Terça-feira, 8 Maio, 2018

CARLOS MARIA TRINDADE / NUNO CANAVARRO Mr. Wollogallu LP

€ 24,95 LP (2018 reissue) Urpa I Musell

OUVIR ÁLBUM COMPLETO / LISTEN TO FULL ALBUM
Mr. Wollogallu

Em 2011 celebrou-se o magnífico “Far Side Virtual” de James Ferraro. Justificadamente. Abriu portas neste século para uma redescoberta e reconstrução da metodologia em volta da música electrónica/ambiente. Sem Ferraro e o seu “Far Side Virtual” teríamos mais dificuldade em entender certos discos que nos aparecem pela frente, desde a música de Caretaker, passando por Kaitlyn Aurelia Smith ou a liberdade sentida em “Mono No Aware”. Na altura Ferraro fazia com os menus da loja online da Nintendo Wii o que o que Brian Eno (responsável pelo genérico de arranque do Windows 95) trouxe à música décadas antes com “Music For Airports” e recontextualizou o som digital ao presente. A virtualidade da música de Ferraro tocou no presente com uma ideia de futuro que já se estava a viver. A importância de “Far Side Virtual” é actualmente mais sentida do que em 2011 e isso acontece, curiosamente, não com discos do presente, mas através de reedições de discos das décadas de 1980 e 1990. Seja o quarto mundo de Jon Hassell, a obra de Hiroshi Yoshimura que descobrimos recentemente, as recentes reedições de música japonesa ligada à anime e videojogos, o catálogo mais baleárico/ambiente da Music From Memory e agora este “Mr. Wollogallu” de Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro, finalmente reeditado em vinil pela catalã Urpa I Musell (a primeira edição, que iremos receber, já esgotou na fonte). Talvez o álbum mais Penguin Cafe Orchestra editado em território nacional, “Mr. Wollogallu” é uma belíssima peça do puzzle que encaixa na onda de nostalgia por uma música que explorava ambientes entre o digital e o analógico, em que a imagem que se instala é de um futuro irreal, virtual, desapegado da materialidade das coisas e fascinado consigo. É um disco-viagem (“Guiar”, “Em Bou-saada” ou “Blu Terra” asseguram isso) que nos diz mais a nós do que à história da música universal: a ideia de relíquia/preciosidade é um pouco exagerada, mas o exagero não deve prejudicar as imensas qualidades de “Mr. Wollogallu”. Situa a sua música nos anos 1990 (foi originalmente editado em 1991) e está preso nesse momento com uma boa estrutura: voltar a esta música, em 2018, enriquece qualquer contexto e sente-se uma maior exaltação nas composições de Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro. Por vezes é bom reviver certos discos livres do seu contexto original. É música virtual, conhecedora dos quatro cantos do mundo e do quarto mundo, e viva em 2018.

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Quinta-feira, 22 Março, 2018

ZOMBY Mercury’s Rainbow 2LP

€ 24,95 2LP Modern Love

OUVIR / LISTEN:
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Numa altura em que se começa a descobrir a influência de uma certa cultura (a dos videojogos e da anime) na mente de alguns produtores europeus, seja pela recente edição da compilação “Diggin In The Carts” da Hyperdub ou pela reedição de “Ghost In The Shell” pela We Release Whatever The Fuck We Want há alguns meses, esta compilação de trabalhos efectuados por Zomby entre 2008-2009 tem um oportunismo incrível. Incrível porque se consegue vislumbrar o trabalho de Zomby reduzido a um esqueleto, transformando uma paleta de sons reconhecíveis do universo dos videojogos em música de dança frenética e urgente. Se há dez anos este trabalho era visionário e, talvez, menos compreensível, agora serve a sua função de oferecer uma leitura mais clara do restante trabalho de Zomby (fica mais claro de onde vêm certos sons, ritmos, construções) e de mostrar de como a influência japonesa tem estado presente na mente de diversos produtores de dubstep, grime e da electrónica em geral (fora do campo da dança/pop) da última década. Há todo um processo diferente em “Mercury’s Rainbow”, um encadeamento de ideias livres e que ainda hoje, quase dez anos depois, parece música do futuro. Zomby criou visões sónicas de como certa música da sua infância poder-se-ia instalar no futuro, trabalhando a mecânica de certos sons (simples, directos, que provocam uma reacção imediata) com uma alta definição e melodias que estavam ausentes nos sons originais: ou, melhor, na paleta de sons, melodias, encadeamentos, que o influenciaram. A urgência do melhor Zomby está compactada em pequenos momentos, em relações que cria com sons de videojogos e que procuram o instinto do ouvinte. No fundo, este torna-se num peão no universe de Zomby, uma bola a ser empurrada por flippers e com direcção incerta. Provavelmente na altura em que Zomby produziu estes temas o mundo não estivesse pronto para absorver o vanguardismo destas produções. Agora ainda é música de vanguarda, mas há todo um contexto em volta e um conhecimento do corpo completo das produções de Zomby: e, por isso, a descoberta destes temas são oportunos e oferecem direcções para o rumo que a electrónica está a tomar. Estes sons instalaram-se na cabeça dos produtores que hoje têm 20/30 anos e obviamente estão instalados na sua música, cada vez mais presentes e notórios à medida que o mundo absorve a importância desta influência. Obrigatório viver isto agora para encarar o futuro mais próximo da electrónica/dança.

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Segunda-feira, 5 Fevereiro, 2018

DATACIDE Ondas CD

€ 16,50 CD (RI 040) Rather Interesting

Exemplares originais SELADOS da edição alemã de 1996 / Original 1996 German release. SEALED. Sound clips and sleeve not from actual copy.

OUVIR / LISTEN
Holy Microwave
Good Vibe
Onsurf (Hello Mr. Wilson!)
Eternal Frequency


Em 96, Uwe Schmidt e Tetsu Inoue já traziam no currículo três Datacide (“I”, “II” e “Flowerhead”), mas “Ondas” representa uma outra avenida, em consonância com a presença forte, na época, da exotica, lounge e easy listening na pop e na música de dança. Burt Bacharach, Les Baxter, Martin Denny e, até, a exotica pop de Brian Wilson (há aqui uma faixa chamada “Onsurf (Hello Mr. Wilson!)”. “Ondas” reinventa de facto a postura em relação ao revivalismo “easy”, não só através de uma certa distância digital que dá à música uma qualidade de miragem mas também reforça a nostalgia, que deixa de ser palpável como outros eram na época (crooners a imitar crooners ou secções de cordas a imitar clássicos) para se assumir mais abstracta e, com isso, universal. Além disso, as faixas, relativamente longas, são quebradas por diversos ambientes no mesmo espaço, mudando abruptamente de tom (“Holy Microwave” é um excelente exemplo). Álbum magnífico para escutar com rigorosa atenção, para aceder devidamente a um “mundo de prazer”.

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Quinta-feira, 25 Janeiro, 2018

JULIAN COPE Rite At Ya: Monotonous Meditations From The Back Of Beyond (1993 – 2016) CD

€ 11,95 CD Head Heritage

Rite At Ya
Boskawen-Un
Ringed Hills Of Ver

Quatro faixas sacadas aos arquivos (sem dúvida imensos) de Julian Cope, um dos fritos favoritos de várias gerações de interessados por música cósmica, psicadélica, ácida ou simplesmente fora. De 1993 a 2016, em mantra de percussão (“Boskawen-Un”) preenchido com delay e uma progressão não tanto kraut como tribalista. Sem baixo, só bateria. “The Ringed Hills Of Ver” está certeiro nos corações de quem sente paixão pelos clássicos planantes de Spacemen 3 e Sonic Boom, e Cope acrescenta mais níveis, uma espécie de grande espaço norte-americano que amplifica as sensações e confere um tipo de tridimensionalidade mais na nossa cara. “Rite At Ya” atinge quase os 20 minutos de lânguida exploração dub, forte nos contrastes com os pratos da bateria, bastante activos e presentes na mistura final, directos para fazer borbulhar na cabeça aqueles efeitos pretendidos. Belo épico!

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Quarta-feira, 24 Janeiro, 2018

COSEY FANNI TUTTI Time To Tell LP

€ 21,50 LP + 16 page booklet (2017 reissue) Conspiracy International

OUVIR / LISTEN:
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[Deluxe Edition, Clear Vinyl]

Cosey praticamente criou um estilo de investigação e divulgação do sexo e erotismo através do seu trabalho físico, concreto, enquanto mulher de aluguer e modelo fotográfico, e também artístico / conceptual. Aliás, o seu trabalho pago servia para reunir material depois utilizado em exposições. Os 20 minutos da faixa “Time To Tell”, com a voz de Cosey, parecem ser a descrição da sua actividade, incluindo procedimentos, reflexões e resultados, um monólogo explicativo que poderá funcionar como a derradeira palavra sobre a carreira de Cosey Fanni Tutti nos seus primeiros anos de artista assumida. “Ritual Awakening” parece antecipar partes de “Allotropy”, a peça superior a 40 minutos que Chris & Cosey gravaram em 1985 para acompanhar um trabalho video de Jan Smith-Merritt e Stephen Hill. Aqui são 11 minutos de ambiente íntimo, de novo com a voz de Cosey no centro. “The Secret Touch” reflecte o género de som ritual praticado por alguns nomes ligados ao circuito de música industrial, facilmente desmentido (o nome “industrial”) quando se escutam mais semelhanças com Jon Hassell (e até com música contemporânea mais próxima dos nossos tempos) do que Throbbing Gristle. Bonita revisitação de uma obra muito pessoal, com o mesmo alinhamento de três faixas da reedição em CD de 1993.

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