Lista #12: Ka§par

Terça-feira, 23 Março, 2010
Categoria: Lista
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Ka§par (Portugal)
Produtor / DJ

MARÇO 2010

KA§PAR – No Rest For The Neglectd (4lux Testpress)
SANTIAGO SALAZAR - Your Club Went Hollywood (Wallshaker)
LOCUSSOLUS – Little Boots (International Feel)
TAZZ - Acid Love (Underground Quality)
COSMIN TRG – Discotek (Tempa)
HEADHUNTER & DJUNYA – El Presidente (Surefire Sound)
CHISWICK REACH ALL STARS – Nutsin (Mukatsuku)
KZRC FEAT. KEMI – Feeding (Mahogani)
BARBARA NORRIS - It’s Heavy (Nelwin Records)
FLOATING POINTS – People’s Potential (Eeglo – Promo)

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RSD09 – Questionário #96

Quarta-feira, 13 Maio, 2009
Categoria: Destaque
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Este inquérito é uma forma de celebrarmos o Dia da Loja de Discos, assinalado a 18 de Abril e internacionalmente conhecido como Record Store Day. Cliquem no link acima para saber de que outras formas celebrámos o dia e quem nos ajudou. E aqui para verem fotografias de 18.04.2009.
11 perguntas quase só sobre discos. Muitas respostas. Muito obrigado a quem acedeu em partilhar os seus gostos connosco. Publicaremos tudo neste blog durante as próximas semanas. Amor e paz para todos.

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JOÃO PEDRO “KA§PAR” DA SILVA PIRES
Finalista de Psicologia (há 3 anos) / DJ, músico e produtor

Um disco que tenha sido muito importante (e já não seja) + razão.
O pedido parece-me paradoxal… Eu acho que todos os que foram importantes ainda o são, de alguma forma, porque não há nada que eu tenha gostado que não me apele neste momento ainda, de alguma forma. Mas tentando perceber o intuito, eu vou dizer “LTJ Bukem presents The Logical Progression” – porque inovador e inspirador que foi, e tendo marcado de forma tão profunda uma geração de amantes de música como eu, acabou por se revelar um momento isolado na história. Isto porque, como é de senso comum, o drum’n'bass deu para se distanciar de tal forma do tronco central (hardcore, soulful, introspectivo, funky) que perdeu para mim todo o apelo, no geral. E este disco é a epítome do melhor que havia e houve, dentro do drum’n'bass… que neste momento sabia mais a house de chicago do que propriamente a death metal (caso da actualidade).
Um disco que seja muito importante agora + razão.
Elmore Judd “Unborn Again” (Honest Jon’s); se eu nunca fui muito à bola com o folk, devo rever a minha posição sobre o estilo. Interpretar genuinamente e de forma soberba a música tradicional africana, sob estéticas urbanas actuais em formato de canção ocidental não parece um conceito simples ou de fácil execução. Contudo, é exactamente o que se passa neste EP. Reconheço, não é própriamamente música que ponha as meninas a dançar em cima do balcão, mas é sem dúvida algo que merece algum tipo de reconhecimento (mais do que, em oposição, José James, por exemplo).
Um disco irresistível mas que o resto do mundo acha que é mau.
U2 “Pop” (Island); comprei o álbum na altura e ainda o acho muito subvalorizado. Contudo – e na opinião generalizada – é o mais fraco da carreira da banda. Parece-me uma evolução natural, depois da febre justificada do “Zooropa”, está cheio de canções de brilhante produção (Flood, Howie B…) e foi um empreendimento extremamente ambicioso para a banda, na altura. Hoje acho que esteve desfazado no tempo (no melhor sentido possível), porque na actualidade seria recebido de forma muito diferente… tinha uma pancada em particular pelo tema MOFO, mas toda a obra apela e simboliza uma altura de descoberta e inovação muito intensas para mim.
Como parece que o pessoal que gostava da banda não foi capaz de saír (no geral) do “Achtung Baby”, acabou por ser um disco inconsequente e ultimamente esquecível. Não para mim, que o acho o ponto de viragem para a mediocridade que a banda tomou, depois deste pico de ousadia artística – tão corajoso como trágico. Ainda tenho, também, o pack de remixes de 3 12″ para o “Discothèque” (single principal do álbum), que esteve na mala daquele que foi, para mim, o primeiro DJ português realmente inspirador (António Pereira) durante alguns meses, dancei frequentemente na sala dos meus pais as mais diversas versões e dubs que ele passava no “Dancefloor” da Ant3na.
Uma capa de disco favorita?
Tenho várias… mas as que me fizeram passar mais tempo a observar foram as de Space. “Deliverance”, mas principalmente “Just Blue”, neste último passei horas a olhar para o quadro de um veículo aquático semelhante a uma nave espacial, a rasgar pelas ondas, com uma tripulação tranquila dentro de si. Como se simbolizasse a viagem futurista, estável e estimulante que a audição do disco provoca. É uma capa que faz parte do meu imaginário mais íntimo, com uma imagética altamente tecnológica, estou certo que é algo que me tornou extremamente sensível à música mais moderna de Detroit.
Mais CD ou mais vinil? Porquê?
Vinil, claro! Acho que CD é formato que se tem para ouvir música no carro, quando se cozinha ou para gravar coisas… mas não é nada elegante como formato por excelência para ouvir música! Quando se quer por um disco a tocar, tem de ser um DISCO, senão é mais um gesto vão de pôr música de pano de fundo. É verdade que trouxe frequentemente alguns CDs comigo quando toco, para poupar espaço, mas muito poucos em comparação com os discos que trago na mala. E muito menos comparados com a minha briosa “Wall of Pride”.
Recentemente adquiri um suporte digital para poder usar os pratos sem ter de estragar os meus preciosos discos. Foi essa a principal razão. Já tive muitas ameaças de ataque cardíaco, quando agulhas rasgaram as sensíveis ranhuras de plástico, e assim decidi poupar alguns a saírem de casa para sofrerem os castigos da minha mala. Também posso testar a minha própria música mais facilmente, e a música dos meus amigos sem ter de gravar o malfadado CD. Aliás, o CD democratizou excessivamente a música, tornando-a demasiado fácil de obter – logo comprometendo a capacidade do ouvinte de a apreciar convenientemente. Foi, para mim, obra do Demo, e estabelece um primeiro momento em que a humanidade se tornou demasiado preocupada com o espaço que os discos ocupavam na prateleira, e pouco preocupada em encontrar a música que gostava.
Qual o primeiro disco que se lembra de comprar e onde foi?
Foram vários, quando os mandei vir pela primeira vez, duma loja nos Estados Unidos (as lojas de discos em Portugal não eram muito simpáticas para miúdos que pretendiam descobrir coisas… era tudo muito “queres, compra”, havia pouca vontade de explicar a música ou apresentá-la a quem não a dominasse à partida). Isto foi feito por email, não haviam catálogos online, e o meu amigo John Papadopoulos da loja Panic Records era responsável por me enviar discos consoante eu lhe pedia, ou me mostrava mais interessado por uma coisa ou outra. Então, lembro-me distintamente de ficar muito contente com o maxi “Strobe Light Honey” dos Black Sheep, tanto pela original, como pelas remixes. Era hip house à séria.
Qual o último disco que comprou?
Maxwell House “No Such Thing” (Phono, 1997), estava perdido na Supafly. Sou grande fã do Herbert, principalmente do seu trabalho inicial na Phono, uma label pouco obscura no seu tempo, mas que teve alguns discos muito interessantes, entre 95 e 98.
Qual o disco que irá comprar de certeza, em 2009?
Martyn “Great Lenghts”… simplesmente porque ainda não consegui. E não me deparo facilmente com discos dele ou de outros que tal (2562, Peverelist, etc), senão comprava mais dubstep de certeza. Isto porque a cena “bassline” parece-me mais hype que propriamente substância, e para comprar vinil, tem de ser música que valha a pena.
Qual é o artista mais representado na colecção?
De quem mais discos tenho… é certamente o Theo Parrish, mas a razão principal é apenas porque ele é tão prolífico e não porque é melhor ou pior que outros de quem tenho menos discos.
De que artista tenta comprar todos os discos, bons e maus?
Para dizer a verdade, nenhum. Eu não tenho a discografia completa de nenhum artista, penso eu, nem tenho qualquer tipo de pretensão a tal. Procuro discos que gosto, e com os quais seja capaz de animar as pessoas que me ouvem, mas não tenho qualquer problema em negar-me um disco que não acho bom, só porque foi feito por fulano-de-tal. Há até certos discos que sendo feitos por algumas pessoas, ganham estatuto de especiais e valorizam imenso… mas no fundo, muitos são insípidos e sobre-avaliados na qualidade da música neles impressa.
Que projectos tem em mãos actualmente?
Na área de DJ’ing, recuperei o projecto que tinha vindo a fazer com o António Alves (o já conhecido site Mamilo.org), que regressou em grande, e aparte do meu trabalho no Frágil, ou pontualmente no Lux, e noutros clubes (principalmente em Lisboa, porque o Porto está comparável a Moscovo na época de Estaline…) trabalho com o Trol2000, o Vítor Silveira e o Bruno Safara nas noites The Scene, nas quais procuramos explorar a crueza da música de dança clássica, projecto que envolve muita promoção e empenho.
Editorialmente, tenho um disco para saír na 4Lux (Clone) muito em breve [já editado entretanto] – eminentemente, para dizer a verdade, tenho o álbum terminado (que será lançado por meados de Setembro na Groovement), tenho um maxi com o António Alves (Ka§par VS Jackzen) para saír com remixes do Tiago Miranda e do Mweslee pela Groovement assim que possível. Estou hoje a trabalhar numa remix para Cacique 97 que está quase pronta. Tenho, a seguir, de terminar um segundo disco para a 4lux que também está só a precisar de uma melhor mistura… e depois…
Depois espero ter tempo para compor música nova, e procurar novos caminhos para me exprimir, tendo sempre como objectivo final a possibilidade de editar em vinil… sinto vontade de entrar a sério em territórios mais dançáveis, principalmente, porque acho que a maior parte dos discos de house e techno que estão a saír são chatos e copiados uns dos outros. Infelizmente a tendência das labels não é de lançar artistas ou de criar novas sonoridades, mas sim de tentar caír na maior redundância musical possível para garantir vendas, e esse bicho come a própria cauda… a partir de certa altura, o mercado satura e não há mais pão para ninguém. De modo que cheguei a um ponto, tendo terminado o álbum, que estou mais seguro da minha capacidade para fazer música que seja simples e eficaz, mas também que tenha substância e seja original. Mas a ver vamos, o que acontece em 2010…

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