Segunda-feira, 27 Julho, 2015

THE WIRE #378 (August 2015) REVISTA

€ 6,50 REVISTA The Wire

Há um CD dentro desta Wire – na verdade, não é bem dentro, é colado na capa, como é habitual. Traz uma selecção de música sem qualquer ordem, o que muito nos agrada. O primeiro tema é dos portugueses HHY & The Macumbas, do Johnattan Saldanha, mas há Phil Minton, os Guapo ou os Goldenen Zitronen, no meio de um punhado de desconhecidos. Desconhecidos até ao momento de os ouvirmos aqui. Na capa, viajamos até mundo psicadélico de Yorkshire e ao DYI de Phil Todd – é dele a festa deste número -, incluindo um sumarento Primer sobre o que ficou em formato disco dos Astray Navigations, Vibracathedral Orchestra, Astral Social Club, entre outros. Outras figuras destas páginas: o rapper Ka, o produtor etíope Mikael Seifu procura o beat perdido, as instalações de Charlotte Prodger, uma viagem aos sons que sobrevivem em Lódz, um texto de AB Spellman sobre a vida (e morte) de Ornette Coleman, a jukebox invisível com Mark Perry dos Alternative TV, a Bristol dos anos 90 e os seus ovnis (Flying Saucer Attack, Third Eye Foundation, Crescent ou Movitone), e as largas dezenas de críticas a discos, livros, exposições, dvds, concertos e extras. Muita coisa para ler e tomar notas.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation


/ / Etiquetas: , , / / Comentar: aqui »

Segunda-feira, 27 Julho, 2015

SLEAFORD MODS Key Markets CD / LP / LP (coloured)

€ 15,50 € 12,50 CD Harbinger Sound

€ 19,50 € 17,95 LP Harbinger Sound

€ 19,50 € 17,95 LP (Coloured) Harbinger Sound

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HARBINGER150CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HARBINGER150CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HARBINGER150CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HARBINGER150CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HARBINGER150CD-5.mp3]

Ficou claro para quem assistiu ao concerto dos Sleaford Mods no Alive que há uma força quase cega que dirige a banda, firme no seu passo e intenções. As palavras dirigidas ao público inglês na casa foram claras na denúncia de Inglaterra, esse “caixote do lixo”. Não deu para perceber como isso foi recebido por quem escutava um concerto energético, onde parece que o único propósito é a diversão mais básica que associamos a um concerto de rock. Isso é 100% garantido neste mutante sónico com partes de Ramones e Suicide, mas não tentar, pelo menos, entrar um pouco nos textos e contexto político / social é perder uma parte significativa da vitalidade e importância da banda no mundo e no mercado de hoje. Mais punk que o punk? Afinal de contas o que vemos é um vocalista a suar, em espamos, saltos e um flow interminável, e “um outro gajo” que parece não fazer nada a não ser beber (álcool, presume-se) e olhar de vez em quando para o écran do portátil que tem à frente. E nós? Difícil inteirar de todos os assuntos na generalidade muito específicos da realidade britânica, mas estas crónicas em forma de canção abrem o apetite para investigações mais profundas sobre estes males ingleses. No entanto, como numa língua estranha na qual deciframos uma palavra de vez em quando, há tópicos nas letras de Jason Williamson que automaticamente deciframos como parte de uma realidade que também nos abarca, porque comenta a sociedade actual, e há aspectos que são comuns pelo menos a várias zonas do mundo ocidental. Assim, por cima do groove minimalista de bateria e baixo (mais poucos extras), brilha uma denúncia sempre zangada, um estado congelado de nihilismo já apontado em Inglaterra como “pouco positivo”. Mas essa categorização tem de ser nossa, de cada um, porque um álbum como “Key Markets” (e uma banda como Sleaford Mods) fala realmente de modo distinto consoante o nosso passado, experiência, visão da sociedade em geral e das relações humanas. Música é vida.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

“Os Sleaford Mods mostram o que se mantém (cada vez menos) escondido sob o brilho intenso da sociedade do espectáculo e da finança erguida a um altar. Os Sleaford Mods dizem não. É importante ouvi-los.” in PÚBLICO

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , / / Comentar: aqui »

Sexta-feira, 24 Julho, 2015

LUST 885: PEGA MONSTRO


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

24.7.2015
OUÇA
por JÚLIA REIS (PEGA MONSTRO)

A evolução pessoal e transpessoal é o fenómeno mais interessante a que assisto. Duma forma muito concreta, traduz-se em momentos de descoberta ou desbloqueio, um certo alívio da frustração, e na sua posterior materialização. Duma forma geral, creio que é mais ou menos a definição da experiência artística. O que é curioso é poder observá-la em todos os circuitos (isto é, extra-artísticos) e perceber, naturalmente, que é também mais ou menos a definição daquilo que é impressionante, feliz e exclusivamente humano. No sentido de tentar evoluir, aqui ficam as palavras do Agostinho da Silva:
“Se grandes invenções ou descobertas, como o fogo, a roda ou a alavanca, se fizeram antes que o homem fosse, historicamente, capaz de escrever, também se põe como fora de dúvida que mais rapidamente se avançou quando foi possível fixar inteligência em escrita, quando o saber se pôde transmitir com maior fidelidade do que oralmente, quando biblioteca, em qualquer forma, foi testamento do passado e base de arranque para o futuro. A livro se veio juntar arquivo, para o que mais ligeiro se afigurava; e fora de bibliotecas ou arquivos ficaram os milhões de páginas de discorrer ou emoção humana que mais ligeiras pareceram ainda, ou menos duradouras. Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia.
Milhões de homens, porém, no mundo actual estão incapacitados de escrever e de ler, muito menos porque faltam métodos e meios do que incitamento que os levante acima do seu tão difícil quotidiano e vontade de quem mais pode de que seus reais irmãos mais dependam de si próprios do que de exteriores e quase sempre enganadoras salvações. Mais se comunica falando do que de qualquer outra forma; o que nos dizem muitas vezes nos parece de nenhuma importância, mas talvez tenha havido uma falha na atitude de escutar do que no conteúdo do que se disse; porventura a palavra-chave estava aí, mas estávamos distraídos, ou ansiosos por nós próprios falarmos; e no vento fugiu, a outros ouvidos ou a nenhuns. Ouça. (…) Imagem o cerca. Veja.
Mas o que vê e ouve ou lê nada mais lhe traz senão matéria-prima de pensamento, já livre de muita impureza de minério bruto, porquanto antes do seu outros pensamentos o pensaram; mas, por o pensarem, alguma outra impureza lhe terão juntado. Nunca se precipite, pois, a aderir; não se deixe levar por nenhum sentimento, excepto o do amor de entender, de ver o mais possível claro dentro e fora de si; critique tudo o que receba e não deixe que nada se deposite no seu espírito senão pela peneira da crítica, pelo critério da coerência, pela concordância dos factos; acredite fundamentalmente na dúvida construtiva e daí parta para certezas que nunca deixe de ver como provisórias, excepto uma, a de que é capaz de compreender tudo o que for compreensível; ao resto porá de lado até que o seja, até que possa pôr nos pratos da sua balancinha de razão. A tudo pese. Pense.” in ‘Textos e Ensaios Filosóficos’.

—–

muitas das palavras que júlia reis (e a sua irmã, maria) querem dizer ao mundo estão, por agora, nesse corpo explosivo chamado pega monstro. na semana em que “alfarroba” aparece nas lojas, pedimos algumas palavras mais sobre esta etapa, sobre como a evolução para o segundo álbum acontece e tudo se materializa num conjunto de canções certeiras. no meio do labirinto que é a evolução, entram, bem a propósito, as palavras de agostinho da silva.



/ / Etiquetas: / / Comentar: aqui »

Quinta-feira, 23 Julho, 2015

PERE UBU Elitism For The People 1975-1978 BOX 4LP

€ 69,95 BOX 4LP (+ poster) Fire Records

[audio:http://www.flur.pt/mp3/FIRELP406-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FIRELP406-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FIRELP406-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FIRELP406-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FIRELP406-5.mp3]

RECORD STORE DAY 2015

Não será aqui que vamos traçar a biografia dos Pere Ubu, mas a ocasião bem merecia uma pausa para reflexão. São, senhoras e senhores, 40 anos de uma carreira imparável e, se bem acompanham estes nossos mailings, com motivos recentes para não os largar de vista. David Thomas continua a dirigir o ácido dos Pere Ubu com mão de ferro e ainda bem o que o faz – a truculência está quase intacta desde que o art-punk de “The Modern Dance” e “Dub Housing” foram editados no mesmíssimo ano de 78. Por ocasião do Record Store Day de 2015, a norte-americana Fire lançou uma caixa imponente para recuperar a dupla estreia de 1978, propondo uma recuperação sonora sem precedentes, juntando mais dois LPs com os quatro singles que a banda editou antes dos álbuns na sua Hearpen e a gravação de um concerto de 1977 em Nova Iorque. Tudo isto encerrado numa caixa à séria, com direito a download imaculado em digital e com o poster A3 do concerto como extra. Obviamente que esta preciosidade é limitada, embora a corrida só tenha começado agora: os prazos de entrega desta caixa não foram cumpridos e do Record Store Day só resta o autocolante. Se há reedições que marcam uma época, esta pode e merece ser uma delas.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , , / / Comentar: aqui »

Quinta-feira, 23 Julho, 2015

SKY WALKING Sky Walking CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Sky Walking

€ 14,95 LP Sky Walking

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING1-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING1-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING1-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING1-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING1-5.mp3]

De Hamburgo, um trio de peso que exercita as uniões dos pontos no mapa da música: Peter Kersten é Lawrence, um dos pontas-de-lança de toda uma utopia ambiental que tem nascido dentro do império techno da Kompakt, fundador da Dial; Richard Von Der Schulenburg é, também, RVDS, um entusiasta das velhas máquinas e velhas fórmulas ao serviço de qualquer coisa mais emocional; Christian Naujocks tem feito discos na Dial, que é também sua, e parece gostar quebrar o molde tecnológico e procurar intromissões acústicas e clássicas. No espaço não há atmosfera e estes três amigos decidiram que neste seu passeio aéreo não haveria ritmo – ou pelo menos, no modo com que estamos mais familiarizados. “Sky Walking” é um jogo de improvisação a três, longe das máquinas, em natural paixão pelo mundo dos fenómenos acústicos e com, presume-se, pouco trabalho de edição que adultere o processo de construção. Há quem diga que soa a algo entre o Grupo Improvvisazione Nuova Consonanza e os Psychic TV, o que, só por si, devia deixar-vos tremendamente curiosos. O que se terá passado aqui? Não sabemos para além do resultado assumido: uma história sonora feita de sensibilidade íntimas sem medo do desconhecido. Gostamos muito destas surpresas.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , , / / Comentar: aqui »

Quinta-feira, 23 Julho, 2015

MIKE LADD Welcome To The Afterfuture 2LP

€ 23,50 2LP (Deluxe 2015 reissue) VaVa

Estamos em 2015 e tudo parece perfeito, visto a uma distância – do futuro – de quinze anos. Estes dias são o ‘afterfuture’ de que Mike Ladd falava quando a mudança de milénio nos engolia numa espécie de fatalismo incontornável, onde escoavam todos os medos e receios de um futuro que parecia pouco promissor. Premonitório ou não, Mike Ladd sabia do que andava a falar: andava há demasiado tempo na sombra da indústria e o hip hop dava-lhe ferramentas milagrosas para sobreviver no terreno. E das duas, uma: ou Ladd tem mesmo a lâmpada que vê o nosso futuro, ou o mundo avançou tal como era suposto e poucos souberam ler os sinais. No meio da mensagem e dos alertas à população, Ladd ergue um álbum monumental – o seu segundo álbum! -, feito em jeito de hip hop futurista, claro, misturando música e beats e parasitas de outras galáxias, famílias e géneros, oferecendo o óbvio – o mundo caminha sempre para este ponto de fuga que une tudo – de uma maneira nova e, em muitos momentos, luminosa e optimista. E utópica? Em 2015, voltar a ouvir (e possuir) “Welcome To The Afterfuture” é encontrar não só uma obra-prima emocionante, como uma peça essencial para percebermos a história das coisas e como olhamos para as vanguardas nos dias de hoje. Uma hora de música arrebatadora, inventiva, esclarecedora e eloquente. Há muito esperada, esta é uma das reedições a celebrar este ano e um disco para o nosso futuro.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , , , / / Comentar: aqui »

Quarta-feira, 22 Julho, 2015

JAHILIYYA FIELDS Chance Life 2LP

€ 16,50 2LP L.I.E.S.

[audio:http://www.flur.pt/mp3/LIES060-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LIES060-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LIES060-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LIES060-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LIES060-5.mp3]

Neste segundo álbum, Jahiliyya Fields firma os pés num bloco mais próximo do resto da família L.I.E.S., quebrando o gelo com algumas malhas techno analógicas que mexem com as hormonas de outros como nós. Underground eterno! “Billows In Shapes”, “Clear Collar” e “Galcit 210″ vibram as paredes antigas do bunker primordial e, repetimos o que já devemos ter escrito em outras ocasiões, alguém tem sempre de fazer esse trabalho. É necessário. Jahiliyya Fields toca também a fonte de várias outras maneiras, recebendo na sua música a corrente cósmica dos Mestres, muito aqui recorda Conrad Schnitzler e Asmus Tietchens, por exemplo, sem cair na citação óbvia – trata-se apenas do uso de um mesmo ou semelhante vocabulário. “Any Object Of Desire” seria adequado para imagens de “Welt Am Draht” (Fassbinder), embora a sua carga de tensão dramática futurista já seja capaz de gerar suficientes imagens. Para fãs do escuro e piso inseguro.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , / / Comentar: aqui »

Quarta-feira, 22 Julho, 2015

JAMES MASON The Dance Of Life / Up Jump 12″

€ 10,95 12″ Rush Hour

[audio:http://www.flur.pt/mp3/RHRSS17-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/RHRSS17-2.mp3]

A missão da Rush Hour é contínua, não apenas na reedição de discos que merecem nova atenção mas, também, na exploração dedicada do que é inédito, nunca editado, e permanecia em caixas ou prateleiras. Tal como fez, por exemplo, com Vincent Floyd, este disco de James Mason é resultado de um desses processos de desencarceramento. Música gravada na mesma época do seu único álbum (“Rhythm Of Life”, 1977), Fonda Rae na voz, Bernard Purdie na bateria, não são meras sessões caseiras. Da preparação do álbum “Recollection” sai este maxi que alinha a pressão espacial de “Space Bass” (Slick) e Rinder & Lewis com a alma boogie queparecia estar a perder terreno no mercado da época (essa é a explicação para o facto de James Mason nunca ter chegado a editar segundo álbum). “Up Jump” apresenta caixa-de-ritmos bem marcada numa base electro com vocoder que abre para mantras soul em pura ascenção. Ouro, outra vez.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , , / / Comentar: aqui »

Segunda-feira, 13 Julho, 2015

KYLE HALL Must See EP 12″

€ 9,50 12″ Third Ear

[audio:http://www.flur.pt/mp3/3EEP201001-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/3EEP201001-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/3EEP201001-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/3EEP201001-4.mp3]

REPRESS

Kyle Hall é um prodígio ainda abaixo dos 20 anos de idade, mas “Must See EP” mostra pleno domínio da linguagem house forjada quando ele nem era ainda nascido. A diferença é a quantidade de ângulos que aparecem na sua música, distinguindo-a da suavidade dominante na cena deep house / dub house, genericamente aborrecida a menos que se procure unicamente a criação de um ambiente homogéneo. Sob uma capa de aparente superficialidade melódica, “Must See” revela camadas inesperadas e um apuro de composição que não está, acreditem, ao alcance de todos.


NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , / / Comentar: aqui »

Sexta-feira, 10 Julho, 2015

BOOT & TAX Boot & Tax 2LP

€ 17,95 LP Optimo Music

[audio:http://www.flur.pt/mp3/OM04LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/OM04LP-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/OM04LP-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/OM04LP-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/OM04LP-5.mp3]

A entrada de “Boot & Tax”, especialmente com os claps, molha tudo em redor com o calor Mutant Disco tribal das melhores coisas saídas de Nova Iorque nos 80 e pouco. Mas é Milão via Glasgow em 2015. Se já estabelecemos que é mais um disco referencial, de época e géneros, agora vamos tentar estabelecer como essa informação em nada compromete a excitação da audição. “Apnea” e “Soultains Of Mountain” chegam-se aos tempos correntes, house inspirada por kosmische; quase tudo o restante é um exercício de captura de tempo e, mais do que isso, celebração desse facto. Muito baixo, electrónica de loja de ferragens, vozes sem corpo, guitarra e, mesmo que “Dancin” seja uma peça desnecessária na engrenagem, por tudo o que já ouvimos de trance cósmico pós-Giorgio Moroder, há suficiente psicadelismo de outras naturezas para uma pancada boa na cabeça. Não escreve História mas puxa os cabelos.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , / / Comentar: aqui »

Sexta-feira, 10 Julho, 2015

DASHA RUSH Sleepstep: Sonar Poems For My Sleepless Friends

€ 15,95 € 13,95 CD Raster-Noton

€ 27,50 € 21,50 2LP Raster-Noton

[audio:http://www.flur.pt/mp3/R-N158CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/R-N158CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/R-N158CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/R-N158CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/R-N158CD-5.mp3]

Não é uma novidade, pois há muito que a música tenta ocupar esse espaço de vigília que antecede o sono. Muitos dirão que há música que faz isso sem grande conceptualização – e nós concordamos – mas há que tirar o chapéu a quem se dedica a esta pesquisa e propõe resultados práticos. Dasha Rush estreia-se na Raster-Noton sobre este tema, dando-nos um eloquente subtítulo: “sonar poems for my sleepless friends“. Pequenas estruturas musicais vão-se interligando a pequenos poemas para nos criarem um ambiente que nos convida a um certo relaxamento, como um daqueles discos new age que supostamente nos embalam. É claro que a natureza das composições é bem diferente desse campeonato e até de alguma da ressonância típica da Raster-Noton. Mas há um sopro electrónico quente e um turbilhão de sons que provam o detalhe da empreitada, ou não fosse Dasha uma hábil compositora electrónica que raramente abdica do lado acústico do som. Mas há também ritmo e poemas que se transformam em canções, o que nos deixa algo despertos, para nossa surpresa. Como gostamos de estar acordados quando o nosso leitor de CDs ou gira-discos está a funcionar, isso não é um problema, mas parece anular um pouco o propósito desta obra. Ainda assim, sobra o que interessa: a música. E “Sleepstep” é um dos discos recentes da Raster que mais nos oferece a ouvir: são 75 minutos de muitas músicas fechadas em pequenas caixinhas. Valente.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , / / Comentar: aqui »

Quinta-feira, 2 Julho, 2015

PEGA MONSTRO Alfarroba CD / LP

€ 16,50 € 12,50 CD Upset The Rhythm

€ 21,50 € 17,50 LP (edição limitada 500 cópias) Upset The Rhythm

No concerto de apresentação de “Alfarroba” as Pega Monstro começaram o encore com “Paredes de Coura”. Foi um momento em que deu para perceber uma série de coisas, entre as quais, que apesar dos anos em cima, “Paredes de Coura” continua a ser um hino, e que apesar da evolução por que as Pega Monstro passaram desde então, o minimalismo do formato (guitarra, bateria, voz) e os versos curtos, directos, escritos numa linguagem fluída e de rua de Maria Reis continuam a responder a uma geração: e as gerações que estão acima e abaixo. É uma questão de identificação, são situações quotidianas que facilmente se encontram, identificam e relembram a adolescência e a pós-adolescência. Isto porque à primeira vista “Alfarroba” é um disco mais maduro e a maturidade por vezes é uma coisa que se distancia do passado. No caso das Pega Monstro não, “Paredes de Coura” dificilmente poderia ter sido escrita agora, mas o que lá existe continua a existir nas Pega Monstro. A produção de “Alfarroba” (os efeitos na voz, sobretudo) é a primeira coisa que se nota de diferente em relação a “Pega Monstro”. A produção do álbum homónimo continha aquilo que elas queriam expressar naquele momento (e dificilmente encontramos na música portuguesa um disco que esteja tão no ponto e que fale tão directamente sobre isso como “Pega Monstro”), neste continuamos a ouvi-las mas há claramente uma maior robustez aliada a uma sujidade que quebra um pouco com a postura directa e despreocupada do álbum homónimo. “Braço de Ferro” e “Branca”, a abrir, dizem logo coisas maravilhosas sobre o que vem a seguir: que qualquer mudança vem do crescer (ou do amadurecer) mas que efectivamente nada mudou. Continuam a ser as Pega Monstro de sempre. A entregar tudo em cada canção e dizer que qualquer coisa que façam pode ser um single. E é verdade. Aqui existem canções mais lentas do que no passado (“Piano” e “Fado D’Água Fria”) mas não se fazem sentir como separadas do resto. São ricas e encaixam no contexto de “Alfarroba” e das Pega Monstro. E, mais importante, sentem-se como canções cheias, cheias de verdade, de emoção e com uma comunicação que é raro funcionar na música portuguesa cantada em português. E é uma comunicação com sentido, que faz sentido, com identidade e que cria uma empatia com o ouvinte. É bom ser-se directo, mas é complicado isso funcionar de um modo que atinja o ouvinte positivamente. E isso volta a acontecer com as Pega Monstro com este “Alfarroba”, um álbum que entra logo, que não pede urgência para ser ouvido, mas é melhor para todos se o ouvirem quanto antes. Porque é incrível.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

“‘Alfarroba’ é disco de banda inspirada, com marca autoral e identidade plenamente definida. É um álbum empolgante, tão juvenil e tão adulto quanto o rock’n’roll deve ser.” in PÚBLICO
“Irmãs de Lisboa definem o rock sónico em português.” in EXPRESSO
“Já está encontrado o melhor disco do ano.” in TIME OUT LISBOA
“Clássico instantâneo do rock luso.” in JORNAL DE NEGÓCIOS

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , / / Comentar: aqui »

Quinta-feira, 11 Junho, 2015

DON CHERRY, RONALD FRANGIPANE, ALEJANDRO JODOROWSKY The Holy Mountain 2LP

€ 43,95 2LP Finders Keepers

[audio:http://www.flur.pt/mp3/FKR074LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FKR074LP-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FKR074LP-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FKR074LP-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FKR074LP-5.mp3]

Há uns anos, aquando da edição em DVD das três primeiras longas-metragens de Alejandro Jodorowsky a ABKCO deu ao mundo pela primeira vez uma edição (na altura em CD) desta maravilhosa banda-sonora. Composta pelo próprio realizador, Don Cherry e Ronald Frangipane, “The Holy Mountain” é o complemento visionário em som para um filme todo ele visionário, não só em termos de linguagem, como de construção de iconografia. Na altura, Jodorowsky teve dinheiro para concretizar “The Holy Mountain”, mas a verdade é que por mais dinheiro e meios que tivesse na altura é ainda hoje difícil de conceber como conseguiu fazer uma obra tão única e rica a nível de imagem, com uma visão que mistura na perfeição ficção científica, espiritualidade e uma inconformidade em relação ao mundo presente de então, que ainda é o de hoje. É um filme que ganha uma própria intemporalidade e que consegue como poucos trabalhar a destruição de iconografia e construir uma nova sem que isso esteja propriamente dentro de uma agenda. Essa não-agenda é fundamental para “The Holy Mountain”, tanto o filme como a sua banda-sonora, pois confere-lhe uma liberdade rara capaz de construir a sua própria força. Entre prog-rock, jazz, psychedelia, field recordings e alguma composição mais tradicional, esta banda-sonora é, mais do que qualquer coisa que ilustra um filme, uma experiência única no universo musical. Pouca coisa soa a isto e poucas coisas se oferecem a tanta liberdade artística como o que aqui ouvimos. É possível contextualizá-la pelos tempos que se viviam, mas uniformizá-la em géneros acaba por ser um erro. É qualquer coisa de espiritual, mas de um espiritual sem regras: absolutamente libertário. E absolutamente essencial.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

Artigos relacionados


/ / Etiquetas: , , , , , , , , , , / / Comentar: aqui »