2008: os nossos singles favoritos

Sábado, 10 Janeiro, 2009
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11 singles que considerámos importantes em 2008.
Podem consultar aqui textos e listas mais pessoais e também de convidados que acederam em partilhar connosco as suas visões do ano que passou. Jornalistas, promotores, músicos, DJs, etc., portugueses e não só.

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1 OMAR-S “Psychotic Photosynthesis” (FXHE)
1 OMAR-S “Psychotic Photosynthesis #2 (no drum mix)” (FXHE)
O #2 surge perto do final do ano e pulveriza a concorrência. Versão sem beats do maxi que saiu em Janeiro com o mesmo título, serenata dedicada aos Céus, uma produção da nova escola de Detroit, Omar-S a chegar a corações neutros, não-militantes de house. A versão com batida transporta a pista de dança para uma dimensão quase surreal de prazer no rodopio psicadélico dos seus tons. Para nós, sai da mesma matéria que gerou “E2-E4″ (Manuel Göttsching), e mesmo que não confiem em nós, vejam as vezes que Omar-S aparece nas listas que publicamos mais abaixo. Supremo. E se for arrogante ainda melhor, porque tem o direito.

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2 BJORN TORSKE “Kan Jeg Slippe?” (Sex Tags Mania)
Bjorn Torske representa o tipo de produtor que respeita totalmente os maxis como obras completas, não como meros excertos de algo maior. “Kan Jeg Slippe?” oscila entre Norte e Oeste de África, Nova Iorque e a nossa cabeça, um monumento ao poder hipnótico da música, banda sonora para uma realidade vodu, uma receita exótica para nos enfeitiçar com poções que deitam fumo negro (não fumo branco). A Noruega guarda ainda tesouros imensuráveis. Homens do Norte.

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3 REGGIE DOKES “Rain Redemptive Love” (Philpot)
África em todo o lado, este ano, e inegavelmente no beat de “Love”, primeira faixa do disco logo a trazer Tony Allen para tocar air drums no estúdio de Reggie. No outro lado, “Rain On Me” mistura piano, cordas e um sintetizador desregrado que ousa suplantar em atitude o som de Carl Craig, tudo demasiado perfeito para ser ignorado. Amor pelo universo e esperança no ser humano podem ser sentimentos fora de moda, mas Reggie Dokes não sabe disso. Ainda bem.

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4 TIM TOH “Join The Resistance part I” (Philpot)
4 TIM TOH “Join The Resistance part II” (Philpot)
Duas partes de uma série de três, um dos manifestos mais revolucionários na renovação actual da house, quando um género passa a ser descrito apenas como Música. Parte I mais tribal e desnudada, com ritmos a chocarem com esqueletos de melodias, tudo em sacrifício ao groove. Mais romance na parte II mas sempre enroscado na batida que não deixa nunca esquecer que há um coração pulsante. Amigos, “Three”, na parte II, concentra quase tudo o que queremos ouvir: balanço, espírito, açucar, loucura, paixão, Sol e tempestade, morte e redenção – é bonito de morrer e também tem África. Tim Toh fez isto aos 22 anos, outro dia.

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5 THEO PARRISH “Love Triumphant” (Sound Signature)
Uma das jams mais cósmicas do ano quando nos escaparates não está marcado como Cósmico, é esse o destino dos que se desviam permanentemente do centro onde são colocados. “Love Triumphant” irradia uma luz intensa, e sob essa luz vemos com clareza que não é alguém da música de dança a tentar fazer jazz, não se trata da pobre mímica que é celebrada como “homenagem”, não é electrónica a fazer de conta que é acústica, isto brota da terra directo lá para cima, sem tempo para se agarrar a nomes ou referências: jazz, minimalismo, kosmischer pitch, house, são os nomes que nós, pessoas comuns, temos de colocar nas coisas para podermos descrevê-las. “Spacebumps” completa o disco em típico modo Theo Parrish de stop-start e malhas de Rhodes. Fora de tudo.

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6 THE JUAN MACLEAN “Happy House” (DFA)
O dance-punk da DFA, já com um historial impecável, excedeu-se em “Happy House”, Sol e mais Sol e nova inspiração DFA em Siouxsie & The Banshees. Tudo magnífico, em harmonia, quase 13 minutos de felicidade (mais do que às vezes se consegue num dia) com a voz de Nancy Whang a dirigir uma cruzada em direcção ao escapismo boa onda que só house, disco e pop conseguem natural e honestamente. “Happy House” reúne o melhor dos três géneros, abre uma porta larga para toda a gente e, quando o plano abre mais para revelar o cenário completo, os corpos que dançam formam um smiley gigante. É assim tão bom.

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7 JOHANNES VOLK “The Day We Met Again” (Lifeworld)
A Alemanha, ligada espiritualmente a Detroit desde a aliança da cidade norte-americana com o clube Tresor em Berlim, produz uma nova geração de nomes que unem os feixes de ambas as proveniências para os concentrar num único, mais poderoso, apontado ao Cosmos. Tim Toh, de forma já descrita, e Johannes Volk em groove de total felicidade e comunhão. Imaginem samba, Jeff Mills, jazz astral, som atonal e Atom Heart da fase B.A.S.S. (que já era isso tudo em 1995) com licks de guitarra, rapidamente (bem acima das 120 BPM) em movimento de progressão. Se fosse mau seria quase histérico, mas deste modo são flores a multiplicarem-se num campo. Genial e aguerrido e, em ano Wall-E, a faixa do meio chama-se “Robot Love”.

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8 MATHEW JONSON “Symphony For The Apocalypse: New Age Revolution” (Wagon Repair)
Num ano em que a Wagon Repair, com produção mais banal, acabou por sair um pouco dos radares, este maxi destaca-se claramente. MJ exercita a sua tendência analógica em duas faixas intensas que convocam Autechre e o Apocalipse. São dois épicos de pleno direito, sujos e carismáticos, a vender personalidade numa época digital de cada vez maior formatação genérica na cena techno. Muito respeito.

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9 GHOST NOTE “Holy Jungle” (Golf Channel)
Com a Whatever We Want fora do nosso plano de 2008 (acreditem que tentámos tudo), foi a Golf Channel, também de Nova Iorque, quem permaneceu para nós como a editora a coleccionar, no que respeita a futuros clássicos do underground cósmico. “Holy Jungle” representou a magia negra nas pistas de dança, um kick forte, cordas dissonantes, guitarra com barba, coros e um ambiente soturno quebrado pelas sempre infalíveis palmas. Mark E entrega uma remistura em suspensão hipnótica.

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10 SLIGHT DELAY EP (Rong)
A espantosa folha de serviço deste disco na Flur, desde que chegou em Setembro, contribuiu em grande medida para a inclusão numa lista em que a concorrência se multiplicou bastante: os re-edits. A par com Social Disco Club, Slight Delay (e a sua metade Tiago) espalharam ciência de corte em editoras de topo neste jogo: Mindless Boogie e Rong. Slight Delay passou a ser o maxi de re-edits mais vendido de sempre aqui na loja, percorreu o espectro de interessados em rock até house e o seu trunfo principal foi o re-edit de “Sunshine Baby” (Clout), um pedaço genial de reggae psicadélico editado em 1979 e que pudemos ver (e ouvir) Harvey a passar num clip algures no YouTube.

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+ PHOTONZ “Shaboo” (Dissident)
Ano de impressionantes aquisições para o CV dos Photonz (Marco Rodrigues e Miguel Evaristo). Maxis na Dark & Lovely e Astro Lab (Pilooski), Republic Of Desire (Midnight Mike) e DOIS maxis na julgada inacessível Dissident, de Londres. “Shaboo” foi o primeiro, e também a primeira vez que ouvimos oficialmente os Photonz a fazer house com atenção ao detalhe clássico. Uma faixa com sons de Chicago e Ibiza e que respondeu na perfeição a uma das necessidades mais prementes nas pistas de dança em 2008: House. “Shaboo” é feliz, pouco complicado e quebra o gelo inicial na pista. Toda a gente devia ter um.

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