor em tanta gente. Foi lindo ver “Black Sea” como um dos discos mais vendidos na Flur (lista a divulgar para a semana), mas mais lindo ainda é ouvi-lo e ficar com vontade de repetir a audição.

17 NEWWORLDAQUARIUM “The Dead Bears” (Delsin)
Com edição em vinil em 2007, CD apenas em 08, “The Dead Bears” estendeu o seu poder narcótico por mais um ano. Quente e coeso como Burnt Friedman na fase Nonplace Urban Field (oiçam “Nike Air” de 1996), este é um álbum que recicla habilmente várias heranças associadas à música de dança para as reintroduzir no loop contemporâneo. Há aqui sobretudo muito da cultura de re-edits que alimentou a primeira vaga de house e muito do ambientalismo pós-techno que sonorizou salas de chill-out há 15 anos.

18 FLEET FOXES “s/t” (Bella Union)
Álbum barroco para as massas, sem masoquismo ou excentricidade nefasta. “Fleet Foxes” é Neil Young em 2008 ou Brian Wilson a tripar noutra maré, mas também deve muito à folk inglesa de finais de sessenta e da década de setenta (Fairport Convention e Steeleye Span, por ex.). Cinco jovens de Seattle recuperaram um imaginário hippie “easy rider”, coloriram-no e tornaram tudo tão infantil quanto onírico, num dos álbuns que maior consenso crítico reuniu em 2008.

19 NO AGE “Nouns” (Sub Pop)
“Weirdo Rippers” era uma recolha de trabalhos deste duo, distribuídos localmente ou de edição limitada, que num todo não formavam matéria consistente para um álbum. Passou ao lado, infelizmente, mas “Nouns”, longa-duração à séria, chamou a atenção do mundo para si e revelou um lado mais pop de Randy e Dean, fundindo Beach Boys/Nirvana/Black Flag/Black Dice em canções imediatas e inesgotáveis. O concerto na Zé dos Bois confirmou esse estado de glória; 2008 foi um ano também deles, tal como 2007 já o havia sido.

20 ACTRESS “Hazyville” (Werk)
Quando parecia que o 2008 seria, graças a Zomby e ao seu testemunho ácido, um grande ano de regresso da Werk, eis que o seu patrão decide mostrar como se eleva a fasquia reanimando o nome de combate Actress e colocando “Hazyville” no mercado numa altura suficientemente tardia para se camuflar na paisagem e passar despercebido à maioria das pessoas. Connosco não resultou, pois seria criminoso ignorar 45 minutos de total hipnose sonora, feita como se Londres fosse o ponto intermédio entre a nova população techno de Detroit e o ritmo empoeirado de Berlim. Naturalmente que os ecos desta revelação se irão sentir por 2009 adentro, pois há quem fale em obra-prima por aqui.

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Gang Gang Dance em Campanha

Sexta-feira, 5 Dezembro, 2008
Categoria: Promoção
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Na compra de “Saint Dymphna”, o novo e aclamado álbum dos Gang Gang Dance, adquira qualquer uma das suas outras edições em stock a preço reduzido.



Gang Gang Dance
Hilulah
MCD The Social Registry – 9.50 eur = “Saint Dymphna” + 4.95 eur

Pensado para as mesas de merchandise nos concertos com os Animal Collective do final de 2004, “Hillulah” foi inicialmente editado em CDR com uma tiragem limitada a cem exemplares. Poucos dias antes dos concertos, Tim Dewitt dos Gang Gang Dance entrou em estúdio armado com uma tesoura e muitas horas de fita gravada em concerto. Depois de um complexo trabalho de edição a colagem resultante é muito mais do que o simples álbum “ao vivo” inicialmente previsto, conjugando elementos da restante discografia Gang Gang Dance num registo único, bastante demonstrativo do caos belo que a banda consegue criar em palco. Figuram todos os elementos a que nos habituaram em edições anteriores (círculos de percursão, sintetizadores coloridos, vocalizações hipnóticas, texturas pesadas e brilho que ofusca) nesta materialização de performances seminais da banda Nova-Iorquina. Para aqueles que perderam os concertos em Lisboa e para quem nunca os quiser esquecer, meia-hora de gravações em video dos concertos na Knitting Factory e The Cooler complementam os 33 minutos de música essencial.

Gang Gang Dance
God’s Money
CD The Social Registry – 16.50 eur = “Saint Dymphna” + 7.50 eur

Se foi difícil conter um esgar de atenção perante a angulosidade (e, claro, a estranheza) dos anteriores discos, agora vai ser mesmo impensável passar ao lado de um dos mais extraordinários álbuns que este ano vai conhecer. “God’s Money” é a obra-prima deste quarteto de Nova Iorque, um grupo que, tal como a música que constrói, é o somatório de infindáveis peças criativas – Brian DeGraw, Liz Bougatsos, Tim Dewitt e Josh Diamond são o quarteto necessário para sintetizar uma gigantesca torre de babel sonora em constante construção/desconstrução. Ao contrário de todo o revivalismo directo que nos rodeia, Gang Gang Dance é um depósito infinito de sons, músicas, culturas, tendências, cânticos, ritmos, gritos, sinfonias, correntes e contra-correntes que raramente se misturam, coexistindo sem nunca se fundirem perfeitamente; o que sai de Gang Gang Dance é um bizarro produto de síntese, um invulgar híbrido musical que corrompe todas as regras de miscigenação que conhecíamos. “God’s Money” é uma celebração hipnótica livre das amarras do Tempo e do Espaço – o futuro é sugado para o passado, o médio oriente é colocado em Times Square, a 4AD substitui a sigla DFA, Randy Grief volta a fazer a sua Alice, a No Wave volta a aparecer. O primeiro disco deste século que substitui todo o século anterior.

Gang Gang Dance
Retina Riddim
CD+DVD The Social Registry – 16.95 eur = “Saint Dymphna” + 7.50 eur

Mais cedo ou mais tarde, algo como “Rettina Riddim” teria de vir cá para fora. Parados em edições há algum tempo, os Gang Gang Dance arranjaram uma forma de nos manter ocupados até ao final do ano. A par dos Excepter, os GGD são dos nomes que mais interessa reter da música saudavelmente híbrida de Nova Iorque. Em actividade em alguns anos, andavam por lá quando os Black Dice e os Animal Collective explodiram (aliás, estas duas bandas não se cansavam de referencia-los como o que de melhor estava a acontecer em NI). E ambas as bandas têm uma forte componente visual na sua música, uma espécie de delírio do século XXI à Ira Coen ou Kenneth Anger. Veja-se o vídeo que Jeff Ryan (Excepter) realizou para “Bros” de Panda Bear e agora a “Retina Riddim” dos Gang Gang Dance. Composto por dois vídeos, um que dá nome ao álbum, realizado por Brian DeGraw, membro da banda e vídeo-artista, e o outro por Oliver Payne, um fã da banda, que editou e montou alguns dos momentos de uma digressão. O vídeo de DeGraw é uma escalada trippy, entre o surf e macacos, tudo num exercício de corta e cola com material que tinha gravado, enquanto faz o mesmo com a música dos Gang Gang Dance que sonoriza as imagens. O CD que vem nesta edição é uma continuação do método, reaproveitando material mais à margem do projecto e com estranhas semelhanças com “Beaches & Canyons” dos Black Dice e próximo do ataque estético dos Excepter.

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Gang Gang Dance em stock hoje

Quinta-feira, 4 Dezembro, 2008
Categoria: Novidade
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GANG GANG DANCE
Saint Dymphna
CD Warp – 15.95 eur

Na questão de linguagem que o rock mais transversal desta década conseguiu transmitir para a música popular serão poucas as bandas que exemplificam a linha ténue que pode existir entre os dois mundos. É um feito impressionante, não na onda de “ao alcance de alguns”, mas sim por aqueles que conhecem bem os impulsos desse lado mais fora. Sem qualquer demérito, coisas como MGMT, High Places, No Age, entre muitos outros, não impõem valores de rua e liberdade na sua música e é o lado pop que mais salta, não existindo propriamente uma quebra de fronteiras mas antes uma integração na pop de elementos que por norma são exteriores a ela. Há então o outro lado, o lado que vem de fora para dentro, de gente que fazia música que ninguém – passe o exagero – ouvia e que de repente todos querem ouvir. O lado que dá realmente a conhecer universos onde o consumidor comum nunca se atreveria a ir e que hoje, por causa da paixão pop de certas bandas, sente como terra firme. Ou seja, a pop, ou a música popular, já lá estava só que a maior parte dos ouvidos nunca a tinham descoberto. Pense-se em Black Dice, Excepter, Animal Collective e Gang Gang Dance, tudo bandas de Nova Iorque, que no início desta década poucos acreditavam que realmente pudessem fazer a diferença, não pelo produto em si mas pela descrença no público. Felizmente estavam enganados e hoje é impossível contornar esta década, todos os anos desta década, sem falar num destes nomes. 2008 é o ano dos Gang Gang Dance que, três anos após a obra-prima “God’s Money” (de caras no top 10 desta década) editam “Saint Dymphna”, acessível e monumental, onde desfilam géneros e mais géneros que, com o passar dos segundos, o tornam numa coisa indefinida, mas ao mesmo tempo tão concisa e directa naquilo que pretende. A voz de Liz Bougatsos é uma evocação épica do melhor da pop 80s no feminino (pensem em Yoko Ono ou Kate Bush) por cima de batidas que transmitem uma visão extraterrestre da música de dança. Bem misturado (a passagem de “Bebey” para “First Communion” é das coisas mais INCRÍVEIS deste ano) e com temas que mexem e fazem história (”Vacuum”, “House Jam” e “Desert Storm”), “Saint Dymphna” é a porta para um outro universo que faltava encontrar neste ano e, para alguns, nesta década.

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