Quinta-feira, 24 Maio, 2018

GROUPER Grid Of Points CD / LP

€ 14,95 CD Kranky

€ 19,95 LP Kranky

O encontro entre o pragmatismo e a magia ressoa como coisa rara. Grouper tem feito carreira com a poupança, frases magras carregadas de desejo e vontade de condensação e clareza. Apesar da distância das edições (quatro anos), “Grid Of Points” é um sucessor de “Ruins”, o disco gravado em Aljezur, um irmão crescido que encontrou solução para os gestos circulares de Liz Harris. “Grid Of Points” é um acto contínuo, um álbum curto de 21 minutos onde as canções estão desarmadas. Se em “Ruins” e no anterior “The Man Who Died In His Boat” (o gesto mais corta-espinhas de Grouper), Harris cobria-se de espectros, fantasias, ideias por resolver que construíam a intimidade das canções, nestes 21 minutos torna o exercício de audição da sua música num processo de meditação, uma reflexão, uma pausa. Para ler, ler bem, é preciso ter tempo e a cabeça vazia de preocupações. Para ouvir estes 21 minutos, para eles serem mais do que essa medida temporal, essas sete canções, exige-se a total devoção à sua intimidade e uma cabeça disponível para ver as formas que Harris aponta com a sua voz; uma cabeça limpa para ultrapassar os fantasmas que assombram as primeiras audições de “Grid Of Points”. A exigência está no amor-próprio de cada um. A recompensa, essa, é infinita.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

GROUPER Ruins CD / LP

€ 16,50 € 14,50 CD Kranky

€ 19,50 € 18,50 LP Kranky

[audio:http://www.flur.pt/mp3/KRANK189-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK189-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK189-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK189-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK189-5.mp3]

Do metal ao ar, “Ruins” foi gravado em Portugal há uns anos, numa casa em Aljezur onde existia um piano. Não é um instrumento estranho na sonoridade de Liz Harris enquanto Grouper, mas nunca esteve em tamanha evidência como neste álbum. “Ruins” é talvez o seu álbum mais equilibrado, onde há um sentido de narrativa/estrutura, que era coisa que os outros não tinham (também porque não precisavam). E essa ideia pesa em “Ruins”, porque o encadeamento das suas canções embala-nos, desde a espécie de intro que é “Made Of Metal” (e que não soa a nada que exista no resto do álbum) até aos onze minutos finais de “Made Of Air”, quase em sequência com a angelical “Holding”. “Made Of Air” é uma peça ambiental que por causa desse tal encadeamento em forma de narrativa dá um carácter de continuidade a “Ruins”. São onze minutos que dão para esquecer tudo o resto. E que habilmente não conseguem meter um ponto final nesta pérola.

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Sexta-feira, 22 Fevereiro, 2013

GROUPER The Man Who Died In His Boat CD / LP

€ 16,50 € 14,50 CD Kranky

€ 19,50 € 19,50 LP Kranky

[audio:http://www.flur.pt/mp3/KRANK177-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK177-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK177-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK177-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK177-5.mp3]

É comum no início de cada ano ficarmos entusiasmados com discos bons que saem nos primeiros meses para depois ficarem algo esquecidos durante o resto do ano. É perfeitamente normal, e tal como nós aceitamos isso, muitos de vocês aceitam. Basta olhar para as listas de melhores do ano e perceber que a maior parte dos lançamentos enquadram-se numa janela de edição próxima à da cozedura da lista. Por isso, talvez pareça inverosímil dizer já que “The Man Who Died In His Boat” conste nessa lista, mas de momento é isso que sentimos. O “novo” álbum de Grouper é fenomenal e um dos discos mais belos que ouvimos nos últimos meses: até poderíamos dizer anos, mas não queremos que isto soe exagerado. As aspas colocam-se porque o material aqui presente faz parte da mesma era de “Dragging A Dead Deer Up A Hill”, o disco quem em 2008 colocou Liz Harris no mapa das artistas a acompanhar. Dizer que é da mesma época é simplesmente dizer isso, porque o que ouvimos aqui é radicalmente diferente. Liz conseguiu reunir aqui aquilo que a sua carreira parecia indiciar há muito: uma espécie de ambient/drone misturado com folk e uma sensação de nostalgia devedora de gente como William Basinski ou Leyland Kirby. “The Man Who Died In His Boat” é daqueles discos que, apetece dizer e, já agora, dizemos mesmo, é feito de matéria de sonhos. É como uma nuvem interminável pela qual se flutua pelos sons a que Grouper nos habituou, com a sua voz a desenhar um quadro que se sobrepõe de forma ainda mais bela à parte instrumental. De certa forma, é um disco de estática, pela forma como as suas ondas tomam conta de tudo o que está em nosso redor. “The Man Who Died In His Boat” transforma-nos, nem que seja só naqueles instantes em que o disco está a tocar. E fá-lo de forma gloriosa, como se o fim dos dias não fosse obrigado ao drama, mas a uma calma rara e contagiosa, longe da apatia. Prendas assim não nos são oferecidas todos os dias. Nem todos os anos.

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Sexta-feira, 20 Julho, 2012

GROUPER AIA: Dream Loss & Alien Observer 2CD

€ 24,50 € 21,50 2CD Kranky  ENCOMENDAR

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Há sensivelmente um ano, Liz Harris editou por conta própria dois LPs magníficos que esgotaram num instante, “Dream Loss” (composto por material antigo) e “Alien Observer” (composto principalmente por canções novas). O artwork muito semelhante fazia adivinhar que, apesar do confronto antigo/novo, os temas presentes nas duas edições partilhavam alguma cumplicidade. Talvez a principal diferença entre os dois é a de que “Alien Observer” é significativamente mais expansivo, uma espécie de outro lado do espelho para as canções mais intrusivas de “Dream Loss”. Mas isso, de certa forma, apenas reforça a ideia destes álbuns serem como gémeos, um fluxo narrativo do universo de Grouper que funciona como uma névoa de sonhos, com um som granulado que tem origem sobretudo na guitarra e faz lembrar a espaços os maravilhosos mundos dos Charalambides e dos Double Leopards. E, mais fascinante ainda, é como os dois álbuns se enfiam na discografia de Liz Harris, propriedade de um discurso contínuo que parece fazer parte de uma história que tem sido libertada ao longo dos anos em capítulos diferentes. E isso torna o seu universo num local muito singular e dá-nos uma confiança cega para a colocar bem distante de muito do que se faz no drone na actualidade. A par do homónimo de Motion Sickness Of Time Travel na Spectrum Spools, a edição em CD de “A I A” é um dos grandes discos do género de 2012.

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Terça-feira, 12 Junho, 2012

MIRRORRING Foreign Body CD / LP

€ 16,50 € 15,50 CD Kranky

€ 16,50 € 15,50 LP Kranky

[audio:http://www.flur.pt/mp3/KRANK162-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK162-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK162-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK162-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KRANK162-5.mp3]

Resultado de uma colaboração entre duas amigas, Liz Harris (Grouper) e Jesy Fortino (Tiny Vipers), Mirrorring é – porque Harris é a mais talentosa das duas – uma espécie de Grouper em terreno aberto, uma extensão das ideias dela num campo mais vasto. E no som de Grouper, principalmente nos seus trabalhos mais recentes, há uma componente folk disfarçada naquelas massas sonoras que trabalha. Só que simplesmente essa vertente não é transparente, clara, assumida, porque o folk não é a praia de Harris. Mas é a de Fortino e a junção das duas resulta numa exploração perfeita das ideias que ficam “por acabar” em Grouper, tornando o drone mais expansivo e uma espécie de exploração de um terreno por baixo de um céu cinzento. E mantém algumas das características fascinantes da música de Grouper: é som com imagens, uma massa disforme que consegue contar histórias bem certinhas. Apesar de tudo isto, “Foreign Body” não é um disco ingrato para Fortino, sem ela não ouviríamos um lado concreto de Grouper que até então só poderíamos imaginar. Excelente disco.


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Sexta-feira, 3 Julho, 2009

GROUPER Dragging A Dead Deer Up A Hill CD

€ 16,50 € 11,95 CD Type

A capa ajuda-nos um pouco a suspeitar das boas intenções de Grouper. Lembra-nos uma boneca maquievélica, pronta a estragar-nos o dia. E depois de colocarmos o disco em andamento, o ambiente atira-nos o medo à cara, como se estivessemos a ouvir algo que já só nos comunica do além – “Disengaged” parece erguer-se da campa, suja de terra e poeira, com o eco próprio do mundo dos fantasmas. A passagem para a segunda canção revela-nos o que é “Dragging A Dead Deer Up A Hill” (o título do álbum não ajuda, convenhamos): Liz Harris veste canções frágeis com roupa de inverno, pinta-as de tons sépia e agita-as o suficiente para nunca as conseguirmos ver com clareza. Este jogo de mostra e esconde, toca e foge, é uma constante durante as 12 canções como se de uma banda sonora se tratasse. Experimentem espreitar, sem medo, e depois verão que todo o álbum chama por vocês. Estilo? Canções ambientais folk assombradas.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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