Quarta-feira, 28 Dezembro, 2016

DELIA DERBYSHIRE and ELSA STANSFIELD Circle Of Light – Original Electronic Soundtrack CD / LP

€ 9,95 CD Trunk

€ 20,50 LP Trunk

[audio:http://www.flur.pt/mp3/JBH061LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/JBH061LP-2.mp3]

Tidas como a mai longa composição conhecida atribuídas a Delia Derbyshire, a banda sonora para “Circle Of Light”, um filme de 1972 realizado a partir de fotografias de Pamela Bone, inclui técnicas já bem experimentadas na BBC Radiophonic Workshop mas estendidas para um acompanhamento mais gradual. Gravações de campo, tons ambientais constantes, silvos alienígenas e outros elementos criam uma narrativa muito despojada, aparentemente pouco interventiva, “atrás” das imagens que transformam a natureza em algo mais misterioso e inacessível ao toque, sim, mas também acolhedor, irreal e até desejável, como um permamente estado de felicidade em vigília do sono, acentuado pelo som arranhado da gravação. A história sobre o percurso que conduziu à realização do filme encontra-se, mais uma vez, nas notas de contracapa, deixando sempre aquela sensação agridoce de que há muito que ignoramos e ainda bem que há muito que ignoramos.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Terça-feira, 16 Agosto, 2016

CAROLINE K Now Wait For Last Year LP

€ 19,50 LP (2016 reissue) Blackest Ever Black

[audio:http://www.flur.pt/mp3/BLACKEST050-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKEST050-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKEST050-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKEST050-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BLACKEST050-5.mp3]

O título é directo de um livro de Philip K. Dick, servindo como enésimo exemplo da mega influente presença do autor de “Blade Runner” no universo musical. Caroline K fundou os Nocturnal Emissions com Nigel Ayers e “Now Wait For Last Year” saiu na sua editora Earthly Delights em 1987. Nocturnal Emissions ajudaram a forjar muito do que se tornou significativo na cena industrial inglesa mais esotérica, inclusivamente a sua abertura a uma vida mais rítmica já possível com a abertura provocada pela house (Ayers gravava, também em 1987, um álbum de batidas como Spanner Through My Beatbox). Neste álbum, Caroline K embrenha-se numa certa via épica e ambiental que a cultura propiciava como exploratória de outros cenários que não a tradição ocidental. Não especificamente uma viragem a Oriente mas mais em direcção ao escuro, desconhecido e potencialmente desconfortável. Quando se escuta algum ritmo, este parece sempre constrangido, abafado, lento, como uma trip cósmica de Daniele Baldelli e um sermão religioso oferecido apenas em orgão / sintetizador. “Tracking With Close-Ups” é o melhor exemplo, batida mesmo arrastada e alguns claps deslocados e bem presentes na mistura final. No final, “Leaving” sugere um possível encontro entre SPK e John Carpenter, deixando a ideia de estarmos em permanente sobressalto em relação a aparições de outros mundos.

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Quarta-feira, 10 Agosto, 2016

BRIGID MAE POWER Brigid Mae Power CD / LP

€ 12,95 CD Tompkins Square

€ 16,95 LP Tompkins Square

[audio:http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/TSQ5258-5.mp3]

O álbum estabelece muito cedo uma atmosfera de transe sentimental, colocando o ouvinte em suspensão através dos ambientes quase etéreos, não apenas facilitados pela voz mas também muito pelos arranjos. Piano com aquele tom vazio pronto a ser preenchido pela carga emocional de cada um; guitarra frequentemente dedilhada de forma repetitiva, mântrica, uma ou outra inclinação oriental, neste álbum gravado no Oregon por uma cantora irlandesa nascida em Londres. Facilmente seria tido como obra perdida de uma autora clássica, mas talvez Brigid esteja em linha para ser olhada como tal, no futuro. Para já, colaborações com Lee Ranaldo, Alasdair Roberts e Richard Dawson, entre outros, garantem a proximidade a alguns espíritos iluminados da arte da canção. No entanto, a cantora e autora revela autoridade na sua autosuficiência criativa, tocando acordeão, ukulele, piano e harmónio, para além de alimentar o fogo que origina as suas canções. Ficamos lá logo no início, com os mais de 6 minutos bastante devocionais de “It’s Clearing Now”.

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Segunda-feira, 8 Agosto, 2016

ZOMBY X BURIAL Sweetz 10″

€ 8,95 10″ (one-sided) Hyperdub

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HDB103-1.mp3]

7 minutos de Burial são sempre aguardados com expectativa elevada. Aqui contribui para o que será, proximamente, o novo álbum de Zomby, apresentado por este single limitado e adequadamente contido num lado apenas de vinil. O habitual trânsito melancólico nas faixas de Burial é comprometido por uma intervenção bem mais aguerrida e iconoclasta, talvez cortesia de Zomby. A escuridão e chuva características da corrente mais sombria do dubstep servem como base para um cenário de devastação bem explorado por ambos os produtores, algo que talvez não ofereça uma esperança muito brilhante no futuro mas que coloca em perspectiva a tendência naturalmente efusiva da música de dança. Presença constante de um fumo negro disruptor da segurança, uma boa imagem, em 2016, da realidade que Kode9 e Spaceape procuraram representar em “Memories Of The Future”. Música de combate, desconforto, estilo subterrâneo.

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Quinta-feira, 4 Agosto, 2016

BIOSPHERE Patashnik 2CD / 2LP

€ 12,95 2CD Biophon

€ 18,95 2CD Biophon

[audio:http://www.flur.pt/mp3/BIO4CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIO4CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIO4CD-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIO4CD-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BIO4CD-5.mp3]

Prossegue a operação de reedição dos primeiros álbuns de Biosphere. Geir Jenssen saiu dos Bel Canto para ficar conhecido como um dos nomes que definiu a electrónica associada à cultura rave na década de 90. “Patashnik” foi editado originalmente em 1994 e representa de forma bem perfeita a oscilação entre temas de dança e outros ambientais, contemplativos. Algumas intenções de ambiente são reforçadas pelo uso de samples (geralmente de filmes), fornecendo matéria para preencher o imenso espaço que, na época, servia especialmente como metáfora de expansão da mente. Adicionalmente, uma faixa como “SETI Project” já revelava a influência do drum & bass num formato anteriormente dominado, sobretudo, pela batida constante da house e techno (embora, como se sabe, a cisão entre house e hardcore já fosse mais que evidente, nesse ano de 94). Doze faixas extra na edição em CD reforçam a perspectiva, ampliam o horizonte, tornando-o mais nítido, como as palavras em bold. “Patashnik” subsiste como um objecto (chamemos-lhe assim) num cruzamento fulcral para a história da música electrónica.

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Quinta-feira, 4 Agosto, 2016

APHEX TWIN Cheetah MCD / MLP

€ 9,95 MCD Warp

€ 14,95 MLP Warp

OUVIR / LISTEN:
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Sem dúvida menos atribulado do que discos anteriores, recentes, de Aphex Twin, “Cheetah” precisa de menos BPMs para fazer a síntese do som de Richard D James. Desde logo, “CHEETAHT2 (LD Spectrum)” e “CHEETAHT7b” escrevem o sentimento predominante, ligeiramente ácido mas muito pausado e contido, que acaba por tornar este EP especial. Espécie de house narcótica contrariada mais à frente pelo mais reconhecível “CIRKLON3 (Kolkhoznaya mix) ” e, no CD, “2X202-ST5″. O trabalho melódico é claramente Aphex Twin, mantendo a chama nostálgica bem acesa por um som futurista que ele próprio inventou e que ainda não encaixa exactamente bem em nenhuma tendência de época. Respeito. Vocês sabem.

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Terça-feira, 26 Julho, 2016

WALTER FRANCO Revolver LP

€ 33,95 LP (2015 reissue) Polysom

[audio:http://www.flur.pt/mp3/332081-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/332081-5.mp3]

Segundo álbum de Walter Franco, inteiramente de sua autoria, um poço de experimentação no contexto pop, já então habituado a fortes retoques pelo menos desde que os Beatles popularizaram o estúdio como instrumento de pleno direito. “Revolver” é um disco difícil de categorizar, talvez ouçamos semelhanças com T-Rex aqui e ali, pontos de contacto com alguma psicadelia britânica dos 60s – apesar de, estranhamente, pensarmos nas bandas que, nas décadas de 80 e 90, reproduziam esse som, e não tanto nos originais. A voz é frequentemente deixada ao sabor e ritmo das palavras, como em “Eternamente” ou “Mamãe D’Água”, utilizando a fonética como recurso criativo e algumas ideias circulares como em “Partir Do Alto / Animal Sentimental” (“Foi meu mestre quem t’ensinou, foi teu mestre quem m’ensinou”, repetido várias vezes). Ouvimos um pouco de Zappa em “Toque Frágil”, rock rasgado vindo do outro lado do espelho, troglodita. À medida que avançamos no álbum vamos perdendo o pé, atirados para zonas em que não percebemos bem o que se passa mas de algum modo somos sempre sustentados pelo delirante fio criativo de Walter Franco, entre o que se esperaria de um autor brasileiro e alguém empenhado em mexer seriamente nas fundações da pop sem deixar de conseguir comunicar com as pessoas. “Bumbo Do Mundo” estica realmente as possibilidades, nesse contexto, afina a arte do músico por regras de outro tempo e outro espaço. No final, “Lembrar de esquecer, esquecer de lembrar” deixa bem presente a mecânica circular que dá poder às suas palavras.

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Sábado, 23 Julho, 2016

HEAD TECHNICIAN Zones LP

€ 17,95 LP Ecstatic

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ELP022-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELP022-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELP022-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELP022-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ELP022-5.mp3]

Nome de Pye Corner Audio para sons mais próximos do techno, navegando a quase sempre segura onda analógica. Não dizemos isto em tom depreciativo, nada disso, “Zones” cativa precisamente pela ligação a uma cena antiga que, já o tentámos dizer várias vezes, acaba por se autonomizar de qualquer ligação forte a uma época específica. Tanto soa a Warp e Rephlex como, mais para trás, a Front 242 puxado para um lado menos marcial ou Carpenter menos atmosférico. É um álbum sobre o qual não se justifica elaborar uma narrativa, já que a música nele contida tem um programa de acção muito próprio e estanque. A história ouve-se em cada faixa, serena, ligeiramente sombria, sempre ao lado da euforia de uma pista de dança mas procurando nunca perder o relacionamento com ela. Este som já nasce clássico.

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Sábado, 23 Julho, 2016

AFRICANS WITH MAINFRAMES K.M.T. CD / 2LP

€ 16,95 CD Soul Jazz

€ 24,50 2LP Soul Jazz

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SJRCD333-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SJRCD333-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SJRCD333-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SJRCD333-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SJRCD333-5.mp3]

Sem quartel, sempre! Jamal Moss e Noleian Reusse juntam-se outra vez como Africans With Mainframes, desta vez para um álbum inteiro de paranóia ácida naquela fronteira primordial onde house e techno se fundem numa unidade libertária. O apelo para conquistar novas almas nem é comprometido pela distorção, aspereza, má cara e esoterismo do programa, lançando a carta cósmica como garante da militância, porque em vez de se fechar, esta entidade consegue pela perseverança alargar o seu alcance nos seus termos, transportando a mensagem de não compromisso disco após disco. Um dos focos de guerrilha seguros na música actual, e mais gente devia saber disso.


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Sexta-feira, 22 Julho, 2016

V/A Digital Zandoli CD / 2LP

€ 13,50 CD Heavenly Sweetness

€ 22,50 2LP Heavenly Sweetness

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HS153-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HS153-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HS153-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HS153-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HS153-5.mp3]

Não pode ser apenas por enfado com o que se passa nos tradicionais pontos de origem da música de dança que se escuta nos clubes. Parece existir, de facto, uma competição não oficial entre coleccionadores, dealers, melómanos e outras formas de ser relacionadas com divulgação de música, em busca do mais obscuro, mais improvável e até, por vezes, do mais discutível. Em alguns casos reescreve-se a História, noutros apresenta-se a melhor versão, noutros ainda a música fala por si, sem grande contexto para ensinar como escutá-la. “Digital Zandoli” é um produto da actualidade mas também recorda, sendo uma editora francesa, os tempos em que sobretudo na França e na Bélgica se fazia uma miscigenação entre pop ocidental e sons exóticos. Não precisamos de ir mais longe do que Antena ou “Mambo Nassau” de Lizzy Mercier Descloux, editoras como a Crammed ou Les Disques Du Crépuscule. Até na banda desenhada se transmitia uma visão aberta em relação ao mundo pop, misturado em cor e perfume com cenários em África e Antilhas, sobretudo. É esta última região que “Digital Zandoli” apresenta. Aquele som sintético dos 80s moldado para zouk, disco e boogie, vozes em francês, inglês e crioulo, ideias adaptadas das capitais da indústria como Paris, Londres ou Nova Iorque mas sempre inequivocamente de outro local. Pensemos nas produções pop gravadas nas Bahamas, nomeadamente Grace Jones e Tom Tom Club, pensemos em músicos de estúdio influentes e versáteis como Wally Badarou, e começamos a entender porque a música em “Digital Zandoli” não pode ser considerada derivativa mas sim parte da inspiração.

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