Super Disco #9 (c/ Manuela Paraíso)
Quarta-feira, 12 Maio, 2010Categoria: Ao vivo
Etiquetas: Manuela Paraíso, MK2, Rádio Oxigénio, Super Disco, Teatro, Teatro Maria Matos, The Flying Lizards

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 15 de Maio 18h30 > 20h00.
Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.
Manuela Paraíso é uma paixão antiga. Depois da iniciação com António Sérgio, da continuada exploração do que se chamava (e de certa forma ainda se chama hoje, embora num contexto completamente diferente) “música alternativa”, chegava-se a um ponto em que o universo pop/rock indie já não era suficiente. “O Fogo E O Gelo”, programa de rádio realizado por Manuela Paraíso na Rádio Azul em Setúbal na segunda metade da década de 80, teve uma importância de formação que não se consegue transmitir eficazmente hoje em dia. Juntamente com “O Crepúsculo dos Deuses” (Paulo e Fred Somsen + Eugénio Teófilo) na Rádio Universidade Tejo, foram horas de rádio a mostrar novos sons fora do loop pop/rock: EBM, industrial, neo-clássico, noise, electrónica e muitas coisas sem classificação. Os próprios separadores e jingles das emissões eram objecto de curiosidade – como explicar o entusiasmo em descobrir, anos mais tarde, que a música X era um dos jingles em “O Fogo E O Gelo”? Não dá.
Manuela Paraíso escreve sobre música desde 1980 (Música & Som, Blitz, Se7e, Ícon, Première, Vogue, etc.); fundou e dirigiu o jornal LP, meteoro fugaz na imprensa musical portuguesa entre 1988 e 89; foi DJ na Jukebox entre 1983 e 84; realizou vários programas de autor em diversas rádios e em 1996 fixou-se na Rádio Paris Lisboa (actualmente Rádio Europa Lisboa), onde assina, desde 2007, o programa de divulgação de música erudita portuguesa “Na Outra Margem”. As aulas de piano, ainda criança, deram-lhe a formação clássica necessária para compreender as regras quebradas pela música que divulgava mas também a base fundamental para sentir a paixão por música clássica e erudita que forma o essencial do seu trabalho actual de divulgação. Presentemente é colaboradora do JL, na área da música erudita, da nova revista Glosas, e desenvolve vários projectos de produção e audiovisuais ligados a música erudita portuguesa.
O seu Super Disco é o primeiro álbum dos Flying Lizards, homónimo, editado originalmente pela Virgin em 1979. O single “Money” foi um êxito inesperado para um grupo pensado como uma farpa no coração da indústria pop – o álbum é composto por versões de antigos hits pop e soul (coisas da Motown, etc.) revistos com o descaramento experimental do pós-punk mais arrojado. David Cunningham era já, então, figura importante na música improvisada britânica, e as técnicas e sons que transportou para a pop não tiveram precedentes. A música propositadamenbte “desajeitada” e as vozes femininas esvaziadas de emoção foram uma provocação explícita à formatação pop açucarada. Disco muito importante para reforçar, ainda hoje, a ideia de que a pop precisa sempre de uma contracultura.
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A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.
Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

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