Quinta-feira, 8 Dezembro, 2016

MASSIVE ATTACK Protection CD / LP

€ 8,50, CD Circa

€ 20,95, LP (2016 reissue) Virgin

OUVIR / LISTEN

Chegados a 1994, seria difícil aos Massive Attack conseguirem o nível sublime do álbum de estreia “Blue Lines” (1991). Sem problema. “Protection” é um clássico à primeira audição. 3D, Mushroom e Daddy G podem formar o trio de base mas os créditos são repartidos por vários outros nomes: Tracey Thorn, Horace Andy, Tricky, Nicolette, Craig Armstrong, Nellee Hooper, etc. A abertura em modo bem romântico (“Protection”) dá um certo tom ao álbum, pausado, introspectivo, sentimental, panorâmico e universal. “Three” pode ser a canção mais atípica, aqui, talvez por soar mais sintética, mas os arranjos são de tal forma superlativos e a voz de Nicolette é tão incrivelmente melancólica e sexy que soa, na verdade, inacreditável, sintético ou não. A música evolui num espaço confinado, confortável no fundo, entregando à voz a condução. Cada canção no álbum é um tratado em si mesmo, seguindo regras próprias, desde as samples usadas, aos vocalistas escolhidos e ambientes propostos. Se há fenda por onde algo se possa dispersar é unicamente no jeito de bónus da versão ao vivo de “Light My Fire” (Doors). Tudo o resto é concentrado para um impacto muito pouco vulgar em álbuns de dança dos anos 1990. Nunca será chover no molhado lembrar que discos assim existem e há pessoas capazes de os compôr.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Terça-feira, 6 Dezembro, 2016

TUXEDOMOON Desire / No Tears CD

€ 10,00 CD Cramboy (CBOY 3070 CD)

Exemplares originais da reedição alemã de 1987 / Original 1987 German re-release. EXC. Sound clips and sleeve not from actual copy.

OUVIR / LISTEN:
Desire (full album)
No Tears (full EP)

Esta reedição da Crammed revisita alguns dos primeiros anos de uma das bandas norte-americanas mais europeias na música popular. “Desire” (1981) é um documento musical romântico, tem algo da perdição do século XIX, algo de cabaret vanguardista dos primeiros anos do século XX, mapeia um possível caminho de fuga às convenções do rock (que é, no fundo, ainda a base de tudo isto). Com a distância, pode apontar-se o dedo ao excesso de pretensão artística e drama, mas é precisamente dessa massa que Tuxedomoon moldaram um dos percursos mais sui generis na música independente dos 80s. Algumas passagens pela cold wave e pós-punk apenas fixam o grupo naquela época, não nesses géneros. “Incubus” liberta-se facilmente de comparações com Ultravox (fase Vienna) ou Visage; “os 7 minutos de “Desire” juntam na perfeição baixo e caixa de ritmos, a voz falada, em vez de cantada, acrescenta seriedade e estilo incrível à estética que une o todo. “So what else is new? There’s nothing new to say, nothing new to do, but you’re still breathing, just like always.” É um excerto de “Again”, reflectindo sobre ciclos da vida que também podem ser ciclos na criação, admitindo, em última instância, que a personalidade se faz apoiada em outras. O rasto do som de orgão, em várias das faixas, dá um tom mais solene, mesmo quando, em “In The Name Of Talent”, a voz já faz bem esse trabalho e a linha de baixo sintética até pareça tentar desviar o foco para uma pista de dança. Aí nos encontramos nos momentos emblemáticos do EP “No Tears” (1978). “New Machine” ecoa SPK do mesmo período e um forte tom glam na voz que soa a Bowie em lamento. “Litebulb Overkill” e o som de violino já é Tuxedomoon bem formado; “Nite And Day” é cinzento como a música contrária daqueles tempos, muito mais britânica que americana, e um toque bem bizarro é fornecido pelo orgão de feira popular, contraste total com a voz que se desfaz em desespero. “No Tears”, no fim, é O clássico synth punk, devidamente recuperado há mais de uma década nos clubes, enquanto impiedosamente entoa “No tears for the creatures of the night”. Não são discos divertidos nem têm de o ser. Poucos exemplares descobertos em armazém do CD original que saiu para o mercado em 1987.

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Terça-feira, 6 Dezembro, 2016

GEMINI The Music Hall 2LP

€ 20,95 2LP (2016 reissue) Chiwax

[audio:http://www.flur.pt/mp3/CGTX006-2-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CGTX006-2-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CGTX006-2-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CGTX006-2-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/CGTX006-2-5.mp3]

O loop dos tempos vai sempre apanhando novos anos, no seu avanço em espiral para recuperar coisas idas. Chega a vez deste álbum de 1999, cuja história se pode resumir em representatividade e qualidade. Representa aquele período, sim, de forma brilhante, e é talvez apenas mais um álbum de house mas o que dizer sobre isso quando a música se encontra a este nível? “Imagine A Nation”, outro álbum de Gemini (1997) recentemente reeditado, mostra que a importância da música é não apenas sentida mas praticada por produtores que buscam patamar semelhante de personalidade e musicalidade por cima dos seus beats. A capa de “Music Hall” mostra um auditório, deslocando a música da pista de dança, como se fosse uma tentativa de passar a mensagem: “sentem-se, oiçam”. O facto de as cadeiras estarem todas vazias também pode significar que não restou ninguém para apenas escutar porque toda a gente se levantou para dançar. Imaginamos cenários, é claro, mas só porque há pouquíssimo a dizer sobre música auto-suficiente como esta.

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Terça-feira, 29 Novembro, 2016

FALTYDL Heaven Is For Quitters CD / 2LP

€ 12,50 CD Blueberry Records

€ 19,95 2LP Blueberry Records

[audio:http://www.flur.pt/mp3/BBRCD001-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BBRCD001-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BBRCD001-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BBRCD001-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BBRCD001-5.mp3]

Da passagem pela Planet Mu e Ninja Tune, FaltyDL concentra o fogo na sua Blueberry Records para este álbum onde segue a sua ideia particular de “bass”. Sempre soou à superfície mais britânico do que norte-americano (está baseado em Brooklyn), mas a sua música, ouvida com detalhe, esbate essa consideração. Há música esperançosa como em “River Phoenix” e “Frigid Air” (com Mike Paradinas), até uma espécie de house de Nova Iorque em “Bridge Spot”; alguns temas vocais com Hannah Cohen e Rosie Lowe remetem para um brilho fluorescente da pop e r&b mainstream; ouvimos ainda algo que soa como um prolongamento, uma continuação, de dubstep, já só com alguns fios originais; “Neeloon” tem o mesmo espaço e ambiente que costumamos ouvir em Fatima Al-Qadiri e o resto do álbum vagueia por uma zona indefinida numa cidade no futuro próximo, partes iguais de esperança, melancolia, sofisticação tecnológica e, importante, espaço de contemplação.

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Quarta-feira, 16 Novembro, 2016

OMAR-S feat. NITE JEWEL Side Trakx Vol#5 – Sky Train 12″

€ 14,50 12″ FXHE

[audio:http://www.flur.pt/mp3/AOS510-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AOS510-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AOS510-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AOS510-4.mp3]

A série “ao lado” de Omar S apresenta uma canção direita com a voz de Nite Jewel. “Sky Train” é segura não só pela voz doce e entoação ligeiramente épica, no refrão, mas também pelo trabalho de teclas de Ian Finkelstein, a servir como uma espécie de duplo da voz. A canção avança sem vergonha, nada aqui é “alternativo” ou “underground” por definição e se Omar S consegue afirmar que isto também é a sua persoanlidade, então apenas sentimos que o assunto está longe de encerrado, no que toca à música que ainda poderá oferecer-nos. A versão Chattanooga abre muito espaço para as teclas solarem, como Mandré e Dâm-Funk depois dele. As vibes até mandam aquele espírito de Natal. Há ainda uma versão ambiental, com as mesmas teclas a dirigirem todo o show, acompanhadas pelo baixo, sem batida, e uma Austin TX Mix instrumental, com todos os elementos no lugar, acrescentados de um tapete de teclas completamente Stevie Wonder. Engulam esta :)

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Quarta-feira, 16 Novembro, 2016

VETSON ANDROY / JAOJOBY Mavandesa / Taratasy Maitso 7″

€ 8,50 7″ Sofrito

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SSS018-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SSS018-2.mp3]

Island Series: Madagascar

Algo de muito complicado parece estar em acção em “Mavandesa”, com ecos e arritmia a dominar a construção da música. A liberdade inicial do orgão entrega o bastão, progressivamente, às vozes que, mais à frente, fecham quase em loop numa repetição obsessiva que acrescenta hipnose e força a esta música extraordinária. Incrível. Também de Madagascar, Jaojoby é aqui representado por uma faixa do álbum “Velono” (1994), mais tradicionalmente africano, rápido, na linha de funaná ou mbalax (jeri-jeri, por exemplo), voz enérgica e um groove de cair. Bomba.

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Sábado, 12 Novembro, 2016

OV / DIEGO Perc Song / Crack 12″

€ 13,50 12″ Future Times

[audio:http://www.flur.pt/mp3/FT039-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/FT039-2.mp3]

E periodicamente regressamos à Future Times, na essência para lembrar a importância fulcral que esta editora tem na música de dança actual. Algures entre jams perdidas nos 80s, brilho nostálgico a incidir sobre tecnologia que era então novidade e um sentido muito desviado de musicalidade, “Perc Song”, de OV, evolui de forma muito sinuosa, exigindo movimentos que uma pista de dança poderá não conseguir colocar no chão, e abre um espaço de exotismo que temos reconhecido em vários discos recentes, um território não necessariamente oriental mas que, como em boas fantasias futuristas, remete para sons e tons do Extremo Oriente; Diego tira um tempo dos Pharaohs e de ser Suzanne Kraft, entre outros aliases, e consegue o que soa a cruzamento entre “Windowlicker” de Aphex Twin e qualquer coisa melódica na Mood Hut (ou na própria Future Times). Ondas de emoção chegam com calma, afastam-se com calma, indiferentes ao ritmo complicado das batidas. Nos últimos 2 minutos, as ondas ganham protagonismo e dirigem o nosso olhar ao horizonte. É bonito.

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Quinta-feira, 13 Outubro, 2016

BITORI Legend Of Funana CD

€ 13,95 CD Analog Africa

OUVIR / LISTEN:
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A Analog Africa vendeu a colectânea “Space Echo” como “The Mystery Behind The Cosmic Sound Of Cabo Verde Finally Revealed”, enquanto Bitori é “The Forbidden Music Of The Cape Verde Islands”. Estas palavras de marketing aguçam o interesse de quem precisa de um pretexto “misterioso” ou “proibido” para entrar na música. Se já sabemos que a história que apoia “Space Echo” tem muito de romance, no caso de Bitori parece haver evidência de que o funaná era uma música de resistência, identificada com a luta pela independência e, logo, pouco apreciada pelas autoridades. Também vista como menos nobre, por comparação com a morna. E se o ferrinho e acordeão (gaita) podiam espelhar a utilização dos mesmos instrumentos no folclore português, então as mornas seriam o equivalente do fado. Bitori só gravou em 1997, depois de praticamente duas décadas em que a música foi retomada e intensificada. Bulimundo, Finaçon e, mais tarde, Ferro Gaita, carregaram a tradição de funaná, que não tinha assim tantas décadas de existência. Música extrovertida, na essência, apesar de algumas variações reduzirem a rapidez do ritmo e introduzirem cambiantes no tom festivo. Baixo e bateria acrescentam mais batida e pulsação, e a música de Bitori avança com convicção e alegria enquanto a dança se estende. Não parecendo, é uma dança que se pratica com um par.

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Sexta-feira, 22 Julho, 2016

STEVEN JULIEN (FUNKINEVEN) Fallen CD / 2LP

€ 14,50 CD Apron

€ 21,95 2LP Apron

[audio:http://www.flur.pt/mp3/AA01-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AA01-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AA01-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AA01-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/AA01-5.mp3]

Funkineven, Funkinevil (com Kyle Hall) e, em “Fallen”, Steven Julien. O álbum está a ficar regular em listas de melhores de 2016, sustentado por uma cadência variada entre broken beat, techno, house e jazz. Julien parece olhar para o ano 2000 (data meramente de referência), retirando do que já acontecia em Londres, de onde é oriundo, uma inspiração aberta que permite não fixar a música em local muito seguro. Jazz a imiscuir-se no modo como as batidas são organizadas, Espaço de Detroit por cima, basta levantar os olhos, as melodias raramente estão de acordo com os padrões e, se há outro eco, outra tentativa de designação, então terá de ser “fusão” ou semelhante. De uma forma já muito informada pelos anos, mas o que Steven Julien consegue neste álbum entre jazz e techno recorda algo do que acontecia entre jazz e funk, na década de 70. Não se trata de um choque mas de um encontro, já estamos todos mais que habituados à convivência de géneros e é tudo uma questão de sentir como o encaixe é realizado pelos músicos e produtores, incluindo os desvios à norma. “Fallen” caiu em graça.

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