Quarta-feira, 28 Dezembro, 2016

DELIA DERBYSHIRE and ELSA STANSFIELD Circle Of Light – Original Electronic Soundtrack CD / LP

€ 9,95 CD Trunk

€ 20,50 LP Trunk

[audio:http://www.flur.pt/mp3/JBH061LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/JBH061LP-2.mp3]

Tidas como a mai longa composição conhecida atribuídas a Delia Derbyshire, a banda sonora para “Circle Of Light”, um filme de 1972 realizado a partir de fotografias de Pamela Bone, inclui técnicas já bem experimentadas na BBC Radiophonic Workshop mas estendidas para um acompanhamento mais gradual. Gravações de campo, tons ambientais constantes, silvos alienígenas e outros elementos criam uma narrativa muito despojada, aparentemente pouco interventiva, “atrás” das imagens que transformam a natureza em algo mais misterioso e inacessível ao toque, sim, mas também acolhedor, irreal e até desejável, como um permamente estado de felicidade em vigília do sono, acentuado pelo som arranhado da gravação. A história sobre o percurso que conduziu à realização do filme encontra-se, mais uma vez, nas notas de contracapa, deixando sempre aquela sensação agridoce de que há muito que ignoramos e ainda bem que há muito que ignoramos.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quarta-feira, 10 Agosto, 2016

BRIGID MAE POWER Brigid Mae Power CD / LP

€ 12,95 CD Tompkins Square

€ 16,95 LP Tompkins Square

[audio:http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-5.mp3]

O álbum estabelece muito cedo uma atmosfera de transe sentimental, colocando o ouvinte em suspensão através dos ambientes quase etéreos, não apenas facilitados pela voz mas também muito pelos arranjos. Piano com aquele tom vazio pronto a ser preenchido pela carga emocional de cada um; guitarra frequentemente dedilhada de forma repetitiva, mântrica, uma ou outra inclinação oriental, neste álbum gravado no Oregon por uma cantora irlandesa nascida em Londres. Facilmente seria tido como obra perdida de uma autora clássica, mas talvez Brigid esteja em linha para ser olhada como tal, no futuro. Para já, colaborações com Lee Ranaldo, Alasdair Roberts e Richard Dawson, entre outros, garantem a proximidade a alguns espíritos iluminados da arte da canção. No entanto, a cantora e autora revela autoridade na sua autosuficiência criativa, tocando acordeão, ukulele, piano e harmónio, para além de alimentar o fogo que origina as suas canções. Ficamos lá logo no início, com os mais de 6 minutos bastante devocionais de “It’s Clearing Now”.

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Terça-feira, 9 Agosto, 2016

THE WIRE #390 (August 2016) REVISTA + CD

€ 6,50 REVISTA + CD The Wire

Nova e sempre aguardada edição da revista Wire com CD traz mais substãncia ao pico do Verão. No CD, de DJ Lixo a NYZ, um mundo de nomes para conhecer e actualizar a nossa literacia em música menos visível. Circuit Des Yeux tem honras de capa, num anacrónico (ou talvez não) macacão de ganga clara, a propósito do álbum gravado como Jackie Lynn para a Thrill Jockey. O outro grande sumo neste número 390 é o artigo sobre rock de inclinação ocultista: Blue Oyster Cult, Jimmy Page, gravações do próprio Aleister Crowley, Zorn, Skullflower, etc, passando para o concreto inspirações não palpáveis. A Invisible Jukebox faz-se com os Optimo, de Glasgow, testando a sua cultura rave, italo e pós-punk. Ainda há Black Spirituals, Nate Wooley, Li Daiguo, DDMMYY, Yeongrak, G-Bop Orchestra, críticas e mais críticas a discos, livros, eventos, a capa do mês (Prince “Around The World In A Day”) é escolhida por Manuel Sepulveda, designer com trabalho para a Hyperdub, Planet Mu e Ninja Tune). ETC ETC ETC ETC. Cada edição da Wire é, sobretudo, um poço de inspiração e fé renovada na música feita hoje e na que é recuperada de outros anos.

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Terça-feira, 9 Agosto, 2016

IANNIS XENAKIS La Légende D’Eer LP

€ 17,50 LP (+ mp3) Karl Records

[audio:http://www.flur.pt/mp3/KR024-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/KR024-2.mp3]

Considerado como uma espécie de subida do nível das águas no contexto da obra electro-acústica de Xenakis, “La Légende D’Eer” evolui tortuosamente em onda de ascenção para um caos, depois resolvido na fase descendente, a qual pode muito bem ser sobreposta ao início em colagem narrativa que perpetuaria a música para além dos 45 minutos originais. O tom conflituoso dos sons, quando a curva ascendente atinge uma estabilidade quase arrogante, prefigura, em 1978, uma das ramificações importantes da música industrial. Um caos insuflado, carismático, desafiante e com uma carga divina que podemos, muito subjectivamente, interpretar como demonstração de poder e não tanto como punição (apesar de, para certos ouvidos, a palavra “punição” ser adequada). Iannis Xenakis misturava aqui referências filosóficas, nomeadamente a “República” de Platão, com artigos sobre fenómenos cósmicos como as supernovas. Desse choque poderia nascer uma renovada percepção sobre o que nos rodeia, não apenas no espaço mas também no tempo. A masterização e corte por Rashad Becker são detalhes que deverão ajudar a recontextualizar esta obra monumental no presente. Primeira vez em vinil, desde a primeira edição em CD de 1995.

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Terça-feira, 9 Agosto, 2016

ACCIDENT DU TRAVAIL Très Précieux Sang LP

€ 19,50 LP The Trilogy Tapes

[audio:http://www.flur.pt/mp3/TTT038-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TTT038-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TTT038-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TTT038-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TTT038-5.mp3]

Julie Normal e Olivier Demeaux prolongam no tempo secções do que se chamava ‘bruitisme’. Não tendo que ser necessariamente ruidoso e abrasivo, o género (ou antes, a designação de um tipo de som) consegue ser rico o suficiente para contemplar múltiplas nuances. “Très Précieux Sang” quebra, de certa forma, um catálogo mais orientado para ritmo e aspereza, com oito faixas não bem contemplativas mas conducentes à passividade criativa de quem escuta e percorre caminhos no seu interior. O tom sugere simultaneamente uma profunda e constante tristeza e a celebração de uma também profunda beleza, através da progressão lenta e segura do que soa a orgão e instrumentos de sopro manipulados. Tudo se dilui num vapor que sobe à atmosfera e parece nunca se dissipar.

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Terça-feira, 9 Agosto, 2016

V/A Britxotica Goes East! LP

€ 16,95 LP Trunk

[audio:http://www.flur.pt/mp3/JBH059LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/JBH059LP-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/JBH059LP-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/JBH059LP-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/JBH059LP-5.mp3]

Como em vários outros discos da Trunk, quase tudo o que precisamos de saber está nas notas informativas na contracapa. As palavras excitam o apetite por esta interpretação do exotismo tal como sentido nas Ilhas Britânicas. Um vasto e rico passado colonial molda gerações e seria natural que a atracção por terras distantes despertasse nos europeus uma procura de contacto com outras paragens, se não físico, pelo menos criativo. As terras a Oriente pareciam especialmente cativantes, um misto de magia no ar, calor, erotismo e perigo, ingredientes normalmente ausentes da vida quotidiana num país do norte da Europa. No entanto, de acordo com a opinião informada de Martin Green (texto na contracapa), em termos de música o público parecia preferir aquela que claramente caricaturava essas outras terras, tornando-as num destino (ainda que virtual, para muita gente) de diversão, excitação e até escapismo. Música rara que faz os sets de festa de DJs dedicados à exploração do que não existe já à superfície. Fantasia e invenção ao alcance de todos.

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Side One
1) Sphinx Won’t Tell – Beverley Sisters
2) Yashmak – Chico Arnez
3) Caravan – Stanley Black
4) Four Beats To The Casbah – Johnny Keating And The Z Men
5) Persian Twist – Charles Blackwell
6) Baghdad Bazaar – Philip Green And His Mayfair Orchestra
7) Sheik Or Morocco – Kenny Day
8) Marrakesh – Tony Osbourne

Side Two
1) Climb Up The Wall – Yana
2) Miserlou – Stanley Black
3) Delilah’s Theme – Johnny Keating Kombo
4) Call Of The Casbah – Laurie Johnson
5) Lonely One – Roy Tierney
6) Turkish Coffee – Tony Osborne
7) Kazoo – Reg Owen
8) The Sultan Of Bezaaz – Ray Ellington

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Segunda-feira, 8 Agosto, 2016

SHACKLETON with ERNESTO TOMASINI Devotional Songs CD / 2×12″

€ 10,50 CD Honest Jon’s

€ 16,50 2×12″ Honest Jon’s

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HJP081-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP081-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP081-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HJP081-4.mp3]

O CV de Ernesto Tomasini é grande demais para uma abordagem que lhe faça justiça. Actor, performer, vocalista numa banda prog rock, colaborações com Nurse With Wound, Current 93, Marc Almond, Peter Christopherson (Coil), actuações na Semana da Moda de Londres; no cinema, envolvido em trabalhos de Kevin Spacey, James Ivory e Ridley Scott. Quanto a Shackleton, já não é estranha a dimensão ritualista da sua música mas, em “Devotional Songs”, ascende a um plano bastante clássico, por vezes quase medieval. Reflexões sobre a condição humana, cantadas em tom épico, sério, ancestral, por Tomasini, aproximando-o de alguns dos nomes com os quais tem colaborado (ocorre-nos Marc Almond, por exemplo) e de uma carga profundamente artística que uma certa tradição de música esotérica transmitia. Shackleton mantém ênfase na percussão, mas neste disco a batida respeita o ritmo das palavras, forma-se à sua volta e, quando se exibe sozinha, prolonga o sentimento das mesmas. Ligações à tradição minimalista, também, como em “Twelve Shared Addictions” ou nas marimbas de “Father, You Have Left Me”, reforçam uma aura vanguardista que, embora arriscando o pretensiosismo, sai fortificada do outro lado da escuta deste disco. Um objecto estranho e, se quisermos vê-lo assim, uma incrível mutação a partir de um passado (agora mais ou menos remoto) de Shackleton na cena dubstep. Belo álbum.

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Segunda-feira, 8 Agosto, 2016

ZOMBY X BURIAL Sweetz 10″

€ 8,95 10″ (one-sided) Hyperdub

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HDB103-1.mp3]

7 minutos de Burial são sempre aguardados com expectativa elevada. Aqui contribui para o que será, proximamente, o novo álbum de Zomby, apresentado por este single limitado e adequadamente contido num lado apenas de vinil. O habitual trânsito melancólico nas faixas de Burial é comprometido por uma intervenção bem mais aguerrida e iconoclasta, talvez cortesia de Zomby. A escuridão e chuva características da corrente mais sombria do dubstep servem como base para um cenário de devastação bem explorado por ambos os produtores, algo que talvez não ofereça uma esperança muito brilhante no futuro mas que coloca em perspectiva a tendência naturalmente efusiva da música de dança. Presença constante de um fumo negro disruptor da segurança, uma boa imagem, em 2016, da realidade que Kode9 e Spaceape procuraram representar em “Memories Of The Future”. Música de combate, desconforto, estilo subterrâneo.

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Terça-feira, 26 Julho, 2016

WALTER FRANCO Revolver LP

€ 33,95 LP (2015 reissue) Polysom

[audio:http://www.flur.pt/mp3/332081-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-5.mp3]

Segundo álbum de Walter Franco, inteiramente de sua autoria, um poço de experimentação no contexto pop, já então habituado a fortes retoques pelo menos desde que os Beatles popularizaram o estúdio como instrumento de pleno direito. “Revolver” é um disco difícil de categorizar, talvez ouçamos semelhanças com T-Rex aqui e ali, pontos de contacto com alguma psicadelia britânica dos 60s – apesar de, estranhamente, pensarmos nas bandas que, nas décadas de 80 e 90, reproduziam esse som, e não tanto nos originais. A voz é frequentemente deixada ao sabor e ritmo das palavras, como em “Eternamente” ou “Mamãe D’Água”, utilizando a fonética como recurso criativo e algumas ideias circulares como em “Partir Do Alto / Animal Sentimental” (“Foi meu mestre quem t’ensinou, foi teu mestre quem m’ensinou”, repetido várias vezes). Ouvimos um pouco de Zappa em “Toque Frágil”, rock rasgado vindo do outro lado do espelho, troglodita. À medida que avançamos no álbum vamos perdendo o pé, atirados para zonas em que não percebemos bem o que se passa mas de algum modo somos sempre sustentados pelo delirante fio criativo de Walter Franco, entre o que se esperaria de um autor brasileiro e alguém empenhado em mexer seriamente nas fundações da pop sem deixar de conseguir comunicar com as pessoas. “Bumbo Do Mundo” estica realmente as possibilidades, nesse contexto, afina a arte do músico por regras de outro tempo e outro espaço. No final, “Lembrar de esquecer, esquecer de lembrar” deixa bem presente a mecânica circular que dá poder às suas palavras.

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Sábado, 23 Julho, 2016

AF URSIN Aura Legato CD / LP

€ 11,95 CD Blackest Ever Black

€ 19,50 LP Blackest Ever Black

[audio:http://www.flur.pt/mp3/BLACKESTCD012-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKESTCD012-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKESTCD012-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKESTCD012-4.mp3]

A Blackest Ever Black reedita “Aura Legato”, de 2005, um dos primeiros álbuns que Timo Van Luijk gravou como Af Ursin. Ele usa e transforma o som de várias fontes acústicas e eléctricas, por vezes velhos instrumentos aos quais é dada uma injecção de adrenalina para poderem participar no jogo. Efeitos e máscaras, sim, mas muito trabalho de composição semi-acústica a merecer atenção. O detalhe é muito rico e não apenas porque a ambiência é forte. “Aura Legato” tem um arrasto que sugere casa assombrada, sombras sugestivas e um grau de demência estrategicamente controlada para não comprometer o efeito estético. O tom metálico e grandioso fica como testamento de uma certa frieza opulenta que age em favor deste som antigo saído da cultura industrial dos 80s mas sem um chão muito marcado, pairando por onde a nuvem passa.

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