Sábado, 14 Março, 2015

JOVONN Goldtones CD / 2LP

€ 14,95 CD Clone Classic Cuts

€ 17,50 2LP Clone Classic Cuts

[audio:http://www.flur.pt/mp3/CCC027LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CCC027LP-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CCC027LP-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CCC027LP-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CCC027LP-5.mp3]

A partir de Nova Iorque (ele é de Brooklyn), Jovonn acrescentou matéria importante à história da house. A editora Goldtone não passou para a segunda metade da década de 90 mas os poucos discos que editou justificam plenamente a atenção que Jovonn recebe agora da Clone. Com uma vibração diferente da house de Chicago, esta música acontece de uma forma talvez mais musical. Sons de flauta e orgão eram frequentes na cena house nova-iorquina. Aqui ouvem-se sobretudo em “Flutes” e “Don’t Wanna Let U Go”. Depois, “Crying Strings” é uma espécie de exemplo 100% deep house, enquanto “Back To House” assenta quase no oposto: beats e quebras sólidos, atmosfera viva, kick carismático, digno do Sound Factory, um som gordo e vivo que DJ Nature, por exemplo, transportou eficazmente até ao presente. Esta compilação mostra clássicos do princípio ao fim, naquele estado perfeito de dormência em que não se distingue a cabeça da pista de dança. As mensagens (as poucas partes vocais) são nocturnas num bom sentido construtivo. “Everyone’s feeling good”. Ao conseguir isso, a música está a dispensar outros recursos mais complicados.

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Sexta-feira, 12 Dezembro, 2014

LUST 854: SONJA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

12.12.2014
BRUXARIA
por SONJA

Era Verão e tudo cheirava a erva seca.
E o que não cheirava a erva seca cheirava a mar.
E onde não havia erva-seca havia calhaus e mar.
E foi na erva seca que começou um fogo.
Veio pelo chão e começou a levantar-se
e a agarrar as bainhas das ervas e a lamber as pernas das árvores.
De fogo passou a fera. Labaredas. Loucas.
O incêndio estava a poucos metros da casa dos meus pais mas,
com muito grito e balde carregado por entre braços,
foi mandado embora.
E eu fiquei sempre a pensar naquele fogo.

Havia um outro fogo que fazia parte da vida dos dias todos os dias.
Não é uma metáfora.
Era um fogão a lenha na cozinha da minha avó onde tudo era feito pelo fogo.
A carne, o pão, a água.
Havia sempre lume e fogo. Calor. Uma lareira.

Também havia música.
Ali, ao fundo deste texto, há um rádio sempre a tocar.
Desde a reza do terço até ao best of possível daqueles dias. Sempre.
Não tenho grandes histórias
de como herdei a colecção de discos do meu pai
ou as sessões com um irmão ou irmã mais velhos.
O meu pai tinha poucos discos
e a única irmã que tenho tinha acabado de nascer.
Mas sempre tivemos um gira-discos.
E o meu pai comprava alguns discos.
Ele adorava o Demis Roussos, o Kenny Rogers,
os ABBA, o Vangelis e o Rodrigo.
75% pessoal com barbas.
E tinha uma compilação de disco sound
que me fez ouvir pela primeira vez a versão do “Knock On Wood” da Amii Stewart.
E aquele knock on wood fez-me acreditar que
com o fogo e com aquele beat a minha vida seria épica.
E que eu tinha encontrado o meu hino.
“… It’s like thunder, lightning”…
High energy, portanto.
E eu, na ilha da Madeira,
a viver num bocado generoso de uma montanha alta,
de cabelos longos e perfeitos, linda como uma mini princesa elfa,
mas overweight e com botas ortopédicas quase acreditei que,
com a natureza que andava à minha volta,
com a protecção do fogo
e com o refrão da Amii Stewart eu era, no mínimo, uma bruxa.

Bruxas.
Há o dia em que vejo o “Beladonna Of Sadness”, 1973.
É a história de Jeanne.
Uma história de violência e de esplendor.
Baseado no livro “La Sorcière” de Jules Michelet
quer contar que todos os sintomas e práticas de bruxaria
pertencem a espíritos críticos e sensuais,
que eram os mais puros actos de protesto social.
O início de uma definição de individualidade.
É dos filmes mais feministas que já vi.
E misóginos.
E belos.
E atrozes.
E tem fogo e música.
E bruxaria.
(O dicionário que tenho aqui aberto ao meu lado
diz que, bruxaria, também é algo que não tem uma explicação rápida).

Lembrei-me de tudo do filme, da Jeanne, daquele fogo,
de todos os verões na Madeira, de bruxaria e de bruxas
quando chamei a minha editora de LABAREDA.
É um nome de mulher.
É uma palavra tão bonita de ser dita.
E tão agitada quando é pensada.

—–

sonja é o subtil nome de guerra de sónia p. câmara, dj e activista do colectivo fungo. a isto junta-se agora o papel de editora, com a recém-criada labareda. “xina electrónica” é a primeira edição, dedicada inteiramente (e surpreendentemente) à música electrónica chinesa. sonja partilha connosco as origens da sua própria labareda.



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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2014

LUÍS LOPES LISBON BERLIN TRIO The Line CD

€ 14,50 € 12,95 CD Clean Feed

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A improvisação precisa disto, de constantes aventuras e desafios. Luís Lopes continua (depois de 2011) o seu mais forte projecto actual, atirado com estrondo para o Jazz Em Agosto deste ano, ligando Lisboa a Berlim, e ligando-o a Christian Lillinger e a Robert Landfermann, em bateria e contrabaixo, respectivamente. A guitarra de Luís Lopes traz toda uma sonoridade e inconografia ligada ao rock, diluída num noise sinuoso, dinamitando grande parte de “The Line”, que só no prólogo e epílogo parece propor tréguas. A electricidade ganha sempre ao acústico, já se sabe, está nos livros, mas o português escolheu bem os seus oponentes, que vão criando as suas próprias (e fortíssimas) narrativas. “The Line” é sobre músculo, como um sprint atlético de músicos a quem sobra pulmão para estas corridas. Com Luís Lopes tem sido esse o ritmo (e fasquia) das suas competições – e ainda bem.

“Com este segundo disco, Lopes mostra que a ligação com Landfermann e Lillinger não se trata apenas de um flirt ocasional, tendo já evoluído para uma relação séria. E ainda bem, pois talvez seja este trio o veículo onde o guitarrista melhor exprime a sua vasta amplitude sónica.” 4/5 in PÚBLICO

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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2014

ANDY STOTT Faith In Strangers CD / 2LP

€ 16,50 € 14,95 CD Modern Love

€ 24,50 € 22,50 2LP Modern Love

[audio:http://www.flur.pt/mp3/LOVE098CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE098CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE098CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE098CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE098CD-5.mp3]

Continua a saber muito bem o desafio de catalogar Andy Stott. Depois do brilhante “Luxury Problems”, há dois anos, eis um igualmente brilhante novo álbum que repete adjectivação usada e, por isso mesmo, eleva o nome deste britânico de Manchester dentro de um género que, lá está, não sabemos muito bem como classificá-lo. Assumidamente fantasmagórico e descarnado, “Faith In Strangers” é um compêndio de composição perfeita, pós-techno, pós-muita-coisa, que abre o seu coração à pop fragmentada, à poeira industrial, à memória distorcida da cultura rave, feito entre a acidez ambiental e o delírio geométrico do ritmo. Não fechem as listas de 2014 sem o ouvirem. A não perder.

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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2014

NORBERTO LOBO E JOÃO LOBO Oba Loba CD

€ 12,50 € 9,95 CD Shhpuma

€ 16,50 LP Silent Water

Ainda andamos submergidos no encantamento de “Fornalha”, o álbum de 2014 de Norberto Lobo saído há pouco tempo, e já temos mais uma razão para nos deliciarmos com este guitarrista que faz mais pela autoestima portuguesa que qualquer vitória desportiva nacional. Se assim não é, devia ser. Porque Norberto parece ter o toque de Midas, e este seu regresso aos discos com o seu velho comparsa João Lobo está carregado de ouro: algumas jóias polidas, reluzentes, mas também música em estado bruto, desafiadora e arrojada. Depois de “Mogul De Jade”, em duo, ambos os Lobos quiseram reunir uma espécie de família com músicos cúmplices das suas recentes aventuras, abrindo as composições a novas vozes, aumentando resultados bem além daquilo que todos esperávamos. Porque o sexteto, que ainda tem mais três músicos extra, funciona em total devoção às composições, não se deixando encurralar pela formação do colectivo: cada tema tem a sua vida própria, funcionando com a instrumentação e vozes estritamente necessárias. E depois há a diversão que é ouvir o percurso de cada arranjo, como se tudo fosse mesmo possível e a cada regra encarada houvesse o objectivo de a quebrar. Em três minutos esperem um mundo de possibilidades. Jazz celestial, pop circular, memórias indie de Chicago, tropicalismo com sotaque europeu, arranjos à Jim O’Rourke, canções de embalar, tudo isto e muito mais, como um milagre, em nove temas que prenunciam vida longa para este grupo de músicos que, convém dizer, inclui o brilhante pianista Giovanni Di Domenico. Uma absoluta e arrebatadora delícia.

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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2014

ANA HELDER Fiebre De Marte 12″

€ 8,50 12″ Cómeme

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Um pouco de espírito Riot Grrrl em formato house. Ana Helder, argentina, não falhou até agora nos poucos maxis que editou. Sons de bateria e baixo registados pela Cómeme nos anos mais recentes deste século, marcam o passo com a voz, um saxofone samplado com descarado chamamento Strictly Rhythm. No final da epopeia, tudo certo neste “Don’t Hide Be Wild”. Continua o material orgânico, acrescentado de flauta em “Track Con Flute”, isto consegue passos de dança automáticos até de quem aprendeu algo apenas quando apareceram os LCD Soundsystem. “Fiebre De Marte”, a faixa, perde-se no nevoeiro confortável da pista de dança e, sem ver bem, junta Chris & Cosey e Bobby Konders – perfeito! No resto do EP passamos ainda por B-52′s, batidas gordas, produção alta que não procura nunca esconder-se atrás de “ambiências”. Isto é directo, é até rock.

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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2014

ROBERT WYATT Different Every Time Volume 1: Ex Machina 2CD / 2LP

€ 15,50 2CD Domino

€ 24,50 2LP Domino

[audio:http://www.flur.pt/mp3/WIGCD347-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WIGCD347-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WIGCD347-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WIGCD347-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WIGCD347-5.mp3]


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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2014

IKO ’83 LP

€ 22,50 LP (2014 reissue) Medical

[audio:http://www.flur.pt/mp3/MR-038-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MR-038-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MR-038-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MR-038-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MR-038-5.mp3]

“83”, mas é de 1982. Banda canadiana, os IKO encontraram neste álbum uma equação perfeita de synth wave, que hoje estaria mais enquadrada nos conceitos de minimal wave. Ideias de industrial, composições minimalistas, canções ultrapop e um quê de chanson française que dá um toque de perfeição ao que aqui conseguiram. Esgotado durante muito tempo, pelo que esta reedição da Medical é bem-vinda neste final de ano, numa altura em que passamos mais tempo a revisitar os últimos onze meses e a pensar naquilo que de velho gostámos de ouvir com novo som. E enquanto esta caminhada pelo synth/minimal wave não sai de moda (quantos mais discos ainda não conhecemos?), discos como este de IKO arrebatam-nos completamente. Perfeição pop.


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Terça-feira, 9 Dezembro, 2014

IMPLOG Holland Tunnel Dive 12″

€ 13,50 12″ (2014 reissue) Dark Entries

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DE074-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DE074-2.mp3]

Foi no terceiro volume da série “New York Noise”, em 2006, que ouvimos pela primeira vez “Holland Tunnel Dive”. Soava suficientemente distante da cena No Wave mais “tradicional” para que a curiosidade nos levasse a pensar que existiu muito mais do que pensávamos. Don Christensen e Jody Harris estavam nos Contortions (emblema dessa época e desse som) e, em “Holland Tunnel Dive” (a faixa) lançam um ritmo meio kraut, embora mais sintético, com voz desapaixonada (“No emotion, no devotion, no trips to the ocean”) e interferências completamente invasivas – a sério, o som fica mesmo alto, aí – de algo que parece um foguetão a descolar mesmo aqui ao lado. “On B’Way” tem ritmo de passeio, impera o som rasgado de guitarra No Wave por cima de um ritmo meio metálico. É contido, a cadência é hipnótica e puxa todas as cordas certas para que os sinos dobrem com intensidade.

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Sexta-feira, 5 Dezembro, 2014

CALHAU! A Côrte D’Urubu CD

€ 11,95 CD Ed. Autor

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SEMCODIGO202-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SEMCODIGO202-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SEMCODIGO202-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SEMCODIGO202-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SEMCODIGO202-5.mp3]

É um novo Calhau! Rombudagem electrónica limitada a 50 exemplares. Von Calhaus recuperam uma peça de 2010, executada por cima das vozes do Côro de Santa Cecília de Vila do Conde. Para o CD foi pedido ao Côro que interpretasse de novo as mesmas quatro peças do seu repertório: “Veni-Creator Spiritus”, “Stabat Mater”, “O Vos Omnes” e “Subi Ó Virgem Ao Céu”. Comunhão em que Marta Von Calhau procura, em espaços, a fusão com o Côro. Isso já está a acontecer pouco depois do arranque, com a voz a testar o melhor encaixe da palavra “Urubu”. Mais à frente, inevitável, os jogos de palavras tomam conta do ambiente, quase um canto litúrgico que eleva a um outro nível palavras como “mamada” e “rabo”. Esta é a nossa maneira de escrever “Sexo” na capa de uma revista. Miados, animais na quinta, a electrónica sempre muito contida do homem Calhau! entra suave por baixo da porta, o seu som grave sugere algo que aquece o chão, até chegarem os Trovões por volta dos 15 minutos. Clássico modo performance de Calhau! a terminar aos 18 minutos como se fosse continuar e tudo mudasse para um daqueles nomes da cena industrial que eram grandes no circuito de cassetes há 25 anos. Capa em formato não habitual. Cor dominante: o salmão!

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Quinta-feira, 4 Dezembro, 2014

BRIAN ENO The Shutov Assembly (Expanded Edition) 2CD / 2LP

€ 19,95 2CD (Expanded 2014 reissue) All Saints

€ 21,50 2LP (2014 reissue) All Saints

[audio:http://www.flur.pt/mp3/WAST032CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WAST032CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WAST032CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WAST032CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WAST032CD-5.mp3]

Qual o tempo e o modo de Brian Eno? Década de 70 com Roxy Music, álbuns pop a solo, início do trabalho ambiental? Década de 80 com aprofundar da marca ambiental e colaborações várias? Década de 90 com ensaios na grelha já estabelecida da música de dança? Paramos aí, que é o tempo em que acontecem os quatro álbuns reeditados agora pela All Saints.
Editado no mesmo ano de “Nerve Net”, “The Shutov Assembly” parecia querer garantir a quem seguia Brian Eno que ainda não estava tudo explorado na zona ambiental, aquela que, possivelmente, mais carisma lhe deu na História da Música. Era frequente Sergei Shutov trabalhar a sua arte ao som de música de Brian Eno, que não era assim tão fácil de obter atrás da Cortina de Ferro. Aqui, digamos que Eno retribui o gesto. Ao reunir música sua, gravada entre 1985 e 1990, para enviar a Shutov, apercebeu-se de um fio condutor que lhe falava como um álbum completo. O título é, assim, literal, é uma reunião de música para Shutov, ela própria utilizada previamente por Eno em obras multimédia. É fácil notarmos as nuances sónicas em relação à série “Ambient”. Este som é muito da década de 80, há um tom cristalino artificial que é notório. Mais perto do final dos extras (apenas presentes na edição em CD), ouvimos ainda mais diferença e uma certa ligação estética a “Nerve Net”, num grupo de três faixas: “Big Slow Arabs”, “Storm” e “Rendition”, três exercícios rítmicos tensos. Eno encontra sempre assunto.

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Quinta-feira, 4 Dezembro, 2014

KEVIN DRUMM Trouble CD

€ 16,50 € 12,95 CD Editions Mego

[audio:http://www.flur.pt/mp3/EMEGO199CD-1.mp3]

Sinais de mudança? Dificilmente, Kevin Drumm sempre nos habituou a oscilações no seu som, sem que isso passe necessariamente uma ideia de se transformar, mas sim uma extensão da sua filosofia de trabalho e até uma componente lógica da forma como mostra o seu trabalho. “Trouble” é um disco extremamente calmo. Calmo ao ponto de se meter no leitor e passarem-se dez minutos e apercebermo-nos que não está a acontecer nada. Saem sons, como uivos de uma consciência que atravessam as ondas de rádio. É uma peça – 54 minutos – que, ouvida com atenção e no silêncio, nos deixa sem palavras. É quase como uma purificação, um outro lado do trabalho do silêncio em simultâneo com as nossas concepções de música ambiente ou drone. Mas “Trouble” não se enquadra em nenhum desses géneros. Drumm também não inventou a pólvora aqui, mas construiu um disco que oferece um outro tipo de experiência dentro da filosofia do seu trabalho. Por vezes sentimos que o som desapareceu – assim, sem mais nem menos – e tomamos consciência do silêncio de uma forma única. Uma experiência para ser tida com headphones. A sério.

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Segunda-feira, 1 Dezembro, 2014

CHRIS & COSEY Heartbeat LP

€ 17,50 € 16,50 LP (2010 remastered reissue) Conspiracy International

[audio:http://www.flur.pt/mp3/CTILP001-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CTILP001-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CTILP001-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CTILP001-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CTILP001-5.mp3]

Quase como afirmação de identidade, a segunda canção em “Heartbeat” chama-se “This Is Me” e Chris Carter + Cosey Fanni Tutti cantam “here I am… gonna get you”. No final da existência dos Throbbing Gristle, este álbum soa nitidamente a uma exploração mais intensiva do que TG haviam feito em “20 Jazz Funk Greats” (cuja edição mais alargada aconteceu também em 1981). A interpretação desviada do universo synth pop ia mais no sentido de, através da tecnologia, marcar um distanciamento em relação ao formato rock e, por outro lado, procurar sons pouco ou nada utilizados, numa época em que o acesso às máquinas ainda significava uma vantagem decisiva para quem sabia tirar delas o melhor partido. Dito isto, a linha de baixo em “This Is Me” parece apoiar-se na utilizada em “Baby Let Me Kiss You” de Fern Kinney (1979, por sua vez apoiada na versão de King Floyd editada em 1971). O flow de energias parece nunca cessar e, pelo menos em dois outros momentos, Chris & Cosey pisam outros passos: “Moorby” e a sua construção de embalar recordam explicitamente Kraftwerk poucos anos antes, tal como “Just Like You” soa como Klaus Schulze ou Edgar Froese com um pouco mais de sombra. A herança cósmica vem também do próprio trabalho de Chris Carter, a solo, nos 70s. Tudo coordenado, solidificado e reprogramado para uma nova sensibilidade nos 80s, algo que, apesar de todas as referências que já referimos, ainda pode ser visto como pioneiro. Aqui está a fundação mais cristalizada de muito do som que se escutou na década seguinte e, mais relevante para nós hoje em dia, que se escuta agora de novo (oiçam “Moving Still” e tentem não pensar pelo menos um pouco em Oneohtrix Point Never). Não percam isto, porque neste álbum podem sentir claramente o romantismo com que esta música era feita + o espaço que abriu e do qual ainda usufruimos hoje.

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Terça-feira, 25 Novembro, 2014

JANE WEAVER The Silver Globe CD / LP

€ 13,95 CD Bird / Finders Keepers

€ 17,95 LP Bird / Finders Keepers

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Grande participante nas actividades paralelas da Finders Keepers e mulher de Andy Votel, Jane Weaver já vai no sexto álbum a solo. Se não a conhecem, desculpem, erro vosso. Tem álbuns maravilhosos no seu currículo, um pouco à margem da folk que se tem feito nos últimos anos e uma espécie de descendente perfeita do universo das artistas femininas do catálogo da Finders Keepers. Descendente, não cópia, porque há um lado esotérico e etéreo na música de Weaver que lhe é único, há um imaginário cósmico, uma ligação ao rock progressivo e um leque de intenções de fazer canções pop únicas e perfeitas na sua linguagem muito própria. “The Silver Globe” é um álbum mais cheio que os anteriores e isso dá-lhe um lado optimista que é contagiante. Desta vez Weaver não dá só coordenadas cósmicas, como atravessa em bicos de pés o imaginário infantil de alguns filmes da Europa do Leste da década de 1970 (Finders Keepers, lá está). Apesar de cada canção não ser família directa da anterior, cada uma define coordenadas para a próxima, agrupando-as de certa forma num corpo conceptual. “The Silver Globe” é um dos álbuns mais difíceis de Weaver apenas pela dificuldade de assimilar tanta informação à primeira. Mas quando se apanha o comboio (e não é difícil isso acontecer até na primeira audição, depende dos ouvidos) é um deleite.

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Quinta-feira, 20 Novembro, 2014

A CERTAIN RATIO Sextet 2CD / 2LP

€ 16,50 € 13,95 2CD (2014 reissue) Factory Benelux

€ 27,50 € 23,95 2LP (2014 reissue) Factory Benelux

[audio:http://www.flur.pt/mp3/FBN11CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FBN11CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FBN11CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FBN11CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FBN11CD-5.mp3]

Tinham o funk. Nada de estranho se lembrarmos a tradição Soul no Norte de Inglaterra. Parecia lógico, afinal de contas, juntar Joy Division com James Brown (exageramos). Mas também se ouve Brasil (“Skipscada”, por exemplo) – apitos e um certo samba a acontecer e, ao lado, alguma fonética meio João Peste. ACR era puro exotismo europeu. Baixo e bateria no controle. E soluções estranhas como o piano hesitante em “Day One”. “Sextet”, em particular, ultrapassa Pigbag e Maximum Joy porque é uma só força compacta. Jazz, funk e pós-punk, incluindo um dos momentos imperdíveis da Factory e da Era: “Knife Slits Water”, abençoado com o lado B “Kether Hot Knives”, tudo presente em versões longas no CD de extras que acompanha a reedição do álbum. Para outro maxi essencial (1981), oiçam – tudo aqui incluído – “Waterline” e “Funaezekea”. O álbum não precisa de bombas para o valorizar, já é praticamente perfeito, mas com esses extras + umas Peel Sessions + “Abracadubra / Sommadub” de Sir Horatio (eram os ACR, outro maxi de 1981), isto fica impossível. Se vos falta esse material, revejam a vossa estratégia.

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Segunda-feira, 20 Outubro, 2014

FUNCTION / VATICAN SHADOW Games Have Rules CD / 2LP

€ 15,50 € 12,50 CD Hospital Productions

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HOS-425-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-425-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-425-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-425-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-425-5.mp3]

O encontro entre Function e Vatican Shadow poderia resultar no que é hábito que a nossa cabeça construa em volta destes encontros: o melhor de dois mundos. Nada disso. “Games Have Rules” é uma espécie de paisagem harmoniosa de espectáculos ambientais/dub que temos encontrado nas reedições da Bureau B e em alguns discos da Artificial Intelligence. É, e com alguma surpresa, vale a pena dizer, um disco superior a qualquer uma das entradas recentes destes dois artistas (e não nos estamos a esquecer do maravilhoso “Incubation” de Function), mas “Games Have Rules” é uma banda-sonora evocativa, perfeita, completamente em sintonia com sons do presente e com os sons do presente que se ligam ao passado. Ou seja, é um disco absolutamente consciente do agora mas que acerta na dose e na direcção da nostalgia. Simultaneamente, “Games Have Rules” tem uma sensibilidade fora do comum, sons quentes que nos fazem esquecer as máquinas e que nos colocam numa espécie de trópicos das atmosferas electrónicas.

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Quinta-feira, 13 Março, 2014

JAMAL MOSS Acid Symphonic Op. 01 CASSETE

€ 9,95 CASSETE Reel Torque

Às vezes temos estas surpresas. Conseguimos arranjar um número da série da Reel Torque e logo aquele em que é Jamal Moss ao comando. Aproveitando da melhor forma os dois lados de uma cassete, Jamal Moss entrega 60 minutos de experimentação improvisada num sintetizador em que nos vai dando um pouco de tudo: techno, house, acid, visões psicadélicas de um universo só seu, que toca e nos mostra sem qualquer dificuldade e que parece não ter medo de partilhar. A forma como a hora de jam flui nesta cassete é impressionante, dilacerante e de ficarmos completamente histéricos. Parece o set que quisemos sempre ouvir de Jamal Moss, enfiado num formato incomum e que não dá a definição que o som merece: parece castigo, mas é mesmo assim. Faz parte da vida. Maravilhosa.


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