Quarta-feira, 2 Novembro, 2016

RUPERT CLERVAUX and BEATRICE DILLON Studies I XVII For Samplers & Percussion LP

€ 21,50 LP Snow Dog

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Esta parceria entre Beatrice Dillon e Rupert Clervaux centra-se no sempre fascinante universo da percussão e, assim, “Studies I XVII For Samplers & Percussion” é tanto um disco africano como algo na linhagem de Steve Reich. São 17 peças relativamente curtas em torno do jogo rítmico improvisado acusticamente e reflectido através do sampler. A certa altura (faixa 7, por exemplo), soa como os ritmos mbalax que Mark Ernestus mostrou a mais gente quando gravou os Jeri-Jeri. Também soa quase techno, soa próximo dos de grupos marimbeiros de Moçambique, soa como DJ tool ou como um disco de percussões para uma editora de library. Escutamos uma variedade de sons, combinações e quebras que parecem nunca esgotar as possibilidades. De repente, outra ideia: pensem em mini-jams de krautrock a acontecer num dos ajuntamentos comunais na década de 70. Muito rico. E tão simples.

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Quinta-feira, 27 Outubro, 2016

V/A Imaginational Anthem vol. 8: The Private Press CD

€ 11,95 CD Tompkins Square

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O último reduto, para coleccionadores de discos, são as edições privadas, especialmente difíceis de encontrar porque geralmente não eram fabricados muitos exmplares nem entravam no circuito oficial de distribuição. Depois de a Light In The Attic ter reunido um lote de música fantástica numa compilação dedicada à New Age, vez da Tompkins Square chegar para abrir os pergaminhos de uma história alternativa da música norte-americana. O volume 8 nesta série dedicada a guitarra acústica apresenta catorze faixas simples e despojadas mas, por outro lado, carregadas com uma riqueza emocional e tímbrica muito abundante. Um dos reponsáveis pela recolha é Michael Klausman (da Other Music em Nova Iorque) e, para algumas coordenadas sobre os nomes obscuros, a editora revela que “Joe Bethancourt foi supostamente presenteado com uma sítara por Jimi Hendrix, e Perry Lederman foi alegadamente responsável por ensinar fingerpicking a Bob Dylan”. O raga de Bethancourt incluído neste álbum é intenso e esmagador na sua aspiração celestial. As possibilidades rítmicas e melódicas da guitarra são exemplificadas com mestria por músicos dedicados, para quem nos parece que tocá-la equivalia a uma sintonia com a sua própria essência, ou com a natureza (sendo ainda possível que os dois objectivos coincidam, em certos espíritos). À décima faixa, Jackdaw espanta todos os males, se não estavam já dispersos por aí. No final, “Blue Wind Boy”, de Russell Potter, sugere uma marcha pelo campo, ao longo do rio, como fariam Tom Sawyer e Huckleberry Finn.

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1. Perry Lederman – “One Kind Favor” (1:52)
2. The Keithe Lowrie Duet – “Snow Queen” (3:24)
3. Michael Kleniec – “Obadiah” (5:32)
4. Lee Murdock – “Where The Pinery Narrow” (5:25)
5. Tom Armstrong – “White Pines” (5:51)
6. Joe Bethancourt – “Raga” (6:03)
7. Kip Dobler – “The Presence” (4:36)
8. Herb Moore – “Wen Also Found” (7:15)
9. Nancy Tucker – “That Spanish Thing” (3:12)
10. Jackdaw – “The Diamond Cutter” (3:29)
11. Rick Dietrick – “Missy Christa” (3:58)
12. Gary Salzman – “The Secret Forces Of Nature” (7:38)
13. Stan Samole – “Prayer Blessing” (6:03)
14. Russell Potter – “Blue Wind Boy” (2:09)

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Quinta-feira, 27 Outubro, 2016

COIL The New Backwards CD

€ 12,50 CD Important

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A vida complicada dos Coil e o estatuto que rapidamente ganharam junto da comunidade de música obscura resultou, desde há muito, em edições esgotadas, especulação, artigos exclusivos e gravações nunca antes disponíveis. É nesta última categoria que se insere “The New Backwards”, reinterpretação de “Backwards”, o suposto álbum nunca editado nos anos 90 por Trent Reznor (Nine Inch Nails) “por causa de homens cinzentos”. Na época, John Balance (vamos normalizar aqui a grafia do seu nome, para efeitos de conveniência) e Peter Christopherson estavam no centro da cena de música industrial, no sentido de exercitarem colaborações com e remisturas para outros artistas. Foetus, Nine Inch Nails, Psychick Warriors Ov Gaia, entre outros. Após o celebrado “Love’s Secret Domain” em 1990, esse álbum em que se aproximaram claramente da cultura rave, vendo nela as possibilidades de expansão dos mundos esotéricos que já exploravam, Coil parecem passar por um período de normalização de uma certa corrente industrial mais rítmica, cruzada com o rock, talvez resultado da proximidade com Reznor. É esse período que “Backwards” retrata, a posteriori (a edição aconteceu apenas em 2015), e “The New Backwards” replica de forma livre. Livre porque Peter Christopherson se dedicou a recombinar sons desse outro álbum, acrescentando ainda outras sessões do mesmo período (algures entre 1992 e 94). O álbum foi incluído como extra numa edição especial de “The Ape Of Naples”, em 2008, mas merece o seu espaço próprio. Ei-lo, informando-nos mais a fundo sobre o passado electrónico dos Coil, as experiências com batidas, o modo estranho como a voz de John Balance pairava por cima, um avanço estilístico a partir de “Windowpane” e “The Snow”, mais hermético, próximo talvez de algum material que ouvimos nos discos de ELpH vs. Coil e na série de EPs dedicados aos solstícios e equinócios. Se são fãs, não precisariam nunca que vos convencêssemos. Não sendo fãs, “The New Backwards” não é a porta de entrada mais indicada para o coração dos Coil mas revela como a o género chamado “industrial” se reinventa permanentemente fora das normas.

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Quinta-feira, 27 Outubro, 2016

MODEL 500 Sonic Sunset 2×12″

€ 12,50 2×12″ (2014 remaster) R & S

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Reeditado para coincidir com o vigésimo aniversário do original (1994 – 2014). Juan Atkins simplesmente indica uma longa e larga estrada à nossa frente. Já distante da marca inaugural que deixou na história do techno, “Sonic Sunset” actualiza as premissas básicas do género, à luz de um período tecnológico e cultural muito fértil em imaginar o futuro. A música vagueia rápida por um espaço que parece não ter limite – oiçam o desenvolvimento da Calm Mix e continuem a partir daí. Por esta altura, talvez apenas Carl Craig estivesse mesmo a par desta classe de propulsão electrónica, plena de melodia e atmosfera. Repare-se também como “Neptune” transporta um pouco para os Kraftwerk, associação perfeitamente natural quando se ouve Model 500. Tudo preservado da melhor maneira.

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Quinta-feira, 27 Outubro, 2016

HIEROGLYPHIC BEING The Disco’s Of Imhotep LP

€ 15,95 LP (+ mp3) Technicolour

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Todo o mundo parece reclamar a sua parte no universo de Jamal Moss. A impressionante quantidade de edições recentes demonstra, de facto, o modo de vida deste homem, cuja produção quase parece ultrapassar as horas do dia. Neste álbum para a Technicolour / Ninja Tune, o seu tom baixa de intensidade e grão para se aproximar do que a sua música consegue de mais melódico e – digamos – limpo. É, no entanto, ainda suficientemente distorcido para que se perceba de quem se trata, ao ouvir o disco. A sensação geral é de uma viagem contínua, nem sequer interrompida pelas pausas entre as faixas, há qualquer coisa de eterno, ou inesgotável, neste som ancorado num suporte techno, inspirado por mitologias de um passado muito distante, movido por uma missão que só podemos interpretar como nunca terminada. “The Disco’s Of Imhotep” joga, de alguma forma mais ou menos impenetrável para nós, com a personagem do filme “A Múmia” (Imhotep), e assim liga tudo num cenário moldado a partir do Antigo Egipto. Captem “Nubian Energy”, Moodymann na pirâmide.

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Quinta-feira, 27 Outubro, 2016

MIKA VAINIO Mannerlaatta CD

€ 12,95 CD iDEAL

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Esta banda sonora para um filme sem câmara (apenas imagens a preto-e-branco resultantes de fotocópias de documentos de viagem) segura Mika Vainio em 2016, bem longe no seu percurso musical desde Ø e Pan Sonic. A definição de ambientes, independentemente do filme, oscila entre drone majestoso, feedback controlado e alguns desajustes electrónicos muito íntimos, querendo isto dizer que são meras pulsações eléctricas quase ao nível da frequência pura. Quase se diria que o filme de Mika Taanila é um mero pretexto para Vainio exercitar a sua escala de sons, sempre atencioso às subtilezas próprias de uma cuidadosa manipulação das máquinas. Algo de magnífico e preocupante acontece neste espaço ficcionado pelo som, limitado por uma rigorosa contenção de recursos, quase nada colorido, como um longo período de Inverno em que as cores se encontram no cinzento.

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Quarta-feira, 26 Outubro, 2016

MIKE & RICH Expert Knob Twiddlers 2CD / 3LP

€ 13,50 2CD (2016 reissue) Planet Mu

€ 28,95 3LP (2016 reissue) Planet Mu

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Isto foi incrivelmente especial em 1996. O encontro entre µ-Ziq e Aphex Twin juntava os dois nomes mais significativos na cena electrónica que saíu da rave para criar novo território (e novos paradigmas). “Expert Knob Twiddlers” mantém bem visível a postura destes produtores que nunca se levaram muito a sério. Se isso é mais notório quando pensamos em Aphex Twin, ao ouvir µ-Ziq (ou outros projectos de Mike Paradinas) ficamos logo ligados a uma ideia muito lúdica de som. Em ambos os casos, as referências à infância são muito presentes, isso também é explícito na capa do disco, onde ambos aparecem a jogar Downfall. Muito longe de techno ou house. O álbum mostra uma série de composições que tanto se inspiram na BBC Radiophonic Workshop como no mundo colorido da Exotica dos anos 50/60 que, por acaso, a meio dos anos 90, estava a influenciar alguma pop e alguma electrónica. Uma certa postura de jazz na desconstrução dos ritmos é também um ponto identificador da música. A estrutura soa bastante livre, há uma criatividade quase clássica nos arranjos, mas é precisamente isso que, aliado à estranheza dos sons, torna o álbum tão bom ainda em 2016. Gravado originalmente em 1994, durante o Mundial de Futebol nos EUA, foi cortado, preparado e editado por Richard D. James (Aphex) na sua Rephlex. A presente reedição foi remasterizada, a ordem original das faixas reajustada para uma outra narrativa e inclui sete faixas extra.

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Terça-feira, 25 Outubro, 2016

DJ NERVOSO EP 12″

€ 10,95 12″ Príncipe

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Para quem está activo agora na cena musical que gira em torno da Príncipe, DJ Nervoso começou tudo. Foi pouco depois do início do século, e as festas em que tocava tornaram-se lendárias na comunidade, conseguindo ele o privilégio de ser um dos raros DJs a ser requisitado para tocar em diferentes bairros. O nível de intensidade da sua música nem sempre foi bem compreendido, provocando por vezes alguma desordem nas festas. Mas para ele essa música sempre foi uma energia feliz, transbordante. Nervoso adaptou o padrão do kuduro angolano para poder tocar a batida sem alienar as pessoas que não sabiam dançar os passos certos associados ao género. Despiu a estrutura e, como se pode ouvir na sublime “27aca” (quarto clip de som), criou uma espécie de techno com base africana. Ouvimos algumas coisas de, por exemplo, DJ Firmeza e DJ Marfox e percebemos bem melhor o que eles querem dizer quando assumem a influência das batidas do Nervoso. Apesar dos anos e da autoridade, este é o primeiro EP em seu nome. Nervoso foi convidado a entrar na célebre compilação dos DJs Di Gueto em 2006, eles próprios influenciados por ele, juntando-se assim ao seu ídolo, mas a sua abordagem à produção sempre esteve mais ligada às festas em que ia tocar e não tanto ao desejo de reunir música para edições. Ele ri-se e diz que, normalmente, as suas faixas de que as pessoas gostam são as de que ele menos gosta. “Ah Ah” corre a um ritmo mais lento e tem a sua voz, em directo, a acompanhar a batida, parecendo ao mesmo tempo em esforço e alívio. Vão ouvir esta música poderosa feita na nossa terra, achamos que é importante.

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Terça-feira, 25 Outubro, 2016

NIAGARA São João Baptista 12″

€ 10,95 12″ Príncipe

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O início de ano fulgurante, por parte dos Niagara, abrandou nos meses de calor, mas unicamente porque há trabalho a fazer. No que se refere apenas à música (e a vida é bem mais que isso), os métodos mudam, há experiências constantemente a ser realizadas, instrumentos diferentes acrescentados ao lote e uma curiosidade enorme por parte dos três Niagara (Alberto, António e Sara). Eles próprios mudam o seu jogo, forçam-se novas questões para serem obrigados a novas soluções, e “São João Baptista” reflecte admiravelmente o que está diferente desde a última vez. A ideia de techno ou house está muito difusa, aqui, e recebe-se com naturalidade uma incorporação que diriamos bem próxima do jazz, tal como, em “Amarelo”, um intensificar do seu enamoramento por um compasso que já levou alguma imprensa a aproximá-los de um cenário pós-punk. O EP avança a estética, prende também mais à terra o ouvinte, com blocos de som bem concretos. A acústica é maravilhosa em “São João Baptista”, muitos deslizes por muitas plataformas e, se o som pode eventualmente soar austero, acreditem que se trata de diversão. Clássico instantâneo, e não o diríamos se não acreditássemos 100%.

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Terça-feira, 18 Outubro, 2016

TIM MAIA 1971 LP

€ 35,50 LP (2016 reissue) Polysom

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“A Festa Do Santo Reis” e “Salve Nossa Senhora” fixam bem no Nordeste do Brasil uma das sementes da música aberta de Tim Maia, informada também por convivência com Roberto Carlos e Jorge Ben (e a de estes músicos informada pela convivência consigo) e a ligação a um estilo de soul/funk norte-americano. Juntam-se guitarra ácida e cordas exuberantes e, então, estamos perante o caldeirão musical de Tim Maia. Toda a sequência inicial deste álbum vive da sobreposição de vários destes elementos, aos quais é acrescentada a voz muito viva (“trabalho / trabalho / no fim do mês não vejo um tostão”). Em “Broken Heart”, Maia soa como uma estrela pop internacional mas nem sequer da década de 70, mais da década anterior, quase no alvor da pop. O disco é vociferante, no que toca a uma extroversão pop com vontade de espalhar energia e cantar aos quatro cantos o que se passa. “Você” alterna entre o pomposo e orquestral formato quase Festival da Canção e a balada de segredar ao ouvido. Esse tom continua em “Preciso De Aprender A Ser Só”, chamando-nos mais uma vez para a emoção muito intensa na voz do cantor. Por vezes a guitarra mais ácida fica bastante sufocada na mistura mas, com audição cuidadosa, é claro que está presente, como se Tim Maia não quisesse abdicar de nenhuma parte constituinte do seu som. Robusto.

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Sábado, 24 Setembro, 2016

MANUEL GÖTTSCHING E2-E4 – 35th Anniversary Edition LP

€ 23,50 LP (2016 repress) MG.ART

[audio:http://www.flur.pt/mp3/MGART904-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/MGART904-2.mp3]

Como muitas outras peças de música, resultou de uma sessão privada que por acaso ficou gravada. Göttsching podia não ter registado este mantra de 59 minutos e simplesmente ter disfrutado no seu momento de iluminação da incrível elevação que esta música proporciona. Tudo aconteceu em casa, depois do regresso de uma tournée com Klaus Schulze, mas o alcance foi global. Em 2006, James Murphy (LCD Soundsystem) gravou «45:33» para a Nike e a justificação mais comum que ele próprio deu para ter aceite o convite foi que este era uma excelente oportunidade para fazer algo parecido ao que Manuel Göttsching havia feito com «E2-E4». Também em 2006, Joe Clausell intervém sobre originais de MG; no final de 2005, Prins Thomas chama simplesmente «Goettsching» a uma faixa; antes ainda, em 1989, surge a que é tida como primeira homenagem a «E2-E4», gravada em Itália por Sueño Latino (comum em produções italianas da época fazerem-se versões de clássicos da electrónica como Jean-Michel Jarre ou Vangelis) e revista em 91/92 por Carl Craig e Derrick May em Detroit. Vinte anos antes, em 1971, Göttsching gravava o primeiro álbum com Harmut Enke e Klaus Schulze sob o nome Ash Ra Tempel, durante toda a década de 70 uma referência constante na Música Cósmica produzida na Alemanha, apesar de o último álbum com esse nome ser de 1973. Os elementos dispersaram-se, alguns (incluindo MG) continuaram como Ashra e em projectos a solo.
MG grava em 1975 «Inventions For Electric Guitar» em seu nome e, mais pequeno, Ash Ra Tempel VI porque era o sexto álbum no conjunto da obra. Dois anos depois estreava o Episódio IV da saga «Star Wars» e o nome de R2D2 ficou para sempre como a base teórica para o título de «E2-E4», na verdade a jogada de abertura mais comum no xadrez. No final do seu contrato com a Virgin, Göttsching reconhecia que seria difícil editar o disco e, em 1982, o melhor que conseguiu foi uma reacção entusiástica de Richard Branson, entretanto desligado da Virgin-editora. «E2-E4» seria editado apenas em 1984, em LP, e só em 1990, com a edição em CD, a música foi realmente apreciada tal como tinha sido gravada: de uma só vez. Um take apenas e estava feito o mantra perfeito para todas as festas house, techno e trance que proliferaram nos anos 90. A densidade de textura, ambiência, o ritmo sugerido, são ainda hoje pilares que aguentam esta música em qualquer circunstância sem que se note sequer a idade, já que a electrónica utilizada não revela datação concreta. Como guitarrista, MG escolhe intervir apenas aos 30 minutos. Demorou tempo a convencer-se de que podia encarar a quase uma hora gravada como um álbum completo que acabou mesmo por substituir um outro que andava a planear há mais de um ano. O músico disse ainda que nunca tinha acontecido uma jam privada ficar perfeita, sem alterações abruptas de volume, efeitos técnicos ou tentativas falhadas. Teve de honrar o sucedido com uma edição integral da obra.

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Sexta-feira, 2 Novembro, 2012

V/A 122 Bpm The Birth Of House Music 2LP

€ 16,95 € 14,95 2LP Still Music

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A História continua a escrever-se, ou antes, já foi escrita e boa parte dos acontecimentos não estão nos livros. Ainda Chicago como fonte do que hoje é a corrente mais respeitada na house, onde toda a gente interessada no sumo primordial regressa, mais tarde ou mais cedo para rejuvenescimento. A energia nesta música é ainda impressionante e, para lá das mais habituais editoras Trax ou D.J. International, havia muita coisa a acontecer na cidade. “122 BPM” não é arqueologia no sentido extremo em que algumas notícias na net fazem crer, “musito antes de a Trax ou a D.J. International terem sequer sido sonhadas”. Não é nada assim, na verdade. Muitas das faixas neste disco são contemporâneas dessas duas editoras ou até posteriores aos seus primeiros discos. O que acontece aqui é uma ideia de como as coisas começaram em Chicago, alguns antecedentes e sobretudo, ênfase nas editoras Mitchball e Chicago Connection e na parceria de Nemiah Mitchell, Jr. com o seu filho Vince Lawrence. Este último esteve na génese do que mais tarde se chamaria House, ele fazia parte de Z-Factor, com Jesse Saunders, e a sua interpretação do som electrónico europeu resultou na produção que hoje associamos ao som clássico de Chicago. Não esquecer, no entanto, que tudo isto era vanguardista na época, mesmo as faixas mais soul, encarregues de passar o testemunho r&b para a nova geração. Não vale a pena destacar muita coisa, em “122 BPM”, mas “Shake Your Body”, de Jeanette Thomas, apesar de largamente citado ao longo dos anos, é sempre incrível e, representando um possível manifesto, “The Jacking Zone”, de Risque Rythum Team, diz as palavras mágicas. O primeiro dos 3CD é misturado por Jerome Derradji, bossman da Still Music e a sentir no corpo toda a herança. A versão em vinil resume tudo em oito faixas, terminando com McGhee, “I Got Broke Breakdancing”. Ambos os significados da palavra são válidos: teso, porque se gastou dinheiro em discos, e partido com os ângulos desta música.

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