Sexta-feira, 10 Outubro, 2014

LUST 845: LUÍS FERNANDES


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

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10.10.2014
SEMIBREVE 2014
por LUÍS FERNANDES

Uma das principais memórias que guardo da primeira edição do Festival Semibreve não é um concerto. É sim um bar fumarento repleto de gente. Nele tanto podíamos encontrar o Carsten Nicolai em amena cavaqueira com o Fennesz, como o Hans-Joaquim Roedelius a espalhar simpatia por quem o rodeava ou o Murcof a observar uma partida de bilhar entre dois desconhecidos.
Talvez esta seja a melhor forma de transmitir o que é o Festival Semibreve. Uma altura do ano em que alguns dos artistas que mais gosto se reúnem em Braga para um festival pequeno mas ambicioso no qual se vive um ambiente de proximidade e comunhão entre organização, artistas, jornalistas e público.
A juntar à equação, uma das salas mais bonitas e bem equipadas do país, que permite amplificar consideravelmente a experiência.
Três anos passaram e esta semana terá lugar a 4ª edição do festival. Não podia estar mais feliz.
Para além de um programa de concertos entusiasmante, que inclui Roll The Dice, Demdike Stare, Ryoichi Kurokawa ou Plaid, teremos instalações do brilhante Mark Fell e da polaca Anna Zaradny. Veremos também o âmbito do festival alargado a uma nova estrutura da cidade, o GNRATION, que albergará a maior exposição de instalações do festival até à data e a estreia da programação noturna, orientada para a pista de dança, com Sensate Focus e Miles.
Fica o convite para que possam aparecer e usufruir do festival.
A vossa presença é fundamental.

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habituamo-nos a ver o resto do país sem as coisas de que gostamos e ficamos contentes por cidades como braga terem um festival onde apetece estar. melhor ainda é uma cidade que ofereça música destas o ano inteiro. e eis que luís fernandes, para além de liderar a equipa do semibreve, também tem a cargo o espaço gnration que há pouco tempo começou uma segunda vida. é entre este espaço e o bonito theatro circo que decorre o semibreve 2014. mas luís não é só um homem dos bastidores. fora da lista extensa de colaborações regulares, peixe:avião, astroboy, quest e os discos pad têm também a sua máxima atenção.



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Quinta-feira, 9 Outubro, 2014

CAN Ege Bamyasi CD / LP

€ 16,50 € 9,95 CD (reissue 2007) Spoon / Mute

€ 23,50 LP (reissue 2014) Spoon / Mute

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“Ege Bamyasi” abre com “Pinch”, uma canção que começa antes de começar. Sente-se aquele fluir de como as gravações dos Can ocorriam, horas de ensaios e um repescar do que achavam essencial dessas sessões. Esta sugestão não era novidade na então – 1972 – discografia dos Can, mas nunca um disco deles tinha começado tão já dentro do espírito de qualquer coisa. Pode parecer capricho, ou até um pensamento de quem ouve o álbum conhecendo o que está para a frente e para trás com o distanciamento histórico, mas é um pormenor que afasta “Ege Bamyasi” imediatamente de “Tago Mago” e que assinala logo ali como os três discos da trilogia (com “Future Days”) com Damo Suzuki são todos diferentes e riquíssimos, sem medo de experimentar, sem estarem presos a formas (algo que dificilmente se encontra nos discos dos Can, mas é mais fácil de situar os que estão antes e depois). “Ege Bamyasi” é um disco que se situa num não lugar, com um som único, a guitarra e os solos de Karoli são límpidos e aéreos como em nenhum outro momento dos Can, os sintetizadores não têm medo de subir e criar lugares que existiriam na pop mainstream dez anos depois. A bateria de Liebezeit é como que uma paisagem flutuante, precisa como sempre, mas com uma cadência absolutamente mágica. Se “Tago Mago” é o afinar máximo do rock dos Can, “Future Days” um futuro maravilhoso que nunca existiu, “Ege Bamyasi” é a pérola pop dos três, o disco cósmico e baleárico com um groove irrepetível.

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Quinta-feira, 9 Outubro, 2014

SHIELD PATTERNS Contour Lines CD

€ 14,95 € 12,50 CD Gizeh Records

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Quando entramos em “Shade”, o primeiro tema de “Contour Lines”, somos confrontados com o fantasma de Kate Bush, esvoaçando por um caminho de electrónica etérea, ambiental mas com um ritmo quase cardíaco. A voz de Claire Brentnall tem essa qualidade frágil, de parecer ziguezaguear-se no ar com o seu timbre falsamente pueril. Não há aproximações forçadas – o canto da cantora de Manchester é, de facto, próximo de Bush, mas há uma naturalidade sussurrante que nos surge autêntica. A música de Richard Knox, a outra metade do duo, faz o resto: ambientes detalhados, cheios de pormenores e arestas, que deixam sempre espaço para que a voz de Claire seja o centro, pois “Contour Lines” é um disco pop, de canções e palavras, mas mergulhado numa névoa difusa que nos momentos de maior agitação parece fazer emergir o trip hop – “The Rule” tanto assume essa fórmula como a parece negar quando cria espaços de vácuo onde é a voz que salva tudo. O terreno dos Shield Patterns não é mais luminoso – há uma negritude que atravessa todo o álbum -, mas o duo parece ter meios e ideias para sistematicamente convencer-nos que não há mal nenhum em gostarmos da sua música. Feito que se torna bem fácil depois de um trio de audições cuidadas.

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Quinta-feira, 9 Outubro, 2014

PETER EVANS QUINTET Destination : Void CD

€ 12,95 CD More Is More

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O tema “12″ que abre o novo álbum deste quinteto é dedicado a Evan Parker o que faz com que tudo comece com uma fúria circular de Peter Evans que, passado pouco tempo, vai sendo desmultiplicado por Sam Pluta em electrónica; depois, Ron Stabinsky em piano, Tom Blancarte em baixo e Jim Black em bateria juntam-se enquanto Evans vai marcando uma direcção feita por uma frase que se vai repetindo com um rigor estonteante, quase maníaco, mas construindo a solidez necessária para os seus músicos gravitarem em seu torno. O poder de Peter Evans será sempre esse, de eterna referência física e musical, em que todos podem contar. Quando “12″ se vai extinguindo, é ainda Evans quem vai segurando a estrutura do tema, como um timoneiro que não abandona a sua nave; e quando damos por nós, já nova geometria alucinante está traçada com “For Gary Rydstrom And Ben Burtt”. Se com o seu octeto, ao vivo, já tínhamos notado a escrita obsessiva e repetitiva, o seu quinteto aligeira os jogos entre os músicos/secções mas torna tudo mais frenético e hipnotizante. Os dois restantes – e longos – temas prometem menos rigor e mais divertimento, com outro tipo de diálogos (e paisagens), mas o rigor está lá e só a ingenuidade poderia convencer-nos que Peter Evans iria deixar as coisas sujeitas à sorte dos seus intervenientes. O trompetista é um prodígio, já se sabe, e, porque nos habituamos a vê-lo ao vivo, convém não esquecer que a sua genialidade abarca as suas composições e arranjos para este quinteto magnífico. Absolutamente esmagador e um dos discos do ano!

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Quinta-feira, 9 Outubro, 2014

FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION Over-nite Sensation CD

€ 16,50 € 8,95 CD Zappa Records

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Em 1972, o combo “Waka/Jawaka” e “The Grand Wazoo”, fruto de alguns acidentes de percurso, atirou Zappa para o jazz (de vistas largas), longe das canções, como se o recolhimento o obrigasse a concentrar-se na escrita e em soberbas jam sessions. Fusão jazz rock no seu estado mais crisálido e cristalino. No ano seguinte, este “Over-Nite Sensation” devolve-nos Zappa em formato rock, com canções que são, de “Camarillo Brillo” a “Montana”, uma série de clássicos arrebatadores que ainda hoje abraçam recém-chegados à obra do mestre. A sério, tudo gemas, tudo música feliz, como se comprova pela rotação em palco nos concertos. Voltam os Mothers Of Invention, carimbando um apogeu criativo – mais um; andam a contá-los? – que, embora haja quem torça o nariz ao humor subversivo, é infalível e demolidor. Cronologicamente, o saco de obras-primas enche mas para “Over-Nite Sensation” não há outro elogio e adjectivo possível. Absolutamente essencial.

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Quinta-feira, 9 Outubro, 2014

FLYING LOTUS You’re Dead CD / 2LP

€ 14,50 CD Warp

€ 22,50 2LP Warp

Flying Lotus chegou definitivamente ao ponto em que consegue exibir colaborações significativas sem esforço. Quer dizer, Herbie Hancock? É preciso ser muito respeitado. Ainda Snoop Dogg (participou em todos os álbuns de toda a gente em 2013 e 2014), Kendrick Lamar, Angel Deradoorian (Dirty Projectors), por exemplo. E é um álbum de jazz? Em 2014 é, mas também é um disco de fusão. Parece virtualmente impossível mapear todos os pontos do território neste álbum, como é habitual em Flying lotus, labiríntico, complexo, a disparar em vários sentidos. frequentemente soa como um momento de quase-sono em que um rádio está ligado e absorvemos a música num estado de semi-inconsciência sem procurar interpretar o que escutamos. “You’re Dead!” requer uma audição de cabeça mais ou menos virgem para não bloquear estímulos com interrupções muito profundas para raciocínio. Ele consegue mais uma vez entrar na nossa cabeça e plantar uma infinidade de pormenores que cabe a nós deixar florescer. Encontra-se bastante além de um mero álbum de batidas e samples – esses elementos são a essência do aspecto físico, aqui, mas o que eles transmitem e como o transmitem tem de ser apanhado mais acima, em ascensão, antes que se escape e passemos ao álbum seguinte na nossa lista de escutas necessárias.

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Quinta-feira, 9 Outubro, 2014

ROMAN FLÜGEL Happiness is Happening CD

€ 14,95 € 12,50 CD Dial

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“Happiness Is Happening” é uma continuação de “Fatty Folders” (2011), o que nem é uma verdadeira surpresa pois estes são, até hoje, os dois únicos álbuns que assumem o nome de Roman Flügel. Em três anos as coisas melhoraram muito. Techno e electrónica de classe, com uso e abuso daquela batida muito caraterística de Flügel – o que neste mundo é um dos maiores elogios que se pode fazer. “Happiness Is Happening” é também um manual de sobrevivência, com caminhadas por entre techno e electro que nos remetem para Detroit, para Drexciya ou Carl Craig, para Colónia, e para mais uns lugares que são vintage por natureza – até há uma marca no mapa em Dusseldorf, terra dos Kraftwerk. Não é, contudo, por causa dessa familiaridade que este álbum deixa a sua frescura noutras mãos: é justamente o modo como tudo se opera na citação em torno do hipnotismo melódico que nos arrebata os sentidos. A lição rítmica ficou aprendida e “Happines Is Happening” é o que acontece quando os movimentos estão automatizados e as emoções tomam conta da mensagem. Viciante.

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Segunda-feira, 6 Outubro, 2014

FELA KUTI Expensive Shit LP

€ 18,50 LP (2014 reissue) Knitting Factory Records

“Expensive Shit” é um daqueles clássicos intemporais de Fela Kuti e, também, um dos favoritos aqui da loja (mesmo ao lado de “Zombie”). É a primeira vez que o temos em vinil, numa aguardada e recente reedição. A faixa título tem os elementos clássicos de alguns dos momentos mais felizes da discografia de Fela, um sentimento jazz frenético, uma alegria e humor mordaz contagiantes, teclados mágicos e um ritmo absolutamente compulsivo e que faz levantar os pés da terra. Já “Water No Get Enemy” é bem mais lento e, comparativamente, com uma raiz mais jazz e com um uso mais hipnótico da repetição, que conquista em cada uma das diferentes secções do tema. Os dois temas de “Expensive Shit” funcionam como um lado A e lado B num frequente contraste de mãos dadas.


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Sexta-feira, 3 Outubro, 2014

CAN Soundtracks CD / LP

€ 16,50 € 9,95 CD (reissue 2007) Spoon / Mute

€ 23,50 LP (reissue 2014) Spoon / Mute

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“Soundtracks” é o segundo disco dos Can mas também uma compilação com temas que gravaram para filmes. É também um álbum misto, ainda muito colado à natureza rock dos Can, mas que conta já com a participação de Damo Suzuki nalguns temas e já se sente um clima de mudança que depois se viria a confirmar em “Tago Mago”. Acima de tudo, e apesar das diferenças notórias entre temas – pela fluência dos vocalistas -, é um grande disco de singles dos Can. Não há aqui um único tema que não seja um clássico instantâneo de rádio, até o mais livre e longo, “Mother Sky”. “Deadlock”, “Soul Desert” e especialmente “She Brings The Rain” são algumas das canções-canções no sentido mais tradicional do termo que alcançam um conforto notável e onde já se começam a notar subtis diferenças no som da banda, a sair do lado mais cru de “Monster Movie” e a entrar no território mais livre que se encontra nos três álbuns seguintes. Apesar da estranheza que causam as mudanças súbitas por serem diferentes vocalistas, “Soundtracks” é incrivelmente sólido e inatacável.

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Sexta-feira, 3 Outubro, 2014

CAN Monster Movie CD / LP

€ 16,50 € 9,95 CD (reissue 2007) Spoon / Mute

€ 23,50 LP (reissue 2014) Spoon / Mute

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A fase dos Can com Malcolm Mooney tem uma dinâmica muito própria, presa a uma estrutura rock, devedora de um certo psicadelismo britânico e do garage rock norte-americano, e com canções povoadas com letras influenciadas pela poesia beat num regime repetitivo e hipnótico onde a falta de sentido não pede licença: preste-se o mínimo de atenção às letras e quase que não dá para levar a sério. Mas isso não importa, porque é fascinante a forma como Mooney as trabalha e ajuda a desconstruir a fórmula rock da qual os instrumentais partem, dando um sentido muito próprio àquilo que é dito/cantado e que torna quase místicos momentos como “Father Cannot Yell” ou a sempre-monumental “Yoo Doo Right”. É sempre difícil argumentar quem influencia mais quem aqui, ou quem se deixou influenciar, ou se Mooney prendia os Can a uma certa fórmula à qual Damo Suzuki ofereceu depois uma libertação, mas há uma química perfeita entre todos os membros e que torna a fase Mooney numa história única dentro da história dos Can. E se de certa forma podemos relacionar os Can posteriores com o que na generalidade acontecia com a Alemanha do krautrock, os discos com o cantor norte-americano (“Soundtracks” e a compilação “Delay”) são autênticos portentos do rock do final dos anos 1960.

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Sábado, 27 Setembro, 2014

CLUSTER Apropos Cluster LP

€ 16,50 € 15,95 LP (2014 reissue) Bureau B

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Moebius e Roedelius juntaram-se de novo como Cluster mesmo no final da década de 8o e um dos resultados foi este álbum que pode ser encarado como um estudo sobre Cluster feito pelos próprios. Ouvir a longa faixa-título equivale a um mergulho sólido na substância activa, rica, dos álbuns da década de 70 e de material a solo de Dieter Moebius e Hans-Joachim Roedelius já dentro dos 80s. Forte música de pesquisa no Espaço, sem mácula, sem pop. É no outro lado do LP (o lado A) que ouvimos Cluster mais exóticos, pop. Um maravilhoso e datado “Grenzganger”, completamente dentro dos sons dessa década; “Emmental” coloca o piano de Roedelius em evidência num todo que poderia incluir Mick Karn a tocar baixo; “Gespiegelt” antecipa por mais de uma década o som que hoje associamos à série “pop Ambient” da Kompakt – uma espécie de ambientalismo exótico com todo o poder sintético e cristalino dos 80s semi-New Age; a encerrar o lado A, “Falls” forma um pequeno turbilhão sinfónico falso, uma jornada no meio do campo, drama, tensão e um propósito para agir. Nada aqui parece a mais.

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Quinta-feira, 18 Setembro, 2014

V/A Rick Wilhite presents Vibes: New & Rare Music 2 CD

€ 14,95 CD Rush Hour

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Parte 2 da série em que Rick Wilhite leva Detroit até ao mundo a partir da sua base, a loja (entretanto fechada) Vibes. A música seleccionada para estas compilações é-lhe entregue em mão, em vários casos, para opinião pessoal. reflecte a actualidade house na cidade e, nesse aspecto, reflecte a herança, porque há nomes clássicos a produzir coisas relevantes: Moodymann, Josh Milan (Blaze), Jovonn, Orlando Voorn, etc. O álbum transmitirá para a frente tudo o que foi acumulado de experiência até ao momento na fértil cena house de Detroit. Fixa mais um período (a última compilação saiu em 2011) e entrega música para dançar que não procura carisma forçado. Existe algures uma auto-estrada onde estas faixas se cruzam em constante movimento, o fluxo parece ininterrupto. House!

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1.Josh Milan – “Electro Dreams” 2.Jovonn – “Ruff” 3.TJ Dumas – “Gin Gimlet 3 Cherries”
4.Gerald Mitchell – “It’s The Future” 5.Moodymann – “Momma” 6.Norm Talley & Rick Wilhite – “30 Years Later” 7.Orlando Voorn – “The Recipe” 8.Jon Easley – “Lemon Lime” 9.Dj Stingray – “Temporary Bond” 10.K Alexi – “I Am N Lust” 11.Rick & Calvin – “Memories Analia”

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Quinta-feira, 18 Setembro, 2014

V/A Rick Wilhite presents Vibes: New & Rare Music 2 (Part 2) 2LP

€ 16,95 2LP (part 2) Rush Hour

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Segunda-feira, 15 Setembro, 2014

FRANK ZAPPA Apostrophe (‘) CD

€ 16,50 € 8,95 CD Zappa Records

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Se perceberam a importância avassaladora de “Over-Nite Sensation” decerto perceberão que o segundo álbum de 1973 (embora com data de saída de 1974) de Frank Zappa é a sua melhor companhia. Na realidade, nasceram no mesmo local e partilharam o mesmo berço. Mas enquanto o primeiro foi um disco feito com os seus Mothers Of Invention (e uma Tina Turner que ficou por creditar porque Ike Turner não percebeu o que se passou no estúdio), “Apostrophe” é um álbum creditado apenas a Zappa embora tenha um leque de músicos vindos dos Mothers. Há uma óbvia ligação com o seu álbum anterior mas as canções são mais afiadas, mais livres mas também mais roqueiras, sem alguma da polifonia de “Over-Nite Sensation”. “Apostrophe” é – não pensem o contrário! – indispensável, embora a ausência dos clássicos do álbum anterior possa indicar menor poder de fogo – se quiserem fogo imediato, saltem para o tema-título instrumental e protejam-se das fagulhas da jam com Jack Bruce dos Cream. Menor poder de fogo? Total engano: 1973 é ano vintage para Zappa em estúdio e um ano de referência a partir de agora – o próximo destaque, “Roxy & Elsewhere”, também nascido em 1973 e editado no seguinte, documentará Zappa e os seus Mothers em palco… com mais originais e mais hipóteses, claro.

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Quinta-feira, 12 Junho, 2014

V/A Rick Wilhite presents Vibes: New & Rare Music 2 (Part 1) 2LP

€ 16,95 2LP (part 1) Rush Hour

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Sexta-feira, 16 Maio, 2014

KANGDING RAY Solens Arc CD / 2LP

€ 15,95 € 14,50 CD Raster-Noton

€ 15,95 € 14,50 2LP Raster-Noton

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Não estávamos bem à espera que um novo álbum de Kangding Ray soasse assim, tão certeiro. Não sabemos o que aconteceu nas suas outras obras, mas talvez se chame a isto crescimento e evolução. De repente, o que parecia música adaptada a regras muito definidas, parece agora estar com vontade de questionar os seus limites. Ainda há techno sufocante e negro, embora agora se serpenteie por entre ambientes repletos de bits e oxigénio. De certa maneira, o digital dilui-se numa paisagem claramente mais orgânica, criando temas que não são apenas intervalos, são composições de gloriosa luminosidade, fazendo-nos lembrar o modo desenvolto com que Jon Hopkins encara os seus bê-pê-émes. Não são muitos os músicos que conseguem harmonizar um percurso que ora está em alta rotação por minuto, ora parece mover-se em super câmara lenta. Nem sempre é essencial que um álbum seja assim, mas “Solens Arc” mostra apuro, trabalho e horizontes abertos, até onde a nossa audição alcança. Seja escutando o vento ou rodopiando numa das mais esmagadoras versões IDM que o novo-século nos deu, este “novo” Kangding Ray obriga-nos a prestar toda a atenção. Que boa surpresa. Sobretudo para quem segue os passos da Raster Noton e, por exemplo, da Blackest Ever Black.

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Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

NICO MUHLY Mothertongue CD

€ 12,50 CD Bedroom Community

SSó pelo currículo, Nico Muhly tem um percurso que já chama a atenção. Bjork, Bonnie “Prince” Billy, Philip Glass e Antony são alguns dos nomes com quem já colaborou. “Mothertongue” é o segundo álbum e o se o primeiro (“Speaks Volumes”) não puxou pela atenção dos mais distraídos, este já lhe deu direito a imensos destaques, incluindo um profile na prestigiada New Yorker. Dividido em três partes (“Mothertongue”, “Wonders” e “The Only Tune”), “Mothertongue” é uma invulgar incursão na música contemporânea, porque a trata como música pop. Steve Reich, Terry Riley e Philip Glass são referências óbvias, Muhly evoca-os desfigurados em arranjos glaciares, num excesso de pormenores que no aglomerado transformam o espaço da sua música num local tanto aprazível quanto fantasmagórico. A produção, mais uma vez a cargo de Valgeir Sigurdsson, talvez remeta para o universo gélido da Islândia (pense-se em Sigur Rós) numa primeira abordagem, mas as próximas darão para ver que há algo de muito maior ali, não só distinto, com propriedade, mas, perdoe-se a redundância, mesmo Maior. Imaginem Colleen, em versão masculina, imaginem o mundo abstracto analógico dos Books, pensem na arte da colagem de Steve Reich, e amplifiquem tudo isto numa mente mais arrojada, ambiciosa, que faz da música contemporânea (e clássica, já agora) um instrumento pop todo-o-terreno. Uma das melhores surpresas do ano.

[...] Nico Muhly é, aos 26 anos, mais um nome a ter em conta no panorama da música contemporânea nova iorquina. «Mothertongue» é o seu disco mais interessante de sempre. 4/5 in In’/DN (Nuno Galopim, 02/08/08)

[...] Aos 27 anos, o compositor Nico Muhly é um dos criadores mais aplaudidos daquela parte incerta em que a música erudita contemporânea se mete com a música popular e fica difícil distinguir os corpos.(…) A suite “Mothertongue” sublinha os dotes de Muhly como cientista de estúdio. 4/6 in Time Out Lisboa (Jorge Manuel Lopes, 30/07/08)

[...] Através do tratamento de sons concretos, de manipulação minimal, dos detalhs digitais, e de “erros” convertidos em descobertas, assiste-se ao fervilhar de um pulsar orgânico fascinante. 4/5 in Blitz (Pedro Dias da Silva, 01/08/08)

[...] Álbum flexível, arrojado, entusiasmante. 4/5 in Público/Ípsilon (Vitor Belanciano, 01/08/08)

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