Super Disco #21 (c/ Eric D. Clark)

Quarta-feira, 15 Junho, 2011
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

dr seuss EricDclark-400x287

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado,18 Junho 18h30 > 20h00.

Super Disco: Dr. Seuss “Fox In Socks / Green Eggs And Ham” (1965)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Sacramento, Paris, Colónia, Berlim e Lisboa são algumas das cidades onde este norte-americano viveu e trabalhou (ou ainda o faz). Estudou e praticou piano antes dos 10 anos de idade, dirigiu coros de crianças na igreja, fez demonstrações de instrumentos, foi professor de artes visuais, é músico, vocalista e DJ e a sua base actual é Lisboa, onde o podem encontrar esporadicamente a tocar ao vivo ou passar discos. Esteve no topo nos anos 90 com o hit house “From Disco To Disco” (co-fundou os Whirlpool Productions), vai contar-nos como sentiu o mega-sucesso, o que o trouxe dos EUA para a Europa há 20 anos, o que andava a fazer com os Beatnigs de Michael Franti, o que faz actualmente e como veio parar a Lisboa. Como Super Disco escolheu um standard norte-americano das histórias infantis: “Fox In Socks / Green Eggs And Ham” (1965) é a transposição para audio de dois livros de Dr. Seuss com canções, histórias e trava-línguas. Eric tem especial preferência por “Green Eggs And Ham” também pelo acompanhamento musical de Sheldon Manne. Como ligar tudo isto e muito mais que desconhecemos? Só fazendo perguntas.
NOTA: Esta sessão decorrerá em Inglês, esperamos que não seja impeditivo para a maioria de vós.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #20 (c/ Vitor Rua)

Quarta-feira, 18 Maio, 2011
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

stockhausen vitor-rua-400v

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 21 Maio 18h30 > 20h00.

Super Disco: Karlheinz Stockhausen “Mikrophonie” (1964 e 1965)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Vitor Rua fundou os GNR e Telectu, há 30 anos, e o seu nome nunca deixou de estar ligado, frequentemente em simultâneo, à vanguarda pop portuguesa e à experimentação de novos sons e conceitos muito para além da utilização da guitarra, o seu instrumento habitual. Depois do último concerto com os GNR em Vilar de Mouros (1982), em projectos a solo ou colaborações, agitou o meio musical, provocou paixões e desentendimentos, criticou e ainda critica aquilo que considera injusto, mal feito e oportunista nesse mesmo meio. Nascido em 1961, Vitor Rua chega aos 50 anos de idade em 2011 com o grau de militância intacto e cada vez mais distante, musicalmente, dos primeiros singles de GNR, seja através da relação entre composição e improvisação, já presente nos Telectu, ou na composição mais rigorosa (óperas, música para dança, video, poesia, teatro). Escolheu para esta sessão “Mikrophonie”, uma obra em duas partes (1964 e 1965) de Karlheinz Stockhausen. Aqui, o compositor alemão procurou deslocar o microfone da sua posição passiva de mero reprodutor de som para um papel activo na captação de vibrações e “detecção” sonora. Tentaremos saber quando e como este disco apareceu no percurso de Vitor Rua, como compara a actualidade aos seus primeiros anos como músico. Quem viu os seus recentes videos no YouTube (retirados entretanto) vai querer conhecer, também, o espírito que anima a oposição.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Um comentário »

Super Disco #19 (Rui Miguel Abreu fala c/ Rodrigo Amado)

Quinta-feira, 14 Abril, 2011
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , , ,

brian eno Rodrigo+Amado+by+Jan+Bebel

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 16 Abril 18h30 > 20h00.

Super Disco: Brian Eno “Before And After Science” (1977)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Tal como para o Rui Miguel, o Rodrigo Amado é um velho conhecido nosso de várias andanças no meio musical. Pode existir um mundo de diferença entre a improvisação com saxofone e a gestão de uma loja de discos, há com certeza vários mundos entre esses dois – digamos – pólos, e parece-nos ter sido sempre com naturalidade e empenho que o Rodrigo aparece na defesa daquilo que faz. O Rui Miguel fala com ele no Sábado, 16 de Abril, e é com prazer que incorporamos esta actividade nas nossas comemorações do Record Store Day 2011. Rui Miguel Abreu escreve:

“Lembro que me cruzei pela primeira vez com o nome de Rodrigo Amado na capa de “Corações Felpudos” dos Mão Morta e lembro-me também de não ter estranhado a presença de um saxofonista no segundo álbum de uma banda que já me tinha habituado a considerar como abrasiva: o trabalho de Steve Mackay em Funhouse dos Stooges era razão mais do que suficiente para encaixar da melhor forma essa “anomalia” na ficha técnica de “Corações Felpudos” numa altura em que as guitarras dominavam a paisagem musical das minhas prateleiras de discos.
Voltei a ler o nome de Rodrigo Amado mais algumas vezes em contextos mais “apropriados”: em trabalhos de gente como os Duplex Longa, Vítor Rua, Sei Miguel, João Peste. Só o conheci uns anos mais tarde, como homem do leme de uma belíssima loja de discos que a Valentim de Carvalho ousou lançar no Chiado antes da Fnac, primeiro, e a contracção do mercado, depois, terem ditado o fim da aventura e a alteração das regras do jogo.
Quando me voltei a cruzar com o Rodrigo, numa tarde num escritório junto ao jardim de Oeiras, reedições da Actuel e as possibilidades de cruzamento entre a Clean Feed e a Loop ocuparam a nossa conversa. Daí resultaria a cumplicidade que levou a que voltasse a cruzar-me com o nome de Rodrigo Amado nas fichas técnicas de discos de Rocky Marsiano e DJ Ride que eu próprio ajudei a lançar. A partir daí cruzámo-nos um sem número de vezes em situações de concerto.
E os cruzamentos continuam, de outra forma, nos discos que tem lançado nos últimos anos, que me desafiam a atenção, me obrigam a repensar coordenadas do jazz e me enchem de orgulho quando motivam, na imprensa internacional, palavras como “a fast rising star of European improvisation”. E depois houve a outra surpresa, da câmara fotográfica, que tem levado Rodrigo a expor ideias de outra forma, mas com idêntica entrega.
Ainda assim, apesar de todos os cruzamentos e de algumas surpresas, nada me faria pensar que a resposta do Rodrigo ao desafio Super Disco seria “Before and After Science” de Brian Eno, maverick da cena rock britânica que em 1977 conseguia lançar a vista para lá da nuvem causada pela explosão punk e sonhar um futuro que James Murphy, por exemplo, voltou a reclamar no presente. E ainda titulou canções com anagramas que antecipavam o seu próprio futuro. Apesar do cast de estrelas que se lista na ficha técnica, e que inclui Robert Fripp em “cascade guitars”, não há lugar para nenhum saxofonista, o que só reforça a surpresa. Sábado 16, pelas 18 e 30 no Maria Matos, haverá portanto, mais uma vez, lugar a cruzamentos e a surpresas. Em dia de celebração das lojas de discos.”

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #18 (c/ Rui Catalão)

Quinta-feira, 24 Março, 2011
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

jose cid2 rui catalão

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 26 Março 18h30 > 20h00.

Super Disco: José Cid “Palha” (1971)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Rui Catalão passou a última década a escrever para teatro, cinema (”O Capacete Dourado” ou “Morrer Como Um Homem”, por exemplo), improvisou e interpretou personagens em palco, e recentemente, no Maria Matos, no início deste mês de Março, apresentou o seu primeiro solo. “Dentro das Palavras”, estreado em 2009, são duas horas em que personalidade e personagem se fundem, representa um balanço de dez anos a trabalhar na dança, a privar com bailarinos, e teve origem durante o período em que viveu na Roménia e trabalhou no CNDB (Centrul National al Dansului din Bucuresti). Reflecte sobre o seu progressivo desligamento da linguagem falada como principal meio de expressão (ele não falava romeno, passou três anos quase sem falar), mas também como a vida do corpo sofre essa mudança. Antes de tudo isto, nos anos 90, trabalhou cinco anos como jornalista e crítico musical no Público. Partindo da abordagem autobiográfica de “Dentro Das Palavras”, tentaremos que nos conte o que aconteceu entre um período e outro, o que aconteceu com a música na sua vida, de onde veio a ligação original. O Super Disco que ajudará a pontuar a conversa é o álbum conhecido como “Palha”, primeiro LP a solo de José Cid, gravado em 1971. Queremos saber coisas.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #17 (Rui Miguel Abreu fala c/ António Pinho)

Quinta-feira, 17 Fevereiro, 2011
Categoria: Aviso
Etiquetas: , , , , ,

banda do casaco 1 bandadocasaco_01

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 19 Fevereiro 18h30 > 20h00.

Super Disco: Banda do Casaco “Dos Benefícios de Um Vendido No Reino dos Bonifácios” (1974)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

História muito importante para a música portuguesa, aquela vivida por António Pinho. Atravessou as décadas de formação da pop feita em Portugal mas também de experiências nas margens do jazz e do rock progressivo. Viveu o antes e o depois do 25 de Abril enquanto músico. Rui Miguel Abreu justifica melhor do que nós a escolha de António Pinho para a sessão Super Disco número 17:

“António Avelar Pinho é um daqueles homens que tem nos ombros o peso da invenção da modernidade na música portuguesa, que é algo bem diferente do peso da invenção da moderna música portuguesa, que é coisa que às vezes nem sabemos bem se existe. Com toda a certeza ninguém recusaria tal peso de forma mais veemente do que o próprio António Pinho, homem tão modesto quanto inteligente, mas que se moveu nas sombras da história o suficiente para que o presente lhe deva alguma coisa. Bastante, acredito eu.
Quando a cultura pop começou a dar os primeiros passos, António Pinho ecoou imediatamente as suas possibilidades com uma banda no Entroncamento que nunca chegou a ser fenómeno, mas que lhe deixou vontade para prosseguir a aventura da música. O capítulo seguinte foi bem mais sério e levou o nome – seu! – de Filarmónica Fraude, grupo de Tomar que em 1969 lançou uma Epopeia que já projectava Portugal no futuro e no infinito. Da Filarmónica Fraude nasceram ideias que mais tarde António Pinho, juntamente com Luís Linhares, também dos homens de Epopeia, e ainda Nuno Rodrigues e Celso Carvalho desenvolveriam com a espantosa Banda do Casaco.
O Super Disco de Fevereiro é precisamente o trabalho inaugural da discografia da Banda do Casaco, o mítico “Dos Benefícios de Um Vendido no Reino dos Bonifácios “de 1974, álbum que misturou folclore, rock progressivo e jazz de forma inédita e absolutamente prodigiosa recorrendo a músicos espantosos como Carlos “Zíngaro”, por exemplo.
A carreira da Banda do Casaco levou-os até à década de 80, época em que António Pinho era já um activo agente da revolução tendo trabalhado no arranque das discografias de Rui Veloso, Heróis do Mar ou Táxi, entre tantos outros, ajudando a new wave e o rock a entrar numa cena de portas escancaradas. Pinho fez muito mais: escreveu canções e livros para os mais novos, brincou com a língua como muito poucos e reteve uma integridade humana e criativa que asseguram a sua singularidade até aos dias de hoje. Essas serão certamente as coordenadas da conversa marcada para as 18h30 do próximo dia 19, no sítio do costume.”

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #16 (c/ Kalaf)

Quinta-feira, 20 Janeiro, 2011
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

kanye west kalafsuperdisco

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 22 de Janeiro 18h30 > 20h00.

Super Disco: Kanye West “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” (2010)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Kalaf Ângelo. Poeta, MC, agitador, pensador, ícone de moda. Kalaf é uma das figuras emblemáticas da cena musical portuguesa dos últimos 10 anos, colaborou com projectos como Spaceboys ou Type, pertence ao núcleo duro da Enchufada desde o inicio, o que quer dizer que fundou a editora e foi dos 1Uik Project antes de haver Buraka Som Sistema. É um poeta cantor mas também é um cantor cronista, que assina um coluna semanal no P2 do jornal Publico. Kalaf faz a ponte entre Lisboa, Luanda e o resto do mundo, personificando o espirito de grande miscigenação da cultura pop actual. Escolhe “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, o recente álbum de Kanye West, uma espécie de ópera grandiosa que reflecte o estado de alma do seu autor e a sua interpretação da contemporaneidade enquanto procura deixar uma marca artística indelével. Foi um dos discos mais comentados e elogiados em 2010, para Kalaf certamente um disco integrado neste momento da História. É a sua visão mas também o seu percurso até à actualidade que vamos conhecer melhor. Detalhes sumarentos da cena musical angolana que não conhecemos, crónicas de viagens em tournée e o kuduro como fenómeno com apelo global.
Diferente das outras sessões Super Disco, esta vai mergulhar sobretudo no presente.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #15 (Rui Miguel Abreu fala c/ Rui Pregal da Cunha)

Terça-feira, 7 Dezembro, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

dr buzzard ruipregaldacunha

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado, 11 de Dezembro 18h30 > 20h00.

Super Disco: Dr Buzzard’s Original Savannah Band “Dr Buzzard’s Original Savannah Band” (1976)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Rui Pregal da Cunha simboliza (e personifica), directa ou indirectamente, boa parte das movimentações que, em Portugal, na viragem entre as décadas de 70 e 80, nos colocavam mais perto do que acontecia em Londres e Nova Iorque. Alguns agentes isolados criavam a ilusão de um cenário vibrante, e os Heróis do Mar acrescentavam-lhe polémica. RPC era o vocalista e figura de proa (como os vocalistas são, tradicionalmente, nas bandas) e o seu sentido de moda (+ a construção Heróis do Mar) acabou também por estar no centro do vanguardismo que deu personalidade à moda portuguesa nos anos 80. Rui terá muitas e variadas histórias para contar, é simpático e conversador, e nós todos teremos oportunidade de abrir uma janela privilegiada para a cultura pop portuguesa dos últimos 30 anos. Estejam lá!

Rui Miguel Abreu fala com Rui Pregal da Cunha, eis o que ele escreve:

“Quando se pensa na história da mais moderna música portuguesa vai-se sempre desembocar numa encruzilhada que algures no arranque da década de 80 colocava no mapa o Bairro Alto, clubes como o Trumps, galerias de arte e lojas de roupa que procuravam injectar Londres e Nova Iorque numa Lisboa adormecida. Algures nessa encruzilhada seria possível encontrar Rui Pregal da Cunha que se lembra de dançar ao som de discos da Ze Records tocados por João Vaz na cabine do Trumps.
Pouco tempo depois, quando o impulso punk se transformou em sofisticação new wave, nasceram os desalinhados Heróis do Mar, mais de lá do que de cá no som, mais de cá do que de qualquer outro sítio na imagem e nas palavras. Hoje descobre-se que a sombra dos Heróis é longa e não se esgotou na discografia que, simbolicamente, ficou encerrada na mesma década que os viu nascer. Depois dos Heróis do Mar, Rui Pregal da Cunha ainda se reinventou com os LX 90, grupo em que também militava DJ Vibe, ou nos Kick Out The Jams, outra banda com o mesmo Paulo Pedro Gonçalves que abanava os alicerces da nossa monotonia desde o tempo dos Faíscas e dos Corpo Diplomático.
Agora, Rui Pregal da Cunha ressurgiu ao lado dos Golpes, com uma das mais infecciosas canções dos últimos tempos e, vá lá, senhora, senhores, e todos os outros, fez-nos acreditar que podíamos ser o centro do mundo se realmente quiséssemos.
Rui escolheu um fantástico disco de 1976, um daqueles que provavelmente escutou emitido a partir das cabines do Bairro Alto que era um bocadinho Soho e um bocadinho Manhattan quando era realmente preciso: Dr. Buzzard’s Original Savannah Band dos… Dr. Buzzard’s Original Savannah Band é o álbum do clássico disco «Cherchez la Femme». Na banda militavam August Darnell e Andy Hernandez, mais tarde parte do turbilhão de funk tropical que respondeu pelo nome de Kid Creole & The Coconuts. Hernandez também é conhecido por Coati Mundi e como tal editou recentemente na Rong um álbum cuja capa evoca, precisamente, a estreia dos Dr. Buzzard’s…
Se o mundo não é um loop o que é, afinal?”

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #14 (Isilda Sanches fala c/ Ana Cristina Ferrão)

Quinta-feira, 18 Novembro, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

joni mitchell ana cristina ferrao super disco

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 20 18h30 > 20h00.

Super Disco: Joni Mitchell “Blue” (1971)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Ana Cristina Ferrão viveu ao lado do radialista António Sérgio os seus últimos 30 anos de vida. Com entusiasmo pela produção e amor pela música, contribuiu para o sucesso dos vários programas que Sérgio realizou nestas três décadas. É a nossa convidada do mês de Novembro, disponível para partilhar as muitas memórias e experiências que guarda, a começar pela escolha do disco para esta sessão: “Blue”, de Joni Mitchell (1971), foi o primeiro LP que lhe foi oferecido por António Sérgio. É um álbum de canções delicadas que abordam vários aspectos de um relacionamento amoroso, é o quarto álbum da cantora e
compositora canadiana e abrirá caminho a uma conversa que toca em pontos nevrálgicos da divulgação de música “diferente” em Portugal. Ana Cristina está em posição privilegiada para nos guiar pela espécie de submundo habitado por quem consome música com paixão suficiente para ter vontade em divulgá-la. Esta sessão é também assim, inevitavelmente, uma oportunidade para relembrar António Sérgio.

A luz (mas também a sombra) de “Blue” faz com que a discografia não-oficial de Joni Mitchell comece exactamente aqui, ignorando tudo o que tinha editado até ao ano de 1971 – o que é injusto, porque “Ladies Of The Canyon” é um fabuloso álbum, mostrando que iria ser, mais tarde ou mais cedo, uma escritora de canções de referência. E a grande escritora de canções iria aparecer exactamente no ano seguinte, com uma obra que ainda hoje estarrece-nos pela profundidade das suas palavras e pela agudeza da sua composição. Feito de algum desencanto, nas entrelinhas vagueia também a esperança, mesmo que vá sendo pintada de muitas cores – quase todas as canções têm referência a cores -, e mesmo que seja “Blue” (a cor e o sentimento) que domine a sua poesia. Se não conhecem este lendário álbum, comecem por ele a ouvir uma das mais importantes escritoras e cantoras norte-americanas (também é canadiana, tal como Leonard Cohen), percorrendo depois os anos seguintes e mais meia-dúzia de discos fantásticos.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Um comentário »

Super Disco #13 (Rui Miguel Abreu fala c/ Dinis)

Quinta-feira, 14 Outubro, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

goldie dinis

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 16 18h30 > 20h00.

Super Disco: Goldie “Timeless”(1995)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Um dos DJs que mais respeitamos em todo o mundo, não vale a pena dizer só em Portugal. Dedicado, militante, bom tecnicamente, tem uma missão e não cede a oportunismos. Tem a sua árvore genealógica musical muito bem estudada, desde as raízes. A sua atitude é a chamada “no bullshit”. Quem não gosta, paciência, é pena. Mais abaixo podem ler um resumo do próprio sobre as suas actividades e uma apreciação de Rui Miguel Abreu, o seu interlocutor no Sábado, 16 de Outubro, no café do Teatro Maria Matos.
Dinis teve visão privilegiada de toda a ascenção da música de dança em Portugal desde o final da década de 80, ele sabe-vos explicar os géneros, as diferenças entre eles, os detalhes sónicos, a paixão pela música e a cena hardcore que fragmentou para sempre a união rave que, por breves meses, agregou toda a gente. Os posters que desenha para as suas noites Flashdance estão sempre entre os nossos favoritos quando os colamos na montra da loja. Para descobrir, ainda, a outra ocupação de longa data: actor. Cinema mas sobretudo teatro. É isso. Tentem não faltar.

Dinis por Dinis:

«Dj desde 1990. Frágil (Zé Pedro/Vargas).
Clubes do Bairro Alto: Nova, Keops, Sudoeste, Fremitus e mais tarde Captain Kirk
Venda de discos na El Dorado.
Fundação da Cool Train crew. Clube Ciclone (ex-Johnny Guitar)
Primeiras datas no Porto a partir de 97.
Fundação da Pressure Force.
Lux: Lisburn com o Tiago e Jungle Bells com Pressure Force.
Hard-Club, Meia-Cave e Anikibobo. Programador Meia-Cave.
Abertura da loja de discos Portugeezers em 2001 no Porto (Breaks,dubstep and drumnbass).
Nos últimos dez anos mantive residências (ou afins…) no Lux (Skillz), no Europa, no Lounge, no Music Box… no Maus Hábitos, no Passos Manuel, no Pitch, no Armazém do Chá e no Plano B.
Flashdance: principalmente musica inglesa pós-Hard-core jungle + os clássicos e as referências (reggae, hip-hop, disco e funk).
Pressure Force: Drumnbass»

O texto original era ainda mais urgente, sem espaços entre a pontuação e as palavras, sem acentuação, sem pausas… Exatamente como a carreira.
Conheço o Dinis Neto desde sempre e adivinhei o disco que iria escolher – “Timeless”, de Goldie – exatamente porque estava lá, ao lado dele, quando esse frémito do drum n’ bass tomou conta dos espaços, em Lisboa e não só. Lembro-me bem do ritual da chegada de discos à Contraverso e da luta em que era necessário embarcar para se ter acesso aos 12 polegadas mais urgentes de etiquetas como a V, de gente como Photek. Cada 12 polegadas representava não o momento, mas um possível futuro. E o Dinis foi sempre infalível a perceber os golpes de rins que transportavam este aceleramento de partículas do “amen break” em direção a um futuro renovado de cada vez que Zé Guedes abria mais uma caixa.
Há outra qualidade no Dinis: uma inabalável paixão pela música foi sempre o seu real motor. Não os trends, não as unanimidades, não as modas ditadas pelas páginas de alguma imprensa britânica mais flashy. E foi sempre generoso: drum n’ bass era a sua praia, sim, mas isso nunca o impediu de mergulhar noutras águas. E de o fazer com a autoridade de quem conhece bem a diferença entre cada oceano.
O álbum escolhido por Dinis define uma época, define um momento do continuum hardcore de que fala Kode 9 que, ao contrário do que por breves instantes se chegou a pensar nesse tempo, tem óbvias ligações ao passado e ao futuro. House, acid, rave, hardcore, drum n’bass, two step, uk garage, dubstep… E daí uma ligação ao mundo, do disco ao dub e a toda a ciência rítmica que se tem desenvolvido desde que se conseguiu extrair pulsação sincopada de um conjunto de circuitos integrados. Faz sentido, pleno sentido, que Dinis escolha um disco assim. Está no centro. É um marco. E todas as viagens precisam de um marco. A viagem de Dinis tem agora paragem assegurada, sábado, no Maria Matos. Be there.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Um comentário »

Super Disco #12 (c/ Nuno Rogeiro)

Quinta-feira, 23 Setembro, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

frank zappa nunorogeirosuperdisco

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 25 de Setembro 18h30 > 20h00.

Super Disco: Frank Zappa “Hot Rats” (1969)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Nuno Rogeiro quase dispensa apresentações. É já, para os mais atentos, um ícone na cultura pop portuguesa, estatuto que conquistou naturalmente graças à eloquência com que aborda os assuntos sobre os quais é chamado a falar. Estudioso da Ciência Política, professor, jornalista (O Diabo, O Século, revista K, O Independente, TSF, etc.), comentador, investigador, apaixonado por música, cinema e outras artes, Homem da Renascença por excelência. É com muito prazer que saberemos nesta sessão Super Disco como e em que grau se manifesta o seu conhecido gosto por música, para além de admitir tocar “um bocado de flauta,  piano e baixo rudimentares (abaixo de principiante)”. Escolheu como base para esta conversa o álbum “Hot Rats”, de Frank Zappa, editado em 1969 como o seu primeiro álbum a solo, ou seja, em nome próprio, depois de abandonar o nome Mothers Of Invention (que viria a recuperar, sob várias formas, após “Hot Rats”, até 1976). Outra particularidade do álbum é ser quase exclusivamente instrumental, com excepção de uma faixa cantada por Captain Beefheart.
Nuno Rogeiro comprou-o na discoteca Melodia, na Baixa de Lisboa, em 1974, quando era finalista no Liceu Pedro Nunes. Sobre o disco acrescenta:
“Hot Rats”, publicado pela Reprise, foi a revelação de um jazz-rock alternativo e visionário, e de uma face “técnica” de Zappa, até então desprezada. Foi ainda a fundação de um dialecto próprio, de um som imediatamente reconhecível, de pequenas peças sinfónicas inigualáveis (”Peaches en Regalia”, “Little Umbrellas”), de melodias e arranjos geniais e bizarros, e da revelação de grandes nomes, como o violinista Jean Luc Ponty (que depois descaminhou um pouco…). Zappa morreu já há 17 anos, mas “Hot Rats” continua vivo: era avançado para a época, e portanto, se calhar, ainda não o apanhámos.”
Acreditamos que a hora e meia desta sessão passará sem nos darmos conta.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #11 (Rui Miguel Abreu fala c/ Pedro Tenreiro)

Quarta-feira, 14 Julho, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , ,

sly and the family stone pedro tenreiro

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 17 de Julho 18h30 > 20h00.

Super Disco: Sly & The Family Stone “There’s A Riot Goin’ On” (1971)

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

A ideia é todas estas sessões serem históricas, e o nome do Pedro Tenreiro já tem essa aura, apesar de a sua actividade estar longe de encerrada. Fez e editou re-edits praticamente uma década antes da recente cena que acontece em Portugal (virada para fora) e a sua dedicação a música negra aplicada à pista de dança torna-o incontornável se quisermos assinalar pontos importantes na cultura de música de dança em Portugal. No mesmo dia – 17 de Julho – estreia o seu Clube de Funk no Clube Ferroviário, em Santa Apolónia. Mas leiam o que escreveu Rui Miguel Abreu:

Pedro Tenreiro é um amigo, antes de mais nada. Trabalhei com o Pedro na NorteSul, aventureira etiqueta da Valentim de Carvalho, entre 1995 e 2001 e com ele aprendi muito. Sobre música, claro. Mas não só. Dj há mais tempo do que certamente é possível compreender à luz da escala actual que faz de tanta gente com um laptop e uns gigas de ficheiros mp3 «djs», Pedro Tenreiro seguiu uma linha constante na sua abordagem à música – a de um profundo respeito e conhecimento da música negra. Um conhecimento vasto, enciclopédico e em primeira mão: muitos dos discos hoje vistos como clássicos – de disco, hip hop, house, punk-funk… – entraram na colecção de Pedro Tenreiro aquando das suas edições originais. E ele soube depois medir-lhes o alcance, tendo o gira-discos como ponto de mira e a pista de dança como alvo da sua munição rítmica. Arma secreta? Um bom gosto profundo, que sempre lhe permitiu distinguir entre o que tem potencial para sobreviver ao teste do tempo e ascender ao estatuto de clássico e o que meramente traduz o momento. Pedro Tenreiro, é bom de ver, é um coleccionador devotado, digger com muita poeira nos dedos, sniper com olho de falcão capaz de sobreviver na selva que é o eBay, respeitado e conhecedor arquivista capaz de falar de igual para igual com nomes grandes do circuito internacional. Keb Darge ou Ian Wright são amigos íntimos. Como os Idjut Boys ou Nick The Record. Pedro é membro dessa elite: gente com uma paixão pelos discos tão enorme que tocá-los não chega. Há também que fazê-los. E Pedro fez muitos: como A&R possuirá um dos mais invejáveis currículos do nosso país – ligou o seu nome ao de gente como Mind Da Gap, Cool Hipnoise, Mão Morta, aventurou-se, comigo ao seu lado, na Kami’khazz, editando vinil quando a “moda” actual era ainda uma distante miragem. E assinou edits que tiveram projecção internacional, como Dancin’ Days, acrescentando ao seu currículo edições na Noid e na Big Bear. É de homem.

Mais recentemente, Pedro Tenreiro apontou à fonte e transformou o seu Clube de Funk num ponto de peregrinação para todos os que gostam de beber água da mais pura. Conjugando o microfone com pérolas que muitas vezes merecem mais estar depositadas no banco do que numa estante de discos – tal o seu valor! – Pedro criou a primeira e mais genuína noite de deep funk do país, capaz de rivalizar, na intensidade das suas sessões e na qualidade das suas selecções, com as mais quentes noites da Madame Jojo’s de Londres. O Clube de Funk arranca com uma residência em Lisboa precisamente na noite de 17 de Julho, quando Pedro desce à capital para protagonizar mais um Super Disco no Teatro Maria Matos. Disco escolhido? There’s a Riot Goin’ On de Sly and the Family Stone.

Quando Marvin Gaye, de olhos lavados pela realidade no arranque dos anos 70 e informado pela experiência do seu irmão no Vietname, perguntava ao mundo o que se passava com a obra-prima What’s Going On?, Sylvester Stewart decidiu responder com o seu retrato real de uma sociedade em escombros, de um pós-Civil Rights Movement que, afinal, não escondia um pote de ouro no fim do arco-íris. Peter Doggett, no seu livro sobre «revolucionários, estrelas rock e a ascensão e queda da contra-cultura dos anos 60», apropriadamente intitulado There’s a Riot Going On, assim mesmo sem substituir o “g” por um apóstrofo, para se distinguir do disco que lhe inspirou o título, escrevia que o disco de Sly And The Family Stone «respondia à sombria realidade da vida nas ruas para os afro-americanos oferecendo um atraente e delicioso escape para a solidão, moldado pelas drogas e pelo hedonismo». É sobre este álbum de 1971 que Pedro Tenreiro vai falar no Super Disco do próximo sábado. A sua visão da obra-prima de Sly Stewart, salada psicadélica de funk, rock e política, e a sua própria vida e carreira serão as coordenadas para a conversa que se inicia às 18 e 30 no café do Teatro Maria Matos.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #10 (Rui Miguel Abreu fala c/ Sam The Kid)

Quarta-feira, 2 Junho, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , , ,

gang star sam the kid

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 5 de Junho 18h30 > 20h00.

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Sam The Kid é um herói. Não daqueles que usa capa e voa, mas daqueles que, pela persistência do talento, nos obrigam a prestar atenção, a alterar preconceitos, a mudar de direcção. Nesta altura, a sua carreira já vai longa, mas mantém a frescura dos primeiros momentos. Iniciou-se na “segunda vaga” do Hip Hop Tuga com a edição artesanal de Entre(tanto) mesmo a tempo de deixar a sua marca na década de 90. Era uma época de auto-edições, de ignorância propositada das regras da indústria, quando uma fotocópia bastava para capa e um CDR era mais do que suficiente para conter o que se gravava em casa, em total desrespeito pelas regras do áudio.

Logo de início Sam distinguiu-se pelas suas capacidades no microfone. Se em termos formais os primeiros passos dispensavam controle de qualidade, já ao nível daquilo que se passava entre a ponta da sua caneta e o papel não havia facilitismos. A língua, nesse tempo, era tomada de assalto como terreno virgem, pronto para a invenção, pronto para assistir à construção de uma nova realidade. Quando Sobre(tudo) chegou, em 2002, os holofotes já estavam lançados sobre esta nova geração que reclamava as ruas, a língua e os breaks como mecanismos de definição de identidade, de vontade, de criatividade. «Não percebes o hip hop», rappava ele. E tinha razão. Os equívocos eram por demais evidentes por parte de quem se dispunha a abordar o “fenómeno”.

A terceira etapa desta carreira dispensou as palavras e isso fomentou equívocos por si só. O clássico «até gosto de hip hop se não tiver rimas» era tão acertado quanto um «até gosto de futebol se só tiver remates à baliza». Na verdade, «Beats Vol. 1 – Amor» estava cheio de rimas, de palavras e de significados. E de remates à baliza, que no hip hop se chamam «punch lines». Só que ninguém as ouvia. Estavam todas na cabeça de Sam The Kid, mas de alguma forma a história passou cá para fora. Esse disco era tão transparente, mas tão honesto, que desarmou tudo e todos. Essa espécie de passo atrás precedeu os dois em frente que Sam deu com Pratica(mente) de 2006. «Poetas de Karaoke» voltou a agitar e «Negociantes» resguardou pelo menos uma voz, uma história, para a posteridade. Os samples de Sam continuavam a entrelaçar-se num rendilhado particular, desta vez admitindo a intervenção de músicos, de instrumentação real. Porque Sam soube sempre olhar para a frente. No fundo, essa experiência desembocou agora no projecto Orelha Negra – de novo os beats, os samples, mais o dj e os músicos a caminharem num passo seguro para uma direcção comum. As histórias continuam lá, nos silêncios, nos samples, enredilhadas nos grooves, escondidas na poeira do vinil que é samplado em cada momento, nas entrelinhas das “dicas” largadas pela MPC.

A verdade é que Sam não vive sem palavras. E por isso escolheu um Super Disco especial: “Moment of Truth” dos Gang Starr. Lançado originalmente em 1998 (a relação com a própria carreira de Sam é clara – este é um daqueles discos estudado até à última tarola), ”Moment of Truth” é uma das obras primas do hip hop. Quinto álbum dos Gang Starr (o único gang a que todos quisemos pertencer, como diziam os De La Soul) de Dj Premier e do recentemente desaparecido Guru, representa o apogeu do som de Nova Iorque.
Os Gang Starr só gravariam mais um álbum, The Ownerz de 2003. E por entre fantasias de uma reunião dos Gang Starr que os pudesse trazer até Portugal (tanto Primo como Guru nos visitaram, mas em separado) chegou-se até ao desaparecimento deste plano de existência de Keith Elam, a 19 de Abril último. Coordenadas mais do que suficientes para a conversa no Maria Matos.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #9 (c/ Manuela Paraíso)

Quarta-feira, 12 Maio, 2010
Categoria: Ao vivo
Etiquetas: , , , , , ,

FLYING LIZARDS MANUELA PARAISO

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 15 de Maio 18h30 > 20h00.

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Manuela Paraíso é uma paixão antiga. Depois da iniciação com António Sérgio, da continuada exploração do que se chamava (e de certa forma ainda se chama hoje, embora num contexto completamente diferente) “música alternativa”, chegava-se a um ponto em que o universo pop/rock indie já não era suficiente. “O Fogo E O Gelo”, programa de rádio realizado por Manuela Paraíso na Rádio Azul em Setúbal na segunda metade da década de 80, teve uma importância de formação que não se consegue transmitir eficazmente hoje em dia. Juntamente com “O Crepúsculo dos Deuses” (Paulo e Fred Somsen + Eugénio Teófilo) na Rádio Universidade Tejo, foram horas de rádio a mostrar novos sons fora do loop pop/rock: EBM, industrial, neo-clássico, noise, electrónica e muitas coisas sem classificação. Os próprios separadores e jingles das emissões eram objecto de curiosidade – como explicar o entusiasmo em descobrir, anos mais tarde, que a música X era um dos jingles em “O Fogo E O Gelo”? Não dá.

Manuela Paraíso escreve sobre música desde 1980 (Música & Som, Blitz, Se7e, Ícon, Première, Vogue, etc.); fundou e dirigiu o jornal LP, meteoro fugaz na imprensa musical portuguesa entre 1988 e 89; foi DJ na Jukebox entre 1983 e 84; realizou vários programas de autor em diversas rádios e em 1996 fixou-se na Rádio Paris Lisboa (actualmente Rádio Europa Lisboa), onde assina, desde 2007, o programa de divulgação de música erudita portuguesa “Na Outra Margem”. As aulas de piano, ainda criança, deram-lhe a formação clássica necessária para compreender as regras quebradas pela música que divulgava mas também a base fundamental para sentir a paixão por música clássica e erudita que forma o essencial do seu trabalho actual de divulgação. Presentemente é colaboradora do JL, na área da música erudita, da nova revista Glosas, e desenvolve vários projectos de produção e audiovisuais ligados a música erudita portuguesa.

O seu Super Disco é o primeiro álbum dos Flying Lizards, homónimo, editado originalmente pela Virgin em 1979. O single “Money” foi um êxito inesperado para um grupo pensado como uma farpa no coração da indústria pop – o álbum é composto por versões de antigos hits pop e soul (coisas da Motown, etc.) revistos com o descaramento experimental do pós-punk mais arrojado. David Cunningham era já, então, figura importante na música improvisada britânica, e as técnicas e sons que transportou para a pop não tiveram precedentes. A música propositadamenbte “desajeitada” e as vozes femininas esvaziadas de emoção foram uma provocação explícita à formatação pop açucarada. Disco muito importante para reforçar, ainda hoje, a ideia de que a pop precisa sempre de uma contracultura.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »

Super Disco #8 (c/ Zé Pedro Moura)

Quarta-feira, 7 Abril, 2010
Categoria: Ao vivo, Destaque
Etiquetas: , , , , ,

sandinistazé pedro moura

Entrada Gratuita, lotação limitada.
Onde: Café do Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Quando: Sábado 10 de Abril 18h30 > 20h00.

Super Disco é o nome das sessões idealizadas pela Flur e produzidas com a inestimável ajuda do Teatro Maria Matos, Rádio Oxigénio e MK2.

Um disco triplo de uma banda conotada com o punk não era, na época em que “Sandinista” foi editado, uma correspondência esperada. Os LPs duplos e triplos estavam normalmente reservados para registos ao vivo ou – alerta vermelho para bandas punk – discos conceptuais de grupos de rock sinfónico/progressivo. Mas os Clash foram ousados e conseguiram também eficazmente eclipsar o cliché do punk em 36 canções de diversos estilos que, no fundo, traduziam diversos interesses, influências, uma atitude descontraída e, de certa forma, revolucionária. Não por acaso, “Sandinista” era também o nome da auto-proclamada Frente de Libertação Nacional que governou a Nicarágua entre 1979 e 1980, ano da edição deste álbum.
Este é o Super Disco de Zé Pedro Moura (ZPM), nosso convidado do mês de Abril. Não foi fácil escolher de entre tantos discos num percurso tão rico e variado como o de ZPM, daí que este seja um ponto de partida para uma viagem pelo tempo que se cruza com as histórias do rock e da música de dança em Portugal. ZPM foi baixista nos Mão Morta, formou os SPQR com Rafael Toral, integrou os Zero Amarelo e é, ainda hoje, passados 25 anos, baixista e compositor nos Pop Dell’Arte. Fez parte da equipa de DJs residentes no clube Frágil, no Bairro Alto, durante os anos 80 e boa parte dos 90. Teve sexo, drogas e rock & roll. É DJ no clube Lux desde a sua inauguração em 1998, não parece ter desejo em regressar ao passado porque há demasiada música boa a acontecer agora. É a vossa – e nossa – hipótese de homenagear em vida uma das figuras que mais solidamente contribuiram para que se ouvissem novos sons nos palcos e nas pistas de dança em Portugal.

—————–

A frase Disco é Cultura, comum em muitas edições discográficas brasileiras, era simples e nela lemos que nem só os discos de música clássica ou jazz mais erudito tinham o direito de ascender à categoria de Cultura com cê maiúsculo. Na verdade, qualquer disco é um artefacto cultural, tem uma história, representa uma época e, através dele, tem-se acesso a múltiplas outras histórias, tantas quantas as pessoas que o adquirem. Com estas sessões propomos a a convidados que escolham discos que considerem importantes e que partilhem em público o que sabem sobre eles e o que sentem ao ouvi-los. Sem limites de género.
Ainda, por excelência, o formato a que associamos a palavra Disco (o CD foi quase sempre CD), o álbum ou single em vinil transporta significados mais tangíveis que qualquer outro suporte para música, seja pelo manuseamento do próprio disco, pelo impacto visual da capa ou, defendem os incondicionais, pela superioridade do som face a formatos digitais. Por tudo isso será o formato privilegiado, mas não exclusivo, nestas sessões.

Queremos realçar o puro valor emocional e o carisma de um disco, traçar-lhe um percurso nas mãos do seu dono, manter viva a tradição de contar histórias e, porque é essencial, mostrar/ouvir a música de que se fala. No espírito das tertúlias literárias mas livres de academismos que possam erguer barreiras, estas sessões acontecerão em formato de programa de rádio gravado ao vivo e com emissão posterior na Rádio Oxigénio (102.6).
“Super Disco” era o título de algumas colectâneas de êxitos nos anos 70 e 80, uma espécie de disco com poderes reforçados pelas mais importantes canções nas listas de vendas. Para o que nos interessa, Super Disco é qualquer um que adquira poderes especiais nas mãos de quem o defende.

Zero comentários - Comente aqui »