Quinta-feira, 15 Dezembro, 2016

NUNO MOITA / CARLOS SANTOS Cinza LIVRO + CD

€ 19,95 LIVRO + CD Grain Of Sound

Carla Carbone cita Susan Sontag no texto introdutório de “Cinza”, escrevendo que graças ao olhar do fotógrafo, “o presente transforma-se em passado”. Cinzento é a cor absolutamente dominante nas fotografias de Nuno Moita, sobressaindo numa delas a frase “days of gray”. As sobreposições, exposição prolongada e colagem de referências e locais são os elementos que desviam de forma clara estas imagens da mera representação para o domínio do irreal, como a ideia de que os sonhos são nebulosos. Estas fotografias não são os sonhos mas sim a neblina que julgamos envolvê-los. Moita pediu a Carlos Santos uma banda sonora e , enquanto nas fotografias vemos e sentimos o corte, a “descontinuação”, a música incluída no CD oferece uma experiência constante de quase tranquilidade, parecendo por vezes ilustrar a tal neblina, outras vezes um local que se reconhece numa ou outra imagem. O som parece estabilizar o caos visual, mas também instala o seu próprio caos quando, numa das faixas, a voz que sussurra vai questionando as palavras “música” e “som”, o que são, o que podem ser. Tomados em conjunto, livro e CD são uma experiência forte de recolhimento.

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Quinta-feira, 15 Dezembro, 2016

BURIAL Young Death / Nightmarket 12″

€ 8,95 12″ Hyperdub

[audio:http://www.flur.pt/mp3/HDB100-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/HDB100-2.mp3]

Menos de 15 minutos de Burial mas, 3 anos depois de “Rival Dealer”, aceitar-se-iam meros 5 minutos de vislumbre deste mundo escuro, permanentemente submerso em estática (facilmente confundida com chuva) e com um enorme potencial de redenção e de luz à espreita. Quando a voz diz “I will always be there for you” não é muito importante que o tom geral seja sombrio, interessa sim o que se adivinha. Os resquícios de UK Garage são muito difusos, o calor não é destinado à pista de dança mas ao íntimo, e de “Young Death” para “Nightmarket” sente-se essa distância em relação aos clubes, embora a sugestão de estarmos mesmo ao lado seja forte. Passear numa cidade, à chuva, de noite, ouvir os sons do ambiente e confiar que os nossos passos sigam na direcção certa.

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Quinta-feira, 15 Dezembro, 2016

DON’T DJ Musique Acephale 2LP

€ 21,95 2LP Berceuse Heroique

[audio:http://www.flur.pt/mp3/BH031-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BH031-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BH031-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BH031-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/BH031-5.mp3]

“Musique Acephale” talvez no sentido em que é música rítmica que dispensa grande exercício intelectual. Na linha do que conhecemos associado ao colectivo Salon Des Amateurs, do qual Don’t DJ faz parte, com Stefan Schwander (Harmonious Thelonious) e Marc Matter (Institut Für Feinmotorik), o centro é a batida e a partir daí todos os cantos são alcançados. Don’t DJ chega de um ano incrível, com edições na Berceuse Heroique e na Sexes a voarem e por vezes nem sequer ao alcance da nossa vista, e “Musique Acephale” parece condensar a experiência desta música numa edição maior, dupla, significando isso também que a imersão no ritmo é mais intensa. O álbum dá seguimento ao trabalho que, por exemplo, Kreidler e To Rococo Rot fizeram quando começaram a praticar uma visão particular que unia kraut e pós-rock, assente em minimalismo rítmico. No caso de Don’t DJ, talvez o próprio já tenha explicado tudo quando intitulou o seu disco anterior “Authentic Exoticism”. É um exercício de navegação à distância perfeitamente executado a partir da ideia de Oriente, circum-navegando África até chegar ao Ruhr. Agora em Santa Apolónia.

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Quinta-feira, 15 Dezembro, 2016

V/A 41′ 36 LP

€ 17,50 LP Sky Walking

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING02-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING02-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING02-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING02-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SKYWALKING02-5.mp3]

OK, qual é a surpresa aqui? Sky Walking, o grupo, são 3 elementos associados à Dial Rec (RVDS, Lawrence e Christian Naujoks). O seu óptimo álbum de jazz electrónico, em 2014, tem sequência, como número 2 no catálogo Sky Walking, com esta compilação de música produzida por gente próxima da Dial e alguns nomes dispersos pelo underground electrónico da actualidade, a partir de um centro localizado em Hamburgo. O som puxa algumas ligações à música concreta, jazz mais exploratório e um toque de vanguardismo até no título que referencia John Cage. A abordagem mais selvagem de Gebrochene Beine encerra uma aventura com nuances estéticas que não deverão deixar ninguém insatisfeito. Sem necessidade de uma referência que aproxime este disco do universo de música de dança mais associado à Dial, “41′ 36″ vagueia livre pelas possibilidades da electrónica e, concentrado numa só linha, pode evocar Peter Brötzmann com Radian e Fennesz. Bravo.

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01. Sergei Tcherepnin – Queer 1
02. Sollmann & Gürtler – Gegen Die Zeit
03. Nowerk – Clarion
04. Eve Essex & Dan Fox – Nose
05. Sky Walking – Fordite
06. Konrad Sprenger – Sustain
07. Misanthrope CA – Jungle Troops
08. Keller G – Empathy Stalk And Sain
09. Nika Son – Drissk
10. Gebrochene Beine – Lächeln

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Quarta-feira, 14 Dezembro, 2016

V/A / PSYCHEMAGIK Ritual Chants 3CD

€ 14,95 3CD Eskimo

Chegamos aqui ao final de 2016 já bem rotinados na experiência das compilações organizadas por Psychemagik e com a noção muito nítida de que é um privilégio ter acesso à selecção que fazem. “Ritual Chants” continua a nobre linhagem de obscuridades virtualmente impossíveis de coleccionar, nomes que provavelmente nunca conheceríamos de outra forma, autores de discos que dificilmente compraríamos sem ouvir primeiro. É magnífico este trabalho de transmissão de conhecimento e património que, prestando atenção à música, parece vir das estrelas e navegar em águas tranquilas mas com vento a favor, antes de chegar à areia branca de uma praia tropical. Ouvir o disco de seguida é como experimentar um sonho acordado, encarnar uma personagem numa série de enredos fantásticos como os níveis diferentes num jogo costumam trazer novos cenários de fundo.

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CD1 “Love”
1. Man Parrish – Water Sports
2. The Rias Orchestra – Amram
3. John J. Francis – God’s Garden
4. Chac Mool – Ofrenda
5. Kraan – Silky Way
6. G.R.C. Five – Saga Of A Secluded Swamp Monster
7. Free Fantasy – Caroline
8. Jeanette – L’Amour Joue Au Violon
9. Wavemaker – Tunnel Of Love
10. Bobby Lyle – Making Love
11. Babla & Kanchan – Aay Mere Dil
12. FG’s Romance – What Is Love Today?
13. Etienne Vermoessen & Guido Delo – Easy Morning
14. Musyl & Joseppa – Follow Me
15. Karat – Auf Den Meeren

CD2 “Beach”
1. El Sueño De Hyparco – Rhodas
2. Tony Wilson – Hangin’ Out In Space
3. Zru Vogue – Do The Zru
4. Golden Hands – Take Me Back
5. Minako Yoshida – Black Moon
6. Adrian Gurvitz – New World
7. Hitomi Tohyama – Wanna Kiss
8. Chagrin D’Amour – Ciao Katmandou
9. Amini – Habibi
10. Electric Machine – Fancy Good
11. Jean Guy Ruff – Cover Girl
12. J.M. Black – Lipstick (Shout!)
13. Danny Boy – Discomix

CD3 “Dance”
1. La P’tite Fred – Stormy Love Affair
2. Ennio Morricone – Dance On
3. The Right Combination – I’m Still In Love With You
4. Sharpio – Dance Drome (We Can Make Your Body Move) (Instrumental)
5. Mansour Sallama – Love And Happiness
6. Grant Santino – Try Love
7. Dionne – Come Get My Lovin’
8. Will To Power – Say It’s Gonna Rain (Acid Rain Dub)
9. Raoul Denis Jr – Ti Gason (Fe Respew’)
10. Dan Lacksman – Love You Every Day
11. Pop Corn Makers – Nothing
12. Family Four – En Häst Utan Namn

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Quarta-feira, 14 Dezembro, 2016

DEMDIKE STARE Wonderland 3CD / 2LP

€ 20,50 3CD Modern Love

€ 25,50 2LP Modern Love

[audio:http://www.flur.pt/mp3/LOVE105-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE105-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE105-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE105-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/LOVE105-5.mp3]

Os olhares cinematográficos dos Demdike Stare começaram a desaparecer algures entre “Elemental” e a sua série “Testpressing” (a edição em CD de “Wonderland” traz esse bombom, os temas todos da série “Testpressing”). “Testpressing” foi um campo de testes avantajado. Não é que tivessem a experimentar a 100%, mas claramente foi a construção da ponte para este “Wonderland”. Os primeiros da série eram mais drum’n’bass/jungle, criavam estímulos para dançar. Ao longo da série isso foi sendo desconstruído e no final quase só sobrava uma ideia animalesca da coisa, sem a componente de dança, mas também sem ser exactamente mental. É como se depois da “ambiência” dos primeiros discos, o duo procurasse uma forma de escalar essa ideia de cinematografia, de paisagem, sem memórias da Basic Channel, Chain Reaction, mas a partir da memória da música de dança britânica, e sem a abstração de um Lee Gamble, o lado físico de Powell e a componente meramente visual dos próprios Demdike Stare. Tiveram a coragem de expor os seus testes, digamos assim. Mas depois de tirarem a roupagem ao longo dos “Testpressing”, perceberam que não poderia ser só isso, que um novo álbum não se poderia enfiar no limbo que ficou de uma coisa que queriam sair. O que acontece em “Wonderland” é maravilhoso, é uma mistura perfeita entre o sintético e o real-sintético, ou seja, entre o falso e uma ilusão do real. Criam espaços exóticos futuristas enfiados em ideias do passado, num estilo mais virado para o dancehall mas que torna impossível a concretização da dança. É um disco com uma narrativa de outro tempo, mas que nunca funcionaria noutro tempo, só agora, e provavelmente no futuro. E apesar dos Demdike Stare hoje não serem uma banda-sonora perfeita para as noites de inverno (como eram em “Tryptych”), são o centro do universo actual no encontro entre a dança, o mental e o revisionismo. Há coisas lindas a acontecerem em “Wonderland”.

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Sexta-feira, 9 Dezembro, 2016

BLACK BOMBAIM & PETER BRÖTZMANN CD / LP

€ 10,95 CD Lovers & Lollypops / Shhpuma

€ 19,95 LP Lovers & Lollypops / Shhpuma

[audio:http://www.flur.pt/mp3/SHH026CD-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SHH026CD-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/SHH026CD-3.mp3]

Provavelmente um dos encontros mais felizes entre Portugal e Alemanha nos últimos anos. Black Bombaim de um lado, Peter Brötzmann do outro, juntos num jogo de complementaridade que não lhes é estranho. Os Black Bombaim já puderam contar com saxofone noutros momentos (Rodrigo Amado e Steve Mackay), e para Brötzmann isto é como circular numa autoestrada vazia. Há uma fluência extremamente pacífica entre as duas linguagens e a produção está no ponto para não permitir que em algum momento alguma voz se sinta mais forte do que a outra. Esse equilíbrio, ou equidade, contribui para que o disco seja uma coisa escorreita e potente do início ao fim. O encontro não multiplica o poder de cada x 2, mas cria uma mantra cósmica de jazz-rock que é maravilhosa ao longo de 45 minutos.

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Sexta-feira, 9 Dezembro, 2016

SHAFIQ HUSAYN On Our Way Home 12″

€ 8,50 12″ Eglo

[audio:http://www.flur.pt/mp3/EGLO52-1.mp3]

Em avanço do próximo álbum “The Loop”, Husayn (Sa-Ra) mostra aqui uma faixa apenas e o nosso queixo cai. Com Fatima e Jimetta Rose na ajuda, “On Our Way Home” é um clássico soul moderno. A produção complicada, estranha, dissonante até, ajusta-se perfeitamente à energia positiva, poderosa, das vozes. A narrativa começa quase em regime de afinação de instrumentos numa banda para depois abrir com voz e ritmo. A progressão atrai todo o tipo de pontuações elevadas e adjectivos favoráveis, como se abrissemos janela após janela para a mais deslumbrante paisagem que se possa imaginar. Soa como expressão de vida e também um certo fim de linha, porque ao ouvir as palavras “on our way home” podemos pensar naquele local mítico onde cada um de nós gostaria de acabar os seus dias. Apenas Sol e um corpo cheio de saúde. Este disco!

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Sexta-feira, 9 Dezembro, 2016

ROMARE Love Songs: Part Two CD

€ 14,95 CD Ninja Tune

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ZENCD234-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ZENCD234-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ZENCD234-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ZENCD234-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ZENCD234-5.mp3]

Romare ganhou nome ainda com os dois maxis editados pela Black Acre em 2012 e 2013. É precisamente a partir de um deles, “Love Songs: Part One”, que parece evoluir este segundo álbum para a Ninja Tune. Com uma ciência de beats e breaks alargada, o produtor inglês alcança alguns tons africanos ao mesmo tempo em que se sente à vontade nas linguagens derivadas do Bass e ainda evoca o regresso do punk funk (2002-2003) e o trip hop menos açucarado dos 90s. No entanto, uma canção como “Come Close To Me” soa directamente nascida em 2016. Uma grande terra de ninguém, identificada ao longo de um álbum bastante discreto que encontra naturalmente o seu lugar sem que seja necessário falar em “génio” ou “surpresa”. É simplesmente um bom álbum.

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Sexta-feira, 9 Dezembro, 2016

F_NT_SM u_u_u CASSETE

€ 6,50 CASSETE Urubu Tapes

[audio:http://www.flur.pt/mp3/UUU006-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/UUU006-2.mp3]

Fantasma (vamos chamar-lhe assim, com as vogais) apresenta dois lados do que soa a feedback controlado, uma herança muito nobre do som subterrâneo de tempos antigos, evocando as acções pioneiras de quem procurava uma expressão através do ruído. No entanto, a intimidade com as máquinas, neste processo de descoberta, tem sempre tudo para soar “como se fosse a primeira vez”. O tacto cuidadoso, a escuta e as decisões tomadas com base nela, a manipulação em cima de uma dinâmica já em andamento, a qualidade grave do som, tornam “u_u_u” bastante real e físico para quem, deste lado, apenas ouve sem ter de intervir. A ideia de felicidade está longe, mas isso não parece assustador.


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Sexta-feira, 20 Abril, 2012

JOSÉ AFONSO Cantares do Andarilho CD

€ 14,95 € 12,50 CD Orfeu (remasterização digital)

[audio:http://www.flur.pt/mp3/ORFEU35020-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ORFEU35020-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ORFEU35020-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ORFEU35020-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/ORFEU35020-5.mp3]

Com edição original em 1968, “Cantares Do Andarilho” teve, pela Movieplay, uma edição CD em 1996. Pode não querer parecer muito, mas voltar a ter o selo Orfeu em 2012 é simbolicamente importante. Mas talvez o mais importante é ter tido uma atenção técnica exemplar ao ser remasterizado com todos os bits necessários a partir dos masters originais. O senso comum de todos nós agradece e assim começa a reedição da obra de um dos maiores nomes da música portuguesa – “Contos Velhos, Rumos Novos” faz companhia nesta primeira empreitada. Assim que chegou do Ultramar, Zeca Afonso assinou contrato com Arnaldo Trindade da Orfeu que o obrigava a editar um long play por ano. Concretizando ideias assentes desde o início da década de 60, “Cantares Do Andarilho” espanta os seus pares por retirar da sua música (e das suas raízes que abraçavam profundamente o fado de Coimbra) a sacrossanta guitarra portuguesa. É Rui Pato quem o segue, à viola, numa relação feita em 62 quando ainda era um jovem adolescente. Juntos transformam ideias em canções (nenhum deles lidava com partituras), e canções em “Cantares De Andarilho”, numa estreia vista à distância como ingénua mas sem se desviar de tudo o que pensou bem cedo quando em 1962 andou por Coimbra à procura do par ideal para o seu sonho.

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Terça-feira, 17 Abril, 2012

JOSÉ AFONSO Contos Velhos Rumos Novos CD

€ 14,95 € 12,50 CD Orfeu (remasterização digital)

Depois do primeiro passo de “Cantares Do Andarilho”, onde de certo modo reveste o seu passado coimbrão com uma ideia de cantautor, novos futuros se edificaram na cabeça de Zeca Afonso. “Contos Velhos Rumos Novos”, que aparece no ano seguinte, em 1969, tal como acordado contratualmente com a Orfeu, explica-se pelo seu título. O ritmo aparece nas suas canções como resultado da influência dos seus tempos em Moçambique, mas também pela utilização da música tradicional portuguesa. Rui Pato, acompanhante solitário de Zeca no álbum de estreia, estende os seus dotes para a percussão, juntando-se a Adácio Pestana, José Fortunato e Sousa Colaço para formarem o grupo de músicos de “Contos Velhos”. Contudo, não é o facto de aumentar a complexidade musical que afasta a lírica de Zeca dos seus temas – está lá o reflexo da opressão da ditadura, bem como as palavras de ordem para lutar contra ela. Por estes dias, tanto a sua música como a sua vida já eram escrutinadas ao pormenor – pelo sistema, mas sobretudo pelo povo. E bastam os dois minutos de “Qualquer Dia” para se vislumbrar, mais que um desejo, uma profecia de liberdade.

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