Terça-feira, 24 Fevereiro, 2015

NIDIA MINAJ Danger 12″

€ 9,50 ESGOTADO / SOLD OUT 12″ Príncipe

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E chega Nidia, a carregar o peso bom da genialidade com que produziu estas faixas aos 17 anos de idade. Com uma edição digital de rajada na Brother Sister (Austrália), Nidia começou nem sequer muito lentamente a ter um perfil elevado. Quem assina a revista Wire já pôde ouvir uma faixa deste disco numa das compilações “Below the Radar” que a revista oferece aos seus subscritores. “Danger” (ler em francês) mostra uma assinatura de autor realmente preciosa, absorve contactos com África (sempre!) mas também com coisas subterrâneas em outras zonas geográficas e também épocas. Na verdade, perdoem a imagem pré-formada, tudo o que ouvimos no disco soa como se fosse feito por um rapaz com uma cabeça problemática e uma boa escola UK. Mas Nidia vive na zona de Bordéus desde os 14 anos e foi lá que começou a produzir a sério, mantendo-se ligada aos sons da zona de Lisboa e a tudo o resto que os seus canais particulares captam. Lindo observar como, de um cenário que parece indicar uma direcção, obtemos uma forte palmada na cabeça para fazer as regras cairem em grupo. “House Kaliente” (com DJ Olifox) concentra tanta substância explosiva magnífica que é quase irreal. Futuro em cima de nós, enquanto ainda consultamos o relógio de pulso para ver que horas são. “Mambos Fudiz” é outra dessas. Sem nos determos no miolo do EP, por falta de f|olego, é no último som (“Sentimentos”) que encontramos algum tempo de contemplação. A malha é uma espécie de tarraxoi atípico cruzado com algo que na Mood Hut ou Future times seria instantaneamente clássico. O jogo por vezes quase incompreensível (de tão complexo) de tarola, palmas e bombo fica totalmente à vontade para ser doido, com a segurança de uma camada só ligeiramente neurótica, mas bonita, de sintetizador, a pacificar o coração. Romance nas esferas (muito altas).

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Terça-feira, 24 Fevereiro, 2015

CDM Malucos De Raiz 12″

€ 9,50 ESGOTADO / SOLD OUT 12″ Príncipe

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Lilocox e Maboku são há muito regulares nas noites Príncipe que acontecem mensalmente no Musicbox. Juntaram-se na CDM (Casa Da Mãe Produções) para produzir em conjunto (já o faziam nos Piquenos DJs Do Guetto) e aprimorar os sets de clube que acontecem cada vez mais vezes. “CDM A Comandar” representa um tipo de som identitário para este tipo de híbrido entre batida e afro-house, forte em marimbas. Mas, na abertura, é um tarraxo quase industrial que dá as boas-vindas: “Safadas Da Noite” bate mesmo lento mas muito forte, a reverberação do beat impõe uma lei. Após o início da repetição de um motivo vocal, a faixa ganha efectivamente uma aura de Poder. “Viemos Do Congo” passa rápido demais, a batucada tribal oferece sustento para muito mais, sobretudo com os cortes de melódica (soa como tal) a intensificarem o groove. Bom! Depois, Lilocox estende o tapete rítmico pelo qual é conhecido, bate duro em cada quebra de “To Ligado” e segue em frente sempre sem quartel. Maboku faz “Laranjas” sozinho, é um hino de festa com as buzinas todas que a sua intenção rave conseguiu arranjar. Braços no ar, para não baixar. “No Momento” começa e termina sem que consigamos pôr-lhe rótulo. Lilocox em modo extraterrestre com padrões rítmicos que nunca ouvimos. “Grito Das Crianças” fecha o disco, tarraxo sintético triste e emblemático de um campo de experimentação muito rico, do qual estamos a conhecer apenas um segmento. CDM abrem parte do seu livro que, entretanto, como percebe quem tem ouvido os seus sets online, tem muito (e excitante) conteúdo adicional desde que este EP ficou pronto no ano da graça de 2014.

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Sexta-feira, 20 Fevereiro, 2015

LUST 862: SÉRGIO FARIA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

20.2.2015
VONTADE, MUDANÇA E SILÊNCIO
por SÉRGIO FARIA

Vontade

Não me lembro.
Não me lembro ao certo quando tudo isto começou.
Suponho que começa sempre com uma vontade,
que te impede de desistir nas primeiras frustrações.

Lembro-me de haver uma atracção pelo fenómeno em si.
Música pode ser uma coisa bastante carismática, principalmente quando és jovem
e te queres afirmar. Aquilo que ouves é tudo.

MTV Music Generator, alguém se lembra disto?
O primeiro contacto com algum tipo de software de composição musical, para mim foi aqui, em 2000.
Nem o jogo tinha, era uma demo, daquelas que vinha com as revistas “Playstation” (comprava assiduamente todos os meses).

Demo significava que tinha tempo limitado de jogo.
Não podia gravar o que tinha feito, ouvir posteriormente ou melhorar.
Fazia o melhor que podia em 1h ou menos, e logo de seguida o trabalho que tinha feito,
como as mensagens do “Inspector Gadget”, autodestruía-se.

Não me importava, havia um grande sentido de experimentalismo naquilo, era muito efémero no processo.
Sobretudo havia limites muito rígidos que, para um miúdo que queria experimentar tudo e mais alguma coisa, é óptimo.

Mudança

É a base de toda a história.
É a prova de vigor e do valor humano.
Sinal da vida.
A falta dela, por sua vez, é o oposto, morte.

Quando as regras do jogo mudam, os jogadores que outrora foram os melhores são substituídos.
Há quem diga que os tempos em que se fazia dinheiro a vender discos estão acabados.
É como se tivessem encontrado combustível alternativo ao que foi usado até hoje, e água da torneira fizesse os carros funcionar também.
Consequentemente levando os carros a adaptarem-se a esta nova maneira de circular e as indústrias petrolíferas a falirem.
e agora?
sei lá.
bom ou mau?
não sei.

Eu compro vinil, pela materialidade da coisa.

4´33

Momentos musicais verdadeiramente especiais não vêm quando mais esperas.
Tens que desconhecer o resultado final para o apreciar verdadeiramente.

Já experimentei fazer música com imensa gente e reparo sempre que o que de mais fascinante existe nelas são os erros que estas cometem, é neles que encontramos personalidade.
Se todos víssemos os mesmos tutoriais,
todos tivéssemos os mesmos professores,
o mundo seria singular e toda a criação aborrecida.
A distinção e variedade do erro humano podem ser algo absolutamente fascinante.

Inesperado e corajoso foi John Cage na peça intitulada 4´33
que consiste em 4 minutos e 33 segundos onde a orquestra não toca uma nota.
Deixando os espectadores absorver o ambiente que os envolve e na expectativa de como irá soar uma orquestra que não toca.
Controlando apenas o tempo, deixando a composição vazia para o erro e o acaso.

“Não há maneira de prever que sementes se vão transformar em pequenas plantas e morrer, ou as que se transformam em florestas”
- Brian Eno

—–

sérgio faria apareceu em cena (na nossa cena) na compilação “lisbon bass” em 2012. rockou como gostamos e foi com muito agrado que recebemos o cd “iris” na loja em 2013.
agora saiu “inércia”, concebido e produzido em londres, arredondado em lisboa.
sérgio esteve 3 anos em londres a descobrir, afinal, como era ser português e a conclusão principal é que não faz sentido “irmos atrás das modas de londres”. nova cena, nova lisboa, nova consciência do que é sermos quem somos? die von brau está cá, agora, e tem mais música para fazer.



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Quinta-feira, 19 Fevereiro, 2015

MARK FELL & SANDRO MUSSIDA Object Relations #1 7″

€ 9,95 7″ Object Relations

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Mark Fell manipula a sample de Linn Drum que parece o átomo original da música neste single. Sandro Mussida acrescenta violoncelo, com um ataque incisivo às cordas. No lado A, o beat acelera até soar a speed metal muito abafado, sem o brilho agressivo de uma banda a tocar mas com toda a artificialidade bem viva do som digital bem tratado. Na segunda faixa, ambos os sons parecem acompanhar-se mutuamente, o ritmo do violoncelo correspondendo, grosso modo, aos beats que rolam (é o termo, como se manipulássemos o jog no rato de um computador), ou então são estes a tentar equiparar-se ao ritmo humano das mãos que tocam o instrumento de cordas. Muito estranho. Neurótico. Mark Fell!

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Quarta-feira, 18 Fevereiro, 2015

THE ROOTSMAN Intifada / Valley Of The Kings 10″

€ 9,50 10″ Partial Records

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Anos 90 na casa. Mais recuperações de espólio clássico relativamente recente por parte da Partial. “Intifada” bate mesmo ali no ano 2000, é um dub meio punk (Rootsman vem daí), com baixo semi-Jah Wobble e os motivos orientais que podiamos encontrar antes, por exemplo, nos C Cat Trance. Circular e hipnótica, a faixa acolhe o skank do piano naturalmente, em casa. O dub acentua o baixo, puxa mais pelo eco e reverb, mas o essencial é mantido bem próximo do original. Rootsman pega em “No Carbon”, que havia produzido para Daddy Freddy, e aumenta drasticamente o passo para uma malha que se pode tocar em sets de house ou disco. “Valley Of The Kings” é para steppas, o baixo salta com o bombo, deixando mais uma vez os ventos do Médio Oriente soprar por cima. Intensa de emoção, é uma malha alegre, à vontade também na versão dub que se lhe segue. Tudo pronto para pista de dança.

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Quarta-feira, 4 Fevereiro, 2015

JAMES BLAKE 200 Press 12″+7″

€ 15,50 12″+7″ 1-800 Dinosaur

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James Blake saiu do underground para se constituir em estrela Emo de uma geração Bass mas tem vindo a recuperar garra de rua e “200 Press” mnostra isso. A faixa título cruza house com quebras dubstep e, às tantas, parece Moodymann. Estranho, aqui. “200 Pressure” submerge os sons em nuvem de vapor dub techno para libertar alguma tensão com quebras e teclados épicos no lado bom de Skrillex. Muita dinâmica numa faixa que coloca Blake do outro lado da sua figura de cantor soul. O single adicionado a este maxi 12″ experimenta ainda mais soluções num contexto que começa realmente a deixar de se poder chamar Bass: “Building It Still” convoca baixo quase distorcido mas tudo o resto parece existir no domínio da manipulação de samples em contexto quase hip hop; “Worlds We Both Know” deixa pulsar uma sinewave por baixo de um piano meio deslocado e uma voz séria, declamante, cujo pitch elevado não é o seu tom natural.

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Segunda-feira, 1 Dezembro, 2014

CHRIS & COSEY Exotika LP

€ 17,50 € 16,50 LP (2011 remastered reissue) Conspiracy International

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“Exotika” chega em 1987, plenamente inserido num circuito de música electrónica que abria os portões do industrial a múltiplas áreas. Começávamos a reconhecer sons das máquinas que vários projectos utilizavam e, nesta fase, também alguns produtores de house. A canção-título é ainda dos momentos mais preciosos de Chris & Cosey, encaixa algures entre pop baleárica mediterrânica e presets futuristas do industrial mais sofisticado. Num período em que também os SPK assumiam um lado pop e em que, de ambos os lados do Atlântico, se cimentava uma cultura palpável com as editoras Play it Again, Sam! (Bélgica) e Nettwerk (Canadá) a difundir um novo standard. Em “Exotika” lemos que o álbum foi inspirado em Les Baxter e Martin Denny, mas é inútil procurar contactos óbvios na superfície, não é de todo aparente. O passo mecânico da maior parte do álbum é aço frio mas moderno dos 80s, com “Beatbeatbeat” a sugerir que Grace Jones seria perfeita para o formato. Menos denso que os primeiros álbuns de Chris & Cosey, este é provavelmente mais hermético e inacessível, ligado a uma cultura industrial/EBM muito específica que, pelo menos na época, não comunicava facilmente com o resto do mundo. Exótico, assim.

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Segunda-feira, 20 Outubro, 2014

SELDA Selda LP Finders Keepers

€ 18,95 LP Finders Keepers

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Selda é um dos nomes mais referenciados da Finders Keepers, disco #11 no catálogo e um dos mais falados e mais procurados dentro do género série-b da música popular do mundo. Já teve direito a algumas reedições, sendo esta a última delas, e é frequente até o CD estar esgotado. Um híbrido de psych-folk e um som mais popular associado ao médio-oriente, peróla concretizada na Turquia em 1976. Alguns dos seus sons já foram samplados por diversos artistas, algo que contribui para a construção da figura de Selda Bagcan. E são precisamente esses momentos reconhecíveis que são o melhor de “Selda” (no cume está a maravilhosa “Ince Ince”) e esse melhor é realmente fantástico, algo que está no topo da escada da psych-folk mais exótica dessa altura. E o disco vale por isso, por esses momentos, que são poderosos e acarretam toda a mitologia desvairada à volta de Selda. Porque há temas francamente fracos ou simplesmente chatos no contexto, mas as cartas fora do baralho (e é mais de metade do disco) são excelsas.

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