Quinta-feira, 28 Fevereiro, 2019

CZN The Golden Path LP

€ 16,50 LP Lovers & Lollypops

Um disco a solo soltou uma espécie de fera criativa em João Pais Filipe. Não, não nos estamos a esquecer do seu trabalho com os HHY & The Macumbas e todo um passado, mas por conveniência cronológica ou pelo facto da distância física entre Lisboa e Porto – pouca mas suficiente para nunca o termos visto ao vivo, a solo, até dado momento – nunca tínhamos separado a sua percussão do resto. Um álbum homónimo, no ano passado, serviu para ficarmos banzados com a sua criatividade, destreza e ambição proto-techno analógica. “The Golden Path” é o primeiro projecto dos CZN, que junta João Pais Filipe e Valentina Magaletti, ambos percussionistas, ambos compositores, e podemos dizer que ambos escultores de sons que arrasam com o movimento da terra e que fulminam no encontro esse movimento e a sua ressonância. Na capa uma mão levanta uma colher e enquanto se ouve o disco, olha-se para a colher e pensa-se em todo o seu poder percussivo, em como o beat, o ritmo, o drone acontece com as mais pequenas coisas. A música de “The Golden Path” não acontece por causa de uma colher, mas a forma como evolui e expande é tão natural e vívida que se pensa em como isto tudo é tão orgânico, e só está à espera de acontecer. Essa fluência é um encontrar da razão na música de João Pais Filipe – que aqui não está a solo, mas agora não o conseguimos deixar de ouvir, a ele e as suas ideias – e uma forma de dizer que a sua música está viva.


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Quinta-feira, 28 Fevereiro, 2019

PAUL DEMARINIS Songs Without Throats 2LP

€ 29,50 2LP Black Truffle

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Colecção de música dispersa gravada entre 1978 e 1995, misturada na mesma vanguarda que incluia Robert Ashley, David Behrman ou David Tudor. Na verdade, as faixas que escutamos, com base forte no processamento digital da voz, aproximam-se mais de Bruce Haack e das suas narrativas sintetizadas meio-ficção científica meio-ciência real (no sentido de testes de equipamento sui generis). “Songs Without Throats” frequenta mundos mecânicos pouco usuais e, divergindo de Haack, as suas canções não aspiram a ser pop com mensagem, antes representar outros níveis de possibilidade na convivência musical com a tecnologia digital. Nunca difícil, mas sempre estranho, o duplo álbum brilha mais intensamente quando o ênfase está na fonética ou na sua simulação (“Et Tu, Klaatu” e “Kokole”, por exemplo). E Felix Kubin retiraria qualquer coisa de “Eenie Meenie Chillie Beenie”, para deixarmos apenas um título.

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Quarta-feira, 27 Fevereiro, 2019

KING KONG PARADISE Atsusa Mo Samusamo… LP

€ 26,50 LP (2019 reissue) Studio Mule

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1984. King Kong Paradise mandam um álbum exótico de pop, reggae e sweetness baleárica, directo ao coração de amantes de Antena, Linda Di Franco e até Donald Fagen. Feito no Japão. Estranho como deve ser, um combo desta natureza transcende as secções onde pode ser colocado. “Reggae Voodoo” carimba a obsessão particular de alguns músicos japoneses com a cena reggae, acrescentando aqui uma precoce (e discreta) linha ácida. Roots, à sua maneira, bizarro e culturalmente misturado, como hoje gostamos. Termina com um mantra assertivo de percussão, com shakers a comandar a atenção.

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Quarta-feira, 27 Fevereiro, 2019

GAS Zauberberg 3LP

€ 28,50 3LP (2019 reissue) Kompakt

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Segundo de quatro álbuns de Wolfgang Voigt na seminal Mille Plateaux, editora que revolucionou todo o panorama da música electrónica na segunda metade dos anos 90. “Zauberberg” exibe imperialmente a assinatura de GAS no costumeiro cenário wagneriano imerso na floresta. A pulsação techno entra em camada muito discreta, submersa e submissa em relação à luxuriante ambiência que se apresenta na frente. Transparece aqui alguma da ciência do seu outro projecto M:I:5, mas “Zauberberg” (1997) limpa quase todo o glitch para proporcionar uma experiência cinemática de escuta profunda. É outro universo. A reedição em triplo LP inclui as mesmas sete faixas da edição original em CD, de 1997 (o LP original tinha apenas seis faixas e era duplo)

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Quarta-feira, 27 Fevereiro, 2019

PST / DJFB Live At Pstudion 2018 MLP

€ 9,95 MLP Recording 3

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Gravações circunspectas de Porn Sword Tobacco e DJ Fett Burger, conduzindo as máquinas por entre Cósmico e House, com recordação (nossa) do arranque sério da cena pós-rock alemã nos 90s (Kreidler e To Rococo Rot, especialmente). O título “Tune Off, Drop Aside, Twist Out” parece simbolizar uma certa saída de campo, aquele abandono ao groove suficientemente reduzido para não se impôr, mas suficientemente dinâmico para nos manter em viagem. Blips, cores discretas e batidas “não-dança” enchem as seis faixas, com “Landing Strip” a fechar tudo em registo de jam analógica ambiental.

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Quinta-feira, 21 Fevereiro, 2019

EDEN AHBEZ Eden’s Island LP Fântome Phonographique

€ 21,50 LP (2018 reissue) Fântome Phonographique

O que Eden Ahbez terá dito, certa vez, a um polícia – “I look crazy but I’m not. And the funny thing is that other people don’t look crazy but they are.” – serve para relembrar a antiga questão das aparências e do julgamento que a partir delas fazemos. Incontornável. Quando “Eden’s Island” foi originalmente editado em 1960, Eden Ahbez era bem mais do que ninguém. Entregou a canção “Nature Boy” a Nat ‘King’ Cole, que a celebrizou numa das muitas subsequentes interpretações da canção (tracem o historial de “Nature Boy” online, chega pelo menos a Michael Stipe em 2016). Comparado, por vezes, a Moondog (a óbvia conexão freak de rua), Eden Ahbez conseguiu, ainda assim, outro reconhecimento, embora criativamente, em nome próprio, não tenha deixado quase nada editado para além deste álbum. “Eden’s Island” manifesta a devoção pela Natureza, por parte de alguém de quem se escreve que, ao fixar-se em L.A., acampou por baixo do primeiro L da palavra Hollywood. O som evoca a Exotica de Martin Denny mas com uma agenda hippie bem marcada. Algumas canções incríveis, sustentadas por bongo e flauta, transportam o ouvinte para zonas idealizadas de tranquilidade e comunhão. Lindo.

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Segunda-feira, 18 Fevereiro, 2019

ILL CONSIDERED Live At Total Refreshment Centre LP

€ 18,50 LP Ill Considered

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Gravado há menos de um ano, em Londres, “Live At Total Refreshment Center” é um álbum ao vivo e um best of dos Ill Considered. Se por um lado falta a subtileza/coerência que é constituída no alinhamento e no espírito dos álbuns numerados, por outro há uma liberdade e um groove mais pesado do que aquele que se encontra em estúdio. Há clássicos aqui, logo a abrir, “Djinn” ou “Long Way Home”, temas que se conhecem de outros trabalhos em estúdio ou ao vivo dos Ill Considered. O que fica em ouvir – ou reouvir – os Ill Considered ao vivo é a necessária urgência de que a música que estão a fazer tem um poder e qualidades únicas para o jazz actual. Mesmo que se meta no embrulho de “novo jazz britânico”, o que fazem vem de outra escola que faz desaparecer qualquer estigma com modas. Andam só por aqui, a fazer música incrível. “Live At Total Refreshment Center” é um óptimo disco para explodir com as colunas de casa. Além-jazz, além-rock.


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Segunda-feira, 18 Fevereiro, 2019

JAYDA G / ALEXA DASH Leave Room 2 Breathe 12″

€ 11,95 12″ Ninja Tune

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Temos acompanhado com regularidade o trabalho de Jayda G, sensivelmente desde 2015, quando surgiu num maxi de Fett Burger na Freakout Cult. Começámos 2019 com o anúncio que iria finalmente editar um longa-duração em nome próprio, salto para a Ninja Tune, e um single de apresentação, “Leave Room 2 Breathe”, um maxi de edição limitada que dentro de uns tempos vai valer uma fortuna: não pelo seu carácter limitado, mas porque há aqui a primeira carta de Jayda G dar um salto para um palco maior, um tema que é um compromisso bem ajustado entre o passado e o futuro do deep house vocal, roçando a Madonna dos 1980s, o R&B, o funk de Betty Davis e o futuro disto tudo que já veio com Kelela.


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Terça-feira, 22 Janeiro, 2019

MARY JANE LEACH Pipe Dreams LP

€ 22,50 LP Blume

Em 2018 descobrimos o nome de Mary Jane Leach através de uma edição na Modern Love, o imperdível “(F)lute Songs” e isso levou-nos a procurar o seu outro material. Foi assim que demos conta desta edição na Blume, o seu primeiro trabalho a solo editado em vinil, e que também nos demos conta das reedições de Julius Eastman (iremos receber mais exemplares em breve), graças ao papel que Mary Jane Leach teve em fazer isso acontecer. Nova Iorquina e activa junto da comunidade avant-garde desde os 1970s, Mary Jane Leach desenvolveu um trabalho enigmático em linha com o experimentalismo da época em que os gravou. “Pipe Dreams” foi desenvolvido ao longo de grande parte da década de 1980, e é um misto de ambiente de então misturado com composição contemporânea e um bom fulgor new age, mais pela aura e não pela simpatia sensaborona da meditação. É uma peça que se move do lado A para o lado B com beleza e tranquilidade, mostrando a atenção que dá à acústica e a como ela se desenvolve quando se quer que a música respire: algo que já era tangível no lançamento da Modern Love. Do lado B, “4BC”, mais ponderosa e imponente, um contraste funcional com a calma bravura de “Pipe Dreams”.


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Quarta-feira, 17 Outubro, 2018

JOÃO PAIS FILIPE CD

€ 16,50 CD Lovers & Lollypops

Ouvir João Pais Filipe a solo e a sua capacidade de manter a percussão em ritmos em loops, variando com frequência em timbres, harmonias e até na própria automatização dos ritmos, não causará surpresa a quem já conhece o seu trabalho com os HHY & The Macumbas. A música de João Pais Filipe é só percussão mas não soa a tal, isto é, não se reflecte como o mero exercício de canalizar tudo para o ritmo e saturar as composições por essa vertente. Não, a forma como compõe cria uma componente relacional forte com o ouvinte, quanto mais não seja porque os processos repetitivos retratam os ensinamentos de Steve Reich e a mecânica funcional de como joga com os seus instrumentos constrói música de dança, lembrando os processos minimais-percussivos de Ricardo Villalobos ou o lado escuro do dub encontrado no dubstep de Burial. A escuridão na música de João Pais Filipe talvez falhe no lado apocalíptico-urbano que se encontra na música electrónica, mas ganha na ancestralidade de uma ideia de trevas clássicas: há qualquer coisa de pecaminoso na sua música, talvez do lado carnal, vivo, da sua música e de como recorda os primórdios da música de dança. Primitivo mas correcto, são trinta minutos que se encandeiam num mundo novo da percussão. Já ouviram coisas assim mas nunca ouviram nada assim. Não é exagerado, é novidade. Assombroso.

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