Quarta-feira, 9 Janeiro, 2019

DREXCIYA Neptune’s Lair 2LP

€ 18,95 2LP (2018 repress) Tresor

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Há uma sensação de eternidade no conjunto conhecido da obra de Drexciya. “Neptune’s Lair”, de 1999, retoma a missão subaquática com um título que em tudo sugere a sua origem mítica. Esta parece de facto a banda sonora para a existência nesse mundo. Apesar disso, “Surface Terrestrial Colonisation” marca um passo mais pop, assente na superfície. É impossível desligar o som de Drexciya de toda a mitologia futurista / ancestral criada pelo grupo. Tudo parece nascer de uma partícula retirada de Kraftwerk no período “Man Machine”, incubada depois em ambiente controlado para gerar uma espécie inteira. “Neptune’s Lair” é clássico Drexciya porque Drexciya soa sempre clássico. Possivelmente tem um tom geral mais melódico, mesmo até ao fim com “C To The Power Of X”, e se isso poderia desmotivar os militantes mais activistas de toda a cena Underground Resistance, na verdade o que acontece é que faz passar a mensagem de forma mais universal. Chega a mais gente? Isso é bom. A dica é só uma: aqui não há nada capaz de falhar. Música electrónica que cumpre a nobre tradição de imaginar mundos para além de nós.

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Segunda-feira, 22 Setembro, 2014

LUSSURIA Industriale Illuminato CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Hospital Productions

€ 20,95 € 19,50 LP Hospital Productions

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HOS-420CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-420CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-420CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-420CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-420CD-5.mp3]

“American Babylon” começou por ser um lançamento discreto da Hospital, embora não tenha sido o primeiro álbum de Lussuria na editora. Apesar de lançado originalmente em digital em 2012 e de só no ano seguinte ter direito a um lançamento em vinil e a um maior destaque em diversas publicações, Lussuria foi logo apontado em 2012 como um dos mais originais criadores desta nova vaga de industrial. “American Babylon” era um conjunto singular de temas, onde o tom críptico da batida mais industrial se misturava com ambiências de um Leyland Kirby a brincar com satã. “Industriale Illuminato” é uma continuação precisa do anterior álbum na Hospital, um jorrar de emoções numa primeira camada mais ambiental (curiosamente aqui a recordar muito os “Disintegration Loops” de Wlliam Basinski) e uma camada superior que insere uma claustrofobia de beats grossos e desconexos que dão uma composição mais fragmentada a estes novos temas de Lussuria. Essa fragmentação já existia em “American Babylon”, só que aqui ela assume um papel mais denso, quase como se criasse uma narrativa por cima das narrativas à Basinski de “Industriale Illuminato”. Sem que as duas partes se contrastem, é um disco que parece apoiado numa ideia de fuga dos clichés desta nova vaga e em fazer render a dicotomia como margem para Lussuria definir o seu próprio som. “Venus In Retrograde” lista bem essas intenções, com a sua percussão escura e simultaneamente espectral que parece confluir com uma espécie de sons de memória que existem no esqueleto da canção.

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Sexta-feira, 19 Setembro, 2014

LUST 842: JOAQUIM ALBERGARIA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

19.9.2014
por JOAQUIM ALBERGARIA

O que são os discos?
Realmente, para que é que eles servem?
Para guardar som? Soa-me a pouco.
Para preservar um momento na vida de alguém que se expressa sonoramente?
É uma resposta possível e talvez uma que até é politicamente acertada.
Não compromete, é funcional e realmente não tem grande interesse.
A questão é que os discos são compromissos.
De quem os faz e de quem os ouve.
Por isso lhes dedicamos vidas ou ódios.

Quando alguém grava um disco,
se o que fez tem alguma verdade dentro então é isso que vai sair daquela rodela de vinil,
de plástico, das bobines de fita ou do amontoado inescrutinável de zeros e uns.
Se não tem, entra-te por um e sai-te por outro.
Quando um disco tem verdade dentro é porque reflecte algo de ti e reverbera na tua experiência.
Por isso é que um disco com verdade dentro, contigo dentro, nunca está acabado.
A gravação continua depois da prensagem.
Uma canção só é uma canção depois de ser ouvida.
Uma música só sobrevive se conseguir receber os backing vocals
de todos aqueles que acreditam que aquele refrão está a falar só e exclusivamente da vida deles.
As verdadeiras liner notes de um disco são as vezes que um verso respondeu por ti ao que seja.
Como explicas o poder de uma canção evocar cheiros?
Ou exactamente a mesma imagem e emoção adjacente,
cada vez que a ponte te leva para aquele sádico refrãozinho de merda,
dolorosamente impossível de esquecer?
Uma canção pode desiludir e ser facilmente esquecida,
mas associada a uma primeira desilusão tua,
é uma ponte que dura para sempre.
Só os discos com verdade dentro conseguem fazer isto.

Há muitos mais discos de merda.
Alguns desses são discos onde me encontrei
e onde aprendi mais do que em qualquer sala de aula.
A beleza, a génese da confusão é esta: A minha verdade pode ser a tua treta.
Por isso é que não há prazeres culpados.
A música é íntima e os discos são roupa interior que se adapta
ao que é anatomicamente induplicável.
A música dura o que nós durarmos enquanto espécie.
A necessidade de canções há-de sobreviver às civilizações.
Nas nossas ruínas, uma canção há-de dizer o que não conseguimos
e posta num disco vai permitir que outros se construam com os nossos escombros.
Discos são a sucata de outros com que nos reparamos.
Os discos são redondos para que o mundo continue a girar.
É um bocado isso. É muito isso.

Como diziam as paredes – “sem a verdade, és o perdedor”.
Eu acho que elas estavam a falar de discos.

—–

joaquim albergaria é, neste preciso momento, mais conhecido por ser um dos bateristas de paus, mas a sua agilidade espraia-se por mais projectos e actividades. ofereceu-nos uma sentida reflexão sobre um objecto que muito estimamos aqui: o disco.



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Sexta-feira, 19 Setembro, 2014

APHEX TWIN Syro CD / 3LP

€ 13,95 CD (multi fold out) Warp

€ 32,50 3LP (triple gatefold) Warp

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Há praticamente uma década, a série Analord veio mitificar Aphex Twin ainda mais como Mestre no seu mundo. “Syro” não representa nenhum salto radical face à inventividade já conhecida, é talvez uma conclusão, em 2014, de duas coisas: o que se esperaria de um álbum novo de Aphex Twin, por um lado, e o apuro da sofisticada e complexa grelha de sons que conhecemos dele, por outro lado. Ouvimos ecos de “Richard D. James Album”, “I Care Because You Do”, momentos de “Windowlicker” (momento fulcral, com Daft Punk, para ilustrar o que agora se chama EDM). Há um claro peso sintético que parece condensar 20 anos de música electrónica tal como Aphex ajudou a fundar. O álbum nada tem de estranho ou inesperado, nenhuma porta nova para indicar Desconhecido. Reabre, no entanto, algumas várias portas que mais ninguém se mostrou capaz de reabrir como deve ser. Este é, se calhar, o álbum pop de Richard D. James, um novo disco de consagração em que as correntes em que investiu são unidas para os seus fãs clássicos e para pessoal que apanhou o seu som mais recentemente. Breakbeats, jungle, wobbles, blips, ácido e muitos cortes que sugerem o que nos 90s eram puras experiências de laboratório mas que, agora, são agregadores de entusiasmo para quem nasceu a chamar “música electrónica” a quase tudo o que não tem guitarras. “Syro” é a cabeça de uma pessoa que mistura actividade agressiva com um sentido de beleza contemplativa e não vê nada de errado na sobreposição dessas camadas. Extremamente barroco em “Syro U473t8 E (Piezoluminescence mix)”, não deixa quase o menor espaço para respiração, obriga-nos a tomar tudo de uma vez. Aphex Twin reganhou um sentido de urgência meio demente que associamos claramente à sua pessoa (pública, pelo menos), é como se quisesse fazer de novo tudo o que já fez mas mais depressa, em menos tempo e antes que alguém comece a opinar demasiado. No fim de tudo, “Aisatsana” (fácil ler Anastasia ao contrário) abre uma janela para um mundo radicalmente diferente do resto do álbum. Tal como antes tivemos de lidar com tudo junto, agora sim, fazemos a nossa respiração toda de uma vez só.

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Quinta-feira, 18 Setembro, 2014

PRINS THOMAS III CD / 2LP

€ 16,50 € 12,50 CD Full Pupp

€ 18,50 2LP+CD Full Pupp

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Ele próprio afirma que não há nenhum plano, o álbum é meramente um documento do período em que foi gravado, das técnicas que Prins Thomas, da sua visão musical. “III” prossegue uma viagem por zonas aprazíveis do Cosmos, a escuta de todo o álbum sugere algo que está em movimento, não se consegue detectar de onde vem nem para onde vai. Deixou de fazer sentido falar em Space Disco: esta música, por natureza, regista o próprio passo, é contida em si mesmo e, claramente, é editada em 2014 com total consciência de não pertencer a nenhuma corrente muito definida. Representa uma grande linha de progresso na música assente na pista de dança, com ênfase especial naquela que nem sequer é para dançar mas que deriva da mesma cultura de elevação e partilha. Prins Thomas mostra com autoridade, uma vez mais, porque continua relevante para além do prazo de uma cena que se foi apagando. Quando se recua para zonas mais recatadas, é frequentemente aí que se tem paz para desenvolver ideias mais pessoais. Este é o som de Prins Thomas, pacífico, elegante, talvez desinteressado de protagonismo. Na capa, o músico aparece a caminhar sozinho, sobre a neve. Ele continua.

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Quinta-feira, 18 Setembro, 2014

FRANK ZAPPA Uncle Meat 2CD

€ 16,50 2CD Zappa Records

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Em três anos, depois da estreia com “Freak Out!”, em 66, Zappa estava imparável, fazendo uma média de dois discos (incríveis) por ano. Parecia imperturbável pela opinião crítica ou pelos resultados das vendas: o que interessava era editar da melhor maneira possível todas as ideias que ele ia tendo – com ou sem os seus Mothers. Em 1969, depois do açúcar doo wop de “Cruising With Ruben & The Jets”, “Uncle Meat” aparecia já como o segundo duplo álbum da banda, criando uma banda sonora para um futuro filme de ficção científica. Extenso, variado, épico, “Uncle Meat” é um portento de ideias, com canções perfeitas – “Dog Breath” ou “Mr- Green Genes” são canções simplesmente geniais e arrebatadoras! -, orquestrações raras e únicas, colagem e manipulação sonora, experimentalismo percursor, etc. Parece caber tudo aqui, em dose generosa, mostrando Zappa como um homem de ideias infindáveis e, acima de tudo, um maestro – à semelhança da aventura de “Lumpy Gravy”. O segundo disco termina com “King Kong”, um tema em seis partes que mostra ao mundo como o seu rock progressivo, a meio caminho da fusão e do krautrock, é melhor que tudo o resto que existe. Obra-prima.

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Quinta-feira, 18 Setembro, 2014

FRANK ZAPPA Hot Rats CD

€ 16,50 € 8,95 CD Zappa Records

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O segundo disco de Zappa em 69, depois do estrondoso “Uncle Meat”, é o igualmente precioso “Hot Rats”, o primeiro álbum a solo depois de “Lumpy Gravy”. Se esse era um exercício (fabuloso) de experimentalismo (colagem, orquestra, Cage), em “Hot Rats” a narrativa torna-se clara com a sua música a avançar para novos e futuros territórios. Álbum sem canções (à excepção de “Willie The Pimp” cantado por Captain Beefheart), Zappa investe todas as suas qualidades de compositor e arranjador num lote de temas rock que fortalecem a sua ligação ao jazz – é normal falar-se de “Hot Rats” como um dos primeiros discos de fusão. Zappa aparece também como guitarrista extraordinaire, dando uma voz nova às suas canções instrumentais. Este é o início de uma nova etapa, onde “Peaches En Regalia”, que abre o disco, brilhará para sempre com um dos mais conhecidos e fantásticos temas de toda a carreira de Zappa – permanentemente revisitado, aparece em cerca de uma dezena de discos. Mas não é só essa gema que brilha: “Son Of Mr. Green Genes” renasce de “Uncle Meat” num esplendor esmagador; “Lost Umbrellas” é uma delicada peça jazz que serviu como Lado B para “Peaches In Regalia”; “The Gumbo Variations” é uma maratona energética de 17 minutos que regista uma potente jam session de estúdio, com Ian Underwood (saxofonista nos Mothers) num épico desempenho; e “It Must Be A Camel” fecha “Hot Rats” com marca Zappa. Obra-prima que recupera e remasteriza a mistura original da edição vinil.

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Quinta-feira, 18 Setembro, 2014

FRANK ZAPPA Cruising With Ruben & The Jets CD

€ 16,50 € 8,95 CD Zappa Records

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Recuperando a cronologia, entre 1966 e 1968, Frank Zappa editou quatro álbuns essenciais – “Freak Out!”, Absolutely Free”, “Lumpy Gravy” e “We’re Only In It For The Money” -, fazendo um claro statement do caminho que queria seguir dentro das ideias do rock, com orquestras, colagens e muito experimentalismo a contaminar parte das suas partituras. Um dos elementos que ocasionalmente aparecem nas suas canções vem do doo wop, um género que acabaria por ser como que a pop que Zappa ouvia quando era mais novo. O gosto nunca desapareceria, como se comprova pela discografia futura (“Freak Out!”, na estreia, traz duas das canções deste disco), e em 1968, logo após o estrondo do combo “Lumpy Gravy”/”We’re Only In It For The Money” – duas faces da mesma moeda -, Zappa decide como que homenagear o doo wop com um disco limpo e cristalino que deveria derreter qualquer coração. Apesar da sua aparente distância ao universo anterior de Zappa, nem tudo o que parece é: a construção linear dos arranjos é aparente, e este foi também um disco conceptual que contou uma história de uma banda (a construção de personagens musicais foi sempre uma constante em Zappa). Poderá não ser o mais amado dos discos iniciais de Zappa – acaba por ser, ironicamente, o álbum mais estranho da sua discografia inicial -, “Cruising With Ruben & The Jets” é irresistível e de audição ultra-viciante.

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Segunda-feira, 15 Setembro, 2014

PARADISE’S DEEP GROOVE I Love 12″

€ 9,50 12″ (2014 reissue) E Legal

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ELS846206-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELS846206-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELS846206-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELS846206-3.mp3]

Com discos na Bottom Line e Easy Street, Nelson Roman esteve bem dentro da cena house nova-iorquina dos 90s. Este disco fixa um momento incrível na produção norte-americana, fazendo-nos para sempre pensar em como é estranho pensar em Nova Iorque como berço de um som que só evoca espaço aberto, mar e praia. O que a música faz, aqui, é claramente um transporte de emoções. Piano e aquele baixo gordo aparecem com protagonismo em “Hypnotic Flute”, mas a cadência lenta coloca as sensações em suspenso num desejo constante. Mais rápido e seria um ambiente totalmente diferente. Assim, nada aqui é urgente e, como tal, nada aqui se esgota mesmo após mais de 20 anos sobre a edição original. “Trance Dance” é uma das faixas e também é o nome que se deu ao modo de dançar que mostrava, pelo menos em teoria, o outro lado do intenso movimento jack nascido em Chicago. Harmonia, piano, baixo sempre oscilante, tudo tirado do manual que, em 1992, ainda estava a ser escrito por produtores como Roman.

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Segunda-feira, 15 Setembro, 2014

TIAGO EP 4 12″

€ 9,95 12″ Interzona 13

[audio:http://www.flur.pt/mp3/INZA1304-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/INZA1304-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/INZA1304-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/INZA1304-4.mp3]

Tiago sem título, três músicas anónimas e uma não ajuda mais, chama-se “Toic”. Todo o espaço para nós avançarmos com história para cada uma. De certa forma, o EP parece uma extensão de ideias que escutámos no CDR para a Noisendo, pensadas agora para maior duração, mas também na medida certa para a pista de dança. O ambiente do disco é sério, inspira reflexão mais do que extroversão, inspira vontade em desvendar o que acontece em torno do beat, e essa marca é a evidência de música especial. Tiago faz as quatro faixas existir num ponto de confluência entre techno, house e disco, uma condição híbrida que, da forma como nos é apresentada, soa natural. O que podia sem esforço ser alienante noutras mãos, Tiago consegue tornar enigmático e, como tal, puxar-nos para lá. O seu estúdio revela-se mais, aqui, como um portal para épocas e sensibilidades que ele faz conviver, interpretando a História ao seu modo.

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Quarta-feira, 3 Setembro, 2014

DJ CANDLE IN THE WIND On The Street Where I Gotta Be LP

€ 11,50 LP Iron Magnesium

[audio:http://www.flur.pt/mp3/IRONMAGNESIUMRECORDS004-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/IRONMAGNESIUMRECORDS004-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/IRONMAGNESIUMRECORDS004-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/IRONMAGNESIUMRECORDS004-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/IRONMAGNESIUMRECORDS004-5.mp3]

Apenas há poucos anos com este nome, Mikko Viljakainen aparece creditado em discos tão longe quanto 1991. Enfrentar mais um nome excêntrico saído da Finlândia já não parece estranho, mas existe sempre um grau de desorientação quando tentamos perceber um pouco melhor da história. Ouvir o LP significa mergulhar num banho sintético de batidas e synths que situam a acção numa cápsula analógica que mistura acid house com África, electro holandês, Miami, vibe latina e uma natureza cordialmente fora de quase tudo. Imaginem Dâm-Funk e Egyptian Lover, algo assim, muito por alto. A capa do LP conta uma longa história sobre DJ Candle In The Wind, não estamos inclinados a acreditar nela (claro) mas uma coisa, logo no início, é evidente: a História da música é feita de muitos nomes que operam nas margens do Conhecido. “On The Street Where I Gotta Be” navega confortavelmente ao longo dessas margens, aparentemente interessado apenas no seu próprio percurso, sinalizando de vez em quando na direcção de terra para qualquer um de nós que esteja receptivo no momento. Um seu hit anterior ilustra este video, Candle In The Wind na Jamaica a representar uma disfunção querida que assenta perfeitamente na família Sex Tags que anda a promover esta música. Check!

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Terça-feira, 15 Julho, 2014

LEVON VINCENT Solemn Days EP 12″

€ 10,95 12″ (2014 repress) Deconstruct

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DC-02-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DC-02-2.mp3]

5 anos após ter aparecido no mercado, peça essencial (como quase todas, até agora) no percurso de Levon Vincent, “Solemn Days” é reeditado para suster especulação de preços e fazer felizes todos os que, por algum motivo, não apanharam o disco na época. Directamente da escola dub clássica, as duas faixas constroem ambiente subaquático profundo, seguem com equipamento suficiente para se reconhecer o som de base, mas Levon sabe como manobrar tudo no clube, no chão, e não apenas, como muitos outros, apenas na cabeça ou no horizonte. A história que os dois temas contam é extremamente simples mas a narrativa é perfeita, serve para deixar entrar energia potente e revigorante, representa uma herança e também a certeza de que, algures, existe sempre alguém para confiar no momento presente. Bloco sólido de música eterna.

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Sexta-feira, 26 Novembro, 2010

RAFAEL TORAL Violence Of Discovery And Calm Of Acceptance CD / LP

€ 14,50 € 12,50 CD Touch

€ 16,50 € 13,50 LP Staubgold

[audio:http://www.flur.pt/mp3/TO48-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TO48-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TO48-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TO48-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TO48-5.mp3]

Há discos que nunca deveriam desaparecer da nossa vista, a sua ausência distorce a História e desrespeita as novas gerações que vão chegando à música com vontade de saber mais e melhor. “Violence Of Discovery And Calm Of Acceptance” esteve indisponível durante demasiado tempo, mas finalmente aparece em nova edição, na Touch. É, para nós, o disco perfeito de Toral, onde todo o léxico desprendido em obras anteriores (“Sound Mind, Sound Body” e “Wave Field”, sobretudo) encontra o sublime, numa ideia acabada do seu ambientalismo multiangular. Esta obra de 2001 (que junta trabalho de casa dos 7 anos anteriores), foca-se, mais uma vez, na guitarra, e todo o universo sonoro que Toral aprendeu a extrair. Parece um mundo distante, se entretanto olharmos para o seu trabalho mais recente, mas nem essas teorias se desvaneceram para o músico, nem este álbum deixou de nos cativar por completo. É sempre redutor quando condensamos uma vasta e importante carreira num álbum ao qual chamamos obra-prima, mas esta reedição ajuda-nos a ter essa tentação. Para quem ainda não andou por aqui, convém não perder mais uma oportunidade.

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Quinta-feira, 14 Setembro, 2006

RAFAEL TORAL Early Works CD

€ 15,50 € 8,50 CD Tomlab

[audio:http://www.flur.pt/mp3/TOM19-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TOM19-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TOM19-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TOM19-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TOM19-5.mp3]

Depois de ter gravado “Violence Of Discovery And Calm Of Acceptance”, Rafael Toral sentiu necessidade de se reencontrar com algumas gravações do início da sua carreira. Este “Early Works” é como a base dessa viagem, são as gravações mais antigas que revisitou (tinham cerca de quinze anos) e uma espécie de elemento primitivo para o trabalho que estava a desenvolver na altura (à volta dos 2000s). São atmosferas que estão algo distantes daquilo que Toral faz hoje – ou que tem feito desde que iniciou o projecto “Space” – mas que são um complemento essencial para obras como o já referido “Violence…”, “Sound Mind Sound Body” ou “Cyclorama Lift”. Simultaneamente mostra-nos o talento precoce de Toral bem como a existência de momentos sublimes na música ambiental/electrónica portuguesa dos anos 1980s. Há alguma inocência nas peças de “Early Works” (algumas delas parecem momentos incompletos), notando-se a ausência de uma perspectiva mais construtiva nas ideias das peças, que acaba por funcionar a favor de uma beleza muito crua, não ao serviço da continuidade – ou de uma narrativa – mas do momento em si. São como polaroids do que aconteceria mais tarde na carreira de Rafael Toral. E o melhor é que “Early Works” soa tão bem hoje como na altura do seu lançamento original (2002): há qualquer coisa de eterno nestes trinta e cinco minutos de baú.

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