Sexta-feira, 25 Setembro, 2015

LUST 893: RAFAEL TORAL


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

25.9.2015
“EVOLUÇÃO”
por RAFAEL TORAL

Por alguma razão nunca me cruzei com o Tim Barnes,
mas ambos sabemos que temos muitos amigos em comum.
Quando soube que estava a programar uma sala em Louisville, Kentucky,
mandei-lhe uma mensagem mencionado isso e que gostaria de lá ir tocar.
Estava prestes a enviar,
quando vejo que chega uma mensagem dele.
Dizia “temos amigos em comum, sempre gostei do teu trabalho,
ouvi dizer que vens aos US
e se vieres para estes lados gostava que viesses cá tocar”.

Estas ligações espontâneas têm sido comuns nas digressões americanas,
encontro sempre um acolhimento generoso numa comunidade
que é uma imensa rede interligada.
Vejo tanta energia e esforço dedicados a me receber
e fazer acontecer eventos a propósito da música que levo,
tantas manifestações de interesse e admiração,
que fico a pensar como cheguei até aqui.
O que motiva estas pessoas?
O amor pela música, certamente.
Perceber que a música que já fiz abre estas portas
dá-me um sentido de responsabilidade e humildade.
Mas indo mais fundo, como cheguei a fazer tal música?
Tenho um talento especial?
E é mesmo minha essa música?
O que me parece é que cheguei aqui porque a vida me trouxe.
Desenvolvi-me em contacto com as pessoas
que tive a sorte de conhecer
e com os lugares que tive a oportunidade de visitar.
Ou seja, toda a minha capacidade de acção tem um eixo,
que é a minha intenção em fazer um caminho,
mas é também feita de todas as experiências
que pude ter e pelas quais estou
e devo estar humildemente grato.

Por isso dou o meu melhor e obrigo-me a evoluir.

—–

por estes dias, rafael toral atravessa os estados unidos, coast to coast, numa digressão onde tem aberto a sua música a algumas novas colaborações. permanentemente mutantes e espontâneas, as suas composições são tão meticulosas como generosas. e é justamente essa generosidade de toral que fez com que tirasse algum do seu tempo, decerto escasso, para nos partilhar a sua evolução, vista através desta extensa viagem de, também, descoberta. o mapa da viagem e outros assuntos relacionados estão, como seria de esperar, na sua página:

http://rafaeltoral.net/



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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

US GIRLS Half Free CD / LP

€ 12,50 CD 4AD

€ 23,50 LP 4AD

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Passearam pelas editoras da periferia, mas agora assentam sede numa periferia mais central, com vista para o miolo da acção. Será por isso que o novo álbum se chama “Half Free”? Não lemos nada sobre isso, mas talvez até possa ser verdade. Pelo que se ouve no disco… há liberdade total mas também mudanças. Meg Remy representa todas as girls e volta a correr o sprint, salpicando-nos de adrenalina e a habitual chuva de manipulação sonora que tanto apreciámos até aqui. Mas, logo a abrir, há pop que floresce no seu som maquinal e altamente atraente. Por momentos, há canções que esperneiam os anos 80, ou até o cancioneiro pop de décadas bem anteriores. Contudo, é ainda a névoa sonora que ela cria que nos empurra em frente, deixando bem clara a sua marca. Se isso vem embrulhado com papel pop, tanto melhor, porque nada se perdeu na sua identidade e “Half Free” é, possivelmente, um dos seus melhores álbuns e, quase de certeza, o mais fulminante. Já que ambos partilham laços com a 4AD, para quando um álbum US Girls com Dean Blunt? Não é?

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

MICACHU & THE SHAPES Good Sad Happy Bad CD / LP

€ 12,50 CD Rough Trade

€ 23,50 LP Rough Trade

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Depois dos discos a solo de Mica Levi (“Under The Skin” e “Feeling Romantic Feeling Tropical Feeling Ill”) poder-se-ia criar a ideia de que alguma forma o som de Micachu & The Shapes iria ficar diferente. Não. E isso é algo que se entende nas entrevistas que dá, há uma despreocupação inocente naquilo que faz e uma inconsciência do quão bom é. E isso é um pormenor que olhando agora para trás para a carreira da sua banda se percebe que sempre existiu, mas na altura ainda não existia um real ponto de comparação. “Good Sad Happy Bad” é um álbum que não tem paralelo com a carreira a solo de Mica Levi, mas que oferece uma evolução interessante em relação ao último disco da sua banda. Soa a Micachu & The Shapes pela forma despreocupada com que mostra canções, como as constrói e arrisca para territórios que são pouco óbvios, perigosos e no limite de uma experiência. Esse factor experimental, que nada tem a ver com música experimental, mas com o facto de muitas vezes a base deste disco parecer um rascunho em que ainda se está a desenhar, tornam as canções de “Good Sad Happy Bad” no melhor tubo de ensaio de todos os tubos de ensaio que os Micachu & The Shapes já produziram. Aperfeiçoam a sua forma, talvez com menos ferocidade do que no passado, mas com um sentido mais completo nas canções. Por mais que pareçam esses tais rascunhos, soam a algo acabado, que com o tempo desvenda o seu princípio, meio e fim. Pode não ser Mica Levi a solo, mas a forma como a sua cabeça funciona e desconstrói aquilo que se tem como garantido, desenvolvendo-o para algo novo, sem paralelo na pop britânica (e talvez mundial) actual, diz-nos que ela está ali. Não há nada de genial aqui mas, isso sim, irresistível.

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

YO LA TENGO Stuff Like That There CD / LP

€ 12,50 CD Matador

€ 23,50 LP Matador

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Ao longo da sua extensa carreira os Yo La Tengo nunca pareceram velhos. Melhor do que isso, nunca fizeram com que o seu som soasse a velho e, em cima disso, os álbuns do passado continuam a ter uma frescura hoje como tinham há muitos anos. É talento e uma certa homogeneidade naquilo que sempre procuraram com o seu setup básico. Em cima disso procuraram regularmente construir conceitos em volta de alguns álbuns e por vezes trabalhar em cima desses conceitos. “Stuff Like That There” é um desses álbuns, uma espécie de sequela de “Fakebook”, álbum em que faziam algumas covers e tocavam algumas das canções de um modo novo. Quase celebrando os 25 anos desde esse maravilhoso acontecimento, os Yo La Tengo voltam a fazer disco semelhante, com covers (nove), reconstruções de canções do passado (três) e duas canções novas. Soa a um álbum de Yo La Tengo da última década e picos, com uma calma e um controlo disso abismal. “Stuff Like That There” por vezes quase que soa a um disco ambiental, uma espécie de conjunto de canções de embalar em que facilmente nos abstraímos das vozes para nos deixarmos levar pelas ondas calmas dos instrumentos. E o melhor é que fazem parecer tudo simples. Mas já se sabe que não é (basta ouvir “Friday I’m In Love”).

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

LOW Ones And Sixes CD / LP

€ 14,95 CD Sub Pop

€ 23,50 2LP (+ mp3) Sub Pop

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Há uns anos que os Low não são aquilo a que foram associados quando surgiram e que desenvolveram ao longo dos anos 1990. O slowcore desapareceu porque tinha de desaparecer, mas a banda continuou o seu caminho tendo por base essas origens. De certa forma ainda são slowcore, mesmo nos seus álbuns mais rock ou na direcção que seguiram nos seus dois últimos registos, “C’mon” e “The Invisible Way”. O que nunca mudou foram as vozes de Alan Sparhawk e de Mimi Parker e, sobretudo, quando os dois cantam em conjunto. Há uma zona de conforto nesse acontecimento para quem foi “educado” pelos Low e é uma harmonia irrepetível no universo rock das últimas três décadas. “Ones And Sixes” é um regresso aos momentos mais calmos, controlados e lentos da banda, embora exista uma presença mais sintética nos instrumentais. Mesmo assim guarda aquele sentimento de que se está em casa. E isso será sempre algo muito especial que está guardado nos Low.

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

KURT VILE B´lieve I´m Goin (Deep) Down… CD / 2LP / 3LP

€ 12,50 CD Matador

€ 28,50 2LP Matador

€ 37,50 3LP Deluxe (+ mp3, poster) Matador

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Kurt Vile deu um passo arriscado com “Walking On A Pretty Daze”. Não pela distância que existia em relação ao seu passado, mas a construção de canções mais longas, lembrando Neil Young mais do que nunca (algo cuja duração contribuía, mas não só) e um sentimento mais solto nas canções deixavam acreditar que Vile poderia seguir esse caminho. “B’lieve I’m Going Down…” é um corte com isso. Não um mau corte, mas um corte. As canções continuam com um pendor solto, mas há uma fixação maior por ritmos e pela procura de lugares próximos de uma canção pop, procurando menos a tradição e abraçando uma certa convenção. E já se adivinhava que Kurt Vile sabia-o fazer bem, mas até agora ainda não tinha mostrado um comprometimento tão grande a esta causa. Mas aqui fá-lo com um tom bem mais certinho (obviamente não perdendo o tom geral esgazeado das suas canções), longe da conformidade, e que ao fim de algumas audições nos convence que está no caminho certo. Nós é que esperávamos mais do mesmo. Burros. (Se adoram edições que impressionam, dêem atenção ao magnífico triplo LP.)

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

POLE Wald CD / 2LP

€ 12,50 CD Pole Music

€ 17,50 2LP Pole Music

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Durante muito tempo – na electrónica um ano equivale a três dos nossos -, Stefan Bekte conduziu Pole como veículo para música única e super-especial. No final dos anos 90 a coisa estava ao rubro e a fervura aumentou consideravelmente quando a sua manipulação dub – quase imperceptível na altura – dos erros digitais (e não só) pareciam formar uma constelação própria, regida por leis que a física ainda pouco explicava. Após este período, Stefan dedicou-se a editar e a produzir, deixando uma marca (ainda mais?) importante na cena “dele”, que entretanto alastrara como um vírus. Pole reaparece em 2015 tentando continuar uma narrativa que, inevitavelmente, mostra os sinais do tempo. Mas em vez de recriar tudo de novo, Betke prossegue a sua linguagem, criando novos vocábulos que prolongam o prazer que é ouvir a música. Clicks & Cuts & Dub parece revival neste ano que corre mas ninguém – mesmo, mesmo ninguém! – poderia fazer “Wald”. Para fãs do antigamente, isto é um bálsamo; para novas gentes da electrónica, que tal ouvirem estas coisas bem feitas?

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

DAM FUNK Invite The Light CD

€ 16,95 CD Stones Throw

[audio:http://www.flur.pt/mp3/STH2358-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STH2358-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STH2358-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STH2358-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/STH2358-5.mp3]

Dam Funk ensaia cada dia melhor a sua ideia de pop ancorada no céu estrelado que cobria a cena boogie mais sintética dos anos 80. “Invite The Light” soa como um disparo de bem longe, uma manifestação de presenças etéreas à nossa volta e é tudo tremendamente confortável de ouvir, afundado num calor feito de linhas de sintetizador, ecos, beats secos e melodias sem rosto. Snoop Dogg, Q-Tip e Flea são alguns dos convidados nesta obra da cabeça de Dam Funk, ocupado sempre em abrir linhas de passagem para o funk em que acredita. A postura robótica transmitida pelo vocoder adensa algumas faixas, só que nem é preciso recorrer a tais artes para credibilizar a sessão futurista que temos estado a ouvir enquanto escrevemos estas linhas. Sem medo.

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Quinta-feira, 6 Agosto, 2015

DARKSIDE Psychic Live DVD

€ 18,50 DVD Matador

Amanhã, dia 12 de Setembro, faz exactamente um ano que os Darkside deram o seu último concerto. A mensagem que anunciou o fim do duo, umas semanas antes, não foi clara nas suas intenções e despediram-se dizendo “por agora”. Não convém dizer nunca, claro. Olhando para trás vemos um outro lado de Nicolas Jaar, algo surpreendente tendo em conta o seu álbum platinado – não há semana que não vendamos um “Space Is Only Noise”, espantem-se! Darkside – escrito em maiúsculas – existiu durante muito tempo como projecto até, finalmente, em 2013, “Psychic” imprimir o seu nome na indústria. A 21 de Março de 2014, em Nantes, perante o esforço do canal Arte e do site La Blogothèque, os Darkside deram um concerto no Stereolux. São quase duas horas de concerto onde quase todo o álbum “Psychic” é revisitado e transformado, deixando claro como Nicolas Jaar e Dave Herrington sempre olharam para a sua matéria sonora. Para quem quer e precisa de um documento espontâneo, nada melhor que ter este DVD que, dentro de dias, será uma preciosidade: há apenas 1000 cópias, a Matador já nem os tem, e não nos peçam mais milagres do que estes exemplares que conseguimos desencantar.

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Quinta-feira, 30 Julho, 2015

JEAN-MARIE BOLANGASSA Brazzaville Percussions 12″

€ 12,95 12″ Sofrito Super Singles

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Que espécie de África é esta? Bolangassa é um percussionista camaronês muito habituado ao estúdio, enquanto músico de sessão elemento de M’Bamina. No entanto, se ouvirmos “La Vie” o que sai dali é footwork cruzado com shangaan. repetitivo e hipnótico, como muita boa música de transe e movimento, escutamos os tons metálicos e os claps a segurar a percussão acústica mais desregrada. Andando para trás, chegamos a “Rikikida” para algo mais reconhecidamente africano, isto é, um passo mais lento, cânticos, sons graves de percussão mais activos e uma sensação geral de emboscada na selva. Cliché? Resulta. Ainda mais atrás, no início do EP, “Disna Ngai” aguenta um beat house com claps bem presentes enquanto a percussão acústica faz toda a espécie de selvajaria benéfica no topo. Quebras, recomeços, o que parece um piano a pontuar drama, zona geográfica não assim tão distante do Senegal de onde conhecemos Jeri-Jeri e as suas percussões complexas. Fazemos essa comparação mas só por afinidade. Com “Disna Ngai”, Bolangassa já está praticamente a fazer house.

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Quinta-feira, 30 Julho, 2015

MORITZ VON OSWALD TRIO Sounding Lines CD / 2LP

€ 13,95 CD Honest Jon’s

€ 19,50 2LP Honest Jon’s

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Que cena: Moritz Von Oswald + Tony Allen + Max Loderbauer e ainda Ricardo Villalobos na mistura de som. Não encontramos nada que falhe, aqui, e é óptimo sentir a pulsação dub que já conhecemos de Rhythm & Sound a ser complementada pelas quebras rítmicas da bateria de Tony Allen. Naturalmente, e só por isso, este álbum soa distinto dos anteriores deste trio. O jazz astral paira por aqui (“Spectre”, por exemplo, passeia pelo Espaço) mas a abertura de ângulo alcança outras paragens, também. Quase tudo se mexe em “Sounding Lines”, todos os micro-sons têm input no groove, todas as pausas servem para acertar o nosso ritmo, são uma espécie de auxiliar de descompressão para respirarmos convenientemente a atmosfera desta música. O álbum não é extrovertido no sentido exuberante, mas os músicos estão tão seguros do que acontece que podemos deixar-nos embalar sem receio do desconhecido. Boas mãos, todas estas.

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Quinta-feira, 30 Julho, 2015

NOLEIAN REUSSE Venus In Scorpio 12″

€ 11,95 12″ Ominira

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Noleian Reusse é metade dos Africans With Mainframes com Jamal Moss mas, sozinho, está longe de manter o ritmo de produção do seu sócio. Salta da sua editora Black Tekno para a Ominira de Gunnar Wendel, e que regresso! Forte no ácido, quase um exercício de aplicação do som a ambientes diferentes, sempre no tom certo. Enquanto “Venus In Scorpio” se mexe lentamente, “3rd LAyer” salta por todo o sítio em manobras jack bem clássicas mas com o natural factor “naquele tempo não se produzia assim” (falamos de Chicago nos 80s). No término, “Gun Romance” passa umas escovas que soam como Theo Parrish e acontece que também consegue ser latino e executar umas pancadas secas para aguçar o ritmo. É muito bom.

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Quinta-feira, 23 Julho, 2015

SKY WALKING Sky Walking CD / LP

€ 15,50 € 12,50 CD Sky Walking

€ 14,95 LP Sky Walking

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De Hamburgo, um trio de peso que exercita as uniões dos pontos no mapa da música: Peter Kersten é Lawrence, um dos pontas-de-lança de toda uma utopia ambiental que tem nascido dentro do império techno da Kompakt, fundador da Dial; Richard Von Der Schulenburg é, também, RVDS, um entusiasta das velhas máquinas e velhas fórmulas ao serviço de qualquer coisa mais emocional; Christian Naujocks tem feito discos na Dial, que é também sua, e parece gostar quebrar o molde tecnológico e procurar intromissões acústicas e clássicas. No espaço não há atmosfera e estes três amigos decidiram que neste seu passeio aéreo não haveria ritmo – ou pelo menos, no modo com que estamos mais familiarizados. “Sky Walking” é um jogo de improvisação a três, longe das máquinas, em natural paixão pelo mundo dos fenómenos acústicos e com, presume-se, pouco trabalho de edição que adultere o processo de construção. Há quem diga que soa a algo entre o Grupo Improvvisazione Nuova Consonanza e os Psychic TV, o que, só por si, devia deixar-vos tremendamente curiosos. O que se terá passado aqui? Não sabemos para além do resultado assumido: uma história sonora feita de sensibilidade íntimas sem medo do desconhecido. Gostamos muito destas surpresas.

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Quinta-feira, 4 Junho, 2015

JAMIE XX In Colour CD / LP / 3LP

€ 12,50 CD Young Turks

€ 23,50 LP (+ CD) Young Turks

€ 37,50 3LP (+ CD) DELUXE Young Turks

[audio:http://www.flur.pt/mp3/YTCD122-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/YTCD122-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/YTCD122-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/YTCD122-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/YTCD122-5.mp3]

Se tivermos de ir directos ao assunto, ninguém da Flur se agita com os The xx. O que também não quer dizer que reine a indeferença. Apenas não conseguimos exalar o prazer que meio mundo conseguiu fazer nos seus anos de ouro. É verdade que fomos percebendo de onde vinham as grandes ideias do grupo, pois Jamie xx não só revela isso no seu nome de palco como foi mostrando em sessões isoladas que tinha matéria de sobra para existir sozinho. Contudo, há um momento que reluz bem mais que os restantes, provando que Jamie teria para nos dar coisas bem mais interessantes que o seu trio: “We’re New Here”, uma visão futurista de “I’m New Here”, de Gil Scott-Heron, transpôs barreiras e cortou amarras como poucos discos nascidos da cultura bass o têm feito. Estávamos em 2011 e este intervalo não serviu para desviar muito desse disco – “In Colour” é, simplificando, uma versão mais colorida desse mergulho na alma negra de Scott-Heron e da herança hip hop transposta para a alma da música electrónica londrina desde século, pós mutação dubstep, pós muita coisa. Melhor dizendo, “In Colour” anda por esses espaços entre géneros sem se comprometer, sem criar laços de fidelidade, e é essa leveza de princípios – e a correspondente alegria dessa liberdade – que nos contagia, tal como, por exemplo, um dia Four Tet o fez – foi há muito tempo, sim; e Kieran Hedben, por acaso, meteu o dedo neste disco. Não sendo tão acutilante quanto “We’re New Here”, “In Colour” mostra alguém no domínio das suas possibilidade, atento a essa necessidade premente de dizer o já conhecemos por palavras novas. Excelente álbum.

“Dir-se-ia música para respirar, feita com elegância, através de filigranas climáticas, cadências rítmicas e vozes suavizadas. Magnífico.” in PÚBLICO

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