Segunda-feira, 26 Março, 2018

JOANA GAMA / LUÍS FERNANDES At The Still Point Of The Turning World CD

€ 9,95 CD Room40

Piano, electrónica e orquestra. O novo trabalho de Joana Gama e Luís Fernandes (depois de “Quest” e “Harmonies”, este último com Ricardo Jacinto) cita um verso de um poema de T.S. Eliot no título e versa em volta de um sentimento de mudança amarga: “At The Still Point Of The Turning World”. Falar de harmonia neste novo trabalho é um recurso estranho, porque “At The Still Point Of The Turning World” vive num constante conflito e choque entre os sons. Contudo, é de harmonia que se trata (comum entre os dois, acontece nos dois trabalhos já citados), pode-se falar de harmonia de dissonância mas não é bem isso. É a harmonia que se encontra no choque, no centro das composições deste álbum (e poderíamos chamar-lhe só “composição”, porque os seis temas fluem como uma peça contínua). É música que cresce no conflito, no choque, no centro onde se tocam e lançam faíscas sonoras para o espaço e tempo. E essa harmonia acontece porque todos os elementos “At The Still Point Of The Turning World” estão a respirar e a tocar no espaço em volta (alias, estão com os sentidos todos activos), a sentir a estrutura e as dinâmicas dos ambientes que estão ocupar e por onde se movem. Poderia ser música ambiente – ou música ambiente versátil -, parágrafos inteiros de uma ideia de Mica Levi, mas com Joana Gama e Luís Fernandes as fronteiras são menos estanques. Também poderia ser só um estudo sobre a vocação do som e de timbres no tempo e espaço e na forma como transformam os ambientes enquanto criam a essência de um espaço imaginado, mas com Joana Gama e Luís Fernandes há a valentia de querer superar as dinâmicas dos ambientes que criam. Talvez por isso, “At The Still Point Of The Turning World” é um disco de gestos, danças imaginadas, de uma natureza que só existe no seu campo de acção. E apesar do constante sentimento de perda, de partida, é um abraço magnífico no seu constante ponto de choque. Há harmonia nesta infinita colisão.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Terça-feira, 12 Dezembro, 2017

JOANA GAMA Satie.150 CD

€ 9,95 CD Pianola


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Quinta-feira, 29 Dezembro, 2016

JOANA GAMA / LUIS FERNANDES / RICARDO JACINTO Harmonies CD

€ 9,95 CD Shhpuma

Os primeiros sinais tinham sido dados com “Quest”, o primeiro trabalho em conjunto de Joana Gama e Luís Fernandes – ficou, para nós, se bem se recordam destes textos, como um dos discos preferidos de 2014, que tanto nos arrebatou pelo resultado como pela surpresa de ouvirmos música deste calibre, feita dentro de portas. Não fomos os únicos a gostar de “Quest” – a imprensa atribuiu-lhe o valor que merecia e os nossos clientes aceitaram a nossa sugestão. Portanto, o regresso de Joana Gama e Luís Fernandes aos discos encheu-nos de curiosidade, mais ainda por ter como terceiro vértice Ricardo Jacinto, figura relevante para um sem-número de estéticas musicais que constroem a nossa cena actual. Jacinto também é artista plástico, o que para o disco pouco importará mas para quem tem visto os concertos de “Harmonies” percebe onde colocou o seu dedo. O disco, esse, é fabuloso e prolonga algumas das ideias electroacústicas que já conhecíamos de “Quest”, abrindo-as, como seria natural esperar, com a inclusão do violoncelo (e do seu subtil processamento) de Ricardo Jacinto. Profundamente inspirado em Erik Satie – na sua música mas sobretudo nas suas ideias, discursos e humor -, o trio não se aventura a fazer releituras mas sim a pensar em Satie 100 anos depois das suas obras – celebrando o 150.º aniversário do seu nascimento -, fazendo proposta de tangência milagrosa, onde novos cosmos são criados por entre neblinas de sintetizadores modulares, cordas electrificadas e um piano que enche o disco com muito amor a um compositor adorado. Possivelmente, dentro do mundo clássico, haverá uma prateleira cheia de homenagens a Satie, mas poucas – ou, arriscamos, nenhuma! – será tão rica, subversiva e original como esta. De certo modo, tal como Satie quereria de uma homenagem a si próprio. Um disco aberto que abrirá muitas cabeças. Excelente.

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Sexta-feira, 26 Setembro, 2014

LUST 843: JOANA GAMA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

26.9.2014
“TROVOADA”
por JOANA GAMA

Recuando uns anos…
Quando comecei a estudar piano tinha uma professora muito rigorosa (o clássico).
Contudo, a sua rispidez nas aulas
contrastava grandemente com a postura que adoptava no dia das audições,
altura em que era extremamente afectuosa.
No tempo em que fui a sua aluna mais nova,
e por isso a primeira a tocar,
antes do concerto dizia-me, como incentivo:
“deves abrir a audição com chave de ouro”.
Lembro-me bem destas palavras na sua voz
- cuja vivacidade ainda hoje mantém apesar dos seus quase 100 anos –
e lembrar-me delas é lembrar o brio
e o gosto pelo palco que a professora me incutiu.

Por volta da altura em que comecei a estudar piano
comecei também as aulas de ballet (o clássico).
Em ambos os casos: a relação com o corpo e com a música,
a repetição, a disciplina, o “a longo prazo”.
No ballet tinha exames e espectáculos o que, apesar do nervosismo, adorava.
Fora das aulas de piano, caso houvesse uma mesa,
dedilhava as peças que estava a tocar.
Fora das aulas de ballet repetia os exercícios sem sair do lugar. (A persistência. O gosto.)

“To make a long story short” houve uma altura,
durante o secundário, em que decidi focar-me no piano e deixei as aulas de ballet.
O repertório pianístico, cada vez mais difícil, exigia mais horas de estudo.
Deixei as aulas de ballet mas delas herdei uma “postura de bailarina” ao piano.
Percebo também que o movimento dos meus braços quando toco
tem muito a ver com a expressividade e leveza dos braços das bailarinas.
No ballet ouvia a música e o corpo exprimia o que sentia.
Com o piano eu produzo a música e expresso o que sinto quando toco.

Passaram vários anos até 2007,
altura em que encontrei, no suplemento das artes do Expresso,
uma fotografia lindíssima de alguém a tocar piano.
Na fotografia via-se as costas de uma mulher, cabelo apanhado,
saia às riscas pretas e brancas.
Tratava-se do espectáculo “Uma Lentidão Que Parece Uma Velocidade” da Tânia Carvalho.
Na peça, que adorei, a Tânia tocava piano e dançava, alternadamente.
Essa junção, essa feliz convivência dos dois mundos,
levou-me a conhecê-la e a começar a trabalhar com ela, até hoje.
Através da Tânia conheci e trabalhei com o Luís Guerra e isso leva-nos ao presente,
à actualidade a que este texto se deve referir.

No dia 4 de Outubro, sábado, em Vila Do Conde,
no âmbito do Circular Festival De Artes Performativas, estreia “Trovoada”,
uma peça que “articula o universo estético do coreógrafo e bailarino Luís Guerra
com duas composições musicais originais” – uma criada por Ulrich Estreich (1º acto)
e outra composta por João Godinho para ser interpretada ao vivo, por mim (2º acto).
Música – Corpo – Expressividade.
Uma trilogia com a qual convivo diariamente
mas que ganha outra dimensão quando partilho o palco com bailarinos.
Partilhar o palco com o Luís, artista virtuoso, será um prazer.

—–

joana gama, pianista de formação clássica, vai-se caminhando cada vez mais para fora dessas fronteiras – como foi o caso de “quest”, com luís fernandes (edição shhpuma deste ano). é doutoranda na universidade de évora e investiga sobre música contemporânea portuguesa para piano. está por estes dias a preparar “trovoada”, uma peça de luís guerra que conta com a sua colaboração em palco.



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Quinta-feira, 19 Junho, 2014

JOANA GAMA & LUÍS FERNANDES Quest CD

€ 13,95 € 9,95 CD Shhpuma

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SHH011CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SHH011CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SHH011CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SHH011CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SHH011CD-5.mp3]

A primeira reacção é acharmos que este confronto é moderno, progressista, de ruptura, mas “Quest” apenas reformula o que, por exemplo, já Cage e Tudor tentaram há muito: piano e electrónica. É nesta pesadíssima herança – que no caso deles fará mais sentido que a mera referência histórica – que assentam os princípios desta dupla, encarregue de mostrarem o que tão raro se mostra por cá: electrónica ágil e inteligente em manipulação de subtis composições contemporâneas de piano. Na verdade, o que nos conquista é mesmo este equilíbrio, quase perfeito, entre os dois músicos. Quase se sente que estiveram com igual respeito por esta aventura, avançando com passos seguros e bem dados, sem nunca entrarem por nada que não soubessem descrever-nos. Há momentos lindíssimos, quase oníricos, de suspensão sonora, que soam a clássicos; há alturas em que há um gosto pelo arrojo em explorar os limites dos seus instrumentos, mesmo que isso sacrifique a paz conquistada noutros temas; e ainda há música que transpira intuição, como se navegássemos sem visão. Eles confessam que foi tudo (surpreendentemente) fácil de compor e isso prova que “Quest” é menos a aventura do que sugerem e mais um passeio que também nos convoca. Um bonito e raro passeio por estas paisagens.

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