Sexta-feira, 14 Novembro, 2014

LUST 850: JOÃO ERVEDOSA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

14.11.2014
A BELEZA DA DECADÊNCIA
por JOÃO ERVEDOSA

A decadência é um tema que tem inspirado criativos de diversas áreas
desde o final do século XIX.
Aí se iniciou uma corrente artística que se focava no cansaço da civilização
e na busca de sensações novas e intensas
que ofuscassem o tédio e a monotonia,
pondo em causa a moral, o progresso,
a revolução industrial e os costumes burgueses.

Ainda que adaptado e abrangendo outras ideias,
este conceito perpetuou até à pós-modernidade,
influenciando músicos, fotógrafos,
arquitectos e criadores em geral.
Nas últimas décadas do século XX ressalta para alguns
a melancolia de um século de fracasso que produziu vários desastres,
frutos de uma falha na evolução humana,
de um capitalismo exacerbado
e de uma crise de identidade cultural.
Tendo como caso mais evidente a cidade de Detroit,
uma cidade abandonada pela recessão económica,
assiste-se ao aparecimento de uma fornalha de artistas
que vão beber à decadência urbana,
às ruínas industriais e edifícios abandonados,
encontrando beleza nos locais mais improváveis,
que lhes servem de inspiração
para a criação de um novo género musical: techno.

Uma metrópole em ruínas, assombrada,
anteriormente próspera,
provoca um misto de espanto e de nostalgia:
o estado actual de decomposição
e a imaginação de um passado de esplendor e imponência
atribuem à cidade a beleza sublime da decadência,
motivo de contemplação e de inspiração.
Deserta, esquecida, em colapso,
fria mesmo no pico do verão
mas prolífica em motivar artistas na criação musical.

Outro exemplo igualmente evidente é Berlim.
A queda do muro
e consequente sensação de liberdade por parte dos seus habitantes
foi canalizada criativamente para a reutilização de espaços
até então abandonados.
Alguns destes locais, na sua maioria ruínas industriais,
aos quais foi dada uma segunda oportunidade,
deram origem aos primeiros clubes,
cenários onde o techno foi primeiramente ouvido na europa,
fundamentais enquanto estímulo para a regeneração urbana
e para a consolidação do techno enquanto fenómeno global.

Se para alguns autores e pensadores críticos da indústria,
esta tinha substituído a arte,
aqui a arte e a indústria andam de mãos dadas,
desde a inspiração ao processo criativo,
chegando mesmo a ser a arte a ocupar espaços
outrora ocupados pela indústria.
Esta tem sido a principal fonte de inspiração
para os criadores deste género musical
ao longo dos seus já mais de 30 anos de existência e constante inovação.
LONG LIVE TECHNO!

—–

joão ervedosa grava como shcuro; “black acid” é o seu primeiro maxi em vinil, acaba de sair na editora que ele próprio ajudou a criar: sombra. todas as indicações remetem para o texto que nos ofereceu. as suas ideias borbulhavam já há alguns anos sob a superfície e, seguindo o melhor exemplo, resolveu fazer as coisas e não esperar mais que outros as fizessem por si. é na sombra que a iluminação faz mais diferença, não?



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Quinta-feira, 13 Novembro, 2014

V/A The French Avant Garde In The 20th Century 2CD

€ 16,50 € 13,95 2CD LTM

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Há uns meses, mergulhámos em “A Young Person’s Guide to the Avant-Garde”, um óptimo e histórico compêndio para ouvirmos algumas das revoluções sonoras do século passado. A LTM continua a demanda com a edição de mais um volume da “série” com um foco especial e dedicado ao vanguardismo francês. Cem anos de música, brutalmente condensados num duplo CD que tenta homenagear autores e compositores que ficaram nos livros como estetas francófonos de referência. O cronograma começa com Claude Debussy e “Prelude: Canope” de 1901, um pequeno pedaço de modernidade. O passeio atravessa muitos géneros – dada, surrealismo, música concreta, electrónica -, mostrando as diferentes cores da revolução contínua. Há também algumas estreias em disco, um livrinho que aborda todos os autores, e 140 minutos de profunda e rara agitação criativa. Às vezes pensamos que o futuro está aqui à nossa volta, mas ele já começou há muito, e com mais de 100 anos, está mais fresco e vanguardista do que nunca.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

CD1:
1.Claude Debussy “Canope” (1909) 2. Erik Satie “Trois morceaux en forme de poire” (1903) 3. Guillaume Apollinaire “Le Pont Mirabeau” (1913) 4. Marcel Duchamp “Musical Erratum” (1913) 5. Georges Ribemont-Dessaignes “Le Nombril interlope” (1920) 6. Jean (Hans) “Arp Strassburgkonfiguration” (1931) 7. Francis Picabia “La Nourrice américaine” (1920) 8. Arthur Honegger “Pacific 231″ (1923) 9. Jean Cocteau “Les Voleurs d’Enfants” (1929) 10. Robert Desnos “Relation d’un rêve” (1938) 11-16. “L’Album des Six” (1920) 17-20. Dane Rudhyar “Tetragram #3 (Rebirth)” (1927) 21. Olivier Greif “2nd Hommage à Raymond Roussel” (1971)

CD2:
1. Olivier Messiaen “Cantéyodjayâ” (1949) 2-6. Pierre Schaeffer “Cinq études de bruits” (1948) 7. Pierre Henry “La Voile d’Orphée” (1953) 8. Edgard Varèse “Poème électronique” (1958) 9. Pierre Boulez “Sonatine, pour flûte et piano” (1946) 10. Jean Catoire “Opus 145″ (1969) 11. Philippe Hersant “La lande” (2001)

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Quinta-feira, 13 Novembro, 2014

JANEK SCHAEFFER Lay-by-Lullaby CD

€ 14,50 € 12,50 CD 12K

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Em 2010, Schaefer criou uma instalação sonora em que explorava a velocidade da nossa vida, como se andássemos demasiado depressa numa via da estrada. “Lay-By Lullaby” é uma possível companhia para essa instalação, fazendo uma parelha sonora que nos convida a abrandar e a sonhar. Feita com gravações de campo efectuadas à volta do seu estúdio, onde passa a autoestrada M3, Schaefer pega no simbolismo do local – Ballard viveu bem próximo dali durante os anos em que a estrada era construída e enquanto escrevia “Crash” e “Concrete Island” – para criar uma alegoria sonora sobre a pressa que imprimimos a tudo o que fazemos. Musicalmente, pensem no movimento circular de Basinski e no espírito fantasmagórico de Leyland Kirby para sentirem “Lay-By Lullaby”, com pedaços reais a serem despedaçados pelo desaceleramento do relógio. De repente, sentimos que andamos depressa demais: esta música, hipnótica, aconchegante,
não é mostra senão o nosso ritmo natural. Nem sempre gostamos que nos mostrem a verdade, mas esta é bem-vinda. Lindíssimo e a não perder.

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Quinta-feira, 13 Novembro, 2014

GALA DROP II CD / LP

€ 9,95 CD Golf Channel / Gala Drop Records

€ 15,95 LP Golf Channel / Gala Drop Records

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“All things in their time, all things in their season, all things under the right sign.” Esta frase, em “All Things”, parece resumir o acontecimento que é a edição do segundo álbum de Gala Drop. Em mutação constante (e sonicamente radical) desde a primeira encarnação conhecida no chão da ZDB, a banda cresceu para um controle de groove cada vez mais explícito. A capacidade exploratória não se perdeu, mas a neblina do desconhecido ainda muito presente no primeiro álbum, em 2008, levantou para uma definição de intenções mais universalista, com os braços mais abertos. A voz e mensagem de Jerrald James aqueceram mais a terra por onde passam. A sua experiência como músico em unidades paranormais como as constituídas por George Clinton ou Theo Parrish (Parliament / Funkadelic e The Rotating Assembly) não fazia prever (nem para ele próprio) uma vida prolongada enquanto vocalista de uma banda, muito menos em Lisboa. Ele é talvez o elemento que mais diferença faz no túnel de luz que separa os Gala Drop de ontem da banda de hoje, mas o todo viaja junto, que não existam dúvidas quanto a isso. “Samba Da Maconha” fecha o álbum e, tal como um set de DJ que arranca do público a clássica frase “Ninguém acaba assim!”, deixa-nos à espera de mais, de um prolongamento que, por restrições físicas, só ouviremos num próximo disco. O efeito que tem não é de algo inacabado e sim de algo que se deseja prolongado. Fechando o círculo / Abrindo o círculo, ouvimos a máquina pop de Gala Drop na canção de abertura, “You And I”, a explicar com a prática como se parte de um tapete dub mais ou menos seguro para uma êxtase melódico quase oriental, intenso e conquistador. Na faixa seguinte (“Big City”) aparece verdadeiramente Jerrald como cantor, e assim desaparece a ideia de que a voz serviria apenas como instrumento adicional; “Sun Gun” reforça essa ideia, dobra o som de guitarra, aumenta de velocidade e é verdadeiramente aqui que o álbum se torna imparável. Gala Drop seguem enquanto mestres do equilíbrio entre estilos; muita coisa é admitida no fogo central que alimenta e ilumina, não se rejeita o que à primeira vista parece desadequado, procura-se admiti-lo e acomodá-lo. Fazer aqui uma pausa.

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Terça-feira, 11 Novembro, 2014

DEAN BLUNT Black Metal CD / 2LP

€ 11,95 CD Rough Trade

€ 28,50 2LP Rough Trade

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Aplica-se: somos do tempo em que Dean Blunt nos vinha entregar em mão CDRs de Hype Williams. Não passou muito tempo, mas desde então muita coisa mudou. O som que faz hoje, desde “The Redeemer”, que pouco tem a ver com a sonoridade de Hype Williams. Contudo, algumas formas, uma forma de procurar continua lá. E é por isso que apesar de “Black Metal” (o título é mais um artifício à Blunt) ser ainda mais pop do que “The Redeemer” (que era uma ode a Arthur Russell), quase cheesy, nós ouvimo-lo como sendo uma qualquer coisa mais do que é. Parece presunçoso assumi-lo, mas sentimos que vale a pena fazê-lo porque mais cedo ou mais tarde descobrimos que é. Este é o disco mais “banda” de Dean Blunt, é uma coisa que tanto parece Yo La Tengo como um hit MTV pop de finais dos anos 1990 que hoje apenas vive nos charts da VH1 e nas nossas memórias tristes. Nas nossas e na de Dean, e entre algum do seu ruído típico, canções que claramente são mais arrojadas do que o formato pop geral de “Black Metal”, encontram-se algumas dessas memórias espalhadas por canções entre o cheesy e o mau gosto, mas suficientemente apuradas e ligadas a uma realidade de artifício que as tornam em qualquer coisa mais. Sabemos da fixação de Dean Blunt por algum do imaginário e atitude do início dos 1980 (muito do que os Hype Williams faziam, iam buscar aos Throbbing Gristle e arredores, por exemplo), e este disco claramente liga-se a projectos mais pop de artistas de outras áreas (já temos falado nalguns deles) que resolveram experimentar a fórmula e tentar a sua sorte. Blunt com “Black Metal” junta-se a esse panteão. Clássico.

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Segunda-feira, 10 Novembro, 2014

BRUCE LACEY The Spacey Bruce Lacey Vol.2 LP

€ 18,50 € 16,95 LP Trunk

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Como convém, no universo da Trunk, Bruce Lacey é um nome suficientemente obscuro e a sua personalidade suficientemente fora. A música recolhida em “The Spacey Bruce Lacey” atravessa algumas temporadas e apareceu originalmente em filmes que incluíam “sexo e pessoas nuas” e também em cassetes muito privadas. É o género de pessoa a quem dizem, a certa altura, que a sua música soa um pouco a Tangerine Dream e ele responde que não sabe quem são os Tangerine Dream. Mas essa comparação é fraca, julgando pelo material que agora escutamos. Electrónica muito profunda, no volume 1, apesar de o início sugerir um som mais concreto, solto. As várias faixas numeradas sob o título “Ancient Forces” partem numa viagem de exploração que, quase literalmente, aconteceu de facto. A história diz que o sintetizador monofónico que serviu de base às composições e improvisações de Lacey foi adquirido através de anúncio numa publicação de trocas e vendas. O dono era um miúdo que tinha construído a máquina pelas instruções de um kit na revista Practical Electronics. depois comprou mais material, que também foi vendido por um miúdo que tinha usado a mesma fonte (practical Electronics). A sua música foi parar a um documentário sobre Poly Styrene, que saiu dos X-Ray Spex em 1979; Brian Eno era amigo do namorado da filha de Lacey e disse-lhe que o seu sintetizador parecia vivo! Era assim tão abrangente. No volume 2, Lacey parece estar a receber e a retransmitir comunicações do Além-Espaço, apesar de a série de faixas chamadas “Earth Spirit” ter momentos mais meditativos e lineares. “Funky Dance” dispara sons do Planeta Proibido com um groove distorcido meio Ralph Lundsten. “Experiment 1″ tem voz, e podia ser Brian Eno raptado e alterado para improvisar sem nexo. Um salto da música concreta para industrial em vários passos e peripécias, tudo documentado com o habitual amor da Trunk pelo genuinamente estranho.

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Segunda-feira, 10 Novembro, 2014

BRUCE LACEY The Spacey Bruce Lacey Vol.1 LP

€ 18,50 € 16,95 LP Trunk

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Como convém, no universo da Trunk, Bruce Lacey é um nome suficientemente obscuro e a sua personalidade suficientemente fora. A música recolhida em “The Spacey Bruce Lacey” atravessa algumas temporadas e apareceu originalmente em filmes que incluíam “sexo e pessoas nuas” e também em cassetes muito privadas. É o género de pessoa a quem dizem, a certa altura, que a sua música soa um pouco a Tangerine Dream e ele responde que não sabe quem são os Tangerine Dream. Mas essa comparação é fraca, julgando pelo material que agora escutamos. Electrónica muito profunda, no volume 1, apesar de o início sugerir um som mais concreto, solto. As várias faixas numeradas sob o título “Ancient Forces” partem numa viagem de exploração que, quase literalmente, aconteceu de facto. A história diz que o sintetizador monofónico que serviu de base às composições e improvisações de Lacey foi adquirido através de anúncio numa publicação de trocas e vendas. O dono era um miúdo que tinha construído a máquina pelas instruções de um kit na revista Practical Electronics. depois comprou mais material, que também foi vendido por um miúdo que tinha usado a mesma fonte (practical Electronics). A sua música foi parar a um documentário sobre Poly Styrene, que saiu dos X-Ray Spex em 1979; Brian Eno era amigo do namorado da filha de Lacey e disse-lhe que o seu sintetizador parecia vivo! Era assim tão abrangente. No volume 2, Lacey parece estar a receber e a retransmitir comunicações do Além-Espaço, apesar de a série de faixas chamadas “Earth Spirit” ter momentos mais meditativos e lineares. “Funky Dance” dispara sons do Planeta Proibido com um groove distorcido meio Ralph Lundsten. “Experiment 1″ tem voz, e podia ser Brian Eno raptado e alterado para improvisar sem nexo. Um salto da música concreta para industrial em vários passos e peripécias, tudo documentado com o habitual amor da Trunk pelo genuinamente estranho.

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Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

WILDBIRDS & PEACEDRUMS Rhythm CD / LP

€ 15,95 € 11,95 CD Leaf

€ 17,50 € 15,95 LP+CD Leaf

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Wildbirds & Peacedrums são um dos mais originais projectos dos últimos anos. Não vos temos escondido isso. Mas convém sempre lembrar. Este duo, marido e mulher, de Estocolmo, continua a trilhar um caminho que tem tanto de original como de corajoso. Voz e percussão pode não ser um combo original, nem na pop, mas a energia de Mariam e Andreas transpõe barreiras e convoca demónios. Depois de a ambição ter tomado conta do duo – o que só lhes ficou bem, atenção! -, com “Rivers”, sobretudo, em 2014 assumem que o seu objectivo foi regressar às origens, quando tudo circulava à volta da voz incrível de Mariam e das múltiplas percussões e bateria de Andreas. Talvez tenha sido por causa das suas ocupações recentes: Mariam lançou um disco a solo mais convencional e andou a fazer pela vida; Andreas não tem tido mãos a medir com os seus Fire!, na versão trio (com Mats Gustafsson) ou nas várias exposições como orquestra (onde também canta Mariam). Então, de volta às raízes da raiz. O que não quer dizer que não hajam canções que parecem ter uma orquestra à sua volta: “Gold Digger” é épica, “Soft Wind, Soft Death” é uma festa, e “Everything All The Time” é auto-explicativa. Mais opções, mais soluções, mais ideias: incrível como havia tão mais para nos dar. Fabuloso.

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Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

COOLY G Wait ‘Til Night CD / LP

€ 15,95 € 11,95 CD Hyperdub

€ 17,50 € 14,50 LP Hyperdub

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HDBCD023-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HDBCD023-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HDBCD023-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HDBCD023-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HDBCD023-5.mp3]

Por esta altura, a voz de Cooly G já paira sobre a nossa cabeça como uma presença reconhecível. O seu tom distante e suave ficou sinónimo de introspecção, desejo e algum desencanto, tudo perfeitamente evidente neste segundo álbum muito pouco, quase nada, apontado ao clube. São canções atmosféricas, lentas, suspensas no que pode ser interpretado, para uma boa história, como um processo de resolução de questões afectivas pendentes. Há uma curiosa ressonância de sons e ideias mais associadas a Inga Copeland e, de um modo mais desviado, Dean Blunt, mas é pura associação de ouvido. Mais: “Dancing” soa urgente no passo, batida mais assertiva; “A Quick Question” é trap recolhido ao interior; “Want” parece um momento de descontracção criativa com drumpads, tendo por cima a clássica pergunta “Can you feel it?”. O álbum prossegue com todas as canções bem definidas no seu território, com a mensagem contida nas suas fronteiras (o que há para dizer é dito logo ali), ainda que “Fuck With You”, apesar do título explícito. tente esconder, quando é cantado, a natureza crua do conteúdo (fazê-lo dentro da cabine). Em direcção à noite.

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Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

V/A Next Life CD

€ 15,95 € 11,95 CD Hyperdub

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“Next Life” é um título que ressoa a vários níveis. É claro que a família Teklife está ainda de luto, depois da morte de DJ Rashad em Abril passado. Ele era um fervoroso timoneiro de toda uma brilhante equipa que desde Chicago metia velocidade máxima na cena footwork. A sua ausência – embora DJ Earl ou DJ Spinn sejam demasiado importantes para serem ignorados – foi muito sentida e não só provocou um abrandamento na vertigem como se tenta ultrapassar o trauma. E nada como mais um enterro, agora simbólico, olhando ao mesmo tempo para o futuro da Teklife. A Hyperdub tem sido a família europeia da crew de Chicago e esta edição serve também para dar optimismo a quem também perdeu Spaceape este ano. Os lucros das vendas vão para Chad, filho de DJ Rashad, mas a música – toda original! – é toda para nós. E que música: 20 temas de propulsão atómica, frenética e explosiva, entre o lirismo de Traxman, a convulsão doentia de RP Boo e o classicismo perfeito de DJ Earl & DJ Taye. 75 minutos de atropelamento e fuga por um núcleo sonoro que extravaza Chicago e que devia meter meio mundo a (tentar) dançar. Cuidado: esta fantástica compilação é altamente viciante! Bomba!

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01 DJ Spinn & Taso: “Burn That Kush” 02 DJ Earl & DJ Taye: “Do This Again”
03 DJ Taye & DJ Manny: “The Matrixx” 04 DJ Phil: “Godz House” 05 DJ Tre: “DNB Spaceout” 06 Traxman: “Sit Ya Self Down” 07 Sirr Tmo: “Live in Chicago Subways” 08 RP Boo: “That’s It 4 Lil Ma” 09 Gantman: “Jungle Juke” 10 DJ Manny: “Harvey Rachet” 11 Boylan: “He Watchin Us” 12 DJ Paypal: “Fm Blast” 13 DJ Earl & DJ Taye: “Wurkinn Da Bass” 14 Rashad x Spinn x Taso x Manny: “OTS” 15 Heavee: “8 Bit Shit” 16 Tripletrain: “Never Could Be” 17 Durban: “I’m So” 18 Taso: “Drop That Thang” 19 DJ Chap: “Glacier Bae” 20 DJ Paypal x Feloneezy x Jackie Dagger: “U Should No”

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Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

THE LOOSE CONTROL BAND Lose Control 12″

€ 12,50 12″ Golf Channel

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DJ Spun criou a Rong há uma década (mais) e conseguimos esticar a sua presença no mapa, no mínimo, até ao final dos 90s, com maxis que ajudavam a mapear a cena house californiana com pulsão tribal. jonah Sharp, a outra metade da Loose Control Band, criou nome como Spacetime Continuum, gravou com Move D e mantinha a editora Reflective. Juntos estão agora a fazer crescer o estatuto da Golf Channel. “Lose Control”, na abertura, faz tremer o chão de tensão boa com o seu mood meio ácido e teclas clássicas. Cresce, vai ao Espaço, fica Wild Pitch, incrível. “Bent” completa o lado A com som deep dos 90s e, no lado B, “It’s (Not) Just An 808″ vem em duas versões para, segundo a folha de imprensa, abrir caminho ao regresso do breakbeat. Talvez não seja assim tão definitivo, mas o beat electro quebrado cruza Drexciya com Egyptian Lover, cenas mais bass de Miami e new school de fim de século como as cenas da Breakin de Ed DMX. Não pode falhar. A segunda versão acrescenta linha de baixo e sabor sintético de Kraftwerk para manter a máquina em movimento. Tudo para dançar.

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Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

ALMA NEGRA Mão Negra EP 12″

€ 8,50 12″ Basic Fingers

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Nunca se sabe de onde pode surgir o tambor. Talvez pouco provável esperar ouvi-lo em Basel, mas essa é a proveniência de Alma Negra, três cabeças a executar edits com ênfase no ritmo louco. Já tinham marca na Sofrito com material de Cabo Verde que trabalharam para a pista de dança, e África é forte em “Mão Negra” também. Três cortes seguros, com o devido acrescento de kick mais gordo para agarrar a pista; cânticos intensos e contagiantes, percussão selvagem mas dirigida, em modo transe, para a repetição que eleva os sentidos. São grandes ferramentas para DJ, mas que qualquer apaixonado por tambores latinos ou africanos vai sentir. Carga!

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Quarta-feira, 29 Outubro, 2014

SHCURO Black Acid 12″

€ 9,95 12″ Sombra

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O original recorre à nave-mãe para fornecer os elementos de devastação adequados ao clima, tal como é interpretado por Shcuro e a editora Sombra. As coisas não estão fáceis! Um rolar techno clássico, infiltrado por clamor industrial (a coluna dorsal) e uma linha ácida que mais tarde aparece para aumentar o drama. Paul Mac, Myler e Larix, todos quebram o ritmo de modos diversos, mas talvez seja Myler quem decide o jogo, em última análise – a sua interpretação sónica muda o carisma do original para algo que encontra techno e house no meio caminho para UK Funky (lembram-se?); Paul Mac mantém a vibração quebrada mas está mais próximo do original e Larix reduz o som para mais clic minimalista que aproxima o som da cena lenta e segura de Pan Sonic vintage.

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