Quinta-feira, 30 Abril, 2015

LUST 873: TIAGO SOUSA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

30.4.2015
PIANO
por TIAGO SOUSA

O momento em que um piano apareceu plantado no meu quarto,
no sétimo andar de um prédio suburbano no Barreiro,
foi um momento definitivo na minha vida.
A disrupção deste tem provocado ondas de impacto
cuja cadência imprime um ritmo particular à minha vida.
Sei que o resultado dessa cadência
não é de utilidade para propulsar os fluxos da produção contemporânea,
provavelmente terá pouca utilidade para alguém outro que não seja eu,
mas a inutilidade chega-me.
Num mundo que se organiza em torno das mais abstractas ocupações de tempo
tendo em vista a sua transformação em produtividade
parece-me plano suficiente fazer algo que não serve para coisa nenhuma.
«Rapidamente passam Primaveras e Outonos,
solitariamente sem laços com o mundo.
Alegremente confiar em quê?
Calmo como água de rio no Outono?»

—–

a meio caminho do seu novo álbum, com saída para o final deste ano, um pequeno disco muito especial e inesperado de tiago sousa ocupa-nos. a edição é do próprio tiago, oferecida no seu último concerto no teatro maria matos. algumas das poucas cópias que sobraram estão acessíveis pelo músico e aqui na flur. não hesitem demasiado: o preço não vos irá deter. músico generoso e com as ideias no lugar, a intro desta semana é uma reflexão do tiago sousa sobre o impacto que o seu piano provoca na sua vida. e temos tido muita sorte em sentir esse impacto também.



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Quarta-feira, 29 Abril, 2015

MORT GARSON Mother Earth’s Plantasia CD

€ 15,95 CD Fifth Dimension

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O nome de Mort Garson é mais visitado por quem se enterra no interesse histórico pela música electrónica do que no interesse popular. Coisas inevitáveis e cujas reedições estão cá para repôr alguma justiça. Sim, é um dos pioneiros da música electrónica, principalmente no uso dos sintetizadores Moog. E, sim, como muita gente da sua geração (e algumas posteriores) que experimentaram com sons electrónicos, provavelmente já o ouvimos e não sabemos. Alguma da sua música passou por completo acaso durante a transmissão da missão Apollo 11 e fez mais alguns trabalhos para televisão. Da sua discografia, provavelmente o que se dá a um encontro mais fácil é o brilhante “Electronic Hair Pieces”, onde Garson faz as suas próprias versões do musical “Hair”. E se nunca se cruzaram com o brilhante “The Wozard Of Iz” deveriam faze-lo, porque estão a perder uma das experiências mais bizarro-pop-electrónicas de sempre. E agora – agora porque foi reeditado, o original é de 1976 – há este “Plantasia”, um disco concebido para ajudar as plantas a crescer com amor: e há coisa mais bonita do que isso? Não podemos comprovar essa ideia, mas a conjugação de moogs e da percussão leve easy listening cria uma ambiência perfeita: ambiente, descontração, total relaxe. Parece matéria produzida nos sonhos e para os sonhos. Se os nossos sonhos acontecessem com esta banda-sonora certamente todos cresceríamos bonitos e vigorosos como as plantas. Se nunca se cruzaram com Garson, não esperem mais. “Plantasia” é uma excelente porta de entrada e um disco que vai tornar os vossos dias bem melhores. Garantido.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quarta-feira, 29 Abril, 2015

LIGHTNING BOLT Fantasy Empire CD

€ 15,50 € 12,50 CD Thrill Jockey

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2015 e percebemos que estamos naquela fase da nossa existência em que às vezes tem que se explicar quem os Lightning Bolt são. Ora bem, existem há quase duas décadas e houve ali um período no início deste século em que eram a melhor coisa do mundo. Sem exagero. Mudaram muita coisa, no rock, no chamado “rock underground” e sobretudo no cruzamento entre o noise e o rock, não necessariamente para uma coisa noise-rock mas tornaram mais fácil a assimilação de um certo ruído no rock indie. Não que antes não existisse ruído no indie, mas os Lightning Bolt foram importantes para alinhar estruturas e democratizar certos sons. É possível que sem eles não tivéssemos algumas coisas, é certeza que sem eles não tínhamos algumas das melhores memórias do rock deste século. Já passaram muitos anos desde que estiveram lá em cima, já fizeram discos dispensáveis, já tiveram regressos, já tocaram em Portugal, já fizeram discos entretanto: e quando há um disco novo é um acontecimento para aqueles que estiveram lá e, inevitavelmente, para aqueles que se cruzaram com os Lightning Bolt algum tempo depois. Duo, baixo bateria, a redução do rock a um lado elementar mas caótico (porque não tem de ser necessariamente caótico) que é difícil de percepcionar sem ser ouvido. Podia ser por nostalgia; mas não é; podia ser por n coisas que ultrapassam a mera existência da música; mas também não é; a verdade é que “Fantasy Empire” é o melhor álbum dos Lightning Bolt desde “Wonderful Rainbow”. Ou seja, passaram-se doze anos. Doze anos. Doze anos sem esquecer os Lightning Bolt e sempre na expectativa. Doze anos que valeram a pena.

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Quarta-feira, 29 Abril, 2015

COLLEEN Captain Of None CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Thrill Jockey

€ 18,50 € 14,50 LP Thrill Jockey

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Ouvido à distância, não muito extensa, “The Weighing Of The Heart” parece não merecer a discografia de Colleen. Talvez seja um veredicto demasiado injusto para um disco bonito, com vontade de crescer para sítios novos, mas aquilo que nos agradava nos álbuns de Colleen tinha-se perdido e o que havia novo era uma certa ingenuidade que valia apenas por querer simbolizar um recomeço – foi o primeiro disco depois de seis anos de pausa total na música. “Captain Of None” reconcilia-nos totalmente com o passado labiríntico e experimental, mas também parece já assimilar com bravura a pop de “The Weighing Of The Heart”. Como sempre, tudo parece nascer das suas cordas e das suas caixas de ressonância, e para nós isso bastaria, pois Cécile Schott tece como ninguém estes loops, agora acrescidos por uma câmara dub em homenagem a alguns mestres jamaicanos. Depois há canções frágeis, sussurradas com segurança, que se entrelaçam nas teias sonoras da sua viola barroca. Não seria preciso dizer isso agora, mas como “Captain Of None” é um álbum maravilhoso, não se esqueçam que esta francesa faz música que mais ninguém consegue fazer ou imitar: mandem-se de cabeça para “This Hammer Breaks”, o terceiro tema, e fiquem de queixo caído durante semanas.

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Quarta-feira, 29 Abril, 2015

TORO Y MOI What For? CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Carpark

€ 19,50 € 17,95 LP Carpark

Por onde andava Chaz Bundick? Em 2014 falhou o seu álbum anual, mas a pausa não foi grande e “What For?” parece repor a sua produtividade natural – que é bem elevada, como devem ir percebendo. Começámos a pensar nos seus discos anteriores e demos conta como este rapaz nunca nos desiludiu. Há uma alegria sempre na sua música que nos contagia pela sinceridade: parece preferia atingir-nos no nosso soft spot do que tentar convencer-nos à força das suas qualidades. “Causers Of This” foi um álbum feito na ressaca hipnagógica – e era um disco do caraças, mas talvez seja o mais datado -, mas tudo o resto é quase matador: pop soalheira, cheia de funk e colorido psicadelismo, sal r&b, salpicos eléctricos californianos. Imaginem um filho de Ariel Pink bem comportado. Voltam agora os anos 70, com uma ou duas piruetas, em que a diversão rock de Chaz não faz reféns e toma conta da festa. Sim, claro, pode parecer pouco para quem quer mais e muito mais, mas “What For?” parece ser a pergunta para essas pessoas. Mas não percebam destas palavras que a música de “What For?” é menor: há um saber tremendo aqui e uma intuição musical que poucos terão por estes dias.

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Quarta-feira, 29 Abril, 2015

BENOIT PIOULARD Sonnet CD / LP

€ 16,50 € 15,95 CD Kranky

€ 20,50 LP Kranky

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Para quem tem amor para dar a estas coisas, “Sonnet” é um festim de emoções que nos convoca e suga tudo o que temos para dar. Tal como as matrizes dub ou techno ou house continuam válidas e extasiantes, a electrónica ambiental contemporânea, luxuriante e feita de dezenas de camadas que sobrepõem e nos elevam os calcanhares, é quase sempre irresistível quando se juntam os ingredientes certos e quando estes estão nas mãos dos cozinheiros certos. Pensem em Ben Frost quando é para aí que está virado, ou Tim Hecker quando faz aquilo de que tanto gostamos, ou Fennesz que fez um fascículo desta enciclopédia só para ele, ou, até, o filtro William Basinski que é das coisas mais fulminantes que existe. Benoit Pioulard é bem mais melódico que todos esses nomes, mais encantatório e directo: o primeiro tema, com 33 segundos, faz um resumo de tudo o que tem para nos dizer. Simples. A novidade deste novo álbum é o seu romance com o analógico – sim, o computador está cada vez mais com o papel de pós-produção -, entre efeitos e gravações de campo: mas tudo voa da mesma maneira que os seus outros discos. Não interessam os ingredientes quando o instinto ambiental é matador. “Sonnet” é um estrondo ambiental.

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Quarta-feira, 29 Abril, 2015

MARK E E-Versions Vol. 1 CD

€ 13,95 CD Merc

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Um ponto forte nas produções de Mark E é a mistura natural entre ideias de raiz e re-edits. Dos 4 volumes da série “E-Versions”, em vinil, resulta este CD, que ainda junta um inédito. São malhas preparadas para pista de dança, cruzando techno que poderia ser olhado como mais esotérico com um sabor Disco de que a música para dançar ainda necessita bastante. “Magazine”, por exemplo, dá uma volta considerável em “Vogue” (Madonna), capturando uma frase, transformando o seu corpo e mantendo o som de cordas agudo que reconhecemos do original. Recursos melódicos “técnicos” são perfeitamente integrados – com isso queremos dizer melodia criada a partir de corte de sons (talvez o exemplo mais flagrante de que nos lembramos, em cima do joelho, seja The Field, mas apenas na técnica e não no resultado final). As faixas trabalham a repetição para a hipnose dos membros, isto é, o corpo mexe-se e não se dá bem conta de como começou. Mark E produz discretamente mas com carisma, é realmente preciso entrar em cada um das faixas para entender e sentir o magnífico trabalho de construção que entretanto já nos agarrou.

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Terça-feira, 28 Abril, 2015

JOHN FM Where My Roots Lie 12″

€ 13,50 12″ FXHE

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A faixa-título ocupa um longo lado inteiro e o sub-título pode parecer pretensioso (“New Detroit Anthem”) mas preparem-se para a abertura e actualização de um manual ainda crucial para house e techno. “Where My Roots Lie” é um tributo sentido a gerações anteriores, é espacial e evolutivo, melódico e militante (oiçam a mensagem no início), extremamente musical, por oposição a mera técnica bem executada. É, possivelmente, a expressão mais completa possível nesta zona de produção e de interesse. O tema ascende em devoção e, no processo, nós subimos também. “White Churches Be Like” mistura com génio algum Cybotron e Model 500 com as cenas mais “Box” da KMS, passeia sem receio por algumas ruas mais tensas. Para o fim, John FM mostra como tudo isto, embora quase nunca pareça, nasce de uma tradição soul muito enraizada na cidade de Detroit e no coração dos produtores até aos nossos dias (John Fm tem 21 anos). A matriz é poderosa.

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Quinta-feira, 23 Abril, 2015

TIAGO SOUSA Coro Das Vontades CD

€ 4,95 Ed. Autor

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Há cerca de três semanas, Tiago Sousa deu um concerto no Teatro Maria Matos onde uniu à sua maneira o passado e o futuro. O seu, entenda-se; e um pouco do nosso, claro. Recuperou uma peça feita por encomenda para essa sala sobre a participação de todos nós na construção da nossa sociedade – um tema sempre presente nos movimentos de Tiago Sousa na música e fora dela. Inês Nogueira e Beatriz Nunes dão as vozes (declamada e cantada, respectivamente; uma surpresa) a uma pequena parte dos textos recebidos, cabendo a Joana Rosa a sua edição e escrita suplementar. Ulrich Mitzlaf (violoncelo) e Ricardo Ribeiro (clarinete soprano) são, com Tiago Sousa, o trio de instrumentistas que colocam as palavras no alto, vibrando-as como se fossem as palavras de todos nós. Bem diferente do intimismo solitário de “Samsara”, este novo disco de Tiago Sousa volta a mostrar-nos os seus dotes de composição e mestria nos arranjos, criando peças de câmara lindíssimas que parecem sempre ser demasiado frágeis para a tensão das palavras. Puro engano: Tiago Sousa conduz estes pequenos manifestos a um perfeito equilíbiro entre a poética da mensagem e a música celebratória. Este foi o seu manifesto e merece o nosso agradecimento.

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Segunda-feira, 20 Abril, 2015

EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN Kollaps LP

€ 17,50 LP (2014 reissue) Potomak

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Este primeiro álbum dos Neubauten, de 1981, transporta ainda toda a magia negra do final dos 70s, o turbilhão político, social e estético que agitou, animou e criou mudanças importantes no mundo em que vivemos. “Kollaps” passa a ideia de uma era pré-tecnológica, bruta, de instinto, de comunicação directa sem mediação, de confronto. “Tanz Debil” segura-se como um dos momentos mais importantes da passagem do punk para a era industrial (como algumas coisas dos SPK reunidas no álbum “Auto da Fé”); “Steh Auf Berlin” marca o protótipo de percussão industrial que se escutaria em muitos discos posteriores, o ritmo de carne vermelha, ainda vivo e metálico, enquanto apela a um “levantamento” de Berlim, o que, afinal de contas, sempre viria a acontecer cerca de uma década mais tarde; “Horen Mit Schmerzen” (“ouvir com dor”) carrega uma mensagem de punição, tem algo do sofrimento pela arte praticado por muitos artistas atormentados mas, aqui, consegue exportar o sentimento para a rua. Este estado bruto é uma das afirmações mais importantes em toda a música popular, é um avanço espectacular na ética e também na prática do punk. “Kollaps”, o título em si, é um programa inteiro de intenções. Tentamos ser económicos com o termo, mas este é um álbum obrigatório. Se os Sex Pistols foram uma genial operação de marketing, aqui está o animal que se mexia no lodo e, no meio da lixeira, já trabalhava para a verdadeira transformação de raiz.

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Quinta-feira, 9 Abril, 2015

TÓ TRIPS Guitarra Makaka LP

€ 22,50 LP Rastilho

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Quando a guitarra “Makaka” de Tó Trips apareceu a primeira vez – ou uma das primeiras vezes -, na Zé Dos Bois, no Verão de 2014, sem sabermos nada do que se passava, sabíamos que íamos viajar por algo nunca visto. Três serigrafias do músico, à venda nesse concerto, ilustravam esse imaginário longínquo, selvagem mas habitado, feito de coisas desconhecidas e regulamentado por um deus desconhecido. Abençoado por uma nova afinação na guitarra herdada das suas colaborações com Timespine – Adriana Sá e John Klima – Tó Trips viu-se forçado a seguir o instinto como um explorador que vai relatando as suas caminhadas. O seu dobro, de som metálico cortante, exala simultaneamente a sua cidade – Lisboa, através da guitarra portuguesa – como um local geográfico criado para fornecer toda a informação necessária para a história. Danças, corrupios, lamentos, todo um novo dicionário para uma cultura desconhecida, uma tribo escondida neste nosso mundo para onde nos apetece ir. Longe do lado intimista e solitário de “Guitarra 66″, este “Guitarra Makaka” precisa de nós todos.

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Terça-feira, 3 Março, 2015

LEVON VINCENT s/t 4LP

€ 38,95 4LP Novel Sound

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A edição do disco é logo um programa assente nas declarações que Levon Vincent tem deixado no facebook, contra os ratos aproveitadores e o sistema que os alimenta. De resto, tudo amor, sabe quem leu essas palavras todas. E é um álbum na Novel Sound, depois de oito maxis sem falha. Quatro discos, neste álbum, sempre o mínimo de artifício (a capa é a tracklist em letra manual). A primeira abordagem parece cinzenta, álbum fechado e meio granítico, mas isso acontece na pressa de consumir tudo num instante para podermos começar a comentar com alguém, quando escutamos apenas clips de som. Outra coisa é sentar para ouvir como deve ser, e então o álbum abre completamente para nós. A única faixa realmente própria para um bunker alemão (Levon vive em Berlim) é “Junkies On Hermann Street”, usa a expressão metálica industrial de algum techno e uma nuvem de drama por cima. “Phantom Power” pega também na cultura industrial mas isola estrategicamente uma linha de baixo, máximo resultado. No contraste está talvez “Launch Ramp To The Sky”, assente num compasso de marimba enquanto ascende. Não sabemos bem como explicar, mas o álbum transmite personalidade e honestidade, tanto quanto conseguimos captar no meio das mil coisas suspeitas que ouvimos todas as semanas. Confiança no homem, na sua produção, confiança assim também no presente e, quem sabe, no futuro. Techno para sempre.

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Quinta-feira, 12 Fevereiro, 2015

JESSICA PRATT On Your Own Love Again CD / LP / CASSETE

€ 15,50 € 12,95 CD Drag City

€ 17,95 € 15,50 LP Drag City

€ 8,50 € 7,50 CASSETE Drag City

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2015 ainda agora começou, sim, mas dificilmente produzirá até ao seu fim álbuns suficientes para retirar “On Your Own Love Again” dos melhores do ano. Sim, também é verdade que depois de esvaziarmos o ano que acabou, há sempre um certo entusiasmo por obras que reluzem e nos atraem, havendo muito espaço nas escolhas de uma lista ainda muito arejada. Mas este segundo álbum de Jessica Pratt – uma californiana de 27 anos que nos lembra mais Londres ou Nova Iorque, e parece uma jovem Marianne Faithfull -, tem essas qualidades imediatas para nos fascinar, saltarmos de cabeça e, depois deste entusiasmo inicial, agarrarmos estas canções bem perto do nosso coração. Com um pé num passado glorioso que emula algumas das pérolas britânicas – Vashti Bunyan, por exemplo -, e uma contemporaneidade que lembra, por exemplo, Joanna Newsom, Pratt parece juntar uma infinidade de cenários e tempos numa colecção de canções que são dela e apenas dela. Gravado em casa, num 4-pistas, “On Your Own Love Again” mostra esse resguardo, como se não conseguisse mostrar-nos o que faz de outra maneira. Psicadélico em surdina, elíptico e sussurrante, eis um disco que traz ventos novos de locais que conhecemos muito bem. Repetimos: dificilmente vai deixar a nossa memória de 2015.

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