Sexta-feira, 19 Junho, 2015

LUST 880: RITA MAIA


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

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19.6.2015
2 COMENTÁRIOS
por RITA MAIA

Para escrever algo para a newsletter, sem saber bem o quê, ocorreu-me, acerca de várias conversas esta semana, escrever umas ideias.

Sobre o documentário que lançámos a semana pela Vinyl Factory sobre o vinil em Lisboa, 1 dos 2 comentários que mais ficaram comigo foi o de um DJ de Angola que se emocionou ao vê-lo, dizendo que se fala muito pouco da influência da música de origem africana na cultura de hoje, o que demonstra a necessidade de se falar disso.
O objectivo nao foi fazer uma lista de lojas, discos, DJ’s e tipos de música típicos de Lisboa em 7 minutos mas sim chamar a atenção para uma parte muito única da nossa cultura (de vinil) em Lisboa.

Sendo a cultura de Lisboa tanto funaná como fado, e nao querendo dizer que são as 2 mainstream (senão não haveria necessidade de falar delas), mas reconhecendo que ambas sempre estiveram presentes, fala-se de que o rasto do regime da ditadura tentou “branquear” uma, hoje isso está ultrapassado e é importante nao suprimir a outra.
Mas a cultura floresce e redescobre-se nos sitios mais improváveis e nós somos por natureza seres muito resilientes.

Diz a sempre leal Wikipedia: “According to the oral tradition, the funaná appeared when, in an attempt of acculturation, the accordion would have been introduced in Santiago island in the beginning of the 20th century, in order to the population to learn Portuguese musical genres. The result, however, would have been completely different: it would be the creation of a new and genuine music genre. There aren’t, nevertheless, musicological documents to prove that. Even so, it’s still curious the fact that, even being a totally different musical genre, the usage of the accordion and the ferrinho in the funaná is analogous to the usage of the accordion and the triangle in certain Portuguese folk music genres (malhão, corridinho, vira, etc.)”.

Aaaanyway, a história dá várias voltas e a cultura está em constante mutação.
O mínimo que se exige neste século num país europeu é que se representem as várias forças que fazem a nossa cultura rica e que os seus agentes tenham espaço para a representar, sem interpretações. Reconhecer esta mais valia para que todos os seus agentes possam contribuir para a cultura geral, através das micro culturas, sub culturas etc.
E existem e sempre existiram brilhantes formas desta representação por verdadeiros guerreiros que criam espaco para se expressarem.
Os contrangimentos podem ser tanto os maiores obstáculos como a maior fonte de inspiração e a criatividade nunca se desenvolve de situações fáceis. O jazz, hip hop, r’n'b, blues, reggae, punk, house, techno, afrobeat, fado, etc etc etc… por exemplo.

Mas esta falta de representação em festivais, rádios, clubes, etc., faz questionar o problema muito maior da (falta de) diversidade das pessoas que têm as posições de poder no país e um problema de accesso a estas. As coisas vão mudando aos poucos mas, vivendo em Londres observo que, na nossa terra, ainda há conversas que precisam de se ter para finalmente se poder evoluir de forma natural, sem entraves.
Ok, é um país pequeno, não existem ouvintes suficientes para esses géneros? Os ouvintes ouvem aquilo que passa na rádio. A cultura evolui quando as pessoas têm acesso a formas de informação diferente. As pessoas têm acesso à informação que lhes é dada pelos programadores de música de um país. É isso que eles ouvem. (Sempre a mesma cantiga.)
Os que têm o poder de fazer evoluir o país, têm medo de arriscar. De perder clientela. De não ser o maior. De não ter trabalho. Ao invés, esse risco é tomado por quem não tem o que perder.

Ainda sobre o doc, a nova cena electrónica usa computadores e não vinil, mas é certo que estes géneros de música africana sempre estiveram lá e há músicos e produtores que de alguma forma encontram, no meio, inspiração nelas, ouvindo em casa, nas ruas, saindo a dançar, etc., partilhando essa identidade, identidade como algo que se forma através de vivências, experiência, proveniência, naturalidade, viagens, caminhos, etc., e, neste caso, ressonâncias com certos ritmos e culturas.

O segundo comentário veio de um DJ de Lisboa que apreciou o facto do vídeo ter juntado pessoas que ainda não se juntam.
Nao se juntam porque não se conhecem. Mas conhecem os mesmos discos e tem ressonâncias com os mesmos ritmos e culturas.
Veio em conversa várias vezes, esta semana, o tópico dos obstáculos que muitos músicos / DJ’s encontram com a falta de entreajuda entre meios e veículos para a promoção de música e as pessoas que nisso estao envolvidas. Apesar de isso acontecer de certa forma, sempre em todo lado, parece que há alguma ligação nestes temas, de falta de abertura à mudança, ao diferente, ao desconhecido, o medo como reacção a isto pode ser o maior entrave de todos…

Obrigada. Parabéns a todos aqueles que (sobre)vivem de/para isto.

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rita maia leva 4 anos de programação semanal na resonance fm, a partir de londres (mais recentemente, o programa também passa na oxigénio, em lisboa). campeã de sons globais, dj, divulgadora sem falta de fôlego, associada a outras plataformas fulcrais na música de hoje como sejam a nts radio, red bull music academy, giles peterson (ele próprio já uma plataforma, não?), boiler room, solid steel da ninja tune, etc., a rita não só é viajada como possui uma rara visão de conjunto sobre a música que adora e à qual precisa de estar ligada. por estar fora de portugal, tem também uma perspectiva saudável, neutra mas entusiasmada, do que andamos todos a fazer por aqui.
como parte de um trabalho ainda em progresso, organizou há pouco tempo, para a vinyl factory, um documentário filmado em lisboa. é sobre lojas de discos, comprar vinil e procurar música africana numa cidade onde esses discos ainda estão disponíveis a quem sabe onde procurar.
vejam aqui: https://youtu.be/q6yKstEAN5A



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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

THE KVB Mirror Being CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Invada

€ 19,50 € 17,95 LP Invada

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Algures entre John Carpenter e as coisas de Vatican Shadow / Silent Servant, esta compilação de instrumentais de KVB reeditada agora pela Invada (anteriormente só tinha saído em cassete) é um dos exemplos mais bem conseguidos do industrial cyberpunk dos últimos anos. Não é exagero, há uma coesão assombrosa nestes temas. É música urgente, rápida, sem ser desesperante. E apesar dos temas não serem 100% instrumentais (há vozes aqui e ali, mais para criarem ambiente do que para funcionarem como vozes), criam a sensação de que só existem máquinas, de que isto é música só de máquinas, pouco humana. E apesar de muitas vezes se apontar isto como um ponto negativo, os KVB dão a volta a isso de uma forma suprema, concentrando-se mais em melodias que surgem com alguma irregularidade do que com a habitual repetição a metro da maior parte do industrial dos últimos anos. Óptimo disco.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

S. ARAW “TRIO” XI Gazebo Effect 2LP

€ 19,50 € 17,95 2LP Sun Ark

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Era de prever que a dado momento qualquer ligação de Cameron Stallones com os seus ambientes mais dub iria desaparecer. Havia indícios disso nas últimas coisas que ouvimos (“Belomancie” ainda se encosta ao dub mas ali está quase a desaparecer), este “Gazebo Effect” apresenta uma nova configuração da família Sun Araw e com isso vêm também mudanças definitivas no som. Formação de trio agora, composta por Stallones, Alex Gray e Mitchell Brown, que durante várias sessões de estúdio trabalharam juntos até chegarem a este efeito Gazebo. O que muda passa essencialmente por duas coisas: uma estrutura mais electrónica e uma menor sensação de constante transformação na massa de som. Este novo caminho de Sun Araw parte claramente de ideias diferentes e que se mantêm mais fechadas (melhor dizendo, mais concretas) do que aquilo que ouvíamos no passado. Para compensar a imprevisibilidade da tal transformação que era recorrente na anterior discografia de Sun Araw, há agora uma maior preocupação em construir melodias e ambientes que estejam mais focados no crescimento e menos na abstração. É um disco que se vai construindo a si mesmo (os temas mais longos são óptimas realizações dessa ideia), ganhando forma e formas à medida que se ouve e conhece mais..

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

MICHEL REDOLFI Pacific Tubular Waves / Immersion LP

€ 22,50 LP Recollection GRM

[audio:http://www.flur.pt/mp3/REGRM014-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/REGRM014-2.mp3]

Pode parecer estranho afirmar isto, mas alguns discos desta recolha da GRM que a Mego tem feito têm afinidades com a natureza. Seja pelo processo de field recordings, pela temática ou pelo desejo de replicar sons através das máquinas. “Pacific Tubular Waves / Immersion” é um dos mais belos discos desta série. Inspirado pelas investigações que Michel Redolfi fez ao movimento dos oceanos durante os anos 1970, o compositor realizou duas peças absolutamente magníficas através da interpretação desses sons. “Immersion” é uma abordagem mais directa ao contacto/imaginário com a água, mas “Pacific Tubular Waves” é uma viagem inesquecível pelo poder de imaginar esses movimentos/frequências através do som. Imaginar e concretizar. São harmonias nada óbvias mas que funcionam na perfeição e que até nos dão alguma ilusão de luz. A acompanhar o disco, uns óculos 3D para desfrutarmos da capa enquanto ouvimos o disco. Vale a pena a experiência. Vale a pena o disco. Belíssimo.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

JOSÉPHINE MICHEL & MIKA VAINIO Halfway To White LIVRO + CD

€ 42,50 € 35,50 LIVRO + CD (Hardcover) Touch

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“Halfway To White” é um livro impressionante que marca com estrondo uma divisão da Touch que, em bom abono da verdade, já deveria ter acontecido há muito. Porque a editora de Mike Harding e Jon Wozencroft não é apenas uma colecção de discos: a sua arte, a sua mestria editorial é espelhada por imagens e som em harmonia, como uma ideia audiovisual intrínseca. Numa edição de capa dura, duríssima, de páginas de alta gramagem, está um livro de fotografia de alta qualidade, com acabamentos de alto requinte. Joséphine Michel é fotógrafa e neste livro mostra-nos objectos registados de acordo com a ressonância dos campos energéticos de cada local fotografado. Vemos e sentimos a força invisível das fotos, como se comunicassem a um nível sub-atómico. Estas qualidades acabaram por ter uma correspondência sonora – o controle dos brancos no ruído e na luz – através da música de Mika Vainio – de Berlim para o mundo, este finlandês é um dos mais ocupados estetas electrónicos da actualidade -, que também procurou o som por entre as partículas, mergulhando num profundo universo de novas atmosferas, muitas delas pesadas e fantasmagóricas. Um objecto destes, feito desta maneira, não podia esgotar-se em múltiplas cópias, por isso há 500 exemplares para “Halfway To White” que irão marcar esta aventura da Touch a letras douradas. A seguir, prometem um novo livro de Chris Watson e esta editora de Londres renova-se como sempre fez ao longo da sua longa história. Para ver, para ouvir, para ter, para sentir.

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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

HEITOR ALVELOS Faith CD

€ 15,50 € 12,50 CD Touch

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Autor de inúmeros projectos, em diversas áreas, Heitor Alvelos edita pela primeira vez em seu nome, um álbum na Touch, uma editora (não apenas discográfica, como fazem sempre questão de salientar) com quem colabora, directa e indirectamente, há cerca de 15 anos. Ilustração, fotografia, imagens, sons, mas, sobretudo, ideias, muitas, porque Heitor parece ter um jeito inato para as criar, desenvolver e, depois, oferecer-nos. Sobre as imagens, talvez seja importante pesquisarem o espólio da Touch, por exemplo, e perceberem que nem tudo virá da lente de Jon Wozencroft. Sobre os sons, pensem em Autodigest ou, recentemente, em Antifluffy, e num currículo profissional teórico/prático que tem feito pela cena digital e media alternativa como poucos – no nosso país e nos quatro cantos do mundo. Tal como tem feito em trabalhos anteriores, a música em “Faith” parece processar o seu mundo, os seus sentidos, numa compressão de sons e atmosferas que recuperam uma espécie de big bang pessoal mas transmissível. Feito em partes mas digerido como um imenso drone visceral, Heitor Alvelos refere que utilizou sons gravados desde 1972, impondo uma direcção quase autobiográfica a este trabalho. Mas, como também diz, irá ressoar (material e imaterialmente) em todos nós. Nós confirmamos.

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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

VOICES FROM THE LAKE Live At MAXXI CD

€ 13,95 CD Editions Mego

[audio:http://www.flur.pt/mp3/EMEGO209CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO209CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO209CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO209CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO209CD-5.mp3]

O namoro já se tinha mostrado, várias vezes, com a edição de vários discos em território Mego: o fantástico “Phobos” de Guiseppe Tillieci, as versões incríveis de Donato Dozzy sobre o espólio Bee Mask e, mais recentemente, o também óptimo “Sintetizzatrice” de Dozzy com Anna Caragnano: tudo na Spectrum Spools. Malta ocupada e trabalhadora, como nós gostamos. “Live AT MAXXI” atira o projecto mais impactante dos dois italianos para a primeira liga, numa edição da Mego de Peter Rehberg. A música que este disco contém recupera um concerto de Outubro de 2014, em Roma, feito para uma exposição no museu de arte contemporânea MAXXI. São sete temas que documentam uma hora de concerto e nos iludem perante a pergunta óbvia: o que é um álbum ao vivo de música electrónica? Depois da estreia incrível em 2012, Voices From The Lake voltam a mostrar como o seu techno diluído nos dá o melhor ambientalismo do ano. É claro que a palavra ‘orgânica’ deve aparecer em todos os textos sobre este disco – e com toda a justiça, pois isto é um corpo com sangue a correr, em que sentimos os músicos e as suas emoções dentro deste plasma sonoro. Mutante e oscilante, o seu ritmo natural contagia-nos até ao tutano. Isto é música para um Verão perfeito. Sempre, sempre fulminante, a música de Dozzy e Neel.

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Quinta-feira, 18 Junho, 2015

THOMAS BRINKMANN What You Hear (Is What You Hear) CD / 2LP

€ 13,95 CD Editions Mego

€ 24,95 2LP Editions Mego

[audio:http://www.flur.pt/mp3/EMEGO204-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO204-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO204-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO204-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/EMEGO204-5.mp3]

Brinkmann dedica este disco a Zbigniew Karkowski e, na verdade, as atmosferas que desenvolve em “What You Hear (Is What You Hear)” estão bem mais próximas do som do artista polaco (falecido em 2013) do que de qualquer coisa que tenhamos ouvido antes do próprio Brinkmann. No entanto, um dos principais motores da sua música é o conceito de cada disco ou, até, de séries de discos (como a célebre série de nomes, há cerca de 15 anos). Brinkmann foi tão influente como Mike Ink (Wolfgang Voigt) na redefinição do techno e sua ramificação alemã de pleno direito, através de um tipo de experimentação rítmica mais próximo da electrónica futurista de então. Parte dessa exploração de fronteira já era, antes do século XXI, realizada pela editora Mego, que agora cede espaço a Brinkmann para desenvolver as suas estruturas ainda repetitivas mas sem qualquer batida associada. São ecos e reverberações frequentemente metálicos (“Perinon” parece subsistir com base num micro loop de Einsturzende Neubauten), algum ambiente de túnel subterrâneo, camadas de ruído em que se nota também, claramente, a estrutura de loops que, ao avançar, consegue o sempre desconcertante efeito de, ao mesmo tempo, parecer estar em progresso e parecer estar absolutamente estática. Brinkmann não facilita o jogo de ninguém, as regras continuam a ser as suas, é nosso privilégio tomar nota delas.

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Quarta-feira, 17 Junho, 2015

HARUOMI HOSONO & TADAORI YOKOO Cochin Moon LP

€ 15,50 LP (2015 reissue)

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=pkCJcsK295U?hl=en"><img src="http://blog.flur.pt/wp-content/plugins/images/play-tub.png" alt="Play" style="border:0px;" /></a>

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=__mrPtXWiAg?hl=en"><img src="http://blog.flur.pt/wp-content/plugins/images/play-tub.png" alt="Play" style="border:0px;" /></a>

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=vxknIdGNU44?hl=en"><img src="http://blog.flur.pt/wp-content/plugins/images/play-tub.png" alt="Play" style="border:0px;" /></a>

Às vezes tem de ser. Reedição não oficial de “Cochin Moon”, disco pouco explorado de Haruomi Hosono (Yellow Magic Orchestra) por inúmeras razões. É um disco com uma história que não começou muito bem, embora esteja nos créditos como colaborador, Tadanori Yokoo (digamos que a viagem à Índia não correu muito bem) pouco mais fez do que fazer o design e a imagética para este disco, uma banda-sonora para um filme fictício de Bollywood. Este é o primeiro álbum completamente electrónico de Hosono, apesar de ser o quinto na sua carreira (e anterior ao primeiro dos Yellow Magic Orchestra), e é um disco superior a uma certa ingenuidade que havia nos primeiros discos de electrónica na altura. Com a colaboração de Hiroshi Satõ, Ryuichi Sakamoto e Hideki Matsutake, Hosono conseguiu aqui um conjunto de seis temas absolutamente fenomenais que superam muitas das redescobertas que temos feito na electrónica dos anos 1970. Há uma complexidade assombrante na composição (como se lhe fosse natural ter medo de não se complexificar) e uma viagem por melodias que transpiram magia e nos fazem, pela primeira vez em muito tempo, não pensar em library quando pensamos em electrónica dos anos 1970. É uma viagem cósmica (até os kosmische-masters dos 70s se ajoelhariam perante isto) que vale a pena descobrir, porque este é daqueles álbuns que falha nos radares. Não temos muitas cópias e dificilmente arranjaremos mais. Não deixem escapar.

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Quarta-feira, 17 Junho, 2015

CC NOT Geo Fi 12″

12″ Acting Press

[audio:http://www.flur.pt/mp3/PRESS001-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/PRESS001-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/PRESS001-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/PRESS001-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/PRESS001-5.mp3]

ESGOTADO / SOLD OUT

Vancouver, via Berlim. Transmissão muito etérea da base techno ancestral. A conversa parece sempre a mesma, mas a lição sente-se quase sempre mais forte junto à origem. Aqui ouve-se pela milésima vez a influência da Basic Channel mas também ecos de Rather Interesting clássica (por volta de 1995) e Autechre. Sobretudo, há a noção de que tudo o que ouvimos neste disco é à prova de bala. São momentos especiais na corrente de música electrónica contemporânea que alimenta não apenas a cultura de dança como ainda navega discretamente pelos circuitos menos expostos de sonoridades passadas. Seja como for, isto soa sempre como o Futuro, é inexplicável e muito bonito. Esgotou pouco depois de ter nascido, isto que apresentamos é a reprensagem e é essa que levamos para casa.


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Quinta-feira, 2 Abril, 2015

ARTHUR RUSSELL Calling Out Of Context 2LP

€ 38,50 2LP Audika

[audio:http://www.flur.pt/mp3/AU-1001-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AU-1001-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AU-1001-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AU-1001-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AU-1001-5.mp3]

“Calling Out Of Context” é, de certa forma, a compilação mais relevante de Arthur Russell. E é, também, aquela que é mais injusta. É um disco que é um tesouro, mas é um que não tem a consistência de “World Of Echo” e de “Another Thought”. Composto por material gravado por Arthur Russell entre 1985-1990, “Calling Out Of Context” reúne música de um disco que estava quase pronto para sair (“Corn”) e um outro que estava prometido para a Rough Trade mas que foi progressivamente adiado. Há aqui uma abordagem mais composta de Russell em relação aos outros dois álbuns referidos, estruturas e melodias com maior ambição e a sensação de que há uma certa rudeza na produção (que lhe dá um certo encanto) porque o músico não considerou como acabados alguns dos temas. Nesta estrutura mais complexa está também o desejo de Russell trabalhar as letras nas suas canções, seguindo menos o lado idílico/repetitivo/contextual de outros momentos para trabalhar um lado que integrasse isso de um modo frontalmente mais poético do que lhe era habitual. É, em 2015, tão refrescante ouvir estas canções como quando as conhecemos em 2004 (quando a Rough Trade editou o disco em CD).

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