Quarta-feira, 20 Março, 2019

JUNG AN TAGEN Agent Im Objekt LP

€ 17,50 LP Editions Mego

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Apesar de uma carreira curta, Jung An Tagen tem andado nas bocas do mundo da electrónica, pela exploração absolutamente simbiótica entre a música electrónica e a da dança. Os padrões dos seus sons parecem uma coordenação exemplar de sons produzidos por máquinas do século XXI. Se no seu anterior álbum na Mego, “Das Fest Der Reichen” (2016), já apontava as intenções de explorar o universo de Ryoji Ikeda numa linguagem actual (e isso também se sente nos seus outros álbuns), em “Agent Im Objekt” leva essa intenção mais além e processa sons que mais parecem uma exploração de dados lançados de um computador de uma forma absolutamente explosiva e cerebral. No fundo, é neste disco que conquista o seu domínio, abandona todas as referências. É música estimulante, que cria imagens à medida que se ouve, e que facilmente lança coordenadas sobre como transformar este género de electrónica em dança para o futuro. Mas coloca-lo só aí é injusto, “Agent Im Objekt” é um disco que transcende os headphones e a pista de dança, a sua versatilidade na construção de ritmos enquanto cria e controla o caos é simbólica no desejo de Jung An Tagen se afirmar como um dos músicos mais criativos da cena electrónica desta década. E não só é um dos novos, como o seu currículo já lhe começa a dar calo suficiente para ser levado muito a sério. “Agent Im Objekt” é um universo de cores, de imagens que não se vêem mas que se sentem, que se constroem a partir dos ouvidos, como nunca ouvimos ou vimos. É absurda a forma orgânica como constrói os seus sons, como teoriza o caos à medida que os sons surgem e como constrói uma narrativa absolutamente clara ao longo do disco. Raramente somos tão estimulados por um disco. “Agent Im Objekt” vai marcar 2018. E o futuro. Visionário, da melhor ficção científica sonora do presente e lindíssimo. Magnífico, sim.

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Quinta-feira, 27 Dezembro, 2018

WINO D Wino D 12″

€ 10,50 12″ Wah Wah Wino

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Na tradição desformatada da Wah Wah Wino, este maxi D faz bem o trabalho de manter mistreiosa a aura da editora e mostrar música de vários universos: a espécie de kraut marimbado da segunda faixa alivia a pressão da batida densa meio Nocturnal Emissions da primeira faixa; harmonias desafinadas sobre caixa-de-ritmos como se fosse David Van Tieghem, na faixa 3 -> na verdade, a restante música do EP puxa muito a memória de Van Tieghem, um percussionista que trabalhou frequentemente com dança e performance. Música essencialmente rítmica, ao lado da banca principal, com as surpresas a chegarem enquanto dançamos sem saber bem como.

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Terça-feira, 19 Junho, 2018

SNAKEFINGER Chewing Hides The Sound CD

€ 15,95 CD (2017 reissue) Klanggalerie

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Chewing Hides The Sound

Praticamente um álbum de Residents, cuja autoria conjunta surge na maioria das canções do álbum. No entanto, a abertura pertence a “The Model” dos Kraftwerk, passada por harmonias-Residents e a voz de Snakefinger, tão desapaixonada como Ralf & Florian e com incrível entoação pós-punk como Tuxedomoon. Aparentemente terá sido a primeira versão editada de “The Model”. O estilo pomposo dos Residents é indisfarçável em “Kill The Great Raven”, mas o non sense, as pontuações rock de guitarra, as cores electrónicas como BBC Radiophonic Workshop ao serviço de um deus da guitarra, tudo é demasiado único para não ser levado a sério. Dito isto, o humor sarcástico é uma das características mais óbvias nesta música (como na dos Residents), e isso criou um género pelo menos desde Zappa. E, claro, dos próprios Residents, bem lá atrás no tempo. Iconoclasta, esforçado na sua diferença, a alargar claramente as vistas do rock, “Chewing Hides the Sound” entra pela casa como aquele convidado inconveniente que, depois de sair, deixa saudades porque simplesmente mudou toda a dinâmica que conhecíamos.

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Quinta-feira, 26 Abril, 2018

JOE HENDERSON / ALICE COLTRANE The Elements CD Concord

€ 7,50 CD (2017 reissue) Universal

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Em “The Elements” Joe Henderson começa um período muito criativo e exploratório na sua carreira. Editado originalmente em 1973 na Milestone, este disco tem uma formação de luxo: Alice Coltrane, Charlie Haden, Kenneth Nash e Michael White. Quatro temas, um para cada elemento, “The Elements” começa com o mais convencional dos temas, “Fire”, e abre-se a pura magia daí para a frente. O baixo é suave e faz a cama perfeita para o som de saxofone subtilmente alterado (por vezes com overdubs), a harpa de Alice Coltrane cria uma prancha contínua para todos os outros sons saltarem e mergulharem suavemente na água. Um portento finalmente reeditado em vinil.

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Quinta-feira, 22 Março, 2018

PRIMITIVE WORLD White On White LP

€ 18,95 LP Ecstatic

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Máquinas a bater no espaço, ritmos inconformados e movimentações de espaço 2D para 3D com uma precisão magnífica. “White On White” é um álbum de movimentos precisos, onde os sintetizadores criam padrões rítmicos e incomuns e estranhamente viciantes. Este álbum de Primitive World parece uma estrutura de ferro que está constantemente a ser moldada aos nossos ouvidos, um trabalho sempre em progresso, ou movimento, mas preciso e vigoroso. No fundo, há algo aqui de Futurismo, os sons indicam um fascínio pela máquina, pela velocidade, pela industrialização: a rapidez das coisas. E lança eficazmente a questão: será que a música acompanha essa rapidez das coisas? A resposta não é dada e o lado orgânico dos beats – quase como se a máquina se tornasse humana – tornam a pergunta mais misteriosa e, claro, fascinante. Porque “White On White” fala de música de arquivo, dos sons de library e da música contemporânea com uma propriedade que não sentíamos desde os “Black Mill Tapes” de Pye Corner Audio. E também sentimos o caos organizado dos Hype Williams (talvez mais via Inga Copeland) e o techno rebarbado dos Black Dice. “White On White” não é um disco. É uma máquina de precisão. Um exercício de poder. Obrigatório.

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Quinta-feira, 22 Março, 2018

CV & JAB Zin Taylor’s Thoughts Of A Dot As It Travels A Surface LP

€ 21,50 LP Shelter Press

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À semelhança da compilação “Mono No Aware”, “Zin Taylor’s Thoughts of a Dot as it Travels a Surface” de CV & JAB (Christina Vantzou e John Also Bennett) é uma experiência intencional e desafiante em volta da música ambiente. Aqui, contudo, a música evita a narração de uma história, qualquer coisa de embalar, e brinca com harmonias e sensações, embala o ouvinte para um espaço cativante e sonicamente único. Pode-se sentir a sensação de se estar dentro de um filme de Lynch, sim, mas mais valioso do que isso é a entrada de um universo que aconchega o ouvinte e o acorrenta a um romantismo que parece já não existir na música electrónica. E, mesmo que exista, CV & JAB convencem-nos do contrário. No fundo, é a paixão e o trabalho que sentimos quando ouvimos os trabalhos de Chris & Cosey, o encosto a uma nova dimensão e a redução de todos os filtros a zero. É música nova, onde um piano é uma casa vazia e uma flauta um som de desespero. Abstracto, alegórico e cor de cristal. Um diamante.

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Quinta-feira, 22 Março, 2018

CONJOINT Earprints 2LP

€ 22,95 2LP (2018 reissue) DDS

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A afinação no mercado de reedições motiva recuperações de discos relativamente próximos de nós no tempo mas que, por motivos vários, passaram abaixo do radar na sua época. Editado na Source (de Move D ) no ano 2000, “Earprints” foi o segundo de três álbuns deste combo de jazz electrónico: David Moufang (Move D), o pianista Karl Berger (tocou, entre outros, com Don Cherry), Jamie Hodge (editou na Plus 8 de Richie Hawtin tão longe quanto 1993 e 1994) e o guitarrista Gunter Kraus. A eterna referência da banda que toca na cantina de Mos Eisley no primrieo “Star Wars” é válida para convocar a imagem de um jazz sideral, de elevador, que assume com naturalidade o seu papel de música de fundo enquanto se insinua com classe perante nós.

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Sexta-feira, 16 Março, 2018

BEAUTIFY JUNKYARDS The Invisible World of Beautify Junkyards CD / LP

€ 13,50 CD Ghost Box

€ 18,50 LP Ghost Box

Depois de um 7” na Ghost Box em 2016, os portugueses Beautify Junkyards regressam aos longa-durações com um belíssimo disco na editora inglesa. O terceiro álbum, “The Invisible World Of…” é um riquíssimo trabalho em volta de folk inglesa e do leste europeu anos 70 (há muita influência das bandas-sonoras que descobrimos via Finders Keepers aqui) e de Tropicália. A colaboração de Helena Espvall adiciona o tom ácido certo à folk que aqui exploram, talvez no disco mais Espers que colaborou após o final dos Espers. Bonito disco de nova-exótica, rico, fantasioso e outonal ainda com sol. Como se quer.


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Sexta-feira, 16 Março, 2018

KAORI SUZUKI Newsun CD

€ 12,50 CD Sounds Et Al

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“Newsun” remete-nos logo para “Vision Creation Newsun”, o fabuloso álbum de 1999 dos Boredoms. Embora as duas peças de Kaori Suzuki pouco devam ao som dos Boredoms – e, em particular, desse disco -, sente-se aqui uma nova vida na exploração da electrónica experimental e do uso de efeitos sonoros que distorcem a nossa sensação de espaço: o uso de estéreo ao longo das duas peças é de mestre. Mas Suzuki remete-nos para outros nomes da electrónica/experimental, à cabeça vem logo uma Éliane Radigue com um som muito mais preenchido, um Phil Niblock com uma visão mais além ou, mais contemporâneo, o controlo espacial de uma Kaitlyn Aurelia Smith e de Catherine Christer Hennix.

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Quarta-feira, 7 Março, 2018

FELT The Seventeenth Century LP

€ 29,95 LP (2018 reissue) Cherry Red

A.K.A. “Let The Snakes Crinkle Their Heads To Death”


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Quarta-feira, 7 Março, 2018

FELT Ignite The Seven Cannons LP

€ 29,95 LP (2018 reissue) Cherry Red


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Quarta-feira, 7 Março, 2018

FELT The Strange Idols Pattern And Other Short Stories LP

€ 29,95 LP (2018 reissue) Cherry Red

Segundo álbum, um dos dois editados em 1984, passo em frente em relação à arrebatadora atmosfera de “Crumbling The Antiseptic Beauty”. bateria normalizada, canções mais escorreitas como “Roman Litter” ou “Spanish House”. A entoação Lou Reed é jogada com – há quem escreva – a influência dos Television, mas a renda complicada da guitarra de Maurice Deebank, com Lawrence em guitarra secundária e sobretudo a entregar uma voz impossivelmente estilosa, todo esse conjunto faz dos Felt uma tradição em si mesmos. Os pequenos instrumentais “Sempiternal Darkness” e “Imprint” não se limitam a cortar a sequência de canções pop, eles de facto elevam este edifício a um plano supra-indie. Se isto fizer sentido para vocês.


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Quarta-feira, 7 Março, 2018

FELT The Splendour Of Fear LP

€ 29,95 LP (2018 reissue) Cherry Red

Editado em 1984, tal como “The Strange Idols Pattern And Other Short Stories”, este álbum puxa alguns contrastes para a frente. O título glorifica o medo (com ou sem ironia), enquanto lá dentro há uma canção chamada “The World Is As Soft As Lace”, reconhecimento deliberadamente naive de um mundo bonito na incerteza, porque “If I knew all about this world Do you think I’d stay here that’s absurd”. Enorme presença ainda de Maurice Deebank na guitarra, realçando o espaço neste álbum maioritariamente instrumental. Pode ser assustador, este vazio de palavras, mas é bonito e está pronto a receber as nossas emoções pessoais.


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Quarta-feira, 7 Março, 2018

FELT Crumbling The Antiseptic Beauty LP

€ 29,95 LP (2018 reissue) Cherry Red

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Crumbling The Antiseptic Beauty

O maravilhoso instrumental “Evergreen Dazed”, que abre o disco, revela toda a arte do guitarrista Maurice Deebank, que Lawrence chamou para a banda depois de ele lhe ter afinado a guitarra em três tempos. Considerado por alguns como “pai da guitarra indie”, Deebank moldou decisivamente todo o som dos primeiros álbuns de Felt. Os complicados e belos ornamentos de guitarra, em “Crumbling The Antiseptic Beauty”, juntam-se à bateria sem pratos – soando assim muito tribal – e à voz oscilante, meiga, de Lawrence. Aqui encontramos, em 1982, parte importante do livro da pop independente inglesa. “Fortune” é um exemplo superlativo. O rolar da bateria em canções como “Birdmen” e “Cathedral” evoca o som semelhante que Stephen Morris marcou em “Movement” dos New Order. A voz de Lawrence paira sobre tudo, largamente ininteligível, um acorde entre acordes, melancólica, um ambiente em si mesma, por vezes um espectro de Lou Reed. Álbum muito minimalista, homogéneo no som e com um impacto nada diminuído pelos anos – mostrando, aliás, de onde sai muita gente que pegou em guitarras e começou a cantar depois disto. Imprescindível.

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Quarta-feira, 7 Março, 2018

FEVER RAY Plunge CD / LP

€ 14,95 CD Rabid

€ 23,95 LP (+ poster) Rabid

É normal revermos Björk em artistas que desafiam a sua zona de conforto, mesmo que para Björk a referência a uma zona de conforto seja uma redundância. No caso de Fever Ray, Björk surge naturalmente porque a condição estranha de Karin Dreijer é imediatamente sugerida pela própria, mesmo com todo o imaginário pensado dos Knife já à sua volta. Segundo, é-nos sugerida porque “Plunge” é o tipo de disco que Björk nos habituou a fazer, quando ainda não estava na sua zona de conforto: ou seja, arriscava, não se preocupava com o redondo mas em fazer as coisas redondas. É isso que Dreijer faz em “Plunge”, transforma música assimétrica em simétrica e junta a esquizofrenia de certos temas a aventuras perfeitamente pacíficas e duradouras. Ou seja, tanto é disco de paisagem como disco carregado de BPMs, tanto é uma orquestração controlada como um furacão. E faz isto com facilidade e sem vaselina. E não custa.

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Quarta-feira, 7 Março, 2018

SUFJAN STEVENS The Greatest Gift Mixtape – Outtakes, Remixes & Demos From Carrie & Lowell LP

€ 22,50 LP Asthmatic Kitty

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Pela experiência com “The Avalanche”, o álbum que compilava os lados Bs, ou restos, de “Illinois”, sabemos que de Sufjan Stevens um álbum de sobras é muito mais do que isso. É um processo de redescoberta, do encontro de novas canções através de pedaços de coisas que já existem. Ou, melhor, descobrir – mesmo – algo novo. É esse o efeito de “The Greatest Gift”, álbum emparelhado com “Carrie & Lowell”, por essa causa-efeito de demos, outtakes e tantas coisas mais. Sobras? Não. O que é fascinante em entrar neste lado de Stevens é descobrir os mundos que cabem enquanto grava um disco. Entramos na estrada com ele, percebemos para onde o caminho diverge e encontramos nestas canções paralelas um outro disco, que só é menor pela sua história, não pelo seu som. E ficamos sem resposta para o que vai na cabeça de Stevens, de como consegue isto. Não é hiperactividade. Será feitio? É qualquer coisa de bom. E só nos dá os melhores presentes.

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Quarta-feira, 7 Março, 2018

NICO MUHLY & TEITUR Confessions CD

€ 6,50 CD Nonesuch

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“Confessions” é um disco que explora as possibilidades do som de Nico Muhly e torna as suas composições numa espécie de livro aberto para a intimidade dos novos média. Primeira colaboração entre Nico Muhly e o vocalista Teitur, “Confessions” é uma fantasia pop misturada com o fantástico classicismo de Muhly. A voz de Teitur por cima daquelas secções de cordas aproximam isto tudo de um álbum espumado de Sufjan Stevens, contido para não chegar ao fim do mundo. A voz de Teitur arruma por vezes o lado mais barroco dos arranjos de Muhly e dá uma singularidade às canções, entre o onírico e uma espécie de pop dramática saudosista de uns certos anos 1980. O tempo passa e “Confessions” vai abençoando em cada tema. Era assim em 2016, é assim agora, com um preço especial.

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Segunda-feira, 26 Fevereiro, 2018

NATURE BOY Ruff Disco Volume One 2LP

€ 18,95 2LP (2017 reissue) Frame Of Mind

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1992, trip hop a começar a bater e há uma fusão de sons que extravasam géneros que começam a tocar na pop. DJ Nature/Milo Johnson esteve na fundação do The Wild Bunch/Massive Attack na década de 1980 em Bristol e no início da década de 1990 edita este “Ruff Disco Volume One” enquanto Nature Boy, um álbum que funde diversas casas do house e introduz a velocidade do disco inflamada com cadências de dub/reggae. Mais de meio século depois, a editora Frame Of Mind, projecto novo de Gerd, reedita esta preciosidade e torna-a disponível para o mundo: ouvido hoje, “Ruff Disco Volume One”, é tão clássico como “Blue Lines” dos Massive Attack. O tempo não passou por aqui. Isto é o presente e soa tão cheio, rico e inspirado como em 1992. Theo Parrish Omar-S, Kyle Hall e Jamal Moss passaram por aqui para chegarem onde estão hoje. E Jamie XX e Four Tet também. Ruffness no sítio certo.

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Segunda-feira, 26 Fevereiro, 2018

KUNIYUKI TAKAHASHI Early Tape Works (1986-1993) Vol. 1 LP

€ 20,50 LP Music From Memory

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Apesar de conhecermos o trabalho ambiental de Kuniyuki Takahasi como Koss, algumas destas gravações mais antigas têm outra dimensão mais profunda, em contacto com uma fonte New Age fora do serviço comercial, sem tentar vender terapias ou garantir a iluminação. Essa acontece provavelmente no percurso (e não na chegqda) e pode não vir anunciada. A versatilidade impressionante do músico japonês faz com que não só esteja à vontade mas acrescente, de facto, relevância a qualquer género do qual opte por se aproximar. Os 9 minutos de “You Should Believe” namoram um transe cósmico e espiritual; “Signifie” é um desdobramento do que fazia na EBM com os DRP; “Zero To One” simula – aos nossos ouvidos – pop oriental como uma maquete de Yellow Magic Orchestra. Tudo bom.

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Segunda-feira, 26 Fevereiro, 2018

WOLF MULLER & NIKLAS WANDT Instrumentalmusik Von Der Mitte Der Welt 2LP

€ 27,95 2LP Growing Bin

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Este efeito pesado de mega chillanço da Growing Bin é uma das melhores coisas dos últimos anos. Discos que abraçam o new age via ambiente e encontram uma coisa chamada cool jazz sem isso parecer foleiro. Tem sido assim com os álbuns de A.R.T. Wilson, Shy Layers e James Booth; chega agora a vez do sempre mágico Wolf Müller, aqui com Niklas Wandt, de trazer uma espécie de música templária com base na percussão. É possível meditar com isto? É, só que não sabíamos. E está sempre lá em cima, relembrando os momentos mais freak-out-disco de Bjorn Torske ou de quando a Sex Tags Mania era um poço de experimentalismo disco-cosmic-tribal (ainda é, mas o efeito novidade já expirou). Encontramos uma espécie de salvação em funk esotérico, uma experiência que está entre o esquisito e o divino. Que beleza.

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