Sexta-feira, 12 Junho, 2015

LUST 879: PEDRO OLIVEIRA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

12.6.2015
NOVAS BATALHAS
por PEDRO OLIVEIRA (OZO)

Havia um tipo que passava lá pela empresa
que tinha uma conversa engraçada embora eu nunca o levasse a sério.
Era um daqueles “gajos porreiros”
com quem é bom trocar dois dedos de conversa ocasional.
Encontramo-nos em dois ou três momentos,
com quatro ou cinco piadas de cada vez
e um “xau aí” para rematar cada encontro.

Um dia esse “xau aí” deixou-me a pensar:
“será que o gajo porreiro também faz ‘umas coisas’?”.
Duas ou três pesquisas e quatro ou cinco resultados depois,
o tipo das piadas era, afinal,
um aglomerador compulsivo de “lixo” dentro de um piano.
Porrada daqui, porrada dali e o resultado final musical era mágico.
Aplicava uma série de conhecimentos académicos
que lhe penhoraram uma infância normal,
juntamente com uma linguagem experimental que foi adquirindo,
que o tornavam quase num tipo bipolar
ao comando de um piano sucateiro,
que rapidamente se transformava na mais requintada progressão impressionista.
No encontro seguinte,
as quatro ou cinco piadas transformaram-se em duas ou três palavras assertivas
sobre a partilha de uma linguagem.
Ele afinal também tinha feito quatro ou cinco pesquisas
que lhe tinham dado dois ou três resultados
sobre um baterista gigante e desengonçado
com queda para transformar panos de cozinha,
latas velhas e pedais de guitarra numa maquinal bateria kraut alemã.

Oito de Fevereiro de 2015, pelas nove horas da manhã,
foi o dia marcado para o duelo,
em que cada um compareceu com um saco de “sucata”
impecavelmente preparada para servir de artilharia.
Em silêncio começamos a arremessar “coisas” um para o outro.
Na assistência estava um tipo acabado de chegar de Londres,
também ele com as suas quatro ou cinco ferramentas de registo,
e a motoqueira de Gaia com as suas máquinas em riste.
Poucas palavras foram ditas.
Olhei para o relógio e quase oito horas tinham passado:
dissemos milhares de coisas sem nunca termos aberto a boca,
a única coisa que se trocava eram os nossos olhares, ora de surpresa, ora de angústia.
Adoro batalhas,
principalmente quando elas não se afastam nem por um milímetro
do plano de guerra que acabo por nunca traçar.

—–

conhecemos o pedro oliveira de outras lutas, à bateria dos nortenhos peixe:avião. aí, reinam as canções, sobretudo. daí que um disco de bateria e piano preparados vire as nossas cabeças imediatamente. a estreia do seu duo com paulo mesquita acabou de acontecer. leiam acima como nasceram os ozo.



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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

BRUCE DITMAS Yellow Dust LP

€ 18,50 LP Finders Keepers

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Este “Yellow Dust” é provavelmente a mais recente entrada no campeonato dos álbuns que poderiam ser bandas-sonoras para filmes que não existem. Bruce Ditmas aprendeu a mexer-se pelo jazz em clubes de Miami (onde foi criado), tocando bateria em diversas formações. Mais tarde foi para Nova Iorque e a sua vida mudou, nasceram colaborações com Annette Peacock e Carla Bley, mas o essencial para compreender este “Yellow Dust” é que foi mais ou menos nessa altura que Ditmas se entusiasmou com um moog. “Yellow Dust” compila dois álbuns de 1977, em que toca livremente um Mini-Moog, um Arp 2600 e uma variedade de outros instrumentos em conjunto com experimentações na sua bateria sob a influência do jazz. É uma compilação sem realmente um sentido único, só som, experimentação, barulho, que funciona incrivelmente bem porque a composição e os arranjos estão perto do perfeito. Além disso, há algo na dinâmica algo tresloucada, na forma como toca nos instrumentos de percussão, que constrói uma espécie de harmonia perfeita neste caos. É um disco para ficarem surpreendidos. Nós ficámos e ainda estamos a tentar perceber bem em que tipo de futuro ficcional é que devemos colocar isto.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

ADAN JODOROWSKY The Dance Of Reality LP

€ 20,95 LP Finders Keepers

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Juntamente com “El Topo” e “The Holy Mountain”, a Finders Keepers resolveu também editar a banda-sonora de “The Dance Of Reality”, composta pelo filho de Alejandro Jodorowsky (Adan Jodorowsky). “The Dance Of Reality” marcou o regresso de Alejandro ao cinema mais de duas décadas desde o seu último filme. Filme de cariz autobiográfico e acompanhado por uma banda-sonora mais tradicional mas ainda assim lindíssima. Adan concentrou-se mais em arranjos que lembram alguns trabalhos de Ennio Morricone e Nino Rota, bem como bandas-sonoras de algum cinema europeu da década de 1970 (muitas das quais a Finders Keepers tem reeditado), mais em volta da guitarra acústica e do piano. Ou seja, há um sentido mais tradicional nesta banda-sonora do que nas anteriores de Jodorowsky, em parte porque – fruto dos tempos – há menos elementos do filme aqui do que noutras obras do realizador. O lado feérico e alucinado de outros tempos dá agora lugar a algo mais brando e contido, mas que mesmo assim não deixa de ser lindíssimo e encerrar alguma magia.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

DON CHERRY, RONALD FRANGIPANE, ALEJANDRO JODOROWSKY The Holy Mountain 2LP

€ 43,95 2LP Finders Keepers

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Há uns anos, aquando da edição em DVD das três primeiras longas-metragens de Alejandro Jodorowsky a ABKCO deu ao mundo pela primeira vez uma edição (na altura em CD) desta maravilhosa banda-sonora. Composta pelo próprio realizador, Don Cherry e Ronald Frangipane, “The Holy Mountain” é o complemento visionário em som para um filme todo ele visionário, não só em termos de linguagem, como de construção de iconografia. Na altura, Jodorowsky teve dinheiro para concretizar “The Holy Mountain”, mas a verdade é que por mais dinheiro e meios que tivesse na altura é ainda hoje difícil de conceber como conseguiu fazer uma obra tão única e rica a nível de imagem, com uma visão que mistura na perfeição ficção científica, espiritualidade e uma inconformidade em relação ao mundo presente de então, que ainda é o de hoje. É um filme que ganha uma própria intemporalidade e que consegue como poucos trabalhar a destruição de iconografia e construir uma nova sem que isso esteja propriamente dentro de uma agenda. Essa não-agenda é fundamental para “The Holy Mountain”, tanto o filme como a sua banda-sonora, pois confere-lhe uma liberdade rara capaz de construir a sua própria força. Entre prog-rock, jazz, psychedelia, field recordings e alguma composição mais tradicional, esta banda-sonora é, mais do que qualquer coisa que ilustra um filme, uma experiência única no universo musical. Pouca coisa soa a isto e poucas coisas se oferecem a tanta liberdade artística como o que aqui ouvimos. É possível contextualizá-la pelos tempos que se viviam, mas uniformizá-la em géneros acaba por ser um erro. É qualquer coisa de espiritual, mas de um espiritual sem regras: absolutamente libertário. E absolutamente essencial.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

ALEJANDRO JODOROWSKY El Topo LP

€ 20,95 LP Finders Keepers

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Há razões para alguma histeria. É verdade que esta não é a primeira reedição de “El Topo” em vinil, mas é a primeira vez que as duas bandas-sonoras dos filmes mais icónicos de Alejandro Jodorowsky (o outro é “The Holy Mountain”) saem simultaneamente em vinil juntamente com a banda-sonora do seu mais recente trabalho “The Dance Of Reality”, com a habitual minúcia da Finders Keepers (directamente das masters originais), com um artwork baseado nalguns posters raros da altura, bem como textos que ajudam o contextualizar os filmes. Sabemos que editar estas bandas-sonoras era um desejo muito antigo da editora, seja pelo carácter dos filmes como pelas bandas-sonoras em si. “El Topo” – e também “The Holy Mountain”, mas isso estará noutro texto à parte – é um dos filmes mais importantes da década de 1970, altura em que Alejandro Jodorowsky queria mudar o mundo através do cinema. “El Topo” não é somente um western surreal ou um dos pratos principais das sessões da meia-noite na altura, é qualquer coisa que se encaixa ao nível do espiritual (e Jodorowsky tem muita literatura sobre isso), da abertura da mente (os limites e não-limites) e talvez um dos melhores tratamentos do conceito de “matar o pai” que o cinema alguma vez nos ofereceu. E neste contexto, a música composta por Alejandro Jodorowsky é um complemento essencial para usufruir o filme, dentro e fora dele. Elementos das orquestrações clássicas de então misturadas com qualquer coisa de Morricone e apimentadas com algum acid folk sul-americano (aliás, as restantes influências alinham-se na perfeição com isso). Essencial.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

THORE PFEIFFER Im Blickfeld CD

€ 13,50 CD Kompakt Pop Ambient

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Não temos muitas informações sobre Thore Pfeiffer, a não ser a sua nacionalidade – germânica, como é quase previsível -, e as suas participações no volume mais recente da “Pop Ambient”, a compilação da Kompakt que foi juntando uma legião de ambientalistas de todo o mundo, de dentro e fora do mundo techno. Agora que o título ganhou vida própria – podem já adquirir o primeiro volume, por Leandro Fresco -, com uma editora, filha da Kompakt como convém, é altura de rentabilizar um espólio crescente de músicos electrónicos que adubam com primor um género que está sempre em regeneração. A série, feita – atenção!!! – com uma tiragem única de 500 exemplares, tem Wolfgang Voigt como curador, claro, e prolonga um desejo latente que era alimentado em cada “Pop Ambient”. Pfeiffer é um perfeito esteta ambiental, criando, como ele diz, micro-loops, ou seja, pequenas matérias sonoras que se vão sobrepondo e hipnotizando qualquer par de ouvidos que se cruze no seu caminho. Podia ser um sonho ambiental de The Field, em que ciclos de som nos vão envolvendo o corpo, dominando-nos completamente. Sem qualquer ritmo, para além das pulsações subliminares que os micro-loops fabricam, parece incrível como “Im Blickfeld” é tão imediatamente atraente. Solidez e alguma originalidade que amplia a riqueza desta série ambiental da Kompakt. Escutem um pouco, retirem uma fatia apenas, e irão perceber o que dizemos.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

THEESATISFACTION EarthEE CD

€ 14,95 CD Sub Pop

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“EarthEE” surge 3 anos depois de “Awe Naturale” ter colocado Catherine Harris-White e Stasia Irons no mapa pós-hip hop norte-americano. Não sabemos se existe uma sub-categoria assim, é bem provável que sim porque existe tudo hoje em dia, mas se não houver, podemos colocar THEESatisfaction nessa arrumação. Na ordem do dia, África como origem e destino, dentro de uma melancolia instrumental que, ao contrário do capítulo de há 3 anos, sobrevive em mais carne e sensualidade. Menos máquinas, menos artifícios e menos corantes em prol de uma maior verdade que abraça o R&B com um veludo erykah-badu-esco, não escondendo a mensagem que sempre fizeram questão de nos transmitir. Nos momentos mais angulares, eis a herança Shabazz Palaces – Erik Blood, o culpado, está creditado oficialmente na ficha de “EarthEE” – e a prova que o futuro é o local de destino de algumas destas coisas. Não sendo tão maquinal como o seu predecessor, “EarthEE” consegue essa proeza de olhar o amanhã de frente.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

KÖLSCH 1983 CD

€ 15,50 € 12,95 CD Kompakt

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O que se faz com as coisas bonitas? O mundo divide-se, provavelmente ao meio, quando temos de olhar ou ouvir algo que foi polido e trabalhado para reluzir ao mínimo raio de luz. Gostamos muito de rugosidades e superfícies pouco trabalhadas – e uma boa ideia dispensa qualquer acabamento final, dirão muitos -, mas como dizer “não” a um doce? Vem isto a propósito porque “1977″, o anterior álbum de Rune Kölsch, foi acusado de ter derretido o coração de meio mundo e de ter irritado a outra metade – assumia sem vergonha o seu lado épico, hiper-celebratório, coberto de lantejoulas que foram feitas para brilhar e nos conquistar. Nada de mal, sim, até porque conduzir as emoções a um estado tão eufórico não é para todos. E colocar as pessoas lá em cima com um disco assim acabou por ser uma pressão esmagadora para o que viesse a seguir. “1983″ aparece como mais um retrato pessoal de Kölsch, que relembra o Verão desse ano em que era levado pela família ao sul de França. Banda sonora de férias, praia e calor: onde é que acham que “1983″ vai dar? Kölsch não abdica do hedonismo e da adrenalina, e volta a apontar o dedo para cima, como se este pôr-do-sol fosse eterno. Música redonda, inocente, feita como uma droga natural sem efeitos secundários, infalível para todos – excepto para aqueles que insistam em permanecer na tal outra metade.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

HOLLY HERNDON Platform CD / 2LP

€ 12,50 CD 4AD

€ 27,95 2LP 4AD

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“Movement” (o segundo de Holly Herndon) é um álbum que passou relativamente despercebido, embora tenha estado em listas de 2012 e Herndon tenha chegado a alguns sítios graças a ele (a passagem para a 4AD é prova disso), o seu tipo de mistura de electrónica merecia maior atenção. Porque dizer que aquilo que ela faz é singular é pouco. É, talvez, das novas artistas da electrónica desta década que melhor soube construir um território sem paralelo na actualidade. O modo como Holly Herndon constrói músicas em volta da sua voz e conjuga beats de dance-pop fantasistas é qualquer coisa de especial; especial porque foge a uma certa norma imposta pelos ouvidos da nova electrónica e especial, também, porque trabalha na perfeição uma espécie de escola mais ligada à música contemporânea/concreta/electroacústica com uma sensibilidade pop que tem tanto de esperta como moderna (e moderna no sentido de actual ou de completa, disposta a formar uma academia). Assumir que é algo novo é errado, é simplesmente refrescante e algo que arrasa toda a concorrência actual, sejam aqueles que o fazem próximo desta dinâmica ou aqueles mais colados a uma electrónica tradicional com um dedo na pop. E o que se sente em “Platform”, mais do que em “Movement” (que era um álbum mais ligado a uma certa tradição/história deste jogo de voz e electrónica), é uma coragem tremenda em arriscar numa espécie de território de ninguém, uma junção de pop e avant-garde que é sempre difícil de agradar a quem procura coisas mais orelhudas ou aqueles que se regem pelos territórios mais académicos da electrónica. E “Platform” é uma espécie de álbum perfeito para esse limbo e com um poder imenso para agradar a quem se encontra dos outros lados das barricadas. Vão à confiança.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

OZO A Kind Of Zo CD

€ 11,50 € 9,95 CD Shhpuma

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No início do ano, dois músicos portugueses saltaram sem rede para um mergulho de fé, enchendo um dia inteiro de gravações para que pudessem provar que o 8 de Fevereiro foi um bom dia para a música portuguesa. Pedro Oliveira é designer mas conhecemo-lo como baterista dos peixe:avião, uma banda da zona de Braga que tenta esticar os limites da pop com ideias cada vez mais estranhas ao género. Paulo Mesquita é um pianista de formação clássica com interesses muito para além da escola académica. Em ambiente eclesiástico, por questões acústicas, apenas, juntaram-se para perceber até onde se poderiam entender musicalmente. Abusando sem receios dos seus instrumentos, Pedro e Paulo prepararam a bateria e piano para satisfazerem os seus impulsos electroacústicos, deixando claro em toda a extensão de “A Kind Of Zo” que esse é o caminho que lhes dá maiores frutos e surpresas. E também para nós: sem prepararem qualquer dos temas à priori, os OZO não assumem a improvisação que o jazz estaria pronto para dar a este projecto, porque, primeiro, não são músicos de jazz, e depois porque há um entendimento melódico muito inteligente que os leva a construírem estruturas quase pop sem nunca exercitarem facilitismos automáticos. Parece impossível que “A Kind Of Zo” tenham nascido assim, de modo espontâneo, mas é por todos os elogios que se lhe atiram que temos o meritório disco nas mãos. Para adeptos do jazz, dos Necks, de Nils Frahm, e de outras coisas tão boas quanto isto: uma estreia formidável.

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Quinta-feira, 11 Junho, 2015

GIANCARLO TONIUTTI La Mutazione LP + CD

€ 17,50 LP + CD (2015 reissue) Black Truffle

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No vasto, complexo e variado universo da música industrial, a editora Broken Flag existiu perto do Centro, ajudando a solidificar trabalho e credibilidade para nomes fundamentais na época como Cranioclast ou Controlled Bleeding mas, sobretudo, para Ramleh, projecto do fundador Gary Mundy. “La Mutazione” divide-se em duas faixas longas totalizando quase uma hora de imersão em atmosfera densa. Loops que navegam em fundo, ondas sucessivas de sintetizador, vozes desencarnadas e o evoluir de um cenário que se mantém sempre na penumbra. O que se chamava “power electronics” era habitualmente mais guerreiro, violento, alto (como Controlled Bleeding), mas alguns desvios permitiam a imaginação de um pântano onde a marcha é lenta (claro), tudo parece suspeito e o Diabo espreita. “La Mutazione” está na linha, por exemplo, de algumas gravações mais ambientais de Illusion Of Safety (Jim O’Rourke chegou a colaborar com eles), e é impressionante como a solidez e coerência deste material atravessam 30 anos abaixo dos radares para a música reemergir em 2015 como exemplar magnífico de um sector de actividade que, catalogado como industrial, era na verdade dedicado a causas profundas, interiores e exploratórias, todas elas com dificuldade em responder a um só nome. Brilhante.

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Sexta-feira, 5 Junho, 2015

MATAT PROFESSIONALS Dial B For Fun Time 12″

€ 8,50 12″ S1 Warsaw

[audio:http://www.flur.pt/mp3/S1WWA004-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/S1WWA004-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/S1WWA004-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/S1WWA004-4.mp3]

Disco profissional como se fosse Idjut Boys, bonito! Há actualmente actividade na Polónia, nomes como Ptaki, Selvy (Matat Professionals) e a editora Transatlantyk juntam peças muito conhecidas para resultados que os colocam num óptimo nível no contínuo Disco-House universal. Soa como uma espécie de síntese do som da Future Times com o da Mood Hut e algo ainda próximo da Is It Balearic. “Fun Time” mesmo, trabalho clássico de edição e corte mas sempre com um sentimento muito orgânico e fluído, nunca assente no óbvio corte sintético que hoje em dia é muito notório em discos de edits. Baixo redondo, beat Disco, teclas cósmicas, alguns filtros (quase inevitável) e ideias ao lado da corrente como se Bjorn Torske desse as instruções. Muitas referências em cima de referências (até gráficas), só que este EP sai por cima não apenas por domínio de groove e clara ciência de pista mas também porque soa suficientemente “estranho” para poder ombrear com qualquer standard Noid ou Black Cock. Isso!

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Quarta-feira, 15 Abril, 2015

PALMBOMEN Palmbomen II 2LP

€ 31,50 2LP Beats In Space

[audio:http://www.flur.pt/mp3/BIS019-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIS019-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIS019-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIS019-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIS019-5.mp3]

Pontos de obscuridade nesta anormalmente estranha edição Beats In Space. Kai Hugo sai da Holanda para a Costa Oeste norte-americana e, neste álbum com tudo de vintage, ele manobra por entre muitas entrelinhas da contemporaneidade. Isto a significar que as linhas tradicionais que apanhamos aqui, desde cósmico europeu a Frankie Knuckles, são património sempre acessível por entre a eterna massificação da música popular. Quem escolhe, como Palmbomem, ziguezaguear entre os pingos da chuva, tem desde logo a solidariedade de quem, ao ouvir, gosta de estar deslocado no tempo. O som, neste álbum, indica para trás, incide luzes num percurso sempre construído em cima de ombros largos. Não só isso como grande parte dos títulos (todos?) remetem para personagens ou actores envolvidos em diversas fases da série “X-Files”. A ligação exacta entre isso e a música de Palmbomen não é de todo clara, para nós, mas pode ser mesmo como se escreveu: enquanto o álbum era gravado, Kai Hugo fez também uma maratona de “X-Files”. Pode ser assim tão simples. O equilíbrio mágico entre house e kosmische forja a forte personalidade deste álbum durante toda a aventura de baixa fidelidade que relata. Séria pancada analógica no mundo habitualmente mais limpo e colorido da Beats in Space.

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