Quinta-feira, 15 Outubro, 2015

DJ FIRMEZA Alma Do Meu Pai 12″

€ 9,95 12″ Príncipe

[audio:http://www.flur.pt/mp3/P011-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/P011-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/P011-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/P011-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/P011-5.mp3,http://www.flur.pt/mp3/P011-6.mp3]

A abertura tem mais de 6 minutos e dá título ao EP. É uma duração bizarra no contexto da batida do gueto que a Príncipe tem ajudado a divulgar e, quando se termina de escutar a faixa, percebe-se claramente a decisão de mostrar esta faixa incrível à frente das outras. “Alma Do Meu Pai” ataca um contexto quase techno com uma felicidade impressionante, criando um movimento hipnótico na repetição das frases rítmicas. Paramos aqui na explicação antes que isto fique ridículo. Durante o EP, Firmeza mantém a ID dos Piquenos DJs Do Gueto e isso vem do coração. Lembramo-nos da junção feliz dos talentos de Liofox, Maboku, Lilocox e Firmeza dos tempos em que a Príncipe começou, mas Firmeza sozinho parece, por um lado, homenagear na faixa de abertura não apenas o seu pai (desaparecido em 2014) mas também DJ Nervoso, o produtor que, no início do século, fez o big bang para, pelo menos, duas gerações posteriores de DJs. No resto do EP manifesta-se uma presença de África que confunde muitas expectativas de como esta música deveria soar, mesmo tendo em conta o que temos vindo a escutar desta tropa de produtores. Observem as quebras rítmicas em “Os PDDG”, as cordas espectrais em “Somos Melão Doce”, a saturação de dub em “Coelho 2025″, a flauta meio perdida em “Suposto”. Não é suposto. Génio. Adoramos.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Sexta-feira, 9 Outubro, 2015

LUST 895: RUI PEDRO DÂMASO e VITOR LOPES


Desde Maio de 2002, praticamente todas as semanas, enviamos uma newsletter com novidades, reposições e comentários a discos. Convencionou-se que seria útil ter uma pequena introdução, geralmente relacionada com algum acontecimento musical dessa semana, ou desse período, ou sobre discos que escolhíamos destacar.

Em Setembro de 2014 resolvemos entregar esse(s) parágrafo(s) a convidados que poderão partilhar connosco e convosco alguns pensamentos sobre música, o mercado, a cena, as cenas, detalhes sobre as suas próprias actividades, etc. Em baixo podem encontrar os textos publicados até ao momento.

—–

8.10.2015
“OUT.FEST”
por RUI PEDRO DÂMASO e VITOR LOPES

Há um círculo que este fim de semana se completa.
Em 2004, começámos um festival porque sempre tínhamos sonhado fazer um festival.
Começámos uma editora porque sempre tínhamos sonhado fazer uma editora.
Fazíamos música porque sempre tínhamos sonhado fazer música,
e tudo isso porque à nossa volta todos os dias descobriamos gente com talento e montes de pica
- Lemur, Dance Damage, Loosers, Fish & Sheep, o Manuel Mota, CAVEIRA, Gala Drop – e era mesmo preciso fazer.
Tantos e tantos concertos e discos reveladores e epifanias na ZDB, no Lisboa Bar, no Lounge, nos nossos quartos às voltas no myspace.
E o OUT.FEST fez-se desta música que nos surpreendia e motivava.
Quisemos fazer do Barreiro o epicentro porque já era, e sempre foi, a nossa base para tudo.
Porquê no Barreiro?
Porque não no Barreiro?
Desde então, a pergunta ouve-se cada vez menos.
Faz sentido que a estas margens da música – que para nós e para muitos não são margem de coisa nenhuma – só se chegue atravessando o rio.
E chegamos ao 12º ano de festival. Lisboa continua a fervilhar de gente cheia de talento e de pica e no Barreiro, há sítios que continuam a emergir do esquecimento e outros que já são palco habitual para concertos de meia-noite, e que fazemos questão de mostrar a todos.
Este ano não será excepção: quatro dias, vinte e um concertos, quatro locais diferentes e o OUT.FEST continua a fazer-se daquilo que nos surpreende e motiva. O Barreiro é o epicentro da música-sem-géneros.
É uma cidade para descobertas e reencontros e acolhe-vos de braços abertos.
Até já!

—–

12 anos que falam por si, mas rui pedro dâmaso e vitor lopes também falam por eles. e falam sobre a pica de descobrir, partilhar e fazer música pela pura felicidade de absorver os seus benefícios e transmiti-los a outros. e o veículo mais ideal de que se lembraram,
megalómano e ao mesmo tempo exequível, sonho molhado visível para o mundo e, já ninguém pode negá-lo, mesmo importante na vida cultural da grande lisboa, é o out.fest. acontece nos dias 8, 9 e 10 de outubro de 2015, em vários locais na cidade do barreiro, com prolongamento no domingo. da terra ao céu, música que estica tudo acessível a ouvidos com entusiasmo pelo som. apanhem a info aqui:

http://www.outfest.pt/pt/home-noticias/



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Quinta-feira, 8 Outubro, 2015

LAUREL HALO In Situ CD / 2LP

€ 13,50 CD Honest Jon’s

€ 16,50 2LP Honest Jon’s

OUVIR / LISTEN:
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Laurel Halo concentra-se na sua própria interpretação da mitologia techno, como já tinha demonstrado em exemplos anteriores e também em apresentações ao vivo. “In Situ” navega as margens do Bass, sem nunca aportar, esquiva-se às amarras que por vezes parecem querer fixar o rumo, e acaba sendo um álbum brilhante de desconstrução de padrões de dança. “Leaves”, por exemplo, recorda com arrepio a fase “Multila” de Vladislav Delay, embora com o beat bem mais presente. “Drift” soa como uma ferramenta rítmica desviada do 4/4 mas que se consegue integrar num contínuo house ou techno. Tem, no entanto, demasiada complicação fervilhante de ideias para atrair uma pista de dança com vontade de apenas seguir em frente. Muitas lateralizações, em todo o álbum. Para “Shake”, vamos arriscar num híbrido de Jamal Moss com Mouse On Mars / Lithops. “Focus 1″ é, praticamente, uma peça de jazz como fariam Dego e Kaidi Tatham. Laurel Halo saiu da zona de segurança, puxa bem a memória da electrónica futurista do final dos anos 90 (muito associada à Mego e a uma certa cena de Viena que quase negava a outra cena de Viena representada por Kruder & Dorfmeister) e assenta na terra os paus bem afiados para montar tenda no presente. Óptimo regresso aos álbuns.

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Quinta-feira, 8 Outubro, 2015

JOEL GRAHAM Geomancy / Night 12″

€ 11,50 12″ Music From Memory

[audio:http://www.flur.pt/mp3/MFM006-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MFM006-2.mp3]

De onde chegam estas coisas? Neste caso, de cassete. Music From Memory opera bem fundo para revelar ao mundo actual estas duas faixas gravadas em 1982 por um músico californiano. “Geomancy” consegue mesmo reflectir a beleza pontilhada da simbologia usada na Geomancia, movendo-se pausadamente pelo espaço com centro numa caixa de ritmos simples e muito drama colocado por cima sob a forma de ondas carismáticas de sintetizador. Eleva. “Night” vai à cena líquida muito identificável com a música espacial dos 70s, mas a mesma simplicidade do ritmo assegura uma viagem tranquila através da auto-estrada que imaginarmos no momento. Faixa longa que transporta todos os bons genes da música comprida que, de facto, ganha em ter esses minutos todos. Quanto mais tempo passa mais evolui e sempre na direcção de que gostamos. Agora, existe uma certa confusão em relação às rotações de ambas as faixas. O nosso player vai dar-vos o lado A a 33rpm e o lado B a 45rpm, mas podem seguir os links que deixamos para ouvir A a 45rpm e B a 33rpm. Apesar de soar mais natural tocar ambos os lados a 45rpm, podem ser experimentados a 33rpm e oferecer outro tipo de sensações sólidas. Talvez o disco mais perfeito que ouvimos até hoje na combinação de velocidades diferentes.

Geomancy 45rpm
https://www.youtube.com/watch?v=rDJgdt4wNNc

Night 33rpm
https://www.youtube.com/watch?v=wlOX3JyAcl8

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Quinta-feira, 8 Outubro, 2015

DIMITRIS PETSETAKIS Endless LP

€ 16,50 LP Into The Light

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ITL004-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ITL004-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ITL004-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ITL004-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ITL004-5.mp3]

Viagem ambiental pelo património de música electrónica produzida na Grécia. A ponta do véu havia sido levantada pela mesma editora em 2012 com a compilação “Into The Light” e alguns álbuns de artistas têm aprofundado a pesquisa de modo consistente. Petsetakis tem apenas um LP editado (em 1991) e o que ouvimos em “Endless” é, assim, inédito, enquadrando-se no universo muito vasto, na década de 90, de explorações ambientais. Essas explorações aconteciam por vezes em áreas muito diferentes como o circuito industrial e um outro circuito intimamente ligado à cultura rave e de expansão da mente. Assim, “Endless” tanto evoca Vidna Obmana como Jorge Reyes como Global Communication ou Aphex Twin ambiental. Música essencialmente meditativa, cósmica mas com incursões assertivas em formas que se aproximam da música étnica. Imaginamos manifestações em bruto da natureza ou pergaminhos a serem decifrados, enquanto se desenrola esta música com tanto de contemporâneo como de antigo.

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Quarta-feira, 30 Setembro, 2015

LIZZY MERCIER DESCLOUX Press Color CD / 2LP

€ 16,50 CD Light In The Attic

€ 32,95 2LP (2015 reissue + poster) Light In The Attic

[audio:http://www.flur.pt/mp3/LITA134-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA134-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA134-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA134-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LITA134-5.mp3]

LP EM BREVE / SOON

Nova Iorque faz isto às pessoas. Durante os anos 1970 Lizzy Mercier Descloux viveu em Nova Iorque (nasceu em Paris) e viveu de perto aquilo que se pode chamar o underground da música nova iorquina de então. Viver de perto implica conhecer pessoas, estar com elas e trabalhar com elas. Em 1978 lança o seu primeiro single na ZE Records e no ano seguinte chega este “Press Colour”, um disco bomba pela forma como explorava sons que na altura ainda não tinham encontrado uma residência permanente na música pop. Funk, punk, rock, um outro toque da irreverência daquilo a que se vinha a anunciar como o No Wave e uma facilidade extrema em fazer soar isto a disco com influências precisas, sejam do disco nova iorquino de então ou da exploração desse som com pontes para ritmos africanos. Há canções que são directas e cheias, no ponto e absolutamente irreverentes, como a supraconhecida “Fire” (que abre o disco) e há riscos que funcionam na perfeição: como a sua versão do tema de “Mission Impossible”. “Press Colour” é mais do que um disco representativo da época, de um tempo em que muitos discos pareciam criados numa espécie de tacho mágico e soarem sempre bem. E mais do que simples irreverência que conquista por ser mesmo assim. Ou de que às vezes o que é importante é estar no sítio certo à hora certa (e é, mas não só). Lizzy Mercier Descloux era alguém muito especial e conseguiu descodificar uma época, um som, e fazer nascer um álbum delirante e mágico. E há o sotaque francês que dá um toque de ingenuidade a tudo e isso funciona como uma cereja em cima do bolo. A Light In The Attic, quem mais, traz-nos este disco de volta. Numa edição com dezoito temas, onde se inclui “Morning High” com Patti Smith.

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Quinta-feira, 24 Setembro, 2015

DESTROYER Poison Season CD / LP

€ 15,50 CD Dead Oceans

€ 27,95 2LP (+ mp3) Dead Oceans

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DOC106-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DOC106-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DOC106-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DOC106-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DOC106-5.mp3]

Desde 2011 (“Kaputt”) que esperávamos um novo álbum de Destroyer. Um álbum que após mais de uma década de carreira colocou o projecto de Dan Bejar numa rota mais alargada e, por isso, era com muita expectativa que se aguardava o seu sucessor. 4 anos depois chega finalmente “Poison Season”, um álbum magnífico que entrega festividades de um musical. Não o é, é um álbum, mas há algo alargado nas composições que criou para aqui que nos levam a isso, uma espécie de disco orquestral pop perfeito, que nos lembra coisas maravilhosas da pop (Orange Juice, Prefab Sprout) e que simultaneamente nos remete para a fase Spiritualized do pós “Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space”. Note-se, o tom é bem diferente. Mas há um rigor e um pesar, uma história que ouvimos nas canções, que nos leva para aí. É uma viagem que se vai tornando inesperada e surpreendente a cada audição. Gosta-se mais quando se pensa que seria impossível. Envolve e ensina e é, de certa forma, um disco que já não se espera em 2015. Um disco que eleva a fasquia de Destroyer – SIM! – e que é mesmo especial.

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