Sexta-feira, 4 Setembro, 2015

LUST 890: PEDRO RIOS (BRANCHES)


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

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4.9.2015
“PARA VER O SOL (SELECÇÕES 2006-2014)”
por PEDRO RIOS (BRANCHES)

O LP “Para Ver o Sol (Selecções 2006-2014)” é uma espécie de antologia do que fiz – cassetes, lançamentos digitais, CD-R – enquanto Branches desde 2006 (está tudo em https://branchesbranches.bandcamp.com). O João Santos da Wasser Bassin, a quem fico grato, e eu escolhemos as canções/peças mais representativas daquele período. Rumo ao futuro.

1. “Mar De Março”: A batida, se bem me lembro, é de um Casio que andava lá por casa. Depois, gravei guitarra em cima de guitarra, todas a repetir uns acordes simples. Gosto deste método de acumulação – nos interstícios das repetições surgem novos caminhos, avenidas ao lado. Nunca a tinha posto num disco.

2. “És uma Campeã”: Um interlúdio do “Casa Nossa” (2014) que parece deixar os teclados e o pedal de delay à solta. Gosto deste lado quase acidental de algumas canções.

3. “Primeira Vez”: O Kamanu, dos DOPO, tinha deixado lá em casa o violino e aproveitei. Dá título à cassete mais ruidosa de Branches, editada em 2012, que recupera gravações de 2008 (!) que julgava perdidas.

4. “Salão Flamingo”: Roubei a batida ao arquivo santo dos anos 60. Em cima dela, guitarras e guitarras, quase cantaroláveis. É a derradeira canção pop de Branches. O vídeo, animado pelo Joel Macpherson (https://www.youtube.com/watch?v=cIAnCtGSngY – obrigado Joel, obrigado Carin), foi uma prenda bonita.

5. “Sol No Terraço”: Quando fiz o “Casa Nossa”, tinha um novo teclado e aprendi a deixar cada instrumento e cada camada respirar. É uma canção pós-mar, quando estás com o corpo feito num oito e o sol te enrola na preguiça.

6. “Delícia De Mar”: Primeiro mergulho pleno nos sintetizadores. Fi-la para o CD-R da digressão com The Exhalers, Lace Bows e Former Selves. A peça plana e borbulha com um sample contemplativo como alicerce. Nunca mais deixei de a tocar ao vivo – sai sempre diferente, claro.

7. “Casa Nossa”: O sample africano deu o mote, a minha guitarra foi atrás, uma, duas, quantas vezes foram necessárias. Poucas canções deram tanto gozo gravar. O nome é uma homenagem à vida a dois.

8. “Laguna Sunrise”: A cassete “Alto Astral” (2010) nem foi bem uma edição – o que fazia era gravar a cassete, à mão, na aparelhagem, a quem ma pedisse. Mas foi um renascimento para Branches, em parte motivado pelos samples incríveis que o Miguel Carvalho me ia mostrando. Voltei a surfar em força por esta altura e isso nota-se.

9. “Cortegaça”: É uma espécie de peça central no “Alto Astral” e foi a “exigência” do João da Wasser Bassin quando ele começou a desafiar-me para esta antologia. Toco Casio e pau de chuva – mais na descontra era difícil.

10. “Zen De Bolso”: Um turbilhão de cordas (guitarra e violino). O pós-“Seiva” levado às últimas consequências.

11. “Yuzu #2″: Talvez a peça mais ambiciosa do “Casa Nossa”. Gosto de pensar nela como techno sem beat, nem corpo, só cabeça no cosmos.

12. “Para Ver O Sol”: A primeira canção do primeiro disco de Branches, o “Seiva” (2006), na saudosa Searching Records, agente de um dos tempos mais bonitos da música portuguesa. Há qualquer coisa de hino que me faz gostar sempre desta canção, que tem guitarra acústica, um sino, taça tibetana e um acordeão de brincar. E o nome projecta o que haveria de ser Branches, como se fosse uma carta de intenções.

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como sempre, alguém por detrás do nome. pedro rios foi, durante muitos anos, um nome importante para nos fazer ler a crítica musical no jornal público. foi bom descobrir que o pedro tinha outra voz, mais audível.
branches é o seu projecto vencedor, que corta agora uma meta importante: o seu primeiro lp. para ouvir o seu sol, eis um tutorial valioso feito na primeira pessoa. sigam o seu som, as suas palavras e a sua sombra.



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Quinta-feira, 3 Setembro, 2015

PREFAB SPROUT Crimson / Red CD

€ 9,50 CD Go Entertainment

[audio:http://www.flur.pt/mp3/GO70415-
1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/GO70415-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/GO70415-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/GO70415-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/GO70415-5.mp3]

Há um Sol muito brilhante quando colocamos a tocar este “Crimson/Red”. Chama-se “The Best Jewel Thief In The World” e é, à falta de mais e melhores palavras, uma das canções mais arrebatadoras e perfeitas de Paddy McAloon e dos seus Prefab Sprout. Quando recuperamos os sentidos a pergunta “porque esperamos tanto por um disco deles” assalta-nos e a dúvida tortura-nos. Há a tal questão de saúde de McAloon, sim, que o tem limitado na visão e, mais tragicamente, audição, mas ouve-se “Crimson/Red” e parece estar tudo no sítio certo, apesar dos quatro anos desde o, também óptimo, claro!, “Let’s Change The World With Music”. Mas este recolhimento público deu algo mais: a vida longe de palcos e do frenesim da indústria pop deixou a voz de McAloon em perfeito estado de conservação e agora ouvimo-lo assim, cristalino e angelical, como nos primeiros dias em que ouvimos Prefab Sprout – há muitas décadas atrás, há muitas obras-primas atrás. Hoje o som é mais sintético, menos corpóreo, onde a ideia de (falsa) banda está nas entrelinhas, já o sabíamos, mas a grandiloquência – nas letras e na música – das suas composições continua no ponto perfeito, entre o sussurro emocionante e a adrenalina pop, mesmo que este álbum possa parecer menos intenso que qualquer outro anterior. Mesmo com todos os percalços, Paddy McAloon é imbatível e a sua discografia mais que essencial para qualquer pessoa que preze a pop perfeita.

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Quinta-feira, 3 Setembro, 2015

THE COCOON While The Recording Engineer Sleeps CD / LP

€ 12,50 CD (2015 reissue) Staubgold

€ 14,50 LP (2015 reissue) Staubgold

[audio:http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD138-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD138-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD138-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD138-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STAUBGOLD138-5.mp3]

A Staubgold tem tido este dom de nos surpreender com as reedições que nos oferece. Tem a ver com a forma como nos mostra pop à margem – sobretudo dos anos 1980 -, não tanto de discos perdidos, mas de bandas que existiram em contextos muito próprios e criaram algo de único. Os Cocoon são mais um exemplo a juntar aos 49 Americans e aos Family Fodder. “While The Recording Engineer Sleeps” foi gravado em 1985 na Alemanha por uma espécie de supergrupo (à semelhança dos 49 Americans) alemão (Gunter Hampel, Jürgen Gleue, Rüdiger Klose, Matthias Arfmann e Thomas Keyserling) à procura do mesmo que algumas bandas na altura: formas de contornar a pop, fazendo pop, mas de uma forma mais madura/intelectual, que fundisse de uma forma menos natural géneros que reinavam nas margens. “While The Recording Engineer Sleeps” parte de um certo psicadelismo (um psicadelismo de cabaret, vá) misturado com tragos de jazz que recordam os Steely Dan. Nada de novo, mas o sotaque alemão e o groove meio contido de algumas músicas atiram-nas para territórios funk-saloio, com a liberdade e o fascínio-ingénuo de um Doug Hream Blunt. Desconhecíamos. Ficámos a conhecer. Não temos ouvido outra coisa.

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Quinta-feira, 3 Setembro, 2015

ALAN JEFFERSON Galactic Nightmare 2LP

€ 29,95 2LP Trunk

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“Would you like to live forever?” É possível que seja por isso que algumas pessoas fazem música. “Galactic Nightmare” não é fácil de identificar, como bom OVNI que é. Às vezes soa como Robert Wyatt, Hybrid Kids, Space Disco cheesy dos 70s, música feita com o chip do Commodore 64; há spoken word, baladas cósmicas, música de acção galáctica, uma narrativa épica que demorou 4 anos a completar e apareceu em cassete com revistas de informática nos 80s. O fascínio pela ficção científica de horizonte largo é evidente, nem tanto pelos sons (caseiros) mas pelo alcance do projecto e da narrativa. Só que os sons… :) Imaginem um cenário em technicolour super expressivo, às vezes borrado. Cada lado do LP duplo (o único duplo na Trunk!) funciona como uma parte, as faixas estão coladas como numa peça de rádio. Bizarro e deslocado, mas basta olhar para a capa e saber de que editora se trata e vocês decidem na hora se gostam ou não gostam. Verdadeiro material obscuro para encher o coração de quem treme alguma coisa com electrónica de outro tempo, literatura épica de ficção científica e jogos com gráficos vectoriais. Não falha.

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Quinta-feira, 3 Setembro, 2015

NURSE WITH WOUND & BLIND CAVE SALAMANDER Cabbalism I & II 2CD

€ 24,50 2CD ICR

“Soliloquy For Lilith” continua a sua imparável caminhada, digna de um clássico que nunca envelhece e insiste em mostrar-nos um caminho para algo misterioso e inatingível. Uma das obras-primas dos Nurse With Wound, originalmente editada em 1988, resiste ao tempo e vai adquirindo novas formas e corpos através de releituras, reinterpretações e gravações. Feita inicialmente com nuvens de electricidade pura erguida aos céus – utilizando guitarra processada e theremins -, as novas vidas de Lilith trazem ADN humano e sons deste mundo. Em 2007, Steven Stapleton escutou os Blind Cave Salamander (Fabrizio Palumbo, Paul Beauchamp e Julia Kent) em Veneza, num concerto que antecedeu os NWW. De algum modo, relembrou-lhe o seu “Soliloquy For Lilith” e não hesitou em propor-lhes que tentassem explorar ao vivo essa obra. A estreia aconteceria em Setembro de 2009, em Turim, sendo registada em disco em 2012, ano em que viriam a Lisboa, ao Teatro Maria Matos, para interpretar mais uma versão de “Lilith”. Na versão CD oficial e, supõe-se, permanente deste “Cabbalism”, estão essas duas versões, Turim e Lisboa, para testemunhar o poder mágico desta partitura sem igual. Para quem deseja o máximo de hipóteses e o máximo dos resultados, existe por tempo finito a edição limitada em formato triplo que junta um terceiro disco com uma gravação em Leuven, Bélgica. Numa discografia tentacular, feitas de muitos momentos recomendáveis, “Soliloquy For Lilith” é um farol brilhante e a sua descendência acústica cabalística consegue superar as intenções iniciais de 1988. Uma obra-prima absoluta e uma referência primordial no universo da drone music.

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Quinta-feira, 3 Setembro, 2015

NURSE WITH WOUND & BLIND CAVE SALAMANDER Cabbalism I, II & III 3CD

€ 24,50 3CD ICR

“Soliloquy For Lilith” continua a sua imparável caminhada, digna de um clássico que nunca envelhece e insiste em mostrar-nos um caminho para algo misterioso e inatingível. Uma das obras-primas dos Nurse With Wound, originalmente editada em 1988, resiste ao tempo e vai adquirindo novas formas e corpos através de releituras, reinterpretações e gravações. Feita inicialmente com nuvens de electricidade pura erguida aos céus – utilizando guitarra processada e theremins -, as novas vidas de Lilith trazem ADN humano e sons deste mundo. Em 2007, Steven Stapleton escutou os Blind Cave Salamander (Fabrizio Palumbo, Paul Beauchamp e Julia Kent) em Veneza, num concerto que antecedeu os NWW. De algum modo, relembrou-lhe o seu “Soliloquy For Lilith” e não hesitou em propor-lhes que tentassem explorar ao vivo essa obra. A estreia aconteceria em Setembro de 2009, em Turim, sendo registada em disco em 2012, ano em que viriam a Lisboa, ao Teatro Maria Matos, para interpretar mais uma versão de “Lilith”. Na versão CD oficial e, supõe-se, permanente deste “Cabbalism”, estão essas duas versões, Turim e Lisboa, para testemunhar o poder mágico desta partitura sem igual. Para quem deseja o máximo de hipóteses e o máximo dos resultados, existe por tempo finito a edição limitada em formato triplo que junta um terceiro disco com uma gravação em Leuven, Bélgica. Numa discografia tentacular, feitas de muitos momentos recomendáveis, “Soliloquy For Lilith” é um farol brilhante e a sua descendência acústica cabalística consegue superar as intenções iniciais de 1988. Uma obra-prima absoluta e uma referência primordial no universo da drone music.

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Quinta-feira, 3 Setembro, 2015

OLA BELLE REED And Southern Mountain Music On The Mason-Dixon Line LIVRO + 2CD

€ 44,50 € 34,50 LIVRO + 2CD Dust-To-Digital

Hardcover, 256 páginas, 17,5 x 24cm.

A Dust-To-Digital volta aos destaques da Lust por mais uma edição de luxo que prova que a malta da editora sabe fazer as coisas bem feitas. Se houver alguém com espaço e dinheiro para ter o catálogo todo, eis alguém feliz – e com muita gente invejosa. Desta vez, música em formato livro com requinte apropriado: capa dura, revestida a tecido (‘clothbound’ é sempre de tradução difícil), com 256 páginas e dois CD. O livro anuncia-se como a primeira obra em profundidade sobre a vida e arte de Ola Belle Reed, uma figura central da folk norte-americana, cantora e compositora nascida em 1916 em Lansing, Carolina do Norte. Viveu até quase aos 86 anos de idade e deixou um legado difícil de igualar: as suas canções fizeram a ponte essencial entre a música primitiva americana, vinda as comunidades índias, e os “novos” country e bluegrass, criando um impacto que é difícil de ignorar para toda uma história digna da música norte-americana. Documentando nos discos a amplitude da sua música – baladas folk, trovas, clássicos country e bluegrass e, claro, os seus originais -, percebemos a vida de alguém que parece ter nascido para nos dizer aquilo tudo. Som óptimo, remasterizado em modo milagroso, eis o resultado da magia de Ola Belle Reed no final da década de 60 quando foi finalmente agarrada pela história folk. Folk de lá mas que também é muito nossa. Luxo autêntico.

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Segunda-feira, 31 Agosto, 2015

KARIN KROG Don´t Just Sing – An Anthology: 1963-1999 CD / 2LP

€ 16,50 CD Light In The Attic

€ 32,95 2LP Light In The Attic

[audio:http://www.flur.pt/mp3/LITA129CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA129CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA129CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA129CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA129CD-5.mp3]

Colocamos “electrónica” no género do disco porque há qualquer coisa no som de Karin Krog que nos atira para lá. É jazz na sua essência. A história de Karin Krog não é como muitas outras, mas é uma que faz sentido: durante décadas a sua música foi pouco conhecida fora da Escandinávia. Por causa da distribuição, sobretudo, embora isso tenha mudado em meados da década de 1990. Actualmente, com 77 anos, continua a gravar. Esta antologia da Light In The Attic concentra-se em 36 anos da sua carreira e é uma autêntica viagem – e descoberta. Falou-se em electrónica há pouco e isso talvez seja uma ideia adquirida, melhor, conquistada através das liberdades que Krain Krog toma com a voz. Explora territórios experimentais e por vezes brilha ao criar momentos que nos fazem lembrar um pouco de library music, sem máquinas, apenas pela forma como entoa a sua voz e a explora no meio dos instrumentos. E quando se desvia do padrão jazz, fá-lo com uma ferocidade que não encontrávamos há algum tempo. “Don’t Just Sing” é uma bomba da Light In The Attic.

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Segunda-feira, 31 Agosto, 2015

NILS FRAHM Music For The Motion Picture Victoria CD / LP

€ 12,50 CD Erased Tapes

€ 16,50 LP Erased Tapes

OUVIR / LISTEN:
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O primeiro tema de “Victoria” é altamente desconsertante: “Burn With Me” é de DJ Koze e não de Nils Frahm, e apesar das incursões na electrónica do pianista alemão, o techno ainda não faz parte do seu léxico. Pelo menos numa estrutura tão retilínea e clássica como aqui. Depois da falsa partida, mas que faz parte da banda sonora, entramos então na banda sonora escrita por Nils Frahm para um filme, a sua primeira aventura – por incrível que pareça – neste domínio. Realizado por Sebastian Schipper, “Victoria” é um filme feito num único take, e gravita à volta de uma rapariga espanhola que se vê em apuros à porta de um clube techno – daí “Burn With Me”. Conta-se que lhe foi pedido silêncio – o que garantia um “sim” automático de Nils Frahm. Contudo, não se fechou no piano e convidou Anne Muller (violoncelo), Erik Skodvin dos Deaf Center (guitarra) e Viktor Árnason (violino) para o acompanharem numa espécie de partitura em surdina, em que menos é mais, criando, crê-se, o tapete ideal para uma história feita de momentos de alguma tensão. “In The Parking Garage”, por exemplo, espraia-se num drone que se movimenta num ruído exterior, como se fosse um elemento vivo. Ouve-se “Victoria” e parece fazer todo o sentido que Nils Frahm trabalhe com imagens, ao mesmo tempo que nada da sua música parece alterar-se por estar ao serviço do cinema. Talvez este cinema o ajude, e vice-versa, e que outros convites mais ambiciosos não deturpem o que ele tem para dizer. Depois do explosivo “Spaces”, Frahm continua a mostrar-nos contenção e ideias pouco habituais para quem atingiu uma espécie de olimpo. O rapaz é esperto e este “Victoria” é um belíssimo disco para todos os que seguem a sua música: explosiva ou em surdina.

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Segunda-feira, 31 Agosto, 2015

ALESSANDRO CORTINI Risveglio CD / 2LP

€ 15,50 € 12,50 CD Hospital Productions

€ 26,50 2LP Hospital Productions

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HOS-426-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-426-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-426-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-426-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HOS-426-5.mp3]

Pegando num Roland 202 e num TB303 Alessandro Cortini prossegue – para nosso deslumbre – com a sua carreira na Hospital Productions. “Sonno” é dos álbuns mais fascinantes de electrónica que ouvimos nos últimos anos e em “Risveglio” sacode um pouco o lado mais romântico do seu primeiro álbum na editora e entrega algo mais despido, preso ao osso, de certa forma romantizando o esqueleto da sua música. Enquanto “Sonno” tinha uma linha mais industrial, em “Risveglio” sente-se um Vangelis menos categórico: uma contenção que se abre para tons de épico mas que o faz em direcção à criação de atmosferas e menos na procura de algo barroco ou com tons de epopeia. Há qualquer coisa de regressivo e bom neste passo de Cortini, quase como nos dando um novo início depois da surpresa que causou há uns tempos.

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Segunda-feira, 31 Agosto, 2015

GOLDEN TEACHER Sauchiehall Enthrall 12″

€ 12,50 12″ Ed. Autor

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ERS019_STD008-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ERS019_STD008-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ERS019_STD008-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ERS019_STD008-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ERS019_STD008-5.mp3]

Mais um EP fogoso mas agora editado pela própria banda! O habitual choque positivo de energias produz magníficos resultados, cruzando acid-house com tribalismo, vigor industrial e electrónica que soa semelhante à dos pioneiros. Como foi óbvio para quem assistiu ao concerto na ZDB, há poucas semanas, toda aquela energia é transmissível e transforma-se em suor e movimento. Com esse novo conhecimento partimos para “Sauchiehall Enthrall” bem melhor preparados. Sauchiehall é uma das ruas principais em Glasgow e o significado da atracção comunicada no título do disco fica guardado para quem entra na piada ou já esteve, de facto, lá (não é o nosso caso). E o facto de três das quatro faixas terem frases em castelhano não ajuda a decifrar nada. MAS quando a música é trabalhada para os sentidos não há que procurar entender e Golden Teacher conseguiram fazer encaixar uma série de elementos que rasgam euforicamente o seu caminho pela pista de dança como nem LCD Soundsystem faziam nos seus momentos mais percussivos. Golden Teacher parecem estar em permanente estado alterado, convocando energias, exorcizando espíritos e trabalhando para o êxtase. “Bailamos, comemos!” e, depois, a outra voz atira “Super high!”

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Sexta-feira, 14 Agosto, 2015

DAVID TYACK Luxury Apartments LP

€ 21,95 LP Dead-Cert

[audio:http://www.flur.pt/mp3/VCR008-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/VCR008-2.mp3]

David Tyack faleceu em 2002. A fotografia na capa evoca um pouco isso, cara de miúdo e há algo ali que nos diz que colhe uma ideia de paragem de tempo. David Tyack era amigo próximo de Andy Votel (fundaram juntos a Twisted Nerve) e neste “Luxury Apartments” descobrimos alguns dos sons que produzia em casa. O que descobrimos aqui é fascinante e curioso, porque o que produzia entra claramente em linha com aquilo que Votel e amigos têm editado na Dead-Cert. Não é uma questão de Tyack estar à frente do tempo e ter descoberto uma forma de registar/criar folk (porque alguns dos discos da Dead-Cert não têm gravações de agora) e sim de perceber que este colectivo/grupo de pessoas anda há anos em volta destes sons mas só nos últimos anos decidiu oferecê-los ao mundo. Dessa forma até é curioso que as criações oníricas de Tyack tenham chegado tão tarde, porque os 40 minutos cósmico-campestres de “Luxury Apartments” teriam servido como uma óptima porta de entrada para aquilo que a editora se veio a tornar. Ou seja, teria sido uma forma de tocar nas mesmas pessoas e se calhar abrir a filosofia da editora para outras. Mas para isso agora é tarde. No entanto, ainda é tempo de descobrir a música de Tyack. Singela, maravilhosa, minimal e direita ao cosmos. Um cosmos único, como raramente ouvimos.

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Quinta-feira, 6 Agosto, 2015

BRANCHES Para Ver O Sol (Selecções 2006-2014) LP

€ 18,50 LP Wasser Bassin

[audio:http://www.flur.pt/mp3/WB07-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WB07-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WB07-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WB07-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/WB07-5.mp3]

No círculo que este LP traça (e não apenas por ser redondo) vagueamos sempre para encontrar a mesma sensação quando se cumpre o percurso… circular. Essa sensação é de alheamento confortável em relação ao que se encontra do lado de fora. “Para Ver O Sol” é o primeiro álbum, propriamente dito, de Pedro Rios, e resulta de uma selecção sentimental feita por ele e a editora Wasser Bassin. Por aqui passam todas as Estações do ano, mas é sempre o Verão a ser sugerido pelo vapor ambiental, guitarras shoegaze, surf discreto, exotica, ecos, baixa fidelidade delicada, potencial cósmico na vizinhança de Magina ou Coclea (baleárico português é um facto?), para não falar em títulos como “Sol No Terraço” e “Laguna Sunrise”. Pacífico e antigo naquele sentido de conforto, como um local onde gostamos de regressar só porque nos sentimos bem lá.

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Terça-feira, 7 Abril, 2015

DJ SOTOFETT Drippin For A Tripp 2×12″

€ 16,50 2×12 Honest Jon’s

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HJP074-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP074-5.mp3]

Sotofett resume, de forma grandiosa, o trabalho que tem desenvolvido nos últimos anos com outros músicos e produtores. Cada um dos 4 lados nesta edição mostra uma face diferente e nomes diferentes, começando com Jaakko Eino Kalevi numa trip de guitarra baleárica e, diriamos, “nórdica”; o segundo lado sobe mais, com Lauer, puxa a clássica sonoridade ambiental das salas do fundo nas raves, larga um todo muito rico em camadas, harmonias, detalhes. Fecha com report intergaláctico. Épico. Com Karolin Tampere e Maimouna Haugen a rota é em África, break de kizomba num tempo house, voz solta e circular antes de a faixa desenvolver um sonho molhado psicadélico numa espécie de reprodução genuinamente sintética de genuínos sons africanos; dub e mais nervo logo a seguir, noutra versão que aproxiuma genericamente o conceito do que Mark Ernestus fez com Jeri-Jeri. Para fechar, Sotofett e Gilb’r fecham-se para uma jam baseada em “Pulehouse” (Sotofett, 2012); teclas e percussão com Korg adicionado por SVN. A versão principal tem mais músculo que o original e a “riddim run”, logo a seguir, isola a percussão para impacto perfeito e um selo de exotismo que Sotofett quase sempre utiliza como parte da sua identidade como produtor. África nas florestas nórdicas. Fecha tudo com recato campestre.

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