Quinta-feira, 4 Fevereiro, 2016

DAVID BOWIE Blackstar CD / LP

€ 16,50 CD Sony BMG

€ 35,50 LP Sony BMG

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Inquestionavelmente Bowie, mesmo na mais incaracterística primeira canção. “Blackstar”, essa canção, segue num passo urgente que serve na perfeição a voz de “últimos dias” que ele adopta. É uma canção irrequieta, crepuscular, tensa, quase preocupante (agora a posteriori é-o com certeza). “Lazarus” soa bastante clássico, com o autor já a assumir uma presença no Céu – e a frase “Everybody knows me know” pode soar redundante, quase uma necessidade de amor quando, para todos, é claro que o mundo já o conhece há muito tempo. “Sue” soa como uma power jam dos Swans, apenas ligeiramente menos musculada mas com a mesma propensão para o transe, e tem um toque de Quarto Mundo de Jon Hassell algures submerso lá no meio (é mais uma sensação do que o som propriamente dito). Bowie consegue em “Blackstar” um magnífico álbum que não tem, espantosamente, de se apoiar em nada específico que ele tenha já feito, e no entanto, como dissemos no início, é inquestionavelmente seu. Talvez não soe inteiramente bem dizê-lo, mas “Blackstar” soa como Bowie adulto, não há tentativas muito marcadas de ser pop nem, pelo contrário, de ser demasiado diferente ou desviado. Tem saxofone suficiente para ancorar a música numa época bizarra que queremos identificar com os 80s mas que, na verdade, não pertence lá. Por razões óbvias, agora é ainda mais fácil chamar-lhe Génio.

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Quinta-feira, 4 Fevereiro, 2016

LOLINA Relaxin’ With Lolina MCD

€ 7,50 MCD Lolina

€ 9,95 12″ Lolina

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Senhora-mistério, mais ou menos. Muda de nomes mas é sempre Inga Copeland e deixou marca gigante desde os tempos em que fazia música com Dean Blunt. Em “Lolina”, a primeira faixa, ela parece dizer umas palavras numa língua eslava, o que espelha admiravelmente o som invertido que acontece por essa altura. O EP inclui apenas três faixas, todas elas bastante económicas em duração, como aliás já era habitual, por exemplo, em “Black Is Beautiful” de Dean & Inga. “Miss Understood” é aquele trocadilho sempre à espera de acontecer, e aqui serve uma faixa constantemente quebrada, mantida coesa pelo martelar num piano e uma voz urgente que vai e volta. O tema cresce para algo que soa como dancehall, UK bass e hip hop? “Relaxx” fecha tudo, são mais 3 minutos e pouco, piano mais ou menos livre e sons que vão construindo a grelha melódica de forma caótica, mais a voz tipicamente doce que se esconde atrás das cortinas de som. Muito fora, mesmo mesmo nas franjas da pop. Uau. Queremos mais.

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Quarta-feira, 3 Fevereiro, 2016

APPARAT Multifunktionsebene / Tttrial & Eror / Duplex 3CD

€ 23,50 3CD Shitkatapult

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Reedição dos dois primeiros álbuns e um EP do período 2001-2003: “Multifunktionsebene” (álbum, 2001), “Tttrial & Eror” (EP, 2002) e “Duplex” (álbum, 2003). Após uma primeira década bastante fértil, no século XXI, oportunidade para reavaliar esses anos cruciais na transição do milénio e que, no que concerne à evolução da música electrónica, foram igualmente cruciais na mudança de paradigmas. “Multifunktionsebene” carrega ainda claramente a inspiração da chamada electrónica pós-techno (ou IDM) dos 90s, sempre com Autechre no horizonte mas numa trip bem mais melódica. O que acontece aqui é a solidificação de uma corrente que sustentou um lado nostálgico nesta música (basta ouvir para captar esse sentimento) enquanto a conduzia ao futuro, mais além. Em “Tttrial & Eror”, Apparat soa mais abrasivo, utilizando as poeiras e restos “defeituosos” da construção da música, ou da própria natureza do software, para colocar a sua palavra em dia no que toca à exploração do erro, a cena glitch que revolucionou a música electrónica no final do século passado. “Duplex” prolonga esse caminho sinuoso, mais arriscado, enquanto por exemplo em “Contradiction” (título auto-explicativo?) ensaia um formato de canção com a voz de Klas Yngborn em registo semi-Radiohead. “Wooden” explora outro ângulo, mantendo a mesma combinação, e o que parece acontecer neste álbum é a cristalização de um formato híbrido mais tarde bastante comum: electrónica / pop / neoclassicismo. Não deixa, no entanto, nunca de empurrar as fronteiras, procurando definir-se enquanto segue.

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Quarta-feira, 3 Fevereiro, 2016

KYLE HALL From Joy 3LP

€ 44,95 3LP Wild Oats

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Em relação a “Boat Party”, o álbum anterior, “From Joy” segue uma direcção claramente mais musical e harmoniosa. Em mais do que apenas alguns momentos, remete para uma filosofia rítmica muito cara à cena broken beat britânica de há 15 anos. Kyle Hall anuncia este álbum como “um mecanismo e um lembrete” para regressarmos a um estado energético semelhante ao que se experimenta em criança, quando estamos mais em contacto com quem realmente somos. Intenções à parte, “From Joy” espalha de facto uma vibração luminosa. Não sendo um disco simples, consegue extrair essa luz natural de um cruzamento complexo de house e jazz, sobretudo. Kyle Hall sempre se colocou ligeiramente (e às vezes bastante, oiçam o seu disco na FXHE) ao lado do curso rítmico e harmónico habitual na música de dança, mas neste álbum dá-se uma espécie de aproximação a um centro mais universal, ainda que “Feel Us More”, por exemplo, retenha toda a sabedoria “de esquerda” tão bem explicada nos primeiros maxis que editou na Wild Oats. Kyle Hall avança na idade, como toda a gente, e “From Joy” mostra-o em mais claro contacto com quem o segue.

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Sexta-feira, 29 Janeiro, 2016

FRANCK VIGROUX / MATTHEW BOURNE Radioland: Radio-Activity Revisited CD / LP

€ 12,50 CD Leaf

€ 20,50 LP (Ed. Limitada 1000) Leaf

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Talvez possamos arrumar imediatamente o assunto e dizer que não é possível melhorar o original de 1975, mas isso seria ignorar a marcha dos tempos, simultaneamente em dívida para com o passado e a tentar libertar-se dele. “Radio-Activity” dos Kraftwerk é como um poema romântico dirigido ao éter, e “Radioland” procura transmitir as mesmas noções em linguagem contemporânea. Matthew Bourne parece longe da sua ligação mais conhecida ao piano num contexto jazz, trabalhando aqui a síntese electrónica que iremos escutar mais a fundo no álbum “Moogmemory” que aí vem. Franck Vigroux parece mais naturalmente em casa, num ambiente favorável, e os dois reuniram-se ao artista visual Antoine Schmitt para a mega operação de celebração dos 40 anos desde a edição de “Radio-Activity”. A impressão geral, com “Radioland”, é de algo mais cibernético. Não sabemos se para vocês faz sentido, mas é um pouco como comparar os Cylons clássicos com os da série mais recente, sendo que ambas as versões têm méritos próprios. “Antenna”, por exemplo, um dos mais belos e humanos registos vocais dos Kraftwerk, é passado aqui por um processamento de voz que transforma a canção num assunto puramente maquinal. Há uma réstia de minimalismo Pan Sonic (Vigroux já trabalhou com Mika Vainio, mas pode ser apenas coincidência) e também um tom rude distorcido que acrescenta peso e drama. “Transistor” tenta soar mais cósmico do que o original, procurando a justificação da sua existência na polarização estilística. Todo o álbum é como uma observação extraterrestre do património humano enviado para o Espaço. É estranho relacionarmo-nos com essa perspectiva, mas o desafio aqui é perceber até que ponto o Presente consegue emancipar-se.

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Sexta-feira, 29 Janeiro, 2016

CURRENT 93 The Moons At Your Door CD / LP

€ 13,95 CD The Spheres

€ 19,95 LP The Spheres

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A definição de assustador ou alienante é pouco clara, no universo de David Tibet e Current 93. A tarefa fica mais fácil quando sabemos que este disco se apoia num projecto de livro com histórias sobrenaturais escritas por Tibet. A voz arrastada é quase só uma ténue sugestão da voz verdadeira do autor, carregada com efeitos que ajudam a criar uma imagem realmente sobrenatural. “There Is A Graveyard That Dwells In Man” e “The Moons At Your Door” são duas longas composições que recordam uma abordagem mais antiga e tradicional dos Current 93 na década de 80, quando eram ainda muito colocados na cena industrial, antes de David Tibet assumir mais permanentemente um formato folk nas suas canções. No entanto, nada há, na verdade, de retro, neste álbum. Gravações de campo, ambientes escuros, semelhanças sonoras com técnicas de música concreta, narrativas ambientais onde se desenrolam os acontecimentos que Tibet deseja plantar na nossa cabeça e, por fim, aquela voz sem corpo tão deslocada da realidade. Esses são os elementos constituintes de uma experiência desconfortável e que mais ninguém saberia proporcionar da mesma forma. Marca de autor, até na imagem da capa.

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Sexta-feira, 29 Janeiro, 2016

HERVA Kila CD / 2LP

€ 12,50 CD Planet Mu

€ 19,95 2LP Planet Mu

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Herva, tal como aliás a editora Planet Mu, navega em território techno híbrido, e isso tanto pode significar uma ligação ao contínuo Bass histórico como a algo mais cerebral e menos assertivo na pista. Enquanto álbum, “Kila” espalha-se pelo terreno de forma construtiva e muito dinâmica, procurando soluções rítmicas adequadas ao que tem a dizer em cada faixa. Dito assim, poderiamos estar a falar de um produto financeiro, mas o que queremos dizer, no fundo, é que a riqueza da grelha rítmica é tão grande que o facto de o álbum soar coeso é quase espantoso. Ouvimos um produtor a exercitar com aparente naturalidade o seu domínio da música electrónica contemporânea como um todo, desde a mais clássica desconstrução sónica a uma máscara de pop assente em samples melódicos. O disco percorre muitas avenidas e, nessa espécie de correria, oferece-nos um conjunto de faixas sem hipótese de aborrecimento. A palavra certa é Entretenimento, e em “Kila” isso é conseguido sem sacrificar o risco.

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Sexta-feira, 29 Janeiro, 2016

JENNYLEE Right On! CD / LP

€ 12,50 CD Rough Trade

€ 23,50 LP Rough Trade

[audio:http://www.flur.pt/mp3/RTRADCD785-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/RTRADCD785-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/RTRADCD785-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/RTRADCD785-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/RTRADCD785-5.mp3]

Em relação ao som dos Warpaint, Jennylee parece ter-se decidido por um ambiente mais espectral, e aquilo em que pensamos, por vezes, enquanto escutamos “Right On!”, é até que ponto este álbum é comparável a US Girls. Jennylee usa o seu baixo para ancorar claramente algumas canções como “White Devil” num universo de referências goth muito preciso. É exactamente esse processo que resulta na perfeição. Assumimos nós também que se dá um congelamento do tempo e que o rock parou numa zona cheia de ecos e demónios que assombram. Em momentos mais intensos como “Riot”, essa essência é não só aparente como desejável, há uma forma rude de escrever e apresentar estas canções que não se esgota com o Tempo. Apesar do título meio motivacional, “Right On!” é um disco genericamente sombrio, íntimo por vezes como PJ Harvey era nos primórdios, melancólico no tom cinzento dos ambientes e, no entanto, exala uma energia bem forte e sem grande margem para prostração. É um disco de raízes seculares (exageramos só um pouco) que preserva intacto o sentimento de angústia que sempre nos deu tão bom rock.

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