Sexta-feira, 10 Abril, 2015

LUST 870: TIAGO CAVACO


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

10.4.2015
AGUARDELA ENTRE A ESPADA E A PAREDE
por TIAGO CAVACO

Vivo ao lado de um Centro Comercial que já foi importante.
Vivo em Oeiras e esse Centro Comercial chama-se Palmeiras.
Antes do advento dos multiplexes, estes sítios eram um luxo.
O Palmeiras é parente do Fonte Nova, para dar um exemplo menos suburbano.
Ora, no Palmeiras há todo o tipo de iniciativas que visem impedir a sua decadência
(valeria a pena recuperar o seu cinema, por exemplo).
Uma dessas iniciativas é uma feira do livro que,
volta e meia, ocupa a sua praça central.
Essa feira do livro tem preços imbatíveis.
Andei a oferecer Flannerys O’Connors e Evelyns Waughs
aos meus amigos à custa disso.
E também dá para comprar outros livros que,
se não fosse um preço estupidamente baixo,
provavelmente nunca compraria.
Comprei “Morrer na Praia do Futuro” sobre o crime macabro de Luis Militão Guerreiro
que levou a vida de seis empresários portugueses (que livro!).
Mas divago.
Queria chegar a outro lugar:
“Esta Vida de Marinheiro” de Ricardo Alexandre,
sobre a vida de João Aguardela.

Na minha memória há um concerto no Parque Central da Amadora,
algures entre 1994 e 1995,
em que os Sitiados provocaram um mosh pit medonho
que juntava brancos, pretos, metálicos, xungaria, skins e punks, entre outros.
Lembro-me que eu e o meu amigo Emanuel Conde
aperfeiçoámos uma técnica de sobreviver na molhada
que era abraçarmo-nos e usarmos as pernas como hélices
que impedissem aproximações mais hostis.
Funcionava.
E funcionava sobretudo tendo em conta que um concerto de Sitiados era selvagem.
Era gloriosamente selvagem.
Desde essa altura que passei a admirar João Aguardela.
Desde essa altura e desde que a minha irmã gémea comprou o “E Agora?”,
o segundo álbum dos Sitiados.

Os Sitiados ajudaram a criar em mim uma trégua entre o meu punk militante da adolescência
e a convicção que o futuro tinha de vir de mãos dadas com a música da nossa tradição
(nunca teria gravado o meu primeiro disco a solo,
“Fados Para O Apocalipse Contra A Babilónia”, sem isso).
Fiquei triste quando Deus chamou tão cedo o João Aguardela em 2007.
Como um bom fã, gostava de o ter conhecido para lhe dizer da importância que ele teve para mim
(uma vez vi-o com a Sandra, sua companheira de música e de vida,
na Loja do Cidadão mas faltou-me a coragem).

O Aguardela tinha um credo que também confesso.
Esse credo sugere que a música é tão mais interessante quanto stressada entre a espada e a parede.
O que é que isto quer dizer?
O coração do Aguardela não fervia pelos músicos habilidosos
e que transmitem domínio da sua arte.
O Aguardela dizia mesmo que a música portuguesa a partir dos anos 90 era desinteressante
porque os músicos portugueses aprenderam a tocar tão bem como os músicos estrangeiros
(e, consequentemente, a imitá-los na perfeição).
Passaram a ser músicos aburguesados.
Se olharmos para o Aguardela, vemos que o seu credo não era só teoria.
Os Sitiados nunca quiseram aperfeiçoar o seu trad-rock
para se colocarem como versão local dos Pogues.
Fizeram esquisitices com a electrónica, borrifaram-se para novos êxitos,
acabaram quando acharam que não tinham mais nada de interessante para dar.
A seguir, o Aguardela meteu-se no Megafone
(uma coisa que, nunca me tendo dado muita pica, ainda assim me inspirou
- o Aguardela fez uma coisa que também fiz
que era deixar às escondidas os meus discos nas prateleiras de fado da Fnac
quando não os conseguíamos distribuir comercialmente).
O Aguardela ainda foi à Linha da Frente e à Naifa, coisas a que não prestei muita atenção
mas que foram contra-a-corrente num contexto global de conformação e tédio.

Uma música entre a espada e a parede
é uma música que não finge que antes de nós não veio ninguém.
É uma música que nos aperta
porque nos permite criatividade a partir de um princípio que não estamos sozinhos.
É uma música que, se calhar, antes de celebrar génios, celebra entalados.
Celebra músicos que andam às voltas com o antigo e com o novo,
sem isenções espácio-temporais – somos daqui e estamos aqui agora.
Nesse sentido, uma música entre a espada e a parede é, paradoxalmente,
uma música mais comunitária.
É uma música de uma paz mais esforçada mas de uma paz muito mais genuína.
É com essa paz que cumprimento todos os músicos e amantes de música – shalom!

—–

tiago isto, tiago aquilo, os sons dele já nos chegaram sob diversos nomes, no momento é lacrau e este texto vem a propósito de duas coisas: o álbum “sou imortal até que deus me diga regressa” e mais uma visita à flur, sábado, 11 de abril, às 17h, tiago lacrau ao vivo!
os presentes nas sessões da xungaria no céu (com, entre outros, samuel úria e alex d’alva teixeira) já conhecem o tom e a diversão puxada por letras afiadas e camaradas. o tiago vendeu a alma ao punk, há muuuitos anos, e é um dos elementos fundadores da flor caveira (ou florcaveira?), um colectivo que, desde o início do século, tem ajudado a resolver quaisquer problemas de identidade que a música pop portuguesa possa ter em relação à sua origem e tradição. canta sobre coisas nossas, coisas da rua e do céu, para unir todos os que consegue unir. é bonito.



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Quinta-feira, 9 Abril, 2015

NILS FRAHM Solo CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Erased Tapes Sounds

€ 21,50 € 16,50 LP Erased Tapes Sounds

OUVIR / LISTEN:
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De repente: um novo álbum de Nils Frahm. Preparado no silêncio e escondido de todos até à data de lançamento, “Solo” aparece no mercado livre depois do esmagamento de “Spaces” e da projecção intergaláctica do jovem pianista alemão. E como já fizera uma vez com “Felt” (alguma da técnica desse disco foi agora repetida), Frahm mostra ter estofo para inverter o que esperam dele e sussurrar-nos ao ouvido. Apesar da edição ter sido inesperada, todo o seu enredo foi transmitido ao longo de meses via Facebook e em muitos artigos: o Klavins M370 é um piano vertical, talvez o maior que existe no mundo, pesando quase 2 toneladas de madeira e cordas, e com quase 4 metros de altura. Impressionante. Tal como o som que daqui sai, presumimos. E não sabemos ao certo porque Nils Frahm preparou-o com tecidos e microfones estratégicos para retirar do instrumento o feeling perfeito para as suas composições. Durante três dias gravou dezenas de horas e o cut final é aquilo que melhor exemplifica o casamento entre Frahm e Klavins – o alemão confessa que a imponência do piano fê-lo tocar cada vez mais lento, tentando manter vivas as notas o mais possível. Depois da explosão de “Spaces”, Nils Frahm recolhe-se e decide dar-nos um relato desse recolhimento: único, pelo instrumento e pelos resultados de pianista tornado estrela.

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Quinta-feira, 9 Abril, 2015

TOBIAS JESSO JR. Goon CD

€ 12,50 CD True Panther Sounds

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Coisas simples. As canções de Tobias Jesso Jr. revestem-se de um cheesy dos 70s que é qualquer coisa de irresistível. Pianadas simples a jogar para a balada de amor, evocando tanta coisa boa e má de outros tempos, enquanto se distancia simultaneamente de paralelos que existem na actualidade. As canções são frontais, sempre dirigidas a outra pessoa, fazendo lembrar um pouco o “Album” de Girls (não é coincidência, Chet “JR” White consta na produção). Mas aqui a frontalidade, ou a direcção, é vaga, logo menos impactante, e cria aquele lado genérico-imperfeito que torna as canções de “Goon” em algo mais prazeroso e próximo. Tudo cadências comuns dentro do género, o que é especial é ouvi-lo agora de uma forma tão pouco evasiva ou, vá lá, mainstream.

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Quinta-feira, 9 Abril, 2015

ATA KAK Obaa Sima CD / LP

€ 15,50 CD Awesome Tapes From Africa

€ 24,95 LP Awesome Tapes From Africa

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ATFA014CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ATFA014CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ATFA014CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ATFA014CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ATFA014CD-5.mp3]

Felizes encontros e difícil forma de processar esses acontecimentos. “Obaa Sima” foi o álbum que incentivou Brian Shimkovitz a começar o blog Awesome Tapes From Africa. Desde 2006 até hoje o blog tornou-se uma referência para melómanos, coleccionadores e não só, tornou-se também numa editora que tem sido uma referência para encontrar algumas pérolas. O que é mais fascinante no primeiro álbum de Ata Kak passa menos pela qualidade e mais pela estranha fusão que aqui se encontra. Alegria misturada com rap, com reggae e uma costela de funk sintetizado foleiro dos 1980s. O disco data de 1994 e esta confluência faz todo o sentido, o resultado é uma espécie de nuvem imaginária onde a electrónica tem encantos monotónicos efusivamente repetidos (até entre canções diferentes) e que criam uma camada etérea que funciona como uma boa mantinha para o ritmo da voz. A voz de Ata Kak faz praticamente tudo e o modo como dá vida aos instrumentais transforma cada canção numa espécie de mantra ganês. Álbum mítico que, ao que parece, deu uma trabalheira para reeditar (ou para encontrar o detentor dos direitos). Daquelas reedições de 2015 que vão ficar para o futuro.

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Quinta-feira, 9 Abril, 2015

TÓ TRIPS Guitarra Makaka LP

€ 22,50 LP Rastilho

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Quando a guitarra “Makaka” de Tó Trips apareceu a primeira vez – ou uma das primeiras vezes -, na Zé Dos Bois, no Verão de 2014, sem sabermos nada do que se passava, sabíamos que íamos viajar por algo nunca visto. Três serigrafias do músico, à venda nesse concerto, ilustravam esse imaginário longínquo, selvagem mas habitado, feito de coisas desconhecidas e regulamentado por um deus desconhecido. Abençoado por uma nova afinação na guitarra herdada das suas colaborações com Timespine – Adriana Sá e John Klima – Tó Trips viu-se forçado a seguir o instinto como um explorador que vai relatando as suas caminhadas. O seu dobro, de som metálico cortante, exala simultaneamente a sua cidade – Lisboa, através da guitarra portuguesa – como um local geográfico criado para fornecer toda a informação necessária para a história. Danças, corrupios, lamentos, todo um novo dicionário para uma cultura desconhecida, uma tribo escondida neste nosso mundo para onde nos apetece ir. Longe do lado intimista e solitário de “Guitarra 66″, este “Guitarra Makaka” precisa de nós todos.

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Quarta-feira, 8 Abril, 2015

WAYNE SMITH Icky All Over 7″

€ 9,50 7″ Dubstore / Jammy’s

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DSR-LJ-003-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DSR-LJ-003-2.mp3,]

Prince Jammy outra vez, época emergente do dancehall digital, 1985 com o riddim Sleng Teng a aquecer a voz de Wayne Smith uma vez mais. “Room full, all full, stadium full, the people them come just to get them belly full”, só podemos adivinhar o tema desta letra “suspeita”. A voz está sempre em suspensão, os jornalistas estrangeiros querem entrevistar Wayne Smith (está na letra), o flow é cerrado, não abranda a não ser, obviamente, na versão do lado B onde o riddim faz sentir toda a magia das caixas de eco e arranjos sintéticos deste momento especial na história musical da Jamaica. Sempre igual (não é o que diz do reggae quem ouve a correr?), sempre boom!

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Terça-feira, 7 Abril, 2015

KING KONG He Was A Friend / Try Not I 12″

€ 9,50 12″ Dug Out

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DO-KK3-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DO-KK3-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DO-KK3-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DO-KK3-4.mp3]

Uns anos em cima desta reedição e mais ainda desde o original em 1988, um tributo à perda de Tenor Saw, nesse mesmo ano encontrado morto à beira da estrada. Na voz de King Kong, ecos talvez de “Ring The Alarm”, o mais carismático hit de Tenor Saw, mas “He Was A Friend” sustenta-se em autonomia com emoção, sobretudo, e com o floreado de sintetizadores por cima do beat digital cuja deixa é anunciada por um piano dramático que nos diz logo qual o ambiente geral. O riddim Tempo é a base de “Try Not I”, no lado B. O tom de King Kong sobe às alturas, e quanto mais sobe e reverbera na atmosfera mais pontos de emoção consegue infiltrar no nosso coração. O ritmo fica sozinho e arranhado na versão instrumental, como deve ser.

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Terça-feira, 7 Abril, 2015

DJ SOTOFETT Drippin For A Tripp 2×12″

€ 16,50 2×12 Honest Jon’s

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HJP074-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-5.mp3]

Sotofett resume, de forma grandiosa, o trabalho que tem desenvolvido nos últimos anos com outros músicos e produtores. Cada um dos 4 lados nesta edição mostra uma face diferente e nomes diferentes, começando com Jaakko Eino Kalevi numa trip de guitarra baleárica e, diriamos, “nórdica”; o segundo lado sobe mais, com Lauer, puxa a clássica sonoridade ambiental das salas do fundo nas raves, larga um todo muito rico em camadas, harmonias, detalhes. Fecha com report intergaláctico. Épico. Com Karolin Tampere e Maimouna Haugen a rota é em África, break de kizomba num tempo house, voz solta e circular antes de a faixa desenvolver um sonho molhado psicadélico numa espécie de reprodução genuinamente sintética de genuínos sons africanos; dub e mais nervo logo a seguir, noutra versão que aproxiuma genericamente o conceito do que Mark Ernestus fez com Jeri-Jeri. Para fechar, Sotofett e Gilb’r fecham-se para uma jam baseada em “Pulehouse” (Sotofett, 2012); teclas e percussão com Korg adicionado por SVN. A versão principal tem mais músculo que o original e a “riddim run”, logo a seguir, isola a percussão para impacto perfeito e um selo de exotismo que Sotofett quase sempre utiliza como parte da sua identidade como produtor. África nas florestas nórdicas. Fecha tudo com recato campestre.

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Terça-feira, 7 Abril, 2015

MARTOC Music For Alien Ears LP

€ 22,95 LP EM

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Imediatamente na memória a robo-pop de Felix Kubin mas, enfim, há que não perder de vista todo o vasto campo de influência que ele recebeu, mais de trás. Martoc editou alguns singles entre 1978 e 1980 e, quando se pensa em obscuridade total, há que notar que John Lydon (P.I.L.) escolheu “B.E.M.s (Bug Eyed Monsters)” como Disco do Ano em 1978. Encontramos paralelos com algumas produções lunáticas de Morgan Fisher (Mott The Hoople) como Hybrid Kids, ou Tim Blake (Gong, Hawkwind), ou Residents, e há, também, a questão de época a considerar: isto acontecia em pleno período fértil pós-punk talvez perfeitamente representado por The Normal. Esta retrospectiva inclui 4 faixas gravadas já neste século, seguindo com total propriedade a via original, mas ficaremos sempre grudados em mantras sintéticos mais antigos como “Helen Is A Hologram”. Imagens realmente nítidas de céus em exploração, carapaças metálicas, marchas robóticas, ataques, defesas, ameaças, descoberta permanente de novas coisas, novos passos. “Sex Kills” diz “don’t pick up a stranger or sleep with your neighbour – just stay with your partner and you’ll be a survivor” e então o futuro apocalíptico vem bater à porta abruptamente, já na década de 80.

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Quinta-feira, 26 Março, 2015

COCLEA Coclea CD

€ 9,95 CD Shhpuma

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Coclea é o projecto clássico de Guilherme Gonçalves, que esteve numa formação anterior de Gala Drop e tocava com Pedro Magina como June. Talvez seja a memória de June, mais do que Gala Drop, que nos aproxima imediatamente deste disco. A tendência house expansiva e simultaneamente calma de June transporta-nos para Coclea, em 2015, mas sem qualquer beat para propulsão. É um trabalho de guitarra, as suas camadas melódicas e rítmicas, os efeitos escolhidos, a oferecerem contemplação. Com a cabeça sempre na busca de pontos de contacto, a vibração pacífica da música neste CD recorda-nos a sensação de ouvir “In The Skies” de Peter Green e achar que se poderia continuar por período indefinido em mergulho de profundidade. É um disco pausado, pouco adornado (isso resulta maravilhosamante), segue a brisa e quem ouve segue junto.

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Quarta-feira, 11 Março, 2015

DEDICATION FOR PROJECT 01 CDR

€ 6,95 Ed. de Autor

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DEDICATION01-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DEDICATION01-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DEDICATION01-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DEDICATION01-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DEDICATION01-5.mp3]

De Sérgio Faria já conhecíamos Die Von Brau, cujas edições temos sempre que ele nos traz (têm sido edições cuidadas de autor), mesmo quando vivia em Londres e arranjava forma de as fazer chegar. Há uns tempos falou-nos de um novo projecto, este Dedication For Project, em que procura espaços mais ambientais, próximos – até – de William Basinski. Este “01” deixa bem evidente essa referência e a procura desses lugares, principalmente porque há um certo registo de antecipação que nos é familiar e com o qual estabelecemos logo uma ligação com o músico norte-americano. São pouco mais de cinquenta minutos de uma experiência que resulta bem, que por vezes é capaz de nos criar uma certa ansiedade (há uma sensação de que a qualquer momento tudo se pode elevar, mas nunca acontece), mas uma ansiedade boa, por via do acompanhamento mental e físico que fazemos desta peça.

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Terça-feira, 10 Fevereiro, 2015

RICCARDO DILLON WANKE Cuts LP

€ 13,50 LP Three:Four

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Faltam discos e editoras na nossa cena. Acrescente-se: “bons discos” e “boas editoras”. É muito bonito ver que quando algo falha por aqui, as ideias não param e encontram outros sítios para pousarem. Porque, no fundo, tudo é global nestes dias, certo? Mesmo assim, é deste cantinho da Europa que vemos o resto do mundo e dá-nos contentamento em ver o “nosso” Riccardo Dillon Wanke a transformar a óptima Three:Four numa ainda mais óptima Three:Four. Depois de David Maranha & Helena Espvall, Norberto Lobo e Filipe Felizardo, é o italiano-alfacinha que coloca na editora helvética o seu novo álbum. “Cuts” divide-se em 6 temas, com “Dust” a ser uma longa entrada, com voz sobre uma paciente construção sonora que vai assimilando o silêncio para o triturar electronicamente no final. Talvez preferíssemos eliminar a canção em “Dust” mas a verdade é que é a peça que mais rapidamente identifica “Cuts” e lhe dá personalidade. Os restantes temas são instrumentais e mostram a riqueza musical de Wanke, propondo ambientalismo electrificado entre pulsação analógica, num jogo de adivinha instrumental – dificultado pela destreza multi-intrumental do músico. Nada aqui é deixado ao acaso, mas “Cuts” parece sempre ser um objecto simples e tremendamente eficaz, lembrando-nos algumas das pérolas de Oren Ambarchi. Como falámos, o LP traz seis temas, mas um código no seu interior permite-nos obter mais dois por download – “k” e “avallaneda” ficaram de fora do vinil mas merecem uma absoluta prioridade na vossa aparelhagem.

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Segunda-feira, 2 Fevereiro, 2015

DIE VON BRAU Inércia CD

€ 8,95 CD Ed. Autor

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Die Von Brau está a editar música numa zona íntima. Ele pode dizer que já não está muito ligado a “Inércia”, gravado há meses suficientes para se tornar incómodo aos ouvidos do criador, mas o álbum sai agora e agora o sentimos. Depois de uma temporada em Londres, “Inércia” pode ser interpretado como um estado tipicamente português, para quem quiser picar-se. A verdade é que todas as faixas, excepto a primeira, têm nomes de zonas na cidade de Lisboa ou a ela associadas (“IC19″). Inércia em qualquer lado onde se vá. Talvez seja uma reflexão sobre um estado comum a várias classes de actividades neste país (nesta cidade), e produto de olhos frescos, como quem observa de cima. A música também manda essa ideia: paira, quase sempre pacífica, não muito regrada mas de novo referenciando um certo período mais “paisagístico” da editora Warp; ainda alguns sons plásticos dos 80s, ácido controlado, piano clássico na construção de groove e sentimento. Há uma característica meio artificial em todo o álbum, algumas batidas que já não se usam (“Soul II Soul” em “Sta Apolónia”), um certo tom new age e de música para documentários que assenta muito bem (“Almirante Reis”). “Creiro” captura a essência do álbum, soa antigo mas sempre seguro do seu lugar, o ambiente constrói-se pausadamente, culmina como um bom momento Vladislav Delay. “Alameda” sairia facilmente na Dial ao lado de Lawrence. “IC19″ é estranhamente pacífico para ilustrar o cenário que o título convoca, o mesmo com “Mq. Pombal”, mas este é um disco português sem o ser; feito por alguém que andou fora.

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Terça-feira, 27 Janeiro, 2015

JOAN BIBILONI El Sur CD / LP

€ 14,95 CD Music From Memory

€ 17,95 LP Music From Memory

[audio:http://www.flur.pt/mp3/MFM003-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MFM003-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MFM003-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MFM003-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MFM003-5.mp3]

Bibiloni parece exemplificar na perfeição tudo o que se conhece sobre o som “baleárico”. Ele próprio nasceu em Maiorca e a música que ouvimos nesta recolha abre vistas largas sobre a cultura que passou a associar-se sobretudo a Ibiza mas, no fundo, captura um espírito estival mais ou menos transversal a todo o globo. Material de cinco álbuns gravados na década de 80, quando Joan Bibiloni já tinha a sua editora Blau a funcionar. A guitarra é o seu instrumento privilegiado e, se a evolução de um universo mais folk durante os 70s para algo familiar ao Cósmico pode parecer pouco clara, só temos de nos lembrar de um outro guitarrista que, na mesma época, gravou uma das obras primas definidoras do género: Manuel Göttsching e “E2-E4″. Como a própria editora descreve, há aqui boogie de praia. Fácil para os ouvidos, mas há muito que descartámos a noção de que o que soa fácil deverá necessariamente ser de qualidade inferior. Vagueando por um mundo pacífico de luz e cor, “El Sur” adorna os nossos sonhos acordados com cenários muito palpáveis. A música é sentimental, ascencional, paisagística, toca em algum jazz leve, soft rock, “música de discoteca”, new age, folk. Em alguns casos, a melodia é tão universal que parece que sempre esteve lá, mesmo antes de nascermos. É o poder de reconhecimento da música.

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