Terça-feira, 7 Agosto, 2018

NOZOMU MATSUMOTO Climatotherapy 12″

€ 14,95 12″ The Death Of Rave

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É raro um artista do qual nunca se ouviu falar surpreender desta forma. A surpresa é fácil, acontece constantemente, talvez valha a pena pegar no “desta forma”. E por “desta forma” assume-se com uma visão estética tão elaborada e conseguida no primeiro trabalho que lança para o “grande público”. Nozomu Matsumoto é um japonês, residente em Tóquio, mais habituado à curadoria artística do que à criação musical. “Climatotherapy” é um resultado desse contacto com as artes, com a música enquanto espaço multimédia e um tela para um sem número de performances. “Climatotherapy” impressiona por diversos aspectos e nenhum deles tem a ver com a relativa anonimidade de Matsumoto. Há vários níveis, o choque-Robert Ashley, em como do nada o japonês conseguiu aperfeiçoar a fórmula, por via de James Ferraro, mas os dezasseis minutos de “Climatotherapy” soam mais como a realização de uma ópera do que Ferraro alguma vez conseguiu; a cumplicidade estética com outros artistas (Ryuichi Sakamoto, Alva Noto, Mica Levi, Nico Muhly) e superioridade moral do texto que é lido com uns tomates do outro mundo. E tudo isto é feito com um cálculo preciso – as peças estão incrivelmente no sítio – num HD sonoro que pede para ser ouvido até o mundo em redor rebentar. Sente-se cada minuto a passar, as vibrações de um mundo a desabar. De uma clareza emocional, estética, racional e musical rara. Tudo junto, tudo balançado. Perfeito. É, sem ser preciso olhar para a frente ou para trás, um dos melhores discos do ano. Absolutamente essencial.

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Terça-feira, 7 Agosto, 2018

MARK FELL Intra LP

€ 17,50 LP Boomkat Editions

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Em “Intra” Mark Fell concentrou-se no ritmo, trabalhando com o Grupo de Percussão num sistema de seis instrumentos (“Sixxen metallophone”) desenvolvido por Xenakis em 1976. Dividido em oito partes, “Intra” explora microtons, a forma como se dispersam pelo espaço e os ritmos que daí se criam. Uma ideia que por vezes vai contra – em termos puramente sonoros – com a estética de Mark Fell e que também se desencontra com a forma como outros artistas contemporâneos têm explorado a conjugação de ritmos na electrónica (desde o footwork, passando por Beatrice Dillon, até Jamal Moss), que procuram o preenchimento, aqui Mark Fell encontra o vazio. O resultado é um exercício mais de energia – como ela circula – e som – como ele se propaga – do que um conceito. É um álbum fora do baralho de Mark Fell, mas “Intra” está em linha com todas as suas maravilhosas obsessões.

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Terça-feira, 7 Agosto, 2018

NADINE BYRNE Dreaming Remembering LP

€ 17,50 LP Ideal Recordings

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Numa recente actuação em Lisboa das Ectoplasm Girls ficou claro que as irmãs Byrne transportam a vontade exploratória na electrónica/noise que existia com muita força no início deste século. As coisas dão a volta, é verdade, e se virmos as Byrne como uma espécie de versão actual dos Skateres de Spencer Ferraro e Spencer Clark, então Nadine Byrne é Ferraro. Este é o seu primeiro álbum em quatro anos, dois anos após a maravilha que editou com a sua irmã (“New Feeling Come”), num mundo renovado e mais aberto – novamente – a estas coisas do “freeform”. A música de Nadine em “Dreaming Remembering” chega-nos como um trabalho absoluto alusivo aos sonhos e memórias, com a composição constantemente num estado de sonambulismo, entre a repetição ou o erro estático. Nadine cria o nevoeiro necessário, acondiciona espaço para a sua voz, que destila frases de um pré-estado de ficção científica. Tudo no sítio certo, o presente e o futuro mais uma vez reunidos por um dos talentos mais vitais da europa do presente.

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Terça-feira, 7 Agosto, 2018

JAMES FERRARO Four Pieces For Mirai CASSETE

€ 12,50 CASSETE Ed. Autor

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Desde “Far Side Virtual” que James Ferraro rotinou os seus discos com um discurso/visão da contemporaneidade e da era digital. Apesar de ser algo que sempre esteve presente na sua obra a solo – através dos títulos, das capas – foi no álbum de 2011 que conjugou uma série de linguagens que expressavam melhor o retrato das suas intenções e, também, a singularidade da sua abordagem musical enquanto reflexão crítica. Desde então seguiram-se mais alguns monumentos, como “NYC, Hell 3:00 AM” (Hippos In Tanks, 2013) e “Skid Row” (Break World Records, 2015), por reeditar ainda está “Multitopia” (New Age Tapes, 2008), o melhor sinal pre-“Far Side Virtual” daquilo que estaria para vir. 2018 e chega “Four Pieces For Mirai”, em formato cassete, com Ferraro a minar a audição do seu trabalho, quase como se estivesse a menoriza-lo de propósito usando-o como arma para um trabalho que é uma crítica ao estado actual da era digital. Entre música medieval e renascentista, electrónica distópica (ao melhor estilo de Oneohtrix Point Never), retratos da pop que explora tão bem no seu trabalho (“Skid Row”) e os sons que inundam o nosso quotidiano (“Far Side Virtual”), “Four Pieces For Mirai” é o principio de uma obra que vai obrigar a olhar para Ferraro de uma forma diferente nesta década. Porque, não nos esqueçamos, ele ainda é o melhor arquitecto humanista da electrónica contemporânea.

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