Quinta-feira, 17 Janeiro, 2019

DEERHUNTER Why Hasn’t Everything Already Disappeared? CD / LP

€ 12,50 CD 4AD

€ 26,95 LP 4AD

Bradford Cox é um demónio que continua a fazer música de anjo. Em década e meia virou a pop-rock, acompanhou diversas ondas da pop, desde a euforia causada com os sucedâneos de Ariel Pink, o regresso do shoegaze, o fantasma do emo-goth e sabe-se lá que mais. Cox viveu a infância e a adolescência de muitos na sua música. Mas é natural que amadureça. O pesadíssimo título “Why Hasn’t Everything Already Disappeared?” nada esconde sobre o seu pesaroso conteúdo. Talvez Cox ainda esteja com um pé no seu gótico, ou talvez numa longa noite que terminará quando ele quiser: afinal, gosta de estar em controlo. Num momento em que os álbuns se fazem de canções para playlists, de tiros nos alvos certos, é um deleite saber que em quem acreditamos continua sem nos mentir. Cox sempre gostou desta coisa dos álbuns, dos grandes conceitos, das grandes canções (mesmo que falhe redondamente, como nos dois últimos álbuns). Ele voltou. Ainda bem que ainda temos tudo. Ou que pelo menos Bradford Cox não desapareceu.


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Quinta-feira, 17 Janeiro, 2019

STEVE GUNN The Unseen in Between CD / LP

€ 12,50 CD Matador

€ 27,50 LP Matador

De álbum para álbum cresce a sensação de que Steve Gunn é um cowboy urbano, um dos últimos “drugstore cowboys”, reinventando a palestra de todos os singers-songwriters que vieram antes dele: e podemos chamar Fred Neil, ele vem ao barulho neste “The Unseen In Between”. A Rolling Stone faz o apelo esta semana de que Steve Gunn é o segredo mais bem guardado do rock. Será ainda um segredo? Steve Gunn surgiu nos já longínquos GHQ (com Marcia Bassett e Pete Nolan) e começámos a ouvi-lo a solo há uma década, mais coisa menos coisa. Inúmeros discos depois a Matador encontrou-o. Já tinha colaborado com Mike Cooper num belo disco gravado em Lisboa; já tinha muitos quilómetros de estrada, com inúmeros músicos (tocava na banda de Kurt Vile), nos mais diversos projectos, a maior parte deles eram seus. Steve Gunn continua esse “segredo bem guardado” porque se calhar não gosta das luzes da ribalta, se calhar gosta de como a liberdade do não estar lá lhe permite uma série de coisas: como fazer digressões com os amigos, andar na estrada como um cowboy. “The Unseen In Between” tem um Steve Gunn com mais voz do que nunca, canta mais, a sua voz liberta-se. A guitarra continua igual, continua, infinita, numa elaborada corrida e linguagem que só Gunn consegue. Mas com a voz de Gunn liberta de amarras ganha uma nova vida – a guitarra, a sua música – e as suas músicas ganham as características para Gunn finalmente sair da sombra, estar na ribalta. E se é agora, com este disco, compreende-se perfeitamente. É aqui que Steve Gunn se levanta e se diz pronto para enfrentar os grandes. As lendas são feitas disto.


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Quinta-feira, 17 Janeiro, 2019

SPECIMENS In The Dust Of Idols LP

€ 19,95 LP SVS Records

“In The Dust Of Idols” reflecte, em grande medida, sobre aquela necessidade premente de encontrar sentido na vida. Dizer isto sobre um disco equivale a quase nada, mas as intenções de quem cria ajudam sempre a enquadrar o nosso próprio envolvimento. A aparente contradição em títulos como “Moving Forwards Constantly Looking Back” e “Unfold In All Directions” espelham os capítulos que vamos cruzando enquanto mudamos – naturalmente – de objectivos com o decorrer da vida, mas no terreno do som, onde acontece o LP, tudo se passa em tapete ambiental mais ou menos intrusivo, tanto Fennesz de “Endless Summer” como Caretaker, Vidna Obmana (algum ambientalismo ritual processado via cultura industrial) até à realização final, pacífica, em “All Life Eventually Turns To Dust”, o significado do título a fundir-se com uma certa ambição épica até ao final que nada tem de dramático. Aliás, todo o disco parece só uma constatação de que, ao viver, reflectimos constantemente sobre o precário equilíbrio da vida.

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Terça-feira, 15 Janeiro, 2019

MARK A. MITCHELL How Can I? / All Your Love 7″

€ 10,95 7″ Fantasy Love Records

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A carreira detectável de Mark Mitchell parece incluir apena um punhado de singles a meio da década de 80. O single original de 1983 que regressa ao mercado mesmo agora em 2019 pela Fantasy Love demonstra um sector de produção soul que continua a inspirar músicos contemporâneos como Dâm-Funk. O sentimentalismo arrebatador de “How Can I?”, em passo lento de soul 100% robotizada, transmite força no sofrimento e imaginação na sua concretização formal; “All Your Love”, no lado B, descola como uma nave, até a voz de Mitchell (mais à frente com coro) entregar ao ser humano a expressão de emoções própria da sua existência. Quase um protótipo boogie que permanece para glorificar o salto muito electrónico que a Soul deu nessa década em que tudo parecia ainda crescer em direcção ao futuro.

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Segunda-feira, 14 Janeiro, 2019

VLADIMIR TARASOV Atto IV LP

€ 15,95 LP (2018 reissue) Sähkö

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Abertura de campo a partir de uma formação jazz e clássica, resulta em pouco mais de 30 minutos de sublime espacialização. A progressão é quase palpável, com a percussão a ganhar maior protagonismo enquanto o tempo avança, conseguindo impôr o seu carisma físico à base electrónica que estabelece a linguagem. Duas partes longas neste LP editado originalmente em 1990 pela Melodiya, editora estatal russa, com gravação em Vilnius. No texto que acompanha a edição original, Virgil Mihaiu refere-se ao “enriquecimento dessa expressão universal do espírito do nosso século [XX]“, quando aborda a metodologia de Tarasov, essencialmente percussionista, incluindo a electrónica como elemento activo na composição. A tensão libertadora da música recorda Manuel Göttsching ou Pekka Airaksinen, quando buscamos referências próximas ao nosso ouvido. Magnífico.

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Segunda-feira, 14 Janeiro, 2019

HIA & BIOSPHERE Polar Sequences CD / 2LP

€ 10,95 CD Biophon

€ 20,95 2LP Biophon

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Música gravada ao vivo em Outubro de 1995, editada originalmente em 96, parte da encomenda conceptual do Polar Music Festival. Apresentação e gravação em Tromsø, cidade-base de Biosphere, a partir de sons captados na região e em parceria com The Higher Intelligence Agency, autor do clássico de groove ambiental dub “Colourform” em 1993. Mas HIA + Biosphere resulta em algo substancialmente diferente, enraizado na – podemos chamar-lhe assim – tradição de jams analógicas dos 90s. Sem aproximação, aqui, a formatos house ou techno, uma faixa como “Countdown To Darkness” evoca mundos semelhantes trilhados por Move D ou alguns projectos ambiciosos na editora Fax (para a qual tanto Robert Bird como Geir Jenssen gravaram). No outro lado do conceito, “Meltwater” parece sonorizar o degelo, em estado natural, durante 9 minutos, tornando até pacífica esta manifestação de desmoronamento que é simultaneamente sinal de nova vida a despontar. O álbum termina com “Fjellheisen [September 19th 1995]“, provavelmente a captação da deslocação em telecabine para o terminal no topo do monte Fjellheise, onde o concerto aconteceu e para onde os espectadores eram transportados por esse sistema aéreo. Documental e imersivo.

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Segunda-feira, 14 Janeiro, 2019

EARTHEATER Irisiri CD / LP

€ 12,50 CD PAN

€ 19,50 LP PAN

Mais do que OK, desde há anos, assumir com naturalidade a interligação entre mundos díspares numa concepção cultural antiga. Neo-classicismo, electrónica fragmentada, manipulação de voz, tudo e mais ainda cabe em “IRISIRI”, tradução de um certo mundo pop contemporâneo em que a Diferença no som passou a ter um papel tão importante como a mensagem ou fórmulas musicais outrora vencedoras. Como não chamar pop, por exemplo, a “Inclined”? Numa sociedade de imagens, Eartheater aproveita os recursos e o know-how que agora nasce com as pessoas mas também faz música de recolhimento, ainda que à vista de toda a gente. Recorda algumas premissas da Not Not Fun e LA Vampires enquanto se dedica a quebrar ainda mais regras, a misturar ainda mais sons, a vaguear num vazio sem formas, supervisionado por um carisma angelical. Os recursos não se esgotam facilmente e pode não ser novidade declarar isto, mas aqui temos mais um álbum pop vanguardista para definir a contemporaneidade

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Quinta-feira, 10 Janeiro, 2019

STEVE SPACEK Natural Sci-Fi LP

€ 18,50 LP Eglo

O álbum que abre com uma canção R&B ácida com 8:40 esteve mais de uma década em produção. Spacek abre aqui toda a hipótese de interpretação que um título aparentemente contraditório como “Natural Sci-Fi” pode ter. A voz acontece muito à nossa frente, navegando a complexa mas espaçosa teia rítmica. A tarola regular em “Well Well Well” remete para a street soul britânica dos 90s, quando elementos mínimos sustentavam as vozes, mas não serve de regra à base instrumental do álbum, muito mais produto da convulsão criativa de final de século que percorreu a música desde a electrónica mais experimental (Mego, Mille Plateaux) ao R&B e hip hop mais comerciais (Timbaland, N*E*R*D). Para além da voz de Steve Spacek, é o constante desassossego da música que garante a genialidade de “Natural Sci-Fi”, 13 anós após “Space Shift” e alguns álbuns com o seu grupo Spacek. Urbano, mas não deste planeta.

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Quinta-feira, 20 Dezembro, 2018

CHRISTOPH DE BABALON If You’re Into It I’m Out Of It 2LP

€ 24,50 2LP (2018 reissue) Cross Fade Entertainment

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Em 1997 falava-se da tensão pré-milenar. A música sentiu essas vibrações, o que antes poderia ser encarado como “sci-fi” ganhou um novo nome, sentido. Uma forma de mascarar música mais escura, desligada das vibrações da pista, das obrigações dos charts. Sem ela não teríamos tido o dubstep, sem ela não compreenderíamos Burial, Lee Gamble, o regresso de Aphex Twin teria sido menos sentido ou o reanimar da música industrial não seria abençoado. “If You’re Into It,I’m Out Of It” é um princípio e um ponto final dessa utopia – ou distopia – pré-milenar. É um disco que alguém se lembrou de reeditar em 2018, 21 anos após a sua edição. Poderíamos viver enganados se nos dissessem que era material novo. Ontem, hoje, amanhã.


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Sexta-feira, 13 Julho, 2018

THE FIRES OF ORK The Fires Of Ork 1 + 2 2CD

€ 12,50 2CD (2018 reissue) Biophon

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Compilação integral dos dois álbuns (1993 e 2000) deste projecto de Geir Jenssen (Biosphere) e Pete Namlook, cabeça-chefe da editora Fax, absolutamente incontornável na cena electrónica da década de 90, desde logo pela quantidade gigante de discos no seu catálogo. A herança prog de Namlook combina-se com a base mais house dos primeiros discos de Biosphere mas também se fundem numa escalada ambiental épica (“Gebirge” tem 21 minutos, traduz-se do alemão como “montanhas”), referência bastante directa aos ambiciosos lados inteiros de vinil gravados pela chamada “Escola de Berlim” (Tangerine Dream, Klaus Schulze, etc.). “Talk To The Stars” acompanha o despontar do transe psicadélico, género especialmente atractivo, após a revolução rave, para músicos prog/psych como Steve Hillage (ex-Gong) ou os Eat Static (ex-Ozric Tentacles). Com âncoras em “Gebirge” e nos 18 minutos de “The Facts Of Life”, esta edição expande a noção ambiental sintonizada com os tempos e, na verdade, segue também em linha com a actual revisitação de formas de dança muito UK por parte de uma turma multinacional que cresceu a ouvir esses sons. “Sky Lounge” captura ainda uma outra característica de final dos 90s – a procura de sofisticação espelhada numa cultura Wallpaper de lounge de aeroporto e vida boa com vistas amplas para outros países. Dois álbuns de épocas diferentes, numa mesma década, que encontram uma espécie de tempo permanente na avaliação que fazemos hoje em dia.

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