ROLL THE DICE
In Dust
CD Leaf – 15.50 eur11.95 eur
2LP Leaf – Ed. Limitada – 15.50 eur12.95 eur
Dan “Caribou” Snaith disse-o bem dito: “combina a solenidade de algo muito antigo com o entusiasmo de algo muito novo”. A BBC completou com: “no seu melhor, ‘In Dust’ não soa a antigo nem vanguardista; mas sim, intemporal”. Parte do charme intenso que Roll The Dice imprimem é esse jogo entre opostos, entre algo que aparentemente colide com o seu extremo. Mas quer “In Dust”, quer a estreia homónima no ano passado, brilham por também aglutinarem um mundo completo de… coisas. Há mais que a música lá dentro – vejam, por favor, o trailer para este álbum aqui, onde um universo – e aqui a referência convém que seja mesmo retirada da astronomia – de sons, imagens, histórias e referências constroem provavelmente um dos mais intrigantes projectos electrónicos da actualidade. Mas nem precisávamos de nada disso para colocarmos no auge a música deste duo de suecos, agora com casa maior na Leaf. As composições de Roll The Dice são elípticas, hipnotizantes, espaciais, exalando forte pendor cinematográfico – Malcolm Pardon é o culpado: faz bandas sonoras -, propondo-nos viagens longas e inebriantes. Com um sentido de escrita progressiva que se pode situar, com muita margem de erro, entre Cluster e The Necks, passando por Oneohtrix Point Never e Factory Floor, “In Dust” resulta numa experiência épica avassaladora como há muito não sentíamos na pele. E é o próprio Pardon que confessa: “Quisemos ter uma sensação de arrebatamento, em vez de criar algo demasiado íntimo”. Uma das obras-primas de 2011.
In Dust
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Ainda disponível: ROLL THE DICE “Roll The Dice”, CD Digitalis – 14.95 eur
Roll The Dice
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Dois álbum na sacola, fantásticos, revelando uma nova linguagem sonora que junta um rio imenso de influências mas que usa a simplicidade e a subtracção como metodologias de trabalho. Agora, parece tudo primitivo – essa era uma das intenções da sua música -, quando ouvimos este duplo álbum – fruto de dois EPs editados individualmente – que coloca o duo num patamar muito sério. O que antes era divido entre a voz de Mariam e a percussão de Andreas, é agora partilhado por um coro celestial (cortesia dos arranjos de Hildur Gudnadóttir) e uma produção certeira (cortesia de Ben Frost), fruto de uma estadia proveitosa na Islândia. Miriam diz mesmo que “esse estranho, vazio e húmido país foi perfeito para a nossa música, tal como esperávamos que acontecesse. As emoções são mais negras e subtis, e nós queriamos que essas emoções ficassem nas nossas canções”. De um lado “Retina”, com um coro de 12 elementos a projectar tudo em direcção ao céu; do outro, “Iris”, a trazer tudo para o domínio terreno. Juntos formam o álbum da maturidade dos Wildbirds & Peacedrums e mostram-nos um dos mais irrequietos projectos de nova música que podemos hoje acompanhar.
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VLADISLAV DELAY
Tummaa
CD Leaf – 15.95 eur11.95 eur
Novo álbum de Vladislav Delay? Não é possível ficarmos indiferentes. Tem sido assim há anos e anos, e o músico finlandês não dá mostras de fazer pausas criativas e editoriais. Ainda estamos um pouco abalados pela sua aventura com Moritz von Oswald em “Vertical Ascent” e já temos o seu novo álbum disponível – agora para a editora inglesa Leaf, que assim o adiciona ao seu impressionante rol de músicos. A solo, e sob o pseudónimo de Vladislav Delay, o caminho tem sido mais ambiental, e a escola da vida ensinou-nos que é mais fácil ouvirmos música ambiental que electrónica com demasiados sons e com estruturas complexas. Delay faz as duas coisas: não abandona o ambientalismo (demasiado único e pessoal para ser largado) mas introduz enormes figuras que se destacam de tudo o resto. Imaginem a música que conhecem mas ampliada até a ouvirmos numa escala pouco comum. Ou imaginem que da nebulosa ambiental emergem padrões rítmicos e estruturas melódias que projectam tudo para uma dimensão adicional. A música electrónica (e aqui nem é exclusivamente electrónica) de Vladislav Delay tem sido sempre volumétrica e sensorial, e em “Tummaa” parece crescer fora do seu terreno e dar-nos ainda mais motivos para entrarmos neste novo labirinto. A primeira sensação ao ouvir o disco é de que algo, de facto, soa diferente. A gama de sons expandiu-se e a improvisação soa claramente mais “ao vivo”, garantindo ainda mais emoção nas complexas narrativas de Delay.
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Originalmente editado no Japão em 2007, “Miami Ice” chega agora à Leaf. A razão é simples e não vale a pena complicar: gostaram tanto que acharam digno que chegasse a uma audiência maior, mesmo que passem alguns anos da data original. O colectivo Elephant 6 deixou saudades e como não podemos estar sempre a ouvir os mesmos discos (embora nunca se esgotem), há que recorrer àquilo que não teria existido sem a influência que a editora teve nos anos noventa. Os Icy Demons têm uma dupla ligação ao selo. O seu primeiro álbum (”Fight Back!”) foi editado na Cloud Recordings, espécie de filha da Elephant 6, que tem no catálogo discos incríveis, como o homónimo dos Circulatory System (ex-membros dos Olivia Tremor Control) ou o primeiro de A Hawk And A Hacksaw (que depois foi reeditado na Leaf). A segunda ligação prende-se aos Need New Body, conjunto de freaks que entusiasmaram o início desta década, herdeiros directos – mas não por linhagem – da Elephant 6: Christopher Powell, uma das cabeças de Icy Demons, era dos NNB. E ao terceiro disco os Icy Demons ainda mantêm essa ligação fresca. Pop sem respeito, com narcóticos que nos levam às jogos de computador dos anos oitenta e uma ligação estreita (em certos temas, nem sempre) aos Talking Heads. “Miami Ice” é um álbum sempre fresco, hoje é fácil de colocar o rótulo no pacote Animal Collective, mas a coisa vem bem detrás. Fazem aos Olivia Tremor Control o que estes faziam aos Beatles e aos Beach Boys; é sol para quem quiser ver sol, magia para quem esquecer os sucedâneos deste som. Os Icy Demons e este disco são daquele passado sempre presente, muito antes disso ser novidade.
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A HAWK AND A HACKSAW
Délivrance – Edição Deluxe Limitada
CD Leaf – 15.95 eur11.95 eur
O livro da colecção 33 1/3 dedicado a “In The Aeroplane Over The Sea”, dos Neutral Milk Hotel, contém vários relatos entusiasmados em volta de Jeremy Barnes. Ficou retida a ideia de um miúdo de 16 anos (ou à volta disso) completamente histérico por estar a fazer parte daquele momento e com muito para dar. Percebe-se que tinha de ser especial para fazer parte do círculo de Jeff Mangum e, anos mais tarde, quando deu início ao seu projecto a solo A Hawk And A Hacksaw, chegaram as certezas de que não foi um simples tarefeiro, mas um talento enorme que não iria ficar para a história como o baterista daquele disco. De tal forma que hoje não é crime não saber quem foi Jeremy Barnes nos anos 90, mas quem é agora: A Hawk And A Hacksaw. Ou era, porque de projecto a solo, passou a ser um projecto conjunto com a violinista Heather Trost, e de há dois anos para cá o Hun Hangár Ensemble, de Budapeste, juntou-se à festa. Era esta a formação em “A Hawk And A Hacksaw And The Hun Hangár Ensemble” e é a mesma neste “Délivrance”, resultado de dois anos de trabalho entre os músicos, de imensos concertos com muitas histórias para contar, e de uma apropriação total de A Hawk And A Hacksaw na música folk da Europa do Leste. Desde o seu primeiro disco que mantém uma ligação forte com a música tradicional europeia. Ao longo dos anos dirigiu-se para o leste europeu, mas esse caminho nunca foi tão afirmativo como neste “Délivrance”. Directo às raízes, Jeremy e Heather viveram durante uns tempos em Budapeste depois do terceiro álbum, “The Way The Wind Blows”. Conheceram músicos locais, começaram a tocar com eles, e desenvolveram o som para um desenraizamento do som de A Hawk And A Hacksaw e assumiram a forma total de música tradicional. As formas de composição mudaram totalmente, é hoje algo mais terra-a-terra, assumiram um lado mais genérico ultra-festivo, que completa na perfeição o humor que Jeremy Barnes criou ao longo da sua carreira, talvez a única coisa que herdou do universo Elephant 6. Mas nestas coisas do genérico, há quem faça mal e há quem faça bem. E Barnes não é, nunca foi, um imitador, e é aqui que se distingue de tudo o resto que é feito dentro do género, aquilo que separa os que se aproveitam do facilitismo e aqueles que têm um genuíno interesse e prazer em conhecer. Sempre foi assim, quem não acredita só precisa de regressar ao álbum homónimo de 2002. Está lá tudo, quando Barnes nem sequer imaginava que iria ser assim.
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Chicago, terra dos Sea & Cake e da Thrill Jockey, tem há uns anos outra referência no universo pop contemporâneo: Volcano!. Se nunca ouviram falar neles, pode ser este o momento. “Paperwork” mistura Radiohead, Sea & Cake e os Dirty Projectors (que têm álbum incrível a sair no próximo mês). Nestas canções encontra-se muito do tom sobe e desce (na voz, na inconstância das guitarras) que se ouve em “Rise Above” dos Projectors. Mas aí funciona como uma espécie de hipnose e em “Paperwork” assume um papel mais descontraído, uma atitude de “é assim porque é assim”. Ou seja, não há grande teorização a fazer em volta do seu som, é a procura do doce, do simples, com uma ramificação quase clássica – e séria para o som que sai das colunas – que os Sea & Cake tão bem instituíram no nosso inconsciente ao longo da última década e meia. Esperámos muito pela continuação de “Beautiful Seizure”, mas valeu. Os Volcano! aqui são mais radiosos, actuais e fulminantes.
MURCOF
The Versailles Sessions
CD Leaf – 15.95 eur – PREÇO ESPECIAL DE CAMPANHA – 9.50 eur
Não é isto, afinal, que desejamos ardentemente de todos os grupos e músicos de quem gostamos? Sermos surpreendidos e desafiados a cada novo disco? Fernando Corona arrisca mais um recorde olímpico com um álbum que aproveita de uma maneira fantástica as portas abertas em “Cosmos” para se lançar bem fundo no desconhecido. E se é verdade que os pontos que unem os discos de Murcof parecem cada vez mais distantes, é também verdade que é impossível não percebermos o percurso e o que tem estimulado a criatividade deste mexicano. A citação da música erudita que ilustrava os primeiros discos é agora matéria bem séria de composição, enquanto que a electrónica é cada vez mais um processo e não a concretização das ideias; por isto tudo, “The Versailles Sessions” parece assumir-se como (mais) um ponto final. Não o será, até porque esta obra fornecerá dados importantes para o álbum de 2009, já prometido. Neste portentoso preâmbulo, servem-se seis novas peças compostas em exclusivo para “Les Grandes Eaux Nocturnes”, o festival anual de música que decorre no palácio de Versalhes. Nelas, Fernando Corona utilizou apenas como fonte sonora gravações barrocas, do século XVII, e a colaboração de uma mezzo soprano. Tudo o resto é uma delirante imersão sensorial em espaços, ecos, vazios, reverberações, encontros e desencontros, tudo embalado numa das melhores provas do que o design sonoro pode fazer às nossas vidas. A sua mestria justifica, sem dúvida, o entusiasmo, e justifica a agenda de Corona nos últimos tempos – instalações no Geode de Paris, música ao vivo para “Metropolis” de Fritz Lang, concertos com Francesco Tristano, participação no próximo álbum de Truffaz na Blue Note, design sonoro para o planetário de Greenwich e três bandas-sonoras concluídas. Fama e proveito: parabéns!
Procurem os discos comentados neste blog em www.flur.pt ou através do email loja(a)flur.pt. O stock dos discos refere-se apenas à data dos respectivos posts.
FLUR Discos
Av Inf D Henrique, Armazém B4
Santa Apolónia, Lisboa
metro: Santa Apolónia
bus: 12-28-35-706-745-759-781-794