Sexta-feira, 24 Abril, 2015

LUST 872: RUI MIGUEL ABREU


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

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24.4.2015
DISCOS, FLUR, ÁFRICA
por RUI MIGUEL ABREU

Num dos últimos Record Store Days,
certamente no último que celebrei activamente,
a Flur repetiu um convite que já antes me tinha dirigido
e desafiou-me a escolher discos para fazer um mural
que decorasse a parede por trás do balcão.
Ao primeiro desafio respondi com discos seleccionados
para obedecerem a uma ideia gráfica – mas também musical –
de espaço e electrónica.
Da vez seguinte, a que aqui importa,
decidi seguir na direcção oposta e elegi África como tema.
Desse mural africano constavam discos de jazz, de house,
de hip hop, mas também, como é óbvio, de múltiplas áfricas,
incluindo as que estão mais ligadas à nossa história.
Depois do Record Store Day esses discos permaneceram de lado,
antes de regressarem às respectivas secções nas estantes lá de casa.
E quando o meu amigo Rocky Marsiano me desafiou
a seleccionar um conjunto de discos
que ele pudesse usar como base sampladélica
para um novo trabalho eu virei-me, muito naturalmente,
porque estavam ali à mão de semear, para esses discos.
Estava lá Angola e Moçambique e Cabo Verde
e foi matéria de vinil dessas origens que enviei para Amesterdão,
para que Rocky as pudesse estudar e transformar.
O resultado foi o álbum “Meu Kamba” que, não tarda nada,
terá um filho, um single de sete polegadas.
Record Store Day, espaço, África, “Meu Kamba”, vinil.
Como é que se costuma dizer?
Uma borboleta bate as asas em Xangai
e o Kendrick Lamar chega à Casa Branca em Washington?
Isto anda mesmo – MESMO – tudo ligado.

—–

rui miguel abreu, daquelas pessoas cujo curriculum é demasiado vasto para listar de ânimo leve. vive e respira música, muita música (toda a música?) enquanto jornalista, essencialmente, mas também já teve uma loja de discos, editoras, fez trabalho de agenciamento, produção, fez música, passa música, é blogger, organiza eventos e mais coisas que de certeza não estamos a dizer.
ele é o principal dinamizador do mercado de editoras independentes que acontece este fim de semana no príncipe real, em lisboa; é também a força principal por detrás
da nova publicação online rimas & batidas, dedicada a hip hop mas também a toda a música electrónica contemporânea e não só.
é melhor pararmos, investiguem o mercado, estejam atentos ao site e passem, ainda, pelo seu http://www.33-45.org/
há poucas coisas tão certas, no circuito, como a presença do rui miguel enquanto divulgador. se piscam o olho demasiadas vezes é provável que percam alguma das coisas que ele anda a fazer, mas não faz mal, podem apanhá-lo em qualquer momento do futuro,
se o vosso interesse por música não se desvanecer.



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Quinta-feira, 23 Abril, 2015

LUBOMYR MELNYK Evertina MCD / 10″

€ 13,50 € 9,95 MCD Erased Tapes

€ 15,50 € 12,95 10″ (+ download code) Erased Tapes

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Se gostaram muito de “Corollaries” ou de “The Watchers” (este com a estimada e importante colaboração de James Blackshaw), este “Evertina”, embora de dimensão reduzida, é bem surpreendente por não prolongar aquilo que conhecemos depois deste ucraniano-canadiano reaparecer no lado vísivel da indústria (a nossa, claro). Lubomyr criou a fama da sua rapidez no teclado, tornou-se uma espécie de ídolo exagerado para a cena neo-clássica, mas este mini-álbum afasta-se ligeiramente da sua marca de “piano contínuo”. E dizemos ligeiramente porque as suas composições continuam a deslizar no tempo, criando pequenas histórias ilusórias em círculo. Mas o círculo aqui é falsamente fechado e Lubomyr consegue a proeza de criar temas de uma beleza extrema de onde quase não se suporia que acontecessem. Talvez prefiramos ouvi-lo num contexto mais minimal, mas por um momento, e curto, esta é uma boa prova do que este velho senhor é capaz.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 23 Abril, 2015

RED TRIO, GERARD LEBIK & PIOTR DAMASIEWICZ Mineral LP

€ 16,50 LP Bocian

Provavelmente, o texto anterior para os RED Trio dirá algo como ‘um dos mais promissores trios da actualidade’, e palavras como ‘reconhecimento’ (com a opção ‘internacional’) ou ‘digressão’ deve estar por lá, quase de certeza. Ou então algo similar, pois nada se passou de novo senão a solidificação desta unidade sonora que parece agora galgar as suas próprias fronteiras conhecidas. Por isso, é natural que vejamos este tipo de acontecimentos, quando outros músicos entram no seu jogo, nunca deixando que o coração deixe de bater forte e seguro. No mês passado andaram pela Polónia a espalhar charme com Gerard Lebik (saxofone) e Piotr Damasiewicz (trompete) – duas vozes que têm sido prioritárias no caminho internacional e nacional do RED Trio (Rodrigo Amado, John Butcher e Nate Wooley, por exemplo) – e promover este “Mineral” na terra da Bocian. Passando por Cracóvia e Wroclaw, de onde vieram cada um dos lados deste LP. Hernâni Faustino, Rodrigo Pinheiro e Gabriel Ferrandini continuam a fazer tudo bem feito nas terras do free.

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Quinta-feira, 23 Abril, 2015

THE NOTWIST The Messier Objects CD / 2LP

€ 15,50 € 12,50 CD Alien Transistor

€ 19,50 € 17,95 2LP Alien Transistor

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Que maravilha. Não paramos de ouvir este disco para comprovar a cada audição o que nos provoca na audição anterior. São quinze os objectos – são os Notwist que os chamam assim – que vamos ouvindo, entre a colagem artesanal de sons e canções pop instrumentais tímidas que raramente saem da sua toca: parecem polaroids de easy listening em fase adulta. Vão-se colando uns aos outros, fluindo graciosamente como se estivéssemos a ver um livro de fotografias com banda sonora. Cada objecto parece delegar algo para um objecto posterior, como se fosse um grande puzzle que nunca cabe no nosso campo de visão. No final do objecto número quinze, “Das Spiel Ist Aus” pega em quase tudo o que ouvimos e muda a geografia sonora: 13 minutos de pura auto-estrada germânica não-óbvia que nos empurra para o mundo por descobrir. Absolutamente arrebatador, acreditem. Depois disto, claro, o objecto final, para nos embalar e rebobinar tudo para voltarmos a ouvir “Messier Objects” novamente. Uma maravilha.

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Quinta-feira, 23 Abril, 2015

KRENG The Summoner CD

€ 15,50 € 12,50 CD Miasmah

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É ainda escuro o mundo de Kreng. “The Summoner” é o quarto álbum tingido de negro para o belga Pepijn Caudron e se conseguirem ler o nome dos temas vão perceber o que mexe com os sentimentos de Kreng: “Denial”, “Anger”, “Bargaining”, “Depression”, “Acceptance”,… Dor e os seus estágios, como sempre afogados em dark ambient electroacústico tremendo, que estremece paredes e a alma de quem ouve estas coisas com o sistema de som adequado. O vento é nórdico, gélido, aquecido ligeiramente pelos arranjos de cordas que pontuam partes da narrativa – uma boa novidades na sua composição. A primeira metade é feita em regime de reconstrução, com um ensemble de 12 músicos de cordas a convocar o espírito de Ligeti. É um lugar-comum dizer que estas coisas parecem bandas-sonoras, mas a quantidade de imagens que nos aparecem e a fluidez narrativa do álbum inteiro faz-nos imaginar um mundo bem diferente do nosso. Ou então, um mundo que existe mas que desconhecemos. De uma ou de outra maneira, uma aventura.

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Quinta-feira, 23 Abril, 2015

DOUGLAS DARE Whelm CD / LP + LIVRO

€ 15,50 € 12,50 CD Erased Tapes

€ 18,50 € 15,95 LP + LIVRO (+ download) Erased Tapes

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A Erased Tapes vai convencendo-nos que é uma editora de “modern classical”, um género de difícil definição embora isso também ajude a alguma liberdade quando falamos de música. Pianos e cordas é um assunto recorrente, mas depois há todo um campo que vai para além disso – como “Whelm” – mas que ainda mostra um feeling de câmara e acústico, como se a pop voltasse a ser algo muito sério e imponente. Há espaço para tudo e Douglas Dare agarra com unhas e dentes um espaço muito seu, feito com uma ambição que não sentimos todos os meses do ano. De Londres – onde, para além de Berlim, também opera a Erased Tapes -, Douglas Dare impressiona com os seus 23 anos e com o à-vontade com que escreve canções e, sobretudo, como as veste. Parte frágil, parte épico, Dare sabe exactamente o equilíbrio dos seus arranjos para levitar as suas palavras do chão sem nunca as deixar fugir. Parte acústico , parte electrónico, Dare tenta entrar num espaço pop que nem sempre é bem habitado. Profusamente comparado a James Blake ou Rufus Wainwright, Dare também convence pelas ideias que tem. Uma estreia fantástica e um punhado das mais impressionantes canções deste ano!

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Quarta-feira, 22 Abril, 2015

BASIC CHANNEL Q-Loop 12″

€ 8,50 12″ Basic Channel

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O som eterno da Basic Channel regressa para assombrar, com três faixas levantadas da compilação em CD que saiu em 1995. Reavaliar esta música praticamente 20 anos depois significa, uma vez mais, concluir que não houve nada colocado por cima do padrão dub techno inventado pouco antes antes que conseguisse suplantar esta magia e profundidade. “Q-Loop” aparece pela primeira vez na versão longa de 13 minutos, uma majestosa excursão minimalista cujas vistas pouco se alteram desde o início até ao fim mas que, por isso mesmo, nos obriga a focar a atenção em diferentes padrões da construção rítmica, tornando o ouvinte numa espécie de co-compositor da obra. É o que fazemos com a dinâmica da nossa audição que tem realmente poder de tornar a música especial. E é muito especial. “Q 1.2″, 5 minutos, amplia o ambiente, retira o beat quase por inteiro, deixando uma vaga pulsação mais perto do final, abre portas para o que viria a ser o som característico da Chain Reaction; “Mutism” atinge ainda mais fundo, é uma tempestade de efeitos, como se fosse uma autêntica gravação de campo num monte de vendavais. Só ouvimos vento e estática, é maravilhoso.

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Terça-feira, 21 Abril, 2015

V/A Cargaa 1 12″

€ 9,95 12″ (+ download code) Warp

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Parecia uma comunicação vinda do Espaço, quando a Warp abordou a Príncipe no sentido de colocar em disco uma colaboração que reflectisse o som da Grande Lisboa que a editora portuguesa tem ajudado a espalhar pelo mundo. Numa série de três EPs, a Warp vai traduzir ainda mais para o exterior o que é que se passa aqui. Quem conhece a história da editora de Sheffield poderá encontrar semelhanças de ética e até de batida (enfim, com todas as distâncias) entre o que aqui se ouve e aqueles primeiros maxis de 1989-90 quando Robert Gordon era engenheiro de som. Em “Cargaa 1″, DJ Marfox abre em modo imperial, com ácido a encontrar batida e a gerar a drenalina que ele gosta de imprimir às suas produções – sem dúvida o mais inglês de todos os sons aqui; Nedwyt-Fox segue perto com alguns blips que tornam extrovertida a batida apanhada de Marfox (não esquecer a importância do -Fox); DJ Nigga Fox continua empenhado no seu próprio caminho, não há mesmo mais nada a soar como isto e é uma sensação internacional – ninguém sabe muito bem de onde vêm estes sons. O sentimento fica mais para o fim, com a sequência dourada de “Afro” (Blacksea Não Maya) e “Good Wine” (DJ Lycox): os primeiros mostram-nos uma faixa incrível de paixão, ambiência, exotismo africano e ácido sentimental; Lycox produz, em “Good Wine”, próximo do incrível “Tempo Da Vida” (está no EP do ano passado da Tia Maria Produções). Cadência mais house, totalmente quebrada por um jogo de percussão vivo, uma espécie de acordeão e banjo sintéticos e a sua assinatura melódica capaz de roubar corações. Oiçam a progressão e a voz que ele escolheu largar em minúsculos (e poucos) momentos. Demasiado bom.

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Segunda-feira, 20 Abril, 2015

SUFJAN STEVENS Carrie & Lowell CD / LP

€ 15,50 CD Asthmatic Kitty

€ 21,50 LP Asthmatic Kitty

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“Carrie & Lowell” está quase nos antípodas do seu anterior álbum “The Age Of Adz”, já de 2010. Depois da extravagância, o recolhimento e o seu álbum mais pessoal e tocante. Escrito como uma dedicatória cortante à sua mãe e ao seu padastro – a Carrie e o Lowell -, Sufjan Stevens entrega um conjunto de canções soberbas, assumidamente frágeis, abertamente confessionais, mostrando um lado folk que conhecemos desde os seus primeiros discos. Gravado no seu estúdio caseiro, há poeira e ruído verdadeiros, como se para este momento fosse necessário despir todas as suas máscaras anteriores e voltar a mostrar rugas e imperfeições, esperando uma espécie de segunda oportunidade e, quiçá, redenção. Eternamente abandonado pela sua mãe bipolar, “Carrie & Lowell” parece deixar escrito o que Sufjan Stevens talvez nunca lhe tenha dito, e canções como “Fourth Of July” (perfeita) parecem congelar o tempo e comunicar para além do momento da morte. Mas no álbum há também um olhar no espelho pela parte de Stevens, expiando e revoltando-se por situações marcantes da sua vida – o belíssimo “Drawn To The Blood” fala sobre abuso e violência. Álbum de feridas e dor universais, este é mais um disco tremendo da discografia impressionante de Stevens.


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Segunda-feira, 20 Abril, 2015

MOEBIUS, STORY, LEIDECKER Snowghost Pieces LP + CD

€ 17,50 LP + CD Bureau B

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Encontro de gerações numa conclusão importante que gera um livro de estilos comum para os três músicos envolvidos. Jon Leidecker, que conhecemos melhor como Wobbly, fez nome no momento em que o glitch tomava conta da electrónica, a repetição e erro pós-Oval abriram muito terreno, até para dentro da pop e da música de dança; Tim Story percorreu a década de 80 como um dos nomes mais respeitados no circuito ambiental que existia à margem da New Age mais instituída (se bem que editou discos na Windham Hill); Moebius, claro, recua ainda mais uma década para se tornar lendário com os Cluster, embora o que ouvimos em “Snowghost Pieces” esteja bem mais próximo do seu trabalho a solo nos 80s. Este não é um álbum fácil de categorizar, uma vez que reúne características de todos os intervenientes (e quem conhece a sua música vai perceber isso claramente). Há uma marcha lenta mais ou menos consensual em toda a duração, processos ambientais a decorrer em paralelo mas nunca com o espaço suficiente para arriscarem o vazio; há desconstruções sónicas na margem do erro (Leidecker) e também zonas onde o piano e a percussão se encontram para criar uma ideia de música contemporânea que cruza impecavelmente com alguma pop instrumental germânica como Kreidler, Notwist, To Rococo Rot, para sermos económicos nas referências. Muita substância para muita gente.

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Quinta-feira, 16 Abril, 2015

JEFFRE CANTU LEDESMA A Year With 13 Moons CD / LP

€ 25,95 CD Mexican Summer

€ 17,50 LP Mexican Summer

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Ouvir Jefre Cantu-Ledesma é uma forma de celebração das saudades que se criaram com o shoegaze dos 1990s e com o regresso que teve uma década depois. É verdade, sim, que ele esteve sempre acompanhado neste festim ambiental da guitarra mas é daqueles que agarrou com convicção esse compromisso (seja por ser o fundador da Root Strata como pela dinâmica da sua carreira). E fê-lo seguindo uma direcção do noise do início deste século (Black Dice, Hototogisu e, posteriormente, Yellow Swans) apurando o sentido de música ambiente e agarrando-se a formas mais europeias de som/composição (lembramo-nos sempre de Fennesz). “A Year With 13 Moons” é uma continuação dessa sua viagem abstracta e continuidade é o sentido certo da sua carreira, sente-se que há um desejo de aperfeiçoar os caminhos visuais e oníricos da sua música, fluindo em cada disco com mais ou menos ruído (e o ruído é mais visual do que sonoro). Ouvindo-o encontramos resquícios da pujante cena noise dos anos 2000 mas também sentimos as guitarras dos My Bloody Valentine em slow motion (ainda mais) como se fosse música feita para parar o tempo.

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Quinta-feira, 10 Julho, 2014

FAMILY FODDER Monkey Banana Kitchen CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Staubgold

€ 16,50 € 13,95 LP Staubgold

[audio:http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD130-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD130-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD130-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD130-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD130-2.mp3]

Um pouco à semelhança das reedições dos 49 Americans, a Staubgold apresenta neste “Monkey Banana Kitchen” dos Family Fodder um pedaço importante do pós-punk britânico. Como eles, os Family Fodder construíram uma pop que se desvia das classificações normais, evitando as concessões da altura e, até um pouco, as limitações do pós-punk, construindo canções que no seu conjunto formam aquilo a que nos habituados a chamar de eclético, mesmo que pouco de eclético exista aqui, apenas uma vontade de expressão que não se preocupa com dimensões. Essa despreocupação é essencialmente importante para a liberdade das suas músicas, talvez compreendida por alguns na altura, e anos depois assimilada por bandas como os Stereolab. Em “Monkey Banana Kitchen” há até uma diversidade de línguas (três) e isso não causa confusão, apenas gera compreensão para aquilo que aqui estavam a fazer, canções orelhudas, cheias de intenção, com uma sensibilidade pop rítmica que é arrojada mesmo para os dias de hoje. Arrojada, simplesmente, porque não é para todos. Apenas para quem sabe. E isso garantiu-lhes, há uns anos, um lugar na lista da Wire dos “100 Records That Set The World On Fire (While No One Was Listening)”. Ainda manda fogo e agora não têm razão nenhuma para não ouvir Family Fodder. A versão em LP apresenta simplesmente o álbum, à edição em CD acrescenta-se o 12” “Schizophrenia Party” (também reeditado em LP e disponível a 13,95) e os 7” “Film Music” e “The Big Dig”.

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